Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 17 de julho de 2026

CPLP - 30 anos, os jovens e o bloco de língua portuguesa

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, celebra aniversário com debate de representantes das nações que formam a organização; integração, mulheres em espaços de decisão, afirmação da língua portuguesa, democracia e paz foram alguns dos temas debatidos, em evento da juventude lusófona em Cascais, Portugal


Com um encontro de jovens e para ouvir os jovens, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, iniciou a última semana de celebrações que antecedem o seu aniversário de 30 anos neste 17 de julho.

O evento coorganizado com entidades parceiras como o Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas, IPDAL, foi realizado durante o fim de semana, em Cascais, Portugal.

Passaporte lusófono

A ONU News conversou com alguns dos participantes para saber o que eles esperam deste novo momento da CPLP, e o que pode ser feito na prática para acelerar não só a integração, mas o desenvolvimento e a contribuição da juventude das nações que falam português.

Um dos participantes, Vitor Andrade, líder da organização Conexão Lusófona, defendeu a criação de um “passaporte lusófono” para que os jovens possam estudar e trabalhar em qualquer país de língua portuguesa.

“Temos um conjunto de prioridades mais assertivas. Uma delas é, sem dúvida, a questão ambiental. A questão ecológica. É verdade que a nossa geração já nasceu com ela que preocupa bastante. Temos outra prioridade que afeta o quotidiano dos nossos jovens dos nossos países: questões como a parte migratória. Infelizmente, cada vez mais países estão a ter medidas de força na área migratória e tornando mais difícil trabalhar num Estado diferente e, portanto, trabalhamos também a esse nível.”

Mulheres no Executivo

O Encontro de Política Externa e Pensamento Estratégico reuniu estudantes da Guiné-Bissau, Angola, Brasil, Cabo Verde, Portugal, São Tomé e Príncipe, e de estudantes de países como Argentina, Itália e Cazaquistão que falam o português como língua estrangeira.

Dentre os temas debatidos estiveram a saúde das democracias na lusofonia e outras partes do mundo e a sub-representação nos países de língua portuguesa da liderança feminina em cargos executivos. Atualmente, todas as nações lusófonas são chefiadas por homens.

Para a estudante brasileira de mestrado em Direito da Universidade de Lisboa, Nicole Brito, é hora de corrigir este défice elegendo mulheres para cargos legislativos e levando mais representação feminina a postos de comando.

Democracia e futuro

“Olha, infelizmente, eu sinto que ainda faltam mulheres, eu sinto que ainda existe uma resistência, eu sinto que ainda existe uma falta de representatividade.”

Participaram da mesa de debates, a secretária-executiva da CPLP, a embaixadora angolana, Fátima Jardim, o presidente do IPDAL, Paulo Neves, e o embaixador aposentado, António Almeida-Ribeiro.

A nova realidade geopolítica foi um dos temas neste momento de aniversário da CPLP. Para a jovem guineense, Luísa Aminata, a crise da democracia é um entrave para que jovens, como ela, possam se expressar sobre o que esperam de seus governos e de seu futuro.

“Neste evento, estamos a falar sobre democracia sob pressão, e então para termos uma boa democracia precisamos investir na educação, principalmente na educação das meninas. Nesse caso, eu tenho uma página que criei chamada Madrinha das Meninas, com a intenção de motivar mais jovens meninas para eles fazerem sentir que são capazes de realizar tudo o que querem, que são capazes também de participar nas decisões do nosso país, nas decisões do mundo, porque é muito importante que nós mulheres também tenhamos essa oportunidade.”

Concertação político-diplomática

Desde a independência de Portugal, vários países de língua portuguesa, especialmente na África, enfrentaram múltiplos desafios com longas guerras civis, combate à corrupção e à pobreza, golpes de Estado e a consolidação da paz e da segurança. Com a chegada da CPLP, o bloco passou a cooperar em várias áreas de concertação político-diplomática até a entrada de Timor-Leste em 2002, que abriu os horizontes da organização para o sudeste da Ásia.

Desde então, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa tem visto aumentar o número de membros-observadores que hoje já são mais de 30 nações incluindo França, Reino Unido, Estados Unidos e Catar, além de um número recorde de entidades da sociedade civil e organizações não-governamentais que atuam com status consultivo no bloco. Essa presença de cidadãos é um dos diferenciais da CPLP ao ser comparada com outros pares, por exemplo.

Para a cabo-verdiana Odara dos Santos, a Comunidade é um espaço que relembra que os jovens têm uma voz dentro das democracias e que podem ajudar a combater a desinformação.

Mundo digital e voz da juventude

“Falando da CPLP, são diferentes países e com distância continental que merece aproximação entre esses países de forma física. Também no mundo digital é muito importante aprimorarmos isso mais entre esses países e é preciso que haja um intercâmbio mais aprofundado, mas também que os jovens entendam que eles têm uma voz dentro da democracia. Eles podem construir pontes e desenvolver os seus países desde agora, independentemente da idade, porque o mundo se faz do conjunto de pessoas e que de diferentes gerações se constrói um mundo melhor.”

Em 1989, quando chefes de Estado dos sete países lusófonos se reuniram para criar a CPLP, no estado do Maranhão, no Brasil, eles desenharam também a estrutura de um Instituto Internacional de Língua Portuguesa, IILP, que tem sede em Cabo Verde.

Segundo a entidade, existem mais de 330 línguas no espaço da lusofonia. E mais de 185 são indígenas. Uma das línguas mais faladas na diáspora, o português é considerado hoje a quinta ou sexta língua mais usada no mundo e a mais falada no Hemisfério Sul. Para o estudante angolano Gaspar da Silva, a CPLP é importante para a integração das diversas diásporas de língua portuguesa espalhadas pelo mundo.

Português gera empregos

“A CPLP vem para conciliar os interesses de todos os nove países que dela fazem parte, para que haja conexão entre eles e quem está na diáspora. Há aqui uma grande relação e um papel muito importante que a CPLP tem, para que, de certa forma, tem nos juntado para que jovens e tomadores de decisão de muitos países discutam mesmas ideias e pensamentos para a resolução de problemas da mesma comunidade CPLP.”

Ayrton Pahula afirma que a maior presença da língua portuguesa como língua oficial de organizações internacionais também gera empregos e oportunidades para a lusofonia.

