Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 27 de agosto de 2022

Cabo Verde - Jenifer Solidade regressou ao palco no Mindelo para cantar temas do novo EP

A cantora mindelense apresentou novamente um show no Mindelo com o trabalho “Tanha” que foi esboçado durante o confinamento

Depois do lançamento do seu segundo EP intitulado “Tanha” em Junho, a cantora Jenifer Solidade apresentou mais um concerto, nesta quinta-feira 25, no espaço Terra Lodge no Mindelo (São Vicente).

Segundo comunicado, a cantora voltou ao mesmo espaço do lançamento do EP para um segundo show. Lançado em junho deste ano o EP “Tanha” sucede ao álbum “Um Click” e ‘dispõe de um repertório “tradicional/moderno”, que passa pela morna, coladeira ou semba, trazendo 6 composições inéditas de Hernany Almeida, Noel Almeida e da própria Jenifer que admite sentir-se mais confiante em afirmar-se como autora neste novo trabalho de sonoridade muito própria’.

Um dos temas que integram o EP é o single “Ginga da Boa” que Jenifer dedica ao povo de Angola, que “sempre a recebeu e acarinhou e ao qual aqui presta homenagem com o ritmo do Semba a desafiar à dança, no balanço do género mais representativo da tradição musical angolana”.

De recordar que a cantora foi uma das artistas que se apresentaram na edição de Mindelo do Atlantic Music Expo, que decorreu de 9 a 11 de junho em São Vicente. Cátia Gonçalves – Cabo Verde in “Balai Cabo Verde”


sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Guiné-Bissau - Digitalização pode melhorar níveis de transparência pública

O Programa da ONU aponta a inovação e empreendedorismo juvenil como boas apostas para melhorar os resultados no desenvolvimento. O êxito nas reformas e modernização do Estado requer a inclusão do género. Para o representante, qualquer crescimento económico que deixe de lado mulheres e jovens é inviável

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud e a Associação Industrial da Guiné-Bissau ultimam detalhes para a criação, este ano, de um centro de inovação para empresários e jovens empreendedores do país.

A iniciativa conjunta inclui a rede global, Impact Hub.



Fundo de garantia

O centro vai estar em Bissau e ligado às redes de empreendedorismo juvenil e entidades referentes de todo o país. Funcionará como espaço de trabalho conjunto, onde jovens do novo ecossistema de inovação possam receber formações, trocar experiências e conhecimentos.

A ideia é juntar toda a força juvenil num único lugar, que terá uma plataforma digital para retratar as suas atividades e sirva de porta de entrada e acesso a créditos.

Um fundo de garantia vai ser instituído para apoiar a atividade económica do espaço, novas iniciativas, e planos de negócio, conforme contou à ONU News o representante do Pnud, Tjark Egenhoff.

Paz e reconciliação

Tjark Egenhoff lembra que soluções inovadoras, novos métodos de paz e reconciliação e instrumentos de inclusão e serviços financeiros podem melhorar os resultados do desenvolvimento e níveis de transparência na administração pública podem ser elevados, usando instrumentos e tecnologia digital.

“Temos muitas ações na parte da digitalização da administração, incluindo até uma certa transparência do serviço público junto com as autoridades. É importante ver quais são os vetores que nos possam dar uma entrada para alcançar o que ainda não alcançámos, acho que os últimos anos não deram os frutos do desenvolvimento que a população guineense esperava”.

Poluição do ambiente plástico

A digitalização do registro civil em curso no país é uma ação alinhada a modernização do Estado, apoiado pelo Pnud que vai identificar os cidadãos e determinar a sua localização e necessidades. O projeto, Semente Verde ligado ao Impact Hub procurou uma solução empreendedora a crescente poluição do ambiente pelo plástico.

Um concurso de ideias e soluções habilitou jovens, em vias de ingressar o mercado de trabalho, a confeccionar móveis e demais artigos com sacos plásticos, transformando lixo em luxo. O Pnud espera que a oportunidade de negócios tenha impacto na vida dos jovens.

