Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 7 de maio de 2013

Desenvolvimento

“A subida de ranking internacional”

“Pela boca dos nossos mais elevados dirigentes, Angola vai afirmando já uma firme determinação em sairmos da presente incómoda posição de País de Baixo Nível de Desenvolvimento e passarmos a ser tidos como um País de Desenvolvimento Médio. Para tal, o nosso governo prometeu engajar-se numa redefinição das políticas públicas até então seguidas, assim como dos objectivos estratégicos traçados nos sucessivos planos de desenvolvimento. Fala-se, também, em maior atenção e melhoria da nossa capacidade de execução e acompanhamento dos projectos, sobretudo, dos com maior impacto social.

Essa importância atribuída ao sector social deve-se muito ao facto de o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), calculado anualmente pelo PNUD, ter um forte contributo de indicadores de carácter social. Não basta, pois, termos um grande crescimento do Produto Interno Bruto, pois ele terá que ser sustentável, devendo igualmente ser sustentáveis as conquistas alcançadas no domínio social.

Recordo, por exemplo que, para o cálculo do IDH concorrem 3 variáveis: o rendimento bruto per capita – exprimindo, de algum modo, o nível de vida; a esperança de vida à nascença – que dá a ideia de quão longo e saudável é a vida; e a média de anos de escolarização, conjugados com os anos de escolaridade esperada.

Desses indicadores, somente um tem acento meramente económico: o rendimento bruto per capita. Os restantes são estritamente sociais, embora possam ser, indirectamente, influenciados pela pujança económica dos países, se bem que numa relação não linear. Por exemplo, há países, como o nosso, com um Produto Interno Bruto relativamente robusto, mas sem boa qualidade de vida generalizada. Mas, o Desenvolvimento Humano pode ainda ser visto na perspectiva do género ou até mesmo na sua distribuição por grupos etários. De há uns anos a esta parte, as Nações Unidas criaram um segundo Índice Global mais virado para a análise dos níveis de pobreza – o chamado Índice de Pobreza Multidimensional (IPM).

Ainda assim, se considerarmos, em especial, a vertente económica do desenvolvimento, o rendimento médio per capita torna-se bastante insuficiente, pois não tem em linha de conta o grau de concentração do rendimento nacional. Quer dizer que o rendimento per capita pode mascarar o modo como o rendimento nacional está distribuído. Assim, faz todo sentido socorremo-nos do chamado Coeficiente de Gini, que analisa se há maior ou menor concentração do rendimento nacional em determinados grupos sociais. Mas, voltemos, então, ao desejo de Angola passar a ser considerado País de Desenvolvimento Médio.

Por norma, para haver uma alteração na tabela classificativa dos países, em termos de desenvolvimento, tomam-se em conta os seguintes indicadores: Produto Nacional Bruto (PNB) – que indica a capacidade de geração de rendimentos; Índice de Capital Humano – como indicador das reservas de capital humano; Índice de Vulnerabilidade Económica – como indicador de resistência às crises externas.

De facto, desde o fim da guerra, a nossa economia cresceu em níveis bastante apreciáveis – mas, convenhamos, muito por causa das elevadas receitas geradas pelo petróleo. É demasiado visível o nosso grau de dependência desse produto, não obstante se assista à retoma de outros sectores económicos mas que, de modo algum, põem em causa a hegemonia do petróleo.

O nosso crescimento económico ainda não se traduziu numa melhoria acentuada das condições de vida das populações. São, por exemplo, muito reduzidos os seus impactos no acesso e na qualidade da saúde, no acesso e na qualidade do ensino e, muito em particular, na igualdade de oportunidades. Há uma má distribuição da riqueza e do rendimento nacional que tende a aprofundar-se.

No conjunto dos 8 países integrantes da CPLP (Comunidade dos País de Língua Portuguesa), e em termos de IDH, estamos numa incómoda sexta posição. No quadro dos 14 países da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), somos também o sexto classificado.

