Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Macau - Nova exposição apresenta as histórias que definem a paisagem cultural da Região

A Associação Cultural 10 Marias apresenta a exposição “Historic Connections”, que explora os laços históricos e as experiências partilhadas entre Macau e os países de língua portuguesa. A exposição, da autoria da artista Mónica Coteriano, estará patente até ao dia 14 de Janeiro de 2025



A Associação Cultural 10 Marias inaugura a exposição intitulada “Historic Connections”, na Livraria Portuguesa. Esta exposição, que se prolongará até dia 14 de Janeiro de 2025, apresenta o trabalho de Mónica Coteriano, uma artista local que parte das suas experiências pessoais e da sua herança cultural para criar a sua arte, que inclui tanto projectos de grande escala como trabalhos de estúdio mais independentes.

O projecto apresenta uma exploração das relações entre Macau e as várias nações de língua portuguesa e consiste num conjunto diversificado de colagens criadas a partir de materiais como jornais, documentos e meios mistos. Cada peça encerra narrativas sobre pessoas, lugares e ideias que influenciaram o percurso artístico de Coteriano e as experiências partilhadas das comunidades culturais.

A exposição caracteriza-se pelo uso de técnicas de colagem combinadas com instalações de luz. O trabalho de Coteriano destaca esta forma de arte, que tem raízes na arte ocidental do início do século XX, ao mesmo tempo que reconhece técnicas semelhantes encontradas nas artes tradicionais da Ásia Oriental. Esta abordagem realça o valor das contribuições culturais de tradições variadas, promovendo, em última análise, um diálogo de criatividade partilhada.

Para melhorar a experiência do espectador, a artista irá incorporar luzes LED programáveis nas instalações. Estas luzes proporcionam um aspecto interactivo que dá vida às peças e transformam cada obra de arte numa experiência dinâmica, chamando a atenção para as nuances que moldam as narrativas ilustradas no seu interior. Serão também utilizados dispositivos de voz para apresentar informações contextuais e narrativas, oferecendo aos visitantes uma compreensão mais profunda do significado subjacente a cada peça exposta. Esta abordagem multissensorial visa envolver o público a vários níveis, convidando à reflexão sobre as mensagens transmitidas pela arte.

“Historic Connections” não só reflecte a visão artística pessoal de Mónica Coteriano, como também se enquadra num discurso mais vasto em torno do intercâmbio cultural e da identidade. Esta exposição procura inspirar uma apreciação mais alargada das histórias interligadas que definem a paisagem cultural de Macau. Ao mostrar as influências mútuas trocadas entre regiões, o projecto enfatiza o papel da arte na promoção da compreensão e do diálogo entre diferentes culturas. Guiomar Salema – Macau in “Ponto Final”


quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Macau – Pintor são-tomense Valdemar Dória apresenta “Rostos Expressivos”

As obras do artista são-tomense radicado em Portugal estarão patentes no território a convite da 10 Marias Associação Cultural. Trata-se de uma mostra de 16 obras, três das quais feitas expressamente a pensar em Macau. “’Rostos expressivos’ é a minha forma de misturar Malangatana com Salvador Dalí e Picasso”, confessou o pintor. Para a associação, o futuro passa, assim que a pandemia permitir, levar os artistas locais aos países de língua portuguesa


O pintor são-tomense Valdemar Dória revela a sua exposição “Rostos Expressivos” na galeria da Livraria Portuguesa até ao dia 11 de Janeiro. A inauguração da mostra, promovida pela 10 Marias Associação Cultural (10MAC), aconteceu hoje. “Sinto um aperto no estômago, e ao mesmo tempo confiança da qualidade do meu trabalho e uma felicidade imensa de estar a viajar pelo mundo. Sinto-me muito bem. É a primeira vez que irei expor em Macau, mas acho que não vai ser a única”, começou por dizer o autor ao Ponto Final.

O autor explicou que “Rostos Expressivos” é o resultado de um trabalho que foi executado em dois continentes diferentes para ser exibido num terceiro continente. “Comecei em Lisboa, na Europa, continuei em São Tomé e Príncipe, em África, onde fui assistir ao casamento da minha mãe, uma mulher de armas. Aos 70 anos casou pela segunda vez”, revelou Valdemar Dória, com esse apontamento familiar.

A 10MAC também se mostra bastante contente por poder mostrar o trabalho do pintor africano no território. “Esperemos que o público abrace e aprecie esta exposição e que seja possível ver a obra de Valdemar espalhada pelas casas de Macau, instituições, bancos, entre outros”, referiu ao Ponto Final Mónica Coteriano, uma das responsáveis da associação local.

O artista africano, actualmente radicado em Portugal, vai ter 16 obras expostas na parede da galeria da livraria, três das quais desenhadas e inspiradas na cidade de Macau, na construção de um novo lugar baseado na geografia euro-asiática. “Conheço a obra de Valdemar há muitos anos, representa e bem a contemporaneidade de São Tomé e Príncipe. É um artista que se inspira no mundo ao seu redor, conversas, pessoas, viagens que transpõe na sua obra”, afirmou a responsável da 10MAC.

O artista traçou assim o caminho onde experimenta, em discurso plástico, comunicar valores inerentes à sociedade contemporânea numa perspectiva universal sem esquecer a sua origem cultural. “São histórias em que se deve olhar mais do uma vez. ‘Rostos expressivos’ é a minha forma de misturar Malangatana com Salvador Dalí e Picasso”, referiu ainda o autor ao Ponto Final numa conversa mantida nas redes sociais.

De acordo com a nota de imprensa divulgada pela 10MAC, Valdemar Dória “tem a capacidade de descrever as cidades com a sua arte peculiar”. A organização revelou que o público verá uma exposição que mostra o olhar do artista no mundo e a sua breve interacção com Macau, que se realizou através do som e das imagens, transpostas depois na tela. “Acreditámos que seria interessante ver essa fusão com Macau, foi um desafio que lhe propusemos e ele aceitou. O Valdemar teve que ler, ouvir e sentir Macau”, admitiu Mónica Coteriano.

Valdemar, que nasceu em África, em 1974, mas cedo emigrou para Portugal com a mãe, expõe com alguma regularidade desde 1994, tendo em 2011 e 2012 participado na Bienal de Arte e Cultura de São Tomé e Príncipe, em 2013 na Galeria Quadras Soltas, no Porto e na Casa Internacional de São Tomé e Príncipe, em Lisboa em 2013 e 2014 na “Africa Mostra-se, 2016″ e “BudoBudo” (ind.) – Clube do Bacalhau, em 2017. “Um artista talentosamente compulsivo e nato que brota uma cascata de talento expressivo. E o desenho é o seu forte mecanismo de comunicação”, pode ler-se na página de apresentação do autor no seu site oficial.

O artista africano é ainda membro fundador da Plataforma Cafuka: Associação de artistas plásticos naturais de São Tomé e Príncipe, que divulga e promove as artes e artistas do país, bem como de toda a lusofonia.

O projecto da 10 MAC não é para ficar por aqui. A ideia, no futuro, revela Mónica Coteriano, passa por levar os artistas de Macau aos países de língua portuguesa. “Macau é a plataforma ideal para se ligar a cultura dos países de língua portuguesa e a cultura chinesa, não só a nível económico, mas também tem de passar pela cultura. Voltando tudo à normalidade seria interessante expor artistas locais nos países de língua portuguesa, ou mesmo haver parcerias entre os artistas das diferentes nacionalidades. Aguardamos o que o futuro nos reserva”. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”