Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Cabo Verde - Programa "Skodji Digital" vai ligar jovens ao mercado global de trabalho

Cidade da Praia - O Governo lançou o programa “Skodji Digital”, uma iniciativa que visa criar oportunidades de emprego e rendimento na economia digital à escala global, para a juventude cabo-verdiana no país e na diáspora.


Segundo o executivo, o Skodji Digital irá proporcionar formação estruturada em competências digitais alinhadas com a procura do mercado global, acesso orientado a plataformas internacionais de emprego digital e trabalho independente.

Oferece ainda activação de carreiras em sectores digitais emergentes, bem como percursos para o empreendedorismo digital e criação de micro-iniciativas empresariais.

Numa primeira fase, o programa, que será totalmente gratuito, pretende preparar 1050 jovens, para competir no mercado de trabalho global, incluindo os que não estão a trabalhar e mulheres cabo-verdianas, a partir dos 18 anos.

Ao presidir ao acto de lançamento, o secretário de Estado da Economia Digital, Pedro Lopes, sublinhou que o Governo tem colocado o digital como uma “bandeira de desenvolvimento” do país.

“Não podemos falar na economia digital sem capacitar as pessoas e essa deve ser a base. Nós queremos construir exactamente com quem está no terreno”, afirmou o governante, destacando o envolvimento de associações juvenis e da diáspora no processo.

Pedro Lopes lembrou que a economia digital movimenta anualmente mais de 560 mil milhões de dólares, com projecções de crescimento até aos 1,8 biliões de dólares, defendendo que Cabo Verde deve aproveitar esta transformação para contornar as limitações do mercado interno.

“Nós queremos que os jovens possam continuar em Cabo Verde, mas trabalhar para mercados internacionais. Que o desejo de continuar na terra onde somos felizes não nos encolha enquanto indivíduos, e também que não tenham de encolher ou limitar apenas o salário à nossa realidade”, afirmou.

As candidaturas ao programa já estão abertas e vão estar disponíveis até 25 de Fevereiro, através da plataforma Cabo Verde Digital, sendo que a fase de formação, com carácter intensivo, terá uma duração variável entre dois a seis meses.

A Fase 1 do Skodji Digital é financiada pelo Banco Mundial, através do Projecto Digital Cabo Verde, e é implementada pelo Ministério da Economia Digital, com apoio técnico de um consórcio de parceiros nacionais e internacionais. In “Inforpress” – Cabo Verde


Portugal - Alumnus da Universidade do Porto recebe financiamento para travar doença de Alzheimer

Equipa liderada por Henrique Nogueira Pinto vai criar modelos laboratoriais mais realistas do cérebro humano, essenciais para testar novas terapias e compreender a doença


Aos 26 anos, Henrique Nogueira Pinto, antigo estudante do Mestrado Integrado em Bioengenharia (MIB) da Faculdade de Engenharia (FEUP) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto, tornouse um dos nomes mais promissores da investigação em neurociências ao conquistar uma bolsa de um milhão de euros que lhe permitirá aprofundar, nos próximos quatro anos, o estudo do Alzheimer e de outras doenças neurodegenerativas.

A bolsa surge na sequência do trabalho inovador que o jovem investigador e atual estudante de doutoramento no prestigiado Amsterdam University Medical Center (UMC) tem desenvolvido nos Países Baixos, onde procura recriar em laboratório os vasos sanguíneos do cérebro humano, utilizando células de pessoas com e sem doença. O objetivo é compreender, com maior precisão, como funciona a barreira hematoencefálica, a estrutura que protege o cérebro, mas que também limita a entrada de fármacos, e de que forma esta se altera muito antes dos primeiros sintomas do Alzheimer.

Através da diferenciação de células estaminais induzidas e da criação de organoides cerebrais que integram vários tipos celulares, Henrique Nogueira Pinto estuda como os fármacos chegam ao cérebro e como atuam em condições normais e patológicas, abrindo caminho a diagnósticos mais precoces e terapias mais eficazes.

