Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 1 de março de 2026

Equador - Quase 150 anos depois de terem sido extintas, as tartarugas gigantes regressam à ilha Floreana, no arquipélago de Galápagos

Os guardas-florestais soltaram 158 tartarugas híbridas juvenis em Floreana para restaurar o ecossistema da ilha


Quase 150 anos depois da remoção das últimas tartarugas-gigantes da Ilha Floreana, no arquipélago de Galápagos, no Equador, a espécie retornou na sexta-feira (20 de fevereiro), quando dezenas de híbridos juvenis foram soltos para iniciar a restauração do ecossistema degradado da ilha.

As 158 novas tartarugas, com idades entre 8 e 13 anos, começaram a explorar o habitat que irão remodelar nos próximos anos. A sua soltura coincidiu perfeitamente com a chegada das primeiras chuvas de inverno.

“Elas são grandes o suficiente para serem soltas e conseguem defender-se de animais introduzidos, como ratos e gatos”, diz Fredy Villalba, diretor do centro de reprodução do Parque Nacional de Galápagos, na Ilha de Santa Cruz, observando que os melhores espécimes, com a linhagem mais forte, foram selecionados especificamente para Floreana.

Por que as tartarugas gigantes de Floreana foram extintas?

Estes espécimes juvenis libertados, de um total de 700 planeados para Floreana, serão introduzidos gradualmente. De acordo com Christian Sevilla, diretor de ecossistemas do Parque Nacional de Galápagos, elas carregam entre 40% e 80% da composição genética do Chelonoidis niger – uma espécie extinta há 150 anos.

A linhagem desses híbridos remonta ao Vulcão Wolf, na Ilha Isabela, uma descoberta que ainda intriga os cientistas. Ao selecionar adultos com a composição genética mais forte, diz Sevilla, o programa de reprodução visa trazer gradualmente a espécie extinta Floreana de volta à sua pureza original.

Há dois séculos, Floreana abrigava aproximadamente 20.000 tartarugas-gigantes. No entanto, a caça às baleias, um incêndio devastador e a exploração humana implacável acabaram por levar à sua completa extinção na ilha.

“Em termos genéticos, reintroduzir uma espécie naquela ilha com um componente genético significativo da espécie original é vital”, afirma o biólogo Washington Tapia.

Tapia, pesquisador e diretor da Biodiversa-Consultores – empresa especializada nas Ilhas Galápagos – enfatizou que esse processo vai além de simples cálculos, trata-se de restaurar uma linhagem perdida.

Floreana é um sítio ecológico remoto e de vital importância

Floreana, uma ilha com aproximadamente 173 quilômetros quadrados, é uma massa de terra vulcânica e o ponto mais meridional do arquipélago de Galápagos. Situada no meio do Oceano Pacífico – a cerca de 1000 quilômetros da costa continental – permanece um local remoto e de vital importância ecológica.

As tartarugas reintroduzidas em Floreana compartilharão o seu território com uma população diversificada de quase 200 pessoas, além de flamingos, iguanas, pinguins, gaivotas e gaviões. No entanto, elas também terão de lidar com espécies de plantas introduzidas, como a amora-preta e a goiaba, bem como com animais como ratos, gatos, porcos e burros. Essas espécies não nativas, introduzidas pela atividade humana, representam ameaças potenciais aos novos habitantes da ilha.

A moradora de Floreana, Verónica Mora, descreve a soltura das tartarugas como um sonho realizado. "Estamos vendo a concretização de um projeto que começou há vários anos", diz ela, acrescentando que a comunidade sente imenso orgulho com o retorno das tartarugas gigantes.

As Nações Unidas designaram as Ilhas Galápagos como Património Natural da Humanidade em 1978. Essa honra reconhece a abundância única de espécies terrestres e marinhas presentes nas ilhas, encontradas em nenhum outro lugar do planeta. Euronews


Estados Unidos da América - Português que dirige ensino em Los Angeles investigado pelo FBI

As autoridades norte-americanas executaram esta quarta-feira buscas à residência do responsável máximo pelo Distrito Escolar Unificado de Los Angeles (LAUSD), o português Alberto Carvalho, bem como à sede da própria instituição


As autoridades federais mantêm o sigilo sobre a natureza exata da investigação que envolve o segundo maior distrito escolar norte-americano, mas o jornal Los Angeles Times indica que a operação poderá estar relacionada com a empresa AllHere, tecnológica responsável pelo desenvolvimento de um “chatbot” de inteligência artificial para o LAUSD, que declarou falência em 2024 após o seu fundador ter sido alvo de acusações de fraude.

