Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 6 de abril de 2013

Ensino

 
“Cerca de 20 professores ensinam português em escolas francesas
 
O número de estudantes de língua portuguesa nas escolas francesas está a crescer em média, cinco por cento ao ano, atingindo actualmente os 35 mil alunos, disse recentemente o inspector-geral do ensino do português em França.
 
Alunos de português crescem cinco por cento ao ano em França “O número de estudantes está a crescer significativamente. Desde há 10 anos que os alunos de expressão portuguesa crescem cinco por cento a cada ano. Temos actualmente 35 mil alunos, 40 por cento dos quais estudam ao nível da escola primária”, disse Michel Perez. O inspector-geral do ensino do português em França falava à agência Lusa em Lisboa, no passado dia 14, à margem de colóquio sobre os desafios comuns da lusofonia e da francofonia, integrado nas comemorações dos 60 anos do Liceu Francês de Lisboa.
 
Michel Perez explicou que o Português é ensinado nas escolas francesas por cerca de 20 professores como língua viva estrangeira em pé de igualdade com o inglês, o alemão ou o espanhol e abrange todos os níveis do ensino primário e secundário. Confrontado com a posição das autoridades portuguesas, que consideram que nos últimos anos a integração de cursos de Português no sistema educativo francês sofreu um retrocesso, Michel Perez rejeita a ideia. “Não confirmo (o retrocesso). A maior prova é o número de alunos de português que cresce constantemente e os cursos também aumentam”, disse o responsável, acrescentando que o Estado francês assume ainda o ensino de Português em 20 secções internacionais de universidades francesas. “A única preocupação prende-se com a estagnação do recrutamento de professores por questões orçamentais, que nada têm a ver com o crescimento”, sublinhou Michel Perez.
 
Países assinam acordo de cooperação
 
Entretanto, Portugal e França deverão assinar até final do ano um novo acordo de cooperação linguística que irá reafirmar o compromisso dos dois países em promover reciprocamente o ensino do Português e do Francês, anunciou hoje o embaixador francês.
 
O anúncio foi feito pelo embaixador Pascal Teixeira da Silva na abertura do colóquio. Em declarações aos jornalistas à margem do evento, Pascal Teixeira da Silva adiantou que o acordo, que está pronto e aguarda assinatura, representa uma actualização do acordo de 2006.
 
O novo acordo introduz mudanças em matérias como a avaliação, certificação ou contratação de professores, numa altura em que, segundo o embaixador, o ensino do português em França está a crescer - impulsionado pela importância económica do Brasil - e o interesse pelo francês em Portugal a diminuir.” In Mundo Português” - Portugal

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Naturalidade

Europeu, me dizem.
Eivam-me de literatura e doutrina
europeias
e europeu me chamam.

Não sei se o que escrevo tem a raiz de algum
pensamento europeu.
É provável... Não. É certo,
mas africano sou.
Pulsa-me o coração ao ritmo dolente
desta luz e deste quebranto.
Trago no sangue uma amplidão
de coordenadas geográficas e de mar Índico.
Rosas não me dizem nada,
caso-me mais à agrura das micaias
e ao silêncio longo e roxo das tardes
com gritos de aves estranhas.

Chamais-me europeu? Pronto, calo-me.
Mas dentro de mim há savanas de aridez
e planuras sem fim
com longos rios langues e sinuosos,
uma fita de fumo vertical,
um negro e uma viola estalando.

Rui Knopfli - Moçambique

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Samoa

Num tempo de constantes alterações e adaptações a novas realidades a companhia aérea Samoa Air decidiu começar a cobrar as viagens aéreas de acordo com o peso do passageiro e das suas bagagens.

Laborando numa região onde o número de obesos tem aumentado e segundo a Organização Mundial de Saúde, 81% da população feminina era obesa em 2010, a Samoa Air decidiu desenvolver o custo da passagem aérea segundo o lema “pague o quanto pesa”.

Com um sistema acessível a qualquer passageiro, bastando aceder ao sítio da companhia, declarar o próprio peso e das respectivas bagagens. Depois dos dados introduzidos a empresa calcula o preço da viagem, que poderá ser alterado no momento da viagem, caso, após a pesagem dos clientes, não se confirme os dados anteriormente indicados.

