Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 17 de junho de 2025

São Tomé e Príncipe - Lidera os países lusófonos em número de mulheres em Ministérios

Em todo o mundo, a quantidade de mulheres na liderança política diminuiu em cargos executivos em 2025; atualmente apenas 27 países contam com uma chefe de Estado ou de governo, segundo a ONU Mulheres


O relatório Mulheres Líderes na Política 2025, lançado na semana passada pela ONU Mulheres, revela um retrocesso na presença feminina em cargos como chefes de Estado, de governo e líderes de Ministérios.

A agência da ONU quer medidas ousadas e urgentes das autoridades, incluindo nomeações executivas, uso de ações especiais temporárias, como cotas, e mais proteção contra a violência política.

Chefes de Estado e de governo

A análise de dados até ao 1.º de janeiro deste ano revela que 27 países são liderados por uma chefe de Estado ou de governo, seis a mais que há cinco anos. Pelo menos 103 nunca tiveram uma mulher no mais alto cargo executivo.

Para a ONU Mulheres, esse desequilíbrio também se reflete na representação ministerial: mulheres ocupam apenas 22,9% dos cargos de chefia de Ministérios.

A análise mostra que o número global de ministras caiu, pela primeira vez, para 23,3%. Nas nações de língua portuguesa, São Tomé e Príncipe destaca-se no 24.º lugar com 41,7% de mulheres integrando o governo. Um pouco a mais que Portugal, que figura em 25.º lugar com 41,2%. Já o Brasil está em 53.º com 32,3% de ministras.

Na lista, Cabo Verde está no lugar 57 com 31,3% de ministras. Angola em 64.º com 29,2% Moçambique 68 com 27,8%.

Já Guiné-Bissau aparece em 98.º com 20,8%. Por fim, Timor-Leste está colocado em 101.º com 20%.

Países sem mulheres em cargos ministeriais

O número de gabinetes com pelo menos metade de mulheres caiu de 15 no ano passado para apenas nove. Houve uma subida de países sem mulheres em cargos ministeriais de sete para nove somente no último ano.

Mesmo ainda longe de atingirem a paridade, regiões como Europa e América do Norte lideram a proporção global de mulheres ministras com 31,4% e América Latina e Caribe com 30,4%. A Ásia Central e meridional fica significativamente atrás, com 9%.

Para a diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, “o mundo está a testemunhar a erosão da liderança política feminina justamente quando mais se precisa de uma tomada de decisão inclusiva.”

Para a chefe da agência, todos perdem quando as mulheres são excluídas dos mais altos níveis de liderança porque “à medida que as sociedades perdem a governança mais equitativa e responsiva que a liderança com equilíbrio de género possibilita.”

Carreiras de liderança política

O momento da queda na representação feminina em lideranças na política acontece em meio a uma “reação global contra os direitos das mulheres, agravado pela violência generalizada contra as mulheres na política, tanto online quanto offline”.

O estudo aponta que o fenómeno da violência, que abrange espaços físicos e plataformas digitais, impede muitas mulheres de ingressar ou continuar em carreiras de liderança política, minando a igualdade de género na representação.

As normas e práticas atuais de género influenciam de forma significativa a atribuição de pastas ministeriais. Os homens ocupam, na sua maioria, cargos a esse nível que determinam prioridades nacionais e globais.

Igualdade de género nas políticas e ações governamentais

O exemplo são áreas como defesa com 87%, assuntos financeiros e fiscais com 84% e relações exteriores com 82%.

As pastas comuns atribuídas a mulheres são mais frequentemente as de igualdade de género com 87% e assuntos da família e da infância com 71%.

Por outro lado, é observado um declínio do número de ministérios dedicados à igualdade de género, considerados uma instituição fundamental para a incorporação da igualdade de género nas políticas e ações governamentais.