Atores de Mudança

Agência quer tornar jovens, mulheres e outros grupos vulneráveis parte fundamental da sua atenção e atuação.

“O fórum que chamamos “Youth Sounding Board” é como uma plataforma de auscultação, mas de integração da voz juvenil no nosso trabalho. Convidá-los a ser parte do Pnud, do núcleo pensante e ativo do Pnud para redirecionar e co desenhar as linhas programáticas do Pnud viradas para esta perspectiva da juventude”.  

O Programa da ONU abordou recentemente com jovens de todo o país as oportunidades e o papel desta camada no processo de desenvolvimento.

Legislação e inclusão

Quer, conforme o plano estratégico para o país, identificar, formar e interconectar atores e agentes de mudança para o desenvolvimento positivo.

A ampliação da Academia de Liderança por meio do lançamento da nova Antena da Escola Nacional de Administração insere-se nestes esforços.

Originou a criação de uma Rede de Atores de Mudança onde o governo, parceiros e a sociedade civil debatem o desenvolvimento da ação pública, reformas, legislação e inclusão. Amatijane Candé – Guiné-Bissau ONU News


Brasil - Festival SESC de artes cênicas tem Portugal como país homenageado


De 09 a 18 de setembro, a sexta edição do MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, realizada pelo Sesc São Paulo, volta a ser um evento presencial, com uma programação na unidade do Sesc em Santos e também em teatros, espaços públicos e edifícios históricos da cidade em parceria com a Prefeitura de Santos, além de Cubatão.

Em dez dias de atividades, estão programados 36 espetáculos de múltiplas linguagens em teatro, dança, performance e teatro de rua para todas as idades.

Participam desta edição representantes da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, Espanha, México, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela, além do Brasil, com artistas de Sergipe, Rio Grande do Norte, o Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. Há, ainda, atividades formativas, uma instalação interativa na unidade e um encontro que reúne programadores e diretores de festivais cênicos internacionais e nacionais.

“A cultura proporciona a oportunidade de reduzir fronteiras e fortalecer diálogos entre povos diversos. O MIRADA surgiu em 2010 com o objetivo de apresentar experiências cénicas dos países da América Latina, Espanha e de Portugal, favorecendo diálogos entre criadores e público a fim de propiciar trocas e reflexões sobre heranças comuns e identidades particulares” diz diretor do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda.

200 anos – A sexta edição acontece no mês do bicentenário da Independência do Brasil. Esta efeméride é refletida em parte dos espetáculos vindos da América Latina, de Portugal e da Espanha, que abordam criticamente os sintomas da colonização e os processos migratórios.

País homenageado – Com nove peças escaladas na programação, Portugal é o país a ser homenageado desta edição. As obras lusitanas refletem a diversidade cênica do país. São montagens críticas às identidades históricas forjadas na esteira do colonialismo: a conquista por meio do genocídio de povos originários seguida do processo colonizador com a escravidão africana.

É o caso de Brasa, do artista performativo e visual Tiago Cadete, cujo trabalho se concentra em grupos migratórios entre Portugal e Brasil. Em Estreito/Estrecho, a coprodução luso-chilena entre o Teatro Experimental do Porto (TEP) e o Teatro La María (CHI), faz sátira ao problematizar a figura do navegador português Fernão de Magalhães (1480-1521). Ou ainda Cosmos, com atrizes de ascendências cabo-verdiana, portuguesa e angolana, que revisitam mitologias africanas e europeias para propor o nascimento de um novo mundo.

Outras criações tateiam a saúde das democracias no seu entorno. As montagens portuguesas Os Filhos do Mal e “Viagem a Portugal, última paragem ou o que nós andámos para aqui chegar” abordam memórias, heranças e consequências do regime salazarista e a Revolução dos Cravos, que pôs fim a quatro décadas dessa ditadura. A primeira peça traz à cena filhos, netos, bisnetos e sobrinhos de presos políticos; a segunda recupera arquivos para falar de direitos, de injustiças e de convicções humanistas.