“Os jovens podem até falar noutras línguas, mas falar na sua língua materna é diferente. Pensar na sua língua materna é diferente. Então, neste sentido, eu penso que devemos explorar pensar muito a questão da língua em função dessas oportunidades que se perdem”.

E um desses exemplos é o próprio secretário-geral do IPDAL, Gastón Ocampo. Ele nasceu na Argentina, mas aprendeu o português para trabalhar com jovens lusófonos, o que segundo ele abriu um mundo de oportunidades.

“Eu não estaria aqui se não fosse pelo português. Eu acho que o português abriu-me portas e abriu-me também a cabeça para nós também pensarmos num futuro em que eu me vejo também na África Lusófona. Vejo-me em Timor-Leste, em Macau, quem sabe?”

Em evento separado, durante a sua passagem pelo Fórum Político de Alto Nível, em Nova Iorque, a secretária de Estado de Portugal, Ana Isabel Xavier, foi entrevistada pela ONU News e afirmou que a CPLP é simplesmente insubstituível.

“CPLP é insubstituível”

“Nós estamos, de facto, agora a celebrar os 30 anos da CPLP, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, e estamos a celebrar com um optimismo de facto, bastante reforçado. Quando nós olhamos hoje para a CPLP, olhamos desde logo para um espaço lusófono que partilha uma cultura comum, uma identidade comum, mas mantendo também aquilo que é a identidade única de cada um destes países, que, em conjunto, formam uma comunidade de princípios e de valores que é absolutamente insubstituível.” Eleutério Guevane e Monica Grayley – ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Guiné Equatorial - A Fundação Obiang Nguema Mbasogo–Amílcar Cabral ativa a sua agenda comemorativa de 2026 com ênfase em educação e cultura

Para marcar o 53º aniversário da morte de Amílcar Cabral, registada a 20 de janeiro de 1973, a Fundação Cultural Obiang Nguema Mbasogo–Amílcar Cabral iniciou o planeamento do seu programa anual de atividades educacionais e culturais, que ocorrerá em meados de janeiro de 2026

A Fundação, uma organização privada sem fins lucrativos, procura homenagear Amílcar Cabral, renomado ideólogo da revolução e libertação africana, disseminando o seu legado intelectual, político e cultural, que continua a inspirar novas gerações dentro e fora do continente.

No último sábado, 10 de janeiro, Rufino Ndong Esono Nchama, fundador da Fundação, presidiu a uma reunião preparatória com membros da organização para coordenar eventos comemorativos e definir as principais linhas de ação. Durante a sessão, foi enfatizada a importância de fortalecer os aspectos educacionais e de treino das atividades planeadas.

Entre as ações planeadas está a doação de mais de mil livros em inglês para diversos centros educacionais do país, com o objetivo de promover a leitura e o aprendizado de idiomas entre os jovens.

Além disso, a agenda inclui encontros de reflexão, palestras de capacitação e atos simbólicos nos dias 15 e 16 de janeiro, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre o legado de Cabral e fortalecer a consciência histórica e cultural na sociedade da Guiné Equatorial.

Rufino Ndong Esono Nchama expressou a sua gratidão pela colaboração de todas as pessoas e entidades envolvidas, enfatizando a intenção da Fundação de dar um papel mais ativo aos jovens, considerados essenciais para garantir a continuidade e a projeção futura da instituição. Feliciano Ava – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Portugal – Universidade do Porto cria jogo educativo para prevenir uso de tabaco entre jovens

Jogo a desenvolver no âmbito do projeto europeu WellME, liderado pelo ICBAS, deverá estar disponível durante este ano


A Universidade do Porto, através do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), é a instituição coordenadora do projeto europeu WellME – A gamified journey in adolescent health education for vape and tobacco-free living, que tem como objetivo a prevenção do uso de cigarros eletrónicos (vaping) e de tabaco entre adolescentes, através do desenvolvimento de um jogo digital educativo, entre outros recursos inovadores de literacia em saúde.

Financiado pelo programa Erasmus+ Juventude em Ação (KA220-YOU – Parcerias de Cooperação em Juventude), com um orçamento total de 250 mil euros, o WellME pretende “combinar evidência científica, tecnologia interativa e metodologias de ludificação para tornar a educação para a saúde mais próxima da realidade e dos interesses dos jovens europeus”.

Além da U.Porto, o consórcio integra organizações de vários países europeus, com experiência em educação em saúde, tecnologias digitais, STEM e trabalho com jovens, o que, segundo a coordenação do projeto, “assegura uma abordagem multidisciplinar e inclusiva à promoção de estilos de vida livres de cigarros eletrónicos e de tabaco”.

Os vários parceiros do WellME estiveram reunidos, no passado dia 27 de novembro, na Reitoria da Universidade do Porto. Na ocasião, foram revistos os conteúdos do manual de educação para a saúde na era digital e os primeiros textos do guia de boas práticas para a utilização de jogos e de ludificação em contextos educativos. A equipa analisou ainda cinco tipos potenciais de jogos digitais, que servirão de base ao desenvolvimento do produto final.

“Esta reunião permitiu alinhar expectativas entre todos os parceiros e garantir que o jogo digital e os materiais educativos que estamos a desenvolver serão, ao mesmo tempo, cientificamente rigorosos, apelativos do ponto de vista gráfico e verdadeiramente relevantes para os jovens”, sublinha Paula Silva, docente do ICBAS e investigadora principal do WellME.

O próximo passo do projeto será a realização, já em janeiro, de grupos focais com jovens em todos os países parceiros (Portugal, Eslovénia, França, Sérvia e Hungria), com o objetivo de recolher opiniões e preferências sobre o formato do jogo. Estes contributos serão fundamentais para a decisão sobre o modelo final do jogo digital, cuja publicação está prevista para este ano de 2026. Universidade do Porto - Portugal


sábado, 23 de agosto de 2025

Portugal - “Diploma de Saída”: Documentário retrata emigração de jovens portugueses

Todos os anos, milhares de jovens portugueses com ensino superior deixam Portugal em busca de melhores condições de vida e de trabalho. É este fenómeno que o documentário “Diploma de Saída”, disponível online desde o final de junho, procura retratar. A produção é da Fundação Francisco Manuel dos Santos, coproduzida com a RTP e narrada pelo jornalista Carlos Daniel


O documentário combina dados estatísticos, entrevistas a especialistas e testemunhos de jovens emigrantes e regressados, oferecendo uma visão abrangente sobre um dos maiores desafios estruturais do país: como reter talento num mundo sem fronteiras.