O financiamento agora atribuído através do Open Technology Programme do Dutch Research Council (NWO) permitirá transformar esta visão numa plataforma de investigação mais robusta: o montante será aplicado no seu pósdoutoramento, e na contratação de um estudante de doutoramento e dois assistentes de investigação, formando uma equipa dedicada ao desenvolvimento de um modelo inovador da barreira hematoencefálica, com maior capacidade preditiva do que os modelos atualmente disponíveis.

“Juntos, iremos criar um modelo com o qual será possível modelar doenças, em particular o Alzheimer, e testar fármacos com uma fiabilidade muito superior”, explica.

“A U.Porto deu-me a oportunidade de transformar a Ciência na minha vida”

A conquista desta bolsa não surgiu por acaso. E tudo começou há muito tempo, numa Universidade não muito distante… “Desde pequeno que sempre me senti atraído pelas coisas pequenas. A partir daí, surgiu o interesse pela Ciência e por descobrir o que o mundo é na realidade e o que cada coisa faz. A Universidade do Porto deu-me a oportunidade de agarrar nesse sonho e transformá-lo na minha vida. Desde o início do curso que senti que a U.Porto fornecia aos estudantes um ambiente de excelência a nível científico e académico”, confessava o então finalista de Bioengenharia num testemunho publicado pela U.Porto, em 2021.

Henrique destaca ainda o papel da FEUP na construção das bases que hoje sustentam o seu percurso científico. “No curso de Bioengenharia, a FEUP deu-me as ferramentas certas para desenvolver este projeto, não só a nível teórico, mas também estimulando o pensamento crítico e fomentando o ‘pensar fora da caixa’. A FEUP sempre apoiou os Núcleos de Estudantes, nomeadamente o Núcleo de Estudantes de Bioengenharia (NEB), do qual fiz parte em diferentes cargos e onde adquiri soft skills essenciais para conseguir esta bolsa, em particular o contacto com empresas, a liderança e a proatividade”.

Apesar das excelentes condições de trabalho que encontra nos Países Baixos, o investigador – quer desenvolver a sua tese de mestrado no i3S – Instituto de Investigação em Saúde da U.Porto – acompanha de perto a realidade científica portuguesa. Reconhece o enorme potencial académico do país e a reputação internacional dos investigadores portugueses, mas lamenta a falta de investimento que continua a empurrar talento para o estrangeiro.

“Portugal possui um enorme potencial académico. Os investigadores portugueses são muito bem vistos no estrangeiro, acima de tudo pela nossa capacidade de solucionar problemas, a nossa vontade de trabalhar, e a nossa excelente educação. Contudo, devido à falta de investimento governamental para a investigação, estes investigadores altamente capacitados decidem deixar o país em busca de melhores condições e recursos científicos. Ainda assim, Portugal é cada vez mais competitivo no panorama europeu e apresenta propostas de elevado valor em diversas bolsas europeias, como as ERC e as Marie Curie, devido à qualidade dos nossos investigadores”, nota Henrique Nogueira Pinto.

Quanto ao futuro, o alumnus da U.Porto mantém o foco na investigação translacional, sempre em articulação com hospitais e empresas. “Para já, desejo continuar no ambiente académico, mas sempre em investigação translacional, em colaboração com hospitais e empresas. Após este pós-doutoramento, em princípio irei rumar a outro país para consolidar a minha linha de investigação. Depois, tenciono voltar para Portugal e prosseguir com a minha carreira académica, sem fechar portas a outras oportunidades que poderão aparecer pelo caminho, mas sempre com regresso a casa marcado”. Universidade do Porto - Portugal



Moçambique - Vítimas das cheias recebem carga humanitária internacional

O primeiro carregamento é composto por 88 toneladas de suprimentos essenciais avaliados em cerca de US$ 552 mil. A meta é suprir necessidades de até 50 mil pessoas. Os fundos da União Europeia respondem ao alerta lançado para salvar vidas


Moçambique recebeu nesta segunda-feira o primeiro voo de carga humanitária da União Europeia para a distribuição pelas vítimas das enchentes em curso.