Desde o ano 2000 até 2012, o Índice de Desenvolvimento Humano de Angola passou de 0,375 para 0,508 pontos, uma subida significativa mas que se encontra, ainda assim, abaixo da média mundial que é de 0,680 pontos. Contudo, o crescimento dos nossos pontos deveu-se, sobretudo, ao crescimento do nosso PIB. Foi esse crescimento do PIB que permitiu o aumento significativo no nível do rendimento per capita, que, por sua vez, provocou um forte impacto no cálculo do IDH.

Vou ouvindo já frequentes referências a subidas e melhorias (algo súbitas e de desconfiar) em indicadores de carácter económico e social. Fala-se mesmo numa redução muito acentuada nos níveis de pobreza, em melhoria significativa nos níveis de escolaridade, na saúde, no ambiente, inclusive, no gozo das liberdades democráticas. Muitas dessas declarações soam claramente a mera propaganda. Do meu ponto de vista, pretende passar-se para o exterior a mensagem de que estamos perante um sério engajamento na via do cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Desconfio, pois, de “tanta fruta”, que se nota ter sido amadurecida à pressa. Para mim, mais uma vez, há aqui um indisfarçável exercício de ilusionismo que até nos pode custar caro, pois, uma subida de patamar no ranking do desenvolvimento não tem apenas benefícios de imagem pública e internacional. Passar para o patamar dos Países de Desenvolvimento Médio acarreta, também outros ónus, por exemplo, o de perdermos alguns benefícios e apoios internacionais, os créditos financeiros internacionais serem mais onerosos e até mesmo as nossas contribuições financeiras internacionais passarem a ser mais elevados, fruto do nosso estatuto.

Quer então dizer que, afinal, à pompa da nova imagem pública, dever-se-ão juntar dificuldades de vária ordem. Cabo Verde, por exemplo, tem feito tudo para se prevenir contra essas eventuais desvantagens advenientes. E nós, será que também estamos a levar isso em linha de conta?” Pinto de Andrade – Angola


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Ténis

Realizou-se mais uma vez no Centro Desportivo Nacional do Jamor o “Torneio ATP World Tour” Estoril Open que este ano de 2013 a organização promoveu para Portugal Open. Talvez a intenção tenha sido preservar o nome “Estoril” que sempre divulgou uma região de alta qualidade, ao contrário do nome “Portugal” que infelizmente nos últimos tempos, não tem aparecido na comunicação social internacional como um nome de sucesso, mas sim ligado à grave crise que atravessa.

Venho falar neste torneio, não pelos participantes presentes, ou por aqueles que na última hora se tornaram ausentes, nem pela organização que costuma já há muitos anos realizar este evento. Venho sim falar da qualidade do público que acorreu ao Jamor.

Este torneio de ténis teve a cobertura televisiva de uma cadeia internacional de televisão e foi triste, aliás muito triste, visionar um campo de ténis, praticamente vazio, que nem a final de singulares masculinos conseguiu inverter na totalidade, pois os lugares vagos eram muitos.

Para os atletas que por cá passaram e mais tarde forem visionar as imagens que deverão ter gravado, para corrigir erros técnicos, imprecisões, ou verificar algumas posições, ficarão estarrecidos (!), ao observarem que enquanto jogavam, os espectadores sentados nos camarotes vips, normalmente pertencentes às empresas que ainda patrocinam este torneio, estavam entretidos com o telemóvel, como qualquer jovem do secundário, ou um simples trabalhador deslocando-se num qualquer transporte colectivo do subúrbio, não acompanhando o esforço e dedicação dos atletas em confronto, apresentando apenas, desprezo, desrespeito.

Que imagem passou para o exterior do Portugal Open 2013? Certamente não terá sido aquela que todos desejavam! Se não forem atempadamente corrigidas certas situações, poderemos ter num futuro próximo, não um Portugal Open, não um Oeiras Open, principalmente depois das eleições autárquicas deste ano, mas sim uma ausência de torneio que ninguém deseja. Baía da Lusofonia

domingo, 5 de maio de 2013

Congestionamento

                        O Porto de Santos e o caos viário
 
SÃO PAULO – Foi preciso que o caos se instalasse com vigor no sistema viário das cidades da Baixada Santista para que a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) viesse a tentar estabelecer um ordenamento no tráfego de caminhões que entram e saem dos 42 terminais do Porto de Santos. Com isso, o que se espera é que os gigantescos congestionamentos que têm ocorrido na região não venham a se repetir, pelo menos em dimensões tão alarmantes.
 
