Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Internacional - Universidade de Coimbra integra consórcio europeu para desenvolvimento de materiais recicláveis inovadores

O Centro de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), via LaserLab Coimbra, é um dos principais parceiros do projeto científico europeu ReMade@ARI, um projeto que acaba se ser lançado e que visa desenvolver materiais recicláveis inovadores para componentes-chave em áreas diversas, a um nível sem precedentes.

Com um orçamento global de 13,8 milhões de euros, o projeto, que reúne 40 parceiros, é financiado pela União Europeia (UE) e liderado pelo centro alemão Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf (HZDR).

O Plano de Ação de Economia Circular da União Europeia baseia-se no pressuposto de que até 80% do impacto ambiental de um produto é determinado durante a fase de projeto. Para promover uma abordagem abrangente da produção e produtos sustentáveis, o ReMade@ARI visa, segundo o consórcio, «alavancar o desenvolvimento de materiais inovadores e sustentáveis para componentes-chave nos mais diversos setores, como o de materiais eletrónicos, baterias, veículos, construção, embalagens, plásticos, têxteis e alimentos, a um nível sem precedentes. Para responder ao desafio de criar novos materiais que sejam funcionalmente competitivos e altamente recicláveis, será aproveitado o potencial de mais de 50 infraestruturas de investigação analítica da rede europeia ARIE».

«No supermercado, as frutas e os legumes são frequentemente embalados em plásticos para prolongar a sua vida útil. No futuro, os materiais de base biológica derivados da madeira poderão constituir uma alternativa sustentável. É aqui que o ReMade@ARI entra em ação: a investigação que leva ao desenvolvimento de novos materiais sofisticados depende crucialmente do acesso às infraestruturas de investigação europeias de classe mundial, que uniram forças no ReMade@ARI», exemplifica o consórcio.

Assim, a plataforma ReMade@ARI será o “hub” central para todos os setores e áreas de investigação em que serão desenvolvidos novos materiais para uma economia circular. «Fornecemos aos cientistas que estão a trabalhar em projetos de desenvolvimento de novos materiais recicláveis ferramentas analíticas que lhes permitem explorar as propriedades e a estrutura dos seus materiais ao mínimo detalhe, incluindo resolução atómica», explica Stefan Facsko, coordenador científico do projeto, enfatizando que «isso requer a exploração dos mais diversos métodos analíticos, envolvendo combinações apropriadas de fotões, eletrões, neutrões, iões, positrões e campos magnéticos muito elevados».

Nesse sentido, qualquer cientista, com ligações quer à academia quer à indústria, que trabalhe em novos materiais recicláveis, pode entrar em contacto com o consórcio. Será dada especial atenção aos cientistas que trabalhem em domínios de investigação em que o potencial das infraestruturas de investigação ainda não foi explorado.

De acordo com Rui Fausto, um dos coordenadores do projeto em Portugal e professor catedrático no Departamento de Química da FCTUC, «a plataforma vai oferecer aos cientistas um serviço completo, colaborando com eles de perto para identificar as propriedades relevantes a serem analisadas, de modo a desenvolver o material ideal para uma finalidade específica». Com base nisso, conclui, «as infraestruturas de pesquisa mais adequadas para medir essas propriedades serão identificadas entre o conjunto de instalações únicas da Europa que integram o consórcio». Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 20 de março de 2019

Internacional - Investigadores da FCTUC integram consórcio que estudou a queda e origem de meteoritos provenientes do asteroide Vesta

Uma equipa de investigação do Centro de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), coordenada pelo professor catedrático de Química, Rui Fausto, integra um consórcio internacional que estudou a queda e origem de um conjunto de meteoritos originários do asteroide Vesta, o segundo maior corpo na cintura de asteroides.

Os resultados da investigação efetuada pelo consórcio - que envolve 79 investigadores de 47 universidades e institutos de 12 países - acabam de ser publicados na prestigiada revista Meteoritics and Planetary Science.

