Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 3 de abril de 2026

África - Preços do cacau afundam 65% em apenas dois anos

A Costa do Marfim e o Gana continuam a dominar largamente a produção global, assegurando mais de metade da oferta mundial, seguidos por países como Nigéria e Camarões. Esta concentração geográfica confere à região um papel determinante na formação dos preços internacionais


A evolução recente do preço do cacau nos mercados internacionais tem sido marcada por uma forte correcção, com quedas acumuladas na ordem dos 65% em cerca de dois anos, depois de um período de máximos históricos que alimentou expectativas de escassez prolongada. Depois de um pico de 11.675 USD/ton que aconteceu em Dezembro de 2024, o preço nos mercados internacionais tem vindo a cair até ao mínimo de 2798 USD/Ton em Janeiro deste ano, tendo no I trimestre de 2026 valorizado ligeiramente. Esta inversão reflecte, em primeiro lugar, um ajustamento entre oferta e procura, após um ciclo de forte valorização impulsionado por choques climáticos na África Ocidental e por constrangimentos logísticos globais.

Com a normalização parcial das colheitas, sobretudo na Costa do Marfim, e a reposição de stocks por parte das grandes indústrias transformadoras, os preços começaram a ceder, num movimento também influenciado pela desaceleração do consumo em mercados-chave, como a Europa e EUA, pressionados por inflação e perda de rendimento disponível. A isto junta-se a componente financeira, com investidores a reduzirem posições especulativas em commodities agrícolas, acelerando a trajectória descendente das cotações. É neste contexto de volatilidade que se reafirma a centralidade da África Ocidental no mercado mundial do cacau.

A Costa do Marfim e o Gana continuam a dominar largamente a produção global, assegurando mais de metade da oferta, seguidos por países como Nigéria e Camarões. Esta concentração geográfica confere à região um papel determinante na formação dos preços internacionais, mas também expõe o mercado a ciclos de instabilidade, dado que qualquer perturbação climática ou fitossanitária nestes países tem impacto imediato na oferta global.

Apesar deste domínio africano, começa a desenhar-se uma reconfiguração gradual do mapa produtivo, com a América Latina a ganhar protagonismo. O Equador destaca-se como o principal produtor fora de África, consolidando uma estratégia assente na qualidade, nomeadamente no segmento de cacau fino e de aroma, destinado a nichos premium da indústria do chocolate. Peru, República Dominicana e Colômbia seguem o mesmo caminho, ainda que com volumes mais modestos, mas com maior incorporação de valor. Esta aposta evidencia uma tentativa de fugir à lógica tradicional de exportação de matéria-prima, procurando capturar uma fatia mais significativa da cadeia de valor.

Já a Indonésia, que no passado ocupou posições cimeiras no ranking mundial, enfrenta actualmente uma trajectória mais errática. Continua a ser o maior produtor asiático, mas tem perdido competitividade devido ao envelhecimento das plantações, à menor renovação tecnológica e a problemas de produtividade, factores que têm limitado o seu peso relativo no mercado global.

Apesar da diversidade crescente de produtores, o destino do cacau mantém-se altamente concentrado. A esmagadora maioria da produção mundial é exportada para a Europa, onde se localizam as principais indústrias de transformação e fabrico de chocolate. Este desequilíbrio estrutural evidencia uma clivagem persistente: os países produtores, maioritariamente em África e na América Latina, continuam dependentes da exportação de cacau em bruto, enquanto o valor acrescentado é capturado nas economias industrializadas, perpetuando uma relação desigual numa das cadeias agroindustriais mais relevantes à escala global. Hermenegildo Ferreira – Angola in “Expansão”


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Estados Unidos da América - Fela Kuti, inventor do Afrobeat, torna-se o primeiro africano a receber um Grammy pela sua carreira

Este prémio reconhece toda a sua obra e finalmente coloca a lenda nigeriana no topo do cenário musical mundial


Quase trinta anos após a morte do pioneiro do Afrobeat, no último domingo, 1.º de fevereiro, ele recebeu um prémio póstumo histórico na cidade de Los Angeles, onde Fela Anikulapo Kuti se juntou ao seleto grupo de lendas mundiais homenageadas com o Grammy Awards.

Ao lado de nomes como Carlos Santana e Whitney Houston, o "Presidente Negro" tornou-se o primeiro artista do continente africano a receber este prémio pelo conjunto da obra. Para este músico que fundiu jazz, funk e raízes africanas numa arma de resistência, este prémio confirma o que a África já sabia: o seu génio é universal.

Mas, por trás do glamour da cerimónia, este prémio também serve como um lembrete do preço da liberdade. Fela não era um artista de salão. As suas canções ecoavam o movimento anticorrupção e antimilitarista, o que lhe rendeu prisões e perseguições ao longo da vida. Se o Afrobeat moderno domina o mundo hoje, é porque Fela abriu o caminho com autenticidade crua. A sua prima, Yemisi Ransome-Kuti, celebrou esta vitória e afirmou categoricamente que "não devemos esperar a morte de grandes homens para celebrar o seu impacto".

O legado de Fela continua vivo graças aos seus filhos, Femi e Seun, assim como o seu neto, Made, que mantêm viva essa chama musical. Este Grammy não é apenas uma peça de museu; é um novo impulso para uma obra de 50 álbuns que se recusa a envelhecer.

Em 2026, a homenagem em Los Angeles prova que a voz de Fela Kuti, embora nascida nos clubes de Lagos, não conhece fronteiras.

Fela nunca procurou a aprovação do mundo; foi o mundo que, no fim, se curvou à sua verdade. Além do troféu, este triunfo é o de uma África que não precisa mais pedir permissão para existir ou brilhar. O "Presidente Negro" nos legou muito mais do que ritmos: ele restaurou a dignidade e a voz do continente. Quase trinta anos após a sua morte, o seu saxofone ainda ressoa como um lembrete eterno de que o coração pulsante da música mundial reside aqui, nesta terra que agora se recusa a ser silenciada. Fernando Mbuy – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


sexta-feira, 2 de maio de 2025

Nigéria - Adolescente autista estabelece recorde mundial de pintura

Um jovem autista na Nigéria quebrou o recorde da maior tela de arte do mundo – oficialmente reconhecido pelo Guinness World Records. A sua tela visa destacar os desafios que pessoas como ele enfrentam em meio ao estigma e às representações sombrias do autismo



Um nigeriano autista de 15 anos estabeleceu o Recorde Mundial do Guinness para a maior tela de arte do mundo para consciencializar sobre o autismo.