A Samoa Air que voa na região, para a Samoa Americana, Niue, Tonga, Cook Islands e Polinésia Francesa utiliza aviões comerciais de pequeno porte, na qual o peso dos passageiros faz toda a diferença e por isso entende-se esta política comercial, que quem sabe, não será adoptada no futuro por outras companhias aéreas. Baía da Lusofonia

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Baze

                    Ferreira de Castro na Amazônia: uma vida resgatada

                                                           I
            Não se deve levar em conta livro de ficção como documento histórico, ainda que tenha sido largamente inspirado na própria vida do autor. É que na ficção o romancista ou o poeta se desprende de seu compromisso com a realidade e deixa a imaginação voar, misturando tempos e acontecimentos sem rigor cronológico. Mesmo assim, isso não significa que não se possa ler determinada obra como à clef, como sabe quem já cotejou o poema Cartas Chilenas, de Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), com a documentação da época que consta do Arquivo Público Mineiro, em Belo Horizonte, e dos arquivos públicos de Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais.

            É por isso que Abrahim Baze, historiador e museólogo, não andou mal ao escrever Ferreira de Castro: um imigrante português na Amazônia com base no romance A Selva (1930), de Ferreira de Castro (1898-1974), tomando do personagem Alberto muitas experiências que teriam sido vividas pelo próprio romancista que deixou o lugar de Salgueiros, na freguesia de Ossela, no concelho de Oliveira de Azeméis, em 1911, aos 13 anos de idade, para embarcar no vapor inglês Jerome, rumo a Belém do Pará, onde seria despachado para o seringal Paraíso, nas margens do rio Madeira, no Estado do Amazonas.

            O resultado do esforço de Baze foi um ensaio biográfico livre das amarras metodológicas, como bem observou Almir Diniz de Carvalho Júnior, professor de História da Universidade Federal do Amazonas, autor de um dos prefácios deste livro, que acaba de ganhar terceira edição revista e ampliada, depois de ter a sua primeira edição publicada pela Revista Portugal, de Oliveira de Azeméis, em 2001, e sua segunda edição em 2005, já pela Editora Valer, de Manaus.

            Como brinde, acompanha esta edição um DVD com o longa-metragem A Selva, obra de adaptação do romancista Márcio Souza, responsável também pela sua direção. Rodado em 2001, o filme contou com a participação de artistas brasileiros e portugueses de renome, como Diogo Morgado, Maitê Proença, Cláudio Marzo, Paulo Gracindo Júnior, Roberto Bomfim e Chico Dias, além de outros 40 atores e três mil figurantes amazonenses.

                                                           II
            É verdade que, ao levar em conta episódios ficcionais como se fossem reproduções fiéis da realidade, Baze cometeu anacronismos e alguns enganos, como já assinalou Maria Eva Letízia, professora do Centre de Recherche et d´Etudes Lusophones et Intertropicales da Universidade Stendhal, Grenoble III, da França, em crítica publicada na Revista Castriana, do Centro de Estudos Ferreira de Castro, de Oliveira de Azeméis, e reproduzida nesta terceira edição do livro.

          Um deles  foi  ter colocado o jovem José Maria Ferreira de Castro a imaginar-se, quando ainda vivia no seringal Paraíso, passeando pela Avenida da Liberdade, em Lisboa, local que teria sido freqüentado pelo protagonista Alberto, mas que só seria conhecido pelo biografado em seu retorno a Portugal em 1919. Armado com suas lembranças da época em que vivia na Amazônia, Ferreira de Castro escreveu A Selva de abril a novembro de 1929, quando já estava amadurecido e carregava uma boa experiência no jornalismo diário. O livro saiu à luz em 1930 e ganharia tradução alemã em 1933, alcançando grande difusão internacional, tendo sido publicado também na França, Espanha, Inglaterra, Rússia, Tchecoslováquia, Romênia, Suécia, Holanda, Noruega, na antiga Iugoslávia (em croata) e em outros países.

           
          Nenhum daqueles pormenores, porém, empana o brilho do trabalho de Baze, que, profundo conhecedor da realidade amazônica, soube como resgatar os anos verdes de Ferreira de Castro, suas primeiras dificuldades logo ao chegar a Belém, a aventura que foi a viagem para o seringal, as revoltas contra o trabalho (semi) escravo, a criminalidade, as fugas para o interior da floresta, a medicina caseira baseada na tradição indígena, a caça como sobrevivência, a politicagem, os mandões locais, as pragas, as doenças, os dramas individuais, os sonhos, as acomodações desumanas, os males da bebida alcoólica e a vizinhança turbulenta com os índios Parintintins.

