Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 10 de março de 2025

Península Ibérica - Já começou a temporada de nascimentos do Lince Ibérico

O primeiro parto da temporada de reprodução ex situ do lince ibérico (Lynx pardinus) ocorreu na última quarta-feira de fevereiro no centro de reprodução de Zarza de Granadilla (Cáceres) administrado pelo Organismo Autónomo de Parques Nacionais (OAPN), a fêmea Hubara deu à luz um único filhote na sua caixa de parto após um período de gestação de 65 dias desde a sua primeira cópula com o macho Hocico.



O parto foi completamente normal, e a mãe demonstrou um comportamento exemplar, cuidando do filhote com dedicação. Houbara não se separa do filhote e oferece todos os cuidados necessários, desde a escovação e amamentação até mantê-lo aquecido para garantir a sua temperatura corporal correta. A equipa veterinária e técnica do centro está monitorizando o progresso de ambos os animais.

Os centros de reprodução em cativeiro do lince ibérico desempenham um papel fundamental no Programa de Conservação Ex-situ da espécie, que tem sido fundamental para a recuperação desta emblemática espécie ameaçada. Na atual temporada de reprodução, 14 dos 31 casais do programa estão nos dois centros administrados pela OAPN, Acebuche (Huelva) e Zarza de Granadilla (Cáceres). Estas instalações têm condições adequadas para reprodução em cativeiro, com espaços que reproduzem o seu habitat natural e protocolos de intervenção mínimos para evitar a humanização dos filhotes.

Programa de conservação Ex-situ

O Programa de Conservação Ex-situ do Lince Ibérico continua a obter sucessos significativos na recuperação desta espécie, graças ao trabalho conjunto de administrações, cientistas e técnicos especializados. Graças a estes esforços, o lince ibérico passou de “ameaçado” a “vulnerável” de acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), embora ainda necessite de medidas ativas de conservação.

Desde que o programa foi lançado, os filhotes nascidos em cativeiro têm sido fundamentais no fortalecimento das populações selvagens. Muitos deles foram soltos em áreas estratégicas da Andaluzia, Castela-La Mancha, Castela e Leão, Extremadura e Portugal, contribuindo para o crescimento populacional e o aumento da diversidade genética da espécie.

O nascimento deste primeiro filhote marca o início de uma temporada de reprodução que se espera promissora. Esperam-se novos nascimentos nos centros de reprodução nos próximos meses, o que confirma a eficácia do programa e a esperança de consolidar a recuperação do lince ibérico. In “Sustentix.Sapo” - Portugal


domingo, 23 de junho de 2024

Península Ibérica - Lince ibérico classificado como espécie “vulnerável”

O número de linces ibéricos adultos multiplicou-se por dez neste século e o animal deixará de ser classificado como “em risco” passando a espécie “vulnerável” na Lista Vermelha elaborada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN)


A organização internacional vai atualizar a sua lista vermelha de espécies ameaçadas no próximo dia 27, mas anunciou em comunicado que uma das novidades é a melhoria do estatuto de conservação deste mamífero endémico da Península Ibérica, que chegou a ser a espécie de felino mais ameaçada de extinção no planeta.

“Os esforços de conservação permitiram recuperar esta espécie depois de estar perto da extinção, com um aumento exponencial da sua população que passou de 62 espécimes adultos em 2001 para 648 em 2022”, precisou a UICN.

“Quando a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN celebra o seu 60º aniversário, a sua importância não pode ser exagerada como a mais completa fonte de informação sobre o estado da biodiversidade mundial. É uma ferramenta essencial que mede o progresso no sentido de travar a perda e alcançar os objetivos globais de biodiversidade para 2030. A melhoria do estatuto do lince ibérico (…) mostra que a conservação bem-sucedida funciona tanto para a vida selvagem como para as comunidades”, refere Grethel Aguilar, diretora-geral da UICN, citada no comunicado.

Segundo a organização, a população total do lince ibérico (Lynx pardinus), incluindo jovens e adultos, é estimada em mais de 2000 exemplares.

Desde 2010, mais de 400 linces ibéricos foram reintroduzidos em partes de Portugal e Espanha e o animal ocupa agora pelo menos 3320 quilómetros quadrados, contra 449 quilómetros quadrados em 2005. De acordo com o Censo 2023 do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), existem em Portugal 191 exemplares de lince ibérico.

