Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 25 de novembro de 2023

Ilha do Príncipe - “Lung’ie, Lunge No” o primeiro dicionário do crioulo da ilha


São Tomé – O Presidente do Governo da Região Autónoma do Príncipe, Filipe Nascimento presidiu à cerimónia de lançamento do Livro “Lung’ie, Lunge No”, o primeiro dicionário do crioulo da ilha do príncipe, que resulta da investigação de vários anos dos académicos Ana Lívia Agostinho e Gabriel Araújo.

Na sua intervenção, Filipe Nascimento realçou o empenho do Governo Regional no resgate, preservação e promoção da nossa Cultura, relembrando o historial de programas radiofónicos em Lung’ie, introdução do Lung’ie nas escolas, sendo que neste ano letivo estendeu-se para o curso noturno, e que agora passamos a contar com mais esta ferramenta didática para acelerar a aprendizagem.


Além do líder do governo regional, a cerimónia contou com a presença de várias personalidades da sociedade, autoridades regionais, grupos culturais, professores, alunos, fazedores da Cultura, Ministro Conselheiro da Embaixada do Brasil.

Sendo uma língua crioula de base portuguesa, o lung’Ie é falado na Ilha do Príncipe, enquanto outros dois crioulos são-tomenses, designadamente, santomé e angolar, são falados na ilha de São Tomé, neste arquipélago de língua oficial portuguesa. Ricardo Neto – São Tomé e Príncipe in “STP Press”




 

sábado, 13 de março de 2021

Moçambique - Projeto do primeiro Dicionário de Português de Moçambique arranca com formação em Maputo

Os trabalhos para a elaboração do primeiro dicionário de língua portuguesa de Moçambique (DiPoMo) arrancaram, em Maputo, com uma formação promovida pela Cátedra de Português da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), anunciou o Instituto Camões.

O anúncio do arranque do projeto para o lançamento de um dicionário de língua portuguesa de Moçambique, com financiamento do Instituto Camões, através do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), tinha sido feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, no início de março no parlamento português.

“É o primeiro dicionário da língua comum de Saramago e Mia Couto que se publicará fora de Portugal e do Brasil”, disse na altura Santos Silva.

De acordo com uma nota do Instituto Camões, no âmbito do Projeto DiPoMo – Dicionário do Português de Moçambique, a Cátedra de Português Língua Segunda e Estrangeira na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Maputo, promoveu, no início de março, o primeiro curso de formação sobre a construção do “corpus do português de Moçambique”.

A formação, que decorreu de forma virtual, contou com a participação de investigadores e representantes de cada uma das províncias moçambicanas.

O Dicionário de Português de Moçambique surge na sequência da construção e publicação, em 2014, do Vocabulário Ortográfico Moçambicano da Língua Portuguesa – VOMOLP, “recurso que permitiu descrever o português moçambicano” e “desenvolver um primeiro recurso linguístico de larga escala”, segundo a nota.

O VOMOLP é parte integrante do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC), acervo do qual constam vocabulários ortográficos de outros países de língua portuguesa.

De acordo com o Instituto Camões, a construção do DiPoMo, numa perspetiva de descrição global do léxico da variedade moçambicana da língua portuguesa, permite o seu uso em instituições de ensino e serve de base para a construção de recursos didáticos adequados a Moçambique.

Servirá igualmente de base para a criação de recursos computacionais, nomeadamente de reconhecimento e síntese de voz, correção ortográfica e indexação semântica.

O projeto é coordenado por Inês Machungo, da UEM, José Pedro Ferreira, do CELGA-ILTEC e Maria João Diniz, da UEM, e conta com a participação de linguistas, professores e outros profissionais da área das línguas de todas as regiões de Moçambique e ainda com um corpo de consultores de outros países de língua portuguesa, incluindo Portugal. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

quarta-feira, 20 de março de 2019

Macau - Português lança dicionário de crioulo da Região ameaçado de extinção

Macau, China -- O investigador português Raul Leal Gaião lançou hoje o dicionário do crioulo de Macau, o patuá, que está "gravemente ameaçado de extinção", segundo a Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

"O principal objetivo é dar, pelo menos, a conhecer, a revisitar e a tentar descobrir o crioulo, nomeadamente à comunidade macaense, já que neste momento praticamente ninguém [o] fala", sublinhou o autor à agência Lusa, em Macau, onde é apresentada a obra.

