Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 30 de julho de 2020

Guiné-Bissau - Director de Parque de Cantanhez confirma a presença de dois elefantes a viverem no país


Bissau - O Director do Parque de Cantanhez confirmou que dois elefantes voltaram a residir na Guiné-Bissau desde 2014 e que os mesmos habitam na região de Quinará, concretamente na tabanca de “Sintchan Pati” no sector de Buba, sul do país.

Queba Quecutá em entrevista exclusiva à Agência de Notícias da Guiné, garantiu que o Instituto de Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP) vai fazer de tudo para conservar a zona na qual circulam e habitam os elefantes para que os mesmos possam ter uma vivência segura no país.

“Os elefantes têm as suas zonas que costumam percorrer, eles não gostam de perturbação. Por isso, acabam sempre por refugiar quando se sentem perseguidos ou incomodados, mas vamos evitar com que isso aconteça desta vez”, prometeu aquele responsável.

Quecutá referiu que em 2014 foram registados 06 elefantes, mas que até agora as suas pegadas são vistas, o que indica que eles possam ainda estar a viver no país ou que estiveram de passagem.

 “Já temos a certeza de que dois elefantes residem na zona de Buba, porque normalmente eles costumavam passar na Guiné-Bissau uma vez por ano, mas desde 2014 os dois ficaram a habitar na zona que referimos e isso mostra que são capazes de regressar em número maior caso haja condições favoráveis para tal”, referiu.

Queba Quecutá explicou que os elefantes têm os seus caminhos fixos e que actualmente passam com mais frequência na zona de povoação de Colubuia devido ao processo de transformação que acaba por condicionar surgimento de novas tabancas e consequente desaparecimento de certas vias de passagem dos mesmos.

Explicou que o Parque de Cantanhez tem dois corredores transfronteiriços, que são da tabanca de Balana e Guiledje, no sector de Bedanda, região de Tombali e que ainda existe sete corredores internos.

“Os elefantes costumavam visitar a zona de Colubuia uma vez por ano e passavam até Cufada, mas actualmente passam nestas vias com mais frequência devido ao desaparecimento de outros caminhos que utilizavam”, disse aquele responsável.

O Director de Parque de Cantanhez informou que os elefantes são uma espécie que existia na Guiné-Bissau no período antes da Luta de Libertação nacional e que acabaram por emigrar para outros países devido a perturbação que sofreram no país com a fase da guerra.

Por outro lado, o Director de Parque de Cantanhez afirmou que, os animais tornaram-se mais agressivos actualmente devido a acção do homem e sobretudo na exploração de produtos silvestres, de que se alimentam.

Sublinhou que a desmatação é um dos factores que está a contribuir também para as constantes irritações dos animais, porque os mesmos acabam por ficar sem abrigo de qualidade e sem alimentos suficientes. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Sines

                          O Brasil e o Porto de Sines
                                                                                                        
                Os elevados custos de vigilância contra a pirataria internacional que ocorre na zona do Estreito de Malaca, Península Arábica, Chifre da África e Golfo da Guiné levaram os países ocidentais a apoiar o alargamento do Canal do Panamá, para a passagem de navios de grande porte, já que, dessa maneira, o tráfego no Oceano Pacífico será em mar aberto, reduzindo as possibilidades de ataques.

            Com esse alargamento do Canal do Panamá, o Porto de Sines, em Portugal, passará a ser a porta de entrada da maioria das mercadorias com destino ou partida da Europa, fazendo-se o transhipment no Terminal XXI, especializado na movimentação de contêineres, cuja gestão foi entregue em 2004 à PSA de Singapura.
            Levando-se em conta essa perspectiva, não há dúvida que, para o Brasil, o porto de Sines ganha grande importância porque está claro que o comércio internacional dependerá – e muito – de meganavios, que possam ancorar em portos de águas profundas, com calado superior a 14 metros, facilidade de atracação e ausência de assoreamento. Como Sines, o Brasil dispõe do porto de Vitória-ES, instalado em zona de águas profundas, que poderia constituir uma das bases dessa “ponte” que estimularia o transporte intercontinental entre a América do Sul e a Europa.
            De Sines, o que se pode dizer é que tem recebido os maiores navios porta-contêineres da atualidade, entrando em concorrência direta com os portos holandeses e belga. É claro que existem carências, como a ausência de uma linha férrea que o ligue diretamente à Europa, de bitola europeia, pois a que existe ainda faz muitos itinerários intermediários por Portugal até chegar à fronteira.
            Falta também uma via rápida em direção a Sevilha, passando pelo Aeroporto Internacional de Beja, que fica a 100 quilômetros de Sines. Antiga base militar construída por alemães, esse aeroporto recebeu um investimento de 35 milhões de euros do governo português e foi reinaugurado em 2011. Como aeroporto civil, com a melhor pista de Portugal continental, superior à do aeroporto da Portela de Sacavém, em Lisboa, reúne condições excepcionais para o transporte de produtos perecíveis. É de ressaltar ainda que uma mercadoria em trânsito da América para Madri, se passar pelo Porto de Sines, que trabalha 24 horas por dia e sete dias por semana, ganha 48 horas, em vez de ir por Valência, na Espanha.
            Sob uma visão lusófona, é de lembrar ainda que é muito importante que se construam portos de águas profundas nos países de língua portuguesa. Além do projeto que o Brasil pode desenvolver em Vitória, Moçambique tem um extraordinário porto de águas profundas em Nacala, enquanto São Tomé e Príncipe estuda a possibilidade da construção de porto em Fernão Dias, perto da capital, com recursos franceses. Sem contar que a Guiné-Bissau, antes da atual fase de instabilidade constitucional por que passa, estudava um projeto de um porto de águas profundas em Buba, com capital angolano. Por tudo isso, o governo brasileiro deveria colocar entre suas prioridades a construção de portos de águas profundas. Milton Lourenço - Brasil
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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC).