Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Portugal - A Feira do Livro em Língua Mirandesa está de volta à Faculdade de Letras da Universidade do Porto

A segunda edição do evento dedicado à literatura escrita na segunda língua oficial do país vai decorrer de 15 a 17 de setembro. A entrada é livre


É já este mês que o átrio da entrada principal da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) se vai preencher novamente com publicações numa mui çtinta lhéngua. Após a edição inaugural em 2025, a Feira do Livro em Língua Mirandesa regressa de 15 a 17 de setembro, no âmbito do protocolo da FLUP com a Câmara Municipal de Miranda do Douro (2025-2027) e dos cursos livres “Mirandês: Língua e Cultura I” e “Mirandês: Língua e Cultura II”.

Livros infantis de vocabulário básico, novelas gráficas e clássicos da literatura ou da banda desenhada traduzidos e ensaios científicos dedicados ao estudo e preservação do idioma, são exemplos das obras que vão estar disponíveis.

Os participantes poderão também encontrar publicações dedicadas à gramática do mirandês, registos da tradição oral, estudos sobre as características territoriais e populacionais de Miranda do Douro e da região transmontana.

O curso livre “Mirandês: Língua e Cultura I”, presente na oferta formativa da FLUP com regularidade desde 2019, tem candidaturas abertas até ao dia 14 de setembro de 2026. A inscrição é gratuita para as/os 15 estudantes selecionadas/os, com o apoio da Câmara Municipal de Miranda do Douro.

Ao ensino regular do idioma, onde se aborda gramática, sintaxe, semântica e conversação, a formadora, Ana Afonso, adiciona, ainda, o estudo do contexto histórico da formação e desenvolvimento da Língua Mirandesa, e de atividades culturais e tradições locais, proporcionando aos participantes “uma imersão abrangente neste património linguístico e cultural singular”.

Ambas as iniciativas provêm da estreita colaboração entre a FLUP e o Centro de Estudos Mirandeses e a Câmara Municipal de Miranda do Douro, desenvolvida no último ano, tendo em vista a promoção da língua e cultura mirandesas. A formação estruturada de novos falantes do mirandês, bem como a divulgação próxima ao público de literatura mirandesa visam a preservação e expansão do uso do idioma no panorama cultural do país a longo prazo. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 28 de julho de 2025

Portugal - Faculdade de Letras da Universidade do Porto e Câmara de Miranda do Douro unidas na promoção da língua e cultura mirandesas

Parceria visa reforçar o ensino, a investigação e a valorização da língua e cultura mirandesas, património do Nordeste Transmontano


No passado dia 8 de julho, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e a Câmara Municipal de Miranda do Douro celebraram um protocolo de colaboração com o objetivo de reforçar a cooperação técnico científica entre as duas instituições na promoção da língua e cultura mirandesas.

O protocolo agora assinado pela Diretora da FLUP, Paula Pinto Costa, e pela Presidente da Câmara Municipal, Helena Barril, prevê a realização de cursos, projetos de investigação, iniciativas culturais e outras ações que contribuam para a dinamização e salvaguarda do uso da Língua Mirandesa, dentro e fora do território de origem.

Para a Câmara Municipal de Miranda do Douro, esta colaboração constitui, nas palavras de Helena Barril, “um passo importante na salvaguarda e promoção do património identitário” da região.

Por sua vez, Paula Pinto Costa lembra que “enquanto instituição de ensino superior dedicada ao estudo das humanidades, a FLUP assume com responsabilidade e orgulho o compromisso de contribuir para a valorização da diversidade linguística e cultural do nosso país”.

“O mirandês é uma expressão viva dessa riqueza, e esta parceria reforça a nossa dedicação à investigação, ao ensino e à difusão de patrimónios que integram a identidade portuguesa”, refere a Diretora da FLUP.

Mais de duas décadas a defender a Língua Mirandesa

Desde 1999 que, por lei aprovada por unanimidade na Assembleia da República, foram reconhecidos os direitos linguísticos dos falantes de Língua Mirandesa, património linguístico de origem asturo-leonesa, ainda falado por cerca de 1500 a 5000 pessoas na Terra de Miranda, abrangendo o concelho de Miranda e algumas aldeias confinantes dos concelhos de Mogadouro e de Vimioso.

O mirandês é um testemunho vivo da diversidade cultural e histórica do país, cuja preservação requer um esforço contínuo de valorização e difusão. O declínio do número de falantes registado nas últimas décadas tem levado ao concretizar de medidas urgentes para a salvaguarda e persistência deste património imaterial.

É a esse “combate” que se tem dedicado José Francisco Meirinhos, principal dinamizador do protocolo agora celebrado e responsável pelas correspondentes atividades que serão geridas durante o próximo triénio.

Há vários anos que o docente da FLUP organiza regularmente na Faculdade iniciativas relacionadas com a valorização da Língua e Cultura Mirandesa, como colóquios, conferências e apresentações de livros. Foi também José Francisco Meirinhos quem impulsionou, em 1999, a realização da reunião final para a aprovação da Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa na FLUP.

Nesse mesmo ano, foi criado um grupo informal, o Centro de Estudos Mirandeses (CEM), que, embora de funcionamento pontual, tem desempenhado um papel importante na dinamização de atividades, na publicação de obras e na colaboração com entidades locais.

O CEM colabora com a Biblioteca da FLUP, constituindo e atualizando um fundo bibliográfico e documental dedicado ao mirandês e à cultura mirandesa. Mais recentemente, o seu trabalho passou também por uma parceria com a Wikimedia Portugal, no apoio ao desenvolvimento da Biquipédia, l’anciclopédia lhibre an lhéngua mirandesa.

Desde 2019, a FLUP oferece, ainda, um curso livre de Língua Mirandesa, reforçando o seu compromisso com a difusão desta língua minoritária. Universidade do Porto - Portugal