Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 31 de julho de 2026

China - Regista forte crescimento do comércio ferroviário com a Europa

Os comboios de mercadorias que ligam a China à Europa realizaram mais de 130 mil viagens na última década, representando um comércio superior a 520 mil milhões de dólares.


Actualmente, transportam por mês a mesma quantidade de mercadorias registada em todo o ano de 2016. Estes foram alguns dos dados revelados por Liang Linchong, director-geral do Departamento de Abertura Regional da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (principal órgão de planeamento económico da China), durante uma conferência de imprensa realizada em Pequim.

Citado pelo jornal oficial “Global Times”, Liang sublinhou que o número de viagens nesta ligação ferroviária comercial aumentou de 1702 em 2016 – quando estes serviços foram unificados sob um único nome – para mais de 20.000 no ano passado, representando uma taxa média de crescimento anual superior a 30%. O mesmo responsável indicou ainda que a digitalização dos processos alfandegários permite agora que estes sejam concluídos em cerca de meia hora e que os horários fixos dos comboios reduziram o tempo de viagem em mais de um terço em rotas como a entre Xi’an (China central) e Duisburg (Alemanha ocidental), que passou de 15 para 11 dias.

Os comboios têm operado com 100% da sua capacidade de carga durante 46 meses consecutivos, observou Liang, acrescentando que a proporção de mercadorias que saem da China em relação às que chegam da Europa está a aproximar-se de um “equilíbrio de um para um”, o que representaria uma “forte procura bidireccional”.

A expansão das rotas que ligam a China à Europa também aumentou a atractividade para os comerciantes transfronteiriços, afirmou o representante da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, mencionando as novas ligações abertas através do corredor do Mar Cáspio, através da Turquia, e do porto russo de São Petersburgo para a Alemanha. A volatilidade das rotas marítimas devido à escalada dos conflitos geopolíticos também beneficiou estes comboios, especialmente para as empresas que procuram um acesso rápido à Europa, como os fabricantes de ar condicionado Midea e Gree, que reduziram os prazos de entrega de cerca de 40 dias para aproximadamente 15 em resposta à onda de calor que afecta o continente. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Moçambique - “O Veredicto” une música, teatro e dança no Centro Cultural Moçambique-China

O musical “O Veredicto” sobe ao palco na próxima sexta-feira, no Centro Cultural Moçambique-China, com a proposta de unir teatro, canto, dança e performance visual numa reflexão sobre as histórias, vivências e expressões que compõem o património cultural moçambicano. Mais do que um espetáculo, os promotores apresentam a iniciativa como um apelo à valorização da cultura nacional e à aproximação do público às produções artísticas do país.


Durante a conferência de imprensa de apresentação do musical, o produtor Zé Pires afirmou que a obra pretende contribuir para o resgate da música moçambicana, que, na sua perspetiva, tem perdido espaço junto da própria sociedade.

“Fazemos com este musical, com esta obra que é um teatro musicado, um clamor a toda a sociedade para o resgate e a recuperação da nossa música como uma plataforma importante que foi praticamente abandonada pela própria sociedade.”

Segundo Zé Pires, a principal razão da criação do espetáculo é formar novos públicos e incentivar os moçambicanos a voltarem às salas de espetáculo.

“A essência deste espetáculo, aquilo que foi a razão por que foi criado, é a construção de uma audiência, a formação de audiências.”

O produtor reconheceu que um dos maiores desafios enfrentados pelos artistas nacionais é conquistar público para os seus eventos.

“Hoje em dia temos muita dificuldade de ter um espetáculo de música ou de qualquer arte sem a gente ter uma casa cheia. Estamos com uma casa de 1500 lugares e, para a ter cheia, é um transpirar que vocês não estão a imaginar.”

Também presente na conferência de imprensa, o artista Roberto Chitsondzo alertou para o que considera ser um progressivo afastamento dos artistas e do público em relação à cultura moçambicana.

“Nós, artistas, fugimos da nossa essência como artistas para ser melhor aplaudidos. A sociedade deixou de escutar a sua própria cultura para dar mais ‘likes’ àquilo que é dos outros.”

Embora reconheça a importância das influências internacionais na formação dos artistas, Chitsondzo defendeu que é necessário valorizar mais a produção cultural nacional.

“Eu próprio aprendi a cantar com músicas provenientes de outros sítios. Mas isso não significa que devemos deixar de ouvir e promover aquilo que é nosso.”

O artista criticou ainda a escassa presença de conteúdos culturais em alguns programas de entretenimento, considerando que a divulgação do trabalho dos criadores nacionais continua a ser insuficiente.

“Aquilo que a gente assiste ali é fofoca, aberrações, insultos. Daquilo que deveriam apresentar sobre os nossos colegas, eu não vejo nada.”

A organização acredita que “O Veredicto” poderá contribuir para aproximar o público da arte moçambicana, promovendo uma reflexão sobre a identidade cultural e reforçando o papel da música, do teatro e da dança como instrumentos de preservação do património nacional. Arnosso Cuco – Moçambique in “O País”


Moçambique - Associação Cultural da Universidade Pedagógica promove Ciclo de Cinema Moçambicano na Universidade Pedagógica de Maputo

A Associação Cultural da Universidade Pedagógica de Maputo (ACUP) vai promover, de 3 a 7 de Agosto, um Ciclo de Cinema Moçambicano, uma iniciativa que pretende aproximar a comunidade universitária da produção cinematográfica nacional e fomentar a reflexão sobre temas sociais, históricos e culturais retratados nas obras.


