Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 3 de abril de 2026

África - Preços do cacau afundam 65% em apenas dois anos

A Costa do Marfim e o Gana continuam a dominar largamente a produção global, assegurando mais de metade da oferta mundial, seguidos por países como Nigéria e Camarões. Esta concentração geográfica confere à região um papel determinante na formação dos preços internacionais


A evolução recente do preço do cacau nos mercados internacionais tem sido marcada por uma forte correcção, com quedas acumuladas na ordem dos 65% em cerca de dois anos, depois de um período de máximos históricos que alimentou expectativas de escassez prolongada. Depois de um pico de 11.675 USD/ton que aconteceu em Dezembro de 2024, o preço nos mercados internacionais tem vindo a cair até ao mínimo de 2798 USD/Ton em Janeiro deste ano, tendo no I trimestre de 2026 valorizado ligeiramente. Esta inversão reflecte, em primeiro lugar, um ajustamento entre oferta e procura, após um ciclo de forte valorização impulsionado por choques climáticos na África Ocidental e por constrangimentos logísticos globais.

Com a normalização parcial das colheitas, sobretudo na Costa do Marfim, e a reposição de stocks por parte das grandes indústrias transformadoras, os preços começaram a ceder, num movimento também influenciado pela desaceleração do consumo em mercados-chave, como a Europa e EUA, pressionados por inflação e perda de rendimento disponível. A isto junta-se a componente financeira, com investidores a reduzirem posições especulativas em commodities agrícolas, acelerando a trajectória descendente das cotações. É neste contexto de volatilidade que se reafirma a centralidade da África Ocidental no mercado mundial do cacau.

A Costa do Marfim e o Gana continuam a dominar largamente a produção global, assegurando mais de metade da oferta, seguidos por países como Nigéria e Camarões. Esta concentração geográfica confere à região um papel determinante na formação dos preços internacionais, mas também expõe o mercado a ciclos de instabilidade, dado que qualquer perturbação climática ou fitossanitária nestes países tem impacto imediato na oferta global.

Apesar deste domínio africano, começa a desenhar-se uma reconfiguração gradual do mapa produtivo, com a América Latina a ganhar protagonismo. O Equador destaca-se como o principal produtor fora de África, consolidando uma estratégia assente na qualidade, nomeadamente no segmento de cacau fino e de aroma, destinado a nichos premium da indústria do chocolate. Peru, República Dominicana e Colômbia seguem o mesmo caminho, ainda que com volumes mais modestos, mas com maior incorporação de valor. Esta aposta evidencia uma tentativa de fugir à lógica tradicional de exportação de matéria-prima, procurando capturar uma fatia mais significativa da cadeia de valor.

Já a Indonésia, que no passado ocupou posições cimeiras no ranking mundial, enfrenta actualmente uma trajectória mais errática. Continua a ser o maior produtor asiático, mas tem perdido competitividade devido ao envelhecimento das plantações, à menor renovação tecnológica e a problemas de produtividade, factores que têm limitado o seu peso relativo no mercado global.

Apesar da diversidade crescente de produtores, o destino do cacau mantém-se altamente concentrado. A esmagadora maioria da produção mundial é exportada para a Europa, onde se localizam as principais indústrias de transformação e fabrico de chocolate. Este desequilíbrio estrutural evidencia uma clivagem persistente: os países produtores, maioritariamente em África e na América Latina, continuam dependentes da exportação de cacau em bruto, enquanto o valor acrescentado é capturado nas economias industrializadas, perpetuando uma relação desigual numa das cadeias agroindustriais mais relevantes à escala global. Hermenegildo Ferreira – Angola in “Expansão”


sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Portugal - Intercepta narco-submarino com 1,7 toneladas de cocaína a caminho da Península Ibérica

As autoridades portuguesas interceptaram um navio que transportava drogas no Oceano Atlântico com 1,7 toneladas de cocaína destinadas aos mercados europeus. Quatro tripulantes foram presos


As autoridades portuguesas interceptaram um narco-submarino transportando mais de 1,7 toneladas de cocaína no Oceano Atlântico, numa operação coordenada com diversas agências estrangeiras, anunciou nesta segunda-feira a Polícia Judiciária portuguesa.

O submarino semissubmersível, com quatro tripulantes a bordo, tinha como destino "diversos países europeus", segundo as autoridades, que não especificaram o ponto de partida do submarino nem a nacionalidade dos detidos.

A Operação “El Dorado” envolveu a coordenação entre a Polícia Judiciária Portuguesa e a Marinha, com o apoio das autoridades do Reino Unido e dos Estados Unidos.

A Força Aérea Portuguesa, a Agência Nacional de Combate ao Crime do Reino Unido, a Agência Antidrogas dos EUA e a Força-Tarefa Interagências Conjunta Sul participaram da interdição.

A polícia portuguesa também contou com o auxílio de informações do Centro de Análise e Operações Marítimas sobre o Tráfico de Drogas, com sede em Lisboa, que inclui oito países da UE — Bélgica, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Espanha, Países Baixos e Portugal — no fortalecimento da cooperação internacional contra o tráfico de drogas por via marítima e aérea.

As autoridades descreveram a apreensão como "um novo golpe para as redes transnacionais de tráfico de cocaína que operam entre a América Latina e a Europa".

Os navios semissubmersíveis, projetados para navegar parcialmente submersos a fim de evitar a detecção, representam um método preferido pelos cartéis de drogas para transportar grandes carregamentos de cocaína da América do Sul para os mercados europeus.

O tráfico de drogas pelo Atlântico normalmente tem origem em regiões produtoras de cocaína na Colômbia, Peru ou Bolívia, antes de percorrer milhares de milhas náuticas para chegar à costa europeia.

As águas portuguesas têm se tornado cada vez mais pontos de trânsito para narcóticos que entram na Europa, com as autoridades relatando um aumento nas apreensões, à medida que as organizações de tráfico adaptam suas rotas e métodos para evitar a detecção. Euronews


segunda-feira, 7 de julho de 2025

Peru - Arqueólogos descobrem cidade com 3500 anos

Arqueólogos anunciaram a descoberta de uma cidade antiga na província de Barranca, no norte do Peru


Acredita-se que a cidade de 3500 anos, chamada Peñico, serviu como um importante centro comercial que ligava as primeiras comunidades da costa do Pacífico com aquelas que viviam nas montanhas dos Andes e na bacia amazónica

Localizado a cerca de 200 km ao norte de Lima, este sítio fica a cerca de 600 metros acima do nível do mar e acredita-se que tenha sido fundada entre 1800 e 1500 a.C. — mais ou menos na mesma época em que as primeiras civilizações floresciam no Médio Oriente e na Ásia.