Os meteoritos, encontrados na região de Sariçiçek, na Turquia, em 2015, foram estudados por várias técnicas num projeto coordenado pela NASA e pelo cientista turco Ozan Unsalam, que realizou parte dos seus estudos de pós-doutoramento no Departamento de Química da FCTUC. A equipa de Rui Fausto realizou estudos analíticos da composição dos meteoritos usando espectroscopia de Raman.

De acordo com a informação agora revelada pela equipa internacional, a colisão no asteroide Vesta, que criou a cratera de impacto “Antónia” há 22 milhões de anos, produziu um conjunto de meteoritos que caíram perto da cidade de Sariçiçek, na Turquia, em 2015.

«Visitámos Sariçiçek logo após a queda destes meteoritos» afirma Ozan Unsalam, explicando que «os locais providenciaram os meteoritos para que o estudo fosse possível e ajudaram no mapeamento dos 343 locais da queda».

Concluiu-se que os meteoritos investigados fazem parte de um tipo denominado Howarditos, pertencendo a um clã chamado de meteoritos HED (howarditos, eucritos e diogenitos).



«Os estudos isotópicos mostraram que os meteoritos de Sariçiçek pertencem ao grupo mais comum de meteoritos HED», diz Qing-zhu Yin, cosmoquímico da Universidade da Califórnia. «Isto significa que os meteoritos de Sariçiçek têm de ter sido originados num impacto significativo», sublinha.

Cerca de um terço de todos os meteoritos HED foram originados numa colisão há cerca de 22 milhões de anos. «Este meteorito estava mesmo por baixo da superfície de um asteroide de maiores dimensões há cerca de 13 milhões de anos antes da colisão ter acontecido», acrescenta Matthias Meier, geoquímico no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça. «Foi exposto a ventos solares, deixando um rasto de gases nobres. Por isso, estivemos à procura de uma cratera coberta de material howarditíco, como os dos meteoritos de Sariçiçek», comenta.

Estes meteoritos atípicos refletem a luz como o asteroide Vesta, de 525 quilómetros, o segundo maior corpo na cintura de asteroides, e da sua família de asteroides de 0,8 a 8 quilómetros chamada de asteroides tipo V ou Vestoides, que são fragmentos de uma enorme colisão que criou a bacia de impacto Rheasilvia em Vesta.

«A comunidade científica suspeitava há bastante tempo que os meteoritos HED eram originários de Vesta ou dos seus Vestoides, mas não era possível apontar-se para um local de impacto específico» afirma Takahiro Hiroi, da Brown University, que mediu as propriedades de refletância dos meteoritos.

Um aspeto muito importante a salientar é o facto de esta ter sido a primeira ocasião em que meteoritos HED comuns foram fotografados a cair no Planeta Terra. «Usámos imagens de vídeos de câmaras de segurança de cidades próximas para determinar a trajetória e a órbita dos meteoritos», conta Peter Jenniskens, astrónomo de meteoritos do SETI Institute do Ames Research Center da NASA, que participou no estudo de campo. «A órbita forneceu a primeira correlação dinâmica entre o clã de meteoritos HED comuns e o cinturão interior onde o asteroide Vesta está localizado».

O asteroide Vesta foi visitado pela nave especial DAWN, da NASA, em 2011 e 2012, e inúmeras crateras de impactos foram fotografadas nessa altura. Segundo Bernardo Albuquerque, investigador e estudante de doutoramento da FCTUC, «a composição química e mineralógica dos meteoritos é muito rica e foi possível efetuar a sua caracterização detalhada, graças aos esforços conjuntos de vários laboratórios localizados em diferentes países, cabendo-nos a nós a realização dos estudos por espectroscopia de Raman, que foram decisivos para a caracterização mineralógica dos materiais recolhidos».

O conhecimento da sua cratera em Vesta faz dos meteoritos de Sariçiçek e dos outros meteoritos HED de 22 milhões de anos amostras de estudo baratas do asteroide Vesta. «Podemos agora estudar as propriedades físico-químicas dos meteoritos de Sariçiçek para aprendermos mais sobre os perigosos Vestoides que ocasionalmente caem na Terra», completa Rui Fausto, referindo que «isto pode ajudar-nos a perceber o que fazer quando descobrirmos que um Vestoide se aproxima do nosso Planeta». Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal