Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Andorra - Fim de semana com toque português

Este fim de semana decorre a 44ª edição da Fira d’Andorra la Vella, um certame multissectorial no Principado de Andorra com uma superfície de 10 000 m2 destinados ao setor do automóvel, produtos agrícolas, produtos artesanais, instituições e espaço de eventos culturais, integrando também a Feira das Associações


A portugalidade marcará presença através do Grupo de Folclore Casa de Portugal que tem sido um fiel representante desde a primeira edição da Feira de Associações no ano 2010.  O Grupo apresentará um stand com produtos gastronómicos portugueses que durante os três dias do evento fazem as delícias da comunidade portuguesa e dos milhares de visitantes que, de sexta-feira a domingo, visitam a mostra. Marcará presença também a Associação de Trás-os-Montes e Alto Douro com um stand de produtos portugueses.

Além dos dois stands portugueses na Feira de Associações, os elementos do Grupo de Folclore Casa de Portugal, trajados para a ocasião e apresentando danças e música em direto, irão apresentar no sábado, às 18h30, uma atuação de folclore típico da região minhota de Viana do Castelo no palco de atividades culturais e desportivas. Duas horas antes passará pelo palco o Rancho Folclórico dos Residentes do Alto Minho que irá apresentar também o seu reportório.

A cultura popular e a gastronomia lusitana assumem destaque junto da sociedade andorrana e da comunidade portuguesa residente no Principado de Andorra durante o intenso fim de semana que se avizinha. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Canadá - Luso-canadiano emprega mais de 4000 portugueses

A empresa de limpeza Bee-Clean Building Maintenance do luso-canadiano José Correia emprega mais de 4000 portugueses, mas o número tem vindo a diminuir porque “não tem havido imigração”


“O número de portugueses a trabalharem para nós tem vindo a ser reduzido, porque não tem havido muita imigração, como antigamente, mas continua a ser entre os 35 a 38 por cento, ou seja, quatro a cinco mil”, afirmou José Correia, empresário de 71 anos, à Lusa.

No passado os portugueses a trabalharem na empresa de limpeza e de consultoria Bee-Clean Building Maintenance representavam uma maior presença, a rondar os “50 a 60 por cento” dos portugueses que residem na região de Winnipeg.

No Canadá desde 1967, José Correia, natural de Albufeira (Algarve), chegou ao país “quase sem nada”.

“Cheguei ao Canadá sem dinheiro nenhum, ou com muito pouco. Foi uma coincidência, porque o setor da limpeza nessa altura em Manitoba estava a ter procura, a ser necessário. Tive conhecimento disso e decidi começar a fazer limpezas. Pouco a pouco, começámos do nada”, contou.

A expansão da empresa veio naturalmente mais tarde para outras províncias canadianas, como o oeste do Canada, Saskatchewan e Alberta, e “sucessivamente com o decorrer dos anos para outras regiões”.

“Fiz de tudo relacionado com as limpezas, como não sabia, fiz questão de aprender tudo o que era possível aprender. Inscrevi-me em associações de limpeza, no Canadá havia pouca coisa, aderi a essas organizações, para aprender tudo o possível e ajudar os clientes”, referiu.

O grupo Bee-Clean tem cerca de 15000 funcionários, com representações nas várias províncias e territórios canadianos, além de também estar presente nos Açores (Portugal), Xangai (China) e, em 2022, expandiu-se para Iowa (Estados Unidos).

A empresa opera em edifícios privados e governamentais, aeroportos, hospitais, bases militares, esquadras da polícia, entre outros locais, limpando cerca de 40 milhões de metros quadrados por dia.

Após a sua internacionalização, para Portugal, China e mais recentemente, no ano passado, para os Estados Unidos, a aposta é no mercado do vizinho do sul que tem “muito potencial”.

“Estamos a pensar expandir-nos mais nos Estados Unidos, porque é um mercado enorme. Vamos continuar a caminhar nesse sentido”, anunciou.

A Bee-Clean Building Maintenance também decidiu recentemente dedicar-se à apicultura, tendo colmeias próximas dos escritórios de representação da companhia nas principais cidades canadianas.

“As abelhas ligam-se a nós. Temos pessoas abelhas e há abelhas. Todas elas trabalham bastante, há aqui uma certa ligação”, justificou.

A companhia tem atualmente cerca de 20 colmeias, cada uma produz anualmente mais de 100 kg de mel, que é oferecido aos funcionários e clientes.

José Correia foi reconhecido em 1998 com o Prémio Empreendedor do Ano pela Ernst e Young, em 2023, como Empreendedor do Ano pela BOMA, na região das Pradarias e, em 2015, foi incluído no Passeio da Fama para Luso-Canadianos em Toronto.

De acordo com o recenseamento de 2021, a comunidade portuguesa no Canadá é constituída por 448 305 pessoas, que declararam ser de origem étnica portuguesa, sendo que 240 680 disseram que tinham como língua materna, a portuguesa.

Existiam 166 651 portugueses inscritos na rede consular no Canadá em 2022.

Em Winnipeg, capital da província de Manitoba, residem cerca de 20 mil portugueses e lusodescendentes. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Angola - Feira internacional de negócios de moda e têxtil junta artesãos

A terceira edição da feira internacional de negócios de moda e têxtil abre amanhã e vai juntar, durante dois dias, artesãos e estilistas, informou, ontem, em Luanda, durante a conferência de imprensa, a mentora do projecto, Claudia Mittler


Claudia Mittler avançou que a terceira edição vai acontecer no Instituto Guimarães Rosas, na baixa de Luanda, onde vão apresentar peças artísticas e dar uma maior oportunidade para os artesãos.

"Os artesões vão poder mostrar a sua criatividade e cada um dos participantes vai apresentar duas a três peças desde bolsas, feitas com matérias diversas, sapatos restaurados por artesãs, colares, brincos e outros artefactos”.

O objectivo do intercâmbio, referiu, é o alavancamento da indústria artesanal na criação de uma marca própria e mostrar um outro conceito que as pessoas têm sobre os artesãos. "Queremos trabalhar juntos em prol do crescimento dos mesmos e tirá-los das ruas, mostrando o caminho da moda e trabalhar com os artesãos na arte criativa. Notei uma maior produtividade, que para nós é uma mais-valia poder alavancar essa indústria”.

A mentora, referiu, igualmente, que as matérias-primas a serem utilizadas nesta edição são nacionais, embora, utilizam, também, alguns produtos vindos de Portugal.

Nesta terceira edição, continuou, está prevista a participação de 47 estilistas nacionais e dez marcas internacionais, acrescentando que para este ano o tempo para a realização da actividade é muito curto, mais que durante os dois dias da feira "levaremos o melhor da moda e têxtil para o público”.

"Sendo que a actividade vai ter uma duração de dois dias diminuímos o número de participantes, porque também o espaço não permite acolher muito dos nossos expositores”.

Para a empresária, o ponto alto desta terceira edição é o lançamento da "AO Criativa” que vai promover o bordado, crochê, tricô e macremê. "O projecto AO Criativa, concebido pelo AO Internacional Trade Show, é um passo importante e concreto que olha para o futuro da indústria da moda angolana”.

Mais de 40 modelos

Manuel Delgado, da organização do evento, disse que a terceira edição da feira internacional de negócios de moda e têxtil vai contar com a participação de 46 modelos, que vão desfilar para apresentarem a parte final das obras de cada designer participante no evento.

"O AO, nesta edição conseguiu fazer o enquadramento de novos modelos, de maneira a dar oportunidade aos novos talentos. O objectivo é dar mais espaço e inserir aquelas pessoas iniciante no mundo da moda e posteriormente terem uma carreira profissional”.

Manuel Delgado explicou que nesta edição vão participar modelos a nível nacional, com destaque para as províncias do Uíge, Huíla, Benguela e Luanda. "Durante o período de inscrição para participar da terceira edição tivemos mais de 500 inscritos, tivemos muito trabalho para fazer a seleção dos candidatos”.

Denise Andala, uma das expositoras que vai fazer parte da terceira edição da feira, sublinhou que é uma honra poder partilhar experiências com outros estilistas a nível nacional e internacional.

A expositora, residente na Namíbia e com mais de 17 anos como profissional no mundo da moda, disse que graças ao projecto "AOInternacional Trade Show” faz parte da moda nacional e poderá expor com outros artistas do estrangeiro.

"Angola tem um potencial na indústria têxtil e, temos bons designer e devemos aprender a valorizar mais aquilo que é nosso”. Armindo Canda – Angola in “Jornal de Angola”



Moçambique - Ba Ka Khosa lança “Assim não, Senhor Presidente”

“Assim não, Senhor Presidente” é a nova obra literária de Ungulani Ba Ka Khosa, lançada ontem, na Cidade de Maputo. O romance conta histórias sobre as diferenças sociais.


Inspirado pela terra que o viu nascer, no dia-a-dia, no desenrolar dos acontecimentos e na construção social, Ungulani Ba Ka Khosa reflecte em obra sobre a empatia e as relações sociais.

Com personagens diversificados, Ba Ka Khosa diz que, na obra, quis apenas reflectir, em narrativa, sobre a realidade social moçambicana, tendo em conta as diferenças existentes.

“Assim não, Senhor Presidente ” tem 204 páginas e foi chancelada pela Alcance Editores. In “O País” - Moçambique


 

Junqueiro, a coragem da opinião

O centenário da morte do poeta permite revisitar a sua obra repleta de testemunhos implacáveis acerca de Portugal e do comportamento dos portugueses e sobre a ausência das soluções necessárias para ultrapassar as crises. (Publicado originalmente no jornal As Artes entre As Letras, edição de 25 de Outubro de 2023, pp. 6 e 7)


Os grandes acontecimentos nacionais e internacionais que se verificaram no tempo de Guerra Junqueiro (1850-1923), refletiram-se na conduta do homem e na obra do poeta. Basta citar o Finis Patriae (1890) e a Pátria, (1896) dois livros de combate, onde procurou retratar ou caricaturar as tendências dominantes no país real e as singularidades do temperamento e do carácter dos portugueses.

Espetador e interveniente nas guerras e nas guerrilhas, que agitaram a vida política, social e cultural portuguesas, Junqueiro acompanhou de perto as consequências do Ultimatum de 1890 e da Revolução Republicana do 31 de Janeiro. Os ataques desferidos por ocasião da ditadura de João Franco levaram-no à barra dos Tribunais. Este consulado político, que decorreu entre maio de 1906 e acabou com o Regicídio (1 de fevereiro de 1908), precipitou o fim da Monarquia e abriu caminho para a instauração da República. Junqueiro também seguiu de perto os anos agitados da República: a repetição de erros crassos, desvios graves e as violências sangrentas, ainda assistiu a mais duas ditaduras, a de Pimenta de Castro (28 de janeiro de 1915 a 14 de maio de 1915) e a de Sidónio Pais (9 de maio de 1918 a 14 de dezembro de 1918) que deixaram feridas abertas. A 28 de maio de 1926 – Junqueiro havia falecido a 7 de julho de 1923 – implantava-se ainda mais outra ditadura portuguesa no século XX. A tomada do poder pelos militares, seguida pela ditadura de Salazar que se estendeu por mais de quatro décadas, até ser derrubada pelo 25 de Abril.

A publicação de sucessivas edições do Finis Patriae e da Pátria desencadeou uma controvérsia política, enquanto o aparecimento d’A Velhice do Padre Eterno (1885), circunscreveu-se a uma polémica sem precedentes, no âmbito da igreja católica. A ferocidade da sátira envolveu desde as mais altas hierarquias até ao pároco da aldeia. Denunciou a conduta religiosa que, em nome da fé e em nome de Deus, mergulhava nas malhas obscuras da política quotidiana, para favorecer interesses institucionais e materiais e reforçar o poder em todas as instâncias. O panfleto da autoria do Padre Sena Freitas, Autópsia da Velhice do Padre Eterno, atingiu o auge das contestações que se mantiveram depois da morte de Junqueiro. Estabeleceu tamanha confusão que, dificilmente, se poderia concluir que Junqueiro se limitava a combater a superstição, o medo e o terror nas consciências. A existência de Deus e a figura de Cristo, nunca foram postas em causa. Mas o salazarismo – “orgulhosamente só” – ignorou o Concílio Vaticano II promovido por João XXIII e executado por Paulo VI.

Pátria e pia

Já o Finis Patriae e a Pátria constituem um ataque implacável à dinastia de Bragança concentrada, fundamentalmente, no rei D. Carlos, na corte que o cercava, nos partidos que se alternavam nos Governos e nas instituições comprometidas numa permuta de malabarismos movidos através dos caciques nacionais e locais. Se ambos os poemas são escaldantes, encontra-se um texto muito mais explosivo integrado como apêndice da Pátria. Ultrapassou a crítica vigorosa de Ramalho, em numerosos volumes, as Farpas; a ironia penetrante de Eça, nas suas grandes obras e nas crónicas ocasionais. Assemelhava-se à fúria bravia que percorre os Gatos de Fialho.

Perante a sociedade que o rodeava, Junqueiro não hesitava em alertar numa comparação com o episódio da ressurreição descrito na Bíblia: «se Cristo, entre ladrões, fosse crucificado, em Portugal, ao terceiro dia, em vez do Justo, ressuscitariam os bandidos. Ao terceiro dia? Que digo eu! Em 24 horas andavam na rua, sãos como perros, de farda agaloada e a Grã Cruz de Cristo». E quais os motivos que davam lugar a esta situação degradante? Junqueiro – e optamos por transcrever as suas próprias palavras – responsabilizava os partidos que alternavam no exercício da governação, (o Partido Progressista e o Partido Regenerador) permaneciam «sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes na hora do desastre, de sacrificar uma gota de sangue, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e perverso, análogos nas palavras, idênticos nos atos, iguais um ao outro».

