Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 15 de abril de 2023

Cabo Verde - Livro “A Minha Dor Invisível – A Depressão na Primeira Pessoa” de Geraldina Almeida editado na Cidade da Praia


Cidade da Praia – O livro “A Minha Dor Invisível – A Depressão na Primeira Pessoa”, da autoria de Geraldina Almeida, que traz testemunhos de pessoas que sofrem da depressão, será lançado hoje, 15, na sede da Igreja do Nazareno, na Praia.

Conforme relatou a autora, à Inforpress, o livro fala sobre a depressão e a ansiedade e traz testemunhos tanto dela como de mais pessoas que sofrem com a doença, ou seja, um livro, segundo caracterizou, “cheio de dor e de lutas, mas também de vitórias”.

Com a publicação pretende despertar o mundo sobre a depressão, mostrando que ela não é, de todo, “uma frescura, como muitos pensam e afirmam”.

“Constitui um dos objectivos desta obra ajudar a perceber a doença e, acima de tudo, mostrar que é possível lutar contra ela e, vencê-la, enfim, é uma chamada de atenção sobre a nossa saúde mental”, concretizou.

O livro que deveria ser lançado em Dezembro, segundo avançou na época Geraldina Almeida à Inforpress, teve de aguardar o “tempo certo” para ser publicado, devido a alguns constrangimentos.

Na altura havia lançado uma campanha para os interessados nesta “luta”, no sentido de apoiarem a publicação, comprando antecipadamente o livro, por 1500 escudos.

A apresentação da obra marcada para hoje, sábado 15, às 17:00, no salão da Igreja do Nazareno, no Platô, estará ao cargo do psicólogo Fernando Sousa. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Portugal - Programa “Detetives das Emoções” ajuda a combater a ansiedade e depressão em crianças

Um estudo piloto realizado por uma equipa da Universidade de Coimbra (UC), em colaboração com o Centro Hospitalar Tondela-Viseu e com Agrupamentos de Escolas de Coimbra, Nelas e Viseu, indica que o programa de intervenção psicológica vulgarmente conhecido como “Detetives das Emoções” é eficaz no combate à ansiedade e depressão em crianças dos 6 aos 13 anos.

Com o nome científico “Protocolo Unificado para o Tratamento Transdiagnóstico das Perturbações Emocionais em Crianças”, este programa de intervenção foi originalmente desenvolvido nos EUA e destina-se a crianças dos 6 aos 13 anos que apresentem problemas de ansiedade e/ou depressivos clinicamente significativos e respetivos pais. O objetivo da equipa da UC é estudar e validar o programa para a população portuguesa.

O projeto, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), é conduzido por investigadores do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) e da Unidade de Psicologia Clínica Cognitivo-Comportamental (UPC3), da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), e tem a colaboração da Universidade de Miami (EUA).

Na prática, o programa – composto por 15 sessões semanais em grupo de 90 minutos para pais e filhos – tem como objetivo ajudar as crianças a desenvolverem estratégias para melhor lidarem com as suas dificuldades e emoções difíceis, permitindo assim que progressivamente se sintam menos ansiosas e/ou deprimidas. É conhecido por "Detetives das Emoções" porque, ao longo das sessões, as crianças aprendem diferentes estratégias com a ajuda dos “Detetives das Emoções” Sebastião, Nini, Edgar e Ana, que são as personagens do caderno de atividades da criança. Também os pais aprendem estratégias para melhor poderem ajudar os seus filhos a lidarem com as suas emoções fortes.

Os resultados preliminares do estudo piloto, realizado ao longo do último ano com a participação de mais de 30 crianças e pais, explica Brígida Caiado, doutoranda na UC, sob coordenação das docentes Helena Moreira e Maria Cristina Canavarro, mostram uma «elevada satisfação das crianças e pais com a intervenção, um forte envolvimento destes nas sessões e com melhorias significativas ao nível dos sintomas de ansiedade e depressão das crianças».

Observou-se, detalha, «uma redução de processos psicológicos inerentes à psicopatologia (por exemplo, evitamento; dificuldades na expressão emocional; intolerância às emoções negativas; sensibilidade à ansiedade; afeto negativo e erros cognitivos) e uma promoção de processos psicológicos subjacentes à saúde mental (mindfulness [atenção plena], flexibilidade cognitiva, etc.). Os pais também consideram ter aprendido estratégias úteis para lidar com as dificuldades dos seus filhos, considerando a intervenção uma mais-valia para os seus filhos e para si mesmos».

