Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Moçambique - “Estórias trazidas pela ventania” garantem Prémio Literário Mia Couto a Adelino Albano Luís

O escritor Adelino Albano Luís venceu, esta quinta-feira, a segunda edição do Prémio Literário Mia Couto, com o livro Estórias trazidas pela ventania (prosa). A iniciativa é da Associação Kulemba em parceria com a Cornelder de Moçambique.

Macossa é um distrito como tantos outros do país. O lugar recôndito não tem electricidade e nem água canalizada. Só da vila-sede para a cidade de Chimoio, são umas boas cincos horas de carro. Afinal, a estrada é péssima e os 200 quilómetros de distância são uma infinidade de circunstâncias difíceis para quem almeja chegar rápido e seguro ao destino.

Na Escola Básica de Nhamagua, em Macossa, trabalha um professor de Português, que, há um ano e meio, tem leccionado as 7ª, 8ª e 9ª classes. Chama-se Adelino Albano Luís, e, segundo ficou a saber esta noite, é o grande vencedor da segunda edição do Prémio Literário Mia Couto, no género prosa. Quando lhe foi dada a informação, depois das 23h30, encontrava-se na cama, a tentar sonhar um capítulo para o dia seguinte. Por isso, longe de pensar o que pretendia a pessoa que lhe ligou, mal soube da razão, suspirou com espanto: “Meu Deus!”.

Contendo a emoção, naquele mesmo lugar agreste, o escritor de 26 anos de idade explicou que vencer o Prémio Literário Mia Couto significa que deve continuar a escrever e a melhorar cada vez mais a sua prosa, os seus contos. De seguida, entre sorrisos e silêncios repentinos, confessou: “Não contava que ganharia o prémio. Quando a lista com os nomes dos ilustres escritores finalistas foi anunciada, conclui que não tinha qualquer chance. Esta notícia é, para mim, uma enorme surpresa”.

Estórias trazidas pela ventania é um livro escrito em um ano, entre os finais de 2021 e os finais de 2022. Adelino Albano Luís lançou-se ao projecto logo depois de ter terminado o seu primeiro livro, Cronicontos da cabeça de velho.

Estórias trazidas pela ventania é um livro que, ao longo do tempo, foi ganhando novas páginas e narrativas até à versão final, que permitiu ao autor conquistar mais um prémio literário. “Espero que este prémio contribua para minha afirmação enquanto escritor e atraia mais leitores e curiosos, para que saibam o que escrevo a ponto de vencer um prémio tão distinto quanto este”.

À pergunta que tipo de responsabilidade a distinção pode trazer, Adelino Albano Luís respondeu: “A única responsabilidade é o maior compromisso para comigo mesmo. O meu pai disse-me, quando fui anunciado como finalista, que, se eu levava a escrita nas brincadeiras, a partir daquele momento, devia levá-la a sério”.

Tal como o pai, quem também lê o escritor de Macossa é a irmã mais nova, Saquina Albano Luís. É também por ela e pelos alunos de Nhamagua que o contista escreve. “Espero que este prémio sirva de incentivo para os meus alunos daqui de Macossa, um lugar que está a ser uma rica fonte de inspiração e de novas histórias”.

Estórias trazidas pela ventania, conforme a acta do júri, constituído por Lourenço do Rosário (presidente), Teresa Manjate, Ondjaki, Marcelo Panguana e Tânia Macedo, distinguiu-se “pela riqueza temática, versatilidade linguística e uma consistente construção dos contos”. Assim, reconhecido o seu livro, as ventanias de Agosto levam a casa de Adelino Albano Luís 400 mil meticais, valor fornecido pela empresa Cornelder de Moçambique, que, em parceria com a Associação Kulemba, organiza o prémio.

Ao género poesia, nesta segunda edição do Prémio Literário Mia Couto, o júri decidiu não atribuir nenhum vencedor.

