Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Índia - Vai combater a obesidade com injecções genéricas e baratas

Uma onda de medicamentos para emagrecer está prestes a transformar a luta global contra a obesidade, com a Índia a preparar-se para lançar versões genéricas de baixo custo de injecções como o Ozempic. A medida irá alargar drasticamente o acesso a tratamentos que há muito são considerados um luxo, especialmente nos países de rendimento médio, onde a crescente procura destes medicamentos choca com os preços elevados.


Nas clínicas de toda a cidade de Bombaim, os médicos notam um aumento do número de pacientes. Mais de 50 pessoas procuram o consultório do endocrinologista Nadeem Rais todas as semanas em busca de injecções para emagrecer.

“Temos cerca de 70 a 80 doentes em tratamento activo neste momento. Quando os genéricos forem lançados e os preços descerem, este número poderá facilmente chegar aos 200”, disse.

Segundo a sua colega, a Dra. Sunera Ghai, a procura é “muito elevada”, mas muitos “provavelmente não estão a consumir porque, neste momento, é realmente um artigo de luxo”.

A descoberta surge após a expiração da patente da semaglutida – princípio activo de medicamentos como o Ozempic e o Wegovy – na Índia, maior fornecedor mundial de medicamentos genéricos. Até ao final de 2026, as principais patentes da semaglutida expirarão em 10 países que representam 48% da carga global de obesidade, de acordo com um estudo publicado no início de Março por investigadores. Estes países incluem Brasil, China, África do Sul, Turquia e Canadá.

Para os gigantes farmacêuticos indianos, isto marca o início de uma nova e agressiva corrida. Pelo menos quatro grandes empresas já prepararam injecções genéricas de semaglutida, de acordo com os registos regulamentares e os documentos de conformidade.

Algumas, incluindo a Zydus Lifesciences, anunciaram lançamentos “no primeiro dia”, sugerindo que as versões genéricas poderão estar disponíveis já esta semana na Índia.

A empresa de estudos Pharmarack estima que o mercado indiano será em breve inundado de opções. “Mais de 50 marcas serão lançadas no mercado e mais de 40 empresas estarão a lançar estes medicamentos”, disse Sheetal Sapale, vice-presidente da Pharmarack.

O momento coincide com a mudança do panorama da saúde na Índia. Embora, segundo a Organização Mundial de Saúde, o país ainda represente um terço da subnutrição mundial, o aumento dos rendimentos e o estilo de vida urbano impulsionaram drasticamente as taxas de obesidade. Dados governamentais divulgados em Março de 2025 mostram que 24% das mulheres e 23% dos homens têm excesso de peso ou são obesos na Índia.

“Quando uma pessoa começa a ganhar dinheiro, torna-se mais sedentária”, disse o cirurgião Sanjay Borude, assinalando que “em contraste, no Primeiro Mundo, quando as pessoas ganham mais dinheiro, tornam-se mais activas e também dedicam mais tempo à saúde”.

Esta inversão da dinâmica económica tem sido muito benéfica para grandes empresas farmacêuticas como a Eli Lilly e a Novo Nordisk, que têm lucrado bastante com o mercado.

As vendas de medicamentos para emagrecer na Índia cresceram 10 vezes em cinco anos, atingindo 153 milhões de dólares em 2026, e a projecção é de que ultrapassem os 500 mil milhões até 2030.

Mas o uso destes medicamentos pode causar efeitos secundários, incluindo náuseas e problemas gastrointestinais. O Mounjaro, da Eli Lilly, tornou-se o medicamento mais vendido na Índia em 2025, ultrapassando mesmo os antibióticos comuns.

Ainda assim, os preços elevados – frequentemente entre 15.000 e 22.000 rupias (1300 a 1900 patacas) por mês – limitam o acesso, afirma a Dra. Swati Pradhan, que gere uma clínica de emagrecimento em Bombaim e que prevê um aumento do número de doentes quando os genéricos reduzirem o custo do tratamento para perto de 5000 rupias por mês.

