Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 23 de maio de 2024

Brasil - Além das inundações, uma enxurrada de notícias falsas (fake-news)

Tão logo se confirmou a situação de calamidade pública com as inundações se propagando por mais de duzentos municípios gaúchos, surgiu uma enxurrada virtual de “fake-news” despejada na Internet para circularem pelas redes sociais. Os boatos e mentiras com o objetivo de atingirem o governo federal chegaram a criar problemas para o atendimento, socorro e envio de mantimentos para os sinistrados.

Algumas pessoas e alguns grupos foram denunciados pela imprensa como criadores e distribuidores dessas “fake-news” mas tornara-se impossível conter seu fluxo, pois eram (e ainda são) repicadas por centenas de canais e milhares de redes sociais, contando com o apoio de focos políticos e religiosos. Eu mesmo recebi fakes de um pastor e de militantes da extrema-direita bolsonarista.

Muita gente deve ter pensado, como eu, de ir coletando essas mensagens mentirosas para publicar um repertório das mais frequentes com seus responsáveis pela vasta propagação. Um paciente e quase impossível trabalho de pesquisa individual nas redes sociais.

Ora, o Laboratório de Estudos da Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro poupou esse trabalho a todos os pesquisadores e o jornal Zero Hora, de Porto Alegre, publicou no começo desta semana, o primeiro resultado de suas pesquisas universitárias, orientadas pelas professoras Débora Salles e Marie Santini.

Os métodos de análise anunciados são o mapeamento qualitativo de influenciadores e narrativas de desinformação multiplataforma e análise manual de anúncios sensíveis e não sensíveis no Meta Ads, do Facebook e Instagram.

De acordo com a profa. Marie Santini, "as narrativas dominantes são produzidas por influenciadores com grande número de seguidores e capacidade de angariar engajamentos...Eles têm grande conhecimento de como explorar emoções negativas".

Além da desinformação foram detectados 351 golpes explorando a tragédia, manipulada para fins políticos e econômicos. Assim "influenciadores, sites e políticos de extrema-direita têm utilizado a comoção para se autopromover e espalhar desinformação com o intuito de atacar e descredibilizar o governo".

Os objetivos dessas “fakes news” são os de afirmar que o atendimento do governo federal não tem sido suficiente, de não haver ligação entre os eventos extremos e as mudanças climáticas, de incluir a tragédia nas pautas morais com teorias de conspiração, de aumentar a importância do papel da oposição na resposta à crise e de se beneficiar da catástrofe se autopromovendo, fazendo pedidos de doação e utilizando-se de fraudes.

Na introdução à pesquisa da UFRJ, são também citadas reportagens investigativas e de checagem que nos direcionam à plataforma Aos Fatos, dedicada às campanhas de desinformação. Algumas das mais vistas desinformações tratam de doações descartadas, usando vídeo com cenas falsamente colhidas em Mathias Velho, Canoas. Na verdade, as cenas foram filmadas em setembro do ano passado em Encantado, quando empilhadeiras organizavam os donativos para aumentar espaço nos armazéns.

Outra afirma que a TV SBT apagou uma reportagem mostrando caminhões com donativos sendo multados. Na verdade, foi um caso isolado e não se tratava de uma frota de caminhões. Um caminhão foi multado automaticamente por excesso de peso, porém a multa, e outros seis casos de multas ocorridos na pesagem, foram anuladas.

Outra mentira espalhada foi a de que o Ibama teria apreendido retroescavadeiras utilizadas para limpar estradas entre os municípios de Muçum e Vespasiano, no Rio Grande do Sul. O Ibama informou não fazer esse tipo de trabalho e que, diante das inundações, nem haveria condições para limpeza de estradas.

De uma maneira geral, ainda de acordo com Aos Fatos, ocorre o uso de cenas fora de contexto, gravadas em outros lugares, como China e México, e em épocas diferentes. Ou a divulgação de exigências falsas como a apresentação de documentos pelos proprietários de barcos e jet-skis utilizados pelos voluntários. Outras fakes objetivam criar pânico, como a notícia da descoberta de 300 corpos em Canoas, ou visam comprometer o governo federal com acusações de não estar prestando socorros.

Assim, o empresário Luciano Hang teria cedido mais aeronaves do que as Forças Armadas no resgate de vítimas das inundações. Um vídeo antigo é utilizado para enganar, como se Lula tivesse sido vaiado nestes dias no RGS. Há ainda a alegação do governo federal ter patrocinado o show da Madonna com dinheiro destinado aos gaúchos. Ou que tudo foi um castigo de Deus, diante de tantos cultos africanos e candomblés.

Alguns desinformadores identificados

Talvez o mais importante seja o coach e influencer Pablo Marçal com mais de oito milhões de seguidores só no Instagram. Num de seus fakes mais vistos, Pablo afirmou ser necessário notas fiscais para as doações. Seu fake diz textualmente que "a Secretaria da Fazenda do RGS está barrando os caminhões de doações por falta de nota fiscal."

Marçal, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) formam o trio mais ativo na distribuição de falsas informações, já denunciados pelo ministro da Justiça para a Polícia Federal. Outro criador e disseminador de mentiras é Nego Di, é dele a falsa informação da exigência de brevê de piloto para os voluntários que desejam ajudar com barco ou jet-ski. E de que a Polícia Federal estava bloqueando os veículos com doações, desinformação já desmentida.