“Os esforços de conservação da espécie têm-se centrado no aumento da sua presa, o ameaçado coelho europeu (Oryctolagus cuniculus), na proteção e restauração do ‘habitat’ mediterrânico e florestal e na redução das mortes causadas pela atividade humana”, refere o comunicado.

Criada em 1964, a Lista Vermelha classifica as espécies em três níveis (“baixo risco”, “ameaçadas” e “extintas”), com subníveis em cada um destes grupos.

No caso das espécies ameaçadas existem três subníveis, que do menor ao maior grau de severidade são “vulneráveis” (a classificação que o lince ibérico passará a ter), “em risco” e “criticamente ameaçadas”, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

Uma espécie vulnerável tem menor risco de extinção do que uma ameaçada, mas o perigo mantém-se devido a problemas como a perda de ‘habitat’, alterações climáticas, acidentes rodoviários ou a caça furtiva, pelo que a UICN recomenda que os animais continuem a ser monitorizados até que a sua capacidade reprodutiva e capacidade de sobrevivência melhorem.

A organização alerta ainda para as doenças que os gatos podem transmitir ao lince e para as oscilações que outras epidemias podem causar na população de coelhos, o seu alimento básico.

A Lista Vermelha da IUCN inclui 44 000 espécies animais e vegetais (28% do total), sendo que mais de um quarto dos mamíferos corre algum risco de extinção.

Entre os que correm maior perigo estão o camelo selvagem (Camelus ferus), o vison europeu (Mustela lutreola), o gorila nas suas subespécies oriental e ocidental (Gorila beringei e Gorila gorila), o rinoceronte de Java (Rhinoceros sondaicus) e o orangotango de Sumatra (Pongo abelil). In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Península Ibérica - Projeto quer criar condições para a recuperação do lobo e do lince ibéricos

Um projeto transfronteiriço, a desenvolver durante cinco anos, nos distritos de Castelo Branco, da Guarda e na província de Cáceres, em Espanha, pretende criar condições para a recuperação do lobo e do lince ibéricos nesta área.


“O projeto LIFE LUPI LYNX tem como objetivo melhorar as condições sociais e ecológicas que permitam a recuperação destas duas espécies ameaçadas da fauna portuguesa”, informou ontem a Rewilding Portugal, entidade coordenadora do programa que reúne sete entidades portuguesas e duas espanholas.

A intenção passa por promover medidas, a sul do rio Douro, em áreas onde as duas espécies começam a surgir ou têm ainda uma presença irregular.

Em comunicado enviado à agência Lusa a Rewilding Portugal, que inicia este mês o projeto que dá continuidade “e permite expandir o trabalho desenvolvido” no âmbito do LIFE WolFlux, adiantou que a área de intervenção abrange cerca de 17 mil hectares em Portugal e Espanha.

“O trabalho à escala transfronteiriça permitirá conseguir melhores resultados, mais abrangentes e com maior impacto no futuro do lobo e do lince ibéricos, duas espécies-chave”, frisou a entidade coordenadora do projeto, na mesma nota.

O aumento da abundância de presas silvestres e o restauro do habitat são duas das medidas a implementar a nível ecológico, assim como a promoção de uma coexistência pacífica com as comunidades humanas locais, aumentando as ferramentas de prevenção dos ataques ao gado, para evitar potenciais conflitos.

A aposta em atividades económicas que incentivem o respeito pela paisagem e pela biodiversidade é outro dos objetivos, tal como “a troca de conhecimentos e a capacidade dos atores locais na prevenção de danos ao gado e na deteção de crimes ambientais”.

Segundo a Rewilding Portugal, os objetivos do projeto são “abrangentes e multidisciplinares”, com o foco em resultados como “a melhoria do quadro legal relativo à utilização de cães de proteção de gado, a melhoria do habitat e o aumento da disponibilidade de presas, quer para o lobo, quer para o lince”.

A utilização de boas práticas em mais de uma dezena de propriedades privadas, o aumento da utilização de medidas de prevenção de danos no gado, nomeadamente de cães de proteção de gado e de vedações, estão também no horizonte.