Da América do Sul, região onde golpes militares são historicamente frequentes, o grupo equatoriano La Trinchera expõe em QUIMERA o conflito fictício e microscópico, criado pelo diretor Nixon García Sabando, entre dois soldados fronteiriços ao perceberem que a demarcação da faixa limítrofe daquelas terras simplesmente desapareceu. No solo Tijuana, do grupo mexicano Lagartijas Tiradas al Sol, o ator Lázaro Gabino Rodríguez questiona a noção de democracia social a partir de sua experiência como trabalhador precarizado da maior cidade do estado de Baixa Califórnia, que faz fronteira ao norte com o estado da Califórnia, nos Estados Unidos da América.

Da Argentina, Erase, do diretor Gustavo Tarrío, trata-se da ditadura civil-militar (1976-1983) de seu país a partir duma passagem inusitada e com certa dose de humor: quando representantes da ala mais conservadora da Igreja Católica interditaram fascículos semanais da revista “Erase una Vez… El Hombre” (“Era uma Vez… O Homem”) e bolaram um número especial que combinava, em nível de delírio, conteúdos sobre neandertais, sapiens e o criacionismo da doutrina bíblica.

O Grupo Cultural Yuyachkani, do Peru, que completou 50 anos em 2021, traz à esta edição do Festival Discurso de Promoción, uma reflexão nas heranças ligadas a estruturas sociais coloniais. A peça foi produzida por ocasião do bicentenário da independência peruana.

Mudanças climáticas e sequelas ambientais – Bioma de maior biodiversidade do mundo, a Amazónia é mote de dois espetáculos: Teatro Amazonas, idealizado pela coreógrafa espanhola Laida Azkona Goñi e o videoartista chileno Txalo Toloza-Fernández, que faz um inventário das violências no norte do país a partir de viagens aos estados do Amazonas e do Pará; e La Luna en el Amazonas, dirigido pelos irmãos Heidi Abderhalden e Rolf Abderhalden, do grupo Mapa Teatro, de Bogotá.

A narrativa passa-se principalmente na porção territorial do país vizinho onde, em 2019, foi noticiada a existência de comunidades indígenas que vivem isoladas por autodeterminação. Vila Parisi, do Coletivo 302, de Cubatão (SP), com direção de Douglas Lima e orientação de Eliana Monteiro, do Teatro da Vertigem (SP), parte da memória e dos relatos de quem vivia no bairro operário da Baixada Santista nos anos 1980 (considerado o mais poluído do mundo na altura), para colocar em cena reflexões sobre aspectos ambientais e sociais na atualidade.

Outros olhares à cena – Em Hamlet, artistas adolescentes e adultos com Síndrome de Down apropriam-se da tragédia de Shakespeare com irreverência crítica e traços pop na criação do Teatro La Plaza, companhia do Peru. Na versão da diretora e dramaturga Chela de Ferrari, o protagonista é o coletivo de oito atuantes. Hay que tirar las vacas por el barranco conta com artistas da Venezuela, Espanha e Brasil e mostra a esquizofrenia do ponto de vista de quem convive com pessoas que têm a doença. A peça, que une os grupos La Caja de Fósforos, La Máquina Teatro e Circuito de Arte Contrajuego, encena cinco relatos de pacientes ou familiares cujas vidas foram enredadas por graves afeções mentais crônicas, mas abre espaço para o humor em meio a aspectos clínicos e de convivência.

Brasil – Língua Brasileira, do coletivo Ultralíricos (SP), com banda sonora de Tom Zé, sob direção de Felipe Hirsch, está no último dia da Mostra com esse espetáculo que procura traçar a epopeia dos povos que formaram o português falado no país, os seus mitos e cosmogonias, passando pelas remotas origens ibéricas, por romanos, bárbaros e árabes, pela África e a América Nativa.