Citados pela BBC, investigadores dizem que a descoberta esclarece o que aconteceu com a civilização mais antiga das Américas, a Caral.

Imagens recolhidas com drones divulgadas pelos investigadores mostram uma estrutura circular num terraço na encosta do centro da cidade, cercada por restos de construções de pedra e barro.

Oito anos de pesquisa no local revelaram 18 estruturas, incluindo templos cerimoniais e complexos residenciais.

Em edifícios do local, os investigadores descobriram objetos cerimoniais, esculturas de argila de figuras humanas e animais e colares feitos de contas e conchas.

Peñico está situada perto de onde Caral, reconhecida como a civilização mais antiga conhecida nas Américas, foi fundada há 5000 anos, por volta de 3000 a.C., no vale de Supe, no Peru.

Caral possui 32 monumentos, incluindo grandes estruturas piramidais, agricultura de irrigação sofisticada e assentamentos urbanos. Acredita-se que se tenha desenvolvido isoladamente de outras civilizações antigas semelhantes na Índia, Egito, Suméria e China.

A investigadora Ruth Shady, arqueóloga que liderou a investigação sobre Peñico e a escavação de Caral na década de 1990, revelou, citada pela agência de notícias Reuters, que a descoberta foi importante para entender o que aconteceu com a civilização Caral depois desta ser dizimada pelas alterações climáticas.

A comunidade de Peñico estava "situada num local estratégico para o comércio, para trocas com sociedades do litoral, das terras altas e da selva", acrescentou Shady.

O Peru abriga muitas das descobertas arqueológicas mais significativas das Américas, incluindo a cidadela inca de Machu Picchu, nos Andes, e as misteriosas Linhas de Nazca, esculpidas no deserto ao longo da costa central. In “MadreMedia Sapo” - Portugal


domingo, 17 de novembro de 2024

Peru – Inaugurado o porto de águas profundas de Chancay estratégico para o Brasil e China

Construído pela China, o porto de Chancay, a norte de Lima, foi inaugurado na quinta-feira pelo Presidente chinês, Xi Jinping, ilustrando a importância da infraestrutura nos planos de Pequim para a América Latina.

 

Com o custo de construção estimado em 3,5 mil milhões de dólares, o porto visa servir como centro logístico fundamental na região e um ponto de ligação crucial entre a América do Sul e o Indo-Pacífico. 

A infraestrutura é de especial interesse para o Brasil, que pode assim obter acesso ao oceano Pacífico. O projecto Rotas de Integração da América do Sul, iniciativa do governo do Presidente Lula da Silva, para ligar o Brasil aos principais centros de comércio e desenvolvimento da região, inclui duas rotas com destino ao porto de Chancay. “Esta integração sul-americana que estamos a planear foi pensada tendo em conta mudanças económicas e estruturais dos últimos 24 anos. No passado, exportávamos mais para a Argentina, EUA e Europa. Isso mudou: a China é agora o nosso principal parceiro”, justificou o secretário de coordenação institucional do Ministério do Planeamento brasileiro, João Villaverde. 

Em 2023, as exportações do Brasil para a China superaram os 104 mil milhões de dólares, o maior valor de sempre vendido pelo Brasil para um só país. O mercado chinês absorve já 30% das vendas brasileiras para o exterior. 

Para os EUA, que vêem com apreensão a crescente influência da China na América Latina, o porto é visto como peça fundamental no tabuleiro económico e geopolítico da região. “Esperem até que o porto de Chancay, no Peru, seja ligado ao Brasil. Isso vai servir de alerta para todos”, disse Erik Bethel, antigo representante dos EUA no Banco Mundial, durante uma conferência em Miami sobre segurança no hemisfério ocidental. “Se não estão a acompanhar, procurem no Google. É um grande problema”, vincou.

A general Laura Richardson, responsável pelo Comando Sul das Forças Armadas dos EUA, tem manifestado preocupação há anos. “A China está quase à porta da nossa casa”, descreveu a general ao Congresso norte-americano, em Março passado. Pequim “está a jogar a longo prazo, com o desenvolvimento de locais e instalações de dupla utilização [civil e militar] em toda a região. A China apresenta os seus investimentos como sendo pacíficos, mas, na realidade, muitos deles servem como pontos de acesso futuro de múltiplos domínios para o seu Exército e como pontos de estrangulamento naval estratégico”, resumiu. 

Oficialmente, a China tem apenas um porto militar além-fronteiras, no Djibuti, no Corno de África. Mas alguns dos seus portos comerciais também são utilizados para reabastecer e carregar navios de guerra, como as instalações em Hambantota, no Sri Lanka. Na última década, o país asiático construiu de raiz ou comprou participações maioritárias numa vasta rede de portos fundamentais para o comércio mundial, desde o Pireu, na Grécia, a Gwadar, no Paquistão. Segundo o grupo de reflexão Council on Foreign Relations, as empresas estatais chinesas detêm participações em cerca de 100 portos em 64 países, em todos os oceanos e continentes, excepto na Antártida. 

A própria China alberga oito dos 10 maiores portos de contentores do mundo. Durante o mesmo período, o país asiático modernizou as forças navais e tem agora a maior marinha do planeta. Com quase 18 metros de profundidade, o terminal de águas profundas do porto de Chancay pode acolher os maiores navios porta-contentores do mundo, capazes de transportar até 24.000 contentores. 

