Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 8 de junho de 2023

Macau – Associação Somos! organiza evento beneficente para ajudar escola em Moçambique

A ideia da angariação de fundos, referiu a presidente da associação ao Ponto Final, passa por ajudar a Escola Primária Matchik – Tchik da cidade de Maputo, capital moçambicana, “a necessitar de apoio para a garantia de materiais básicos e intervenção nas suas infraestruturas”. Mas o objectivo, acrescenta Marta Pereira, também “passa pela recolha de verbas suficientes para a construção de uma minibiblioteca, espaço tão importante para o incentivo à leitura e descoberta e que abre horizontes de futuro”.


A Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos – ACLP) prepara-se para organizar o seu segundo Sunset Solidário, desta vez destinado a alunos de uma escola moçambicana. O evento decorrerá no próximo dia 30 de Junho, das 18h30 às 2h, no restaurante Rio Grill and Seafood, na Doca dos Pescadores.

O evento “Moçambique: um conto solidário” visa a angariação de fundos para a Escola Primária Matchik – Tchik da cidade de Maputo, capital moçambicana, a necessitar de apoio para a garantia de materiais básicos e intervenção nas suas infraestruturas. “O objectivo passa igualmente pela recolha de verbas suficientes para a construção de uma minibiblioteca, espaço tão importante para o incentivo à leitura e descoberta e que abre horizontes de futuro”, explicou a presidente da Somos – ACLP ao Ponto Final.

Marta Pereira admitiu ao nosso jornal que “as expectativas são sempre naturalmente altas”. “Tivemos a experiência do passado evento sobre São Tomé onde conseguimos ajudar mais de 400 crianças com a compra de material escolar. Este ano a realidade é outra, embora continuemos a apostar na melhoria das condições de aprendizagem das crianças e, no seu futuro, a escola precisa de várias intervenções que passam pelas carteiras, existem alunos sentados no chão, as condições sanitárias são muito precárias. Depois há a questão da minibiblioteca, um sonho há muito ambicionado pelos alunos e professores, a estrutura iria servir não só a escola como o bairro de Polana Caniço. As necessidades são imensas e temos de fazer escolhas, nem sempre fáceis. De realçar que o material em Moçambique não é barato”, acrescentou.

Por isso, considera a responsável, “a importância é toda e absolutamente indiscutível”. “São pequenos gestos que fazem toda a diferença. E isto só acontece graças à boa vontade de toda a equipa que faz parte deste evento solidário, nomeadamente os artistas. Hoje é Moçambique, amanhã será um outro país, pois consideramos que uma sociedade em que há grandes desigualdades na distribuição da riqueza não pode ser justa e a aposta deve começar na educação escolar”, enfatizou.

Recorde-se que esta campanha solidária é o culminar de uma outra iniciativa da Somos – ACLP que consistiu na edição do livro de contos “Era Uma Vez… O Meu Mar”, com textos e ilustrações feitos por alunos de diferentes escolas primárias dos países de língua portuguesa e de Macau, tendo Moçambique sido representado precisamente pela Escola Primária Matchik – Tchik. Como a verba angariada com a venda dos livros é ainda insuficiente para toda a ajuda de que a escola necessita, a associação realiza este Sunset Solidário, ao qual se associam vários artistas locais, para assegurar as três linhas de acção acima referidas. “Uma pequena contribuição da sua parte pode fazer realmente uma enorme diferença na vida destas crianças. Não deixe de ajudar, juntando-se a esta campanha solidária. O valor da entrada no Sunset é de 150 patacas com direito a uma bebida de cápsula. O valor das bebidas consumidas também será revertido para a escola moçambicana, bem como as verbas resultantes da compra do livro de contos durante o evento, que custa 100 patacas”, apelou Marta Pereira.

Participarão no Sunset Solidário os cantores Rodrigo Costa, de Cabo Verde, Betchy Barros, da Guiné-Bissau, Giulio Acconci, de Macau e Jandira Silva, do Brasil. A festa será ainda animada por vários disco-jóquei como o DJ Abel X (Etiópia), DJ SoneKa (Portugal), LaMonique e Alex DJ (Moçambique), DJ Malagueta (Guiné-Bissau) e DJ Cuco (Portugal).