A pintura de Kanyeyachukwu Tagbo-Okeke, que apresenta uma fita multicolorida - o símbolo do autismo - cercada por emojis, abrange 12.304 metros quadrados.

O objetivo é destacar o transtorno do espectro autista e os desafios que pessoas como ele enfrentam em meio ao estigma — como os comentários altamente controversos feitos por Robert F. Kennedy Jr.

O Secretário de Saúde e Serviços Humanos dos EUA declarou recentemente o autismo uma "epidemia", ao mesmo tempo em que afirmou que muitas pessoas autistas "nunca pagarão impostos, nunca terão um emprego, nunca jogarão beisebol, nunca escreverão um poema, nunca sairão para um encontro".

Gostaríamos de vê-lo realizar algo tão impressionante quanto a pintura de Tagbo-Okeke.

A obra de arte, criada em novembro de 2024, foi revelada e oficialmente reconhecida pelos organizadores do Guinness World Record na capital da Nigéria, Abuja, durante o Dia Mundial da Aceitação do Autismo, em abril.

O ministro da arte e cultura da Nigéria, Hannatu Musawa, disse que a arte de Tagbo-Okeke é “um farol de esperança e inspiração” para pessoas com autismo.



Reconhecemos as capacidades e o potencial únicos de indivíduos com autismo e nos dedicamos a fornecer oportunidades para que eles prosperem nas indústrias criativas”, acrescentou Musawa.

A tentativa de quebrar o recorde do jovem artista, acompanhada por uma campanha intitulada “A impossibilidade é um mito”, foi amplamente celebrada entre os nigerianos, em parte devido à sua pouca idade.

De facto, a sua arte eclipsou a de Emad Salehi, o recordista mundial anterior, que era quase três vezes mais velho, aos 42 anos, quando estabeleceu o recorde com uma tela de 9652 metros quadrados. 

“Sentimos uma enorme sensação de alívio e orgulho, sabendo das inúmeras horas e meses de esforço que ele dedicou para quebrar o recorde”, disse a sua mãe, Silvia. 

A tentativa de recorde mundial de Kanyeyachukwu também procurou arrecadar fundos para a Fundação Zeebah, uma organização sem fins lucrativos focada em fornecer suporte a pessoas dentro do espectro e suas famílias.

Há recursos limitados na Nigéria para iniciativas como esta e, embora não haja registos oficiais na Nigéria, cerca de 1 em cada 100 crianças no mundo tem autismo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

Como em muitos outros países, o autismo geralmente não é diagnosticado na Nigéria até anos mais avançados. Euronews.culture com “AP”


terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Nigéria e Angola "preparam" duro golpe no negócio bilionário da importação de refinados da Europa para África

A gigantesca refinaria Dangote, do milionário nigeriano Aliko Dangote, começou a produzir gasolina em finais de 2024 e já neste mês de Janeiro atingiu a sua plena funcionalidade, com gasóleo e outros derivados, dando um primeiro golpe letal no negócio bilionário da exportação de refinados europeus para o continente africano, que supera os 20 mil milhões USD por ano



O segundo golpe pode estar já em preparação em Angola, quando entrarem em operação as três refinarias em construção no país, em Cabinda, no Soyo (Zaire) e no Lobito (Benguela), que vão juntar, aos 650 mil barris por dia da Refinaria Dangote, na Nigéria, mais cerca de 360 mil, sendo a do Lobito a maior, com 200 mil a trabalhar no máximo.

Com os dois maiores produtores africanos a erguerem capacidade interna para refinar o seu próprio crude, libertando-se da dependência das importações, que, no caso angolano representa perto de 2 mil milhões USD por ano, e no nigeriano era superior a 7 mil milhões USD, embora estes valores tenham variado ao longo dos anos, os analistas esperam uma substancial redução no volume das importações continentais de refinados.

A Refinaria Dangote é uma machadada no gigantesco negócio, e um dos mais inexplicáveis estrangulamentos económicos do continente africano, onde a produção de petróleo era, e ainda é, quase toda exportada em bruto para depois esses países se abastecerem de refinados europeus produzidos com a matéria-prima importada de África, somando avultados ganhos de permeio.

Alex Kimani, economista e especialista no sector, em análise publicada no sítio OilPrice, refere isso mesmo, quando descreve a situação prevalecente na Nigéria antes da entrada em funcionamento da Refinaria Dangote, que custou mais de 20 mil milhões USD, com capacidade para processar 650 mil barris/dia, substancialmente mais que qualquer refinaria na Europa.

É a primeira vez em décadas que, graças ao investimento de Aliki Dangote, o maior produtor de petróleo africano refina o seu próprio crude que é vendido à NNPC, a petrolífera estatal, cortando assim o enorme desgaste nas reservas cambiais no negócio da importação de refinados, porque o Estado nigeriano adquire agora estes produtos na moeda nacional, a Naira.

Mas Kimani sublinha que um elemento fulcral deste momento relevante para a Nigéria é que, tal como vai suceder com Angola, assim que as novas refinarias, que vão acompanhar a velha refinaria de Luanda entrarem em funcionamento, haverá excedentes para libertar para os países vizinhos, que terão todo o interesse em fazê-lo regionalmente devido à diminuição dos custos inerentes à proximidade geográfica.

E isto não é feito sem consequências, porque o corte do fluxo de refinados europeus para a Nigéria desmonta um negócio de proporções gigantes, mais de 7 mil milhões USD, cerca de 600 milhões/mês, a que se irão somar, quando os projectos de Cabinda, Soyo e Lobito estiverem em plena laboração, os cerca de 2 mil milhões de Angola, que tem igualmente na Europa o seu principal fornecedor de refinados...

Ora, o negócio anual africano de importação de refinados abrange cerca de 17 mil milhões USD, o que significa que só com a Nigéria e Angola, directamente, os europeus perdem metade do chorudo negócio e, indirectamente, mais porque esses ganhos para África, no conjunto, e para Angola e Nigéria, podem ser ainda mais volumosos devido às exportações para os vizinhos, como, de resto, está já a ser planeado no que diz respeito a Angola, com um previsto oleoduto de 5 mil milhões USD para a Zâmbia.

O corte umbilical entre o gigantesco mercado nigeriano, mais de 200 milhões de habitantes, e os fornecedores europeus está mesmo, segundo os sítios da especialidade, a criar impacto negativo acentuado nos mercados de capitais, sendo isso mesmo sublinhado pela OPEP, porque a Refinaria Dangote permitiu a supressão total das importações nigerianas de refinados europeus. 