                                                           III
      Para  recuperar  os  primeiros passos  de  Ferreira de  Castro,  Baze visitou não só a casa onde o escritor nasceu e que hoje está transformada em museu, mas a escola de instrução primária que ele freqüentou e que lhe daria a base intelectual que lhe serviria para o resto da vida, seguindo uma tradição de autores autodidatas em Portugal que chegaria ao auge com o Prêmio Nobel de Literatura de 1998 atribuído a José Saramago (1922-2010). Aliás, Ferreira de Castro teve o seu nome proposto ao Prêmio Nobel em 1951 e em 1968, desta vez ao lado de Jorge Amado, indicado pela União Brasileira de Escritores.

             Na Amazônia, Baze saiu em busca de, praticamente, todos os passos de Ferreira de Castro, localizando até a hospedaria em que ele ficou em Belém, em frente ao cais do porto. Dessa época, o biógrafo teve ainda o cuidado de republicar velhos cartões-postais que mostram a Belém do começo do século XX e até do navio Justo Chermont que levou o futuro escritor para Manaus. Desta cidade, igualmente há fotografias de 1920, todas do acervo do próprio autor.

          Por fim, Baze reconstitui a chegada de Ferreira de Castro ao seringal Paraíso, que não existe mais desde a abertura da estrada Transamazônica na década de 1970, à época da ditadura militar (1964-1985), quando foi destruído, devastado e dividido em lotes pelo governo federal e vendido a agricultores e pecuaristas do Sul do Brasil.

            Na Amazônia, Ferreira de Castro vive o rescaldo da “febre” da borracha, quando os melhores tempos já se haviam ido e o trabalho dos seringalistas era desenvolvido em condições subumanas. No seringal, José Maria era apenas um rapazola precocemente amadurecido enviado para uma aventura por uma irresponsabilidade que só se justifica pela extrema miséria em que vivia sua família.

            Órfão de pai, era  o  primogênito que teria sido enviado ao Brasil com a esperança de que fosse mais um “brasileiro” a retornar enriquecido para sua vila natal. Que tenha obtido autorização para viajar sozinho, sendo menor de idade, e, mais ainda, que tenha sobrevivido em ambiente tão hostil são fatos que não se explicam e podem ser atribuídos apenas ao imponderável. No ensaio de Baze, tem especial relevo a família Teles Monteiro, proprietária do seringal Paraíso, e Juca Tristão, gerente, especialmente retratados em A Selva, que aqui ganham maiores contornos.

            De 1914 a 1918,  época  que coincide com a Primeira Guerra Mundial, Ferreira de Castro sobrevive em Belém e Manaus na mais completa miséria, embora em condições superiores à vida no seringal. Começa, então, a viver de sua pena, trabalhando no jornal A Cruzada, de Belém. Fundou com um amigo o Jornal Portugal, que era dedicado à numerosa colônia portuguesa da cidade. Publicou reportagens e até um folhetim. Trabalhou ainda no Jornal do Commercio, de Belém, como atesta cartão de identidade funcional reproduzido no livro.

                                                           IV
           Abrahim  Baze  (1949) é  graduado  em  História pela Uninorte e pós-graduado lato sensu em Educação a Distância pelo Centro Universitário Uniseb COC, de Ribeirão Preto-SP. Dedicou boa parte de sua vida profissional a organizar museus no Amazonas. É jornalista, apresentador e documentarista de televisão, com vários trabalhos produzidos, em especial sobre temas amazônicos.

            É diretor do Museu da Rede Amazônica e do Memorial Senador Bernardo Cabral, membro da Academia Amazonense de Letras, do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e apresentador dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no Amazon Sat. Publicou ainda os livros Luso Sporting Club – Memória da Sociedade Portuguesa no Amazonas, História da Rede Amazônica e Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas. Adelto Gonçalves - Brasil
_______________________________
FERREIRA DE CASTRO: UM IMIGRANTE PORTUGUÊS NA AMAZÕNIA, de Abrahim Baze. Manaus: Editora Valer, 3ª ed. revista e ampliada, 2012, 266 págs., R$ 69,00. E-mail: editora@valer.com.br Site: www.editoravaler.com.br
____________________________________
Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: marilizadelto@uol.com.br


terça-feira, 2 de abril de 2013

Coligação

Uma ampla coligação concorre às próximas eleições a realizar-se no dia 26 de Maio de 2013 para a Assembleia Nacional da Guiné Equatorial, para os 30 municípios e pela primeira vez para o Senado, instituição criada na reforma constitucional de Novembro de 2011.

