Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 9 de setembro de 2025

Macau - Pavilhão de Vila Franca de Xira na Bienal Internacional de Arte é inaugurado na sexta-feira

O Consulado Geral de Portugal em Macau vai apresentar novamente, em colaboração com o Instituto Português do Oriente (IPOR), um “Pavilhão de Cidade” na Bienal Internacional de Arte de Macau 2025. Desta vez, a cidade escolhida foi Vila Franca de Xira, que apresentará um conjunto de obras da colecção do Museu do Neo-Realismo, “uma instituição que, desde 2007, assume uma importância crescente na arte contemporânea portuguesa”, descreve o Consulado na nota de imprensa enviada ontem às redacções.


O Pavilhão da Cidade de Vila Franca de Xira será inaugurado na sexta-feira, às 18h30, na Galeria Tap Seac, com a presença do Embaixador de Portugal junto da República Popular da China e do presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. A exposição estará aberta ao público até ao dia 16 de Novembro.

Segundo o Consulado, esta exposição “estabelece um diálogo profundo sobre as urgentes questões sociais e políticas da actualidade, constituindo-se como uma pertinente reinvenção crítica do real, em sintonia com o tema da Bienal de Macau: ‘Olá, o que te traz aqui?'”. A curadoria, a cargo de David Santos e de José Maçãs de Carvalho, inspira-se num movimento artístico pós-minimalista surgido nas décadas de 1960-70, que radicalmente questionou o lugar da arte na sociedade, rejeitando a concepção formalista e autónoma da arte modernista e propondo, em alternativa, a compreensão da arte como instrumento de intervenção política.

“Inspirada no ‘pós-minimalismo progressista’ teorizado por Hal Foster, a exposição explora a capacidade que a arte tem de compreender e transformar a sociedade, e resulta num potente regresso ‘do’ e ‘ao’ real – uma reinvenção conceptual que exige do espectador uma consciencialização activa da sua própria responsabilidade na construção do significado artístico”, lê-se no comunicado.

A exposição convida, assim, a uma “reflexão crítica sobre os regimes discursivos, num mundo saturado de imagens, propondo uma nova atitude conceptual para compreender as complexas relações entre o processo criativo, a imagem e a linguagem”. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 3 de julho de 2025

Macau - Bienal Internacional de Arte terá “Pavilhão” e obras de Portugal

A edição deste ano da Bienal Internacional de Arte de Macau terá um “Pavilhão da cidade de Portugal” e 80 obras de 13 países e regiões, que incluem Portugal. Dividida em seis secções, a Bienal contará com cerca de 30 exposições de 46 artistas locais e internacionais


A Bienal Internacional de Arte de Macau vai apresentar o “Pavilhão da cidade de Portugal”, com curadoria do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, anunciou o Instituto Cultural (IC). O espaço apresentará ao público “o espírito humanista de uma pequena cidade que combina uma longa história e uma vitalidade inovadora”.

Este Pavilhão centrar-se-á na “tensão entre tradição e inovação, e no encanto humanístico demonstrado no diálogo de múltiplas culturas, reflectindo o valor da plataforma de Macau como o ‘Centro de Intercâmbio Cultural entre a China e Portugal’”, referiu o IC.

A Bienal teve um orçamento de cerca de 4,5 milhões de patacas, segundo Leong Wai Man, presidente do IC, e decorrerá entre 19 de Julho e 19 de Outubro.

A mostra contará com 46 artistas contemporâneos de 13 países e regiões, incluindo Portugal, apresentando 80 obras e cerca de 30 exposições, que demonstram “o papel único de Macau como uma ponte para intercâmbios culturais”. Em conferência de imprensa, Feng Boyi, curador principal, esclareceu que não haverá uma “exposição de grande envergadura”, contudo “serão expostas mais obras”.

Dividida em seis secções, a Bienal terá uma “Exposição Principal”, no Museu Arte de Macau, uma “Exposição de Arte Pública”, a “Exposição Especial”, o “Projecto de Curadoria Local”, a “Exposição Colateral” e o “Pavilhão da Cidade”. Feng explicou que o tema da “Exposição Principal” – “Olá, o que faz aqui?”, uma expressão cantonense “muito popular” -, demonstra “amizade, simpatia” e interesse “em conhecer o outro”. A escolha resultou do “conservadorismo e populismo” para o qual o mundo “está a virar”, afirmou Feng.

Na “Exposição de Arte Pública”, a mostra “Ondas e Caminhos” vai apresentar cinco conjuntos de obras de oito artistas, em diferentes bairros, para que as comunidades possam “reduzir a distância com a arte”. A arte será incorporada “no tecido urbano e na vida quotidiana, convidando os espectadores a re-imaginar as possibilidades dos espaços públicos”.

A RAEM convidou artistas do Interior da China, do Japão e da Coreia do Sul para criar “A Torre do Tempo”, um símbolo de “amizade das cidades culturais da Ásia Oriental”, na Praça do Centro Cultural de Macau (CCM). No projecto “Mercadores e Guerreiros” serão exibidos “alimentos palpáveis e comestíveis” para construir “elos de ligação sensoriais e emocionais” entre a terra e o público urbano.

Além disso, Jason Ho vai “reparar as fracturas no seio da comunidade” com exibições de filmes e encontros numa “sala de estar do bairro”, na Areia Preta. No Teatro de D. Pedro V, a artista Ann Hamilton transformará o espaço “numa embarcação mercante cultural”, que convidará os visitantes a “reflectir sobre as correlações subjacentes entre a produção cultural, a identidade e a reprodução artística”.

A Praça do CCM vai ainda acolher a obra interactiva “Não Terminal”, da artista chinesa Yin Xiuzhen. O trabalho de Yin convidará o público a reflectir “sobre o sentido da vida num mundo turbulento, sublinhando a singularidade e a diversidade dos indivíduos e das colectividades em movimento”.

Na mesma secção do “Pavilhão da cidade de Portugal”, encontrar-se-á o Pavilhão de Jinan, instalado na Galeria de Arte do Tap Seac. “O Rio Amarelo, as nascentes, as montanhas e as cidades antigas” serão os quatro temas principais em torno dos quais mais de 10 artistas locais vão explorar “o património cultural de Qi-Lu com 2.700 anos de história”.

No hotel Capella, do Galaxy, serão exibidas “peças intemporais” do cenógrafo e pintor francês Bruno Moinard. À entrada da “Cotai Strip”, o público encontrará a série “Clair de Lune”, inspirada nas “‘Moontowers’ originais da casa de infância dos Haas Brothers” e organizada pela Melco Resorts & Entertainment. O modelo de inteligência artificial “cAI”, criado por Cai Guo-Qiang, vai também regressar ao MGM Macau, no espaço “Fantasy Box” para a experiência “Uma IA, Um Espectáculo”.

Por sua vez, a Sands China organizará a exposição “Dopamina: Fonte da Felicidade”, no Venetian. Segundo o IC, artistas contemporâneos “prestigiados” vão reinterpretar “a beleza eterna da mitologia romana”, fundindo-a com elementos da Rua Sésamo.

Mario Arroyo vai também curar uma colecção de 143 peças do “Museo Casa Natal Picasso”, organizada pela SJM. As obras do artista andaluz estarão em exibição no Grand Lisboa Palace. Por fim, o Wynn Palace apresentará projecções dos fornos imperiais da Dinastia Qing, bem como obras de cerâmica contemporâneas que reinventam técnicas tradicionais, da “Odisseia da Porcelana de Jingdezhen”.

Mais projectos locais

Leong Wai Man afirmou que a elevada proporção de obras de arte estrangeiras pretende “aumentar o contacto com a rede global de arte”. Por outro lado, a Bienal servirá igualmente para promover os artistas locais, com uma participação de curadores locais “muito maior que no ano passado”, reiterou a presidente. O “Projecto de Curadoria Local” e a “Exposição Colateral” permitirão “mostrar ao mundo a criatividade vibrante dos artistas de Macau”.

Este ano estarão em exibição seis projectos de curadoria local, mais dois do que na última edição. “A proporção de artistas locais é de 27% (…) o que é comparativamente mais alto do que nos anos anteriores”, reiterou Leong. Esta edição servirá também para seleccionar uma proposta para a Bienal de Veneza, do próximo ano, segundo a presidente do IC.