A Companhia de Teatro Heliópolis (SP), em parceria com a dramaturga convidada Dione Carlos (SP), apresenta CÁRCERE ou Porque as Mulheres Viram Búfalos. A peça conta as trajetórias das irmãs gémeas Maria dos Prazeres e Maria das Dores, negras, moradoras da periferia e marcadas pelo encarceramento dos parentes.

Dispostos num grande tabuleiro na obra O que meu corpo nu te conta? – espetáculo autodefinido e imersivo com narrativas íntimas, do Coletivo Impermanente (SP) e o diretor Marcelo Varzea – artistas revezam-se a cada sessão para expor histórias autobiográficas ficcionais em que abordam temas como assédio sexual, machismo, homofobia, discriminação etária, gordofobia, racismo, pedofilia, infertilidade e compulsão.

Todos os públicos – No solo da companhia portuguesa Formiga Atómica, o ator Miguel Fragata apresenta para o público infantil A Caminhada dos Elefantes, que narra uma história sobre a finitude inscrita no livro da vida de cada ser humano.

O espaço do picadeiro, território da diversidade por excelência, surge reconfigurado no espetáculo espanhol …i les idees volen (…e as ideias voam), do coletivo Animal Religion. Nele, a arena é habitada principalmente por Quim Girón, que utiliza recursos não verbais para interagir com a plateia mirim. Outro representante do Nordeste brasileiro, o espetáculo de rua Mar de Fitas Nau de Ilusão, do Grupo Imbuaça, com 45 anos de atividade em Aracaju (SE), leva o seu estandarte à praça pública para saudar as bases de uma gramática cénica alimentada por canções, danças e expressões da oralidade da literatura de cordel. Sob direção de Iradilson Bispo, nove atores interpretam mais de 20 músicas, entre elas a da primeira montagem, Teatro Chamado Cordel.

Atividades formativas – Na programação também estão atividades formativas e um encontro que reunirá dezenas de programadores internacionais e nacionais de festivais cênicos de todo o mundo.

Estão previstas rodas de conversa, intercâmbios, oficinas, atuações, lançamentos de livros e outras variantes de encontros abertos. Uma dessas ações é a Salas de Dramaturgia Virtual, uma plataforma on-line em que dramaturgos de diferentes lugares do Brasil (Aldri Anunciação, Dione Carlos, Lucas Moura, Ave Terrena, Victor Nóvoa, Leonarda Glück, Paulo Henrique Sant’ Anna e Daniel Veiga) compartilharão um processo coletivo de escrita sob o olhar do público.

Com a proposta de pôr o público a pensar nos caminhos da decolonialidade na arte, está prevista uma roda de conversa com os artistas brasileiros Lindolfo Amaral (do espetáculo Mar de Fitas, Nau de Ilusão), Davi Guimarães (de Cárcere ou porque as mulheres viram búfalos), Nixon García Sabando (de Quimera); Jorge Baldeón (de Discurso de Promoción), bem como Geni Núñez (ativista indígena, psicóloga e escritora) e Harry de Castro (cantor, ator, dançarino, pesquisador de música brasileira, e diretor artístico). A atividade será mediada pela dramaturga Dione Carlos.

Um dos mais importantes grupos de teatro brasileiro compartilhará com o público a fase atual do seu próximo trabalho. Rodeio, do Teatro da Vertigem, estreará em breve. Na obra, o grupo propõe-se a investigar o ambiente rural brasileiro, especialmente as regiões Sudeste e Centro-Oeste, estendendo-se para o Norte, no estado de Rondónia. Com mediação do crítico teatral Amilton Azevedo.

Em Teatro das Bordas – Enfrentando a Metrópole, os grupos contarão as suas experiências e desafios em trabalhar fora dos eixos principais e privilegiados da produção cultural brasileira. Participam da conversa Manoel Cerqueira, do Grupo Imbuaça, Miguel Rocha, da Companhia de Teatro Heliópolis e Lípari, do Coletivo 302, com mediação de Júnior Brassalotti (ator e produtor cultural). Em Como estar juntos?, os participantes conversam sobre as novas formas de estarmos juntos e as possibilidades de parcerias (virtuais ou presenciais) após a pandemia da Covid-19. Estão convidados Gonçalo Amorim, do Teatro Experimental do Porto e Alexis Moreno, do Teatro La María, ambos do espetáculo Estreito/Estrecho, Gustavo Tarrío, de Érase e Orlando Arocha, de Hay que tirar las vacas por el barranco; com mediação de Eliana Monteiro (diretora no grupo Teatro da Vertigem).

