Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 27 de junho de 2021

Bélgica - Bruxelas dá palco às realizadoras portuguesas

A Cinemateca belga acolhe, este verão, em Bruxelas, um ciclo dedicado ao cinema português feito por mulheres, e que atesta a desigualdade de género na produção cinematográfica portuguesa


“Apesar de ser um elemento fundamental da riqueza do cinema português de autor, a percentagem de filmes realizados por mulheres é das mais baixas da Europa ocidental”, lê-se no programa divulgado pela Cinematek, a cinemateca belga.

O ciclo de cinema, organizado em parceria com a Cinemateca Portuguesa, tem por título “Portugal, século XX: Visões Femininas”, e começa a 04 de julho, contando com uma seleção de filmes que vai de 1946 a 2012, período durante o qual foram produzidas cerca de 40 longas-metragens assinadas por mulheres.

“À escala de uma produção nacional modesta como a portuguesa, o acesso das mulheres à profissão cinematográfica testemunha uma flagrante desigualdade, justificada pelo conservadorismo social do longo período da ditadura do Estado Novo”, refere a cinemateca belga.

Essa desigualdade persiste, embora de forma mais reduzida, em tempo de democracia, mas “os últimos 15 anos foram, felizmente, florescentes e viram surgir uma nova geração de realizadoras”, concluiu a cinemateca.

O ciclo estender-se-á até 02 de agosto, com a exibição de cerca de uma dezena de filmes, entre curtas e longas-metragens, entre documentário, ficção e cinema de animação.

O programa arrancará com “Os mutantes” (1998), de Teresa Villaverde, e encerrará com “André Valente” (2004), de Catarina Ruivo.

Pelo meio serão exibidos, por exemplo, “O movimento das coisas” (1985), único filme de Manuela Serra, “Trás-os-montes” (1976), que Margarida Cordeiro correalizou com António Reis, e “Frágil como o mundo” (2001), de Rita Azevedo Gomes.

Destaque para a inclusão de “Três dias sem Deus” (1946), de Bárbara Virgínia, considerada a primeira realizadora portuguesa, a primeira mulher a apresentar um filme no Festival de Cannes, e que morreu quase em total desconhecimento público em 2015, no Brasil, aos 91 anos.

O ciclo contará ainda com filmes de Margarida Cardoso, Manuela Viegas, Solveig Nordlund, Margarida Gil, Ana Luísa Guimarães e Regina Pessoa, de quem será exibida a premiada curta-metragem de animação “Kali, o pequeno vampiro”, de 2012. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 23 de junho de 2021

Macau - Ciclo de cinema sobre a Região em exibição até ao dia 4 de Julho

A investigadora Maria do Carmo Piçarra é a curadora do ciclo de cinema “Macau Passado e Presente”, que começa este sábado e termina a 4 de Julho, inserido nas comemorações do 10 de Junho e promovido pela Fundação Oriente. Filmes como “Hotel Império”, de Ivo Ferreira, ou “Boat People”, de Filipa Queiroz, voltam a ser exibidos


Começa este fim-de-semana um ciclo de cinema sobre Macau que visa mostrar a evolução da sétima arte no território nos últimos anos, mas também as múltiplas visões de realizadores portugueses e de Macau sobre um território que nunca deixou de ser atractivo para as salas de cinema.

Ao HM, a curadora do evento Maria do Carmo Piçarra contou que o convite partiu da Fundação Oriente, organismo organizador da iniciativa que se integra no programa de comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. O ciclo de cinema começa este sábado e estende-se até ao dia 4 de Julho, estando programadas exibições em vários locais da cidade.

“Houve a ideia de mostrar como é que Macau se tem articulado nesta convivência entre portugueses e habitantes locais. A opção era procurar mostrar como é que os realizadores portugueses têm olhado para Macau”, referiu.

Maria do Carmo Piçarra destaca o filme “Jóia do Oriente”, filmado por Miguel Spiegel em 1956, cuja cópia foi cedida pelo exército português. A histórica película representa “o início de um processo em que o autor filma Macau até ao período anterior a 1974”, algo que fez com o apoio do Estado português e também de alguns governadores de Macau.

A curadora do ciclo realça também o filme “Ilha dos Amores”, de Paulo Rocha, que nunca foi exibido em Macau. “Achei que era importante mostrar a cópia restaurada, mostrada em Cannes nos anos 80, onde estreou. Paulo Rocha é um dos pais do cinema novo português e este é um filme que lhe toma muitos anos, sobre a passagem do Venceslau de Morais por Macau e depois a sua instalação no Japão.” Este filme “complexo” será exibido na Cinemateca Paixão.

Sangue novo

Maria do Carmo Piçarra assume que não pôde incluir neste ciclo tantos filmes antigos como gostaria, e de facto o sangue novo do cinema local está em evidência, com a inclusão de nomes como Albert Chu, António Caetano de Faria, Maxim Bessmertny ou Tracy Choi.

“O Instituto Cultural tem sido muito importante para desenvolver esta produção de cinema em Macau desde a geração do Albert Chu até às mais recentes. Pretendemos mostrar esta diversidade de realidades. Aquilo que faz de Macau um território especial e fascinante para as pessoas nem é tanto o exotismo, que tem sido a maneira como se tem mostrado Macau, mas é toda esta diversidade”, adiantou.

Para Maria do Carmo Piçarra, “temos aqui uma pluralidade, com filmes muito diferentes, desde o filme do Paulo Rocha até ao filme do José Carlos de Oliveira, passando pelos mais jovens realizadores do cinema. O “Hotel Império”, por exemplo, acaba por ser uma reflexão do amor de uma mulher por Macau, pelo hotel onde viveu e cresceu, e que procura resistir a uma pressão trazida pela especulação imobiliária, que se sente um pouco por todo o mundo”, rematou.

Acima de tudo há o recurso a “linguagens que vão da ficção ao ensaio visual, recorrendo também ao formato da curta-metragem”. Reflecte-se, com este ciclo, “as mudanças na paisagem, física e humana, em que os vestígios coloniais servem um certo onirismo e nostalgia, e evidenciam o paralelismo entre o crescimento do território e a multiplicação das imagens desta – e do mundo – numa sociedade de ecrãs”, escreve a curadora. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”