Os seis trabalhos de curadoria local são “Atrás do Jardim Oriental”, de Cheong Weng Lam; “Sob a Península do Wetware”, de Daisy Di Wang e Wong Mei Teng; “Duração Genética”, de Ung Vai Meng; “Torre de Jacone”, de Feng Yan e Ng Sio Ieng; “Mar de Línguas”, de Hen Jun Yan e Zhang Ke; e “Uma Posição Enunciável para Mulheres”, de Cheong Cheng Wa e Wang Jing.

A “Exposição Colateral” inclui os projectos “Acredite Em Um Rio”, “Para Além do Enquadramento”, “A Valsa do Adeus”, “Ei, estou com saudades de ti em Macau!”, “Olá, estou aqui para ouvir o que Macau não disse!”, “Olá, Sorte!”, “Dado que está – o Futuro”, “528Hz Re” e uma “Exposição Imersiva” do Património Mundial de Macau. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 28 de julho de 2023

Macau - Bienal internacional de arte

A bienal internacional de arte “Arte Macau” vai arrancar esta sexta-feira, no Museu de Arte de Macau, com a inauguração simultânea da Exposição Principal e da Exposição de Artistas Locais por Convite. Este, que é visto como um dos mais importantes eventos culturais e artísticos da cidade, vai decorrer até Outubro


Começa esta sexta-feira a bienal internacional de arte de Macau, “Arte Macau”. Serão inauguradas em simultâneo a Exposição Principal e a Exposição de Artistas Locais por Convite.

A bienal de arte prolonga-se até Outubro e irá trazer, em vários espaços espalhados pela cidade, 30 exposições de arte divididas em oito secções, nomeadamente: Exposição Principal, Exposição de Arte Pública, Pavilhão da Cidade, Exposição Especial, Exposição de Artistas Locais por Convite, Projecto de Curadoria Local, Exposição de Arte de Instituições de Ensino Superior e Exposição Colateral. Envolvidos estão mais de 200 artistas provenientes de mais de 20 países e regiões.

Para esta edição da “Arte Macau”, Qiu Zhijie, artista e vice-director da Academia Central de Belas-Artes, volta a ser convidado pelo Instituto Cultural para exercer o cargo de curador principal, trazendo o tema principal “A Estatística da Fortuna”. A investigação científica e as actividades religiosas “inspiram o público a observar e reflectir sobre a relação entre ciência e religião, a partir de pontos de vista totalmente novos”, descreve a organização.

A Exposição Principal, patente nos 1.º a 3.º pisos do Museu de Arte de Macau, exibirá 118 peças/conjuntos de obras de 42 artistas de renome provenientes da Ásia, da Europa e das Américas, apresentando uma variedade de ideias originais e excêntricas sobre as convicções científicas e as crenças religiosas. Além das formas tradicionais de expressão artística, como pintura, gravura, fotografia, técnica mista e escultura, a exposição trará também vários meios de ideias inovadoras e formatos novos, como instalações, vídeos e obras de arte com inteligência artificial.

Na Exposição de Artistas Locais por Convite, realizada no “ART Espaço” do 1.º piso do Centro Cultural de Macau, seis artistas de Macau, incluindo Konstantin Bessmertny, Ung Vai Meng, Lampo Leong, Chan Hin Io, Bunny Lai Sut Weng e Eric Fok, serão convidados a criar novas obras com base no tema do evento.

Qiu Zhijie irá apresentar três palestras no auditório do Museu de Arte de Macau, para explicar ao público a sua filosofia curatorial e para abordar as novas tendências artísticas internacionais. Amanhã, pelas 19h, o vice-director da Academia Central de Belas-Artes vai conduzir a palestra “Religião e Ciência – A Curadoria da Bienal Internacional de Arte de Macau”; No sábado, às 14h e às 16h, Qiu Zhijie vai liderar duas conversas com artistas, nas quais estarão artistas locais, artistas portugueses e artistas do Sudeste Asiático, para abordar a relação entre a arte contemporânea e a cultura. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”



quinta-feira, 6 de julho de 2023

Macau - Bienal Internacional de Arte regressa com 30 exposições de mais de 200 artistas

Foi apresentado ontem o “Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau 2023”. Este, que é considerado pela organização um “mega-evento cultural e artístico internacional”, vai reunir obras de mais de 200 artistas em 30 exposições. Nesta edição, o tema é “A Estatística da Fortuna”, tendo como foco o encontro entre a ciência e a religião. A exposição principal da “Arte Macau 2023” será inaugurada a 28 de Julho e a bienal prolonga-se até Outubro


Está de volta o “Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau 2023”. Este “mega-evento cultural” vai trazer a Macau mais de duas centenas de artistas que vão expor as suas obras em 30 exposições. A exposição principal do Arte Macau 2023, patente no Museu de Arte de Macau, será inaugurada a 28 de Julho e a bienal prolonga-se até Outubro.