Sobre o premiado

Adelino Albano Luís nasceu em 1998, na Cidade de Chimoio. É licenciado em Filosofia pela Universidade Eduardo Mondlane. É autor da obra Cronicontos da Cabeça do Velho (2022), prémio literário Calane da Silva, organizado pela Alcance Editores (4ª edição- 2021). Também conquistou o primeiro lugar do Concurso de Crónicas da primeira edição da Feira de Livros da Beira (2021). José dos Remédios – Moçambique in “O País”


Moçambique - Adelino Albano Luís e Timóteo Papel lançam livros na Cidade de Chimoio 

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Moçambique - Adelino Albano Luís e Timóteo Papel lançam livros na Cidade de Chimoio

Nesta quinta-feira, na Faculdade de Engenharia da Universidade Católica de Chimoio, foram lançadas as obras literárias Estórias trazidas pela ventania (contos), de Adelino Albano Luís, e Deixa-me escrever-te (poesia), de Timóteo Papel.


Segundo uma nota da Editorial Fundza, Estórias trazidas pela ventania é um livro de 25 contos, que, usando uma linguagem simples e coloquial, retrata diversos acontecimentos de fórum social e privado. Por isso mesmo, enquanto lê, o leitor depara-se, não raras vezes, com situações facilmente denotáveis com a realidade de Moçambique.

Ao longo dos enredos dos contos, casas se movem por si mesmas; um natal é comemorado na lixeira; há um sequestro sem um sequestrado; uma psicóloga que precisa ser consolada pela paciente ou um Eusébio que não quer saber de futebol. A proposta literária de Adelino Albano Luís foi apresentada por Inocêncio Albino.

Quanto a Deixa-me escrever-te, avança a mesma nota da Editorial Fundza, é uma obra poética rítmica e cantada. O ritmo, que é a característica intrínseca e peculiar da poesia oral africana, evidencia-se nos poemas com maior propriedade. Isto é, o poeta diz a arte em versos e comunga a sacralidade do amor em um recorte lúdico e potente, no universo de uma realidade que, por vezes, é tão árida, tão inóspita, fazendo ressurgir, até mesmo aos olhos mais cépticos, a existência de afectos que soariam inatingíveis em determinadas circunstâncias.

Deixa-me escrever-te conduz o leitor, portanto, aos detalhes despercebidos do cotidiano, com os momentos e delicadezas que não se revelam aos olhos enevoados de rotina. A proposta literária de Timóteo Papel foi apresentada por Francisco Massambo. In “O País” - Moçambique

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Adelino Albano Luís nasceu em 1998, na Cidade de Chimoio. Licenciado em Filosofia pela UEM, é professor e o conto é seu género literário de eleição. Estreou-se com obra ″Cronicontos da Cabeça do Velho″ (2022), prémio literário Calane da Silva ⁄ Alcance Editores (4ª edição – 2021). Conquistou o primeiro lugar do Concurso de Crónicas da 1ª edição da Feira do Livro da Beira (2021); Conquistou o primeiro lugar do concurso literário Dia Mundial da Língua Portuguesa: estórias pandémicas, e foi finalista do prémio Fundação Fernando Leite Couto (2022), com a obra Estórias trazidas pela ventania. Participou em várias antologias, dentre as quais o volume I de Espíritos Quânticos – Diário de uma Quawwi.

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Timóteo Gentil Papel nasceu em 1990, na Zambézia. É docente, pesquisador, poeta e escritor, licenciado em Ensino de Filosofia com Habilitações em Ensino de História, pela Universidade Pedagógica de Maputo. É Mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local, pela Universidade de Santiago – Cabo Verde. É autor da obra Não sei ser triste (2021). Participou nas antologias Literatura e cultura em tempos de pandemia (2021); As Áfricas dentro de mim (2021); Encontro de gerações (2022); e Antologia Luís Vaz de Camões e convidados (2022).

Os dois livros foram seleccionados na segunda chamada literária da Editorial Fundza.