Segundo a Cosco Shipping Ports, a estatal chinesa que detém 60% do porto, a infraestrutura vai reduzir para já o custo do transporte de e para Peru, Chile, Colômbia e Equador, que vão deixar de ter de utilizar portos no México e nos EUA para o comércio com a Ásia. A instalação “vai permitir à China posicionar-se nesta parte do mundo”, explicou Oscar Vidarte, professor de relações internacionais na Universidade Católica do Peru, citado pela agência de notícias France-Presse. João Pimenta “Agência Lusa” in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 8 de novembro de 2024

América do Sul - Mais de 420 mil crianças são afetadas por seca recorde na Amazónia, diz Unicef

Choques climáticos no Brasil, Colômbia e Peru deixam menores sem acesso à educação, alimentos e serviços vitais. Mais de 1,7 mil escolas brasileiras foram fechadas ou ficaram inacessíveis devido aos níveis baixos de água nos rios


Mais de 420 mil crianças estão afetadas pela seca recorde que atinge a Amazónia, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.
O evento climático extremo, desde o ano passado, deixou os rios da bacia amazónica em níveis extremamente baixos, afetando severamente o Brasil, Colômbia e Peru.
Mais de 1,7 mil escolas fechadas no Brasil
Nestes países, as famílias que vivem em comunidades ribeirinhas e indígenas dependem dos rios para transportar e aceder a alimentos, água, combustível e suprimentos médicos básicos.
A via fluvial também é importante para que as crianças consigam ir às aulas. Somente no Brasil, mais de 1,7 mil escolas e 760 centros de saúde foram fechados ou ficaram inacessíveis devido aos níveis baixos dos rios.
A última avaliação do Unicef em 14 comunidades no sul da Amazónia brasileira, revela que metade das famílias está com os seus filhos fora da escola como resultado da seca.
“A saúde da Amazónia afeta a saúde de todos”
A oferta de serviços essenciais, incluindo saúde e proteção infantil também foi interrompida na região.
A diretora executiva da Unicef, Catherine Russell disse que a região vivencia a devastação de um ecossistema essencial do qual dependem as famílias, “deixando muitas crianças sem acesso adequado a alimentos, água, cuidados de saúde e escolas".
Ela afirmou que é preciso mitigar os efeitos da crise climática extremas para proteger as crianças hoje e as gerações futuras. Para Russell, “a saúde da Amazónia afeta a saúde de todos”.
Crises na Colômbia e no Peru
Já na Amazónia colombiana, a queda foi mais drástica de até 80%, restringindo o acesso à água potável e ao abastecimento de alimentos.  Em mais de 130 escolas, aulas presenciais foram suspensas.
Isso aumentou o risco de recrutamento, uso e exploração por grupos armados não estatais e levou ao aumento de infecções respiratórias, diarreias, malária e desnutrição aguda entre os menores de 5 anos.
No Peru, a região nordeste de Loreto é a mais afetada pela seca, deixando em risco comunidades remotas, a maioria delas indígenas e já vulneráveis.
Mais de 50 centros de saúde tornaram-se inacessíveis, enquanto os incêndios florestais, muitas vezes gerados pelo ser humano e impulsionados pela seca, estão causando devastação sem precedentes e perda de biodiversidade em 22 das 26 regiões do país.
Necessidade de US$ 10 milhões para a resposta
A Unicef estima que US$ 10 milhões são necessários durante os próximos meses para atender às necessidades mais urgentes das comunidades afetadas pelas secas no Brasil, Colômbia e Peru, incluindo a distribuição de água e outros suprimentos essenciais.
O investimento também cobriria mobilização de brigadas de saúde e fortalecimento da resiliência dos sistemas comunitários e serviços públicos locais nas comunidades indígenas afetadas.
A Amazónia é a maior e mais diversificada floresta tropical do planeta e abrange nove países da América do Sul. ONU News – Nações Unidas


sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Embaixador chinês considera “fundamental” inclusão do Brasil na Iniciativa Faixa e Rota

O embaixador chinês em Brasília disse que China e Brasil “não devem estar satisfeitos com o estado actual da cooperação” e descreveu a adesão brasileira a um importante programa da política externa chinesa como “fundamental”. Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, Zhu Qingqiao, que participou num evento do Conselho Empresarial Brasil – China, em São Paulo, na véspera do 50.º aniversário das relações entre os dois países, defendeu que a inclusão do Brasil na Iniciativa Faixa e Rota seria uma “demonstração de estabilidade” na “relação de cooperação de longo prazo”. As empresas chinesas construíram portos, estradas, linhas ferroviárias, centrais eléctricas e outras infraestruturas em todo o mundo, numa tentativa de impulsionar o comércio e o crescimento económico. O programa cimentou também o estatuto da China como líder e credora entre os países em desenvolvimento. O Brasil tem, no entanto, enviado apenas diplomatas de baixo escalão para participar nos fóruns em Pequim, contrastando com vários dos seus países vizinhos, que se fizeram representar por chefes de Estado ou de Governo.  “A adesão poderia trazer benefícios mútuos e facilitar a identificação de sinergias entre a procura brasileira e os interesses chineses nos setores mais estratégicos”, afirmou o embaixador. “Acreditamos que a iniciativa é altamente consistente com a estratégia de desenvolvimento do Governo de Lula da Silva, como os planos de reindustrialização, as rotas de integração sul-americana e o projeto de aceleração do crescimento”, acrescentou.

Na América do Sul, apenas Brasil, Colômbia e Paraguai ainda não aderiram à iniciativa de Pequim. Em particular, as autoridades brasileiras procuram financiamento para obras que ajudariam o Brasil a conectar-se com o Oceano Pacífico, especialmente o porto de águas profundas em Chancay, no Peru, que foi construído com financiamento chinês e deve ser inaugurado em Novembro. “Penso que as empresas chinesas estão muito interessadas em envolver-se de alguma forma” na ligação do Brasil a Chancay, explicou o embaixador chinês, citado pelo SCMP. A crescente influência da China no Brasil e na América Latina tem, no entanto, levado a advertências por parte de Washington. Em Maio passado, a chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, Laura Richardson, em visita ao Rio de Janeiro para exercícios militares conjuntos, disse à imprensa local que “as democracias do Brasil e dos Estados Unidos partilham uma história de 200 anos, enquanto a parceria com a China tem apenas 50 anos”. “Como democracias, respeitamo-nos mutuamente. Respeitamos a soberania uns dos outros”, disse. “Respeitamos os povos uns dos outros, as democracias, o que não acontece com um país comunista porque eles não respeitam os direitos do seu próprio povo”, frisou. Richardson alertou que Brasília terá de prestar atenção às “condições impostas” por Pequim, no âmbito de uma possível adesão à Iniciativa Faixa e Rota. “O que aprendemos é que a iniciativa parece muito boa na superfície, mas há muitas letras miúdas”, acrescentou. “É preciso ler as letras miudinhas para ver todas as condições e como a soberania é retirada ao longo do tempo se os empréstimos não forem reembolsados e coisas do género”, alertou. Em resposta, a embaixada chinesa acusou Richardson de “adotar uma mentalidade típica da Guerra Fria” e de seguir uma “lógica hegemónica”. In “Ponto Final” - Macau