As “obras-primas modernas e contemporâneas” dos mais de 200 artistas – provenientes de mais de 20 países e regiões – vão ser apresentadas em vários espaços por toda a cidade, “permitindo que os visitantes experienciem a amplitude e a profundidade da arte e, ao mesmo tempo, empreendam uma grande viagem estética, elevando a um novo patamar a atmosfera cultural e artística de Macau enquanto cidade Património Mundial”, assinala o Instituto Cultural (IC).

A iniciativa terá um custo de 12 milhões de patacas para o Governo, segundo indicou Leon Wai Man, presidente do IC, na conferência de imprensa de ontem. A bienal conta também com investimento das seis concessionárias de jogo.

“A Estatística da Fortuna”

O tema desta edição do Arte Macau é “A Estatística da Fortuna”, um conceito pensado por Qiu Zhijie, artista e vice-director da Academia Central de Belas-Artes, que volta a ser o curador principal do evento. A relação entre a ciência e a religião está na base do tema.

“Qiu acredita que a investigação científica é sempre indissociável das actividades religiosas, e que tanto a história da ciência envolve uma série de elementos misteriosos como as actividades religiosas acabam frequentemente por revelar um certo empirismo. Por isso, esta edição do evento irá realçar especialmente as obras de arte que exploram as tradições religiosas a partir de novos pontos de vista e que examinam a história da ciência a partir de perspectivas culturais profundas”, explica o IC.

Qiu Zhijie irá também apresentar três palestras temáticas, apresentando o raciocínio subjacente ao processo de curadoria e trocar ideias sobre as últimas tendências do meio artístico internacional.

Vila Nova de Cerveira em Destaque

Nesta edição, o Arte Macau apresenta pavilhões de quatro localidades de diferentes pontos do globo, entre as quais Vila Nova de Cerveira, que é apresentado pelo Consulado-Geral de Portugal em Macau.

A exposição “Pavilhão de Vila Nova de Cerveira: A Metafísica da Sorte e a Ciência do Azar”, que estará patente no Antigo Estábulo Municipal de Gado Bovino, é comissariada pela Fundação Bienal de Arte de Cerveira. O pavilhão exibirá uma selecção de 27 obras para mostrar as suas diferentes visões do mundo e reflectir as consonâncias e contradições entre as tradições religiosas, superstições e ciências.

Haverá também um pavilhão dedicado a Quioto, no Japão. O “Pavilhão de Quioto: Ritmos Sinérgicos”, que estará na Galeria Tap Seac, irá expor obras de pintura da autoria do artista Yujiro Ueno que procuram explorar o poder intrínseco das criaturas vivas, em combinação com obras de arte criadas pela empresa de multimédia 1→10, criadas com base em tecnologia digital.

Shenzhen também terá um pavilhão. O “Pavilhão de Shenzhen: Arca do Destino: Robôs e Humanos e Cidades”, patente no Centro de Arte Contemporânea de Macau – Oficinas Navais N.º 1, apresentará obras da autoria de artistas do interior da China, incluindo Shen Shaomin e Wang Peisheng, combinando a criação artística e a tecnologia para reflectir sobre as relações entre os robôs, os humanos e a cidade.

Por fim, a cidade de Londres, no Reino Unido. O “Pavilhão de Londres: Catedrais do Século XXI”, patente nas Casas da Taipa, irá apresentar obras multimédia da autoria de vários artistas do Reino Unido. Em torno do tema da paisagem urbana de Londres, as obras exploram o ambiente urbano da cidade e a sua relação com o património cultural, as tradições, a tecnologia, o simbolismo e a fé.