Perante esta e outras evidências, Junqueiro não resistia a advertir: «Da mera comuna de estômagos não resulta uma Pátria, resulta uma Pia». Assim deplorou a influência nefasta de «uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até a medula», «sem palavras, sem vergonha, sem carácter»; «pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos (...)».

A sociedade encontrava-se em manifesto declínio: a «parasitagem burocrática», a «advogalhada de São Bento», misturadas com «traficâncias», «corrupção visceral, glorificações mercenárias, apoteoses aviltantes revestidas de ironia céptica, galhofa cínica, humor sibarita e riso canalha». Eis porque – escrevia Junqueiro – abundavam «os quadrilheiros que infestam Lisboa e os sub-quadrilheiros que infestam as províncias». Reclamava soluções cáusticas: «anulá-los, esmagá-los num dia, numa hora, sem pena e sem remorso, vazando-os logo – atascadeiro de baixezas, lodo de malandros – pelo buraco infecto duma comua. Depois pregar a tampa. Um colector in pace, um cano de esgoto jazigo de família.» ** A justiça ficava «ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara a ponto de fazer dela um saca-rolhas».

Mudança radical

O homem português em face da crise, caracterizava-se, sem margem para equívocos:

«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia de um coice, pois que nem já com orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai (...)».

Predomina «um pessimismo canceroso e corrosivo, minando as almas, cristalizado já em fórmulas banais e populares – tão bons são uns como os outros, corja de pantomineiros, cambada de ladrões, tudo uma choldra». «O português, apático e fatalista, ajusta-se pela maleabilidade da indolência a qualquer estado ou condição. Capaz de heroísmo, capaz de cobardia, toiro ou burro, leão ou porco, segundo o governante. (...) Povo messiânico, mas que não gera o Messias. Não o pariu ainda. Em vez de traduzir o ideal em carne, vai-o dissolvendo em lágrimas. Sonha a quimera, não a realiza».

Se atacava ferozmente a classe dominante e a indiferença do povo, Junqueiro também se mostrava bastante incrédulo, em relação à maioria da juventude: «Deparava uma geração nova das escolas, entusiasta, irreverente, revolucionária, destinada, porém, como as anteriores, viva maré dum instante, a refluir anódina e apática ao charco das conveniências e dos interesses». A reforma na área da justiça impunha-se mas preconizava a urgência de uma transformação radical no domínio da educação e do ensino, desde a família à escola e à Universidade, a fim de preparar outra geração com a dimensão moral, política e cultural para realizar um projeto de futuro. «Os homens que há muito dirigem os destinos da nação» – insistia Junqueiro – «quase sempre democratas vazios aos vinte anos, e cínicos redondos aos quarenta, são incapazes de um plano de Governo. Eles, francamente, visam, apenas, salvar o seu interesse, o seu egoísmo e as suas lantejoulas de medíocre». Assim resumia a «fatalidade inexorável que, em momentos cruciais, se torna indisfarçável no comportamento individual e na relação colectiva do homem português, dentro do seu próprio País.».

«A águia baixou a milhafre»

O consumo de aspas, nesta visão retrospetiva, terá sido excessivo. Perdia-se, contudo, o cunho pessoal e intransmissível de Junqueiro. Em matéria tão polémica e tão delicada, podemos ainda lembrar que, perante a conjuntura que se vivia, na altura, «a águia baixou a milhafre». «O milhafre é útil, depura e limpa» – concluía. «Os Gatos foram, em parte, uma obra de justiça, por vezes de cólera. Mas o rancor dos bons denota ainda bondade. Só os grandes idealistas desceram a grandes satíricos. Cristo dava chicotadas».

Cem anos depois da morte de Junqueiro – que foi, de imediato, consagrado no Panteão Nacional – não parece possível recuperar a sua obra literária. A geração de Fernando Pessoa que se afirma a partir de 1915 na revista Orpheu elegeu entre os poetas do passado próximo Cesário Verde, Gomes Leal, Camilo Pessanha e Antero. Um dos principais representantes da Seara Nova que não se identificava com o modernismo e as vanguardas – trata-se, concretamente, de Raul Proença – classificava a obra de Junqueiro, em especial as interpelações que se multiplicam nos seus livros mais contundentes de «trovoada de lata». Seja como for, o que não resta dúvida é que perdura na criação literária de Junqueiro a veemência do protesto e a coragem da opinião, sempre que nos confrontamos com a efervescência política e a degradação social e que se tem repetido e acentuado nestes dias de angústia e de perplexidade que estamos a viver. António Valdemar – Portugal in “Blog de São João del-Rei”

António Valdemar - Jornalista, investigador, sócio efetivo da Academia das Ciências

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Portugal - TX@BET_A de Djam Neguin no Fórum Dança Lisboa

No próximo dia 26 de Outubro, às 18h30, o artista cabo-verdiano Djam Neguin fará uma sessão de partilha de resultado da residência artística do seu solo-performance TX@BET_A, em Lisboa.