O dicionário é feito a partir de um levantamento dos escritos de José dos Santos Ferreira, mais conhecido por "Adé", macaense que viveu no século XX e escreveu em patuá.

"Chamei-lhe dicionário porque, de facto, tem normalmente exemplos ou abonações retirados desses textos e funciona exatamente como dicionário", explicou o investigador, que destacou ter utilizado ainda estudos anteriores, glossários, aos quais faz "referências constantes".

Raul Leal Gaião assegurou que a investigação traz algumas novidades e deu como exemplo o termo, 'catchi bachi', que os estudiosos não conseguiam detetar a origem.

"Significa uma coisa que já não presta e que não tem utilidade (...). É um termo espanhol, [nome de] uma terra de fronteira que fazia muito contrabando com Espanha", referiu, adiantando a hipótese de ter chegado a Macau a partir das Filipinas.



Há quase uma década, a UNESCO classificou o 'patuá', o crioulo português de Macau, como língua "gravemente ameaçada", o último patamar antes de uma língua se extinguir por completo.

De acordo com a linguista de Singapura Nala H. Lee, em declarações à Lusa no final de 2018, atualmente menos de 50 pessoas sabem falar 'patuá', usado apenas em "domínios específicos, como em cerimónias, músicas, orações ou em atividades domésticas".

Na mesma altura, o advogado Miguel de Senna Fernandes e responsável há 25 anos pelo grupo de teatro Dóci Papiaçám di Macau, que se tem assumido como um veículo para a preservação do patuá, frisou que a situação em Macau difere em muito de Malaca e de Korlai, onde a comunidade lusodescendente "ainda faz muitos esforços" para manter os crioulos de influência portuguesa.

Raul Leal Gaião é licenciado em Filosofia pela Universidade de Lisboa, e em Ciências Literárias pela Universidade Nova de Lisboa, e mestre em Língua Portuguesa e Estudos Linguísticos pela Universidade de Macau. Investigador nas áreas da Lexicologia, Dialetologia e Crioulística, colaborou na redação do 'Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa' e do 'Dicionário Global da Língua Portuguesa'.

O lançamento da obra está inserido no programa do Festival Literário de Macau-Rota das Letras, fundado pelo jornal local em língua portuguesa Ponto Final, que se realiza desde 2011 e que termina no dia 24. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Cabo Verde - Emigrante cabo-verdiano lança dicionário crioulo / francês / português



Cidade da Praia – O emigrante cabo-verdiano e trabalhador da construção civil na França José Moreno Brito lança amanhã, sábado, 22, no Palácio da Cultura Ildo Lobo, na Cidade da Praia, o dicionário trilingue crioulo/francês/português.

Em declarações à Infopress, José Moreno Brito, que reside na França há 33 anos, diz que criou este livro para ajudar as crianças cabo-verdianas a aprenderem o francês e, também, os emigrantes cabo-verdianos que escolheram a França como o país de acolhimento.

Além disso, acredita este autor que os próprios franceses poderão passar a conhecer e saber mais sobre Cabo Verde através deste dicionário.

“Como penso muito na minha terra Natal, quis apostar no meu país. Daí veio a ideia de criar algo que ajudasse no desenvolvimento de Cabo Verde. Por isso, fiz este dicionário. É uma ideia quem vem desde 2012, mas iniciei os trabalhos em 2015 e estou agora a apresentar a obra em 2018”, explicou.

José Moreno Brito conta que passou por “muito sofrimento” quando chegou a França, com 25 anos de idade, há 33 anos atrás, por causa da língua.

“Chegando lá, não sabia nem como pedir um copo de água para beber. Vi que muitas pessoas poderão estar a passar pela mesma situação. Por isso, pensei em fazer este dicionário que acredito que será muito importante na integração dos cabo-verdianos na França”, ajuntou.

O dicionário conta, segundo a mesma fonte, com a co-autoria de Fernando Moreno Marques e ilustração de Tchilac Furtado.

“Acho que esta obra é muito importante. Tive muito trabalho para a criar”, disse José Moreno Brito, dando conta que não teve “nenhum patrocínio” para a produção do dicionário, tendo arcado sozinho com todas as despesas para a edição do livro. In “Inforpress” – Cabo Verde