A programação completa das atividades formativas está disponível em:

www.sescsp.org.br/mirada

Caderno de Reflexões – O Sesc promove o lançamento do Cadernos de Reflexões sobre as Artes Cénicas na rede Ibero-americana, uma publicação em formato de revista com ensaios e artigos sobre a teatralidade contemporânea, a sua extensão pela América Latina, Portugal e Espanha, as suas expressões singulares em cada país e as suas difusões e circulações. Os textos reflexivos que compõem a publicação desta primeira edição foram escritos por nomes expressivos do campo das artes e da cultura da Ibero-América: Alberto Ligaluppi (Argentina), Conchi León (México), Miguel Rubio Zapata (Peru), Octavio Arbeláez Tobón (Colômbia), Pamela Lopes Rodrigues (Chile), Patrícia Portela (Portugal) e do Brasil: Alexandre Dal Farra, Fernando Yamamoto, Marcio Abreu e Paula Autran.

MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cénicas - 09 a 18 de setembro de 2022. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

Portugal - Já pode candidatar a sua empresa aos Troféus Luso-Franceses

A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa organiza a 28.ª edição dos Troféus Luso-Franceses. São sete as categorias que galardoam as melhores empresas sediadas em Portugal e França em diferentes setores para incentivo das trocas comerciais entre os dois países e como reconhecimento pelas estratégias e investimentos em ambos os mercados

“Portugal e França são parceiros históricos, com laços profundos, e as relações económicas bilaterais são muito importantes”, lê-se no comunicado enviado ao Bom Dia. Na mesma nota, a organização refere que “os Troféus Luso-Franceses acabam por refletir, ano após ano, o mérito das empresas e o vigor das relações entre os dois países”.

Estes galardões são destinados a todas as empresas e PME/Startups portuguesas e francesas que exportam, investem ou inovam nestes mercados. As ações de promoção à sustentabilidade são também consideradas.

Todas as empresas, independentemente do seu ramo de atividade e/ou dimensão, poderão apresentar as suas candidaturas até ao dia 20 de setembro de 2022.

Os Troféus 2022 serão atribuídos no decorrer de uma Soirée de Gala no Hotel Palácio Estoril, em Cascais, no dia 13 de outubro de 2022. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Internacional - Varíola dos macacos regista primeira queda de novos casos

A situação é impulsionada por baixa de casos na Europa. A OMS destaca que a maioria das ocorrências é relatada nas Américas, entre os 98 países com notificações, o Brasil aparece com 3450 infeções confirmadas e Portugal, com 810

O número global de casos de varíola dos macacos caiu 21% após quatro semanas de altas consecutivas. Nesta quinta-feira, a Organização Mundial da Saúde, OMS, confirmou um total de 5907 novas infeções no mundo, comparado aos 7477 da semana anterior.

No entanto, as notificações semanais até 21 de agosto subiram de forma contínua e acentuada nas Américas, seguindo a tendência regional observada nos períodos anteriores.

Europa e Américas

Em relatório sobre a situação internacional, apresentado em Genebra, a agência indica que a diminuição pode ser reflexo dos primeiros sinais de um declínio de recém-infectados na região europeia. A situação ainda precisa de ser confirmada.

Falando a jornalistas, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, mencionou a inversão dos estágios iniciais do surto, quando a maioria dos casos relatados ocorreu na Europa e uma proporção menor nas Américas.

O chefe da agência disse que agora menos de 40% dos casos são relatados na Europa e 60% nas Américas.  Ressaltando os sinais de baixa do surto na região europeia, afirmou que uma combinação de medidas eficazes de saúde pública, mudança de comportamento e vacinação estão a ajudar a prevenir a transmissão.