De acordo com resolução da Codesp, os terminais portuários que não possuem um sistema de monitoramento de tráfego já conectado ao da empresa estatal terão de se adequar e informar, virtualmente e em tempo real, a movimentação prevista e executada. Se a medida será suficiente para evitar a repetição dos congestionamentos-monstros, não se sabe, mas já constitui um começo.
 
Além disso, os pátios reguladores Ecopátio e Rodopark estão obrigados a colocar painéis de sinalização nos caminhões-graneleiros para facilitar a atuação da Polícia Rodoviária que permitirá a passagem do veículo às vias de acesso ao Porto se este estiver devidamente identificado, com o anúncio de origem e destino. Com a aproximação do período de escoamento das safras de açúcar e milho, são ainda muitas as incertezas quanto às possibilidades desse monitoramento e controle virem a funcionar a contento.
 
É de lembrar que a regulamentação da Codesp prevê ainda que todos os caminhões que transportem produtos agrícolas passem pelos pátios reguladores. Isso significa que os donos das cargas estão obrigados a agendar todo caminhão nesses bolsões de ordenamento de tráfego, o que, em contrapartida, obriga o terminal a assumir o compromisso de reservar espaço para que o veículo possa descarregar com hora marcada.
 
Em tese, o novo sistema permitirá à Codesp gerenciar melhor o tráfego, mas, de antemão, já se sabe que, mesmo com o ordenamento das operações de carga e descarga, há um obstáculo de dimensões ciclópicas pela frente: a precariedade dos acessos viários ao porto. Abandonada há décadas pela União e pelo governo do Estado, a infraestrutura viária do Porto carece de obras urgentes que incluam a ampliação de rodovias, construção de pontes, túneis e viadutos, a conclusão das avenidas perimetrais e a remodelação da entrada da cidade de Santos.
 
Para se ter uma idéia da morosidade com que as obras públicas saem do papel – quando saem... –, notadamente no Porto de Santos, basta ver que só agora, passada uma década do primeiro projeto para a construção de uma passagem subterrânea em frente aos armazéns do Valongo, o chamado Mergulhão, terão início os estudos para a caracterização do solo da área. Esses estudos levarão mais 13 meses para serem concluídos, o que significa que as obras só terão início efetivamente no segundo semestre de 2014.
 
Mas é bem provável que, ao soar do trabalho da primeira escavadeira, sejam encontrados vestígios da povoação pioneira que se formou em torno do antigo Cais do Consulado. Nesse caso, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico,
Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) terá de se manifestar e as obras serão embargadas para que os arqueólogos venham a fazer um levantamento minucioso do local. Portanto, quando as obras serão concluídas só Deus o sabe. Milton Lourenço - Brasil
 
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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.


sábado, 4 de maio de 2013

Azucrine!


Perante a realidade que os jovens enfrentam para não encontrar um emprego, obrigando-os a abandonar o conforto do meio socioeconómico onde sempre residiram, perante a dificuldade em aplicar os conhecimentos que obtiveram, gastando o que os pais e o país tinham e também não tinham, há que começar a ultrapassar uma certa passividade e iniciar um processo de peleja e não há nada como principiar por azucrinar, azucrine!

Os trabalhadores estão a sofrer nos seus direitos e regalias por situações para as quais não contribuíram, sendo responsabilizados por gastos excessivos, por despesas desmedidas, por compras que não realizaram, por tudo aquilo que alguns desbarataram e através da comunicação social imputam a outros, que sempre viveram do seu magro ordenado e apenas tiveram a oportunidade de superar um dia de cada vez, para eles está na hora de azucrinar, azucrine!