Os materiais de saúde, educação, proteção infantil e tendas serão destinados a espaços seguros para crianças, clínicas de saúde temporárias e outros serviços essenciais.

Expetativa para as próximas semanas

Falando à ONU News, a partir de Maputo, o especialista em aprovisionamento no Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, em Moçambique, Edson Madeira, diz que a ajuda humanitária chega em momento oportuno. 

“Temos cerca de 600 mil pessoas afetadas, das quais mais de 50% são crianças. Temos mais de 100 mil pessoas deslocadas, principalmente na província de Gaza. Então, estes suprimentos, esta carga humanitária vem mesmo para apoiar a resposta. Recebemos muito material médico, para tratamento de água e para alojamento temporário para pessoas que foram deslocadas das suas casas. É primeira carga humanitária, internacionalmente e a expectativa e que nas próximas semanas vamos receber mais duas cargas ou dois voos com apoio da União Europeia.”

O embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonino Maggiore, citou o trabalho conjunto com os Estados-membros da União Europeia e garantiu apoio contínuo para não deixar ninguém para trás.

Reforço financeiro da União Europeia

“Permita-me destacar alguns elementos concretos de apoio. Um outro avião similar vai chegar nos próximos dias e garantir uma ajuda para 20 mil pessoas. Adicionalmente 30 a 50 mil pessoas vão ser ajudadas com este carregamento. A União Europeia assinou € 950 mil de ajuda humanitária ao país, disponibilizamos o uso do sistema copernicus para diagnóstico de necessidades.”

A primeira carga humanitária de 88 toneladas métricas de suprimentos essenciais está avaliada em aproximadamente US$ 552 mil.

A presidente do Instituto Nacional de Gestão de Desastres, INGD, Luísa Celma Meque, elogiou a resposta rápida do apoio e garantiu que a instituição irá canalizar para quem precisa.

Esforço conjunto

“Todo este esforço que foi feito, foi um trabalho que em menos de duas semanas. Conseguimos ver o resultado, tendo em conta que estamos no momento de emergência e com alerta vermelho, significa que estamos todos com a devida preocupação para que as famílias sejam assistidas. Este apoio vai fazer uma grande diferença dentro das nossas famílias e iremos fazer chegar a todas as populações que de facto precisam.”

A distribuição da ajuda humanitária será assegurada pela Unicef em coordenação com INGD e o Governo.

Dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, INGD, indicam que desde o início da época chuvosa houve 124 mortes e foram afetadas mais de 800 mil pessoas. Pelo menos 242 unidades sanitárias sofreram danos. Ouri Pota – Moçambique ONU News


Angola - Livro “A Luz Difícil e o Sonho” em destaque no projecto Noite de Poesia

O livro retrata o amor por uma mulher que é personificado ao afecto por um país, concretamente Angola. Publicada no ano passado, sob a chancela da Editora Imprensa Nacional, junta a sensibilidade com o pensamento, ao falar do amor pelo país, sem deixar de referenciar os aspectos negativos da pátria.


O escritor apresenta uma visão poética crítica e demonstra que a pátria amada ainda não é como se espera, por enfrentar muitas dificuldades, mas, ainda assim, não deixa de sonhar e manifesta, em cada parágrafo do texto, a esperança de um país melhor para se viver.

A obra apresenta um conjunto de imagens de memórias próximas, que contemplam a representação de Angola. Todas as ilustrações concorrem para a caracterização de uma nação que se transforma na casa dos sonhos do poeta. Segundo Antónia Paulo, Assessora de Comunicação e Imagem da Fundação Arte e Cultura, o escritor foi seleccionado pelo seu percurso enquanto figura ligada à política, mas sobretudo pela sua produção literária, que considera significativa para a consolidação da poesia em Angola.

“A instituição pretende preservar e divulgar o legado de escritores angolanos, pois existe uma base de dados de autores que a Fundação pretende homenagear ao longo das próximas edições”, destacou a organizadora. O recital, a ser protagonizado pelos alunos do clube de poesia da Fundação, que vão ser acompanhados por dez poetas convidados, vai apresentar poemas de Nelson BonaVena, bem como textos originais da sua autoria, num exercício de valorização do talento emergente e de diálogo entre a antiga e a nova geração.

