Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Moçambique - Jessemusse Cacinda lança em livro viagem nas vivências de Nampula

O jornalista e filósofo Jessemusse Cacinda estreia-se na prosa narrativa com o livro Kwashala Blues, lançado na passada segunda-feira na Galeria do Porto de Maputo, com a apresentação do Prof. Doutor Lourenço do Rosário e da Profa. Doutora Stélia Muianga.


Conforme avança a nota de imprensa sobre a cerimónia de lançamento, Jessemusse Cacinda já era um cultor da crónica que roçava o território ficcional, agora publica o seu primeiro livro, no qual os géneros se misturam e encontram uma outra via da escrita num realismo mágico com fortes inspirações na oralidade e cultura popular. “Kwashala Blues”, editado pela Ethale Publishing, junta a crónica, o conto e o romance num só livro.

A professora e ensaísta brasileira da Universidade Federal da Paraíba, Vanessa Pinheiro, após ter lido, entendeu que “Kwashala Blues revela camadas interpretativas que o leitor descobre aos poucos, embevecido. O leitmotiv é a morte do pai do protagonista, que desencadeia memórias afectivas narradas em curtos relatos. Estes relatos são sintetizados por Cacinda pela metáfora musical do ritmo popular moçambicano kwashala que, assim como a vida mimetizada na trama, tem oscilações e nuances.”

Já a prefaciadora do livro analisa que Kwashala Blues convida o leitor para uma viagem, desde Maputo até a Nampula, por sinal, onde nasce e cresce o autor da obra. E, a partir daí, indica, “se a capital moçambicana acaba sendo um contraponto vibrante de Nampula, essa cidade assume contornos mais definidos à medida em que viajamos pela vida dos seus habitantes, entre Muahivire e Namicopo. As marcas da ocupação colonial no Índico ainda assombram os dias tranquilos de um professor, dos estudantes e, também, a vida do jovem em luto pela morte do pai. Em Iapala, a história familiar entrecruza-se com a do caminho dos sacos de sal e açúcar em trânsito para o Malawi, tanto ouvido nas histórias dos mais velhos.” O prefácio é assinado por Noemi Alfieri, professora da Universidade Bayreuth da Alemanha.

Jessemusse Cacinda nasceu em Nampula, Moçambique. É fundador da editora Ethale Publishing, vocacionada na promoção da literatura e do pensamento africano.

Foi jornalista na Rádio Moçambique, onde venceu o prémio “Qualidade” nas categorias, “Melhor Crónica” (2012) e “Melhor Reportagem Temática” (2013) e Co-Director do Festival Fim do Caminho (Nampula, Moçambique).

Coordenou as antologias “O Hamburguer que matou Jorge” (Ethale Publishing, 2017) e “Nampula: Antologia de his-es-tórias de uma cidade vibrante” (Ethale Publishing, 2022). Participou na antologia “Contos e crónicas para ler em casa II” (Literatas, 2020). Publicou o livro de entrevistas “Pensar Africa” (Ethale Publishing/Literatas, 2021). Participou como autor de capítulos nos livros “Desafios da Comunicação no sec XXI” (Década de Palavras, 2018), “Moçambique Neoliberal” (Ethale Publishing/Editora Educar, 2019), “Do Quarto ao Quinto Homem” (Ethale Publishing, 2021) e “Caderno de Música Moçambicana” (Kuphaya, 2023), e coordenou o livro “Moçambique: Emergência, Reconstrução e Resiliência” (Ethale Publishing/AMEA, 2022). Tem textos publicados nas revistas Índico e Literatas, e na Doeck Literary Magazine. Trabalha como redactor de radionovelas, documentários, reportagens, relatórios e manuais.

Estudou Filosofia, Jornalismo, Sociologia do Desenvolvimento e Gestão de Projectos. In “O País” - Moçambique



segunda-feira, 26 de junho de 2023

Moçambique - Dora Chipande inaugura mostra na Galeria do Porto de Maputo

A artista plástica Dora Chipande inaugurou na Galeria do Porto de Maputo, uma individual de pintura que procura exaltar a arte maconde. Uma das telas da mostra Dinembo será leiloada a favor dos deslocados em Cabo Delgado.


A individual de pintura de Dora Chipande é intitulada Dinembo. Do maconde, o termo quer dizer tatuagens em português. Na exposição, a artista procura recuperar uma das essências da cultura maconde, que, na sua percepção, tem-se perdido: as tatuagens.

“Esta é uma exposição sobre a cultura maconde. Eu escolhi as tatuagens como tema porque esse é o símbolo mais elevado da cultura maconde”, começou por dizer Dora Chipande, admitindo que, dessa forma, pretende contribuir para a promoção tradicional através das telas.

Na sua percepção, o recurso às tatuagens maconde têm-se perdido por vários factores e circunstâncias sociais. Por isso mesmo, a artista plástica decidiu transmitir nas suas obras de pintura a prática cultural maconde, tendo como pano de fundo as vivências daquela etnia do Norte de Cabo Delgado.

Na sua individual de pintura, Dora Chipande expõe emoções, sentimentos, hábitos, costumes e imaginários. O efeito estético sempre constituiu uma preocupação, mas não foi a única coisa que a interessou. Além de se dedicar ao belo ou ao que isso pode significar, a artista propôs-se leiloar uma das suas telas e o valor será revertido a favor de causas sociais: uma no Norte e outra no Sul do país. “O que será arrecadado neste leilão vai servir para apoiarmos aos deslocados dos conflitos em Cabo Delgado e também para uma escola que estamos a ajudar a ampliar a administração e a construção de uma biblioteca em Boane”, [Província de Maputo].

Presente na cerimónia da inauguração, Hortência Chipande, mãe de Dora Chipande, confessou: “Estou contente e orgulhosa pela obra que a Dora está a fazer, porque é uma obra que a vai permitir ajudar aos necessitados”.

Dinembo, de Dora Chipane, está patente na Galeria do Porto de Maputo. José dos Remédios – Moçambique in “O País”