Agora, a equipa está a levar a cabo um estudo mais alargado que pretende avaliar a eficácia desta intervenção através da comparação com um outro programa de intervenção psicoeducacional para a ansiedade/depressão (ABC das Emoções). Só «através da comparação destes dois grupos, é possível avaliar a eficácia efetiva do programa “Detetives das Emoções: Protocolo Unificado para Crianças”», conclui Brígida Caiado.

Nesse sentido, encontram-se abertas inscrições para participação neste novo estudo. Podem participar crianças dos 6 aos 13 anos com perturbação emocional, isto é, medos interferentes, perturbação de ansiedade e/ou depressão. As crianças e pais que participarem terão acesso gratuito à intervenção psicológica grupal destinada ao tratamento destas perturbações. Os pais que tenham interesse neste projeto deverão preencher o formulário disponível em https://bit.ly/detetivesemocoes e serão posteriormente contactados pela equipa de investigação.

Mais informação sobre o projeto está disponível em:

https://protocolounificadoc.wixsite.com/home

e também nas redes sociais:

https://www.facebook.com/detetivesemocoesprotocolounificadocriancas

https://www.instagram.com/detetives.emocoes/. Universidade de Coimbra - Portugal  


segunda-feira, 31 de maio de 2021

Internacional - Estudo revela que o medo da compaixão ampliou o impacto nocivo da Covid-19 na saúde mental

O medo da compaixão ampliou o impacto prejudicial da Covid-19 na saúde mental, aumentando os níveis de depressão, ansiedade e stress, revela um estudo realizado no âmbito de um projeto internacional pioneiro sobre resiliência psicológica durante a pandemia, liderado por Marcela Matos, da Universidade de Coimbra (UC).

Este consórcio, que explora a compaixão, a conexão social e a resiliência ao trauma durante a pandemia de Covid-19, ou seja, os fatores que podem aumentar ou atenuar o risco de problemas de saúde mental neste contexto, conta com a participação de cientistas de 21 países da Europa, Médio Oriente, América do Norte, América do Sul, Ásia e Oceânia.

Neste estudo em particular, já publicado na revista científica “Clinical Psychology and Psychotherapy”, o universo da amostra foi constituído por 4057 indivíduos de ambos os sexos da população geral, recrutados nos 21 países participantes.

De acordo com a coordenadora, Marcela Matos, os resultados obtidos mostram que «o medo da autocompaixão, medo da compaixão em relação aos outros e medo de receber compaixão dos outros estão associados a maiores níveis de depressão, ansiedade e stress e menor sensação de segurança e ligação aos outros», isto é, clarifica, «pessoas que têm mais medo e resistências em relação a serem sensíveis ao seu próprio sofrimento e ao dos outros e a tentarem aliviar ou prevenir sofrimento e que estão menos disponíveis para receber suporte e compaixão por parte de outras pessoas tendem a apresentar mais sintomas depressivos, de ansiedade e de stress e a sentir-se menos seguras e conectadas/ligadas às outras pessoas».

A investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) explica que, embora a compaixão possa ser um fator protetor, em oposição, «o medo da compaixão aumenta a vulnerabilidade ao sofrimento psicossocial e pode ampliar o impacto da pandemia na saúde mental».

Outra conclusão do estudo «extremamente relevante», segundo Marcela Matos, é o facto de «estes medos da compaixão e da autocompaixão amplificarem o efeito nefasto da pandemia nos níveis de depressão, ansiedade e stress. Isto significa que quanto mais medo as pessoas tiverem de ser compassivas em relação a elas mesmas e em relação aos outros e mais resistências tiverem em receber compaixão por parte dos outros, maior é o impacto do medo do vírus na sua saúde mental».

Por outro lado, acrescenta, «percebemos também que o medo de receber compaixão por parte de outras pessoas, isto é, estar menos disponível/recetivo para receber suporte, ajuda e compaixão de outras pessoas na nossa vida, é um importante fator de risco que agrava o impacto nefasto da pandemia/medo do vírus na sensação de segurança e ligação aos outros».

Face aos resultados obtidos, que são transversais aos 21 países que participaram no estudo, a investigadora defende que as autoridades de saúde pública «devem adotar intervenções e comunicações focadas na promoção da compaixão e da ligação aos outros para reduzir os medos da compaixão e, assim, promover a resiliência e o bem-estar mental durante e após a pandemia COVID-19».