Os baixos salários, as perspetivas limitadas de progressão na carreira e a falta de valorização profissional têm transformado o diploma académico no novo passaporte para o estrangeiro. Neste cenário, o Estado perde o investimento feito ao longo de anos na sua formação e as empresas procuram adaptar-se à escassez de talento.

“Temos uma baixa produtividade no país, mas os portugueses que trabalham no estrangeiro são altamente produtivos. Isso não está necessariamente relacionado com o trabalhador, mas sim com a organização do trabalho”, sublinha Pedro Góis, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e diretor científico do Observatório de Migrações. Para o investigador, os emigrantes que regressem a Portugal “podem trazer essa nova forma de organizar o trabalho”, contribuindo assim para fortalecer a economia nacional. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 8 de junho de 2025

Luxemburgo - Luso Academy abre inscrições para o novo ano letivo

Estão oficialmente abertas as inscrições para o ano letivo 2025/2026 na Luso Academy, em Esch-sur-Alzette, no Luxemburgo. A escola, que aposta na valorização da língua e cultura portuguesas através da música, convida crianças e jovens da comunidade lusófona a aprender instrumentos como guitarra, piano, violino e viola d’arco


As aulas de instrumento decorrem presencialmente, permitindo um acompanhamento individualizado por parte dos professores. Já as aulas de teoria musical são online, reunindo alunos de diferentes polos da Luso Academy espalhados pela Europa, promovendo assim o intercâmbio cultural entre jovens músicos da diáspora portuguesa.

As inscrições podem ser feitas através do sítio oficial da escola (www.lusoacademy.co.uk) ou diretamente no formulário disponível em: forms.gle/rsQg4U157xycS6Er9.

Fundada em 2012, em Londres, a Luso Academy tem como missão promover o ensino da música em português junto das comunidades emigrantes, utilizando a arte como elo de ligação entre gerações e como veículo de preservação da identidade cultural. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Luxemburgo - É palco de oficina científica em português

A organização não governamental Native Scientists vai realizar no próximo dia 14 de junho, às 14h00 (hora local), uma oficina científica em português para crianças entre os 7 e os 11 anos, em Ettelbruck, no Luxemburgo


O objetivo da atividade passa por estimular a curiosidade científica de forma lúdica, acessível e inclusiva, promovendo o contacto direto com cientistas que partilham a mesma língua e herança cultural das crianças participantes.

A atividade insere-se no trabalho contínuo da Native Scientists, que procura aproximar jovens de comunidades migrantes da ciência, combatendo a ideia de que esta é inacessível ou distante das suas realidades culturais e linguísticas.

Durante a oficina científica, investigadores de língua portuguesa vão apresentar experiências práticas, partilhando assim os seus percursos pessoais na ciência. O objetivo é criar um ambiente de inspiração, onde as crianças se sintam representadas e motivadas a explorar o mundo científico. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 16 de abril de 2025

Cabo Verde – Associação Colmeia celebra 11 anos a lutar pela inclusão de crianças e jovens com deficiência

Cidade da Praia - A associação Colmeia celebrou hoje 11 anos de existência ao serviço da inclusão social de crianças, adolescentes e jovens com deficiência, reforçando o apelo à criação de um serviço nacional de intervenção precoce e mais apoios sociais.



Em entrevista à imprensa, a presidente da associação, Isabel Moniz, enfatizou a importância de um serviço de intervenção precoce em Cabo Verde.

Embora existam especialistas no país, a presidente da Colmeia sublinhou que a falta de uma estrutura organizada impede um acompanhamento eficaz desde a infância.

Segundo Isabel Moniz, a Colmeia acompanha quase 800 crianças, adolescentes e jovens, oferecendo apoio a toda família, incluindo transportes para o atendimento, um esforço essencial para as famílias com poucos recursos.

A fonoaudióloga Jocilene Fortes, que integra a equipa da Colmeia há mais de um ano, destacou a importância do trabalho realizado, lembrando que muitas das crianças chegam até à associação com diagnósticos, como autismo, paralisia cerebral ou hiperatividade, “criam novas habilidades e ganham autonomia”.

“O maior ganho da Colmeia é o esforço e trabalho em equipa é ver o sorriso das crianças e das famílias. A comunicação melhora, o comportamento melhora até o rendimento escolar aumenta”, explicou.

Antónia Amado e Manuela Barbosa expressaram a sua gratidão pela evolução dos seus familiares que frequentam a associação.

“É evidente que o apoio recebido tem sido fundamental para o desenvolvimento e autonomia”, concluíram.

A cerimónia contou com testemunhos de parceiros, familiares e beneficiários da Colmeia.

Houve também exposição e vendas dos trabalhos artísticos desenvolvidos pelos formandos do programa “Oficinas Temáticas”, que inclui áreas como pintura, costura e artesanatos. In “Inforpress” – Cabo Verde   


quinta-feira, 13 de março de 2025

Angola - Associações rubricam protocolo em Portugal para formação de mulheres e jovens

A Associação para Mulher e Criança (AMC) e a Associação Juvenil de Apoio às Comunidades (AJACOM) rubricaram, na última terça-feira, em Braga, um protocolo com a Synergia Portugal para a formação de mulheres e jovens



O memorando tripartido assinado pelos presidentes da Synergia Portugal, AMC, e da AJACOM pretende lançar a Synergia Angola e impactar a vida de mulheres e jovens por meio da formação em Angola e de estágios em Portugal.

No acto de lançamento, Ricardo Sousa, citado por uma nota, enviada ao JA Online, explicou que com este protocolo as instituições estabelecem um compromisso para contribuir para a promoção do progresso educativo, económico, social e cultural da região, através de acções e projectos voltados para o desenvolvimento de competências.

As partes estão focadas, igualmente, na criação de mecanismos de cooperação que tornem possíveis a participação conjunta em iniciativas que reforcem a cidadania e a responsabilidade social, fortalecendo o capital humano e institucional.

Já o líder da AMC, Filipe Ndofula, destacou a necessidade de os parceiros investirem mais em acções que possam impactar mulheres, crianças e jovens em matérias de educação, saúde, formação profissional e empreendedorismo para a promoção de inclusão produtiva, económica e independência financeira feminina.