Música ao vivo

Antónia disse ainda que o evento não vai resumir-se apenas à declamação de poemas. Trata-se de um momento artístico plural que inclui música ao vivo, de formas a criar um ambiente intimista e sensível, com a finalidade de aproximar o público dos autores e das obras.

“Para esta primeira edição do ano, os momentos musicais vão estar a cargo dos cantores Jato Lopes e Dane Moreira, artistas já habituais no palco da instituição, reconhecidos pela capacidade de enriquecer as sessões com interpretação vocal e instrumental”, lembrou.

Quanto ao que o público pode esperar desta edição, a responsável afirmou que a expectativa é elevada e que o evento foi pensado para atrair leitores, admiradores de literatura e interessados em conhecer o trabalho do artista e não só.

A organizadora disse igualmente que a instituição procura criar condições para que o público seja exposto a obras contemporâneas, de forma a fortalecer o vínculo entre a sociedade e a produção artística angolana. “A Fundação tem procurado desempenhar um papel activo na construção de pontes entre a cultura e o tecido social, através de iniciativas que também abrangem a responsabilidade social”, ressaltou.

Sobre o autor

Nelson Bonavena é poeta, contista, ensaísta e crítico literário revelado à literatura angolana no suplemento cultural Vida & Cultura do Jornal de Angola, nos primórdios dos anos 1980.

Integrante do Movimento Cultural Kiximbula, foi mentor e coordenador da revista Archote — Chama Jovem da Literatura Angolana (1986-1987), que juntou escritores de todos os géneros, como António Azzevas, Rui Augusto, José Luís Mendonça, D’Oriana, Domingos de Nascimento, Lisa Castel, Emmanuel Sobrinho, Dudu Peres, Ngamilanhi, Teodoro Sikuete e João Faria.

Membro da União dos Escritores Angolanos (UEA) desde 1986, publicou Ulcerado de Míngua Luz (1987), Os Limites da Luz (2003), Literatura Angolana do Séc. XIX: Pedro Félix Machado (2012) e Cordeiro da Matta: O Poeta do Rio Kwanza (2012). Consta de várias colectâneas de poesia e de ensaios e tem colaboração em revistas em Angola, Brasil, Portugal, Itália, Senegal, França e Estados Unidos da América. In “O País” - Angola


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Macau - Concurso fotográfico da Associação Somos reflecte sobre o passado que perdura

“O Hoje do Passado” é o tema da nova edição do concurso de fotografia da Somos – ACLP, cujo processo de candidatura decorre até 28 de Fevereiro. Os participantes deste ano são convidados a encontrar símbolos, ofícios ou elementos históricos que ainda perdurem no mapa lusófono contemporâneo, como fragmentos de tradição num mundo em permanente mudança


A Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos – ACLP) lança a sétima edição do concurso fotográfico “Somos Imagens da Lusofonia”. O tema deste ano, “O Hoje do Passado”, propõe uma homenagem às “coisas antigas” do mundo lusófono que ainda hoje perduram como testemunhos vivos da identidade, cultura e forma de vida de determinadas sociedades ou espaços geográficos. As candidaturas permanecem abertas até 28 de Fevereiro.

Em comunicado, a associação sediada em Macau explica que, “nos dias que correm, com o rápido desenvolvimento socio-económico e tecnológico, o nosso foco tende a virar-se para o que é mais moderno, evoluído, para o que é novo”. A transformação urbana, apesar de inevitável, vem metamorfosear as “características distintivas” de alguns dos territórios do mundo lusófono – desde cidades e províncias até vilas e aldeias, estas últimas particularmente enraizadas em velhos costumes e práticas.

O desafio da Somos – ACLP passa por perscrutar o mundo actual e descobrir, dentro dele, os vestígios da tradição que ainda subsistem e se mantêm relevantes, apesar da passagem do tempo e da recontextualização do mundo moderno. Algumas destas representações poderão, inclusive, ser “transversais ao universo lusófono” e não circunscritas a um determinado espaço geográfico.

