Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Internacional - Apenas 15% das publicações científicas no mundo são assinadas em português e espanhol


O português e o espanhol são línguas globais atualmente faladas por 850 milhões de pessoas no mundo. Estima-se que em 2050, serão 754 milhões de falantes de espanhol e 390 milhões de português.

Mas, para que o espanhol e o português continuem a estar entre as línguas com maior expressão mundial, os países ibero-americanos precisam assumir um compromisso de investir em educação e na inclusão digital.

O alerta foi feito no passado dia 16 de fevereiro pela diretora geral de Bilinguismo e Difusão da Língua Portuguesa da Secretaria geral da Organização de Estados Ibero-Americanos, Ana Paula Laborinho, durante o lançamento do sítio “Línguas em Números”, na 2ª Conferência Internacional das Línguas Portuguesa e Espanhola (CILPE 2022), desenvolvido em Brasília do 16 a 18 de fevereiro e de forma virtual no Youtube.

O sítio traça um ranking de como as duas línguas estão distribuídas pelo mundo levando em consideração, não apenas o número de pessoas que falam os idiomas, mas também fatores considerados mais relevantes no mundo atual, como: a presença dos idiomas na internet, redes sociais, etc., o número de artigos científicos e produção cultural, e até a quantidade de recursos naturais de cada país.

Dados do Instituto Elcano apontam a evolução da quantidade de publicações científicas no WOS, desenvolvidas em países latino americanos.

Segundo o levantamento, as línguas mais usadas em pesquisas são Inglês — com mais de 153 mil estudos assinados; seguido do Espanhol, com 17 mil estudos; e Português — que tem pouco mais de 11 mil. Porém, diante da forte transformação digital no planeta, acelerada pelas mudanças promovidas pela pandemia, será necessário um esforço conjunto, para que esses idiomas continuem a ser globais.

“Ainda temos muito caminho a percorrer porque se não estivermos fortes na tecnologia, na inovação e ciência, se não implementarmos os pilares da CPLP, se não tivermos essa presença digital, mais qualificação nos cidadãos dessas línguas, podemos ter um grande número de falantes, mas não conseguiremos ser uma língua global”, alerta a diretora da OEI.

Com relação a recursos naturais, Laborinho explica que a quantidade de reservas de água doce, energias renováveis, por exemplo, são fatores fundamentais que sempre estiveram presentes e que serão ainda mais fortes no futuro. “Já está comprovada a relação direta entre as rotas comerciais e as rotas das línguas”, explica.

O sítio “Línguas em Números” apresenta o inglês, espanhol e português como as três línguas mais relevantes neste sentido. O sítio também mapeia quais são as línguas mais utilizadas na web: o espanhol está em 3º, e, o português, em 5º.

“O ensino de português está crescendo na China por causa do interesse deles nos recursos naturais de países da África, então, essa relação com a geopolítica, com a geoestratégia e com a economia são fatores muito fortes. Curiosamente, as empresas que melhor entendem essa questão, são as que mais se desenvolvem”, comenta.

“Quando juntamos português e espanhol, que são línguas em locais com problemas e desafios semelhantes, nós ganhamos força e essa força se reproduz na importância que esses países podem ter e se reflete diretamente nos cidadãos dessas comunidades linguísticas”, explica Laborinho.

A Organização de Estados Ibero-Americanos para Educação, Ciência e Cultura (OEI) é a primeira organização de cooperação intergovernamental na região Ibero-Americana. Desde 1949, vem trabalhando para promover a cooperação em seus três campos de ação. Atualmente, a OEI tem 23 Estados-membros e 18 escritórios nacionais, além de sua Secretaria Geral em Madrid. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Organização de Estados Ibero-americanos - Promove aliança entre as línguas portuguesa e espanhola

Responsável da Organização de Estados Ibero-Americanos aponta “posição altamente privilegiada” de Portugal



O secretário-geral da Organização de Estados Ibero-americanos (OEI) considerou, em Lisboa, que Portugal tem “uma posição altamente privilegiada”, por ser o ponto de articulação entre a Europa, a América Latina, a África e a Ásia.

“Portugal é um país que está na confluência de três espaços, que só se articulam através de Portugal: a Península Ibérica, ou seja, a Europa; a América Latina e o Caribe; a África, além da Ásia, se incluirmos Timor e Macau”, disse o responsável, o brasileiro Paulo Speller, na cerimónia de abertura do escritório de Lisboa da Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).

Para Speller, Portugal “está numa posição altamente privilegiada para levar a missão da OEI não só aos países-membros, mas também a todo o globo terrestre”.

Com a abertura do escritório em Lisboa, a organização “já está a receber pedidos imensos, do Governo e da sociedade, para além dos projectos” em que já participa, acrescentou.

Um deles é o Observatório Ibero-Americano da Educação, que terá Portugal e Argentina como Estados líderes, e em que o país colaborará “com as boas práticas” nesta área, e pelas se quais se tornou “um exemplo” para outros, disse o secretário-geral.

No mesmo sentido, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, disse que “Portugal é o único país do mundo que faz a intersecção do espaço da União Europeia, da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] e do espaço ibero-americano” e tem, por isso, “um papel insubstituível como activador das partilhas entre estes diferentes universos”.

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, destacou que a OEI assenta sobre dois pilares: o diálogo entre a Europa e a América Latina e as Caraíbas e o diálogo entre a língua portuguesa e a espanhola, que constituem “a verdadeira força e alcance” à organização e “à cooperação que se faz no espaço ibero-americano”.

A OEI, acrescentou, “é uma organização chave para a promoção da cidadania em todos os nossos países através da cooperação entre eles”.

Ana Paula Laborinho, que dirige a nova representação em Lisboa, enumerou vários projectos da OEI em que Portugal já está envolvido e anunciou o lançamento de uma bolsa para licenciados em Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Dos objectivos essenciais do escritório, a directora salientou a promoção de “mais integração de Portugal na Ibero-América, valorizando as suas boas experiências nos três principais domínios da organização – educação, ciência e cultura -, e de forma recíproca, a valorização da frutuosa experiência da OEi consubstanciada nos seus programas e mecanismos institucionais”.

Contribuir para a cooperação sul-sul, “que tem tido particular expressão com a Agenda dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável [Agenda 2030 das Nações Unidas], estando definida a cooperação com a CPLP como um eixo estratégico” e “valorizar a proximidade linguística e cultural, reforçando a estratégia do bilinguismo espanhol e português, que é útil para os negócios, mas também para o crescimento conjunto dos indicadores de ciência e para a inovação” são outros dos objectivos da OEI em Lisboa, disse.

Portugal, que integra a OEI desde 2012, tornou-se o 18.º país a ter um escritório da organização.

A OEI conta com 24 Estados-membros – a grande maioria da América Latina, e Caribe mas também Europa (Portugal, Espanha e Andorra) e África (Guiné Equatorial). In “Ponto Final” - Macau