O impacto internacional pode ser ainda mais profundo. A Índia fornece mais de metade dos medicamentos genéricos de África, e a semaglutida mais barata pode tornar-se uma tábua de salvação para os países onde a obesidade está a aumentar rapidamente.

“A semaglutida a um custo mais baixo pode expandir significativamente o acesso a um tratamento eficaz, particularmente nos países de rendimento médio, onde o preço tem sido uma grande barreira”, afirmou Simon Barquera, presidente da Federação Mundial da Obesidade, observando que “os medicamentos genéricos são um passo importante para quebrar a barreira de acesso, agora que a barreira científica foi ultrapassada”.

As empresas indianas serão uma força motriz fundamental, com a Reddy’s Laboratories a planear lançar a sua versão da semaglutida no Canadá até Maio de 2026.

Para doentes como Sukant Mangal, de 46 anos, que perdeu quase 14 kg em oito meses, um acesso mais alargado ao medicamento não podia chegar em melhor altura. Muitas pessoas que ele conhece simplesmente abandonaram o tratamento a meio quando perceberam que teriam de gastar 20.000 rupias por mês durante sete a oito meses.

“Se fosse mais barato, teria sido muito mais fácil obter o medicamento”, concluiu à agência AFP. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “AFP”


Moçambique - Celestino António Kasten lança a sua biografia em Tete

No dia 03 de Abril, pelas 16 horas, o Monumento e Centro de Interpretação Samora Machel, na cidade de Tete, vai acolher o lançamento do livro A resiliência do meu espírito, biografia de Celestino António Kasten. A apresentação do livro estará a cargo do Reverendo Dr. Júlio Calengo.


De forma sincera e envolvente, Celestino António Kasten revisita as várias etapas da sua vida, desde as origens humildes no bairro que o viu crescer, passando pelos tempos estudantis e pela experiência militar, até à formação em instituições de ensino técnico e superior. Entre desafios, superações e peripécias que marcaram o seu percurso, o autor revela como a força interior e a determinação moldaram a sua identidade.

Mais do que um simples relato biográfico, este livro é um testemunho de coragem, transformação e fé na capacidade humana de recomeçar.

Celestino António Kasten é Instrutor e Técnico em Pedagogia e Andragogia no Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Moatize, Mestrado em Administração e Gestão Escolar pela Universidade Púnguè e Licenciado em História Política e Gestão Pública pela extinta Universidade Pedagógica – Delegação de Tete. Tem diversos artigos de índole didáctico-pedagógico. Multifacetado, é também assessor político.

Júlio Calengo é Reverendo Padre da Igreja Anglicana afecto em Changara e Moatize. É também jurista, activista social, cantor e escritor. É formado em Direitos Humanos pelo Instituto Internacional René Cassin, Licenciado em Teologia e Ciências de Educação pelo Instituto Superior Hefsiba, mestrando em Teologia pelo Tinity University, e está a especializar-se em Ciências de Formação para Docência Superior Teológica pela TEDS – África do Sul com aulas semi-presenciais em Angola. É director geral da Associação dos Direitos Humanos de Tete, por si fundada, e director dos programas sociais da Igreja Anglicana em Tete. É também membro do Conselho Empresarial de Tete, onde desempenha funções de Presidente do Pelouro do Desenvolvimento do Capital Humano. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Fundação Calouste Gulbenkian - O Portugal de Todd Webb

10 abr – 27 jul, Galeria do Piso Inferior – Edifício Sede


Pouco conhecido em Portugal, Todd Webb (1905-2000) foi um dos mais relevantes fotógrafos americanos da 2.ª metade do século XX, tendo-se afirmado como um atento observador da vida quotidiana, dos espaços urbanos e das comunidades.

          A sua obra vai ser apresentada pela primeira vez em Portugal, numa exposição com curadoria de Jorge Calado. Ao todo, serão expostas 61 fotografias inéditas resultantes das três viagens que o artista realizou em Portugal e que foram recentemente doadas à Biblioteca de Arte pelo Todd Webb Archive.