Outros resultados a alcançar são o estabelecimento de parcerias com centros de recuperação de fauna silvestre e laboratórios de análises toxicológicas, o apoio e promoção do turismo de natureza sustentável em terras de lobo e de lince e a realização de sessões participativas com agentes do território para encontrar soluções positivas que compatibilizem as atividades humanas com a presença destes predadores, salienta a organização de conservação da natureza.

A realização de programas de educação ambiental destinados a crianças e jovens estão também contemplados no programa.

O orçamento do projeto LIFE LUPI LYNX ronda os 3,5 milhões de euros. In “Green Savers” – Portugal com “Lusa”



domingo, 25 de outubro de 2020

Portugal - Lince ibérico. Quer ajudar a escolher os nomes dos filhos de Odrina?

 


Todos os anos, os nomes dos linces começam com uma letra consecutiva do alfabeto. No ano de 2020, as crias receberão nomes começados pela letra R: Racha, Roja, Rosmarinus, Ría, Rimaya ou Reserva são as opções propostas para estes três filhotes da Odrina.

Actualmente, mais de 850 linces percorrem a Península Ibérica, um grande sucesso se pensarmos que nos anos 90 não chegavam aos cem.  Ângela Morgado, Diretora Executiva da ANP|WWF, partilhou que “esta ação simbólica visa chamar a atenção para a importância da conservação do felino mais ameaçado do planeta. Graças ao trabalho desenvolvido pela ANP|WWF e pela WWF em Espanha, o último censo apresenta 855 exemplares de lince na Península Ibérica. Um verdadeiro sucesso de conservação que pode motivar, se mantidos os esforços e resultados, que o lince seja classificado pela IUCN como “Vulnerável”.” Esta nova classificação é esperada em 2040, altura em que se poderá afirmar que o lince-ibérico está fora de perigo, desde que a evolução continue a ser tão favorável como até agora.

“Estas maravilhas da nossa fauna ainda não têm nome, mas está para breve! Queres ajudar nesta escolha? Estas são as opções disponíveis. Podes votar até 22 de novembro. Os três nomes que tenham mais votos serão os eleitos”, lê-se no site onde poderá votar. In “Green Savers Sapo” - Portugal

terça-feira, 15 de setembro de 2020

União Europeia - Projeto LYNXCONNECT passou nos diferentes critérios de avaliação no apoio à reprodução do lince ibérico

O projeto LYNXCONNECT – Criando uma metapopulação de lince-ibérico (Lynx pardinus) genética e demograficamente funcional, (LIFE 19 NAT/ES/001055), tem como objetivo central o aumento da população de lince-ibérico e o reforço da conectividade entre as subpopulações de Portugal e Espanha



O projeto “LYNXCONNECT” foi submetido em 2019, por Espanha e Portugal, a financiamento ao programa “LIFE ACTION GRANTS”, tendo obtido aprovação preliminar na fase final de seleção, após o que os serviços da União Europeia comunicaram no passado mês de maio, a todos os parceiros, através do beneficiário coordenador – Junta de Andaluzia - que este novo projeto passou nos diferentes critérios de avaliação, tanto por consistência e qualidade técnico-financeira, como devido ao valor acrescentado para a União Europeia.

Por outro lado, constitui a sequência e evolução lógica do anterior projeto LIFE+Iberlince, que decorreu entre setembro de 2011 e junho de 2018, em cujo âmbito o ICNF e outros parceiros nacionais públicos e privados e do país vizinho, com o indispensável apoio e acolhimento por parte das populações locais, de associações representativas de caçadores e de proprietários, de ONG’s, de diversas entidades públicas e de autarquias do Vale do Guadiana, conseguiu reintroduzir o lince-ibérico em território Português, com caráter estabilizado e sustentável, o que não ocorria desde o final do século XX.

Este projeto, que agrega 20 parceiros ibéricos, tem como beneficiário coordenador a Consejería de Agricultura, Ganadería, Pesca y Desarrollo Sostenible da Junta de Andaluzia, e por parte de Portugal, para além do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, IP (ICNF), participam como parceiros a Infraestruturas de Portugal, IP e a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL).

Em termos financeiros o projeto implica um investimento total de 18,754 milhões de euros, cabendo ao ICNF um pouco mais de 1,5 milhões, sendo a taxa de financiamento de 60,67 %, o que se traduz num financiamento comunitário global de perto de 11,4 milhões de euros.

