Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Timor-Leste – Nova chefe das Nações Unidas no país quer mudar mentalidades na organização

A nova coordenadora residente das Nações Unidas em Timor-Leste disse que a sua principal acção será com as próprias agências da ONU no país, defendendo a necessidade de uma mudança de mentalidades sobre a forma como opera


“O papel mais importante que vou fazer aqui vai ser com a própria ONU. A ONU precisa de uma mudança de mentalidades sobre a forma como opera”, disse Funmi Balogun em entrevista à Lusa. “O papel da ONU está alinhado com o processo de reforma da ONU, que começou em 2019, globalmente, para ver exatamente o que os países e as pessoas precisam e como é que as Nações Unidas podem verdadeiramente contribuir”, referiu.

Em Timor-Leste há cerca de um mês, e reconhecendo que ainda está no processo de aprendizagem sobre a situação local, Funmi Balogun aponta a necessidade de maior coordenação entre as próprias agências da ONU e a forma como atuam com o Governo.

“Aqui em Timor-Leste, o que vejo, apesar do meu curto tempo aqui, tem a ver com coerência em governação, política e sistemas. Olhar para a ‘big picture’ e ver como a ONU pode ajudar a identificar quais são os passos mais críticos e estratégicos que podem ser integrados, de forma sistemática”, explicou. “Que políticas, que passos, como estão a ser implementadas, se os vários setores envolvidos estão alinhados e se falam entre si. O papel da ONU é poder identificar essas questões críticas, reunindo especialistas”, frisou.

Mais do que trazer recursos financeiros, vincou, a ONU pode contribuir com “experiência, lições aprendidas, que se deve somar à experiência existente no país, procurando assim ajudar o Governo”. “Muitas vezes quando se está a fazer um trabalho, as pessoas ficam amarradas aos seus mandatos e aos seus serviços. Focam-se independentemente nos problemas, decide-se o que se deve fazer em cada uma das áreas, mas esquecemos que tudo tem que ser integrado”, enfatizou.

Reconhecendo que os recursos da ONU são limitados, e que os recursos disponíveis do Governo timorense são muito maiores, Funmi Balogun questiona-se sobre a forma mais estratégica de atuar, ajudando a mobilizar todos os setores para que os programas possam ser “estrategicamente implementados”.

E entre os objectivos prioritários, alinhados com os do Governo, destaca “nutrição, sistemas alimentares, educação, reforma do setor público”, setores onde deve ser feita “uma análise adequada e implementados passos simples e estratégicos com metas alcançáveis que definam recursos necessários para as alcançar”.

Admitindo favorecer o modelo de apoio orçamental direto, Funmi Balogun nota que isso exige a construção de “confiança no sistema”, procurando “garantir que os sistemas são confiáveis, trabalham bem e assim tornar mais fácil o apoio orçamental”.

Recordando que, tradicionalmente, o principal papel da ONU em Timor-Leste tem sido de serviços humanitários, a nova coordenadora residente vinca que esse modelo deve ser reservado apenas para situações graves.

A ONU “deve antes estar a apoiar o Governo nos trabalhos de prevenção e planeamento, alocar recursos para lidar com desastres”, disse. “Sim, é fácil fazer projetos. Toda a gente gosta de projetos, servem como montra. Muitas vezes a equipa nacional e internacional muda. Ficam alguns anos e querem deixar algum legado, alguns projetos. Mas isso não vai levar às mudanças estruturais que são necessárias”, sublinhou.

Por isso reitera a necessidade de análise interna, de ver como as agências da ONU podem “trabalhar de forma diferente, melhorar os próprios sistemas internos. “Ver como operamos, se somos coerentes, ver até se as agências que estão aqui são atualmente as mais adequadas tendo em conta o que há para fazer. Quando se fala de mudança há sempre resistência, porque as pessoas estão habituadas a trabalhar de uma certa forma”, nota.