O projecto   TX@BET_A  foi um dos selecionados do  Programa de Residências 2023 da  Fórum Dança (https://www.forumdanca.pt/) - uma associação cultural sem fins lucrativos, criada em 1990, cuja missão é promover a dança contemporânea, através da formação profissional e artística, da investigação, da edição e da documentação É uma plataforma de encontro de profissionais e público. Desenvolve projetos pedagógicos, seminários, residências artísticas, apresentações informais, workshops e aulas regulares dirigidos a públicos profissionais e amadores, adultos e jovens. O Programa oferece espaço de ensaio, acompanhamento artístico por parte do artista-investigador associado do Fórum Dança – João Fiadeiro.


Djam Neguin é uma das mais destacadas e revolucionárias figuras da cena artística-cultural cabo-verdiana da atualidade. Um artista multidisciplinar que tem uma trajetória singular marcada por uma miríade de talentos e feitos nas áreas da dança, música, teatro, moda, performance, literatura, audiovisual, que se complementam ainda com as suas atividades como produtor e ativista. Recentemente atuou em renomados festivais portugueses como DDD, Festival Todos, passando ainda nas Canárias no conceituado festival MUSA, estreando o seu espetáculo ‘’Noya ou anatomia dos sons extintos’.

TX@BET_A é o terceiro capítulo de uma série de solos iniciada em 2020, com Mornatomia (a partir da Morna), seguida de Na-Ná (a partir do funaná -2022). O artista tem-se proposto a investigar os ritmos da música-dança tradicional cabo-verdiana em interface com uma estética futurística. Nesta performance, explora o Batuku, a partir de uma intersecção com as filosofias trans humanistas e pós-humanas. 

Para esta criação, o artista contou com uma mentoria ainda do músico Princezito, bem como das colaborações de Bender (Musi Design), Ricardo Figueiredo (Sound Design), Kennart (adereços), House of Onix (figurinos) e MM Studio (Design).

A sessão do dia 26 acontece na Travessa do Calado, 26B, 1170-070 Lisboa, terá entrada gratuita e consistirá numa performance-conversa, sobre o processo criativo desta nova criação.

A estreia está oficialmente marcada para dia 6 de Novembro no Festival Internacional de Teatro Mindelact, em Cabo-Verde. Está prevista uma digressão em 2024, com datas a anunciar. Soulart Press – Cabo Verde  


UCCLA - Blues & Outros Tons assinalam aniversário

Vai decorrer, dia 3 de novembro, às 19h30, no auditório da UCCLA, o concerto do 5.º aniversário do grupo português Blues & Outros Tons, que terá como convidado Daniel Raleira. Será uma noite especial, com música muito diversificada, desde pop, rock, blues e outras músicas portuguesas.

Os bilhetes têm o valor de 12€. As reservas deverão ser enviadas para o email anabela.simao@uccla.pt e o pagamento deverá ser feito por MBWay para o número 917601820.


Blues & Outros Tons:

Para os Blues & Outros Tons fazer música é quase tão vital quanto respirar. E quando a partilham com o público então é pulsar na mesma sintonia, no mesmo tom, na mesma harmonia. Procuram repartir com quem os ouve a arte de combinar notas, vozes, sons e ritmos. A música do grupo procura abertamente a diversidade, as cores, os géneros. E cria emoção. Uma arte que transcende a linguagem direta: entra no ouvido, vai para o coração e manifesta-se na alma. A pele arrepia-se. O coração acelera. Composição do grupo: Inês Martins (voz), João Olias (teclas e voz), Mariana Amaro (voz), Paulo Amaro (baixo), Paulo Carreira (guitarra e voz), Rui Moreira de Sá (bateria) e Tomás Aragão (voz).

Páginas online do grupo:

https://www.facebook.com/blueseoutrostons

https://www.instagram.com/bluesoutros

https://www.youtube.com/channel/UCOkaK6KG-KMVR2W3BvNgLCg

https://www.tiktok.com/@blueseoutrostons