Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Portugal - Exposição dá a conhecer relação entre Fernando Pessoa e Almada Negreiros através dos seus livros

Uma exposição que dá a conhecer a relação artística e pessoal que existiu entre Fernando Pessoa e Almada Negreiros, através dos seus espólios, vai estar patente na Casa Fernando Pessoa em Campo de Ourique a partir do próximo sábado.


Esta nova exposição temporária vai pôr lado a lado as bibliotecas particulares de dois nomes maiores do modernismo português, procurando promover um “diálogo” através dos livros de cada um, divulgou em comunicado a Casa Fernando Pessoa.

A mostra “Almada e Pessoa – Conversa entre bibliotecas” estará patente até 8 de setembro e vai dar a conhecer edições raras, manuscritos e dedicatórias personalizadas.

“As bibliotecas dos artistas e escritores deixam ver o circuito de relações que se fazem e desfazem ao longo da sua vida, as suas amizades e os seus interlocutores intelectuais. Os livros que os escritores e artistas leem, sublinham, comentam, ilustram, editam, oferecem e recebem de oferta, são parte, fonte, ou extensão da sua obra”, refere a nota.

Com curadoria das investigadoras Mariana Pinto dos Santos, Giorgia Casara e Teresa Monteiro, a exposição vai apresentar uma seleção de livros dos dois artistas, postos em diálogo, atendendo à cumplicidade que partilharam, às suas amizades e projetos que tiveram em comum.

A biblioteca particular de Almada Negreiros, por exemplo, inclui livros com dedicatórias assinadas por Natália Correia, Jorge de Sena, Teixeira de Pascoaes, Aquilino Ribeiro e Vinícius de Morais, entre muitos outros.

Nas palavras dos organizadores, estes exemplares mostram “a rede de cumplicidades pessoais e artísticas de um dos mais multifacetados artistas portugueses do século XX”.

O poeta Fernando Pessoa e o artista multidisciplinar Almada Negreiros conheceram-se em 1913, quando tinham, respetivamente, 20 e 25 anos.

Em 1915, o autor do “Manifesto anti-Dantas” colaborou com a Orpheu, revista criada por Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, considerada o marco inaugural da vanguarda literária e artística em Portugal.

“São aqui mostradas pela primeira vez dois projetos de maquetes ilustradas da ‘Mensagem’ que Almada fez, mas que nunca chegou a publicar, assim como uma primeira edição da ‘Mensagem’ dedicada por Fernando Pessoa a Almada, em que o trata por ‘Bebé de Orpheu!’”, revelam os promotores da exposição.

Os dois artistas têm múltiplas ligações, desde logo, Almada foi o autor do logótipo da Olisipo, editora que Fernando Pessoa fundou, tendo ali publicado o seu livro “A Invenção do Dia Claro” (1921), que também estará na exposição.

O número 3 da revista Orpheu estava a ser planeado por ambos, quando Fernando Pessoa morreu repentinamente, em 1935, tendo esse projeto a dois ficado interrompido.

Segundo a curadora Mariana Pinto dos Santos, “Almada foi um impulsionador da criação do mito Pessoano. Ao isolar a sua imagem no famoso retrato que fez para o Restaurante Irmãos Unidos, onde o grupo da revista Orpheu se reunia – e que pode ser visto na exposição permanente da Casa Fernando Pessoa -, Almada está a inscrever-se também no mito, ao ser o autor da imagem de Pessoa que iria ser perpetuada.”

Na opinião da responsável, esta é uma das mais-valias desta exposição: abrir novas perspetivas e ligações com outras peças que integram a coleção do museu.

No sábado, dia da inauguração, terá lugar uma conversa com as curadoras, às 16:00, de entrada livre, mas sujeita à lotação. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Europa – Casa Fernando Pessoa e Museu de Lagos nomeados para melhor museu europeu do ano

A Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, e o Museu de Lagos – Dr. José Formosinho estão entre os nomeados para o prémio Museu Europeu do Ano 2023, anunciou hoje o Fórum Europeu dos Museus


A lista de 33 nomeados, que inclui os dois museus portugueses, foi divulgada no ‘sítio’ oficial do Fórum Europeu dos Museus.

Os vencedores serão anunciados no último dia da conferência anual do prémio Museu Europeu do Ano, que decorre em Barcelona entre 03 e 06 de maio de 2023.