A influenciadora Michelle Dias Abreu divulgou vídeo culpando religiões de matriz africana pela tragédia no Rio Grande do Sul, em outras palavras, o vídeo, que viralizou no Youtube, dá o recado de ter sido um castigo de Deus. O ministério público de Minas Gerais indiciou a mineira de 43 anos pelo crime de intolerância religiosa. Depois de ter visto o impacto de seu vídeo no Instagram, com quatro milhões de curtidas, Michele gravou depressa outro vídeo pedindo textualmente "perdão".

Para o advogado-geral da União, Jorge Messias, as notícias falsas a respeito da situação de calamidade no RGS são uma estratégia de desinformação para obter ganhos políticos e eleitorais, além de ganho financeiro, pois muitos canais são monetizados.

Paulo Pimenta, agora ministro de Estado da Secretaria Extraordinária da Presidência da República para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul definiu a desinformação sobre a tragédia no RGS como tática da extrema-direita para destruir o Estado, para o povo considerar o Estado ineficiente e que as políticas públicas não funcionam. O ministro quer propor políticas públicas e programas de recuperação dentro de uma lógica sustentável, sócio ambiental e que se discutam e aprofundem as razões pelas quais aconteceu a tragédia.

Para ler a íntegra do relatório clique aqui. Rui Martins – Suíça

Algumas “fake-news” mais vistas:



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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.


terça-feira, 18 de agosto de 2015

Brasil – Universidade Federal do Rio de Janeiro aposta na energia solar

Estacionamento solar da UFRJ gera energia que pode abastecer 70 casas

Hoje, 18 de agosto de 2015, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) dará um grande passo em busca da utilização mais eficiente de recursos naturais. O campus da Cidade Universitária passará a abrigar o maior estacionamento solar do país em geração distribuída, localizado no prédio anexo do Centro de Tecnologia. O espaço, de 651,64 metros quadrados, com capacidade para 65 carros, alocará 414 painéis solares fotovoltaicos capazes de gerar 140 mil kWh por ano. Essa energia é suficiente para abastecer até 70 residências com consumo médio de 167 kWh por mês.

A cerimônia de lançamento será, às 16 horas, no Laboratório de Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem (LNDC) da Coppe/UFRJ, que fica ao lado da instalação dos painéis. Participarão do evento o reitor da UFRJ, Roberto Leher; a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão; o Secretário de Fazenda do estado do Rio de Janeiro, Julio Bueno; o presidente da Light, Paulo Roberto Ribeiro; o diretor da Coppe, Edson Watanabe; e o diretor de Relações Institucionais da Coppe, Luiz Pinguelli Rosa, entre outras autoridades.

O projeto, cujo valor do investimento é de R$ 1,6 milhão, faz parte do programa de energia do Fundo Verde de Desenvolvimento e Energia para a Cidade Universitária da UFRJ, iniciativa que utiliza o recurso do imposto ICMS que é cobrado na conta de luz da universidade para implantar projetos sustentáveis no campus da Cidade Universitária. Conta com apoio do programa Rio Capital da Energia, do governo do estado.

Segundo a professora da Coppe Suzana Kahn Ribeiro, coordenadora executiva do Fundo Verde, países tropicais têm um grande potencial para projetos desse tipo:

– Por conta de nosso enorme potencial hidrelétrico, tínhamos uma posição confortável em termos de energia renovável. Só que esse potencial não é mais suficiente para o atendimento da demanda de energia elétrica no Brasil. Tanto hidrelétricas quanto termoelétricas exercem forte impacto no meio ambiente e enfrentam muitas limitações, como regiões com grande biodiversidade e, ainda, necessidade de amplo sistema de transmissão para grandes centros. Assim, a energia eólica e a solar são as novas fronteiras de fontes renováveis. Com as iniciativas do Fundo Verde, pretendemos demonstrar a viabilidade e eficácia do uso da energia solar.

A Coppe contribuiu com a concepção técnica do projeto, realizada por pesquisadores do Programa de Engenharia Elétrica. A energia proveniente dos painéis solares será inserida na rede da Light, concessionária de energia elétrica, gerando desconto na conta de luz da universidade. Dessa forma, além de inserir na rede da Light energia limpa e renovável, a iniciativa ainda pretende reduzir o valor dos gastos na conta de luz.

O uso da energia solar também resulta em benefício para reduzir o aquecimento global. Com os painéis, aproximadamente 70 toneladas de dióxido de carbono (CO2) deixarão de ser emitidas por ano na atmosfera.

De acordo com o diretor da Coppe/UFRJ, professor Edson Watanabe, que participou da elaboração do projeto básico, este projeto faz parte do esforço praticamente mundial para a obtenção de energias mais verde e, portanto, sustentáveis. O professor acrescenta que este tipo de geração ajuda a economizar água das usinas hidrelétrica e serão fundamentais para o país continuar a estar entre aqueles que geram energia elétrica de forma menos poluente.

Suzana destaca que o meio ambiente não conflita com o desenvolvimento de uma região e é possível progredir por meio de ações sustentáveis e inovar ao aplicar e fazer bom uso dos impostos recolhidos para medidas objetivas, com eficácia de fácil comprovação. Para Suzana, o estacionamento solar é um dos projetos desenvolvidos pelo Fundo Verde que podem contribuir para que outras cidades comecem a discutir novas práticas de sustentabilidade.

– As cidades brasileiras têm grandes espaços que poderiam ser cobertos com painéis para gerar energia. Estacionamentos são um bom exemplo, pois podem gerar energia ao mesmo tempo que fornecem sombra aos veículos estacionados. In “Planeta Coppe” - Brasil