Por seu turno, o presidente da AJACOM, Hermenegildo Manuel, fez saber que, nesta primeira fase, deverá ser implementado, por um período de três anos, o projecto “Jovens em Acção – JÁ” para promover a qualificação de jovens e mulheres angolanas, por meio de cursos de formação profissional, capacitando-as nas áreas de Electricidade Civil, Frio e Climatização, Corte e Costura, Pastelaria, Serralharia Civil, Construção Civil, Ladrilho e Pladur, Canalização, Soldadura em Mig Mag e Culinária, refere o documento. In “Jornal de Angola” - Angola


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Timor-Leste - Governo quer criar mais condições para formação de jovens

O secretário de Estado da Formação Profissional e Emprego de Timor-Leste, Rogeiro Araújo Mendonça, pediu ontem ao Governo para criar espaços para a formação dos jovens timorenses adequados às necessidades e procura

Em declarações aos jornalistas, no final da reunião do Conselho de Ministros, Rogério Araújo Mendonça, disse que, atualmente, os espaços de formação disponíveis em Díli, nomeadamente em Caicoli e Becora, não são suficientes, nem adequados, para a formação dos jovens, quer para trabalharem temporariamente no estrangeiro, quer no país.

“Hoje na reunião do Conselho de Ministros discutimos com o primeiro-ministro e outros ministros o apoio e a procura de espaços maiores para investimento na formação, especialmente para preparar jovens para oportunidades na Austrália, Coreia do Sul e Japão”, disse o governante.

Segundo Rogeiro Araújo Mendonça, na reunião foi dada orientações à Secretaria de Estado das Terras e Propriedade para, em conjunto com a Secretaria de Estado da Formação Profissional e Emprego, identificarem locais disponíveis e em boas condições.

O objectivo, segundo o secretário de Estado, é garantir que os jovens tenham acesso a infraestruturas adequadas que os beneficiem.

O governante destacou que a formação dos jovens timorenses deve estar alinhada com a procura do mercado internacional, dando exemplos. “Se houver uma maior necessidade de profissionais na área da construção civil, a SEFOPE deverá preparar os jovens com formação nesse setor”, disse. “Se houver maior procura na área da hotelaria, também temos de criar centros nacionais de formação em hotelaria de qualidade, para responder às necessidades do mercado interno e externo”, concluiu.

Governo timorense espera projeto de novo terminal do aeroporto até Março

O ministro dos Transportes e Comunicações de Timor-Leste, Miguel Manetelu, disse ontem que espera receber até ao final do primeiro trimestre deste ano o projecto para a construção do novo terminal do aeroporto internacional Nicolau Lobato, em Díli. “Assinámos contrato com um consórcio de consultores japoneses para finalizar o desenho. Pedi-lhes que, antes do final do primeiro trimestre, apresentem o desenho para ser aprovado e avançarmos com a construção”, afirmou à Lusa Miguel Manetelu.

O ministro dos Transportes e Telecomunicações assinou na segunda-feira um contrato para a prestação de serviços de consultadoria com um consórcio japonês para elaborar o projeto para a construção do novo terminal de passageiros do aeroporto, que também tem o apoio do Governo do Japão.

Para o ministro, o “primeiro passo” para acelerar a construção do novo terminal de passageiros é a conclusão do projeto, que tem como finalidade modernizar o aeroporto e garantir uma maior capacidade de atendimentos a passageiros e o cumprimento dos padrões internacionais de segurança e operação aeroportuária.

Além do novo terminal de passageiros, o Governo timorense anunciou em agosto que também vai avançar com a reabilitação e expansão da pista do principal aeroporto do país, num processo que vai decorrer em três fases.

A primeira prevê o aumento da pista de 1850 metros para 2150, a segunda prevê a construção de mais 400 metros em direção ao mar e a terceira uma ampliação de mais 500 metros no sentido oposto ao do mar. O projecto vai ser financiado através de um empréstimo ao Banco Asiático de Desenvolvimento, com apoio dos governos do Japão e da Austrália, bem como pelo Orçamento de Estado. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 8 de novembro de 2024

América do Sul - Mais de 420 mil crianças são afetadas por seca recorde na Amazónia, diz Unicef

Choques climáticos no Brasil, Colômbia e Peru deixam menores sem acesso à educação, alimentos e serviços vitais. Mais de 1,7 mil escolas brasileiras foram fechadas ou ficaram inacessíveis devido aos níveis baixos de água nos rios


Mais de 420 mil crianças estão afetadas pela seca recorde que atinge a Amazónia, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.
O evento climático extremo, desde o ano passado, deixou os rios da bacia amazónica em níveis extremamente baixos, afetando severamente o Brasil, Colômbia e Peru.
Mais de 1,7 mil escolas fechadas no Brasil
Nestes países, as famílias que vivem em comunidades ribeirinhas e indígenas dependem dos rios para transportar e aceder a alimentos, água, combustível e suprimentos médicos básicos.
A via fluvial também é importante para que as crianças consigam ir às aulas. Somente no Brasil, mais de 1,7 mil escolas e 760 centros de saúde foram fechados ou ficaram inacessíveis devido aos níveis baixos dos rios.
A última avaliação do Unicef em 14 comunidades no sul da Amazónia brasileira, revela que metade das famílias está com os seus filhos fora da escola como resultado da seca.
“A saúde da Amazónia afeta a saúde de todos”
A oferta de serviços essenciais, incluindo saúde e proteção infantil também foi interrompida na região.
A diretora executiva da Unicef, Catherine Russell disse que a região vivencia a devastação de um ecossistema essencial do qual dependem as famílias, “deixando muitas crianças sem acesso adequado a alimentos, água, cuidados de saúde e escolas".
Ela afirmou que é preciso mitigar os efeitos da crise climática extremas para proteger as crianças hoje e as gerações futuras. Para Russell, “a saúde da Amazónia afeta a saúde de todos”.
Crises na Colômbia e no Peru
Já na Amazónia colombiana, a queda foi mais drástica de até 80%, restringindo o acesso à água potável e ao abastecimento de alimentos.  Em mais de 130 escolas, aulas presenciais foram suspensas.
Isso aumentou o risco de recrutamento, uso e exploração por grupos armados não estatais e levou ao aumento de infecções respiratórias, diarreias, malária e desnutrição aguda entre os menores de 5 anos.
No Peru, a região nordeste de Loreto é a mais afetada pela seca, deixando em risco comunidades remotas, a maioria delas indígenas e já vulneráveis.
Mais de 50 centros de saúde tornaram-se inacessíveis, enquanto os incêndios florestais, muitas vezes gerados pelo ser humano e impulsionados pela seca, estão causando devastação sem precedentes e perda de biodiversidade em 22 das 26 regiões do país.
Necessidade de US$ 10 milhões para a resposta
A Unicef estima que US$ 10 milhões são necessários durante os próximos meses para atender às necessidades mais urgentes das comunidades afetadas pelas secas no Brasil, Colômbia e Peru, incluindo a distribuição de água e outros suprimentos essenciais.
O investimento também cobriria mobilização de brigadas de saúde e fortalecimento da resiliência dos sistemas comunitários e serviços públicos locais nas comunidades indígenas afetadas.
A Amazónia é a maior e mais diversificada floresta tropical do planeta e abrange nove países da América do Sul. ONU News – Nações Unidas