A especialista do CINEICC recomenda ainda que «intervenções psicológicas de promoção/tratamento da saúde mental focadas na compaixão e baseadas em evidência empírica (como a terapia focada na compaixão ou o treino da mente compassiva), em formato individual, grupal ou na comunidade, sejam usadas para reduzir o medo da compaixão e promover a motivação e as competências compassivas e, portanto, ajudar a proteger contra dificuldades de saúde mental durante e após a pandemia». Universidade de Coimbra - Portugal

 

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Portugal - Projeto de investigação quer prevenir e combater o burnout em estudantes de medicina e medicina dentária

 


Uma equipa da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), liderada por Ana Telma Pereira, está a desenvolver um projeto de investigação que pretende reduzir o burnout nos estudantes de medicina e medicina dentária, através da autocompaixão.

A ideia para o projeto, intitulado “COMBURNOUT”, surgiu do facto de «verificarmos, com a nossa investigação, mas também no contacto com os estudantes, que os alunos de medicina e de medicina dentária têm níveis elevados de stresse, ansiedade e depressão», conta Ana Telma Pereira.

Além disso, sublinha a psicóloga e investigadora do Instituto de Psicologia Médica da FMUC, «temos constatado que certos traços de personalidade, ou seja, da sua maneira típica de pensar, sentir e comportar-se, são mais prevalentes nestes estudantes, como o neuroticismo e, principalmente, o perfecionismo. Estes são fatores de risco para o sofrimento psicológico, pois diminuem as competências emocionais para lidar com o stresse».

Segundo a investigadora, são vários os fatores de risco que potenciam o Burnout nos estudantes de medicina e medicina dentária, nomeadamente, por exemplo, «o ambiente competitivo, a elevada carga horária e a grande quantidade de avaliações e de matérias. Devido à combinação destes fatores, quase metade dos estudantes de medicina e medicina dentária sofre de burnout – significativamente mais do que os estudantes de outras áreas».

«Devido ao estigma, vergonha e ao próprio perfecionismo, a maioria dos estudantes não procura ajuda e o problema tende a piorar ao longo da formação e carreira médica», salienta Ana Telma Pereira.

O burnout carateriza-se por vários sintomas que ocorrem na sequência de um período prolongado de intenso stresse relacionado com o trabalho ou os estudos, levando a pessoa a sentir-se completamente esgotada, sem recursos emocionais e físicos.

No caso dos estudantes de medicina, alerta a especialista da FMUC, «as consequências do burnout são graves: depressão, ideação suicida, uso e abuso de álcool e de outras substâncias psicoativas… Este estado de exaustão e desânimo pode levá-los a negligenciar a sua saúde e a dos outros, pois o burnout aumenta a probabilidade de erros e negligência médica».

O projeto, que conta com 30 mil euros de financiamento do programa “Academias do Conhecimento” da Fundação Calouste Gulbenkian, é composto por duas fases. Na primeira, a equipa vai identificar os estudantes em risco para, depois, implementar um programa de intervenção em grupo (maioritariamente em formato online), focado na promoção de competências emocionais, como o mindfulness e a autocompaixão - abordagens terapêuticas que ensinam as pessoas a autorregularem os seus pensamentos e emoções, com benefícios cientificamente comprovados.

Na segunda fase do projeto, vai ser realizado um estudo experimental para testar a eficácia desta intervenção, tendo como objetivo final a disponibilização de um programa de intervenção totalmente manualizado e com boas evidências de impacto positivo na redução do burnout e perturbação psicológica em estudantes de medicina e medicina dentária.

«Estamos confiantes, porque já comprovámos, com estudos recentes, que se fomentarmos a autocompaixão podemos atenuar o stresse e o sofrimento psicológico potenciados pelo perfecionismo. A autocompaixão pode ser um antídoto para este veneno», afirma a coordenadora do “COMBURNOUT”, referindo ainda que a equipa do projeto é constituída essencialmente por «psicólogas com formação e experiência em intervenções deste tipo, e por jovens médicos, que são internos de psiquiatria no CHUC e assistentes na FMUC; eles próprios passaram há não muito tempo por estas pressões».

O programa “Academias do Conhecimento” da Fundação Calouste Gulbenkian, criado em 2018, destina-se a apoiar projetos que apostem na promoção de «competências para que as crianças e jovens de hoje sejam capazes de enfrentar um futuro em rápida mudança». Universidade de Coimbra -- Portugal