De acordo com a associação, trata-se de um convite para que os participantes reflictam “sobre as realidades dos seus países ou regiões” e expressem, “por meio da fotografia, o seu ponto de vista sobre o peso e o valor dos costumes, práticas e tradições antigas nas sociedades actuais do universo lusófono”. O tema escolhido para esta edição “permitirá a apresentação de trabalhos com dimensões artísticas, históricas e simbólicas, que servirão de testemunhos materiais da interacção entre o passado e o presente, evidenciando que o antigo poderá ter futuro”.

Mais do que um exercício individual, esta edição vem fomentar uma reflexão colectiva sobre “a importância do património histórico, artístico, etnográfico e imaterial de cada território geográfico da lusofonia, bem como o valor social da cultura e dos elementos históricos enquanto veículos de conexão social, reforços da identidade comunitária e portais para a evocação de tempos passados”.

Como habitual, o concurso destina-se a todos os cidadãos dos países e regiões onde a língua portuguesa é falada, incluindo residentes de Macau. As fotografias submetidas – que devem respeitar o tema e os critérios do regulamento – podem ser tiradas em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Goa, Damão e Diu. Cada fotografia deve vir acompanhada de título e de uma breve legenda explicativa.

A escolha das imagens vencedoras fica ao critério de um júri de profissionais da área da fotografia, presidido por Gonçalo Lobo Pinheiro, que terá como critérios de selecção a criatividade e originalidade, a composição fotográfica, a qualidade artística, e a relevância e qualidade em relação ao tema.

Os três grandes vencedores vão receber prémios pecuniários no valor de 10.000, 7000 e 5000 patacas, respectivamente, havendo também espaço para eventuais menções honrosas. Caso o vencedor do primeiro prémio não resida em Macau, será contemplado com uma viagem e estadia no território para garantir a sua presença na cerimónia de inauguração da subsequente exposição fotográfica. Foi, aliás, o que aconteceu na edição do ano passado, subordinada ao tema “O Homem e o Divino”, que teve como grande vencedor o fotógrafo moçambicano Marcos Júnior.

Para além das fotografias vencedoras, a exposição vai ainda integrar outras imagens seleccionadas pelos jurados “pela sua relevância ou valor para o tema do concurso” e para o propósito da própria associação, assente na valorização e projecção da dimensão cultural da lusofonia. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


China - Pequim investiga general de mais alta patente por “minar” autoridade do Presidente Xi Jinping

O Exército chinês detalhou as razões pelas quais foi aberta uma investigação contra o general de mais alta patente do país, Zhang Youxia, acusado de “minar” a autoridade do Presidente Xi Jinping

Um editorial publicado no PLA Daily, o jornal oficial do Exército Popular de Libertação (EPL), indica que as investigações anunciadas este sábado contra Zhang, assim como contra o chefe do Departamento do Estado-Maior Conjunto da Comissão Militar Central (CMC, órgão máximo do Exército), Liu Zhenli, mostram que “a tolerância na luta contra a corrupção não é permitida”.

Zhang, de 75 anos, é o primeiro vice-presidente da CMC, o que o coloca como o “número 2” militar do país, com uma patente apenas atrás da de Xi Jinping, que lidera o órgão, e é também um dos 24 membros do Politburo, o segundo escalão de comando do Partido Comunista Chinês (PCC), no poder.

“Zhang e Liu, como altos comandantes do Partido e do Exército, traíram profundamente a confiança que lhes foi depositada (…) e pisaram e prejudicaram gravemente o sistema de responsabilidade suprema que reside no presidente da CMC [Xi]”, aponta o texto, também divulgado pela agência oficial Xinhua.

O artigo acusa os dois generais de “exacerbarem os problemas políticos e de corrupção que ameaçam a autoridade absoluta do Partido sobre as Forças Armadas” e de “mancharem a imagem e a autoridade dos líderes da CMC”. “Infligiram graves danos aos esforços para reforçar a lealdade política no Exército, o ambiente político do Exército ou a preparação geral para o combate, o que representa um grave impacto negativo para o Partido, o país e o Exército”, acrescenta o documento.