sábado, 14 de setembro de 2024

Angola - Carlos Almeida pretende massificar o basquetebol nas escolas e nos bairros

O ex-basquetebolista Carlos Almeida abraçou o projecto “Massificar o basquetebol nas escolas e bairros do Soyo”, numa iniciativa da petrolífera Etu Energias, no âmbito da sua responsabilidade social


Numa primeira fase, o antigo craque do Petro de Luanda, 1.º de Agosto e da Selecção Nacional vai fazer o levantamento das quadras desportivas para a efectivação da modalidade, que se encontra adormecida na vila do Soyo.

O ex-secretário de Estado dos Desportos disse ter abraçado o projecto por ter sido um basquetebolista de referência. "Venho a defender esta iniciativa há muitos anos. Foi assim que abracei este projecto, onde vou fazer a minha parte com muita dedicação, como fiz quando defendi as cores do nosso país”, afirmou.

Para o basquetebolista, o convite da petrolífera Etu Energias para massificar a modalidade é um reconhecimento da empresa angolana à sua pessoa, pelo contributo que deu ao basquetebol, tanto nos clubes, como na Selecção.

As crianças, adolescentes e jovens da vila do Soyo e arredores, que pretendam abraçar o basquetebol e tornar-se atletas de referência a nível da província do Zaire e do país, podem contar com os préstimos de Carlos Almeida. O ex-atleta pretende deixar um "legado inesquecível”.

Além da escassez de material, do pouco tempo que manteve com alguns jovens ávidos em praticar o basquetebol, Carlos Almeida disse ter notado que lhes falta conhecimentos sobre a modalidade.

Com a iniciativa da petrolífera, referiu, essas barreiras vão ser ultrapassadas e o projecto de requalificação das quadras desportivas, tanto nas escolas e bairros do Soyo, vai proporcionar melhores condições a todos aqueles que aspiram em ser basquetebolistas de referência.

Para um trabalho eficaz relativamente à massificação da modalidade, o antigo craque precisou que vai contactar alguns companheiros no processo de treinamento e na transmissão de conhecimentos. Fula Martins – Angola in “Jornal de Angola”


quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Timor-Leste - Vice-primeiro-ministro defende inclusão digital dos jovens

O vice-primeiro-ministro, ministro Coordenador dos Assuntos Sociais e ministro do Desenvolvimento Rural e Habitação Comunitária timorense defendeu a inclusão digital dos jovens, bem como o acesso a tecnologia e educação de qualidade. “Devemos promover a inclusão digital e garantir que todos os jovens, independentemente da sua localização ou condição socioeconómica, tenham acesso a tecnologias digitais e a educação de qualidade”, afirmou Mariano Sabino, numa mensagem alusiva ao Dia Mundial da Juventude.

O Dia Mundial da Juventude este ano dedicado ao tema “Dos cliques ao progresso: caminhos digitais dos jovens para o desenvolvimento sustentável”.

Ao salientar que a “era digital” pode ser um “poderoso catalisador para mudanças positivas”, o vice-primeiro-ministro defendeu que a inclusão digital é “essencial para capacitar a próxima geração de líderes e inovadores”. “Timor-Leste deve também fomentar a educação e capacitação. O Governo deve investir em programas educacionais que desenvolvam as capacidades na área digital, preparando os jovens para enfrentar os desafios do futuro e criar oportunidades de emprego sustentável”, destacou Sabino.

O vice-primeiro-ministro defendeu ainda que os jovens empreendedores utilizadores de tecnologias digitais devem ser apoiados para “desenvolver soluções criativas e sustentáveis”. “É determinante fomentar a participação dos jovens na utilização de plataformas digitais para amplificar as suas vozes e garantir que as suas opiniões sejam ouvidas em fóruns locais, nacionais e de âmbito internacional”, afirmou, na mensagem, salientando que aquela é também uma forma de “fortalecer a democracia e promover a justiça social”.

No âmbito da celebração do Dia Mundial da Juventude, várias agências da ONU em conjunto com o Ministério da Juventude, Desporto, Arte e Cultura timorense organizam o Festival Kor. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 22 de julho de 2024

Portugal - Projeto da Universidade de Coimbra capacita jovens gerações para serem agentes de mudança na preservação ambiental e do oceano

O projeto BlueWave, coordenado por Ana Marta Gonçalves, investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) realizou, ao longo dos últimos três anos, várias atividades relacionadas com a preservação ambiental e do oceano, com o intuito de que as jovens gerações se tornem agentes de mudança.


De acordo com a investigadora, também ligada ao Centro de Ecologia Funcional (CFE), «os principais objetivos foram envolver os jovens nas questões relacionadas com o oceano, sensibilizando-os para a importância da sua preservação e promovendo mudanças de comportamento em relação à exploração dos recursos marinhos, e capacitar os professores com materiais didáticos, contribuindo para um ensino de qualidade».

No decorrer deste projeto, Ana Marta Gonçalves visitou sete escolas de Portugal Continental e Ilhas, levando até aos jovens do ensino secundário várias atividades que lhes permitiram adquirir conhecimentos sobre o oceano, desenvolver competências de literacia marinha e também participar ativamente na proteção do meio ambiente.

«Para além das sessões em sala de aula, desenvolvemos várias atividades interativas com os diferentes materiais didáticos criados no âmbito deste projeto. Houve também lugar para limpezas de praia que deram origem a exposições para as comunidades escolar e local. Os três anos de projeto culminaram com a idealização e apresentação de projetos de empreendedorismo azul a aplicar na área de residência de cada grupo de alunos», revela.