Em 2020, havia cerca de 80 ministérios que foram reduzindo para 76 em 2024 e 74 neste ano. ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 10 de março de 2020

Timor-Leste – Programa global contra todas as formas de violência a mulheres

Timor-Leste abraçou um programa global contra todas as formas de violência a mulheres. Em parceria com a ONU e outros atores internacionais e nacionais, o país quer incluir 342 mil pessoas na iniciativa Spotlight de combate à violência a mulheres.

A Spotlight prevê investir € 13,5 milhões em ações de combate ao problema, considerado grave no país de língua portuguesa no sudeste da Ásia.  As autoridades apontavam a falta de recursos como um obstáculo para combater a violência.

Leis e plano

Em todo o país, até 59% das meninas e mulheres timorenses já foram vítimas de violência doméstica.

A secretária de Estado timorense para a Igualdade e Inclusão, Maria José de Jesus, contou que o país avalia como implementar a lei contra a violência doméstica e o plano para combater a violência de género durante a apresentação do evento, em Díli, no último dia 6.

O foco da Iniciativa Spotlight será combater a violência entre parceiros íntimos em território timorense. Esta é uma das formas mais comuns de agressões a mulheres, e que inclui abuso físico, sexual e emocional além de controle e assédio morais.

O coordenador residente da ONU no Timor-Leste, Roy Trivedi, disse que a violência a mulheres e meninas é um dos maiores e mais prevalentes abusos de direitos humanos no mundo.

Família

Num nível global, estima-se que uma em cada três mulheres é alvo de violência de género. Por dia, 137 vítimas de sexo feminino em todo o mundo são mortas por um membro da sua família.

A expectativa é que o programa ajude a reforçar a ação do governo timorense nos últimos anos, disse Truvedi.

Já o embaixador da União Europeia no país, Andrew Jacobs, confirmou o apoio do bloco europeu ao país.

A ministra Maria José de Jesus destacou a contribuição feita pelos parceiros nas ações do governo para prevenir e combater a violência sobre mulheres e meninas timorenses, incluindo a sociedade civil e parceiros de desenvolvimento.

Como parte da iniciativa global, Timor-Leste deverá reforçar a aplicação das leis e o funcionamento das instituições legais do país. Outras medidas incluem promover normas sociais positivas e aumentar o acesso a serviços para apoiar às sobreviventes da violência.

Parcerias

Durante os três anos, a iniciativa tentará melhorar o uso de dados para que as políticas do setor tenham maior impacto. Outra meta é reforçar as parcerias com as organizações da sociedade civil.

Participam da ação agências como ONU Mulheres, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Fundo da ONU para a Infância, o Fundo de População da ONU e a Organização Internacional do Trabalho.

A Iniciativa Spotlight foi lançada em setembro de 2017 com um investimento global de € 500 milhões.

A parceria entre a União Europeia e as Nações Unidas pretende impulsionar a igualdade de género e o empoderamento das mulheres para que sejam atingidos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS. ONU News – Nações Unidas

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Brasil – A física Márcia Barbosa incluída em lista de sete cientistas que moldaram o mundo pela ONU Mulheres

A física Márcia Barbosa pesquisa estruturas complexas da molécula de água numa relação que inclui a norte-americana Katherine Johnson, a polaca Marie Curie e a sul-africana Kiara Nirghin



A contribuição das mulheres à ciência é destacada pela ONU Mulheres como vital.  Elas descobriram medicamentos, assinaram invenções que mudaram o mundo e produziram pesquisas de longo alcance.

Mas, em muitos casos, esses avanços ​​são minimizados ou negligenciados.

Preconceito de género

Por muito tempo, as áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, conhecidas como Stem, na sigla em inglês, foram marcadas por preconceitos de género que excluem mulheres e meninas.

O acesso desigual à educação, tecnologias e posições de liderança afastou inúmeras mentes femininas das carreiras de Stem e impediu o progresso delas.

Mas apesar dos contratempos, algumas fronteiras do conhecimento científico começam a ser ultrapassadas para dar lugar à busca de soluções para desafios globais. Para a ONU Mulheres, o trabalho delas mudou a maneira como o mundo é visto, e por isso mesmo, as suas histórias merecem ser contadas e recontadas.

