Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Brasil - Roubo de cargas: números preocupam

Com o arrefecimento no número de vítimas da pandemia de coronavírus (covid-19), a economia começou a se recuperar e a previsão é que já no primeiro trimestre de 2022 ocorra uma retomada no setor de serviços e no mercado de trabalho informal, em consequência de aumento no investimento privado, consolidação fiscal, taxa de poupança mais elevada e reformas econômicas já anunciadas. A previsão da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia é que, em 2022, haja um crescimento de 2,5% do Produto Interno Brito (PIB). Já analistas do mercado se mostram menos otimistas e preveem um crescimento de 1,63% para o PIB, conforme nota da Agência Brasil.

Seja como for, é certo que, com o reaquecimento do mercado, haverá a movimentação de cifras milionárias na malha rodoviária, garantindo o abastecimento de mercadorias para todo o território, o que significa também a expansão do número de empregos e, em consequência, a reativação do mercado interno, ainda que a previsão para o comércio exterior não seja muito animadora, pois, segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o superávit na balança comercial poderá chegar a US$ 34,5 bilhões, com queda de 39,7% em comparação com 2021.

Se houver mesmo o reaquecimento do mercado, não há dúvida que o setor de transportes será altamente beneficiado. Em contrapartida, não está afastada a possibilidade de que aumentem também os efeitos colaterais, ou seja, que cresça o número de roubo de caminhões e cargas nas rodovias, especialmente no Estado de São Paulo. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, de janeiro a agosto de 2021 ocorreram 4131 crimes desse tipo, com uma alta de 4,7% em comparação com igual período de 2020.

Do total de casos, 46,2% ocorreram na Capital, 30,8% na região metropolitana da Grande São Paulo e 22,9% no Interior. Mesmo com a alta registrada do Estado de São Paulo, os crimes relacionados com roubos de cargas no País estão em queda, se os números forem comparados com aqueles registrados em 2017, ano considerado o ápice nesse setor. Naquele ano ocorreram 25970 roubos de carga em todo o território nacional, o que representou cerca de R$ 1,5 bilhão de prejuízos. O Estado de São Paulo foi responsável por 10584 dos crimes, ou 40,75%, enquanto o Rio de Janeiro respondeu por 10599, representando 40,81% do total. Desde então, houve um decréscimo nos números.

Segundo a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC), as regiões localizadas nas proximidades de rodovias e numa área distante até 30 quilômetros da Capital paulista são as mais sensíveis aos roubos de carga. Esses são locais que, geralmente, concentram empresas de logística e centros de distribuição, que costumam transportar mercadorias de alto valor agregado, como combustíveis, equipamentos eletrônicos e medicamentos, exatamente aquelas que mais atraem as quadrilhas.

Mais: alguns bandos especializaram-se em roubar produtos perecíveis, como alimentos, cigarros e bebidas, que são repassados e consumidos com rapidez. E esse tipo de delito ocorre exatamente quando a mercadoria está sendo entregue no estabelecimento comprador. Já caminhões que transportam produtos como combustíveis, têxteis, equipamentos eletrônicos, defensivos agrícolas e itens farmacêuticos são alvos do crime organizado quando estão transitando por rodovias. Os marginais, geralmente, mantêm o motorista em cárcere privado até que seus objetivos sejam concluídos. No Estado de São Paulo, os municípios de São Paulo, Guarulhos e Jundiaí são os mais visados pelos marginais, mas Cubatão, Cajamar, Itaquaquecetuba, Osasco, São Bernardo do Campo e Embu das Artes também registram altos índices.