A Voice of Nigeria (VoN), a emissora estatal nigeriana, destaca com regozijo uma notícia sobre o report da OPEP onde é feito um sublinhado especial ao facto de a Refinaria Dangote ter libertado o país da dependência das importações de refinados.

Além disso, a VoN aponta ainda para o impacto que esse momento teve na redução das reservas de moeda estrangeira e no papel que terá futuramente na aquisição de divisas com as vendas de refinados nigerianos dentro de África.

Esta reviravolta está, segundo a OPEP, vai obrigar os refinadores europeus, com gigantesca capacidade instalada para fornecer mercados ultramarinos, a encontrarem destinos alternativos para os seus produtos, não sendo do seu interesse ver o florescimento da capacidade própria em África, como é o caso de Angola, de onde partirá o próximo "golpe".

Com a entrada em funcionamento da Refinaria Dangote, segundo especialistas citados nos media do sector, ficaram claras as vantagens para os países produtores de petróleo terem a sua própria capacidade de refinação instalada.

Isso, porque não apenas corta o fluxo em sentido contrário das reservas cambiais, que são escassas na maior parte dos casos devido à dependência do sector petrolífero e à frágil diversificação económica, como ainda acrescenta fonte de receitas em moeda estrangeira.

Alguns analistas admitem mesmo que Aliki Dangote pode ter começado um processo revolucionário no continente africano, libertando e mostrando como se libertam países da dependência dos países mais desenvolvidos do Hemisfério Norte, podendo esses ganhos ser desviados para recuperar os históricos atrasos em infra-estruturas na saúde, na educação...

Resta agora saber se o exemplo será seguido noutras geografias e se os interesses "sectoriais" não se sobreporão, como se sabe que historicamente tem sido comum em África, aos interesses dos Estados. Ricardo Bordalo – Angola in “Novo Jornal”


sábado, 28 de dezembro de 2024

Nigéria - Febre de Lassa faz 190 mortos

A febre de Lassa, uma doença hemorrágica viral, fez 190 mortos na Nigéria, este ano, e infectou mais de 1100 pessoas em seis estados.



Isto levou a Nigéria a criar um centro de resposta a emergências, depois de uma avaliação de risco realizada pelo Centro Nigeriano de Controlo de Doenças tê-lo classificado como elevado.

O responsável da agência observou que o pico de transmissão ocorre, normalmente, entre Outubro e Maio, e que houve um aumento de casos e mortes nas últimas quatro semanas.

Doença hemorrágica viral, a febre de Lassa é transmitida principalmente aos humanos, através do contacto com alimentos ou utensílios domésticos contaminados com urina ou excrementos de roedores.

Devido ao seu potencial epidémico e à falta de vacinas certificadas, a febre de Lassa é classificada pela Organização Mundial de Saúde como uma doença prioritária. In “O Pais” - Moçambique


terça-feira, 27 de agosto de 2024

Angola – Português Ricardo Ferreira é o novo CEO do Access Bank Angola

Ricardo Ferreira sai do gigante sul-africano (Standard Bank) para liderar o team que vai operacionalizar as actividades do gigante nigeriano (Access bank) em Angola, enquanto Rui Pereira, que já vinha da antiga gestão do ex-Finibanco, está de malas feitas e tem apenas uma semana para deixar o "Edifício Amarelo" da rua Major Kanhangulo, na Mutamba

O Access Bank Angola (Access) já está a organizar o seu novo "board", a começar pela Comissão Executiva. Ricardo Ferreira, até então administrador Executivo do Standard Bank Angola, passa a ser o novo CEO do Access, em substituição Rui Pereira que apresentou a sua carta de demissão, apurou o Expansão junto de fontes do banco.

O Banco Nacional de Angola (BNA) já deu "luz verde" para Ricardo Ferreira iniciar as novas funções, ao lado de António Ribeiro, que já faz parte da equipa do Access Bank, que também entra para o bord como administrador Executivo.

Rui Pereira, que vem da liderança do ex-Finibanco, está de malas feitas, tendo já apresentado a sua carta de demissão no início do mês de Agosto. Segundo garantiu a fonte do Expansão, o mesmo tem apenas uma semana para deixar o "Edifício Amarelo" da rua Major Kanhangulo, na Mutamba. Assim, Ricardo Ferreira deve começar as suas funções já no dia 02 de Setembro.

O Access, novo dono do Finibanco Angola, alterou oficialmente o nome da instituição em Fevereiro para Access Bank Angola. O banco não só fez o rebranding da marca, como também já anunciou a nova sede localizada na Torre Victória Premium, na Avenida Gamal Abdel Nasser, nas Ingombotas.

Tal como noticiou o Expansão na Edição 768, a inauguração da sede está prevista para o segundo semestre do ano, quando o banco terminar o processo de fusão com o Standard Chartered Bank Angola e eleger um novo conselho de administração. O Access adquiriu as actividades do britânico Standard Chartered em Angola na segunda metade do ano passado, ficando com 60% do capital social da instituição bancária, enquanto os restantes 40% pertencem à ENSA.

Afinal quem é Ricardo Ferreira?

Ricardo Matias Ferreira Petinga, conhecido simplesmente por Ricardo Ferreira, de nacionalidade portuguesa, é licenciado em Comércio pela Universidade de Wits da África Sul, é também quadro de honra em Ciências de Contabilidade pela University of South Africa (UNISA).

Ricardo Ferreira tem passagem pela PwC, onde foi Senior Manager Advisory Services, em Lisboa, entre 2001 e 2006. Passou também pela Nedbank, um grupo de serviços financeiros sul-africano, onde foi Director Executivo Regional Lusófono da SADC e responsável pelas operações em Angola, até chegar ao sul-africano Standard Bank Angola, onde a última função que desempenhou foi de Administrador Executivo. Henrique Kaniaki – Angola in “Expansão”


terça-feira, 4 de abril de 2023

Nações Unidas - Pnuma ajuda a mapear emissões de metano em Angola e Gabão


Angola e Gabão acolhem um novo estudo apoiado pela ONU e que pretende expor a quantidade de metano que escapa dos poços petrolíferos no litoral. Com a Nigéria, os dois países ocupam o topo dos principais produtores de petróleo na África.