No passado sábado, dia 30 de Março de 2013, firmou-se um acordo de coligação entre o partido do Presidente Teodoro Obiang, o Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE) que na anterior Assembleia tinha 99 dos 100 deputados e dez dos doze partidos legalizados da oposição na Guiné Equatorial.

A assinatura desta coligação realizou-se no Palácio África em Bata e foi subscrito pelos seguintes partidos da oposição: Aliança Democrática Progressista (ADP), Convenção Liberal Democrática (CLD), Convergência Social Democrática e Popular (CSDP), Partido Coligação Social Democrata (PCSD), Partido Liberal (PL), Partido Social Democrata (PSD), Partido Socialista da Guiné Equatorial (PSGE), União Democrática Nacional (UDENA), União Democrática Social (UDS) e União Popular (UP).

Apenas dois partidos vão às urnas sozinhos, a Acção Popular da Guiné Equatorial (APGE) e a Convergência Para a Democracia Social (CPDS) o único partido da oposição que na anterior legislatura conseguiu eleger um deputado, sendo agora estes os partidos da oposição à coligação liderada pelo PDGE de Teodoro Obiang.

O ilegalizado Partido do Progresso da Guiné Equatorial (PP) de Severo Matias Moto Nsa fez saber entretanto, que apoiará o partido que garantir amplas liberdades para o povo da Guiné Equatorial.

Estão em disputa 100 lugares na Assembleia Nacional e 60 no Senado, cabendo ao Presidente da República nomear mais 15 personalidades para completar os 75 membros do Senado. Baía da Lusofonia


Contrabando

Depois da Procuradoria-geral da República moçambicana ter anunciado que iria lançar uma investigação ao actual ministro da Agricultura e ao seu antecessor por alegados envolvimentos no contrabando de madeiras para a República da China, conforme denúncia da Environmental Investigation Agency (EIA), uma organização não-governamental do Reino Unido, independente, comprometida com a protecção ambiental e que o “Baía da Lusofonia” abordou no passado dia 09 de Março de 2013, vem agora o ministro das Finanças de Moçambique falar sobre este assunto.

Recorde-se que a EIA no relatório publicado, denunciou a exploração ilegal de madeira por empresas chinesas com a conivência de altos quadros moçambicanos, tendo para isso os seus técnicos deslocado ao terreno, onde passaram-se por possíveis interessados na compra de madeira e dialogado com os principais negociantes de madeira para contrabando.


O ministro das Finanças moçambicano, Manuel Chang, à margem de um encontro de ONG’s na província de Gaza e perante as questões sobre esta matéria apresentadas pela sociedade civil, afirmou que o Governo está a “inteirar-se do conteúdo do relatório”. Por fim, o ministro declarou que “no momento certo, os moçambicanos encontrarão a resposta.” Baía da Lusofonia

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Diálogo

Comunicado SOS Casamansa

A situação de nem de paz nem de guerra em Casamansa foi sempre uma preocupação da diáspora casamancesa, particularmente da associação SOS Casamansa que, na véspera da eleição presidencial de 2012 havia lançado uma petição internacional, para interpelar os candidatos à eleição presidencial a debruçarem-se nos seus programas em relação à paz e desenvolvimento em Casamansa.

Um ano depois da eleição presidencial, que consagrou a victória do candidato Macky Sall à magistratura suprema senegalesa, a associação SOS Casamansa organiza no próximo sábado 06 de Abril de 2013 em Paris, capital da França, uma Mesa Redonda para analisar a situação actual da Casamansa.

Uma oportunidade para convidados e participantes para fornecerem informações sobre duas questões essenciais:

- Que balanço podemos fazer das diligências do presidente Macky Sall em Casamansa no processo de paz e de desenvolvimento?

- Quais são as reais perspectivas atuais de esperança de paz em Casamansa, e qual o papel da diáspora e de outros atores da sociedade civil na reconstrução da Casamansa?

Endereço: Espace Traeger, 28 rue Boinot 75018 Paris

Saliou Cissé – Casamansa - Casamance