Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 29 de julho de 2025

Portugal - Investigadora adverte que “euforia” à volta do batuco não é um ganho prático

Lisboa – A investigadora e dinamizadora cultural Crisálida Correia alertou em Lisboa (Portugal) que a crescente “euforia” à volta do batuco não é um ganho prático, estrutural e de conteúdo na valorização deste género musical cabo-verdiano.

A investigadora, que falava à Inforpress à margem de uma mesa-redonda denominada “Batuku – da proibição ao valioso contributo para o nascimento da Nação Cabo-verdiana”, lembrou que o batuco é um dos elementos culturais e de identidade mais ancestral na vida dos cabo-verdianos.

Para Crisálida Correia, que é autora do livro “Baskudja Identidade” (Vasculhar Identidade, em português), sobre a ancestralidade e identidade cabo-verdiana, apesar de o batuco ter ganhado alguma visibilidade nos últimos anos fora e dentro de Cabo Verde, a nível de identidade ainda não ganhou nada.

“Hoje existe uma crescente euforia à volta do batuco, mas a nível prático ainda não ganhou nada”, insistiu a activista cultural.

Segundo ela, batuco, que é um dos elementos culturais que mais lutou pela dignidade do povo cabo-verdiano, tem que fazer o seu percurso sozinho.

“Batuco fez um percurso desde a proibição, mas, hoje está a ser conhecido. Conhecimento do público não é ganho. Ganho é quando o batuco tomar o seu lugar na história enquanto arte mais ancestral de Cabo Verde e quando houver lei que o protege de verdade e lhe dá o protagonismo real”, defendeu.

Questionada se a elevação do batuco a Património Nacional Imaterial se não é um ganho, disse que não, insistindo que a nível prático, estrutural e de conteúdo ainda não ganhou nada.

Na ocasião, lamentou o facto de o batuco actualmente não ser uma música de intervenção como outrora, alertando que o reduzir apenas ao divertimento e dança vai pôr fim a este género musical mais ancestral de Cabo Verde.

A mesa-redonda, contou com a participação do dinamizador cultural e líder da Comunidade Mochinhos do Interior Moisés Varela, que partilhou a experiência desse grupo de batuco de Santa Cruz.

O evento, organizado pelo Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV), em Lisboa (Portugal), enquadra-se no âmbito das comemorações dos 50 anos da independência de Cabo Verde, assinalados a 05 de Julho, e para assinalar o Dia Nacional do Batuco e do Dia da Mulher Africana, celebrados anualmente a 31 de Julho.

Paralelamente ao evento, que contou com participação especial das batucadeiras Finka Pé e do projecto Falas Afrikanas, foi exibido o filme "Marina", de Ricardo Leote, com produção da Editora Noz Raiz.

O Dia Nacional do Batuco foi instituído em 2021, com o objectivo reconhecer a sua importância como Património Nacional além de louvar os intérpretes e aqueles que ajudaram na criação do universo cultural diversificado que expressa, no batuco, a alma cabo-verdiana e reconhecer os direitos humanos, os direitos dos cidadãos, das populações e das mulheres.

O batuco é um género musical cabo-verdiano, tradicionalmente executado por mulheres, que se baseia na percussão e no canto e dança. É um património cultural de Cabo Verde, principalmente na ilha de Santiago. In “Inforpress” – Cabo Verde


sábado, 28 de outubro de 2023

Cabo Verde - Crisálida Correia apresenta “Baskudja Identidadi” pelas cidades europeias

Lisboa – A autora do livro “Baskudja Identidadi” (Vasculhar Identidade, em português), Crisálida Correia, considerou em Lisboa, que as apresentações que tem feito em diferentes países da Europa têm sido uma jornada cívica e cultural de “muito afecto”.

A afirmação foi feita à Inforpress, à margem da apresentação da obra em Lisboa, que decorreu no Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV), no âmbito das celebrações do Dia da Cultura e das Comunidades, assinalado no dia 18 de Outubro sob o lema “Somos Cultura”.

Para além Lisboa, no dia 11 de Outubro, Crisálida Correia apresentou o livro na cidade de Lausanne, Suíça, no dia 15 de Outubro foi em Rotterdam (Países Baixos), no dia 21 no Luxemburgo, e termina a sua digressão pela Europa, no dia 29 de Outubro, com a apresentação em Paris (França).

“Tem havido um grande interesse, tem sido uma jornada cívica e cultural de muito afecto, de muita amizade e daquilo que o livro fala que é a idiossincrasia cabo-verdiana, que estou a confirmar esse ‘djunta mó’ (juntar as mãos), ou seja, as pessoas como que tinham saudades de saberem quem são elas e de onde vêm”, disse.

Segundo a autora, hoje sente que tem outras responsabilidades, já tendo outras coisas que quer transmitir e que já tem escritas e que provavelmente serão disponibilizadas através de outros livros.

“O que pus no livro são coisas que não estão muito trabalhadas na estética, decidindo não construir a narrativa, a estética e a métrica para não perder aquela alma. Então fui mais para o cunho espiritual do homem, o sentimento da pessoa e o cabo-verdiano como ele é”, afirmou, explicando que por não fazer uma escrita pré-determinada, a Maria Augusta Teixeira (Mana Guta) escreveu cinco prefácios para fazer o enquadramento do livro.

A apresentação do livro foi feita pela antiga ministra da Educação Fernanda Marques.

Desde Janeiro, o livro “Baskudja Identidadi” também já foi apresentado em oito municípios de Cabo Verde.

Natural de Santa Catarina, interior da ilha de Santiago, Crisália Correia é activista e assistente social. In “Inforpress” – Cabo Verde