Portugal, através do ICNF, da Infraestruturas de Portugal e da CIMBAL, e com o apoio de outras entidades públicas e privadas pretende consolidar a população criada entre 2015 e 2018 no Vale do Guadiana, estabelecer pequenos núcleos populacionais que reforcem a conectividade com as subpopulações de Andaluzia, Castilla-La Mancha e da Extremadura espanholas e, ainda, equacionar a possibilidade de identificar e caracterizar uma nova área de reintrodução, através da avaliação de potenciais territórios que reúnam as condições adequadas de habitat, alimento, continuidade natural e tranquilidade e aceitação social para o estabelecimento de uma nova população.

Paralelamente com as medidas diretamente relacionadas com a espécie alvo deste projeto, serão desenvolvidas iniciativas de caráter social, de promoção, sensibilização e informação dos públicos locais e urbanos, a par de outras ações que terão efeitos positivos indiretos sobre o ecossistema mediterrânico e sobre a economia local, criando melhores condições de vida para as populações locais e proporcionando alternativas de desenvolvimento sustentável, por exemplo, através do turismo de natureza.

Da experiência obtida no Vale do Guadiana, a presença do lince-ibérico neste território, traduziu-se em diversas mais-valias para a população residente ou que dele depende economicamente, não tendo a sua presença representado uma nova condicionante, antes pelo contrário, uma vez que atraiu visitantes e passou a constituir uma marca de elevada qualidade e potenciadora de novos visitantes e de novas atividades económicas para o Vale do Guadiana. Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas - Portugal

domingo, 12 de abril de 2020

Portugal - Nasceram as primeiras crias de lince ibérico em 2020

Segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, nasceram as primeiras crias de lince deste ano, duas delas «aparentemente saudáveis» e uma terceira que «acabou por não resistir após o parto»



As duas primeiras crias de lince ibérico de 2020 nasceram na passada segunda-feira, no Centro Nacional de Reprodução de Lince-Ibérico (CNRLI), em Silves, foi anunciado.

Segundo uma nota do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a fêmea Jabaluna teve três crias, duas delas “aparentemente saudáveis” e uma terceira que “acabaria por não vingar após o parto”.

Este é o primeiro parto deste ano, e o terceiro desta fêmea, com oito anos de idade, e que chegou ao CNRLI proveniente do Centro de Cría El Acebuche, em Doñana, Espanha.

Jabaluna teve duas gestações anteriores no CNRLI, tendo gerado, no total, sete crias, das quais apenas três sobreviveram.

As duas novas crias resultam “do seu emparelhamento com o macho Hermes”, que nasceu no Centro de Cría de La Olivilla, em Jaén, Espanha, e já foi pai de três ninhadas no CNRLI, das quais sobreviveram sete crias, tendo quatro sido reintroduzidas na natureza.

O CNRLI adianta que se aguardam “para os próximos dias os partos das fêmeas Fresa, Juncia e Juromenha”. In “Revista Port. Com“ - Portugal

sábado, 1 de junho de 2019

Península Ibérica - Projeto prepara áreas para serem 'casas' de lince-ibérico em Portugal e Espanha

Em plena luz do dia, não há coelhos-bravos à vista, porque, devido aos hábitos noturnos, estão recolhidos nas tocas artificiais existentes num dos cercados de reprodução da espécie na Herdade da Coitadinha, no concelho de Barrancos, no Alentejo



No cercado, protegidos de predadores e com alimentação, água e vacinação garantidas, vivem exemplares de coelho-bravo, espécie quase ameaçada e que é a presa principal e a base de alimentação do lince-ibérico.

A reprodução de coelho-bravo na Coitadinha é uma das ações do projeto Pro-Iberlinx – Proteção e Conservação do Lince-Ibérico, que envolve sete entidades portuguesas e espanholas e um investimento de 1,3 milhões de euros, cofinanciado em 75% pelo Programa de Cooperação INTERREG V A Espanha – Portugal (POCTEP) 2014-2020 e em 25% pelos parceiros.