Os reformados, excluindo os reformados da política, que após uma vida de trabalho, contribuindo mensalmente durante longos anos para o sistema de pensões, esperavam uma reforma condigna, um sistema de saúde que respondesse às dificuldades que a idade avançada cria, os reformados que esperavam ter um sistema de transportes públicos acessíveis, para lhes permitir a mobilidade necessária para poderem conviver, distrair, não ficarem entre paredes à espera que o tempo passe, necessitam de azucrinar, azucrine!

Se depois de ler estas linhas for a um dicionário para saber o significado de azucrinar, já está a manifestar um princípio de desassossego perante a leitura das mesmas. Baía da Lusofonia

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Desfrutar

Ontem, 02 de Maio de 2013, Lisboa foi invadida por uma multidão de turistas com camisolas listadas de amarelo e azul, símbolo dos adeptos turcos que acompanharam a sua equipa para mais um jogo das competições europeias.

Eram aos “magotes” as camisolas amarelas e azuis que percorriam a principal artéria da baixa pombalina, a rua Augusta, zona emblemática da velha Lisboa, reconstruída após o terramoto de 1755, hoje a via central do projecto urbanístico que impôs um traçado geométrico ortogonal, com uma hierarquização de vias, determinadas pelas duas principais praças nesta área da capital, a norte, o Rossio, centro comunitário e a sul, o Terreiro do Paço, antigo centro político e económico.

Os adeptos e turistas turcos, aproveitaram o dia solheiro para de máquina fotográfica em punho, captarem as melhores imagens, que normalmente passam despercebidos aos “alfacinhas” alcunha dos naturais de Lisboa. Houve um, que até descobriu uma imponente águia, numa das esquinas da rua, para levar como recordação, a fotografia que representa o símbolo do adversário no jogo de futebol.

Nem tudo são rosas na rua Augusta em Lisboa, infelizmente, mas dentro em breve os turistas que visitarão Lisboa poderão observar o arco da rua Augusta de “cara lavada” e a estátua de D. José com o aspecto da época em que foi construída. A grande parte dos turistas que visitam Lisboa, procuram o turismo histórico e cultural e por parte das autoridades portuguesas tem havido um desmazelo na conservação do património, que identificam as origens e o percurso de um povo. Baía da Lusofonia

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Descoberta



Após o ardor da reconquista
não caíram manás sobre os nossos campos.
E na dura travessia do deserto
aprendemos que a terra prometida
era aqui.
Ainda aqui e sempre aqui.
Duas ilhas indómitas a desbravar.
o padrão a ser erguido
pela nudez insepulta dos nossos punhos.
Conceição Lima – São Tomé e Príncipe


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Risco

“Vicente Risco e a nossa língua

No dia 30 de abril de 1963 falecia em Ourense Vicente Risco, faz agora 50 anos. Nos últimos tempos a sua figura está a ser muito controvertida. Com um grande debate em artigos de imprensa, entre estudiosos e investigadores. Na maioria dos casos, os comentários não têm em conta o contexto vital de Risco, a sua formação e leituras, a sua poliédrica personalidade, as muitas etapas pelas que passou o seu pensamento e o ter sido um vulto importantíssimo para a cultura da Galiza. Recomendo ler o opúsculo escrito por Jesús de Juana, sobre ele, que me parece o mais acertado de todos. E a tese de doutoramento a ele dedicada pelo inspetor de ensino e meu ex-aluno José Fernández, quando se editar. Aproveitando a data, e o estar às portas do mês de maio, o mais relacionado com as nossas letras, quero comentar o que Risco pensava sobre a língua da Galiza. Na revista Nós, números 6 e 7 do ano 1921, editada em Ourense, Vicente Risco publica um estupendo projeto, que intitula “Plano pedagógico para a galeguização das escolas”. Este plano, além de ser muito revelador de que Risco estava totalmente ao corrente das tendências educativas do momento e dos princípios da Escola Nova europeia, não tem um mínimo desperdício. Para publicar em revistas especializadas estou a preparar um amplo artigo sobre o seu pensamento educativo. Esta vez quero comentar o que pensava sobre o nosso idioma. Destacando que durante bastante tempo assumia a escrita lusófona para a língua galega, tal como a que uso desde sempre eu nos meus artigos. Na sexta secção do projeto antes citado, sob a epígrafe de “O Galego na Escola”, entre outras cousas, Risco escreve: “O ideal seria que o ensino se desse em língua galega”. Esclarece que sobretudo para que o mestre seja compreendido, ali onde a língua materna dos rapazes for o galego, como é o caso do meio rural. Por isso assinala que não se pode deitar para fora das aulas o nosso idioma, e se o fizermos estamos a promover o auto-ódio e o desprezo pela nossa Terra, além de matar o nosso pensamento e a nossa literatura, e favorecer a nossa baixa autoestima secular.