O projeto BlueWave veio incentivar os jovens a agir de forma consciente em relação ao oceano e a desenvolver soluções inovadoras para os desafios que este enfrenta, contribuindo, desta forma, para a sensibilização da comunidade escolar e para a promoção de uma maior consciencialização sobre a importância da proteção dos ambientes marinhos.

«Foi uma experiência muito enriquecedora para todos os envolvidos. Os alunos puderam aprender de forma prática e aplicada, e mostraram bastante interesse e compromisso com as questões ambientais e dos oceanos. Os professores também se envolveram de forma ativa e dinâmica, adquirindo novas competências e conhecimentos para transmitir aos alunos», garante a investigadora do CFE.

Segundo a investigadora, a formação online para os professores foi fundamental para a sua capacitação e transmissão de ferramentas didáticas, garantindo a qualidade do ensino. Este projeto evidenciou que «é possível envolver os jovens em questões importantes como o lixo marinho, biodiversidade marinha e alterações climáticas, e que eles têm vontade de participar e contribuir para um futuro mais sustentável», considera.

«Espera-se que o BlueWave tenha deixado uma semente de consciência e responsabilidade ambiental nestas jovens gerações e que possam levar esses valores para a vida adulta, tornando-se cidadãos ativos e comprometidos com a preservação do planeta», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 19 de julho de 2024

Portugal - Lidera projeto europeu sobre educação científica para jovens

O PAFSE (Partnerships for Science Education) é um projeto europeu de educação científica, liderado por Portugal, centrado no reforço da literacia em saúde, na desmistificação de mitos e estereótipos associados às áreas CTEM/STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemáticas) e na preparação dos estudantes para seguirem currículos e profissões ligados a esta área, com particular destaque para as ciências da saúde

Liderado pela ENSP NOVA (Escola Nacional de Saúde Pública – Universidade Nova de Lisboa), sob condução da investigadora e Professora Carolina Santos, o PAFSE tem como missão desenvolver as competências, curiosidade e o interesse nos estudantes em seguirem currículos e profissões nesta área, bem como prepará-los para serem embaixadores da saúde pública nos seus ambientes de vida.

O consórcio de nove entidades construiu clusters de educação de ciência com epicentro nas escolas de ensino secundário, que se traduziram em parcerias com universidades, centros de investigação, empresas, fundações, associações e organizações da sociedade civil.  Os parceiros desafiaram as escolas a abrirem-se à comunidade com o objetivo de enriquecer as atividades de educação CTEM e conectar o currículo das ciências com desafios reais da sociedade e das organizações. Os alunos tiveram a oportunidade de interagir com investigadores, empresários, profissionais de saúde, gestores, cientistas de dados, comunicadores de ciência, economistas da saúde, engenheiros, entre outras profissões relevantes da área CTEM, conhecendo melhor o seu percurso académico e trabalho nas organizações que os empregam.

O consórcio preparou ainda professores para explorarem um conjunto alargado de desafios da saúde  pública em sala-de-aula e desenvolveu recursos pedagógicos, promovendo a implementação de projetos de base científica e atividades formais e informais de aprendizagem com os parceiros do cluster, recorrendo-se a ferramentas digitais e ambientes de ensino-aprendizagem dinâmicos para promover o desenvolvimento das 21st century skills (ex.: criatividade, capacidade de resolução de problemas, colaboração), competências de gestão de projeto e recolha / análise / interpretação de evidência científica.

O PAFSE fomentou a utilização da metodologia de Aprendizagem Baseada em Projeto (PBL) dada a extensa evidência sobre a sua efetividade na educação das ciências, tecnologia, engenharia e matemática. Através da metodologia de PBL, os estudantes foram estimulados a desenvolver projetos de base científica que promovem a sua saúde e previnem doença na comunidade. Os projetos de investigação encontram-se enquadrados em cenários de aprendizagem desenvolvidos no primeiro ano de projeto, testados em 40 escolas no ano seguinte e escalados na sua implementação em 2024 através da formação de professores.

O cenário de aprendizagem é uma estrutura que promove a aprendizagem eficaz através da identificação de objetivos de aprendizagem, combinação de atividades dinâmicas em ambientes formais e informais, dentro e fora da sala de aula, prevendo a exploração pelos alunos de objetos digitais de aprendizagem desenvolvidos pelo consórcio e a navegação em plataformas digitais desenhadas para o efeito.

“Em cada escola, os desafios da saúde pública foram explorados de forma multidisciplinar, através da constituição de equipas com professores de diferentes disciplinas – ciências, matemática, tecnologias da informação, física, química, geografia, inglês, cidadania. Diversos desafios foram trabalhados – desde as doenças zoonóticas, à preparação para futuras pandemias, ao cancro, doença cardiovascular, diabetes, resistência a antibióticos, sistemas de inteligência artificial na saúde pública, objetivos de desenvolvimento sustentável. No final do processo de ensino-aprendizagem, os alunos sob mentoria dos professores, organizaram eventos públicos de apresentação das suas aprendizagens e, particularmente, da evidência gerada pelos seus projetos de investigação, trazendo propostas e recomendações que beneficiam a saúde e bem-estar da comunidade”, explica Carolina Santos, investigadora principal do projeto e coordenadora do consórcio.

O PAFSE – Partnerships for Science Education iniciou em 1 setembro 2021 e termina em 31 agosto de 2024, financiado pelo Horizon 2020 Framework Programme – programa de apoio à inovação e investigação da Comissão Europeia, com um montante de financiamento no valor de 1,46 milhões de euros. O PAFSE integrou uma montra de 100 projetos selecionados para apresentação no New European Bahaus Festival, em 2022, e um conjunto de 16 projetos selecionados para apresentação na conferência de alto nível da European Research Agency, 18-19 setembro, em Bruxelas, pelo seu carácter inovador e impacto na sociedade. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 13 de março de 2024

Angola - Fineza Teta almeja criar escola de artes plásticas

A artista plástica Fineza Teta revelou que está empenhada na concretização de uma escola de artes


Segundo avançou a artista, tem recebido muitos pedidos de pais que querem ver os filhos a terem aulas de pintura e artes, por isso está a trabalhar, desde o ano passado, na manutenção de uma galeria-escola, localizada no Patriota, em Luanda.

