De
acordo com esses dados, o saldo da balança comercial de mercadorias do Brasil
foi positivo ao longo dos últimos cinco anos, chegando a 44,6 bilhões de euros
em 2020, com evolução das importações e das exportações no período de 2016 a
2019, registrando queda apenas em 2020. O ritmo das exportações, que aumentou
entre 2016 e 2018, desacelerou a partir de então.
Os
dados mostram ainda que os principais parceiros do Brasil em 2020 foram a China
e os EUA, com 21,9% e 17,8% do total das importações e 32,4% e 10,3% das
exportações, respectivamente. Já Portugal ocupou em 2020 a 35ª posição nas
importações (0,5% do total) e o 31º lugar nas exportações (0,8%). De Portugal,
o Brasil importou principalmente produtos agro-alimentícios (azeite de oliva,
vinhos e peixes congelados) e madeira, cortiça e papel.
Para
Portugal, o Brasil exportou principalmente óleos brutos de petróleo ou de
minerais betuminosos (crus), óleos combustíveis de petróleo ou de minerais
(exceto óleos brutos), minério de ferro, soja e milho. Ou seja, produtos como
café, madeira, açúcar, couro e cacau, que eram dominantes em outros tempos no
intercâmbio entre os dois países, tiveram de abrir espaço para outros commodities
e o Brasil passou a ser um dos principais provedores de matérias-primas e bens
intermediários para a indústria portuguesa.
Para
Portugal, a balança comercial com o Brasil tem sido desfavorável. Ao longo dos
últimos cinco anos, o maior déficit ocorreu em 2020, com 874 milhões de euros,
com um grau de cobertura das importações pelas exportações de 45,4%. No
primeiro trimestre de 2021, as importações decresceram 34,6% em comparação com
o mesmo período de 2020, com as exportações caindo 23,3%, o que significou um déficit
de 40,6%. Já as exportações subiram de 34,8% para 40,8%.
De
acordo com o estudo, o peso das importações portuguesas com origem no Brasil
representou 1,7% do total em 2016 e 2017, tendo descido nos dois anos seguintes
para 1,3%, para se situar em 2,4% em 2020. No primeiro trimestre deste ano, caiu
para 2,3%, em 2021, depois de ter registrado 3,3% em 2020. Por sua vez, o peso
das exportações de Portugal para o Brasil, que havia crescido de 1,1%, em 2016,
para 1,7%, em 2017, manteve-se nos três anos seguintes entre 1,3% e 1,4%. Depois
de ter atingido 1,5% no primeiro trimestre de 2020, desceu para 1,1% em
comparação com idêntico período de 2021.
É
de se ressaltar que, no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP),
que reúne também Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e
Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial, Portugal ocupa a primeira posição no
intercâmbio com o Brasil, responsabilizando-se por 78% da corrente de comércio
(77,9% das importações e 77,8% das exportações). Em seguida, vem Angola, com
17,9% das importações e 16,7% das exportações. Depois, aparecem Moçambique, com
3,8% do total das importações, e Guiné Equatorial, com 2,1% no total das
exportações.
Embora,
à primeira vista, esse relacionamento comercial não seja dos mais
significativos na comparação com os principais parceiros do Brasil, o
intercâmbio com Portugal e os demais membros da CPLP teria tudo para crescer
nos próximos anos, não fossem os efeitos da pandemia de coronavírus (covid-19)
que têm impedido a realização de feiras internacionais, que são fundamentais
para a divulgação de produtos. Mesmo assim, tanto o Ministério das Relações
Exteriores como a Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais
(Secint) do Ministério da Economia, com a participação da Confederação Nacional
da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)
e congêneres estaduais, têm intensificado uma estratégia comercial para
alavancar esse intercâmbio. É só uma questão de tempo. Adelto
Gonçalves - Brasil
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Adelto
Gonçalves,
jornalista, é assessor de imprensa do Grupo Fiorde, constituído pelas
empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e
Barter Comércio Internacional (trading company). E-mail: fiorde@fiorde.com.br.
Site: www.fiorde.com.br