A Secretaria de Segurança Pública já anunciou que vai intensificar o programa de prevenção e redução de furtos, roubos e desvios de carga (Procarga), em vigência desde 1997, aumentando a repressão a esse tipo de delito. Ao mesmo tempo, as empresas de transporte e logística tratam de instalar cada vez mais sistemas de segurança como rastreamento e monitoramento de veículos, que vem dificultando as ações dos criminosos. Mas, por enquanto, essa é uma luta que parece não ter fim. Liana Martinelli - Brasil

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Relações Institucionais do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Brasil - Caminhão elétrico: só vantagens

São Paulo – No século XVIII, o interior da capitania de São Paulo já produzia açúcar, aguardente, farinha, algodão e outros gêneros que tinham de seguir não só para o Centro-Oeste do país como para a capital e para o litoral por caminhos que originalmente haviam sido abertos pelos indígenas. Os víveres colhidos nas matas de São João de Atibaia, em Nazareth e Jaguari, a atual Bragança Paulista, e outras regiões de Serra acima eram conduzidos sempre no lombo de mulas, valendo-se da mão de obra escravizada. No século seguinte, com o desenvolvimento da cultura cafeeira, por muitos anos, ainda foram usados animais para o transporte de cargas, o que só começou a ser diversificado a partir da inauguração da estrada de ferro entre Petrópolis e o Rio de Janeiro, em 1854.

Em 1859, surgia o primeiro bonde de tração animal, substituído em 1862 pelo movido a vapor e em 1892 pelos elétricos, que correriam nos trilhos das cidades brasileiras pelo menos até a década de 1970 do século passado. No Brasil, a substituição ainda seria lenta e bondes puxados por animais ainda seriam vistos nas ruas até a segunda década do século XX. O primeiro carro movido a gasolina seria lançado em 1886, mas só chegaria ao Brasil em 1893. Desde então, a substituição do transporte a tração animal pelo transporte por veículos a gasolina foi gradual, até que, à época do governo Juscelino Kubitschek (1956-1961), com a implantação da indústria automobilística, o brasileiro foi incentivado a optar pelo transporte rodoviário, tanto para pessoas como para cargas.

Desde então, o governo tratou de abrir estradas. Hoje, a malha rodoviária é estimada, segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), em 110 mil quilômetros de vias pavimentadas, mas que correspondem a apenas 13% do total, estimado em 1,7 milhão de quilômetros, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Por essa malha rodoviária, passam mais de 60% das mercadorias e mais de 90% dos passageiros. A frota, por sua vez, já ultrapassou a barreira dos 100 milhões de veículos em circulação. E de 2009 até aqui aumentou mais de 70%.

Obviamente, com o crescimento da frota, agravaram-se os problemas. Um desses problemas, a poluição, pode agora começar a diminuir a partir da presença cada vez mais iminente dos caminhões elétricos nas rodovias, graças as suas vantagens sustentáveis, como a baixa emissão de dióxido de carbono (CO²), menor ruído na circulação e baixo custo de manutenção e de recarga de energia. Nas cidades também se mostram de extrema valia, pois podem, por exemplo, otimizar a mobilidade urbana de serviços, como o da coleta de lixo.

Segundo os especialistas, a diferença no valor de compra dos caminhões elétricos em comparação com os modelos a diesel é compensada pelos custos baixos de manutenção e recarga de energia. E porque duram mais tempo em serviço. Segundo os cálculos, o caminhão elétrico em seis anos paga o investimento feito em sua aquisição, enquanto o a diesel leva em média 13,9 anos. 

Não se pode esquecer também que no Brasil os ônibus movidos a eletricidade, os chamados trólebus, usados no transporte público, chegaram ao final da década de 1940, mas, desde então, muitas cidades desativaram suas linhas. Só que, agora, voltam a ganhar importância porque a tecnologia pode permitir que esse tipo de veículo não mais dependa da rede aérea de fios.

Seja como for, num momento em que o mundo discute como reduzir as emissões de gases e ruídos nas cidades, os veículos elétricos – caminhões, trólebus e automóveis – assumem um papel fundamental para alcançar estes objetivos, já que dispõem de uma tecnologia amplamente conhecida e de baixo custo em comparação com outras alternativas. Liana Martinelli - Brasil

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Relações Institucionais do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br