 

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Peru – Descoberta praça circular que é tão antiga quanto as pirâmides do Egipto, dizem cientistas

A descoberta não é a mais antiga até agora feita no Peru, mas reforça o conhecimento sobre as civilizações pré-históricas da América


Uma praça circular de pedra que foi descoberta no Peru em 2018 terá cerca de 4750 anos, tão remota quanto as pirâmides do Egipto e o monumento megalítico de Stonehenge, confirmou um grupo de cientistas esta quinta-feira (22), após realizar testes de radiocarbono.

"A praça circular megalítica tem uma antiguidade de 4750 anos, o que quer dizer 2700 anos antes de Cristo e é contemporânea das pirâmides do Egipto e de Stonehenge, na Inglaterra", disse à AFP a arqueóloga Patricia Chirinos.

A descoberta remonta ao ano de 2018, mas só este mês os investigadores conseguiram confirmar a idade e importância do local, devido a atrasos causados pela pandemia.

O achado foi feito por um grupo de arqueólogos peruanos e americanos, e fica localizado nas áreas montanhosas do sítio arqueológico de Callacpuma, a 8km da cidade de Cajamarca, 800km a norte de Lima.

O local carateriza-se pela sua construção única de grandes pedras colocadas verticalmente, que formam uma estrutura de aproximadamente 20 metros de diâmetro com dois muros concêntricos.

"Era um espaço para cerimónias da comunidade, isso diz-nos que há cerca de 5 mil anos os antigos cajamarquinos realizavam cerimónias no alto destes montes", explicou Chirinos.

A diretora de Projeto de Investigação Arqueológica considera que esta descoberta é muito importante para a pré-história de Cajamarca e do Peru porque "não se sabia que esse tipo de estrutura era tão antiga".

O Ministério da Cultura declarou num comunicado que "oferendas de cerâmica, fragmentos de cristal de quartzo, sodalita, antracite e miniaturas de pedra foram encontradas" nas imediações da praça.

No entanto, a descoberta não é a mais antiga do Peru, pois a cidadela de Caral tem 5 mil anos e é considerada a civilização mais remota da América e uma das mais antigas do mundo a par das da Mesopotâmia, Egipto, China, Índia e Creta.

A investigação foi liderada por Chirinos e pelo arqueólogo americano Jason Toohey, da Universidade do Wyoming. In “Sapo” - Portugal com “AFP”


quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Moçambique - Rafo Diaz lança “O menino serpente” na Livraria Sequoia

Às 10 horas do próximo dia 2 de Dezembro, na Livraria Sequoia, na Cidade de Maputo, o escritor peruano Rafo Diaz, residente no país há vários anos, vai lançar a sua mais recente obra literária. Intitulada “O menino serpente”, a história do enredo é inspirada em factos reais.


“O menino serpente” tem como protagonista Bento, personagem que nasce com um problema de saúde que o impede de andar. Bento foi crescendo a rastejar como uma cobra. Daí lhe veio a alcunha de “menino serpente”

Depois de muitos anos de ausência, Bento regressa à sua aldeia e, enquanto na casa de infância espera pelos vizinhos, familiares e amigos, recorda a sua história e reflecte sobre o quotidiano das pessoas que sofrem de deficiência no confronto com a sociedade onde vivem.

O livro de Rafo Diaz é uma história que, apesar de difícil, se revela plena de esperança, podendo ser uma fonte de inspiração para quem nasceu marcado pela “diferença”.

A cerimónia de lançamento de “O menino serpente”, de Rafo Diaz, é organizada em coordenação com a Fundação para Apoio de Crianças com Deficiência e a Livraria Sequoia. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 20 de julho de 2022

Peru – José Saramago será homenageado durante a Feira do Livro de Lima

O tema da presença portuguesa na Feira do Livro de Lima, no Peru, que tem Portugal como país convidado, vem de José Saramago, homenageado ao longo do certame, de 22 de julho a 07 de agosto


“O fim de uma viagem é apenas o início de outra”, frase de Saramago, foi “o mote escolhido para a participação de Portugal”, que terá um pavilhão de 160 metros quadrados, “localizado numa zona de destaque do Parque de los Proceres”, onde a 6.ª Feira Internacional do Livro de Lima se realiza, com um espaço de livraria, um auditório e uma exposição dedicada ao Nobel português da literatura, como indica o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

Doze autores de língua portuguesa, ou associados à sua divulgação e investigação, entre os quais Afonso Cruz, David Machado, Jerónimo Pizarro, José Luís Peixoto e Margarida Vale de Gato, constituem a comitiva já anunciada, aos quais se juntam o cineasta António-Pedro Vasconcelos e os músicos Marta Pereira da Costa e Pedro Jóia, conforme nova informação da representação portuguesa.

Adélia Carvalho, Ana Filomena Amaral, André Letria, Carla Maia de Almeida, Fernando Évora, Luis Novais e Lauren Mendinueta são os outros autores que fazem parte da comitiva.

A atribuição do doutoramento Honoris Causa da Universidade Nacional Mayor de San Marcos a António Lobo Antunes, conhecida há duas semanas, marcará o dia de abertura ao público da feira do livro, na próxima sexta-feira.

A primeira das três áreas do pavilhão português corresponde a uma livraria, gerida por um livreiro peruano com o apoio de Portugal, com obras traduzidas de autores portugueses e uma mostra de livros em português dos escritores da comitiva, que “serão posteriormente oferecidos a bibliotecas públicas no Peru”, indica o instituto Camões.