Para além de revelar as acusações contra os dois generais, o editorial enfatiza o objectivo das purgas militares de Xi: “Ficou demonstrado que, quanto mais o Exército luta contra a corrupção, mais forte e puro se torna, com maior capacidade de combate. Se a corrupção for erradicada de forma profunda, as Forças Armadas serão mais capazes e terão mais confiança”, escreve o PLA Daily.

Zhang era considerado uma figura-chave nos planos de Xi para modernizar as Forças Armadas e também o aliado militar mais próximo do Presidente chinês, em parte porque os pais de ambos, o general Zhang Zongxun e o vice-primeiro-ministro (1959-1965) Xi Zhongxun, lutaram juntos na guerra civil que culminou na fundação da República Popular da China em 1949.

De acordo com fontes anónimas citadas pelo jornal de Hong Kong “South China Morning Post”, a acusação contra Zhang — que terá sido detido na passada segunda-feira — é por corrupção, por “não controlar” colaboradores próximos e familiares, e por não ter comunicado os problemas à cúpula do PCC em primeira instância.

Tanto Zhang como Liu, heróis de guerra condecorados e os únicos membros da direção da CMC com experiência real de combate — ambos participaram nas campanhas contra o Vietname no final dos anos 70 —, estiveram ausentes de um seminário do PCC presidido por Xi esta semana, o que desencadeou especulações sobre o seu paradeiro.

Desde que chegou ao poder em 2012, Xi impulsionou sucessivas purgas na cúpula das Forças Armadas, movimentos destinados tanto a combater a corrupção entre as suas fileiras como a reforçar a lealdade dos comandantes militares ao PCC e à sua liderança. Durante o terceiro mandato de Xi, que começou em 2022, como consequência dessas purgas, o número de membro da CMC foi reduzido de sete para quatro, a estrutura mais reduzida desde o fim do maoísmo em 1976.

Comandantes dos diferentes ramos das forças armadas, comissários políticos e até ministros da Defesa estiveram na mira nos últimos anos, com um ponto culminante em outubro do ano passado, data em que as autoridades chinesas anunciaram a expulsão do Exército e do PCC de até nove generais.

O caso mais notório foi o de He Weidong, que chegou a ser o “número 3” do Exército após uma ascensão meteórica em 2022 e que, depois de se colocar precisamente atrás de Xi e Zhang na hierarquia militar, desapareceu da cena pública em março de 2025, antes de ser formalmente acusado de corrupção.

A expulsão de He do EPL e do PCC foi histórica, ao ser o primeiro vice-presidente uniformizado da CMC a ser destituído durante o exercício do cargo em quase seis décadas: o último tinha sido He Long (1967), em plena Revolução Cultural chinesa (1966-1976). Outros líderes militares proeminentes recentemente expurgados foram Miao Hua, um almirante considerado próximo de Xi; os ministros da Defesa Wei Fenghe (2018-2023) e Li Shangfu (março-outubro de 2023), e os comandantes da Força de Foguetes Li Yuchao e Wang Houbin. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


Portugal – Universidade do Porto a caminho de máximo histórico na mobilidade internacional

Só em 2025/2026, 2425 estudantes de 84 nacionalidades já fizeram ou vão fazer uma mobilidade académica na Universidade. Números reforçam tendência dos últimos anos


A Universidade do Porto já superou, em 2025/2026, a barreira dos 2400 estudantes acolhidos ao abrigo de programas de mobilidade no ensino superior, número que, a confirmar-se a tendência dos últimos anos, poderá evoluir para um novo máximo histórico da instituição.

Numa altura em que ainda estão por fechar os dados do ano letivo em curso, são já 2425 os/as estudantes de 84 nacionalidades que passaram ou ainda vão passar pelas 15 faculdades da U.Porto para realizar uma mobilidade de estudos. Um registo que supera largamente os 2058 de estudantes de 63 nacionalidades registados em igual período, no letivo 2024/2025, o qual culminou com um máximo histórico de 2741 mobilidades IN, provenientes de 95 países.