Neste Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, a agência preparou uma lista com sete exemplos de mulheres cientistas que todos deveriam conhecer. E uma delas é brasileira.

Márcia Barbosa

Márcia Barbosa é física especializada em estruturas complexas da molécula de água. Ela acredita que as anomalias da molécula podem ajudar a resolver os problemas de escassez de água doce.



A brasileira desenvolveu uma série de modelos de propriedades da água que podem melhorar a compreensão sobre uma ampla variedade de tópicos. Entre eles, como ocorrem terremotos, como a energia mais limpa é gerada e a forma de tratar as doenças. Em 2013, ela recebeu o Prêmio L'Oréal-Unesco para Mulheres na Ciência.

A física está empenhada em buscar uma igualdade maior para mulheres e meninas nas áreas de Stem. Ela organizou uma série de conferências sobre mulheres na física, escreveu artigos sobre diversidade geográfica e de género na ciência e ministrou seminários que examinaram a falta de mulheres no campo.

Tu Youyou

Tu Youyou é química-farmacêutica e investiga o tratamento da malária numa técnica enraizada na medicina chinesa antiga. A sua descoberta da artemisinina, um composto que reduz rapidamente o número de parasitas do plasmódio no sangue de pacientes com malária, salvou milhões de vidas.

Como estudante de farmacologia, Youyou aprendeu a classificar plantas medicinais, extrair ingredientes ativos e determinar as suas estruturas químicas. No início da carreira, ela passou anos nas florestas tropicais do sul da China, estudando as consequências arrasadoras da malária e textos médicos antigos sobre os tratamentos tradicionais chineses para a doença.

Após anos de pesquisa, Youyou e sua equipa encontraram uma referência ao absinto doce, usado na China por volta de 400 dC para tratar febres intermitentes, um sintoma da malária. Eles extraíram o composto ativo artemisinina, testaram e publicaram as suas descobertas. Hoje, a Organização Mundial da Saúde, OMS, recomenda a terapia como primeira linha de defesa contra a malária.

Em 2015, ela e dois colegas receberam o Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina, tornando-se a primeira chinesa a receber o Prémio Nobel em qualquer categoria.

A sua descoberta continua a salvar vidas todos os dias.

Kiara Nirghin

A sul-africana, Kiara Nirghin, de 19 anos, conta que desde menina, fazia “perguntas sobre como o mundo funcionava".  Ela é vencedora da Google Science Fair 2016 por criar um polímero superabsorvente que pode reter mais de 100 vezes a sua massa, potencialmente revolucionando a conservação da água e mantendo plantações saudáveis durante períodos de seca.

Fora isso, a ONU Mulheres destaca que a invenção é de baixo custo e biodegradável, feita de cascas de laranja e de abacate.

O interesse de Nirghin na conservação da água vem de sua experiência com a seca de 2015 no seu país natal. Ela ficou impressionada ao ver barragens de água, uma vez cheias até à borda, secarem.

A adolescente conta que "sempre soube que tinha de fazer algo para resolver a seca porque ninguém mais estava fazendo nada".

A ONU Mulheres observa que a descoberta de Nirghin tem potencial para ir muito além de sua cidade natal. Ao ser utilizado em campos agrícolas, o polímero superabsorvente pode aumentar a segurança alimentar em todo o mundo.

Atualmente, Nirghin continua a sua pesquisa e estudos na Universidade de Stanford e defende que as meninas procurem os seus interesses em Stem. Para ela, “envolver as meninas na ciência deve ser interesse de todos”.

Katherine Johnson

Katherine Johnson é matemática. Os seus cálculos foram essenciais para a exploração espacial dos Estados Unidos. Como cientista da NASA, ela calculou trajetórias, períodos de lançamento e caminhos de retorno de emergência que levaram os primeiros astronautas dos Estados Unidos ao espaço e à órbita da Terra.