Os pavilhões serão abertos sucessivamente a partir do dia 1 de Agosto, a fim de dar a conhecer ao público a diversidade cultural e criatividade artística destas cidades.

Espaço para os artistas locais

Uma das secções da bienal chama-se “Exposição de Artistas Locais por Convite”, onde serão apresentadas obras de Konstantin Bessmertny, Ung Vai Meng, Lampo Leong, Chan Hin Io, Bunny Lai Suet Weng e Eric Fok.

“Através da combinação de técnicas, que vão da pintura a tinta ao vídeo, algumas das obras centram-se na forma como a ciência e a religião trabalharam em conjunto para construir a civilização actual; outras revelam o comércio próspero entre a China e o Ocidente, outras ainda centram-se nas aspirações humanas. Alguns questionam os riscos do desenvolvimento tecnológico provocados pelo excesso de confiança na racionalidade atual, outros exploram a complexidade das estruturas ecológicas urbanas e outros ainda reflectem sobre as questões das alterações climáticas”, descreve o IC. A exposição destes seis artistas locais decorre no espaço Art Space, no NAPE, entre os dias 28 de Julho e 29 de Outubro.

Versalhes, Mr. Doodle e Hsiao Chin

No âmbito da secção Exposição Especial “Primeira exposição de arte imersiva BE@RBRICK a nível mundial”, organizada pelo Galaxy Entertainment Group, uma dúzia de artistas e designers locais e internacionais, liderados pelo artista japonês Tatsuhiko “Ryu” Akashi, apresentarão uma exposição da BE@RBRICK em grande escala.

Nesta secção será também apresentada a “Primeira Exposição do Mr. Doodle em Macau”, organizada pela Melco Resorts & Entertainment Limited. O artista estará na cidade em Setembro para uma sessão de improvisação e para a estreia mundial de várias das suas obras.

“Até ao Infinito e mais Além: A arte de Hsiao Chin” é o nome da exposição apresentada pelo MGM, no Teatro MGM. Será uma “exposição imersiva que combina arte, tecnologia e entretenimento, exibindo obras-primas do grande artista abstracto do período pós-guerra, Hsiao Chin“, descreve o IC, acrescentando: “Evidenciando um estilo evocativo da filosofia zen do artista, a exposição explora a relação entre a Humanidade e o Universo através de uma experiência multimédia multifacetada, entrelaçada com arte e tecnologia, tradição e inovação, prometendo uma viagem onírica e artística que nos levará para o cosmos ideológico do artista moderno e pioneiro da China, Hsiao Chin, celebrando a sua vida artística e dando continuidade a uma vida artística infinita“.

A Sands China Ltd., apresentará, pela primeira vez, obras de arte em grande escala criadas por Jason Naylor e Philip Colbert, dois artistas internacionais da indústria da moda, que se inspiraram na figura do Rato Mickey, em comemoração do centenário da Disney, bem como muitas das suas obras icónicas, regalando o público com um colorido paraíso artístico.

Já a SJM representará o Palácio de Versalhes desde o século XVII até aos nossos dias, através de tecnologia virtual avançada, oferecendo ao público uma visão da grandeza de Versalhes e uma experiência interactiva totalmente nova proporcionada pela tecnologia.

No Wynn será apresentado “O Contorno da Luz: Um Re-encontro com Leonardo da Vinci”, que levará o público a um espaço imersivo que oferece uma experiência de visão 360 das obras-primas de Leonardo da Vinci. Por meio de uma variedade de vídeos, músicas e sons, a exposição proporciona aos espectadores uma imagem abrangente e aprofundada das grandes obras do artista, que combinam na perfeição a sua imaginação artística e a sua mente científica.

Presidente do IC aponta antecipa “atmosfera cultural imersiva” em toda a cidade

No discurso de apresentação desta edição do Arte Macau, Leong Wai Man, presidente do IC, afirmou que as dezenas de exposições que farão parte da iniciativa vão dar a Macau “uma bela imagem urbana carregada de uma atmosfera cultural imersiva em toda a cidade, como uma galeria e um jardim de arte”.

