Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Cabo Verde - Neusa Correia Lopes publica livro sobre “Educar durante a pandemia: sala de aula tradicional vs espaço virtual”

Cidade da Praia – A investigadora Neusa Correia Lopes é a única mulher cabo-verdiana e em África que, até agora, publicou sobre “Educar durante a pandemia: sala de aula tradicional versus espaço virtual”, apurou a Inforpress.


Com o aproximar do mês de Março, que é dedicado às mulheres, a Inforpress abordou a escritora que, no seu livro, explora os desafios provocados pela crise sanitária da pandemia do covid-19, com foco no impacto emocional e social.

Em declarações à Inforpress, Neusa Correia Lopes afiançou que o livro, escrito durante a pandemia, aborda a cultura, a diversidade cultural e adaptação no contexto educativo e a experiência dos imigrantes, em particular, dos cabo-verdianos, ao chegarem aos EUA durante a pandemia, bem como o multiculturalismo e as mudanças necessárias no sistema educativo para acolher estes novos alunos.

“O objectivo foi compreender como integrar os recém-chegados nas nossas comunidades, mesmo em tempos difíceis”, enfatizou.

Segundo a autora, um dos temas centrais do livro é a importância da língua inglesa e das barreiras linguísticas enfrentadas pelos imigrantes, numa altura em que o ensino sofreu uma transformação significativa com a transição para as aulas virtuais, trazendo novos desafios e oportunidades.

Neusa Correia Lopes adiantou que o livro vem na sequência das pesquisas realizadas em vários países, incluindo Portugal e Cabo Verde, para melhor compreender os diferentes contextos educativos e o impacto da pandemia, destacando a sua experiência de dar aulas virtualmente em universidades cabo-verdianas enquanto residia nos EUA.

A autora indicou que objectivo é de se reflectir sobre o impacto emocional e psicológico do ensino “online”, procurando criar um espaço confortável para que alunos e professores possam enfrentar as dificuldades deste novo paradigma, vincado numa filosofia a que deu o nome de “between dimensions” (entre dimensões).

Frisou por outro lado, que é preciso manter um equilíbrio psíquico, emocional e social, analisar a situação, observar e manter a calma perante a sociedade em que vivemos, algo que conferiu durante a pandemia com os seus alunos, por isso criou a filosofia “between dimensions”.

“Percebi que a cultura e a língua são cruciais para os indivíduos, especialmente no momento em que o emigrante multilingue e a população estudantil foram desafiados pela covid-19, com o uso de máscaras, o distanciamento social e a necessidade de adaptação a uma nova vida social”, precisou.

Desafios a que, na sua opinião, os professores devem estar atentos, desde à forma emocional, psicológica e fisiológica como devem abordar os alunos numa “sala de aula do Zoom”, de modo a não perderem a identidade e criarem uma nova forma de adaptação social com a transformação tecnológica, que este condicionalismo trouxe ao sistema educativo e que obriga à criação de estratégias para construir resiliência.

A escritora alega que, a chegada da pandemia, lhe causou algum choque inicial e foi então que começou a dar aulas pelo WhatsApp, para garantir a continuidade do ensino.

Além disso, Neusa Lopes acompanhou, de perto, debates científicos internacionais, nomeadamente, os fóruns da Harvard School, onde especialistas como o Dr. Anthony Fauci discutiam a evolução da covid-19, o que lhe permitiu aprofundar a sua investigação.

No final, o livro propõe uma reflexão sobre se a educação pós-pandemia regressará à “normalidade” ou se a crise provocará mudanças permanentes no modo de ensinar e aprender e ao mesmo tempo deixar uma pista para os procedimentos a se ter em conta, caso venha a surgir uma nova pandemia, de modo a que o sistema de ensino esteja preparado para dar resposta as novas exigências.