O Prémio Museu Europeu do Ano (‘European Museum of the Year Award’ ou EMYA, na sigla inglesa) é o principal e o mais antigo dos galardões atribuídos pelo Fórum Europeu de Museus e também o mais prestigiado na Europa.

Criado para reconhecer a excelência no setor museológico europeu e promover processos inovadores e de excelência, o prémio é atribuído desde 1977, data da fundação do Fórum Europeu dos Museus, criado pelo Conselho da Europa.

O Prémio Museu Europeu do Ano distingue anualmente várias áreas do trabalho do setor museológico, desde a inclusão, relação com a comunidade e ambiente.

Além do galardão principal, são também atribuídos os prémios “Museu Portimão de Acolhimento, Inclusão e Pertença”, “Museu Meyvaert de Sustentabilidade Ambiental”, “Silletto de Participação e Empenhamento Comunitário” e “Kenneth Hudson”, este último criado pelo fundador dos EMYA, para distinguir a coragem institucional e a integridade profissional.

O Prémio Museu Europeu do Ano foi este ano atribuído ao Museu da Mente, nos Países Baixos, numa cerimónia que decorreu em maio, em Tartu, na Estónia.

Podem concorrer museus europeus que tenham aberto nos últimos três anos ou museus com mais anos, que tenham sido alvo de obras de modernização ou ampliação das instalações.

A Casa Fernando Pessoa, museu gerido pela Empresa municipal de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC) de Lisboa, é dedicada à vida e obra do poeta e, além de uma exposição permanente, tem uma biblioteca especializada em poesia mundial.

Este museu está instalado na casa onde o escritor morou durante os últimos 15 anos de vida, situada no bairro de Campo de Ourique.

A Casa Fernando Pessoa abriu ao público em 30 de novembro de 1993, o mesmo dia em que, 58 anos antes (em 1935), o escritor morrera. Em março de 2019, encerrou para obras de remodelação, tendo reaberto em agosto de 2020.

O Museu Municipal de Lagos, fundado em 1932 por José Formosinho, encerrou em setembro de 2017 para obras de remodelação que se prolongaram por quatro anos, permitindo renovar o edifício e restaurar o acervo.

O museu reabriu em 27 de outubro de 2021, tendo a autarquia na altura anunciado que “em breve” seriam realizadas “obras de ampliação do Museu de Lagos – Dr. José Formosinho para o edifício fronteiro, onde funcionou a antiga esquadra da PSP, para ali instalar as coleções correspondentes ao período que vai até 1460, de caráter predominantemente arqueológico”.

Em 2024, Portimão vai acolher a cerimónia do Prémio Museu Europeu do Ano, depois de a cidade ter visto o evento cancelado em 2021 devido à pandemia da covid-19. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Portugal - Dias do Desassossego`19



Um concerto de João Afonso a cantar poetas de língua portuguesa abre no próximo sábado os Dias do Desassossego'19, em Lisboa, num programa que traz como novidades uma conferência internacional sobre livros infantis e a estreia de um documentário.

O programa da iniciativa Dias do Desassossego, que decorre entre os dias 16 e 30 de novembro, que coincidem com a data de nascimento de José Saramago e a da morte de Fernando Pessoa, inclui ainda passeios pela cidade, concertos, uma oficina para os mais novos, leitura de poemas e prosa, e conversas, anunciou a Casa Fernando Pessoa.

A iniciativa é organizada pela Casa Fernando Pessoa e pela Fundação José Saramago e é em torno destas duas casas que anualmente se organizam atividades dedicadas à literatura e aos livros à volta dos dois escritores, mas por a Casa Fernando Pessoa estar encerrada para obras de remodelação, este ano os Dias do Desassossego acontecem na Fundação e em vários lugares e ruas de Lisboa.

Logo na abertura, João Afonso canta poetas de língua portuguesa, na Fundação José Saramago, celebrando o aniversário do escritor, num concerto que dá voz e música à poesia de poetas como Fernando Pessoa, José Afonso, Camilo Pessanha, Mia Couto e José Eduardo Agualusa, com as guitarras e a colaboração vocal de Miguel Fevereiro e António Pinto.