“As principais características da Arte Macau são a fusão de domínios culturais diversificados, a ligação com o desenvolvimento artístico internacional e o cultivo de forças criativas locais, através da integração de recursos de todos os sectores da sociedade, com o objectivo de apresentar plenamente uma Bienal Internacional de Arte dotada simultaneamente de profundidade histórica e cultural e de amplitude humanística contemporânea”, salientou a responsável do IC. André Vinagre – Macau in “Ponto final”


terça-feira, 24 de agosto de 2021

Macau - “Botânica”, a obra de Vasco Araújo que olha para o passado colonial presente na Bienal Internacional de Arte de Macau

Vasco Araújo, artista plástico português, participa na “Arte Macau – Bienal Internacional de Arte de Macau” com a peça “Botânica”, que mais não é do que uma ironia ao antigo passado colonial do Ocidente e aos chamados “zoos humanos”, quando nacionais dos países colonizados eram expostos como se de espécies exóticas se tratassem


Realizada entre os anos de 2012 e 2014, “Botânica” é uma série de obras realizada pelo artista plástico português Vasco Araújo que mais não é do que uma representação irónica daquilo que o homem branco fez aos naturais dos países colonizados. Três das doze peças que compõem “Botânica”, que usa materiais como a fotografia e madeira, podem agora ser vistas na “Arte Macau – Bienal Internacional de Arte de Macau”, inserida na secção “Labirinto da Memória de Matteo Ricci”. Esta, descreve “o olhar do Ocidente sobre a China, reescrito e subvertido ao longo de 500 anos”.

Ao HM, Vasco Araújo, natural de Lisboa, cidade onde ainda vive e trabalha, diz ter ficado “surpreendido” com o convite do curador da bienal, Qiu Zhijie. “Botânica” não é mais do que “umas mesas atravessadas por fotografias dos jardins botânicos de Portugal”, bem como por imagens de arquivo “relacionadas com todas as exposições que se chamavam ‘Zoos Humanos’, feitas pela Europa fora e EUA, que traziam pessoas das ex-colónias, de vários países, e as expunham como se fossem animais”.

O título desta peça é irónico porque “tal como foram construídos os jardins botânicos com espécies exóticas e vindas de todas as antigas colónias, faziam-se estas exposições para mostrar [as pessoas] e para exercer o poder em termos de dominação”. Vasco Araújo afirma fazer sempre uma crítica “a essa situação que, na realidade, tem repercussões até hoje, de racismo e por aí fora…”.

Uma vez que o tema principal da bienal é a globalização, o artista plástico português considera que “faz todo o sentido” expor “Botânica” em Macau. “[O curador] falou da questão da globalização e de como este assunto ainda hoje nos afecta a nível positivo e negativo. Estas peças falam sobre isso. [A ideia] de império e das colónias era replicar o que se fazia na Europa, em África, América do Sul e Ásia, pelo que faz todo o sentido [expor esta obra].”

O artista recorda que, apesar de Macau ter feito parte do império colonial português, “se calhar na China não há tanto a noção do que foram os impérios coloniais europeus”.

Questão de poder

“Botânica” já esteve exposta em lugares como Lisboa e Londres, e é muito mais do que uma obra que olhe exclusivamente para o império colonial português. Temas como o colonialismo e história são, aliás, temas muito presentes na obra de Vasco Araújo.

“O que me interessa aqui é o jogo de poder, como construímos a nossa identidade não só enquanto nação, país ou continente, mas também como pessoas. Como exercemos o poder e como é desenvolvida essa relação de superioridade – inferioridade?”

Terão sido estes os elementos que, na visão do artista, despertaram o olhar do curador. “As peças não são especificamente sobre Portugal nem sobre o colonialismo português. Os ‘Zoos Humanos’ foram um movimento internacional do final do século XIX, princípio do século XX, que durou até aos anos 60 desse século. O que dizemos hoje sobre a globalização, o facto de perdermos a identidade, já vinha desde o passado, são repercussões de coisas que [aconteceram]”, apontou o autor.

Vasco Araújo confessa que expor numa mostra desta natureza constitui sempre um desafio por comparação a uma mostra individual, pois numa bienal “são as minhas peças em confronto com as peças de outros artistas, há um diálogo maior”.

O artista é licenciado em escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e tem ainda um curso avançado em artes plásticas. Esta é a primeira vez que expõe em Macau, depois de ter exposto, há dois anos, em Xangai. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”