"Este é no momento o meu grande desafio. Tenho um espaço pequeno, uma galeria, mas que não se adequa porque não tem arejamento, dado que as tintas são tóxicas. Seria perigoso para as crianças. Por isso faço ensaios de 10 a 20 alunos. Tenho alguns meninos que eu pessoalmente, gostaria de "amadrinhar”, embora esteja a ser difícil”, explicou.

Fineza Teta detalhou que os meninos que deseja amadrinhar, conheceu-os na rua, em locais onde faziam desenhos incríveis, com muita dedicação. Dentre estes, um deles chamou-lhe a atenção durante um programa de televisão, onde o mesmo apresentou os trabalhos de maquetes feitas com papelão e lata.

"São crianças que eu gostaria muito de apadrinhar. O meu grande projecto é trabalhar com crianças e adultos em prol da arte, mas a custo próprio está a ser muito difícil. Eu pago renda neste espaço, a volta de 300 mil kwanzas mês, e tenho dificuldades de aquisição de material. Tem sido um grande exercício. Espero que este ano consiga alguns patrocínios, porque não tem sido fácil manter a minha palavra junto dos muitos pais que desejam ver os filhos a aprenderem artes”, disse.

Artista de reconhecido mérito nacional e internacional, faz parte do leque de obras da colecção de Álvaro Macieira, patente no Museu Nacional de História Natural, em celebração antecipada dos 50 anos de Independência. Fineza Teta recordou que conheceu Álvaro Macieira quando recebeu a menção honrosa do prémio Ensa-Arte, em 1998, ainda nas vestes de jornalista. Porém, um dia foi convidada por Benjamim Sabby, na época colega no Instituto de Formação Artista, a visitar o atelier de Álvaro Macieira, situado num dos prédios da Avenida de Portugal.

"O Álvaro pediu-me para pintar alguma coisa, eu fiz uma instalação. Já não me lembrava desse episódio. Um tempo depois, viajo e quando regresso ele disse que estava a pintar e pediu-me para ver alguns quadros meus.  Mostrei-lhe e reconheceu logo que trazia técnicas novas. Era a mistura de quatro técnicas diferentes que eu trago, como o empasto, realismo, etu-etu e o crafty. Ele gostou e falou sobre o Kinamuta. Achei pertinente a colecção, e, hoje, podemos afirmar que é um dos grandes coleccionadores das artes plásticas angolanas”, pontua.

Para a artista, pessoas como o Álvaro Macieira devem ter colaboração estreita com os futuros museus, visto que traz nesta exposição uma grande diversidade de escultura e cerâmica com técnicas que fazem escola.

Com mais de duas décadas de carreira, Fineza Teta é a única artista feminina a vencer o Grande Prémio Pintura na XII Edição do ENSA ARTE, em 2014.

"Sinto-me uma mulher realizada, que vive aquilo por que sonhou. Sou uma pessoa privilegiada porque vivo das artes plásticas. Há quem diga ter inveja de mim por sentir como eu sou livre. Ainda tenho muita coisa por fazer, e o meu grande desejo é participar para o bem da reconciliação do meu país. Enquanto haver fôlego, vou contribuir para a grandeza deste país, porque aqui é o meu lugar”, revelou.

Fineza Sebastião Teta "Fisty” nasceu 26 de Dezembro de 1977, na Ilha de Luanda. Desde criança manifestou a vocação artística. É licenciada em Belas Artes e design pela Open Window Arte Academy, da África do Sul, onde recebeu a distinção de Mascote Escolar. Certificada em Design de interiores, pela New York, na New York Academy, Design internacional pelo Distrito de Arte, cultura e Desporto Chinês.

Fez parte dos jurados do Prémio Nacional Cultura e Artes. Integrou diversas cerimónias de recepção cultural para a delegação presidencial e participou em exposições colectivas e individuais a nível nacional e internacional.

A experiência adquirida em vários países reflecte-se no conjunto da obra que expressa um mosaico de vertentes artísticas, e não só, bem como as obras estão representadas em várias colecções públicas e privadas nacionais e internacionais. Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


segunda-feira, 24 de abril de 2023

Venezuela - Lusodescendente promove há décadas direitos infantis

O luso-venezuelano Fernando Augusto Pereira criou há 38 anos a ONG Cecodap – Centros Comunitários de Aprendizagem, que trabalha desde então na promoção e defesa dos Direitos Humanos das crianças e adolescentes na Venezuela

A ideia, explicou à agência Lusa, surgiu em 1984, quando estudava na Universidade e contactou com “comunidades muito pobres na periferia de Caracas” onde viu as necessidades que tinham as crianças e famílias, mas sobretudo as mulheres, as mães.

“Foi então que começámos a ver o que podíamos fazer para melhorar as condições (locais) e prestar atenção”, disse, precisando que se tratava de El Ciprés, em Las Adjuntas, um bairro que estava rodeado de culturas de agricultores portugueses.

Por outro lado, explicou que o símbolo da ONG é, desde o primeiro momento, um “papagaio” (joeira) porque “tem a ver com a possibilidade de voar até ao céu” e que para fazê-lo “é preciso ir contra o vento, não se voa se não se tiver vento de proa, então as dificuldades estão sempre presentes”.

“Não tínhamos nada e tínhamos tudo, porque tínhamos o desejo e a vontade de trabalhar, a confiança no que podíamos fazer”, frisou.

Segundo Fernando Augusto Pereira, tem sido fundamental “ajudar os jovens a realizar os seus sonhos, acreditar neles, fazê-los entender que o único sonho que não acontece é aquele que não se tem, por outras palavras, as crianças e os adolescentes têm uma capacidade infinita para serem capazes de criar e realizar os seus sonhos”.

“Começámos numa comunidade muito pobre, não tínhamos sede nem escritório. Não tínhamos recursos, apenas o nosso trabalho voluntário. E tivemos o apoio de pessoas que começaram a ver e a confiar no que fazíamos, porque estávamos envolvidos de coração, com muita paixão, e essa é uma forma de inspirar e motivar os outros”, disse.

Lembra-se que conseguiram construir um “ranchito” (uma casita) com paredes de cartão e teto de lata de zinco e que com uma tinta cedida pelo pai, Augusto Pereira da Silva, que era pintor da construção, pintaram o teto de azul e uma mamã usou papel de alumínio para colocar algumas estrelas no teto.