Saiba mais aqui. Fundação Calouste Gulbenkian - Portugal


Brasil - Clubes jovens fortalecem autonomia feminina para jovens e mulheres

Proposta é mudar contextos dominados por homens, oportunidades de misoginia e ensinar jovens a defender-se na esfera digital. A ONG Girls Up nasceu nos EUA e alastra-se a outros países. A socióloga Munah Munek disse à ONU News que debate entre meninas e meninos é essencial para construção de uma nova realidade


Quem ouve as jovens? Uma jovem brasileira que lidera clubes para jovens defende que elas precisam ocupar espaços de destaque, desde a própria comunidade até os grandes centros de poder.

Já uma socióloga participante na 70.ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, CSW, considera urgente conquistar o direito e a legitimidade de falar de igual para igual.

Impacto na Sociedade

Neste mês de março, o Mês da Mulher, levou milhares de vozes femininas a Nova Iorque. Na sede da ONU, a 70.ª CSW teve brasileiras da iniciativa global Girl Up promovendo um evento especial com foco na saúde menstrual de adolescentes e principais perguntas de milhares de jovens.

Em 2026, os debates foram guiados pelo lema: “Justiça. Ação. Para todas as Mulheres e Meninas”. Em pauta: o direito à liderança, o acesso aos espaços de decisão e a luta ativa contra a desigualdade e a violência.

A ONU News conversou com Lucília, representante da ONG Girls Up. Ela atua diretamente com clubes locais que ajudam a quebrar as barreiras impostas às mulheres, na expectativa de mudar a trajetória e o futuro dessas jovens.

“O que acontece muito é que, às vezes, nós não temos voz, nós meninas mais jovens, acabamos não tendo tanta voz nos debates e existem muitas questões que as meninas precisam que sejam ditas. Então, um dos tópicos que a gente vem falando muito sobre ultimamente é a dignidade menstrual, como as necessidades que certas meninas têm com relação à sua saúde menstrual. Elas precisam ser ouvidas, quais as adaptações que precisam ser feitas, mas essa voz muitas vezes não ecoa onde ela precisa ecoar. Então, nós viemos aqui como uma forma de trazer essa mensagem, que essas meninas precisam que cheguem mais longe para que elas sejam atendidas.”

Expor o que jovens passam e precisam

Quem também participou da conversa foi a socióloga Munah Munek. Na conversa com a ONU News, ela ressalta que abrir espaço para a juventude debater e expor as suas necessidades é essencial, seja para meninos ou meninas.

Segundo a especialista, nada supera a sensação de saber que a sua voz tem valor.

“É um sentimento muito bom de abertura, realmente, porque, como eu falei, às vezes esse espaço não é aberto. Então, quando nós conseguimos abrir esse espaço e esses jovens e essas jovens, meninos, meninas, quando todos conseguem sentir que o espaço foi aberto para que o debate aconteça, para que nós consigamos trazer as nossas perguntas, é uma coisa muito boa, porque não existe nada melhor do que sentir que você está sendo ouvido. Então, é uma coisa realmente muito gratificante ver essas meninas, esses jovens, podendo trazer a sua realidade, falar, é isso aqui que acontece na minha região, na minha casa foi desse jeito, e essas pessoas sentem que, finalmente, estão podendo expor aquilo que elas passam e que elas precisam.”

Estratégias de segurança digital

A presença da Girl Up vai muito além do Brasil: trata-se de uma força global. Nascida nos Estados Unidos, a ONG atua em nações como México, Chile, Argentina e Índia, moldando as suas ações de acordo com as necessidades específicas de cada região.

A apresentação mostrou estratégias que as jovens usam para reivindicar direitos e engajar outras meninas de forma presencial ou virtual. Além disso, destacou a necessidade de fortalecer a conexão com jovens de outros continentes.