Na quarta-feira, a OMS assinou um acordo com a única farmacêutica licenciada a fabricar imunizantes contra a varíola dos macacos. A expetativa de Tedros Ghebreyesus é que o entendimento com a Bavarian Nordic ajude a controlar o surto na América Latina e Caribe.

A varíola dos macacos pode alastrar-se através do contato pele a pele, ou da pele de um paciente com as lesões que esteja infectado. Outra via é o contato com roupas ou lençóis de um infectado.

Brasil e Portugal

A OMS destaca que os dados das Américas representam 60% dos casos confirmados no mês passado. O Brasil teve 3450 pacientes e um morto, colocando o país em terceiro lugar na lista das 10 nações com mais infectados. Os primeiros são os Estados Unidos, com 14049, e Espanha com 6119 confirmações. 

O outro país lusófono no grupo de países com casos é Portugal, com um total de 810 e sem qualquer óbito. A região da Europa concentra cerca de 38% dos 45 mil casos relatados em 98 países desde o final de abril.

O relatório divulgado nesta quinta-feira confirma ainda as primeiras notificações no Irão e na Indonésia.

No continente africano, a Nigéria tem a maioria dos pacientes. Os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças destaca haver 219 novos casos notificados em toda a região, onde por várias décadas a varíola dos macacos foi considerada endémica.

Seropositivos

Os dados da OMS confirmam que 98% do total é do sexo masculino. Deste total, 96% são em homens que fazem sexo com homens.

O documento ressalta que de todos os tipos de transmissão relatados, o mais frequente foi de um encontro sexual.

Em pessoas com a varíola dos macacos que foram testadas para o HIV, 45% eram seropositivos.

A recomendação da agência é que homens com alto risco de contrair a doença considerem “reduzir temporariamente o número de parceiros sexuais, ou se abstenham de ter sexo em grupo ou ocasional”.

Parceiros

O pedido feito aos países que têm vacinas é que priorizem a imunização para pessoas com alto risco de contrair a doença, incluindo homens homossexuais e bissexuais com múltiplos parceiros.

De acordo com a OMS, o processo também deve dar primazia a profissionais de saúde, funcionários de laboratório e pessoas envolvidas na resposta a surtos. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Macau - Universidade da Cidade de Macau fomenta sinergias sino-lusófonas

O Instituto para a Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa (IROPC, na sigla inglesa) da Universidade da Cidade de Macau (UCM) realizou online o quarto simpósio académico internacional, dedicado à cooperação multilateral, trilateral e bilateral entre China, Angola e Portugal, e lançou o terceiro volume de um conjunto de publicações focadas nos países lusófonos e respectivas relações com a China e a RAEM. O novo volume reúne 29 académicos da China, RAEM, São Tomé e Príncipe, Nigéria, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal.

Com o apoio do Governo local, o IROPC pretende disponibilizar uma colecção de nove publicações sobre as relações entre os países de língua portuguesa, a China e RAEM, com o intuito de proporcionar recursos abrangentes em termos de documentos para investigação e apoio aos estudantes. Segundo o professor Francisco Leandro, vice-director do IROPC, o simpósio de ontem, que envolveu 36 académicos da China, Itália, Nigéria, Brasil, Angola e Portugal, será o primeiro passo para o quarto volume.

Destacando o “forte contributo e apoio” do Consulado de Angola na RAEM, bem como da Universidade Joaquim Chissano em Moçambique, o reitor da UCM, Jun Liu, classificou o simpósio como “um símbolo das sinergias na cooperação institucional internacional para benefício comum, tendo em vista a Grande Baía e todos os nove países de língua portuguesa”. E expressou o desejo de que esse investimento académico seja reforçado no futuro.

Na mesma linha, Ip Kuai Peng, vice-reitor da UCM e director do IROPC sustentou que o simpósio representa “um marco significativo” para o estudo dos países lusófonos e os seus laços com a China e a RAEM, no âmbito da Grande Baía. Nesse contexto enalteceu igualmente o apoio do Governo da RAEM e do Fundo Educativo.

