Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Brasil - Nova fase de estudo com células CAR-T no combate à leucemia e linfoma

Liberados pelo Ministério da Saúde, os recursos de R$ 100 milhões vão permitir a inclusão de 81 novos pacientes no estudo do Hemocentro de Ribeirão Preto em parceria com a Fundação Butantan


No início do próximo ano começa uma nova fase do estudo clínico para o tratamento de leucemia e linfoma utilizando células CAR-T. Esta pesquisa é uma iniciativa do Hemocentro de Ribeirão Preto, vinculado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (HC-FMRP) da USP, em parceria com a Fundação Butantan. “Essa nova fase do estudo só foi possível com a liberação de R$ 100 milhões pelo Ministério da Saúde, dentro do Novo Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC-Saúde)”, conta o médico hematologista Gil De Santis, diretor médico do Laboratório de Terapia Celular do Hemocentro do HC-FMRP e um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo.

Segundo o médico, esses recursos serão aplicados principalmente na manufatura dos produtos celulares, que envolve a compra de insumos e de reagentes, e financiarão os gastos hospitalares decorrentes do tratamento. “Nessa fase, avaliaremos a segurança e a eficácia do novo produto, para, ao final, solicitar a sua aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), depois do que, o produto poderá ser oferecido aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).”

Rodrigo do Tocantins Calado, diretor científico do Hemocentro de Ribeirão Preto e pró-reitor de Pós-Graduação da USP, afirma que esse estudo representa a concretização de uma ideia científica nascida no laboratório de pesquisa, que impacta diretamente a vida das pessoas, especialmente no tratamento oferecido a pacientes com câncer. “Essa transição inovadora é viabilizada pela colaboração entre diversas instituições. Aqui, podemos aproveitar a vasta expertise da USP, reunindo pesquisadores e médicos de variadas áreas, desde biologia molecular e imunologia até a prática clínica. Essa união se complementa com o conhecimento especializado do Instituto Butantan, permitindo que a ideia saia do laboratório e se transforme em uma nova tecnologia, pronta para beneficiar a sociedade.”

O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, destaca que “o Butantan fez um grande investimento na construção de plataforma de produção de células CAR-T. Agora, consolida a linha de pesquisa com a captação de recursos necessários para conduzir o primeiro estudo clínico com tecnologia desenvolvida junto com a Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto (Fundherp) e a USP. Com isso, se posiciona para suprir a demanda que será exigida no Brasil para esta nova forma de tratamento”.

Em nota, Carlos Gadelha, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde, afirmou que “nosso objetivo é garantir à população mais carente o acesso aos tratamentos mais modernos contra o câncer”.

Os estudos com células CAR-T também recebem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Alvo específico

O estudo vai incluir 81 pacientes com leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não Hodgkin de células B, que não obtiveram resposta ao tratamento convencional inicial, composto de quimioterapia e transplante de medula óssea. “Esta fase do estudo é direcionada para casos que não responderam ou apresentaram o retorno da doença após a primeira linha de tratamento convencional, com o uso da quimioterapia, e o transplante de medula óssea”, explica De Santis.

Serão selecionados pacientes que atenderem às informações do hematologista. O contato deve ser realizado pelo médico que atende o paciente interessado em participar do estudo, pelo e-mail: terapia@hemocentro.fmrp.usp.br, anexando o relatório de saúde do candidato. As informações serão avaliadas pela equipe médica das instituições participantes e, caso se enquadre no estudo clínico, o médico responsável pelo paciente será avisado.

O CAR-T desenvolvido no Hemocentro de Ribeirão Preto é “treinado” para atingir um alvo específico que se chama CD19, presente somente na leucemia linfoide aguda de células B e no linfoma não Hodgkin de células B. Por isso, esta imunoterapia não possui efetividade em outros tipos de cânceres sólidos.

O nome CAR-T vem da união de dois conceitos: CAR é a sigla em inglês para receptor quimérico de antígeno (chimeric antigen receptor) e T vem de linfócitos T, células do organismo responsáveis por sua defesa. Na terapia celular, o linfócito T é alterado para exibir em sua superfície os receptores CAR e se tornar ainda mais potente no combate ao câncer – ele deixa de ser uma célula T para se transformar em uma célula CAR-T. Considerado um dos tratamentos mais revolucionários da medicina, tem altíssima complexidade e é personalizado, pois usa as células de defesa do próprio paciente para combater a doença.

Pioneirismo

A terapia com células CAR-T surgiu no início de 2010 nos Estados Unidos e começou a ser aplicada experimentalmente em pacientes de câncer terminal. Os resultados positivos levaram a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos a aprovar, em 2017, o uso da terapia CAR-T para o combate ao câncer. No ano seguinte, em 2018, o tratamento rendeu aos seus descobridores, James P. Allison e Tasuku Honjo, o Prêmio Nobel de Medicina.

No Brasil, a terapia com células CAR-T foi desenvolvida pioneiramente no Centro de Terapia Celular (CTC) da USP, sediado no Hemocentro de Ribeirão Preto. O primeiro voluntário brasileiro, que recebeu o tratamento experimental em 2019, alcançou a remissão total de um linfoma em estágio terminal. Outros pacientes que optaram pelo tratamento também tiveram remissão. Até hoje, a terapia celular se mostrou altamente eficaz contra casos de leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não Hodgkin de células B, dois tipos de cânceres de sangue.

Para mais informações acesse o sítio do Hemocentro de Ribeirão Preto. Rose Talamone e Eduardo Vidal – Brasil in “Jornal USP”


sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Guiné-Bissau - Regista aumento de casos de malária

A Guiné-Bissau está a registar neste momento um recrudescer de casos de paludismo (malária), uma situação que o coordenador do programa de combate à doença, o médico José Ernesto Nante considera como “normal nesta altura do ano

Em declarações à Lusa, o médico, especialista em saúde pública, indicou que as regiões de Bafatá e Gabú, no leste do país, Bolama e Tombali, no sul, são as zonas com maior taxa de prevalência da doença, sobretudo em crianças. Ernesto Nante assinalou que o aumento de casos do paludismo acontece geralmente entre os meses de junho e novembro, período das chuvas na Guiné-Bissau, mas que este ano a situação regista um ligeiro aumento nas quatro regiões.

O médico defende ainda que o pico da incidência da doença será no mês de novembro. O coordenador do Programa Nacional de Luta contra o Paludismo disse que a Guiné-Bissau é considerada um país endémico, mas desde 2016 o Governo, sob recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), começou uma intervenção nas comunidades, visando a erradicação da doença em 2030. “Toda a população guineense é vulnerável ao risco de contaminação, mas o Governo elegeu o paludismo como impactante para a economia da população, daí ter elaborado uma estratégia nacional de combate à doença”, observou Nante. A chamada intervenção QPS (Quimio Prevenção Sazonal), consiste em dar dois antipalúdicos às crianças de até 59 meses e às grávidas a partir de 13 semanas que tenham comparecido às consultas pré-natais nos centros de saúde.

“Dando medicamentos como Fansidar e Modoquina isso garante proteção à criança de 75% a 92%”, observou Ernesto Nante.

Olhando para os dados, o coordenador Nacional de Luta contra o Paludismo afirmou que a situação “tende a conhecer melhorias”, em comparação com o período antes de 2016. “Segundo os dados do Instituto Nacional da Saúde Pública no decorrer de 2021 foram notificados um total de 181855 casos entre os quais resultaram em 462 óbitos”, observou Ernesto Nante, frisando que nos primeiros seis meses deste ano foram contabilizados cerca de 58 mil casos. In “Milénio Stadium” – Canadá com “Lusa”