As diligências do FBI estenderam-se além de Los Angeles, abrangendo a habitação de Alberto Carvalho em San Pedro e um terceiro local nas proximidades de Miami, cidade onde o responsável dirigiu anteriormente o sistema de escolas públicas.

Um porta-voz do FBI confirmou à mesma fonte a realização das buscas, escusando-se a fornecer detalhes adicionais sobre as motivações subjacentes. Adicionalmente, foi reportada uma intervenção num quarto endereço no estado da Florida, alegadamente vinculado a um antigo colaborador da AllHere.

Alberto Carvalho, lisboeta, emigrou para os Estados Unidos aos 17 anos, licenciou-se em Ciências Biológicas pela Barry University em 1990, onde iniciou a sua carreira docente aos 25 anos como professor de Física, Química e Cálculo. Antes de assumir a liderança do LAUSD em fevereiro de 2022, dirigiu as Escolas Públicas do Condado de Miami-Dade durante 14 anos, período em que obteve reconhecimento internacional pela sua gestão educativa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Canção da Partida









Canção da Partida

 

Ao meu coração um peso de ferro

Eu hei de prender na volta do mar.

Ao meu coração um peso de ferro... Lançá-lo ao mar.

Quem vai embarcar, que vai degredado,

As penas do amor não queira levar...

Marujos, erguei o cofre pesado, Lançai-o ao mar.

E hei de mercar um fecho de prata.

O meu coração é o cofre selado.

A sete chaves: tem dentro uma carta...

_ A última, de antes do teu noivado.

A sete chaves, _ a carta encantada!

E um lenço bordado... Esse hei de o levar,

Que é para o molhar na água salgada

No dia em que enfim deixar de chorar.

 

Camilo Pessanha – Portugal / Macau

In Clepsidra, (1920, Lisboa, Lusitânia Editora)

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Há alguns meses que o Blogue Baía da Lusofonia apresenta aos domingos um poeta e a sua poesia. Associamo-nos às diversas homenagens do centenário da morte de Camilo de Almeida Pessanha, que nasceu em Coimbra a 07 de setembro de 1867 e faleceu em Macau a 01 de março de 1926, há precisamente 100 anos, que estão a realizar-se nesta última cidade.

Uma das Entidades de Macau que vai assinalar o centenário da morte de Camilo Pessanha é o Instituto Português do Oriente (IPOR) que dinamizará um conjunto de atividades ao longo do ano de 2026.

A primeira será um Clube de Leitura onde se irá falar da vida e obra do autor que viveu em Macau. Acontece já no dia 3 de março de 2026, na Biblioteca do IPOR, batizada com o nome do escritor.

Esta é uma organização do IPOR, em parceria com o Clube de Leitura de Macau, o Festival Rota das Letras e que conta com o apoio do Camões, I.P.

 


 

 

Canto











Vamos aprender português, cantando

 

Canto

 

Se te abrisse a porta da minha cabeça

pegavas-me ao colo como uma criança,

sinto que não há amor que eu mereça

e sentir muito, sentir tudo cansa.

 

O corpo que eu rejeito,

amor violento que eu aceito e justifico.

Nasci com um peso no peito

que um dia hei-de levantar,

por enquanto sobrevivo.

 

Canto, canto, canto,

p’ra calar o ruido ou só p’ra existir.

Canto, canto, canto, canto,

canções repetidas para conseguir dormir.

Canto, canto, canto, canto,

até sentir que a voz me sai da pele.

Canto, canto, canto, canto.

Não quero calar o silêncio,

vou dançar com ele.

 

Queres tu que seja uma, eu sou muitas,

dizes não ter sentido nenhum mas

toda a mulher é mil mulheres

que se erguem e se vingam

de homens como tu.

 

Que não se tratam, não se curam,

os que batem e desculpam

cobardia com amor.

Deixam marcas tão profundas

que as palavras saem mudas,

guardo-as, digo que é melhor.

 

Canto, canto, canto,

p’ra calar o ruido ou só p’ra existir.

Canto, canto, canto, canto,

canções repetidas para conseguir dormir.

Canto, canto, canto, canto,

até sentir que a voz me sai da pele.

Canto, canto, canto, canto.

Não quero calar o silêncio,

vou dançar com ele.

 

Canto, canto, canto,

p’ra calar o ruido ou só p’ra existir.

Canto, canto, canto, canto,

canções repetidas para conseguir dormir.

Canto, canto, canto, canto,

até sentir que a voz me sai da pele.

Canto, canto, canto, canto.

Não quero calar o silêncio,

vou dançar com ele.

 

Sara Correia – Portugal

Composição:

(Letra) Carolina Deslandes – Portugal

(Música) Carolina Deslandes – Portugal

                Rodrigo Correia - Portugal