Durante o evento, o vice-cônsul de Angola, Estanislau dos Santos, sublinhou a importância e o papel do Fórum de Macau, nomeadamente o alargamento da sua acção de apoio à cultura e aos meios académicos, enquanto José Magode, reitor da Universidade Joaquim Chissano, destacou a relevância da cooperação académica internacional. Por seu turno, Rodrigo Brum, ex-secretário adjunto do Fórum de Macau, defendeu, entre outros pontos, que é o momento certo para explorar em pleno as potencialidades de Angola, e chamou a atenção para a importância das relações interpessoais como “multiplicadoras” das sinergias.

O evento contou ainda com a participação de Carmen Mendes, presidente do Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, que identificou os desafios e oportunidades em torno da cooperação bilateral e trilateral. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

 

Cabo Verde - Evacuações médicas para Portugal crescem 10,5% no primeiro trimestre

O custo com as evacuações médicas para Portugal suportadas pela segurança social cabo-verdiana aumentou quase 10,5% no primeiro trimestre do ano, para 1,2 milhões de euros, de acordo com dados oficiais.

Segundo um relatório sobre os pagamentos assegurados de janeiro a março pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), o custo global com o transporte e estadia destes doentes em evacuações médicas entre as ilhas de Cabo Verde e para Portugal ascendeu a 210,8 milhões de escudos (1,9 milhões de euros), um aumento de 23% face ao mesmo período de 2021.

Entre aquele total, apenas com a estadia de doentes enviados para tratamento em Portugal, o INPS – que gere as pensões e as contribuições sociais dos trabalhadores cabo-verdianos – gastou em Janeiro, Fevereiro e Março 132 milhões de escudos (1,2 milhões de euros), quando nos mesmos meses de 2021 essa despesa foi de 119,6 milhões de escudos (cerca de um milhão de euros), traduzindo-se assim num aumento de praticamente 10,5%.

Cabo Verde pretende reduzir as necessidades de evacuações médicas para Portugal com a construção de um hospital nacional, na capital, obra orçado em 65 milhões de euros e que o Governo estima iniciar este ano.

De acordo com os últimos dados do INPS disponíveis, Cabo Verde enviou para tratamento em Portugal, em 2021, um total de 249 doentes, um aumento de 11,2% face a 2020, chegando a 31 de dezembro com 585 pacientes em tratamento nos hospitais portugueses.

Segundo o INPS, as especialidades “mais solicitadas” para as essas evacuações médicas para Portugal, ao abrigo dos acordos de cooperação bilateral, foram oncologia (26,3%), cardiologia (22,7%), neurocirurgia (15,1%) e oftalmologia (8,8%), áreas em que o arquipélago tem falta de recursos.

O custo com as evacuações médicas para Portugal suportadas pela segurança social cabo-verdiana caiu para 495 milhões de escudos (4,5 milhões de euros) em 2021, quando no ano anterior foi superior a 511 milhões de escudos (4,6 milhões de euros), segundo dados anteriormente divulgados pela Lusa.

O ministro de Saúde de Cabo Verde, Arlindo do Rosário, reconheceu anteriormente que, apesar do “momento difícil” dos hospitais portugueses durante a pandemia de covid-19, Portugal “nunca fechou as portas” aos doentes cabo-verdianos do programa de evacuações médicas. “Mesmo num momento difícil, Portugal nunca fechou as portas e mesmo assim nós continuámos com o programa de evacuações”, reconheceu o governante.

Arlindo do Rosário insistiu que é de “enaltecer o programa de cooperação entre Portugal e Cabo Verde, particularmente no setor da Saúde”, concretamente em áreas como as evacuações médicas ou pelo “apoio na assistência técnica e formativa” aos especialistas cabo-verdianos, permitindo que o país “ganhe progressivamente competências”. In “Ponto Final” - Macau