A análise é do Observatório Internacional de Emissões de Metano do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma. A meta é cobrir a lacuna regional da “falta de dados sobre emissões no setor de petróleo e gás”.

Aquecimento global

O metano tem potencial de aquecimento global mais de 80 vezes maior que o do dióxido de carbono, chegando a durar até 20 anos após a libertação na atmosfera.

A emissão deste gás de efeito estufa pode ocorrer nos estágios da produção, exploração, extração, transporte e armazenamento do produto. Existem fugas de equipamentos como válvulas, bombas e tubulações durante o transporte e armazenamento de gás natural.

A agência da ONU destaca que a redução das emissões de metano é uma das medidas mais eficazes a ser tomada pelo setor energético para ajudar a enfrentar a crise climática.

Os alvos de redução do Acordo de Paris não podem ser atingidos sem o corte das emissões de metano em 40%-45% até 2030, destaca o Pnuma. Para a agência, é necessário ser preciso no alcance desta meta.

Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas

Em 2021, o Pnuma lançou o Observatório Internacional de Emissões de Metano para ajudar a acelerar as reduções até 2030 limitando o aquecimento a 1,5°C ou 2°C, como prevê o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

A agência defende uma ação pelo clima baseada em dados empíricos com uma atuação mais produtiva.

Outra recomendação é que os investimentos e ações tenham como foco o que causa essas emissões.

O Pnuma defende que baixar o uso de combustíveis fósseis, atuar na agricultura e nos resíduos poderiam ajudar a alcançar todas as reduções de metano e evitar quase 0,3°C de aquecimento até 2050.

Para tal, a agência sugere que o setor energético, com ênfase para a produção de petróleo, gás e carvão, dispõe de soluções técnicas disponíveis a custo baixo e até negativo. ONU News – Nações Unidas


 

domingo, 17 de abril de 2022

São Tomé e Príncipe e a Nigéria discutem a possibilidade de se rever o Tratado de Exploração de Petróleo entre os dois países

São Tomé – São Tomé e Príncipe e a Nigéria, discutem na capital são-tomense, a hipótese de se rever o Tratado de Exploração de Petróleo entre os dois países, – disse à STP-Press o ministro tutelar dos assuntos de petróleo.

Segundo Osvaldo d’Abreu, ministro dos Recursos Naturais, a hipótese de revisão é posta em prática, cumpridos 20 anos da existência do Tratado por vontade comum das partes como previsto no documento.

Recorde-se que os dois países, em Abuja (capital da Nigéria), subscreveram em Fevereiro de 2001, na sequência do processo de delimitação das fronteiras marítimas e estabelecimento da ZEE, que teve seu início em 1998, um Tratado de Exploração Conjunta dos Recursos Petrolíferos e outros existentes na Zona Conjunta dos dois Estados.

O Tratado institui ainda uma entidade internacional designada de Autoridade de Desenvolvimento Conjunto (ADC) composta por representantes de ambos os países e responsável pela gestão da Zona de Desenvolvimento Conjunto (ZDC) na base de partilha de receitas e despesas em termos de 60% para Nigéria e 40% para STP.

A reunião que decorre em São Tomé, resulta de um mandato do Presidente da República e do Primeiro-ministro são-tomenses a fim de se inteirar de verdadeiros problemas e constrangimentos que afectam a organização para ao mais alto nível, se tomar algumas decisões que se impõem.

De acordo com Amadji Geldam, presidente da Autoridade Conjunta, existe alguns problemas para os quais deve-se propor algumas decisões, mas que são situações normais inerentes ao funcionamento da mesma autoridade e que podem ser suportados por alguns activos existentes da própria zona conjunta.

De entre problemas existentes, soube a STP-Press, é a situação orçamental da Autoridade que é suportada, há muitos anos, unilateralmente pela Nigéria.

Um dos problemas prende-se com o orçamento/2022 de funcionamento da Autoridade Conjunta sedeada em Abuja, que estará sujeito, nesta reunião de São Tomé, a “algumas recomendações”, conforme afirmou.

Todavia, não obstante esses “constrangimentos”, a STP-Press soube que a “Autoridade Conjunta de Exploração de Petróleo não estará em causa e que vai continuar garantindo assim os objectivos primários que presidiram à subscrição do Tratado”.

Sublinha-se que a parte nigeriana é conduzida por Amidji Geldam, ao passo que o lado são-tomense é conduzido por Osvaldo d’Abreu, ministro dos Recursos Naturais acompanhado de Engrácio Graça, das Finanças, incluindo técnicos e gestores da Autoridade Conjunta Nigéria/São Tomé e Príncipe. Manuel Dênde – São Tomé e Príncipe in “STP-Press”

 

quarta-feira, 30 de março de 2022

A CPLP quer descartar a Guiné-Bissau?

Amílcar Cabral deve estar a dar voltas na tumba, perante a indiferença dos líderes dos povos e países tidos, historicamente, como irmãos da Guiné-Bissau. Naquele país, está em curso um processo de institucionalização do caos, estimulado pelo próprio presidente da República, cujo desfecho será a transformação do país num estado falhado e, inevitavelmente, a sua entrada na órbita da francofonia, via Senegal. É em momentos assim que se confirma que a tão cantada (por alguns) "lusofonia" não passa de uma mistificação.

Um grupo de quatro partidos políticos guineenses acaba de emitir uma nota de repúdio à violenta tentativa do chefe de estado, Sissoco Embaló, de impedir a realização do congresso do PAIGC, que já devia ter ocorrido no mês que agora termina e que é visto como o arranque dos preparativos desse partido para as próximas eleições legislativas e presidenciais (2024). No fim da semana passada, forças policiais atacaram a sede do PAIGC, onde se realizava o seu comité central, para tomar decisões acerca do congresso da organização. O insólito ataque aconteceu na sequência de uma onda de sequestros, agressões e assédio de militantes e deputados do PAIGC, assim como de membros da sociedade civil, em todo o país.

Todas os dados apontam para a responsabilidade pessoal do presidente guineense nesse estado de coisas. A Guiné-Bissau é um estado semi-parlamentar ou semi-presidencial (como quisermos), mais próximo do modelo francês do que do português, mas o chefe de Estado não esconde a sua pretensão de ir além dos poderes que o modelo lhe permite. Sissoco parece particularmente nervoso com o crescimento da popularidade do PAIGC e do seu líder, Domingos Simões Pereira.