O Pro-Iberlinx pretende dar um contributo para que o lince-ibérico, espécie com o estatuto de conservação de “criticamente em perigo” em Portugal e Espanha, possa vir “a andar aí de outra maneira e com um risco menor”, explica à agência Lusa o coordenador do projeto, Diogo Nascimento, após uma visita ao cercado.

Em Portugal, precisa, o projeto desenvolve ações de preparação, gestão e melhoria de habitat em áreas nos concelhos de Barrancos e Moura, distrito de Beja, e de Monchique e Silves, distrito de Faro, para poderem ser ‘casas’ de lince-ibérico, ou seja, territórios de soltas na natureza e de fixação de exemplares libertados noutros locais, caso dispersem para aquelas zonas.

Em Espanha, o projeto, além de desenvolver ações de preparação, gestão e melhoria de habitat, segue e monitoriza a população de lince-ibérico que vive na natureza na região da Extremadura.

Segundo Diogo Nascimento, “há registos de linces que dispersaram para muitos lugares da península Ibérica e depois vão ter de se fixar em algum território”.

“Se tivermos os territórios adaptados e preparados, tanto melhor, para evitar que essas deslocações sejam muito longas, porque, nesses percursos que os linces fazem, há sempre o risco de atropelamento, que é a principal causa de morte do lince e é de evitar”, explica.

Por outro lado, as soltas de lince-ibérico na natureza realizadas desde 2014 em Portugal têm decorrido no vale do Guadiana, sobretudo no concelho de Mértola, distrito de Beja, a cargo do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, que segue e monitoriza a população a viver em liberdade.

“Mas, para efetivamente conseguirmos inverter a tendência do risco de extinção da espécie, temos de encontrar outras zonas preparadas e adaptadas para que próximas soltas possam ocorrer noutros locais” em Portugal, defendeu Diogo Nascimento.

Segundo o coordenador, as ações desenvolvidas através do projeto são “múltiplas” e dependem “do estado de desenvolvimento de cada um dos territórios”.

Nas herdades da Coitadinha e da Contenda, que são as áreas abrangidas nos concelhos de Barrancos e Moura, respetivamente, uma das ações é a reprodução de coelho-bravo para aumentar a população e há vários cercados onde vivem exemplares da espécie.

Durante a visita de Diogo a um dos cercados que existem na Coitadinha, propriedade da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), apenas se conseguiu avistar um coelho-bravo, que apareceu tão rápido como desapareceu no meio da vegetação.

“Apesar de ter uma taxa de reprodução muito rápida”, o coelho-bravo “é suscetível a algumas doenças”, como a mixomatose e a doença hemorrágica viral, e, por isso, “a população tem tendência a oscilar muito ao longo do tempo”, conta Diogo.

Nos cercados, são dadas “condições de refúgio, alimentação e vacinação” aos coelhos para que “possam ser resistentes às doenças” e, assim, conseguir-se “aumentar” a densidade da espécie.

“É preciso conhecer em pormenor quais as densidades de coelho que o território tem”, porque “só com as densidades mínimas adequadas é que se poderá pensar num território que seja capaz de receber uma população de lince”, frisa o coordenador.

Há registos de presença de lince-ibérico na Coitadinha em 2009 e a herdade, por questões históricas e pelas suas características, é território “propício para que as populações [de lince-ibérico] se possam fixar”.

Já na Contenda, a densidade de coelho-bravo foi “altíssima” e “favorável” à presença de lince no passado, mas atualmente é “reduzidíssima”, conta à Lusa João Cordovil, o diretor da herdade, propriedade da Câmara de Moura.

Por isso, frisa João, o aumento da densidade de coelho-bravo na Contenda é “uma prioridade absoluta”.

À medida que há densidades “significativas” nos cercados, alguns coelhos-bravos são transferidos para parques de adaptação ou libertados em áreas abertas das herdades onde também há tocas artificiais e é distribuída alimentação regularmente, explica João.

“Ainda falta um bocadinho” para haver densidades de coelho-bravo que permitam que a Coitadinha e a Contenda possam ser territórios “a considerar” para futuras soltas de lince-ibérico, diz Diogo.

Além da reprodução de coelho-bravo, o projeto inclui ações de sensibilização da comunidade e outras medidas de melhoria de habitat em áreas abrangidas, como desmatações, sementeiras de culturas para fauna e plantações de árvores para criar áreas de refúgio.