“E quando perguntavam às crianças onde estudavam, estas diziam que era numa escola que tinha o céu dentro. Vimos e compreendemos que o céu estava lá dentro, que embora não tivéssemos nada de material, tínhamos tudo, porque tínhamos a ilusão e a confiança de todos”, disse, sublinhando que “os projetos não se fazem por recursos materiais ou físicos, fazem-se pela gente, pelo carinho e entrega que se possa ter”.

Sobre a origem do nome, explicou que surgiu da criação, com o apoio da comunidade, de vários centros de aprendizagem e que serviu depois de inspiração para um programa governamental inspirado em alguns elementos da experiência que tinham.

“Isso levou-nos a avançar na formação de outras organizações profissionais, não apenas em Caracas, mas em todo o país. Serviu para nos projetarmos a nível nacional”, explicou, precisando que em 2022 a Cecopad tinha presença em 800 escolas públicas e privadas do país, dando formação a muitas crianças, estudantes, professores e familiares.

A organização já publicou mais de 15 livros sobre as matérias que disponibilizam, que são usados por outras instituições.

Filho de Augusto Pereira da Silva, um emigrante de Espinho, um pintor que deu formação a venezuelanos, colombianos, equatorianos e dominicanos, explicou que o pai “teve sempre uma paixão pelo que fazia” e que “não trabalhava para viver, vivia para trabalhar”.

“Ele fez-me compreender que é preciso gostar do que se faz e fazê-lo bem, porque se se gosta e se faz com paixão, o resto surge por adenda. Muitos desses valores ficaram tatuados no meu ADN e é isso que hoje estou a fazer aqui. O legado que posso deixar aos meus colegas e à equipa é essa ideia de trabalhar, de fazer as coisas com perseverança e de fazer o melhor que se pode”, explicou.

Sobre a atualidade venezuelana, disse que nos últimos anos “se tem complicado, há muitas dificuldades”, sublinhando a importância de reforçar, nos jovens, a capacidade de resiliência para superar as adversidades e que ao ter confiança neles mesmos, vão-se abrindo portas a outros cenários e possibilidades.

Fernando Augusto Pereira referiu que a sua vida está unida à sua herança portuguesa.

“Desde criança ‘amamentaram-me’ com muitos valores e, da minha infância, lembro-me dos bolinhos de bacalhau, da aletria, do pão-de-ló, do bolo-rei. Apesar de algumas limitações, foi uma infância com muita alegria”, concluiu. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 10 de março de 2023

Diáspora - Lusodescendentes aprendem programação em língua portuguesa

Projeto Ugni Lab nasceu para ensinar programação e incentivar as gerações mais novas da diáspora portuguesa a serem criadores de tecnologia


Os programas desenvolvidos pela Ugni Lab pretendem ensinar Python e Scratch assentes em áreas do conhecimento e criatividade mais específicas como Análise de Dados, Simulações STEAM e Criação de Jogos. Com um pequeno grupo de alunos e liderado por professores inspiradores – entre os quais Ana João Correia, colaboradora do Bom Dia e moderadora da emissão regular Bom Dia dá música -, as crianças envolvem-se em projetos inovadores que desenvolvem a imaginação, a criatividade, a lógica e o pensamento computacional. As sessões de programação são lecionadas em língua portuguesa, sendo, assim uma forma de a comunidade mais jovem de lusodescendentes aprender a programar na sua língua materna.

A Ugni Lab está também a criar uma Comunidade Digital de programadores de “palmo e meio” com crianças e jovens da diáspora portuguesa. Aqui, a comunicação é toda em português e os jovens programadores desenvolvem os próprios programas e ajudam-se mutuamente a resolver problemas.

Por outro lado, a realização de Maratonas de Programação (Hackathons) presenciais em países europeus permitirá que os alunos trabalhem na resolução de um problema com outras crianças que partilhem a mesma herança linguística.

As inscrições estão disponíveis no sítio da Ugni Lab. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Portugal - Mais de 1300 timorenses em “extrema vulnerabilidade”

Neste dia 10, a Alta-Comissária para as Migrações disse no Parlamento que há 1332 timorenses em Portugal sinalizados como estando em “extrema vulnerabilidade”, no seguimento do que disse ser “uma nova vaga” de imigração.

“Alterou-se o padrão [da emigração de Timor-Leste para Portugal], levando a que desde julho começassem a ser sinalizadas e identificadas situações de extrema vulnerabilidade, em grande medida associadas à ausência de condições adequadas de alojamento”, disse Sónia Pereira, na intervenção inicial durante a audição da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, que decorreu em Lisboa.

A responsável referiu que “até agora, e tendo como base os dados de 06 de janeiro, estão referenciados 1332 cidadãos nestas condições de extrema vulnerabilidade que obrigaram a uma atuação muito rápida das autoridades”, notando que existe uma “nova vaga” de emigração de timorenses para Portugal, não só para Lisboa, mas também para Beja e nas zonas oeste e centro do país.

“Há uma situação de extrema precariedade perante a vulnerabilidade das condições do mercado de trabalho, havendo várias pessoas que não assinaram contrato de trabalho, há venda de ‘pacotes’ em Timor-Leste que incluem viagem, trabalho e alojamento em Portugal em situações em que a informação prestada lá não se veio depois a verificar cá”, acrescentou.

De acordo com os números avançados pela alta-comissária, há cerca de 500 timorenses a quem foi garantido alojamento coletivo e 232 pessoas têm ofertas de trabalho do ACM que incluem, na maior parte dos casos, alojamento.

A falta de trabalho em Timor-Leste está a provocar um êxodo de trabalhadores jovens, com Portugal a tornar-se um dos principais destinos, com muitos a aproveitarem-se de condições de entrada mais fáceis do que outros países.

Uma procura que está a levar ao aparecimento de agências e de anúncios a tentar enganar jovens timorenses, a quem são cobradas quantias avultadas com a promessa de trabalho ou vistos.

Muitos timorenses acabam por ser enganados, sendo depois deixados praticamente ao abandono nos países de acolhimento, incluindo Portugal. As situações mais dramáticas vivem-se em Lisboa e em Serpa, com muitos timorenses na rua e outros a viver em grupo em instalações temporárias.

As famílias acabam igualmente por ficar com pesadas dívidas às costas, com empréstimos ilegais concedidos com juros elevadíssimos.

O conjunto de audições da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais prosseguem com a audição do diretor nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Fernando Silva, e do chefe de missão da Organização Internacional para as Migrações Portugal, Vasco Malta. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”