No dia 19, a Fundação Calouste Gulbenkian recebe a conferência internacional "Cada história conta", sobre inclusão e livros para crianças e jovens, organizada pelo Acesso Cultura, na qual profissionais do livro, leitores e educadores são convidados a debater a importância de cada história na vida de todos.

Dois dias depois, o professor e investigador Pedro Eiras, autor de "Cartas reencontradas de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro", vai falar sobre Mário de Sá-Carneiro, "poeta na biblioteca particular de Fernando Pessoa", tendo por base a relação e interesse que os dois poetas tinham na obra um do outro, e na sua troca de cartas e textos.

No dia 22 de novembro, Susana Moreira Marques e os dois convidados António Pinto Ribeiro e Margarida Vale do Gato conversam sobre "leitores feitos de livros", contando quais foram os livros que os formaram enquanto leitores, aqueles que sempre os acompanharam e aqueles a que sempre voltam.

"O que será" é uma oficina para crianças a partir dos seis anos, que decorre na manhã de dia 23, no Museu do Aljube, onde a ilustradora Ana Biscaia vai responder de lápis e pincéis nas mãos, com as crianças por perto, às questões: "O que é uma ilustração?", "Pode ser música? Pode ter heróis? Princesas? Reis? Juízes?".

"A oficina de ilustração é um espaço de experimentação plástica, é também um espaço de invenção, a partir do conceito de assemblage e construção", revela Ana Biscaia, acrescentando que, a partir de uma música de Chico Buarque, vão contar uma história fazendo uso de vários materiais em três dimensões.

No mesmo dia à tarde, decorre na Fundação José Saramago a sessão de escuta do documentário sonoro "Puzzle de fronteiras", de André Cunha e Laura Romero, que é uma viagem sonora através de múltiplas fronteiras em redor da Catalunha e das suas várias raias, depois dos acontecimentos do outono de 2017.

Reportagem documental, criação sonora, quase-ensaio: um caleidoscópio multilingue para dar voz a algumas das personagens que compõem este território ibérico e europeu, num momento talvez tão impossível de definir como a própria palavra "fronteira". Como se fôssemos ao cinema, escutamos este filme radiofónico estreado no início de 2019 no Longueur d`ondes, um dos maiores festivais de rádio do mundo, revela a Casa Fernando Pessoa.

À noite, ainda na Fundação José Saramago, o concerto "A biblioteca dos músicos" convida quem cria a levar a estante de casa para a estante de palco, mostrando como o que leu pode estar no que se faz ouvir.

Rita Maria, na voz, Mário Franco, no contrabaixo e baixo elétrico, e Luís Figueiredo, no piano, teclados e percussão, apresentam este concerto, com dois temas inéditos: um sobre Saramago e outro motivado por Pessoa.

No dia 24 de novembro, o cineasta João Botelho -- que já traduziu em imagens textos de Fernando Pessoa/Bernardo Soares e José Saramago - conduz um passeio, com partida do Jardim do Príncipe Real, pelos locais que associa a estes dois escritores que viveram e circularam na cidade de Lisboa.

O realizador de "Conversa Acabada", sobre a amizade de Pessoa e Mário de Sá Carneiro, e "Filme do Desassossego", sobre Bernardo Soares, rodou este ano "O Ano da Morte de Ricardo Reis", a partir do romance homónimo de Saramago, que se encontra em fase de pós-produção.

Na Biblioteca Palácio Galveias, as atrizes Cristina Carvalhal, Nádia Iracema e Sara Carinhas vão ler textos de Maria Velho da Costa, numa iniciativa com o título-provocação "Meninas Exemplares", retirado da obra "Casas Pardas".

O último dia dos Dias do Desassossego fica marcado pelo percurso "Quando vejo esta Lisboa", que parte do Largo de São Carlos, em que a equipa educativa da Casa Fernando Pessoa percorre várias ruas da Baixa e do Chiado, mostrando as lojas, as casas, os cafés e outros lugares que fizeram parte do quotidiano de Pessoa.

A encerrar o programa, a Igreja de Santa Isabel vai acolher uma sessão de leituras de poesia contemporânea em diálogo com Fernando Pessoa, intitulada "Pessoa Ressoa".

A leitura dos poemas, selecionados por Joana Matos Frias, caberá aos atores Ivo Canelas e Luísa Cruz, acompanhados pelo acordeão de João Barradas. In “RTP” com “Lusa”