Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Cães. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cães. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Timor-Leste – Regista surto de raiva

A Organização Mundial da Saúde avalia o risco representado pela morte de uma jovem como alto a nível nacional e baixo a nível regional e global. A vítima foi mordida por um cão. A resposta de saúde pública inclui a vacinação de cães, vigilância ativa e profilaxia pós-exposição


O governo de Timor-Leste registou 29 casos suspeitos de raiva em humanos, com exposição a cães, até ao mês passado. Em 22 de março, o país comunicou à Organização Mundial da Saúde, OMS, o primeiro caso humano fatal confirmado.

Trata-se de uma jovem de 19 anos, natural da sub-região de Pasabe, Oecusse. Ela deu entrada num posto de saúde local com sintomas como febre alta, vómitos, dor de garganta, tosse, dificuldade para engolir alimentos, hidrofobia, fotofobia, dor nas costas e rigidez na nuca.

Ações de resposta

Foi relatado que ela foi mordida nas mãos por um cão em 26 de dezembro de 2023. A jovem morreu dois dias depois de procurar ajuda médica.

A OMS avalia o risco representado por esse evento como alto a nível nacional e baixo a nível regional e global.

Atualmente, Timor-Leste é classificado como país livre de raiva. A resposta de saúde pública aos casos recentes está em curso e inclui a vacinação de cães, comunicação de risco, formação de profissionais de saúde sobre gestão de casos, vigilância ativa e garantia da disponibilidade de vacinas antirrábicas e imunoglobulina antirrábica humana.

Doença quase 100% fatal

Todos os 29 casos suspeitos receberam as vacinas contra o Toxoide Tetânico e profilaxia pós-exposição à raiva. No entanto, o soro de Imunoglobulina Antirrábica não pôde ser fornecido porque estava esgotado.

Oecusse é um enclave de Timor-Leste localizado na província indonésia de East Nusa Tenggara, onde entre 1 de janeiro e 15 de março foram registadas seis mortes por raiva humana. Em 2023, um total de 30 mortes foram relatadas nesta província.

A raiva é uma doença viral zoonótica e evitável por vacina que afeta o sistema nervoso central. Uma vez que os sintomas clínicos aparecem, a raiva é quase 100% fatal. Em até 99% dos casos, os cães domésticos são responsáveis pela transmissão do vírus da raiva para humanos.

Epidemiologia da raiva

No entanto, a raiva pode afetar animais domésticos e selvagens. Ela se espalha para pessoas e animais através da saliva, geralmente através de mordidas, arranhões ou contato direto com mucosas, por exemplo, olhos, boca ou feridas abertas.

Crianças entre cinco e os 14 anos são vítimas frequentes. A transmissão direta entre humanos nunca foi documentada, no entanto, ocorreu de doadores de órgãos ou tecidos infectados para receptores de transplante.

O período de incubação da raiva é tipicamente de dois a três meses, mas pode variar de uma semana a um ano, dependendo de fatores como o local de entrada do vírus e a carga viral. ONU News – Nações Unidas  


sábado, 5 de fevereiro de 2022

Portugal - Donos infetados com Covid-19 podem contagiar cães e gatos

Estudo assinado por investigadores da FCUP e do CIIMAR concluiu que os gatos são mais propensos a ter sintomas e os cães têm maior carga viral


Um estudo português, que contou com a participação de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR-UP), revela que os animais domésticos podem contrair o vírus Sars-Cov-2, causador da Covid-19.

De acordo com o estudo, que acaba de ser publicado na revista científica  Microorganisms, são os gatos os mais propensos a ter sintomas, ao passo que os cães têm maior carga viral. Para chegar a esta conclusão, foram analisados 217 animais de estimação (148 cães e 67 gatos) de cinco distritos portugueses: Lisboa, Porto, Braga, Aveiro e Coimbra.

“Verificámos que 15 em 69 gatos e 7 em 148 cães continham anticorpos contra o Sars-Cov-2, ou seja, já tinham tido contacto com o vírus”, revela  Ricardo Barroso, primeiro autor do artigo, realizado no âmbito da sua dissertação de mestrado em Aplicações em Biotecnologia e Biologia Sintética pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), sob orientação de Agostinho Antunes, docente da FCUP e investigador do CIIMAR-UP e de Isabel Fidalgo Carvalho, CEO da Equigerminal S.A e docente na Escola Universitária Vasco da Gama.

Iniciado na FCUP, o trabalho envolveu a recolha, entre dezembro de 2020 e maio de 2021, de amostras de sangue de cães e gatos para pesquisa de anticorpos. Em paralelo, Ricardo Barroso realizou inquéritos epidemiológicos aos donos desses animais e também a clínicas veterinárias, com o objetivo de fazer uma sinalização completa de história clínica de cada animal, bem como da respetiva exposição ao novo coronavírus (em ambiente familiar ou ao ar livre).


Cães com maior carga viral e gatos mais suscetíveis

No âmbito do estudo, foram efetuados testes por PCR quantitativo em tempo real em cinco animais (quatro cães e um gato). Destes, apenas um cão assintomático testou positivo para RNA do SARS-CoV-2 sete dias após o resultado positivo do dono ser conhecido. Este cão, descreve Ricardo Barroso, tinha uma “alta carga viral”. Apesar de poder não ser muito expressivo nestes animais, os cães parecem replicar o vírus com maior carga viral.

“Quanto aos gatos, recolhemos dados junto dos donos e de clínicas veterinárias se os animais de estimação tinham tido sintomas e havia gatos com sintomatologias muito diversificadas, como problemas respiratórios, neurológicos e digestivos”, explica.

Dos 15 felinos com anticorpos detetados, nove (60%) apresentaram mais do que um sintoma: quatro (44,44%) tinham sintomas respiratórios, dois (22,22%) tinham sintomas neurológicos, três (33,33%) tinham sintomas digestivos, dois (22,22%) apresentavam uma redução de apetite e um (11,11%) teve febre.

Animais não infetam os humanos

Mas se os humanos podem infetar os animais de animação, será o contrário possível? Ricardo Barroso afasta essa possibilidade, ou não fosse o Sars-Cov-2 uma “zoonose reversa”. Ou seja, passou de um primeiro evento de um animal, que ainda não está identificado, e transmitido para humanos, para o oposto: “Uma doença que passa dos humanos para os animais ao contrário da zoonose”.

A mesma mensagem é reforçada por Isabel Fidalgo Carvalho: “Até à data, sabemos que só está provado que nós infetamos os animais e não ao contrário”, frisa  a investigadora. E deixa o apelo a que os donos não se sintam assustados e, com isso, abandonem os animais. “Nós devemos proteger os animais”, apela a coordenadora do estudo.

Os autores da investigação, entre os quais se inclui também Alexandre Vieira-Pires da Ecogerminal e da Universidade de Coimbra, concordam que são necessários mais estudos para saber como atua o vírus e as suas futuras variantes nestes animais.

Os resultados deste estudo referem-se à variante Alpha (a segunda mais severa) nos animais de estimação. Universidade do Porto - Portugal