Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Guarani. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Guarani. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Brasil – Por votação brasileiros batizam estrela e planeta de Tupi e Guarani



Batismo de exomundos

Tupi e Guarani são os nomes escolhidos pelos brasileiros para batizar uma estrela e seu planeta, respectivamente.

O batismo do sistema é resultado da campanha Nomeie Exomundos, que marcou as celebrações dos 100 anos da União Astronômica Internacional. A população de cada país pôde votar em nomes para diferentes sistemas, antes só conhecidos por suas siglas de catálogo.

Antes da seleção, a estrela só era conhecida como HD 23079 e seu planeta como HD 23079B. O sistema planetário está na constelação do Retículo.

No Brasil, uma comissão de astrônomos selecionou 14 pares de nomes populares da cultura nacional. Entre as opções estavam: Arara e Sabiá; Caipora e Curupira; Capitu e Bentinho; Dandara e Zumbi; Iara e Saci e os vencedores: Guarani e Tupi.

De acordo com a Sociedade Astronômica Brasileira, o público pôde participar de todo o processo, desde a seleção dos pares de nomes até a votação.

No Brasil, foram propostos 977 nomes e dados 7.060 votos. Guarani e Tupi, que representam nomes de tribos e etnias indígenas, receberam 15% do total.

Segundo a União Astronômica Internacional, 110 países participaram da campanha e puderam escolher os nomes de 100 planetas e suas estrelas, mobilizando quase 780 mil pessoas em todo o mundo.

Estrelas e planetas com nomes sul-americanos

A população da Argentina nomeou a estrela HD 48265 como Nosaxa, que significa primavera na linguagem Moqoit, e o planeta como Naqaya, um termo também em Moqoit que chama a todos de irmãos, sejam indígenas ou não.

A população da Bolívia nomeou a estrela HD 63765 como Tapecue, que significa caminho eterno em Guarani e representa a Via Láctea, através da qual os primeiros habitantes da Terra chegaram e para onde poderão retornar, e o planeta como Yvaga, paraíso em Guarani.

A população do Chile nomeou a estrela HD 164604 como Pincoya, o espírito da água na mitologia chilena, e o planeta como Caleuche, um navio mitológico que singra os mares ao redor da ilha de Chiloé durante a noite.

A população da Colômbia nomeou a estrela HD 93083 como Macondo, a vila mítica de 100 Anos de Solidão, e o planeta como Melquíades, um personagem do mesmo romance de Gabriel Garcia Marquez.

A população do Equador nomeou a estrela HD 6434 como Nenque, que significa Sol na língua Waorani, e o planeta como Eyeke, que significa próximo no mesmo idioma, porque o exoplaneta está muito próximo de sua estrela.

A população do Paraguai nomeou a estrela HD 108147 como Tupã, um dos quatro deuses principais da cosmogonia Guarani, e o planeta como Tume Arandu, filho de Rupavê e Sypavê, o homem e a mulher pais do Universo, respectivamente. Tume Arandu é conhecido como o deus da sabedoria no folclore paraguaio.

A população do Uruguai nomeou a estrela HD 63454 como Ceibo, a árvore nacional do país, e o planeta como Ibirapitá, outra árvore, também conhecida como Árvore de Artigas, o herói nacional do país. In “Inovação Tecnológica” - Brasil

sábado, 4 de junho de 2016

Paraguai - Estévia: milagre ou pesadelo guarani?

A estévia parece ser demasiado boa para ser real: possui virtudes antioxidantes, bactericidas, diuréticas e cicatrizantes. Mas sobretudo como uma poderosa aliada na luta contra a obesidade e o diabetes, dois crescentes flagelos da saúde mundial.

O povo guarani conhece as folhas da planta de Ka’a he’e há mais de mil anos, mas guardou o segredo zelosamente durante muitas gerações. Em língua guarani, seu nome significa “erva-doce” e é verdade: seu poder adoçante é 350 vezes superior ao do açúcar.

Para o resto do mundo é Stevia Rebaudiana Bertoni graças a um cientista suíço. “Em 1887, o sábio Moisés Bertoni identificou e classificou pela primeira vez a planta. Pouco depois, o químico paraguaio Ovidio Reubaudi definiu sua composição química. O trabalho de ambos explica o nome científico que tem hoje a Ka’a he’e”, explica Juan Barboza, presidente da Câmara Paraguaia da Estévia.

A estévia parece ser demasiado boa para ser real: possui virtudes antioxidantes, bactericidas, diuréticas e cicatrizantes. Mas sobretudo como uma poderosa aliada na luta contra a obesidade e o diabetes, dois crescentes flagelos da saúde mundial.

“É um adoçante natural que pode ser parte de uma dieta e de um estilo de vida saudáveis porque não contém nem calorias nem carboidratos e, portanto, não afeta os níveis de açúcar no sangue”, confirma Priscilla Samuel, diretora do Instituto Global da Estévia, em Oak Brook Illinois.

Essas bondades não passaram despercebidas dos gigantes do setor alimentar que adoçam com glucosídeos de esteviol (estrato de alta pureza derivado das folhas de estévia através de um processo químico) produtos como Pepsi Next ou Coca Cola Life. Na Suíça, uma gama de doces da icônica marca Ricola ou as bebidas Beodrinx.

Vítima de seu êxito

Nos anos 1970, quando a ciência começou a suspeitar que alguns edulcorantes – como o ciclamato ou a sacarina – podiam ser cancerígenos e começou a procurar substitutos. A estévia era até então uma planta desconhecida para a indústria alimentar mundial.

