Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

China - Portugal instado a aproveitar acesso à Grande Baía

A presidente da Fundação Jorge Álvares considera que Portugal devia “agarrar” a oportunidade que Macau oferece de acesso à Grande Baía, ávida de “novas tecnologias, ciência e universidades”. “A possibilidade de acesso a 75 milhões de habitantes, que é mais ou menos a população da Grande Baía é um potencial enorme”, sublinhou Celeste Hagatong em declarações à Lusa.

Descendente de macaenses, ex-presidente do Banco de Fomento e ex-administradora do BPI, Maria Celeste Hagatong dedica-se hoje a promover as relações culturais e científicas entre Macau e Portugal através de uma fundação criada escassos dias antes da transição de Macau para a administração chinesa.

“Macau quer fazer mais coisas do que manter-se como o quarteirão do jogo na região – e nota-se que há hoje um grande interesse pelas novas tecnologias, pelos parques de ciência, pelas universidades – e é uma coisa que devíamos agarrar, entrarmos na China com conhecimento, ciência, voltar a ser esse o nosso passo”, acrescentou a gestora.

“E isso já está a acontecer, sei que o Instituto Superior Técnico e outras universidades no âmbito das tecnologias estão a desenvolver parcerias”, sublinhou. “Nos jornais, há dias estavam à procura de portugueses que soubessem de actividade bancária moderna, noutro dia eram médicos para o novo hospital”, acrescentou.

Não obstante, reconheceu também, hoje “é mais fácil as pessoas irem para a Europa, onde conhecem os regimes, conhecem tudo melhor, e não vão para Macau”.

Macau perdeu muita gente qualificada por altura da transição, segundo Hagatong, “não por razões da transição, propriamente dita, mas porque as pessoas com escolaridade acharam que tinham outras oportunidades noutros lados do mundo”. “Saíram muitos macaenses naquela altura, o que foi pena. Os filhos já não ficaram lá, muitos tinham já feito cursos superiores em universidades fora de Macau, na Austrália ou em universidades norte-americanas ou do Canadá. Portanto, saíram para outros países e foi uma debandada muito grande”, descreveu.

Em contrapartida, “também chegaram novos portugueses a Macau”, onde “tem havido uma renovação, sobretudo na área do direito”.

Entretanto, Macau vive outro momento, quer diversificar a sua actividade económica, para o que “precisa de ir buscar mais gente”. Porém, “para ir buscar mais gente, tem que interessar a mais gente”, ou seja, “tem que haver outras dinâmicas”, disse.

Instada a lançar um olhar sobre os primeiros 25 anos da RAEM, Hagatong sublinhou que “as coisas aconteceram com paz, sossego e grande tranquilidade, que é o principal nas relações com a China”. “O padre [historiador António da] Silva Rego escreveu uma frase que acho importante: ‘As relações entre Portugal e a China são como o cipreste, que vacila mas nunca parte’. Portanto, uns dias estão melhores, em outros pior, mas aquilo mantém-se e é isso que temos que preservar”, afirmou.

As restrições à liberdade de expressão na sequência dos tumultos em Hong Kong mereceram da gestora uma crítica moderada. “É evidente que convinha que não houvesse essas tentativas [de limitação da liberdade de expressão] para se manter a paz, que tem sido exemplar naquela zona, mas também as pessoas têm de saber viver à chinesa – que é outra coisa a desenvolver: fórmulas mais orientais. E muitos sabem muito bem dizer as coisas e fazê-las. É um mundo completamente diferente do nosso”, afirmou.

“Para quem chega lá, de um momento para o outro, é um contexto muito diferente. Mas sempre foi, é preciso também dizê-lo. O ambiente é um bocadinho diferente do ocidental, sobretudo do nosso, em que os jornalistas têm tanta liberdade. Aliás, Portugal é classificado como um dos países onde realmente há mais liberdade no jornalismo”, acrescentou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa” 


sexta-feira, 8 de abril de 2022

Portugal - Fundação Jorge Álvares escolhe Maria Celeste Hagatong como nova presidente

A nova presidente da Fundação Jorge Álvares (FJA), Maria Celeste Hagatong, foi empossada na terça-feira, substituindo no cargo o general José Garcia Leandro, antigo governador de Macau (1974-1979), foi ontem anunciado. O conselho de curadores da FJA “elegeu em Novembro de 2021” Maria Celeste Hagatong para “desempenhar as funções de presidente no período 2022/27”, de acordo com um comunicado da fundação. Com “longa experiência profissional no Ministério das Finanças, banca e actualmente presidente da COSEC [Companhia de Seguro de Créditos], Celeste Hagatong foi já presidente do conselho fiscal e membro do conselho de administração da FJA, de acordo com a mesma nota. José Garcia Leandro vai manter-se como curador da FJA, da qual foi, durante seis anos, administrador e, desde 2016, presidente. A FJA é uma estrutura criada em Dezembro de 1999, no quadro da transferência da administração portuguesa de Macau para a China, e tem como objectivo promover o diálogo intercultural entre Lisboa e a RAEM.

Maria Celeste Hagatong licenciou-se em Finanças pelo Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa. A nova responsável da FJA começou a sua carreira profissional no Ministério das Finanças, tendo posteriormente iniciado funções no BPI, onde esteve 33 anos. No BPI, desenvolveu actividade no Banco de Investimento e, desde 2002, como membro do Conselho Executivo do Banco, sendo responsável pelo Corporate Banking e Project Finance. Durante os últimos dez anos foi membro não executivo do Conselho de Administração da COSEC, em representação do BPI. No BPI foi responsável pelo lançamento e dinamização da venda do seguro de créditos da COSEC, na rede da Banca de Empresas, projeto muito relevante para a afirmação da COSEC no mercado português. Além disso, Hagatong tornou-se curadora da Fundação Casa de Macau. Em 2017 começou a liderar a Fundação Portugal-África. Um ano antes tinha entrado no Conselho Diretivo do Centro Cultural de Belém como membro. Entre 2014 e 2017, foi também presidente da Associação de Empresas Emitentes Valores Cotadas em Mercado. Entre 2000 e 2003 fez parte da direcção nacional da Cruz Vermelha Portuguesa. Entre 1976 foi representante de Portugal no Comité de Finanças Locais do Conselho da Europa e entre 74 e 76 foi assistente no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa da Universidade Nova de Lisboa. In “Ponto Final” - Macau