Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

"O País"

                     “O País homenageia Assane Seck, o homem da resistência”


            “Assane Seck faleceu na passada terça-feira, 27 de Novembro de 2012 em Dakar, capital do Senegal, com 93 anos de idade. O Professor associado de história e geografia, nasceu a 01 de Fevereiro de 1919, na aldeia de Inor, perto de Bounkiling Pakao na Casamansa. Jovem, alistou-se no exército colonial, defendendo as cores da França contra a Alemanha nazi. Regressou ao “País”, o vocábulo carinhoso que ele empregou muitas vezes com os seus familiares e amigos para designar a Casamansa, tornando-se o primeiro africano a leccionar na escola William Ponty.


            Com o seu amigo Louis Dacosta, Assane Seck fundou o Movimento da Casamansa Autónoma (MAC), em 1958, um ramo dissidente do Movimento das Forças Democráticas de Casamansa (MFDC). Em 1960, ordenou aos seus partidários para queimarem todas as bandeiras senegalesas em Casamansa.


            Várias pessoas foram assassinadas, especialmente no seu feudo político em Marsassoum. Foi detido e preso em Ziguinchor. Na prisão recebeu emissários do presidente Léopold Sédar Senghor, nomeadamente Emile Badiane. Alguns meses mais tarde foi libertado reunindo-se com uma parte dos seus apoiantes e do Partido Socialista Senegalês.


            Conheceu uma rica e tumultuosa carreira política, tendo ocupado várias pastas ministeriais senegalesas, sendo Ministro dos Assuntos Culturais (Junho de 1966 – Junho de 1968), da Educação (Junho de 1968 – Março de 1973), Negócios Estrangeiros (Março de 1973 – Março de 1978), Cultura (Março de 1978 – Março de 1981) e Equipamentos (Julho de 1981 – Março de 1983).


            Em 1993 foi nomeado Presidente da Comissão de Reflexão sobre os Acontecimentos da Casamansa, Assane Seck reuniu-se várias vezes com o padre Augustin Senghor Diamacoune para uma resolução pacífica do conflito da Casamansa.


            A Casamansa presta o seu tributo ao brilhante intelectual e homem da resistência.” Bintou Diallo – Casamansa in “Le Journal du Pays”


                   Em memória de Assane Seck (01.02.1919 – 27.11.2012)

Tradução: Baía da Lusofonia


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Casamansa I


Face à revolta dos militares naturais da Casamansa, o exército senegalês encontra-se ineficaz.

            Diante dos repetidos apelos à resistência dos militares naturais de Casamansa ao exército senegalês, aumenta a apreensão no Senegal.

            O governo senegalês, que não exclui uma reunião iminente de vários militares do ramo armado do Movimento das Forças Democráticas de Casamansa no campo de Atika, enviou esta sexta-feira, 09 de Novembro de 2012, o coronel El Hadji Babacar Faye, comandante das forças senegalesas em Ziguinchor para assumir a liderança e tentar abortar a onda de revolta que parece inevitável, de acordo com diversas fontes militares.

            O coronel Faye declarou: “ Nós visitámos todos os filhos de Casamansa que estão aqui e que constituem um pilar do exército nacional. Nós visitámos a sua história, as virtudes que eles incorporam. Nós pedimos aos jovens para se inspirarem.”

            E acrescenta “o dever de memória é necessária como um reconhecimento moral e identitário dos cidadãos para aqueles que sacrificaram na defesa de valores.”

            Quando os Casamanseses se recolhem sobre várias valas comuns em Djifaghor, Pointe Saint-Georges, Point de Niambalang, dificilmente este género de mensagem tem acolhimento junto dos jovens que pretendem conhecer a verdade sobre o seu passado.

            Para melhor fazer aceitar a sua abordagem, o coronel Faye anuncia que o campo militar senegalês de Bignona levará o nome do Tenente Landing Mancadiang, que serviu no Corpo Tirailleurs (1) do exército francês de 1909 a 1940. O mesmo Tenente que é homenageado junto com os seus irmãos de armas por estes escritos originais no monumento aos mortos em Ziguinchor: “A Casamansa tem os seus mortos pela França”. Balanta Mané – Casamansa in “le Journal du Pays”

Tradução Baía da Lusofonia

(1)    O Corpo Tirailleurs foi criado em 1857 por Louis Faidherbe, governador-geral da África Ocidental Francesa.