O auditório acolherá programação, composta por sessões com os autores convidados, exibição de vídeos sobre cultura e literatura portuguesas, assim como “Portugal enquanto destino turístico”.

A zona de exposições inclui uma mostra dedicada a José Saramago, alusiva ao centenário do seu nascimento, que se assinala este ano.

A participação de Portugal como “convidado de honra” remonta a 2020, ano em que a feira não se realizou, por causa da pandemia de covid-19, tendo sido o estatuto de país convidado transferido para este ano.

A Câmara Peruana do Livro, que organiza a feira internacional, indica que o certame vai contar com mais de 140 pavilhões, e apresenta uma programação que ultrapassa as 600 atividades, 204 das quais destinadas a crianças e jovens.

Haverá ainda 50 convidados estrangeiros, que incluem os 15 portugueses, 17 espetáculos de música, dança e teatro, mais de 30 eventos no âmbito das ciências, e a participação de nove embaixadas.

A presença portuguesa é coordenada pela Equipa Interministerial para as Feiras Internacionais do Livro, o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, o Turismo de Portugal e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), em colaboração com a Embaixada de Portugal no Peru.

Para a sessão inaugural da feira, nesta quinta-feira, é esperado o ministro português dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, que deverá participar igualmente na cerimónia de atribuição do doutoramento Honoris Causa a António Lobo Antunes, a poucos meses da publicação do novo romance do escritor, “O Tamanho do Mundo”, já anunciada para outubro.

A distinção ao autor português é dada pela Universidade Nacional Mayor de São Marcos, fundada em 1551, a principal universidade do Peru e a mais antiga do continente americano. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Croácia - Estudantes da Universidade de Zagreb descobriram uma nova espécie de gafanhoto pigmeu no Peru


Foi durante uma pesquisa no sítio iNaturalist que um grupo de estudantes da Universidade de Zagreb encontrou a fotografia de um gafanhoto com umas cores vivas e uma forma que o distinguiam das espécies já conhecidas. Ao entrarem em contacto com o fotógrafo e cientista Roberto Sindaco, o grupo decidiu estudar melhor este animal.

“Esta espécie é claramente diferente de todas as suas congéneres pela morfologia e coloração”, explicam os autores no estudo, agora publicado no Journal of Orthoptera Research. Na análise, esta é comparada a outras semelhantes que se encontram na mesma área, como a Scaria hamata, a Scaria lineata e a Scaria maculata.

É raro uma espécie ser identificada apenas através de fotografias, e neste caso, o grupo não teve ainda essa possibilidade. É reconhecida, por isso, como uma espécie “sem nome do género Scaria“, que foi descoberta em agosto de 2008 numa floresta tropical em Yambrasbamba, no Peru. Nesse período foram vistos dois espécimes do sexo masculino e feminino (os fotografados), mas como não voltaram a ser avistados, isso está a dificultar a sua nomeação.

Sabe-se que é um gafanhoto pigmeu da família Tetrigidae, da subfamília Batrachideinae e do género Scaria. Existem algumas diferenças que distinguem a fêmea do macho, nomeadamente o tamanho da distância vértice dos olhos e a cor das pernas e do tórax. In “Green Savers Sapo” - Portugal


 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

América do Sul - Representantes de nove países reinstalam o Parlamento Amazônico

 


Com representantes do Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru, Venezuela, Suriname, Guiana, Equador e Guiana Francesa foi reinstalado nesta segunda-feira o Parlamento Amazônico (Parlamaz). Criado há 32 anos, o grupo tem o objetivo de estabelecer políticas integradas e estreitar as relações entre os países-membros na discussão sobre as questões amazônicas, promovendo a cooperação e o desenvolvimento sustentável da região Amazônica.

“A nossa pauta principal neste momento é a proteção do nosso imenso patrimônio, constituído pela Floresta Amazônica. São 7 milhões de quilômetros quadrados de pura riqueza, a região de maior biodiversidade do planeta”, ressaltou o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), eleito por aclamação para presidir o Parlamaz. Em reunião remota do colegiado hoje (21), Trad deu prazo até 21 de janeiro para que os membros indiquem candidatos para a vice-presidência e apontamentos para o plano de trabalho do grupo. A data da próxima reunião do Parlamento Amazônico ainda não foi definida.

Criado em 17 de abril de 1989, o Parlamaz funcionou por alguns anos, mas acabou desmobilizado. A ideia de reativá-lo, depois de oito anos inativo, voltou em 2019, após uma reunião dos países-membros na Embaixada do Equador. Segundo Nelsinho Trad, depois daquele encontro foram realizados debates decisivos para a continuidade do projeto.

“Nossa intenção é dar voz às populações nativas, oferecer não uma obra passageira, mas uma contribuição definitiva que se perpetuará no tempo. A reinstalação do Parlamaz significa um passo importante, e os resultados poderão impactar de modo decisivo e firme o nosso futuro”, afirmou.

Para o deputado colombiano Juan David Velez, outro grande desafio dos países-membros é sugerir ações de proteção ao meio ambiente também de forma geral. “Para nós, o Parlamaz trará sinergia para a região [Amazônica], visando ações que gerem produtividade sustentável e riqueza. Não queremos seguir com a pobreza, e precisamos tratar desse tema de modo responsável”, disse.

Uma das representantes da Bolívia, a deputada Marta Ruiz Flores disse que o parlamento boliviano está comprometido com a causa. Segundo ela, juntos, os países do Parlamaz podem promover mudanças importantes para a sustentabilidade do bioma amazônico.

Aquecimento global

Na opinião do presidente da Assembleia Nacional da Guiana, Manzoor Nadir, o aquecimento global tem trazido mudanças e consequências que não podem ser medidas, mas que precisam ser combatidas. Ele chamou atenção para a responsabilidade do Parlamaz em relação à legislação ambiental. “Estamos falando de uma lei que tem um poder único de apresentar números e trazer soluções. Nosso tempo de agir é agora”, disse.

O deputado brasileiro Léo Moraes (Podemos-RO) disse que além de defender os amazônidas, como indígenas e ribeirinhos, é fundamental que o grupo parlamentar chame à participação todas as populações que habitam a área. “Temos que cuidar e aliançar o interesse pelo desenvolvimento e pelo progresso pensando, sobretudo, na nossa soberania. Ninguém melhor que os moradores e desbravadores dessa região para nos transmitir as experiências inerentes a esse rincão e estamos à disposição para promover esse bom debate”, disse.