Os parceiros portugueses do Pro-Iberlinx são a EDIA, a Empresa Municipal Herdade da Contenda, a Câmara de Barrancos e a empresa Águas do Algarve.

Os municípios de Oliva de la Frontera e Valencia de Mombuey e a Junta da Extremadura são os parceiros espanhóis.

No processo de reintrodução do lince-ibérico, a colaboração entre Portugal e Espanha é “fundamental” e, no caso português, “a situação ideal é a expansão de zonas” preparadas para soltas e fixação da espécie e “com muito boa articulação com as zonas” existentes em território espanhol, defende João.

Através do Pro-Iberlinx, “preparámos a casa e se o lince aqui chegar ao território de Barrancos e à Herdade da Coitadinha será muito bem-vindo”, remata o coordenador. In “Sapo 24” com “Lusa”

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Portugal - Libertados mais dois linces-ibéricos

No início do ano, tinham sido soltas mais duas crias de lince-ibérico. No entanto, só este ano, já morreram dois linces que foram atropelados. Governo diz estar a investir em sinalização para tentar mitigar acidentes



Mais dois linces-ibéricos foram libertados no Alentejo, esta quinta-feira, para reforçar a população selvagem da espécie a viver no Parque Natural do Vale do Guadiana (PNVG). Trata-se de uma fêmea, Paprika, nascida no Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico, em Silves, e de um macho do Centro La Granilla, em Espanha.

Já este ano tinham sido soltos na natureza mais dois linces-ibéricos. As libertações destes felinos têm como objectivo restabelecer uma população selvagem autónoma, garantindo também uma diversidade genética adequada.

O lince-ibérico é um dos felinos mais ameaçados do mundo. No entanto, devido à acção conjunta entre Portugal e Espanha, é possível ter hoje na natureza 650 linces em liberdade na Península Ibérica, diz ao Público a secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos.

Ambos os animais que foram agora postos na natureza têm onze meses e foram soltos na Herdade da Bombeira, no concelho de Mértola. Paprika nasceu em Março do ano passado no Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico, que desde 2009 trabalha na criação e reintrodução destes felinos em Portugal. Esta fêmea foi um dos linces que, com o incêndio de Monchique às portas do centro, acabou por ser transferida para Espanha. Regressou ainda antes do Natal sã e salva e será agora libertada na natureza.

No Parque Natural do Vale do Guadiana há, neste momento, 63 linces-ibéricos. Destes, 37 são oriundos quer do Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico, quer de outros centros que existem em Espanha.

Além da introdução dos felinos no Vale do Guadiana, desde 2016, nasceram 45 animais em liberdade. Só em 2018 nasceram 29, sendo que um não sobreviveu. “Deveríamos ter 82 linces na natureza, mas temos algumas mortalidades”, diz Célia Ramos. Destes, dez morreram e perdeu-se o rasto a outros dez, adianta.

É precisamente para reduzir estas mortes, cuja causa principal é o atropelamento, que o Governo tem em curso uma nova candidatura ao programa LIFE, com parceiros de Portugal e Espanha, no valor de cerca de 20 milhões de euros.

Só este ano, já morreram dois linces atropelados. “A estrada fatídica é a Estrada Nacional 112, onde existe uma recta com cerca de oito quilómetros. É aqui que todos os linces são atropelados”, nota Célia Ramos. Segundo a governante, está a ser ultimado, em conjunto com a Infra-Estruturas de Portugal, um reforço da sinalização nas estradas para dar conta de que são zonas de atravessamento do lince-ibérico. Serão ainda colocadas barras sonoras para que quando um carro passe provoque ruído e trepidação e afaste os felinos da estrada.

Ainda assim, Célia Ramos destaca o “grande apoio” que as populações locais têm dado na reintrodução do lince. “Se numa primeira fase havia um certo receio relativamente ao lince, hoje são as populações os primeiros defensores da espécie”, admite.

Na solta de linces desta quinta-feira, onde estará presente a secretária de Estado, será também inaugurada a exposição “Partilhando territórios: o regresso do Lince”, que poderá ser visitada na sede do Parque Natural do Vale do Guadiana, em Mértola. Cristina Moreira – Portugal in “Público”