Alargar os espectáculos musicais até pelo menos às 23h00, em todos os dias do Festival da Lusofonia, é o pedido feito pelas associações no balanço do evento. “Não faz muito sentido que desliguem o som quando alguém está a cantar”, disse Amélia António. “A lei do ruído não é justificação para não estender o tempo das actuações”, sublinha Graziela Lopes. Apesar disso, “a festa é uma alegria, uma confraternização, e Macau deveria valorizar esta forma de estar como uma bandeira e uma identificação sua”, observou a presidente da Casa de Portugal. O coordenador António Machado fala em cerca de 40 mil visitantes e afirma que os objectivos do festival foram totalmente cumpridos
Caiu o pano de mais uma festa lusófona nas Casas da Taipa, que este ano contou, pela primeira vez, com a duração de dois fins-de-semana. O ambiente foi o mesmo de sempre, com muita confraternização e alegria ao longo dos seis dias do evento, apesar de as associações terem reconhecido que a afluência foi um pouco menor do que em edições anteriores. “Talvez porque houve o feriado na segunda-feira e muitas pessoas terão saído de Macau”, disse ao Jornal Tribuna de Macau Graziela Lopes, responsável pela Associação dos Guineenses, Naturais e Amigos da Guiné-Bissau.
Quanto ao ambiente que se vive anualmente, “significa que nós também estamos a abraçar a vontade da organização de nos dar mais espaço”. “Por isso, é fundamental que isto continue para que o Festival da Lusofonia continue a fazer sentido”, disse, acrescentando que “é muito gratificante ver que há sempre tanta gente de fora a deslocar-se ao festival”.
Por seu turno, Amélia António considera ser também muito importante para os quem vêm de fora, para além dos que estão em Macau. “Eu sempre tenho realçado que o Festival da Lusofonia cria um clima de festa, alegria, entendimento, entreajuda, confraternização entre gente de diferentes credos religiosos e atitudes políticas que sabem conviver umas com as outras”, afirmou.
A responsável da Casa de Portugal considera isso um exemplo, “uma autêntica bandeira e identificação da RAEM”, numa altura em que o mundo “está cada vez mais dividido, mais sectarista”. Por isso, acrescenta, “Macau deveria valorizar mais esta forma de viver, realçar as suas características”.
Graziela Lopes está a favor da continuidade de dois fins-de-semana, ainda que seja bastante cansativo para as associações. Daí que defenda que devesse haver “mais estudantes chineses e dos países lusófonos nos respectivos stands, pagos para esse efeito, para que pudesse haver uma mais eficaz comunicação aos visitantes sobre a cultura dos respectivos países”.
Quanto a esse aspecto, Amélia António disse que deveria ser melhorado. “Face às dificuldades de arranjar voluntários para ajudar as associações, os estudantes que frequentam as várias universidades em Macau deveriam poder receber alguma compensação financeira, porque uma grande parte deles tem algumas dificuldades económicas e assim teriam uma pequena compensação pela ajuda que prestavam”, apontou.
A dirigente reforça que “é preciso mobilizá-los para que apareçam na festa, até para funcionar como uma formação, conviverem com as pessoas”. “Seria tirar proveito para mostrar a diferença de Macau e aí estes aspectos não são devidamente aproveitados”, sublinha.
As regras “deviam ser revistas de modo a permitir prestar apenas serviços pontuais, o que seria justo para eles e para as associações”, revela, considerando que os dois fins-de-semana “é uma boa ideia, mas era preciso um pouco mais de apoio para se enfrentarem estas situações, porque as associações têm sempre muitas limitações”.
De resto, os horários, principalmente dos espectáculos. “Terminar às 22h00 continua a não fazer sentido, havendo apenas a excepção ao sábado à noite”, sustenta. “Penso que não haveria problema com a questão do ruído e terminar pelo menos às 23h00 todos os dias, porque as casas das pessoas estão um pouco longe da área do festival. Às vezes terminar um espectáculo às 22h00 condiciona muito e ontem foi feriado, portanto, o tempo deveria ser alargado”, defendeu Amélia António. E depois, “há situações, com queixas das pessoas, em que o som é desligado um minuto antes da hora estabelecida, quando um show ainda está a decorrer”.
Graziela Lopes também não compreende a razão de não se poder fazer uma excepção à lei do ruído. “A justificação da lei do ruído não pode ser justificação para o que tem vindo a acontecer, uma vez que pode haver excepção à lei, como em todas as leis”.
Interrogado sobre a questão dos horários, o coordenador do Festival da Lusofonia é peremptório: “Não há qualquer hipótese de irmos contra a lei do ruído”. António Machado prefere focar-se nos aspectos que norteiam a festa.
“Foi positivo, com os objectivos a serem totalmente cumpridos, apesar de reconhecer que, no total, estava à espera de mais gente”, disse a este jornal. Mesmo assim, nota, “julgo que perto de 40.000 pessoas tenham visitado o evento nos seis dias, o que é bastante bom”. Machado reconhece que o tempo não ajudou muito no primeiro fim-de-semana, mas no segundo “já chamou mais gente”.
Quanto ao futuro, “estão reunidas as condições para continuarmos a ter dois fins-de-semana consecutivos, até porque isso possibilita que haja visitantes diferentes em cada um dos períodos”. “Estou satisfeito com o balanço do festival deste ano”, rematou. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”
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