O Japão foi um marco de inflexão na internacionalização da Ka’a he’e. “Há cerca de 40 anos, um grupo de japoneses descobriu as vantagens da planta. Encheu um navio de estévia paraguaia e levou embora para iniciar seu cultivo local”, lembra Juan Barbosa.

Alguns anos depois, “os japoneses tiveram problemas de espaço e decidiram levar a estévia para a China, onde não havia essa restrição. Hoje a China é o maior produtor mundial, com cerca de 25.000 hectares cultivados, diante do Paraguai com menos de 2.000 hectares. Atualmente, a planta também é cultivada no Brasil, Índia, Argentina, Taiwan e México, entre outros países, mas a oferta não satisfaz a demanda.

China, líder mundial da produção de estévia





















A ‘estévia química’

Por razões sanitárias, mercados como Estados Unidos, União Europeia ou Suíça proíbem a importação de folhas de estévia, porém admitem o uso de glucosídeos de esteviol.

“O Comitê Científico da Comissão Europeia sobre Alimentação Humana concluiu que a informação disponível sobre as folhas de estévia não era suficiente para garantir ser apta ao consumo humano. Com base nos dados disponíveis, não se pode excluir riscos para a saúde humana, declara Eva van Beek, porta-voz da Secretaria Federal de Segurança Alimentar e Veterinária.

Contudo, “o extrato de alta pureza que se obtém das folhas de estévia e se utiliza em produtos alimentícios é totalmente seguro para o consumo humano, como confirma um compêndio de mais 200 estudos científicos”, segundo a Dra Samuel.

Isso explica que o valor dos alimentos e bebidas adoçados com glucosídeos de esteviol tem oscilado entre 8 e 11 bilhões de dólares em 2015, conforme estimativas da consultoria Industry ARC. São quatro vezes mais do que em 2010.

Na opinião de Juan Barbosa, a demanda crescente desequilibra o mercado, já que as multinacionais fabricam edulcorantes sintéticos que não provém da estévia, sem notificar seus clientes. “Temo-nos expressado em fóruns nacionais e internacionais que nos opomos energicamente a isso porque é uma prática enganosa que afeta seriamente os camponeses guaranis e milhares de humildes produtores de estévia em outros países latino-americanos”.

Biopirataria e direitos indígenas

Um grupo de especialistas reunidos pela ONG Declaração de Berna, a organização independente Pró Estévia Suíça, a Universidade de Hohenheim (Alemanha) e o Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Rural e Reforma Agrária (Paraguai) têm a mesma inquietude. No estudo El sabor agridulce de la stevia (2015) afirmam que as multinacionais violam os direitos indígenas.

“A Convenção sobre a Diversidade Biológica e o Protocolo de Nagoya estabelem que os possuidores de conhecimentos tradicionais têm o direito de se beneficiar deles. E a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas o confirma”, cita o texto. Ainda assim, ignora-se o direito do povo guarani a receber benefícios das vendas.

Segundo François Meienberg, porta-voz da Declaração de Berna, “o auge dos glucosídeos de esteviol iniciou uma corrida  para patentear métodos de produção através da biologia sintética, em vez de obtê-los das folhas da planta”.  Isso confunde o consumidor que acredita receber os benefícios da planta em seu estado natural. 

“Em um futuro próximo, as grandes empresas venderão ou utilizarão glucosídeos de esteviol que não dependerão em nada do cultivo de plantas de estévia. Uma das empresas de ponta nesse setor é a suíça Evolva, que trabalha em colaboração com a americana Cargill [Coca-Cola e Pepsi]”, denuncia Meienberg.

Evolva, com sede em Reinach (Basileia), confirma que vai lançar este ano um produto chamado Eversweet, cujas moléculas são idênticas às que possui a estévia.

Não é de todo ruim

Neil Goldsmith, diretor geral e cofundador da Evolva, defende seu produto como um valioso substituto do açúcar, porém sem as desvantagens da estévia e dos glucosídeos de esteviol que provocam um sabor amargo quando aumenta a concentração nos alimentos.

Será “um produto acessível e que reduzirá o impacto ambiental porque se requer menos terra, água e energia para produzi-lo”. Além disso, garante que o objetivo da Evolva substituir a estévia, mas que o Eversweet seja utilizado em produtos feitos com açúcar tradicional.

Sobre os prejuízos que o novo mercado de ‘estévia química’ causaria aos indígenas guaranis e outros pequenos Goldsmith responde sem hesitar que as ONGs frequentemente se esquecem de dizer algumas coisas. “A maioria da estévia que se consome hoje não provém de pequenos agricultores, mas de grandes produtores na China e no sudeste asiático. Portanto, o panorama romântico que pintam não é real”.

Acordo com pequenos produtores

O potencial futuro dos glucosídeos de esteviol é muito grande. A Organização Mundial de Saúde estima que nos próximos anos poderão representar 30% dos edulcorantes no mundo. Por isso as empresas de biologia sintética buscam substitutos químicos e assim evitar os inconvenientes das condições meteorológicas e as pragas.

Para fazer participar o povo guarani – radicado dos dois lados da fronteira entre o Paraguai e o Brasil – nos lucros da estévia e seus derivados, a Declaração de Berna considera que governos e empresas devem fechar um acordo arbitrado pelos guaranis.

Além disso, proibir toda publicidade enganosa que descreva os glucosídeos de esteviol como produtos naturais. Andrea Ornelas – México - Adaptação: Claudinê Gonçalves – Suíça in “swissinfo.ch”