Relatórios da UNICEF sobre a situação das crianças moçambicanas, relativos ao ano de 2021, indicam que quase metade (49%) vivia abaixo da linha da pobreza, e que apenas 30,6% da população completava a escola primária. De acordo com o organismo, o ambiente vivido na escola é um dos factores de risco que leva ao abandono escolar, de que é exemplo a falta de instalações sanitárias sensíveis ao género. No entanto, a pandemia da Covid-19 acabou por ser apontada como uma das principais causas da desistência escolar mais recente. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Macau – Associação “Somos” une histórias lusófonas

Marta Pereira, jornalista e produtora na TDM-Rádio Macau, define a “Somos”, a Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (ACLP) como a continuação da ideia original de “unir em plataforma as histórias de pessoas de língua portuguesa espalhadas pelo mundo”



Ao Jornal Tribuna de Macau, Marta Pereira conta como o projecto de divulgação da lusofonia se construiu a partir de uma ideia original que tinha em Portugal relacionada com a diáspora portuguesa. Chegada a Macau surgiu a "Somos" (ACLP), em colaboração com mais oito elementos, e a diáspora portuguesa ficou numa gaveta aberta. A importância que a lusofonia tem no território transformou-se e reflectiu-se no projecto que passou “a unir em plataforma as histórias de pessoas de língua portuguesa espalhadas pelo mundo”.

Estas histórias ficam depois patentes no website e no facebook da “Somos”, assim como as actividades culturais, turísticas e uma espécie de jornalismo de proximidade que resulta da divulgação de toda esta informação espalhada pelo mundo dos falantes de língua portuguesa. Segundo Marta Pereira o que mais lhes interessa são os investimentos na pessoa humana.

A “Somos” integra oito elementos que, para além de Marta Pereira são: Olga Pereira, Fernando Ferreira, José Manuel Simões, Natacha Fidalgo, Bruno Camacho da Côrte, José Salgueiro e Valéria Carvalho. Uma equipa pluridisciplinar que trabalha em coesão “lusófona”.

E porquê a palavra “Somos”? Marta responde rapidamente “porque não existimos de forma individual. A palavra ‘somos’, na linguística é um políndromo, ou seja é um vocábulo que se lê da mesma forma da direita para a esquerda e vice-versa. Pode ler-se nos dois sentidos. Somos o princípio e o fim”.

A Associação de Comunicação em Língua Portuguesa é o produto final de um projecto de vontades que pretende integrar “todos os países falantes de língua portuguesa e abordar a lusofonia partindo de diferentes perspectivas e através de meios diferentes. A Somos – ACLP empenhou-se na promoção de literatura, arte, fotografia, cultura, sociedade e turismo, acções ligadas por um denominador comum, a língua portuguesa”.

A associação conta também com a colaboração de diversos parceiros, desde jornalistas, escritores, professores, artistas, entidades e instituições que têm trabalhado diversos vectores da lusofonia nos quais a “Somos” considera que ainda há muito trabalho a fazer nessas áreas como, por exemplo, na cultura e algumas questões sociais. Neste âmbito, regista Marta Pereira, a associação pretende “aprofundar o conhecimento da lusofonia na abordagem livre à literatura, arte, cultura, sociedade ou turismo, através de materiais próprios como filmes, livros, publicações, concursos, seminários, eventos artísticos, sociais e culturais, tanto a nível local como regional e internacional”.

A presidente da “Somos” prossegue contando que: “Para Dezembro preparamos já o lançamento do Segundo Concurso de Fotografia ‘Somos Imagens da Lusofonia – 2019’, direccionado para países de língua portuguesa, e em Janeiro está também programada a vinda de uma banda e grupo de dança de Moçambique, que assegurará um workshop, de 16 a 18 de Janeiro, na Escola Portuguesa de Macau (aberto a toda a população) e a 19 de Janeiro fará um espectáculo na Taipa, neste momento não podemos adiantar muito mais. Mas há ainda outras iniciativas que queremos fazer, ligadas à literatura da China, de Macau e dos países da CPLP assim como uma acção pontual na área da música e da comunicação”.

Marta Pereira diz que “que existem pontualmente apoios financeiros, por exemplo do Instituto Cultural, que nos permitiu organizar o primeiro concurso de fotografia Somos Imagens. Que sem o apoio do IC não teria sido possível realizá-lo.”

A fundadora da “Somos” reside e trabalha no território há quatro anos como produtora e jornalista na Rádio Macau, e em Portugal, tem de fazer todos este contactos com os países da lusofonia depois do horário laboral, o que a “obriga muitas vezes a longas horas nocturnas ao telefone, com pessoas dos países de língua portuguesa por via de fusos horários difíceis”, por assim dizer.

E frisa que em Macau, “colocamos no sítio da ‘Somos’ muitas notícias dos vários países e também de Macau. Publicamos às vezes os jornais do território citando, claro, a origem e as fontes. Temos uma relação saudável com os jornais de Macau”. Ana Cruz – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”