No passado dia 1 de fevereiro, o presidente não hesitou em recorrer a uma "inventona", forjando um golpe de estado que não consegue ser cabalmente explicado até agora (golpe de estado sem a participação de unidades militares é um mistério insondável), para resgatar a sua popularidade e, sobretudo, justificar as medidas repressivas que logo a seguir tomaria. Logo sete dias depois, a Rádio Capital, uma emissora independente localizada na capital do país, Bissau, foi atacada por homens armados, que destruíram os equipamentos da estação e agrediram vários funcionários e jornalistas. Seguiu-se uma manobra pantomínica, envolvendo o poder judicial, para impedir a realização do congresso do PAIGC, que deve reconfirmar Domingos Simões Pereira como seu líder.

O presidente guineense conta, na sua estratégia de marginalizar o PAIGC, com o apoio de Nuno Nabiam, que foi primeiro-ministro na sequência das eleições legislativas de 2019. As referidas eleições foram ganhas pelo PAIGC, mas sem maioria absoluta, permitindo a Nabiam, impulsionado por Sissoco, fazer uma espécie de "geringonça", tendo comprado os votos de três deputados eleitos pelo partido vencedor, o que, juntando os votos de mais outros partidos, lhe permitiu fazer maioria. Entretanto, atualmente, o presidente e o primeiro-ministro parecem estar de costas voltadas, por causa de uma história mal contada envolvendo um avião, drogas e outras "ninharias". Os observadores consideram, no entanto, que, perante o crescimento do PAIGC e do respetivo líder, Sissoco e Nabiam acabarão por entender-se novamente.

Enquanto isso, a CEDEAO resolveu enviar um contingente militar para a Guiné-Bissau, por pressão do Senegal. Tal força será composta por tropas senegalesas e nigerianas, o que leva os quatro partidos que se opõem ao presidente (PAIGC, UM, PCD e PSD) a considerar que isso visa "garantir as condições para que Umaro Sissoco Emabaló materialize a sua agenda autocrática e realize os compromissos assumidos no acordo de exploração do petróleo assinado com o Senegal".

E a CPLP? João Melo – Angola in Diário de Notícias


Aníbal João da Silva Melo - Poeta e jornalista angolano, nasceu a 5 de setembro de 1955 em Luanda, Angola.

Feitos os primeiros níveis de ensino no seu país, estudou Direito na Universidade de Coimbra e, em Luanda, na Universidade Agostinho Neto. Contudo, não concluindo este curso, licenciou-se em Comunicação Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde tirou o mestrado em Comunicação e Cultura.

Regressado a Luanda, já como jornalista profissional, ingressou na Rádio Nacional de Angola (RNA) e assumiu a direção de diversos meios de Comunicação Social estatais, nomeadamente a "Agência Angola - Press Angop", o Jornal de Angola e o semanário privado Correio da Semana.

Homem ligado à atividade literária e artística, foi membro fundador da União de Escritores Angolanos. Nesta condição, foi secretário-geral entre 1992 e 1996 e Presidente da Comissão Diretiva entre 1996 e 1999.

Como outros escritores angolanos, nomeadamente Jofre Rocha, Jorge Macedo, Garcia Bires e Adriano Botelho de Vasconcelos, investiu na autenticidade afro-angolana, através do empenhamento ideológico-político.

Começando por se centrar nos temas tradicionais do imaginário africano, cantando depois o amor e os ideais da revolução, o autor João de Melo vai constituir-se como o primeiro poeta africano de Língua Portuguesa a "experimentar a poesia pictórico-visual", conforme textos dos seus livros O Caçador de Nuvens, de 1993 e Limites e Redundâncias. Caracterizada pela mistura de um realismo, aliás fortemente irónico e desvastador, com algumas "formações" surrealistas e experimentalistas, a sua poiesis, simultaneamente eco da voz de um sujeito militante e do coração de um sujeito lírico, surge então híbrida, tornando-se um marco das novas gerações literárias. Manifestando uma grande preocupação formal e linguística, os seus textos estabelecem uma relação fundamental entre a "ética e a estética".

Na verdade, o autor, assim como muitos outros das décadas de 80 e 90, assume uma postura de denúncia da corrupção e das contradições do poder, através de um sujeito de enunciação que, desiludido e desencantado com os seus referentes revolucionários, abandona o empenhado "canto social coletivo". Começando a percecionar a "crise das utopias" que vai enformar uma série de interrogações, estes jovens poetas são veículos de muitas angústias existenciais e geracionais.

Profundamente angolana, a poesia de João de Melo intertextualiza com a de outros poetas do mundo, nomeadamente Álvaro de Campos, Drummond de Andrade e Paulo Leminski.

Muito diversificada, a sua temática assenta nuclearmente no Mar e na Mulher, dois topus que se cruzam enquanto configuradores do erotismo: "Navego à vontade no teu dongo/aliso-lhe como se fosse uma mulher/?"

O tema da mulher e a sua relação com o mar aparece em João de Melo associado à figura mítica de "Kianda" (sereia), enquanto símbolo da busca da angolanidade: " /ah amada o azul terrível do mar/está todo nos teus olhos negros/eu oiço o grito da Kianda/e ximbico sem parar sem parar."

Um dos grandes nomes representativos da "res" poética, em Angola, é autor dos seguintes títulos de poesia: Definição (1985); Fabulema (1986); Poemas Angolanos (1989); Tanto Amor (1989); Canção do Nosso Tempo (1991); O Caçador de Nuvens (1993); Limites e Redundâncias,1991 (1997); Jornalismo e Política. Estudo (1991); Imitação de Sartre e Simone de Beauvoir.Contos (1998). É diretor da revista África 21 in “Porto Editora” – João de Melo (Angola) na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-03-30 18:12:27]. Disponível em https://www.infopedia.pt/$joao-de-melo-(angola)



 

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Portugal – Estado e Google assinam contrato de concessão do novo cabo submarino com ligação à África do Sul

O contrato de concessão para a instalação do novo Cabo Submarino Equiano, para ligar Portugal à África do Sul, foi assinado na segunda-feira entre o Estado português e a Google Corporation.

Com uma vigência de 25 anos, os títulos de concessão foram assinados pela Direção-Geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM)​​​​​​, em representação do Estado Português, e a Blue Path Technology Unlimited Company, empresa mandatada para o efeito pela Google LLC.​​​​​​​

De acordo com a DGRM, em comunicado, o Cabo Submarino Equiano, um investimento da multinacional Google Corporation, “deverá começar a operar em 2022” e vai ter “uma extensão de 15 mil quilómetros”.

