Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Estados Unidos da América – Milhões de mosquitos alterados geneticamente vão ser libertados na Florida

O projeto 'Jurassic Park' pretende prevenir doenças mortais como zika e dengue

As autoridades da Florida, nos Estados Unidos, autorizaram um plano para libertar 750 milhões de mosquitos geneticamente modificados com o objetivo de evitar doenças como a zika e a dengue. O projeto 'Jurassic Park' vai ser lançado em Florida Keys já no próximo ano.

"Com todas as crises urgentes que a nossa nação e o estado da Florida enfrentam - a pandemia de covid-19, a injustiça racial, as alterações climáticas - a administração afetou dólares dos impostos e recursos governamentais para a experiência 'Jurassic Park", afirmou Jaydee Hanson, diretor de políticas do Centro Internacional de Avaliação Tecnológica e do Centro de Segurança Alimentar.

O Controlo de Mosquitos de Florida Keys considera este o projeto como um passo para controlar a reprodução de 'Aedes aegypti', uma espécie de mosquito que propaga a dengue, zika, febre amarela e outras infeções mortais.

O mosquito macho geneticamente modificado, chamado OX5034, foi alterado com um gene especial, que controlaria a sobrevivência das fêmeas com quem acasala. As fêmeas morreriam antes de crescerem o suficiente para morderem e propagarem doenças, uma vez que só se alimentam de sangue e transportam infeções, enquanto os machos se alimentam apenas de néctar. Quando os novos machos crescem, acasalam com mais fêmeas, o que reduziria a quantidade de "Aedes aegypti".

Os mosquitos, fabricados pela empresa britânica Oxitec, já foram testados anteriormente no Brasil. E estudos demonstraram uma diminuição de até 95% da população de insetos graças ao programa.

No entanto, o projeto foi criticado por alguns residentes de Florida Keys e ambientalistas que estão preocupados com o possível impacto tanto sobre os seres humanos como sobre outras espécies.

"A libertação de mosquitos geneticamente modificados irá colocar desnecessariamente em risco os residentes da Florida, o ambiente e as espécies em perigo no meio de uma pandemia", disse Dana Perls, gestora de programas alimentares e tecnológicos da Friends of the Earth, citada pela Fox News. In “Contacto” - Luxemburgo

domingo, 15 de setembro de 2019

Brasil - Mosquitos transgênicos estão se reproduzindo

Pesquisadores esperavam que descendentes de "Aedes aegypti" geneticamente modificados morressem antes de chegar à fase adulta.

Teste na Bahia acabou, porém, criando nova geração de mosquito, que pode ser mais resistente. Uma tentativa de conter as populações do mosquito Aedes aegypti, que transmite dengue, febre amarela, zika e chikungunya, pode ter fracassado no Brasil.

Aparentemente, as alterações genéticas de mosquitos transgênicos foram transferidas para a população local de insetos. Durante 27 semanas, a empresa britânica Oxitec liberou com aprovação oficial cerca de 450 mil mosquitos transgênicos machos por semana na cidade de Jacobina, na Bahia. A operação visava combater epidemias de dengue, zika e febre amarela. A mudança genética chamada OX513A foi projetada para que a primeira geração de mosquitos, F1, não alcançasse a fase adulta e, portanto, não pudesse se reproduzir.

A esperança do Ministério da Saúde era reduzir a população de mosquitos em 90%. Isso funcionou durante o teste de campo. Depois de 18 meses após o final do experimento, a população de mosquitos, porém, voltou a crescer alcançado o volume anterior ao teste.

A mudança genética dos mosquitos liberados também produziu uma proteína fluorescente que permitia distinguir a primeira geração F1 dos outros mosquitos. Pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, estudaram as alterações genéticas dos mosquitos presentes na região, respectivamente, 12 e entre 27 a 30 meses após a sua liberação.

O resultado destas análises não era o esperado. Os pesquisadores concluíram que partes da mudança genética produzida em laboratório migraram inesperadamente para a população-alvo dos mosquitos locais. Modificação genética foi passada adiante nas várias amostras, entre 10% e 60% dos mosquitos apresentaram alterações correspondentes às dos transgênicos no genoma, indicou um estudo foi publicado na terça-feira (10/09) na revista especializada Nature: Scientific Reports.

Se o teste de campo tivesse ocorrido como inicialmente previsto pelos cientistas, a modificação genética não teria passado adiante para as populações locais porque os descendentes dos transgênicos liberados originalmente não seriam capazes de se reproduzir. No entanto, já se sabia anteriormente a partir de experimentos de laboratório que uma pequena proporção, de cerca de três a quatro por cento dos descendentes de mosquitos OX513A poderia atingir a idade adulta. Os cientistas presumiam, porém, que eles seriam fracos demais para se reproduzir.

Os autores do estudo relatam ainda que os mosquitos, tanto antes quanto após o experimento, continuaram igualmente potenciais transmissores das doenças em questão. A equipe de pesquisa em torno de Jeffrey Powell, em Yale, alertou também que a nova população de mosquitos, criada a partir da liberação dos insetos transgênicos, pode ser mais resistente do que a anterior.

Segundo os pesquisadores, é importante acompanhar esses testes de campo "com um programa de observação para poder detectar mudanças inesperadas". Cientistas críticos da engenharia genética questionam os testes realizados no Brasil.

"A liberação foi realizada precipitadamente, sem que alguns pontos fossem esclarecidos", afirmou o biólogo José Maria Gusman Ferraz ao jornal Folha de S. Paulo. O laboratório de pesquisas de Munique Testbiotech também critica a Oxitec por ter iniciado os testes de campo sem estudos adequados.

"Os experimentos da empresa Oxitec levaram a uma situação em grande parte incontrolável", disse o diretor do laboratório Christoph Then. "Este incidente deverá ter consequências para o uso futuro da engenharia genética", acrescenta. O teste de campo no Brasil não utilizou o controverso método Gene Drive, que fornece aos mosquitos um gene muito assertivo, sempre dominante na reprodução. Pesquisadores que trabalham com Gene Drive em laboratórios estritamente blindados esperam que esse método erradique permanentemente as populações de mosquitos. Essa extinção, porém, seria irreversível. O método nunca foi testado em campo. Fabian Schmidt – Alemanha in “Deutsche Welle”