Para Carlos Alberto Lázare Teixeira, da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (Otca), o Parlamaz é um canal de diálogo e cooperação entre os legislativos desses países, fundamental para consolidar as políticas de Estado necessárias à Amazônia.

Composição

Brasil: senadores Nelsinho Trad (PSD-MS), Eduardo Braga (MDB-AM), Plínio Valério (PSDB-AM), Paulo Rocha (PT-PA) e Telmário Mota (Pros-RR); e os deputados Marcelo Ramos (PL-AM), Léo Moraes (Podemos-RO), Perpétua Almeida (PCdoB-AC) e José Ricardo (PT-AM).

Bolívia: Marta Ruiz Flores, Sara Kattya Condori, Carlos Hernán Arrien Aleiza, Alcira Rodríguez, Ana Meriles e Genaro Adolfo Mendoza.

Colômbia: Germán Alcides, Blanco Álvares, Harry Gonzalez, Henry Correal, Juan David Velez, Maritza Martinez, Harold Valencia, Carlos Cuenca e Jorge Guevara.

Equador: Fernando Flores, Carlos Cambala.

Guiana: Manzoor Nadir.

Peru: Gilmer Trujillo Zegarra.

Suriname: Marinus Bee.

Venezuela: María Gabriela Hernández Del Castillo, Romel Guzamana. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “EBC”

domingo, 6 de dezembro de 2020

Peru - Criada uma cátedra de história e cultura portuguesa

 


O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Camões, I.P.) e a Universidade Nacional Maior de São Marcos (UNMSM), em Lima, Peru, assinaram um protocolo que formaliza a criação da cátedra de História da Cultura Portuguesa naquela universidade.

“Esta que é a 52ª Cátedra do Camões I.P. tem como objetivo apoiar o desenvolvimento, junto da cidade de Lima e da região que a acolhe, de um conjunto de iniciativas de carácter científico e cultural no âmbito das linhas de investigação definidas entre as partes, abrangendo a Literatura Portuguesa, História da Cultura Portuguesa, Culturas de Expressão Portuguesa e Tradução”, informa o Instituto Camões numa nota.

A Cátedra História da Cultura Portuguesa ‘José Saramago’, na Faculdade de Letras e Ciências Humanas da UNMSM “é possível graças à assinatura de um protocolo de cooperação que procura potencializar o desenvolvimento científico e pedagógico de professores pesquisadores em estudos culturais portugueses, através dos grupos de estudo associados a esta área”, lê-se numa publicação da universidade peruana na sua página na Internet.

A UNMSM é uma universidade pública e a principal instituição de ensino do Peru, sendo ainda considerada a primeira universidade peruana e a mais antiga do continente americano.

O protocolo de cooperação foi assinado pelo ex-reitor da Faculdade de Letras, José Carlos Ballón Vargas, e pelo Embaixador de Portugal no Peru, Alfonzo Henriques de Azeredo Malheiro. À cerimónia assistiram o reitor da UNMSM, Orestes Cachay Boza, e o atual reitor da Faculdade de Letras, Gonzalo Espino Relucé.

A colaboração entre o Camões, I.P. e a UNMSM remonta a abril de 2019, com a assinatura de um protocolo de cooperação pelo qual o Instituto apoia a contratação pela universidade de um docente, sendo atualmente esse posto desempenhado pelo professor Luís Novais. O estudo da História da Cultura Portuguesa e da Literatura como opção curricular é oferecido no Departamento de Literatura, às diversas licenciaturas.

No âmbito do Programa Empresa Promotora da Língua Portuguesa, e por via do protocolo assinado com o Camões, I.P., a cátedra de História da Cultura Portuguesa contará ainda com o apoio financeiro da companhia de seguros Fidelidade, presente no Peru. In “Mundo Português” - Portugal


quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Peru – Projeto ambicioso para criar uma cidade sustentável no deserto

 


Entre recursos públicos e privados, estima-se que o investimento ronde os 2,5 mil milhões de euros para a construção da cidade que pretende albergar 115 mil habitantes e construir uma área florestal de 2 mil hectares (o equivalente a 60% das áreas verdes da capital, Lima.

O Ministério do Ambiente peruano diz que a cidade será um “modelo pioneiro de gestão territorial sustentável” no país. “Uma cidade que incorpora dinâmicas produtivas e logísticas sob um modelo sustentável e que enfrenta os desafios das mudanças climáticas”, afirmou a ministra Kirla Echegaray.

O crescimento desordenado da capital peruana é, há vários anos, um dos problemas da cidade e dos seus habitantes. No entanto, este ambicioso projeto não está isento de preocupações quanto ao seu desenvolvimento. É isso que diz a analista política e especialista em gestão pública Karen López Tello em entrevista à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC. Ela enumera possíveis dificuldades relacionadas com a gestão de recursos económicos, conexão entre diferentes instituições e também a situação política.

“Isso exige um grande esforço de coordenação multissetorial que também deve ser sustentado ao longo do tempo e por mais de um governo”, diz a analista, que é presidente da associação civil Propuesta País. Apesar das dificuldades observadas, López Tello considera a iniciativa oportuna, inovadora e desafiadora.

O presidente Martín Vizcarra anunciou que este projeto, que irá ficar situada em Ancón, perto de Lima, capital do Perú, surge no âmbito da comemoração dos 200 anos da independência do país, que se celebra a 28 de julho de 2021. In “Green Savers Sapo” - Portugal

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

CPLP - Países observadores podem vir a financiar cooperação nos Estados-membros




Lisboa - O secretário-executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) disse, em Lisboa, que os países observadores associados da organização podem vir a financiar projetos de cooperação, assunto a decidir na cimeira de 2020 em Luanda.

"Tendo em conta o número crescente de países observadores associados da CPLP, nós estamos num processo de reflexão sobre a melhor forma de aproveitar todas as potencialidades e de criar sinergias entre os países observadores e a CPLP", afirmou o embaixador Francisco Ribeiro Telles, em declarações à imprensa, à margem de um debate, na Sociedade de Geografia, sobre o futuro da organização.