De acordo com a ONU Mulheres, Johnson foi a primeira afro-americana a frequentar a sua escola de pós-graduação e foi uma das poucas a trabalhar no programa espacial da NASA. Ela enfrentou discriminação por causa de sua raça e sexo, mas sabia que pertencia à equipa.

A cientista conta que eles se acostumaram com ela “fazendo perguntas e sendo a única mulher por lá.”

Hoje, aos 101 anos, Johnson é uma defensora firme de mulheres e meninas em Stem. Para ela, "as meninas são capazes de fazer tudo o que os homens são capazes de fazer."

A mensagem da cientista é: “descubra qual é o seu sonho e depois trabalhe nele, porque se você gosta do que está a fazer, vai se sair bem."

Marie Curie

Marie Curie era física e química. A sua pesquisa em radioatividade estabeleceu a base para a ciência nuclear moderna, dos raios X à radioterapia para o tratamento do cancro. Ela foi a primeira mulher a ganhar o Prémio Nobel e a primeira pessoa a ganhar dois prémios Nobel em duas categorias diferentes: Física e Química.

Curie cursou universidade na Polónia e doutorou-se na França. Ela e o marido descobriram dois elementos radioativos, o polónio e o rádio, e fundaram um instituto de pesquisa médica em Varsóvia.

A cientista também inventou unidades móveis de raios-X que ajudaram mais de um milhão de soldados feridos na Primeira Guerra Mundial.

Curie morreu de uma doença associada à radiação. Mas as suas descobertas continuam a salvar vidas até hoje.

Segenet Kelemu

Segenet Kelemu é uma patologista das moléculas das plantas, cuja pesquisa de ponta é dedicada a ajudar os pequenos agricultores do mundo a cultivar mais alimentos e a sair da pobreza. Ela diz que a sua vida é dedicada a "fazer a diferença na vida das pessoas e melhorar a agricultura na África."

Kelemu cresceu numa família de agricultores pobres na Etiópia e foi a primeira mulher da sua região a obter um diploma universitário. Ela conta que no vilarejo onde morava, "as meninas se casavam muito jovens”, mas que felizmente era rebelde demais para alguém arranjar um casamento".

Depois de anos a estudar e trabalhando no exterior, Kelemu retornou a África para liderar uma nova geração de cientistas. Ela acredita que o "investimento na agricultura africana, e em pesquisa africana é, na verdade, investir na humanidade como um todo."

Kelemu recebeu o Prêmio L'Oréal-Unesco para Mulheres na Ciência em 2014, foi nomeada uma das 100 mulheres africanas mais influentes da Forbes África e selecionada como bolsista da Academia Mundial de Ciências em 2015.

Maryam Mirzakhani

Maryam Mirzakhani foi criada em Teerão, no Irão. Na infância, sonhava em ser escritora. Mas somente no ensino médio, que descobriu o seu talento para a matemática, área que capturou a sua criatividade e intelecto para o resto da vida.



Em 1994, Mirzakhani tornou-se a primeira aluna iraniana a ganhar a medalha de ouro na Olimpíada Internacional de Matemática, com 41 pontos de um total de 42. Em 2015, ela voltou a vencer com uma pontuação perfeita.

A iraniana-americana fez doutoramento na Universidade de Harvard e foi uma das líderes nos estudos de dinâmica e geometria de superfícies complexas. Em 2014, ela tornou-se a primeira vencedora da medalha Fields, o prémio de maior prestígio em matemática.

Mirzakhani, que morreu em 2017, conta que quanto mais “dedicava tempo à matemática, mais se empolgava”. Ela lembra amar "a emoção da descoberta e o prazer de entender algo novo, a sensação de estar no topo de uma colina e ter uma visão clara".

A ONU Mulheres afirma que as suas contribuições inestimáveis ​​para o campo da matemática perduram. E que a sua carreira pioneira abriu o caminho para muitas matemáticas futuras. ONU News – Nações Unidas