Finalizou defendendo que, “língua da inteligência artificial (IA) é cultura e dimensão tecnológica também é língua. Isto porque, esta dimensão apresenta sua própria linguagem, os seus próprios parâmetros, pelo que é preciso descodificar esta linguagem. É preciso aproveitar as oportunidades que surgem”. In “Inforpress” – Cabo Verde


quarta-feira, 12 de julho de 2023

Guiné Equatorial - Decretou oficialmente o ensino do português no sistema educativo

O português já tinha sido adotado oficialmente como língua oficial em 2014, ano em que o país aderiu à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

O embaixador da Guiné Equatorial disse que o Governo do seu país decretou a introdução oficial da língua portuguesa no sistema educativo, a começar no próximo ano letivo, com recurso a professores que receberam formação específica.

"Temos vindo a realizar iniciativas pontuais do ensino da língua portuguesa. No próximo ano letivo que começa em breve, o português será introduzido de forma oficial no sistema educativo oficial da Guiné Equatorial com recurso a professores que receberam formação específica para desempenhar esta função", disse à Lusa o embaixador daquele país africano em Lisboa, Tito Mba Ada, em Freixo de Espada à Cinta, no distrito de Bragança, no âmbito da cerimónia de atribuição do prémio literário Guerra Junqueiro Lusofonia 2022.

O diplomata explicou ainda que a importância para a divulgação do português no seu país "é máxima", a partir do momento que a Guiné Equatorial adotou a língua portuguesa de forma oficial, no âmbito da adesão à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em 2014, no decurso da cimeira que decorreu em Díli, Timor-Leste.

"Temos um núcleo de professores nacionais, futuros docentes da língua portuguesa, que fizeram formação especializada para lecionar o português. O Governo do meu país adotou estratégias de política linguística no seio da Universidade Nacional da Guiné Equatorial criando uma licenciatura em língua portuguesa", avançou Tito Mba Ada.

De acordo com o embaixador equato-guineense em Lisboa e da missão junto da CPLP, outras medidas para a difusão da língua portuguesa foram adotadas nos meios de comunicação da Guiné Equatorial como é caso dos telejornais da televisão pública ou programas temáticos dedicados à difusão do português.

"Estas são medidas tomadas pelo Governo da Guiné Equatorial para a disseminação da língua portuguesa. Paralelamente estão a ser formados funcionários da administração pública para obter qualificações através da língua portuguesa, mas de uma forma mais específica. Isto significa que estamos a atracar a língua portuguesa em diferentes frentes: no âmbito escolar, no âmbito da função pública e da sociedade civil", concretizou o diplomata.

Tito Mba Ada referiu ainda que a aprendizagem de uma língua como o português não tem um final é uma situação que passa de geração em geração.

"Nós nunca aprendemos a língua portuguesa na escola. Agora, os nossos jovens já estão a aprender na escola a língua portuguesa e que através dos mais novos a situação será melhorada. Por outro lado, a Guiné Equatorial está a enviar jovens para fazer a sua formação em Portugal, no Brasil e em outros países da CPLP", explicou.

O embaixador disse ainda que o Ministério da Cultura, Turismo e Promoção Artesanal da Guiné Equatorial está a dar formação em língua portuguesa aos trabalhadores hoteleiros para fazerem a difusão deste idioma pelas ruas daquele país africano.

"Para a realização do nosso trabalho de aprendizagem e divulgação do português na Guiné Equatorial contamos com o apoio de várias entidades como o Instituto Camões e de cooperação bilateral dos países membros da CPLP", frisou Tito Mba Ada.

Por seu lado, o ministro da Cultura e Turismo da Guiné Equatorial, Prudencio Botey Sobole, disse à Lusa que já em tempos passados havia ligações culturais entre os vários países e a entrada para a CPLP veio reforçar as ligações.

"Considero tudo isto um vínculo de união desde os nossos antepassados dentro da atual comunidade [CPLP] que representamos", referiu o governante.

Prudencio Botey Sobole referiu que o português é o terceiro idioma oficial da Guiné Equatorial e com a adoção deste idioma os países lusófonos caminham juntos.

Já a escritora equato-guineense Angela Nzumbi, laureada com o Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia em 2020, disse que é um sonho ver os seus livros traduzidos para língua portuguesa.

A escritora prometeu também um livro escrito em português, mas admitiu que primeiro terá de ter conhecimento mais profundo da língua. InExpresso” – Portugal com “Lusa”