Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 27 de julho de 2020

Angola - Incêndios nas plantações da BIOCOM dão prejuízo elevado


Única indústria açucareira do País acarreta prejuízos de centenas de milhões de kwanzas decorrentes de queimada de perto de 900 hectares de plantações de cana sacarina

A Companhia de Energia e Biocombustíveis de Angola (BIOCOM) registou, entre Junho e meados de Julho, prejuízos avaliados em cerca de 250 milhões de kwanzas, em consequência de seis incêndios que atingiram 846,03 hectares de plantações de cana-de-açúcar, revelou ao Novo Jornal o director-geral-adjunto da empresa, Luís Júnior.

O responsável, em entrevista ao NJ, acusa os populares locais da autoria das queimadas de fortes proporções que deflagraram nas fazendas que integram o projecto, aquando da realização de acções de caça furtiva na área, colocando fogo nas plantações, com o intuito de atrair os animais selvagens para as suas armadilhas

"A nível da nossa empresa, temos um grande trabalho de consciencialização nas aldeias junto das populações, mas isso por si só não consegue reverter o quadro. Solicitamos a intervenção engajada das autoridades", salientou o gestor da BIOCOM.

Luís Júnior classifica os incêndios de actos criminosos e arma que estas ocorrências não devem ser tratadas como eventos isolados, requerendo a intervenção imediata das autoridades, no sentido de se impedir que continuem a ocorrer crimes, pois, se continuarem, os prejuízos serão ainda mais elevados, "não só para a empresa, mas também para as comunidades beneficiárias dos diferentes projectos da BIOCOM", alertou.

A BIOCOM, localizada no município de Cacuso, em Malanje, conta, actualmente, com pelo menos três mil trabalhadores e contrariamente às empresas que, neste período de Covid-19, estão a despedir pessoal, contratou mais 700 funcionários, mantendo a meta de produção prevista para este ano de 115 mil toneladas de açúcar, 18 mil metros cúbicos de álcool neutro e 63 megawatts de energia eléctrica, garantiu o responsável.

“Apesar da situação económica e das limitações que a pandemia nos impõe, todos os nossos esforços estão virados para a garantia do cumprimento destas projecções”, assegurou Luís Júnior. Hortênsio Sebastião – Angola in “Novo Jornal”

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Brasil - Portos: atrasos causam prejuízos

SÃO PAULO – Daqui a alguns anos, talvez seja possível calcular com maior precisão os prejuízos que o País sofre com a atual crise econômica, deflagrada em grande parte pela inconsequência de políticos que buscam a perpetuação no poder a qualquer preço. No setor portuário, por exemplo, com a demora para se concretizar investimentos em oito terminais de São Paulo e Pará, o País deverá perder mais de US$ 66 bilhões (R$ 220 bilhões) em quatro anos, diante da impossibilidade de se exportar mais grãos e celulose, segundo cálculos da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP).

Tudo isso se dá não só em função do esvaziamento dos cofres públicos como pela demora para a obtenção de licenças ambientais. Só no Tribunal de Contas da União (TCU) os papéis sobre as áreas a serem licitadas ficaram mais de ano e meio sob análise. Se se levar em conta que, quando concluídos, os terminais terão capacidade para transportar 23 milhões de toneladas de mercadorias por ano, o que geraria aproximadamente US$ 12 bilhões em receitas, não é difícil imaginar o tamanho do prejuízo. Sem contar que os empresários interessados em disputar as concessões, já acuados pela insegurança econômica e pela crise política, sentem-se cada vez mais desestimulados em investir. Ou começam a pensar em alternativas fora do País.

Para piorar, como a região Norte não dispõe de grande capacidade de escoamento, com estradas que viram lodaçais à época das chuvas, os produtores do Centro-Oeste começam a represar o plantio, pois muitos são os custos para o transporte das cargas até os portos de Santos e Paranaguá, nas regiões Sudeste e Sul. E de nada adiantam notícias que seriam alvissareiras, como a de que até novembro deste ano a presidente da República deverá assinar decreto autorizando o traçado para a construção da TO-500, que passará por dentro da Ilha do Bananal, facilitando escoamento da produção entre Mato Grosso e Tocantins. Até porque não se sabe ainda quando começarão as obras e muito menos quando serão concluídas. O que se tem como certo é que será uma rodovia privatizada em que será cobrado pedágio.

No caso dos portos, o principal entrave está na Lei nº 12.815/13, a nova Lei dos Portos, que modificou regras do setor portuário a pretexto de agilizar investimentos e estimular o mercado de trabalho, mas que só produziu efeitos contrários, ao burocratizar as negociações entre os intervenientes públicos e privados e centralizar as decisões, cujo exemplo mais gritante é a dragagem dos portos brasileiros. Como se sabe, esses serviços estão praticamente parados por falta de agilidade das companhias docas, hoje reféns da burocracia de Brasília.

Em conseqüência, à falta de condições para receber navios de maior porte, terminais não foram ampliados e novos não surgiram. Com a falta de investimentos públicos e privados, o que cresce é o desemprego. Por isso, está mais do que na hora de se fazer uma revisão na atual Lei dos Portos. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.