O cabo de fibra ótica vai permitir ligar Portugal à África do Sul, com ligações intermédias a Accra (Gana), Lagos (Nigéria), Swakopmund (Namíbia) e Santa Helena (Rupert’s bay).

A amarração do cabo Equiano, nome atribuído em referência a Olaudah Equiano, escritor e abolicionista nigeriano que foi escravizado em criança, vai ser feita na praia da Califórnia, em Sesimbra (Setúbal), ligando depois à Estação de Cabos Submarinos já existente no concelho e, a partir daí, “ao ‘backbone’ terrestre”.

“O processo de autorização do cabo Equiano segue-se ao processo similar do cabo EllaLink, que já liga Portugal ao Brasil, posicionando cada vez mais o território nacional” como ‘porta de entrada’ da Europa “para ligações digitais de última geração”.

O objetivo é criar “oportunidades únicas para Portugal e um acesso mais rápido de empresas europeias aos mercados americano e africano”, pode ler-se no comunicado.

Segundo a DGRM, a assinatura dos “Títulos de Utilização Privativa, no regime de concessão”, do cabo Equiano resultou de “um processo prévio de autorização para utilização do Espaço Marítimo Nacional, instruído no Balcão Eletrónico do Mar”.

Os novos cabos submarinos de fibras óticas visam “disponibilizar banda ultra larga de transporte de dados e responder às novas gerações de aplicações informáticas e novos conceitos de computação, como por exemplo o ‘cloud computing’, ‘e-commerce’ ou ‘vídeo on-demand’, e ao crescente número de utilizadores” a nível global, disse a DGRM. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

terça-feira, 11 de agosto de 2020

São Tomé e Príncipe – Recebe equipamento para combate à covid-19 doado pela Nigéria

São Tomé – A Nigéria acaba de doar a São Tomé e Príncipe um lote de equipamentos médico-hospitalares para combater a Covid-19, tendo os materiais sido entregues esta manhã pelo embaixador nigeriano, Chidi Christopher à ministra são-tomense dos Negócios Estrangeiros, Elsa Pinto, na presença do titular da Saúde, Edgar Neves.

No lote de materiais, avaliado em cerca de 175 mil dólares, integram concentradores de oxigénio, termómetros, fatos de proteção, óculos, soros, fatos de proteção, álcool-gel, máscaras, luvas entre outros.

O embaixador da Nigéria, Chidi Christopher disse tratar-se de uma ajuda das autoridades e do povo nigeriano ao povo são-tomense de modo a reforçar as ações de combate a pandemia de Covid-19 no arquipélago.

Dirigindo-se aos dois ministros presentes no acto, o diplomata nigeriano sublinhou que “trago saudações dos vossos homólogos e do presidente da Nigéria” tendo manifestado da disponibilidade de Nigéria continuar a apoiar o arquipélago em outras áreas de actividades.

Na sua intervenção, a ministra são-tomense dos Negócios Estrangeiros, Elsa Pinto agradeceu a doação em nome do governo e do povo são-tomense, tendo sublinhado que “estamos abertos, apesar das nossas dificuldades, de também ajudar [a Nigéria] na aquilo que for preciso “.

“Isto demonstra que verdadeiramente a África está a construir, nesta pandemia, uma nova forma de relacionamento que passa pela solidariedade-partilha dos problemas que são comuns”, acrescentou Elsa Pinto.

Com cerca de 210 mil habitantes, em São Tomé e Príncipe, a pandemia já provocou 14 mortes e um total de 878 infetados e na Nigéria com cerca de 208 milhões de habitantes, a doença já causou 950 óbitos e 46 867 infectados de acordo com os dados mais recentes dos dois Países do continente africado, onde já se registou 23 582 mortes e mais de um milhão de infectados por coronavírus.

Além do sector da saúde e outras áreas de cooperação, São Tomé e Príncipe e a Nigéria dispõem de uma zona conjunta de exploração de petróleo ao abrigo de um tratado político assinado em 2001. Ricardo Neto – São Tomé e Príncipe in “STP-Press”

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

São Tomé e Príncipe e Nigéria reactivam acordo de exploração conjunta de petróleo

Uma delegação governamental nigeriana iniciou hoje negociações com as autoridades são-tomenses para reactivar o acordo sobre a Zona de Desenvolvimento Conjunta de exploração petrolífera e negociar acordos de defesa e exploração sustentável de recursos, anunciou fonte governamental são-tomense



"A proposta do governo é de que seja estabelecido um mecanismo de decisão e seguimentos de programas e ações bilaterais consubstanciado numa comissão bilateral conjunta de alto nível que se reuniria alternadamente num e no outro país", disse Urbino Botelho, ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades são-tomense no final do encontro.

Na reunião que marcou o primeiro dos dois dias de visita da delegação de alto nível da Nigéria, o governo são-tomense propôs uma atenção especial ao problema da Zona de Desenvolvimento Conjunta, inoperante há mais de três anos.

"Acolhemos favoravelmente a convocação do conselho ministerial conjunto e propomos a sua realização para meados do próximo mês de Setembro, permitindo desse modo uma discussão detalhada sobre esta matéria", sublinhou Urbino Botelho.

É também vontade do executivo são-tomense que a cooperação bilateral entre os dois países possa abranger a exploração comum do espaço aéreo, tendo o ministro "manifestado toda a disponibilidade" do seu governo de "accionar mecanismos com vista à retoma da ligação aérea entre as respectivas capitais".

Os dois países têm um acordo sobre os serviços aéreos que foi actualizado em 2004, tendo a delegação nigeriana mostrado receptividade às propostas do governo são-tomense.

"Nós devemos envidar esforços de explorar ao máximo os recursos hidrocarbonetos e não só para o benefício dos dois países", disse a ministra do Estado dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, Khadija Ibrahim, que prometeu trabalhar para elevar a cooperação entre São Tomé e Lagos a "um nível mais alto".

Para além da ministra do Estado dos Negócios Estrangeiros, a delegação nigeriana integra ainda o ministro do Estado da Agricultura, o procurador-geral e ministro da Justiça, o ministro de Estado para a Aviação, bem como representante dos ministros das Finanças e da Defesa. In “Jornal de Negócios” – Portugal com “Lusa”

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Internacional - Pirataria ameaça rotas marítimas no Golfo da Guiné

Um relatório da organização International Maritime Bureau descreve as águas ao longo da costa nigeriana como extramente perigosas. Reforço de segurança das embarcações implica custos extra para empresas de transporte



De acordo com o relatório do International Maritime Bureau (IMB), a Nigéria já registou 22 incidentes nos só nos primeiros três meses do ano. Dos 11 navios que foram atacados, oito estavam a cerca de 40 milhas náuticas da costa nigeriana, incluindo um petroleiro com a capacidade de 300 mil toneladas métricas. Em 2017, a organização já tinha registado cerca de 20 ataques a embarcações na mesma área.