Se as previsões de concretizarem, a U.Porto vai assim reforçar a tendência verificada no pós-pandemia de Covid-19, período em que ultrapassou sempre a barreira das 2000 mobilidades por ano. Durante o pico da pandemia, o número de estudantes de mobilidade acolhidos pela U.Porto ficou-se pelos 938 (e, 2020/2021), subindo para 1927 em 2021/2022, 2240 em 2022/2023 e 2283 em 2023/2024.

Somando todos os registos desde 2018, a U.Porto ultrapassa o número das 17.000 mobilidades acolhidas nos últimos oito anos letivos, com Brasil, Espanha e Itália a liderarem o “top” das nacionalidades mais representadas.

Refira-se que aos estudantes de mobilidade há ainda que juntar os mais de 5000 estudantes estrangeiros que estão atualmente inscritos num curso completo na U.Porto. No seu conjunto, os estudantes internacionais – de grau e de mobilidade – representam já cerca de 20% de toda a comunidade estudantil da Universidade.

Brasil e Erasmus lideram “contingente” de mobilidade

Entre as nacionalidades mais representadas no “contingente” de estudantes de mobilidade IN deste ano, destaca-se uma vez mais o Brasil, com 469 estudantes, seguido pela Itália (322) e pela Espanha (311).

Alemanha (192), França (140), Polónia (211), República Checa (74), Suécia (52), Países Baixos (47), Bélgica (46), Turquia (42), Grécia (34), Finlândia (31) e Macau, SAR China (30) são outras nacionalidades em destaque numa listagem que inclui ainda a China, Índia, Jordânia, México, Palestina, Síria, Tanzânia, Uzbequistão ou o Vietname.

Nota também para os 54 estudantes portugueses que optaram por deixar as suas instituições de origem para cumprir um período de estudos na U.Porto ao abrigo do Programa Almeida Garrett.

Boas-vindas à distância

Dos estudantes que optaram por fazer uma mobilidade na U.Porto em 2025/2026, 1088 chegam já no próximo mês de fevereiro para fazer a sua mobilidade ao longo do segundo semestre. E, à semelhança do que aconteceu nos últimos anos, a Universidade decidiu “antecipar” a sua chegada com um programa de receção online, organizado pelo Serviço de Relações Internacionais (SRI).

Realizada entre os dias 19 e 23 de janeiro, em formato online, a 10.ª edição da Pre-Arrival Week teve como objetivo promover um primeiro contacto entre os estudantes de mobilidade IN e a instituição, assegurando assim um soft landing e uma rápida integração na Universidade e na cidade.

No total, foram dinamizadas dez sessões online com a participação de 1134 estudantes (inscritos). Para além de receberem informações sobre o funcionamento da U.Porto, os participantes puderam ainda frequentar um crash course de Português, participar numa Pausa Ativa orientada pelo Centro de Desporto da U.Porto (CDUP-UP), ou conhecer as atividades da ESN Porto.


Nestas sessões partilharam-se ainda dicas/conselhos sobre como ultrapassar as dificuldades que poderão surgir durante a mobilidade. Foi o caso da sessão dinamizada em parceria com a Polícia de Segurança Pública e que teve como objetivo fornecer aos estudantes um conjunto de informações úteis e práticas para uma estadia segura na cidade. Já a psicóloga Rita Começanha, dos Serviços de Ação Social da U.Porto (SASUP), partilhou um “guia” de soft skills úteis para a adaptação e integração dos estudantes.

Esta semana preparatória será complementada com as habituais Reuniões de Registo, onde os estudantes terão direito a um acolhimento personalizado – presencial ou online – e receberão mais informações sobre a Universidade e a cidade do Porto.

A decorrer em formato presencial e virtual, estas reuniões terão lugar – no caso do formato presencial – no edifício da Reitoria e incluirão a entrega de cartão de estudante e do kit de boas-vindas à instituição. Universidade do Porto - Portugal