Para Risco usar nas aulas o nosso idioma tem muitas vantagens pedagógicas. Entre elas destaca que desenvolve melhor a inteligência dos estudantes, favorecendo a compreensão dos conhecimentos. Empregando-o alternando com o castelhano, facilita a memória complicativa, favorece comparar ambos os idiomas para chegar a falá-los, e influi muito na formação de sentimentos positivos. Como são o de amar mais a Galiza e formar o caráter dum jeito especial, pela musicalidade, doçura e suavidade que tem a fala galega. Neste tema Risco está-se a adiantar em muitas décadas à ideia atual da importância que tem a inteligência emocional, e que é preciso desenvolver nos rapazes aprendizagens apreciativas. O que mais adiante escreve é muito significativo, mesmo para hoje: “Ninguém pode pôr em dúvida a grande vantagem de possuir dous idiomas, no lugar de só um. Não imos os galegos perder estupidamente esta vantagem, esquecendo a nossa língua materna. Pois as nossas duas línguas que temos são muito importantes: a castelhana é uma das que se falam por maior número de almas no mundo. Ela abre-nos todos os países de fala castelhana. A nossa, a galega, na sua forma portuguesa (galego e português são dous dialetos de uma mesma língua) é uma das mais estendidas pelo mundo, mais ainda que o castelhano. Ela abre-nos todos os países de fala portuguesa ou lusófona. Seríamos parvos se perdêssemos uma destas potentes armas de luta pela vida e de formação de cultura. O galego pode, com elas, abranger duas civilizações”. A seguir Risco, depois do que assevera, assinala que não se pode proibir que os rapazes se exprimam em galego, em todos os âmbitos e lugares e nas suas perguntas aos docentes. Que, usando o método comparativo, nas aulas os rapazes vejam as diferenças gramaticais e linguísticas entre ambos os idiomas. Que se lhe outorgue importância à leitura de poemas, contos e relatos, bem escolheitos, da nossa língua, de forma graduada. Que as leituras sejam bem comentadas e explicadas e a literatura galega, e as suas figuras mais importantes, sejam estudadas convenientemente e com estratégias adequadas. Que também, em especial os estudantes melhores, elaborem poemas, inventem e redijam contos e relatos em galego. No ponto sete do projeto acima citado, Risco escreve sobre o ensino das cousas da Terra: a geografia e história da Galiza, a vida de galegos e galegas ilustres, a arte galega, a literatura galega e as ciências e disciplinas práticas: agricultura, indústrias, labores e trabalhos manuais. Com aplicação à Nossa Terra. Mas, deste tema teremos que escrever outro dia. Fica, de momento, dito o anterior, depois de se terem publicado tantos e absurdos decretos nefastos para o nosso idioma na Nossa Terra. Que Risco nunca aceitaria.” Paz Rodrigues – Galiza in “Portal Galego da Língua”

Para um melhor conhecimento de Vicente Martinez Risco y Agüero, intelectual galego do séc. XX (Ourense, 1 de Outubro de 1884 - 30 de Abril de 1963), principalmente a sua biografia e obra literária, aceda aqui. Baía da Lusofonia