Kabeer Adamu é um analista de segurança, presidente de uma firma de consultadoria na Nigéria. Concorda com o relatório que diz que a pirataria no Golfo da Guiné é um grande problema. O analista considera que a monitorização do International Maritime Bureau tem um papel importante, pois se não se conhecesse a realidade, seria um "problema ainda maior".

"Do ponto de vista da segurança, é um desafio. Tudo isto traduz-se em custos adicionais para o transporte, devido ao valor que se tem de pagar para ter mais segurança", explica Adamu.

De acordo com o IMB, os ataques no Golfo da Guiné têm como alvo vários tipos de navios. Já houve tripulações reféns tanto em navios de pesca, como petroleiros. A organização diz estar a trabalhar com as autoridades nacionais e regionais no Golfo da Guiné para dar apoio e coordenar ações anti-pirataria.

"Sei que a marinha nigeriana já fez umas quatro operações na região, algumas delas na Nigéria, outras por todo o Golfo da Guiné. Já adquiriram novos meios, incluindo barcos com armamento", explicou o analista à DW.

Adamu acrescentou que também foram criados postos de controlo. Qualquer embarcação que deixe a Nigéria tem de passar por lá para verificar se tudo está de acordo com os regulamentos em vigor.

Desemprego pode ser causa do aumento de ataques

Um dos principais objetivos da pirataria é obter dinheiro, como explicou um antigo pirata à DW. Um ataque pode ser bastante lucrativo para os criminosos.

"Participei nuns 15 ataques. Um resgate, dependendo do tipo de barco, pode variar entre 400 mil euros e 2 milhões de euros", contou o ex-pirata à DW.

Para Femi Adesin, conselheiro especial para os media e publicidade do Presidente nigeriano Muhammadu Buhari por trás deste aumento dos ataques está o desemprego que afeta aquela região. A pirataria é vista como um recurso para a população.

 "Quando as pessoas veem que não há nada de onde possam tirar benefício, sentem que têm de se desenrascar e acabam por causar problemas a atividades económicas que estão a trazer dinheiro para o país", afirma Adesin.

Com a ameaça, empresas de transporte que operem na região e queiram usar terão de investir significativamente mais em segurança.

Entre março e abril deste ano vários países participaram num exercício aeoronaval no Golfo da Guiné, no âmbito do combate à pirataria e narcotráfico. Entre os participantes estiveram também Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Portugal e São Tomé e Príncipe. In “DW” - Alemanha

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Nigéria - Início da construção do porto de águas profundas de Lekki

A construção do porto de Lekki arrancou oficialmente e deverá estar concluía em 2020. O investimento envolvido ronda 1,2 mil milhões de euros



A Nigéria deu início à construção do porto de águas profundas de Lekki, em Lagos, na sequência da inauguração da obra pelo Presidente Muhammadu Buhari, no passado dia 29 de Março. O projecto, de 1,2 mil milhões de euros, ficará situado na Zona de Comércio Livre de Lagos e deverá ser o maior da região, sendo hub de transhipment para a África Ocidental, servindo o mercado da região para serviços de deep sea, segundo vários órgãos de comunicação internacionais.

O porto deverá gerar cerca 170 mil empregos directos e indirectos e contar com o apoio do Governo da Nigéria. A conclusão da obra, concebida com base numa diferença entre a procura prevista e a capacidade existente, é aguardada para 2020. Meios de informação internacionais referem que a procura de contentores deverá crescer a uma taxa de 12,9% até 2025, de acordo com estudos de mercado. Neste caso, o porto foi projectado para suportar uma produção de 2,7 milhões de TEU por ano, com o propósito de que alcance até 5,5 milhões de TEU em 2025.

O projecto contempla a construção de um canal com 9 quilómetros, 19 metros de profundidade e uma bacia de manobra com 600 metros de largura. Terá um quebra-mar de 1.500 metros, complementado por outro, secundário, de 300 metros. Além disso, o terminal de contentores do porto terá um cais de 1.200 metros de comprimento, 3 áreas para contentores e um pátio de armazenamento com mais de 15 mil áreas de slots. Sendo que terá também um sistema de controlo do ambiente. In “Jornal da Economia do Mar” - Portugal

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Internacional - Novo ataque de pirataria no Golfo da Guiné

Segundo notícia veiculada pelos meios de comunicação marroquinos, piratas nigerianos terão assaltado o navio de carga geral, o Oya 1, no Golfo da Guiné, na noite do passado dia 29 de Julho, raptando dois oficiais marroquinos e três outros membros da tripulação.

Embora os pormenores sobre este novo incidente sejam escassos, o Centro de Informação sobre Pirataria da ICC IMB confirmou que a Marinha da Nigéria respondeu a um ataque a um navio de carga geral, ocorrido na noite do dia 29 de Julho passado a 15 mn a Sudoeste da Ilha Bonny.

Sabe-se também que a Marinha da Nigéria rebocou a embarcação e abriu uma investigação, mas pouco mais se sabe além da confirmação por parte da IMB de relatos do desaparecimento de alguns membros da tripulação.

Apesar dos esforços da Marinha Nigeriana em por cobro aos sucessivos ataques de pirataria no Golfo da Guiné, conseguindo mesmo reduzir em cerca de 90%, entre Janeiro e Junho do corrente ano, o número de casos de pirataria bem sucedidos em relação a igual período do ano anterior, o facto também é que, até à data, o número de sequestros verificados no corrente ano já se cifra em 31 marítimos, entre oficiais e respectivas tripulações. In “Jornal de Economia do Mar” - Portugal

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Angola – Um romance a reter: Efémera Liberdade, de Amilca Ismael