Segundo o diplomata, neste contexto, "uma das ideias que está em cima da mesa é que projetos de cooperação que envolvam os Estados-membros da CPLP possam vir a ter o financiamento de países observadores".

"Portanto, agora há que partir pedra e ver quais são os projetos que interessam à CPLP e quais os que interessam aos países observadores", comentou.

Francisco Ribeiro Telles recordou que já houve uma reunião com os países observadores, este ano, na qual foi debatido o assunto, e adiantou que haverá uma outra, ainda antes do final de 2019, provavelmente em novembro, para continuar aquilo a que chamou "processo de reflexão".

Nesta próxima reunião, o diplomata admitiu que "podem ser dados passos importantes para que na cimeira de Luanda possa haver uma decisão naquele sentido".

Durante o debate que hoje decorreu em Lisboa sobre "CPLP -- Que presente e que futuro", na sua intervenção, o secretário-executivo referiu que já foram aprovadas também as candidaturas do Peru, Roménia, Grécia, Qatar e Costa do Marfim que, desta forma em breve poderão fazer parte daquele grupo, logo que sejam "sancionadas na cimeira de chefes de Estado e de Governo", a decorrer em Luanda, capital de Angola, em 2020.

Também os Estados Unidos da América apresentaram recentemente o pedido para serem observadores associados da organização lusófona.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa contava em 2014 com três observadores associados, lembrou Ribeiro Telles, na sua intervenção, em que adiantou que havia "várias ideias a germinarem ao nível dos Estados-membros da CPLP" sobre como se encaixar os países observadores na organização.

Na mesma, considerou ainda que a tendência "era cada vez mais para que países observadores possam vir a financiar ou a colaborar em projetos de cooperação nos Estados-membros da CPLP".

A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Atualmente, são observadores associados 18 países e uma organização internacional (Organização dos Estados Ibero-Americanos). In “Sapo Timor-Leste”

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Bolívia - Corte Internacional nega pedido de saída para o mar

Paris - O Chile não deve ser obrigado a negociar a cessão à Bolívia de um acesso ao oceano Pacífico, definiu nesta segunda-feira (1º de outubro) a Corte Penal Internacional, em Haia, na Holanda.

O presidente boliviano, Evo Morales, foi ao tribunal para ouvir a sentença, mas não seu homólogo chileno, Sebastián Piñera, que enviou embaixadores do país. O placar foi de 12 votos desfavoráveis ao pleito de La Paz contra 3 pró.

"A corte observa que o Chile e a Bolívia têm uma longa história de diálogos e negociações destinados a identificar uma solução apropriada à 'mediterraneidade' [fato de estar rodeada de terra por todos os lados] da Bolívia", leu o presidente do tribunal, Abdulqawi Ahmed Yusuf. "Entretanto, não pode concluir que o Chile tenha a obrigação de negociar o acesso soberano [do vizinho ao mar]."

A disputa territorial tem resquícios da era colonial e da ausência de fronteiras precisas em alguns enclaves da América espanhola. O território de Charcas, onde, hoje, fica a Bolívia, teria uma face voltada para o mar, argumentam certos historiadores.

História

No momento em que declarou a independência do país, em 1825, Simón Bolívar entendeu que o perímetro recém-criado incluía uma faixa litorânea, a mesma reivindicada já naquele momento pelo Chile, independente desde 1818. Ficou por isso mesmo.

O pano de fundo do mal-entendido era a exploração nascente de prata, cobre e nitrato na área visada pelos dois lados, situada no deserto do Atacama.

Em 1866, os países assinaram um tratado fronteiriço que fixava o paralelo 24 sul como limite e determinava a divisão entre eles dos impostos auferidos com a exploração mineral naquela região. Oito anos depois, um novo documento congelou por 25 anos a taxação de companhias chilenas de mineração.

Em 1878, o Legislativo da Bolívia questionou um contrato, firmado cinco antes entre o governo do país e uma grande mineradora chilena, que garantia a esta isenção fiscal por 25 anos. Quis impor uma taxação. A contenda logo arrastou o governo do Chile, que enviou um navio de guerra à área depois de a empresa ter seus bens confiscados e ser colocada em leilão.

Em abril de 1879, Santiago declarou guerra. La Paz tinha na manga um tratado de defesa mútua com o Peru, mas nem isso foi o suficiente para que vencesse o conflito. Em 1884, os países assinaram um termo de cessão de todo o litoral boliviano ao Chile.

O ditador Augusto Pinochet propôs em 1975 ao vizinho a criação de uma faixa de acesso ao Pacífico no extremo norte do Chile, mas pediu em troca um naco de terra semelhante dentro da Bolívia. O diálogo não avançou, e desde o fim daquela década os países mantêm relações diplomáticas restritas ao mínimo.

Evo Morales contrariou orientação da Organização dos Estados Americanos (OEA) ao ingressar com processo na Corte Internacional de Justiça, em 2013. O colegiado do continente havia estimulado La Paz e Santiago a debaterem o tema bilateralmente. In “Valor Econômico” – Brasil

Guerra do Pacífico - A guerra em que a Bolívia ficou sem mar

A Guerra do Pacífico foi um conflito ocorrido entre 1879 e 1883, confrontando o Chile às forças conjuntas da Bolívia e do Peru. Ao final da guerra o Chile anexou ricas áreas em recursos naturais de ambos os países derrotados. O Peru perdeu a província de Tarapacá e a Bolívia teve de ceder a província de Antofagasta, ficando sem saída soberana para o mar, o que se tornou uma área de fricção na América do Sul, chegando até os dias atuais, e que é para a Bolívia uma questão nacional (a recuperação do acesso ao oceano Pacífico consta como um objetivo nacional boliviano em sua atual constituição).

Originada nas desavenças entre Chile e Bolívia sobre o controle de uma parte do Deserto de Atacama rica em recursos minerais. Este território controverso era explorado por empresas chilenas de capital britânico. O aumento de taxas sobre a exploração mineral logo se transformou numa disputa comercial, crise diplomática e por fim, guerra.