Vincando a paixão que une os quadros das Nações Unidas no terreno em torno em garantir a melhor prestação de serviços, Funmi Balogun defende que importa capitalizar nessa força e ver “que mudanças pequenas podem ser feitas para aumentar o impacto” das iniciativas. “Não devemos ver desafios como um falhanço, mas como uma oportunidade para ver se podemos mudar algumas coisas para conseguir melhores resultados”, vincou.

Funmi Balogun conta mais de 30 anos de experiência a trabalhar e a liderar projectos humanitários, de paz e desenvolvimento na ONU e em organizações não-governamentais (ONG) internacionais.

Antes de ser nomeada para Timor-Leste, Balogun era responsável da Normativa Humanitária e Coordenadora de Ação da ONU Mulheres, agência onde liderou a resposta global das mulheres da ONU às crises humanitárias.

Nas anteriores funções, deu ainda apoio aos escritórios da ONU Mulheres para reforçar a integração de temas de igualdade de género na resposta humanitária das Nações Unidas em países afectados pela crise.

A nigeriana esteve também destacada na Etiópia e no Quénia, trabalhando com várias instituições, incluindo a ONG Federação Internacional do Planeamento Familiar (International Planned Parenthood Federation).

Balogun liderou a coordenação interagências das Nações Unidas em avaliações conjuntas, no desenvolvimento e aplicação de programas conjuntos da organização, incluindo sobre violência de género, governação e proteção contra a exploração e abuso sexuais. Actualmente, a presença da ONU em Timor-Leste engloba 21 agências residentes e não residentes. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 28 de maio de 2021

Moçambique - Vice-chefe da ONU lidera mobilização internacional em favor do país

Amina Mohammed junta-se a personalidades regionais e internacionais numa visita virtual para aumentar a mobilização de mulheres, incentivar a liderança feminina e promover o desenvolvimento sustentável no país africano de língua portuguesa


A subsecretária-geral da ONU junta-se a líderes femininas e organizações internacionais numa missão de solidariedade a Moçambique. 

A meta é envolver o grupo no enfrentar da crise e mobilizar mais apoio humanitário para o norte da nação, que enfrenta um conflito humanitário com a violência entre grupos extremistas e forças militares do país.

Progressos 

Na visita virtual de alto nível desta quinta-feira, Amina Mohammed reuniu-se com personalidades regionais e da Rede de Mulheres Líderes Africanas.

As Nações Unidas apoiam a maior mobilização feminina, o reforço da liderança e da representação do grupo para promover progressos e a implementação de respostas inclusivas e sustentáveis. A violência na província de Cabo Delgado teve início em 2017. 

No evento foram apresentadas mensagens de solidariedade das ex-presidentes do Malawi, Joyce Banda, da República Centro-Africana, Catherine Samba-Pandza e das Maurícias, Ameena Gurib-Fakim.

A ativista social moçambicana Graça Machel, antiga primeira-dama de Moçambique, uniu-se à antiga primeira-ministra Luísa Diogo na sessão com Mohammed.

Mais de 714 mil pessoas, a maioria mulheres e jovens, foram obrigadas a deixar as suas casas devido às ações de terroristas e extremistas em Cabo Delgado.


Subsistência 

Segundo o governo moçambicano, os extremistas praticam violações dos direitos humanos incluindo violência sexual e de género.

Milhares de crianças foram obrigadas a abandonar a escola e a crise humanitária ameaça os meios de subsistência das comunidades. 

Um dos maiores receios é que a situação afete mais jovens e prolongue a crise.

Em 24 de março, terroristas atacaram a vila de Palma, ao norte da capital de Cabo Delgado forçando dezenas de milhares a fugirem das suas casas.

A Comissão Económica para África, ECA, destaca a queda do rendimento per capita em 2019 para US$ 504 em Moçambique após a passagem dos poderosos ciclones Idai e Kenneth pelo país. 

Em 2020, o país prevê que haja uma queda de rendimento de 3,4% devido à pandemia. A Covid-19 empurrou mais 850 mil pessoas para a pobreza, aumentando a taxa nacional para 63,7% da população moçambicana. ONU News – Nações Unidas