A conceituada revista Granta dedicou, recentemente, um volume (Portugal, vol.4) a África, à sua cultura e à sua literatura. Como seria previsível, as literaturas de língua portuguesa mereceram especial destaque na edição. Entre as várias contribuições, o volume traz uma troca de correspondência entre José Eduardo Agualusa e Mia Couto, a que deram o título de “Cartaria”. Numa das cartas, José Eduardo Agualusa chama a atenção para a escritora Taile Selasi, filha de uma nigeriana e de um ganês, nascida em Londres, em 1979, criada no Massachussets, nos Estados Unidos, e que, pelo historial de vida e pelo teor da sua narrativa, não deixa de ser uma escritora africana, só que filha da diáspora. Exercita uma escrita pós-nacionalista, como eu próprio, a dada altura (Venâncio 2005), considerei ser a escrita de Agualusa, por nela descortinar referentes que já não tinham a ver com preocupações de ordem nacionalista, comprometidos com a edificação da nação. Bem, o volume inclui um longo conto de Taile Selasi, intitulado “A vida sexual das raparigas africanas”, publicado originalmente na Granta 115 (verão de 2011), traduzido do inglês, para a edição portuguesa, por Madalena Alfaia. A autora descreve o despertar sexual de uma adolescente em ambientes urbanos de África; primeiro na Nigéria, mais precisamente em Lagos, para onde a mãe, ganesa, emigrara e conhecera o seu pai e, depois, no Gana, em casa do tio materno, junto de uma família de posses, cosmopolita e intelectual. Estes últimos atributos não bastaram, porém, para apagar a mágoa calada da tia, traída pelo marido, porque na “peculiar hierarquia dos lares africanos – como escreve a autora –, o único patamar mais baixo do que um filho sem mãe é uma mãe sem filho” (p.159), que era a situação da tia. É a tradição no seu melhor que está aqui em causa, a tradição que gera valores que resistem e amiúde emergem mesmo nos ambientes mais sofisticados e ocidentalizados. Evidentemente que é possível descortinar no conto uma postura crítica em relação a estes comportamentos e aos valores que os prescrevem ou consentem, ao que não será alheia a história de vida da própria autora, formada em Estudos Americanos pela reputada Universidade de Yale e em Relações Internacionais pela não menos considerada Universidade de Oxford.

A sua situação de “emigrante” acaba por desempenhar um papel importante na narrativa. Olhando de fora as duas sociedades, a de origem e as de destino, numa postura que os antropólogos designam por ética (o contrário seria émica), valoriza esteticamente o romance e responde, nessa medida, à suposição de José Eduardo Agualusa acerca da renovação das literaturas africanas a partir de experiências de escrita exteriores ao continente.

O percurso e a experiência de Amilca Ismael não é diferente. Oriunda de Moçambique, torna-se, já na Itália, enquanto imigrante (certamente com muito sacrifício!), técnica social e de saúde. Trabalha atualmente num lar de terceira idade.

Amilca Ismael não é propriamente uma desconhecida no mundo das letras que se exprime em língua portuguesa, conquanto escreva em italiano. O seu primeiro romance, La casa dei ricordi (A casa de recordações, Maputo 2008) foi editado em Moçambique, pela editora Ndjira. Il raconto di Nádia (A história de Nádia) será, em breve, igualmente editado em português.

Effimera libertà (Efémera liberdade, Lisboa: Labirinto das Letras), o romance consagrado nesta crónica, escrito inicialmente em língua italiana, traduzido para a língua portuguesa por João Manuel Peres de Seixas e pela própria autora, é uma narrativa ímpar. É-o não tanto pela história, em si, mas pela maneira como a autora a relata. É na mesa de operações, num estado de semiconsciência, que Ruth, o nome da jovem heroína, passa em recordação o seu passado, num artifício estilístico conseguido, inovador e empolgante. Ruth acaba por morrer.

O romance denuncia, como, aliás, já havia acontecido no conto de Selasi, a “mercadorização” da sexualidade feminina. Não é em vão que utilizo o termo ou conceito. Faço-o inspirado em Marx e nos autores marxistas contemporâneos, tais como Theodor Adorno, Ernst Bloch ou Jürgen Habermas, que, a exemplo daquele, apontaram o lado pernicioso da modernidade e do capitalismo, por terem os mesmos conduzido à alienação da pessoa humana enquanto tal. E, na verdade, em ambas as autoras, o sexo feminino é igual a mercadoria; é-o tanto em ambientes empobrecidos da África, como em ambientes mais sofisticados da Itália, junto de circuitos que praticam o comércio e a prostituição “fina” de mulheres oriundas de ambientes pobres e subdesenvolvidos. A história, em si, tem a ver com a entrega (venda?) de uma jovem nigeriana por um pai autoritário e machista a um suposto protetor italiano, que a levaria para a Itália para que pudesse prosseguir os estudos. Não é propriamente o que acontece. A jovem cai num circuito de prostituição e acaba por morrer nas mãos de um dos seus abusadores, que por sinal era médico, com uma hemorragia, numa intervenção cirúrgica destinada à interrupção da sua gravidez.

A história de Ruth é, no fim, a história de muitas outras raparigas por esse mundo fora; formas de escravatura que subsistem num mundo que, sendo mais global na aproximação de culturas e povos, permanece, paradoxalmente, desumano e desatento em relação ao sofrimento do (mais) próximo.

A este respeito, o romance traz, num propósito de quase militância, um extra-texto elucidativo. É dedicado a Laura Prati, sindaca (autarca comunal) de Cardano al Campo (Lombardia, norte da Itália), assassinada pelo trabalho desenvolvido, segundo Amilca Ismael, em prol de raparigas com a trajetória e o destino de Ruth, a personagem principal do romance. Após a dedicatória, a título de complemento, segue-se uma carta, sentida e bem escrita, do filho de Laura Prati, Massimo Poliseno, que, na altura do assassinato, tinha 22 anos de idade.

O despertar para a sexualidade enquanto processo narrado na primeira pessoa é outra vertente comum aos dois textos, que não se confinam aos contextos africanos, tais como estes foram descritos e seguidos aquando da vigência do paradigma nacionalista. Inscrevem-se, em vez disso, no que se poderia designar por literatura universal (que é diferente de literatura pós-colonial, lusófona ou anglófona!). Os temas que tratam são temas de toda a humanidade. A pertença a África das personagens e das narradoras em apreço não é essencial à dinâmica (forma-conteúdo) dos textos, é apenas acessório. E aqui reside, concordando - pelo menos em parte - com Agualusa [e Mia Couto], sobre a influência do fenómeno migratório ou de exílio na renovação e na afirmação das literaturas africanas em termos internacionais. JCarlos Venâncio – Angola in “O Chá – Mensário Angolano de Cultura”

José Carlos Venâncio - jcvenancio@sapo.pt