Havia muitas controvérsias acerca dos reais limites entre os países depois da descolonização. Todas as novas nações herdaram os interesses imperialistas do já combalido império espanhol. Bolivianos e chilenos discordavam quanto à soberania da região, embora toda ela já estivesse sendo explorada por companhias chilenas dotadas de capital britânico. O Chile tinha uma economia mais robusta e instituições mais fortes que a maioria dos outros países latino-americanos. No entanto, quando da proclamação da Bolívia por Simón Bolívar, este deixou claro que a Bolívia herdara dos espanhóis uma saída soberana para o mar.

Somente em 1866 foi assinado um tratado entre Chile e Bolívia estabelecendo limites territoriais, fixando o 24º paralelo como fronteira e delimitando que ambos países dividiriam impostos sobre os recursos situados entre o 23º e 24º paralelos. Um segundo tratado foi assinado em 1874, cedendo os impostos sobre os produtos entre o 23º e 24º paralelos inteiramente para a Bolívia, mas fixando taxas para as companhias chilenas para os próximos 25 anos. As companhias chilenas se expandiram rapidamente, controlando a indústria mineira, deixando a Bolívia temerosa da perda de seu território.

Em 1878 o presidente boliviano Hilarión Daza decretou um aumento de taxas sobre as companhias chilenas que exploravam o litoral boliviano, retroativo ao ano de 1874, sob protestos do governo chileno, do presidente Aníbal Pinto. Quando a empresa Antofagasta Nitrate & Railway Company se recusou a pagar a sobretaxa, o governo boliviano ameaçou confiscar todas suas propriedades. O Chile respondeu enviando um navio de guerra para o local em dezembro de 1878. A Bolívia então declarou o seqüestro dos bens da empresa, anunciando o leilão para 14 de fevereiro de 1879. No dia do leilão, 200 soldados chilenos desembarcaram e ocuparam a cidade portuária de Antofagasta, sem resistência.

Em 1 de Março de 1879 a Bolívia declarou guerra ao Chile, invocando uma aliança secreta que mantinha com o Peru: o Tratado de Defesa de 1873. O governo peruano estava determinado a cumprir sua aliança com a Bolívia, também temeroso do crescente expansionismo chileno, porém receavam que as forças aliadas não eram páreo para o exército chileno; preferiam um acordo à guerra. Um diplomata peruano foi enviado para intermediar o desentendimento. O Chile requereu neutralidade por parte do governo peruano, mas a aliança entre Peru e Bolívia impedia tal neutralidade. O Chile respondeu então com a quebra das relações diplomáticas e ulterior declaração de guerra aos dois aliados em 5 de Abril de 1879. O Peru se viu então arrastado para uma guerra, em razão do tratado de aliança com a Bolívia.

A Argentina, que disputava com o Chile o controle da região da Patagônia, foi convidada pelas forças aliadas para entrar no conflito. No entanto, o governo argentino recusou o pedido, preferindo resolver sua divergência por vias diplomáticas.

Sob os termos do Tratado de Ancón, o Chile ocupou as províncias de Tacna e Arica por 10 anos, onde depois do tempo estipulado seria realizado um plebiscito que decidiria a nacionalidade da região. Os dois países nunca concordaram com os termos do plebiscito. Finalmente, em 1929, sob o intermédio do presidente estadunidense Herbert Hoover, um acordo foi feito no qual o Chile ficou com Arica; O Peru readquiriu Tacna e recebeu $6 milhões em indenizações.

Em 1884, a Bolívia assinou uma trégua que deu total controle da costa pacífica ao Chile, com suas valiosas reservas de cobre e nitratos. Um tratado de 1904 tornou este arranjo permanente. Em retorno, o Chile concordou em construir uma ferrovia ligando La Paz, capital boliviana, ao porto de Arica, garantindo liberdade de trânsito ao comércio boliviano pelos portos chilenos. Santos da Silveira – Brasil in “História Ilustrada”


Matheus Santos da Silveira, Professor de História formado pela PUCPR, Especialista em História Contemporânea e Relações Internacionais.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Peru - Sepulturas e galerias subterrâneas milenares são descobertas

Com pequenos robôs equipados com microcâmeras, arqueólogos encontraram sepulturas de humanos e objetos de cerâmica da cultura Chavín, que floresceu entre os anos 1.300 e 550 antes de Cristo no atual Peru



Três galerias e sepulturas foram descobertas nas últimas semanas na zona do Monumento Arqueológico Chavín de Huántar, na região de Áncash, 462 km ao norte de Lima, informou o Ministério da Cultura.

"Foram encontradas três novas galerias subterrâneas que apresentam as primeiras sepulturas de humanos encontradas da época Chavín", referiu em comunicado.

Esta é a descoberta "mais importante dos últimos 50 anos no Monumento Arqueológico Chavín de Huántar", acrescentou.

No local foram encontradas peças de cerâmica, utensílios, as sepulturas intactas de uma pessoa adulta, enterrada de bruços, e de uma criança.



"As novas descobertas mostram-nos um mundo de galerias que têm a sua própria organização, com conteúdos distintos", disse à imprensa o arqueólogo americano John W. Rick, da Universidade de Stanford, que dirige esta investigação.

Rick explicou que no complexo de Chavín há 35 galerias construídas em distintos períodos e ainda restam dúzias delas por desenterrar.

"A hipótese com que se vem trabalhando é que aparentemente o adulto teria sido sacrificado como parte do encerramento da galeria", disse o vice-ministro do Património Cultural, Luis Felipe Villacorta, ao jornal La República.

Acrescentou que "aparentemente, estes lugares serviam para a preparação dos sacerdotes na época de Chavín".

Para a exploração, os arqueólogos usaram pequenos robôs com microcâmeras, que puderam entrar em lugares muitos pequenos e descobriram cavidades nos labirintos de Chavín.

"A descoberta das galerias tem uma dupla particularidade: o uso de novas tecnologias que revelaram espaços que permaneceram fechados desde a época Chavín, e a riqueza da informação arqueológica", destacou Villacorta.

O Monumento Arqueológico Chavín de Huántar, que foi o centro administrativo e religioso da cultura Chavín, é o primeiro grande centro religioso e de peregrinação da América do Sul. Em 1985 foi declarado Património da Humanidade pela Unesco. In “Sapo24” - Portugal