Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Portugal - Prémio Pfizer 2024 distingue investigação do i3S sobre cancro do estômago

Trabalho premiado na categoria de investigação clínica tem como objetivo abrir caminho ao desenvolvimento de terapias que travem a formação de metástases


A investigadora Ana Magalhães, do grupo do i3S «Glycobiology in Cancer» do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), é a vencedora do Prémio Pfizer 2024, na categoria de investigação clínica. O galardão, no valor de 30 mil euros, premeia o trabalho que levou à identificação de um novo alvo que permitirá desenvolver novas terapias para travar a formação de metástases e melhorar o prognóstico de doentes com cancro do estômago.

O projeto liderado pela também Professora Associada do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) “centra-se no estudo de alterações à superfície das células que sejam exclusivas das células tumorais, particularmente, no estudo das proteínas e lípidos do chamado glicocálice das células, que quando alterados podem desempenhar um papel determinante na progressão dos tumores”.

A equipa coordenada por Ana Magalhães descobriu que “o proteoglicano Syndecan-4 (SDC4) está muito presente em tumores do estômago do subtipo intestinal e que o aumento da sua expressão está associado a uma maior invasão das células tumorais e a um pior prognóstico dos doentes”.

O estudo, adianta a investigadora, “demonstra ainda que o SDC4 é transportado por vesículas extracelulares, produzidas pelas células tumorais, e consegue direcioná-las para o fígado e para o pulmão, precisamente os órgãos onde é comum aparecerem metástases de cancro do estômago”.

Com estas descobertas, “a nossa equipa contribuiu para a compreensão de um novo mecanismo de comunicação das células tumorais, identificando um potencial alvo para o desenvolvimento de novas terapias que possam travar a formação de metástases e melhorar o prognóstico de doentes com cancro do estômago”, sublinha Ana Magalhães.

Este trabalho assume particular importância num contexto em que o cancro do estômago persiste como um desafio de saúde global, com mais de um milhão de novos casos diagnosticados anualmente e com o aparecimento de sintomas numa fase muito avançada da doença.

O trabalho publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (doi/10.1073/pnas.2214853120) uniu esforços de uma equipa multidisciplinar constituída por investigadores e clínicos de cinco instituições nacionais e uma internacional: Juliana Poças (i3S e ICBAS), primeira autora deste trabalho, Catarina Marques (i3S e ICBAS), Catarina Gomes (i3S), Andreia Hanada Otake (Fundação Champalimaud), Filipe Pinto (i3S), Mariana Ferreira (i3S), Tiago Silva (i3S), Isabel Faria-Ramos (i3S), Rita Matos (i3S), Ana Raquel Ribeiro (i3S), Emanuel Senra (i3S), Bruno Cavadas (i3S), Sílvia Batista (Fundação Champalimaud), Joana Maia (Fundação Champalimaud), Joana A. Macedo (i3S) Luís Lima (IPO-Porto), Luís Pedro Afonso (IPO-Porto), José Alexandre Ferreira (IPO-Porto), Lúcio Lara Santos (IPO-Porto), António Polónia (i3S, Ipatimup), Hugo Osório (i3S), Mattias Belting (Lund University), Celso A. Reis (i3S e ICBAS) Bruno Costa-Silva (Fundação Champalimaud) e Ana Magalhães (i3S e ICBAS).

“Uma grande honra e motivo de alegria”

Atribuídos pela farmacêutica Pfizer e pela Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa desde 1956, os Prémios Pfizer – o mais antigo galardão na área da investigação biomédica em Portugal – têm como objetivo apoiar e promover a investigação científica, destacando a excelência dos investigadores portugueses.

Para Ana Magalhães, esta distinção representa, por isso, “uma grande honra e motivo de alegria para toda a equipa envolvida neste trabalho, e será certamente uma motivação para continuarmos a desenvolver esta linha de investigação e aproximarmos o conhecimento científico de uma possível aplicação na prática clínica”.

Nesta 68.ª edição dos Prémios Pfizer, foram também distinguidos os investigadores Caren Norden, da Fundação GIMM, e Filipe Pereira, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC), na categoria de investigação básica.

Paulo Teixeira, Diretor Geral da Pfizer Portugal, salienta a pertinência dos trabalhos premiados: “Os projetos representam um contributo valioso para a melhoria da qualidade de vida das populações, reiterando a necessidade de que a saúde e a ciência permaneçam indissociáveis na procura por novas soluções terapêuticas”. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 17 de julho de 2023

Portugal - Investigadora do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde recebe bolsa da Pfizer para travar "doença dos pezinhos"

Financiamento de 137 mil euros destina-se a descodificar o que acontece nos neurónios nos estadios iniciais da doença e travar a neurodegeneração

A investigadora Marina Silva, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), recebeu recentemente um financiamento de 137 mil euros no âmbito do programa de bolsas médicas da multinacional farmacêutica Pfizer para, durante dois anos, criar um modelo humano de neurónios sensitivos, precisamente os neurónios que são afetados pela Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF), também conhecida como paramiloidose ou “doença dos pezinhos”. O objetivo é descodificar o que acontece nos neurónios antes da doença estar instalada e agir preventivamente, travando a neurodegeneração.

A Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF), hoje cientificamente conhecida como Polineuropatia Amiloide de Transtirretina (ATTR-PN), é uma doença genética rara causada por mutações na proteína Transtirretina (TTR), o que faz com que esta proteína se deposite nos neurónios sensitivos, causando assim neurodegeneração. Afeta aproximadamente 10 mil pessoas em todo o mundo, sendo que a doença tem um impacto relevante em Portugal, onde estão identificados cerca de dois mil doentes, o que equivale a 20% das pessoas diagnosticadas em todo o planeta.

As opções terapêuticas para a PAF incluem o transplante de fígado (órgão onde a proteína TTR é sintetizada) e estratégias para estabilizar ou silenciar a TTR, com o objetivo de diminuir a progressão da doença. Contudo, estas opções não revertem a neurodegeneração causada pela deposição da TTR nos nervos periféricos, ou seja, não curam as lesões já existentes.

O objetivo de Marina Silva, que integra a equipa liderada por Márcia Almeida Liz, do grupo do i3S «Nerve Regeneration», é “descobrir os mecanismos que acontecem inicialmente na doença e caracterizar melhor a neurodegeneração progressiva para encontrar novas terapias que possam ser aplicadas antes que a doença se instale“.

“Criar neurónios sensitivos humanos”

Já se fizeram estudos em alguns tecidos como fígado, tecido adiposo e glândulas salivares de pacientes, mas Marina Silva pretende estudar os neurónios sensitivos, o tipo de célula afetada por este problema clínico. Para isso, a partir de células de doentes com PAF, a equipa “vai gerar células pluripotentes (iPSCs), ou seja, células que podem ser diferenciadas em vários tipos de células, e ‘criar’ neurónios sensitivos humanos para estudar a doença nos estadios iniciais e monitorizar as alterações que a TTR vai causando”, explica.

Este estudo, sublinha Marina Silva, “vai aumentar significativamente o conhecimento sobre a PAF, além de ser um impulso para o futuro desenvolvimento de novas terapias para a doença”.

Os resultados obtidos serão depois validados com recurso a amostras de biópsias de doentes, no âmbito de uma colaboração com o médico Ricardo Taipa, da Unidade de Neuropatologia do Centro Hospitalar Universitário do Porto. O projeto conta ainda com a participação dos investigadores Pascal Röderer e Oliver Brüstle, Alemanha. Universidade do Porto - Portugal