“Na Girls Up Brasil, a gente tem algumas parcerias para esse projeto, em especial, sobre saúde menstrual, que a gente vai falar hoje, nós temos a parceria do Instituto Alana, que é um instituto também que trabalha para promover a igualdade, o crescimento, o desenvolvimento de crianças no Brasil, e a Girls Up Brasil também se organiza em diversas frentes, além de menstruação. Nós trabalhamos também com democracia, com política, encorajando meninas a não só se candidatarem, serem lideranças, mas também trabalharem para promover o voto jovem, para consciencialização política pela democracia, trabalhamos também com as áreas de tecnologias, meninas nas ciências, estamos muito enfocadas também em seguranças e estratégias de segurança digital, e com o nosso pilar de saúde, onde está a saúde menstrual, a saúde mental, também trabalhando esses eixos.”

No diálogo, Munah Munek destacou ainda um avanço recente e importante para meninas na busca por equidade: a segurança digital dos menores, agora garantida por lei modernizada no Brasil.

Em vigor desde 17 de março, o chamado ECA Digital atualiza o Estatuto da Criança e do Adolescente e moderniza a proteção dos jovens na internet.

“ECA é o Estatuto da Criança e do Adolescente, que é uma lei que nós temos no Brasil, se eu não me engano é desde 1992, é uma lei extremamente sofisticada no que tange à proteção dos direitos de crianças e adolescentes, desde garantir a eles o acesso à vida comunitária, o direito à saúde, educação, lazer, ao brincar, colocando crianças e adolescentes como prioridade absoluta em todos os temas que tangenciam as nossas vidas. O que a gente faz na Guerra UP é aumentar, extrapolar essa questão da segurança, também dando para essas jovens que trabalham, que estão dentro da nossa rede, conectadas dentro da nossa comunidade, a possibilidade de exercerem as suas lideranças”.

Para Munah, atualizar as ferramentas de segurança digital, criar um senso de comunidade e formar líderes são passos que transformam a realidade de milhares de meninas.

Maior projeção

Lucília, por sua vez, faz um alerta: é urgente que as meninas sejam ouvidas em todos os níveis de decisão. Ela acredita que, ao dar espaço para essas vozes, as jovens passarão a ocupar lugares de destaque, desde o dia a dia na comunidade até os grandes centros de poder.

"A primeira coisa que todas nós queremos é que o mundo esteja aberto a nos escutar, não só sobre a nossa saúde, mas, como a Munah falou, a Girl Up atua em diversos temas e nós queremos fazer parte de todos esses temas. Isso não significa necessariamente estar na ONU ou estar no Congresso Nacional, óbvio que estar nesses lugares é uma coisa maravilhosa, a Girl Up Brasil já esteve nos dois, então é claro que nós queremos essas oportunidades também, mas se nós pudermos ser ouvidas nas nossas casas, nas nossas ruas, bairros, cidades, onde tudo começa, exatamente, dos lugares menores aos de maior projeção, se nós pudermos ser escutadas em todos os temas que têm algo a ver com a nossa existência, aí eu acredito que as meninas vão ter o  direito e a propriedade para lidar com o mundo da forma que nós queremos”

Potencializado pela atuação dos clubes, o novo mecanismo para garantir um ambiente digital seguro e a proteção integral da infância exigirá uma responsabilidade compartilhada entre famílias, plataformas e o Estado. A medida também requer ferramentas rigorosas de verificação de idade e controlo parental.

O trabalho da Girl Up aborda, ainda, o combate à exploração sexual e os desafios impostos pelas plataformas digitais, que afetam as meninas de forma desproporcional. Eleutério Guevane – Brasil ONU News


Timor-Leste – Quer reforçar ligação à China com consulado na Grande Baía

O delegado de Timor-Leste junto de um fórum sino-lusófono disse que recomendou ao Governo de Díli a abertura de uma representação diplomática em Macau ou Hong Kong, com um olho na Grande Baía


António Ramos da Silva defendeu que o país deveria criar um consulado ou consulado honorário, “considerando a importância estratégica“ das duas regiões no projeto da Grande Baía.

Este é um projeto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, uma região com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros.

O delegado timorense junto do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) disse que o cargo deveria ter uma missão alargada.

Num relatório dirigido ao executivo de Timor-Leste e enviado à Lusa, Ramos da Silva apontou para os “novos desenvolvimentos” da Grande Baía nas áreas comerciais, culturais e tecnológica. In “Plataforma” – Macau com “Lusa”