O evento terá lugar no Centro de Línguas da Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes da Universidade Pedagógica de Maputo, entre as 9h00 e as 12h00, e contará com a exibição de um filme por dia, seguida de debates com realizadores, actores, produtores, guionistas, editores de vídeo, docentes e estudantes. A organização considera que a iniciativa contribuirá para a valorização da sétima arte moçambicana como instrumento de formação académica e de promoção do pensamento crítico.

A programação inicia-se no dia 3 de Agosto com a exibição da longa-metragem Comboio de Sal e Açúcar, seguindo-se uma conversa que contará com a participação do realizador Licínio Azevedo e do actor Aquirasse Nipita.

No dia seguinte será apresentado O Ancoradouro do Tempo, com debate orientado por Amílcar Mascarenhas e a presença do realizador Sol de Carvalho e de Horácio Guiamba.

No dia 5 de Agosto será exibido Avó Dezanove e o Segredo do Soviético, seguido de um encontro com o realizador João Ribeiro e a actriz Anabela Adrianoupolos, moderado por Félix Mambucho. Já no dia 6, o público poderá assistir a O Silêncio da Mulher, com debate conduzido por Daniel Tinga e participação do realizador Gabriel Mondlane e da actriz Júlia Novela. O ciclo encerra no dia 7 de Agosto com a projecção das curtas-metragens A Penumbra, de Jared Nota, e O Sonho, de Ivo Mabjaia, seguida de uma conversa moderada por José dos Remédios, com a participação do produtor Omar Faquirá e do cineasta Jared Nota.

Segundo a ACUP, a realização deste ciclo visa reforçar a formação de públicos mais conscientes e criar um espaço permanente de reflexão sobre os desafios e as potencialidades do cinema moçambicano, consolidando o compromisso da Universidade Pedagógica de Maputo com a cultura, a educação e a produção do conhecimento. In “O País” - Moçambique


Angola - Poeta Elsa Major lança livro no Memorial Dr. António Agostinho Neto

Depois da apresentação em Portugal, a poeta Elsa Major regressa ao país para o lançamento oficial da sua mais recente obra intitulada “Faro e Enigmas - Poesia”, cuja sessão ocorreu no Memorial Dr. António Agostinho Neto, um dos mais importantes espaços de promoção da cultura e da memória nacional


Publicado pela Perfil Criativo | AUTORES.Club, Faro e Enigmas - Poesia afirma-se como uma das mais significativas obras poéticas da autora, reunindo poemas em que o amor, a memória, a espiritualidade, a identidade e a paisagem se cruzam numa escrita profundamente sensorial. Inspirada pelo Namibe, pelo Atlântico e pelo Deserto do Kalahari, Elsa Major propõe uma poesia que convida à contemplação e à reflexão sobre a condição humana.

A sessão de lançamento contou com a participação de convidados especiais, entre os quais Conceição Cristóvão, Agnela Barros e o escritor e investigador João Fernando André, cuja presença reforça a dimensão literária do encontro.

O livro conta com o apoio de várias instituições e órgãos de comunicação social, entre os quais a Rádio Escola 88.5 FM, o Sistema Akwa Kisanji, a Rádio MFM 91.7 e outros parceiros culturais.

Depois da excelente recepção em Lisboa, onde a obra reuniu escritores, académicos, diplomatas e leitores num momento de celebração da literatura, Faro e Enigmas chega agora a Luanda para um encontro, de acesso livre, com o público angolano, num regresso particularmente simbólico da autora às suas raízes e ao universo cultural que inspira grande parte da sua criação poética.

Mais do que um lançamento literário, esta apresentação constituiu uma celebração da poesia contemporânea e da crescente afirmação das vozes femininas na literatura nacional, reforçando o papel do livro como espaço de diálogo entre memória, identidade e futuro.

Elsa Major é uma poeta, escritora e professora angolana, natural da província do Namibe e licenciada em Linguística pelo Instituto Superior de Ciências da Educação da Universidade Agostinho Neto.

Destaca-se no panorama da literatura lusófona pela ligação à tradição oral e expressão feminina, com as obras Sensações, Emoções e Impressões, Versos Confessos e Faro e Enigmas. É co-autora em várias antologias e colectâneas da lusofonia, incluindo os volumes de Poiesis, Janelas do Universo e Eclética I. In “Jornal de Angola” - Angola


quinta-feira, 30 de julho de 2026

Macau - Associação quer aprofundar intercâmbio jurídico entre a China e o mundo lusófono

Uma deslocação ao Brasil da Associação de Intercâmbio e Promoção Jurídica de Macau focou-se na cooperação, arbitragem internacional e nos impactos da inteligência artificial no sector jurídico. A delegação assinou memorandos de entendimento com sete instituições brasileiras, abrangendo associações empresariais, escritórios de advocacia, faculdades de direito, arbitragem e mediação. No futuro, a Associação pretende aprofundar a articulação de regras jurídicas entre Hengqin e Macau, promover o sistema de serviços jurídicos para a internacionalização da medicina tradicional chinesa e expandir a cooperação na área de resolução de disputas internacionais


A Associação de Intercâmbio e Promoção Jurídica de Macau (MLEPA, na sigla em inglês) realizou uma visita institucional ao Brasil focada na cooperação jurídica, arbitragem internacional e nos impactos da inteligência artificial (IA) no sector. A comitiva cumpriu uma extensa agenda, que incluiu diversos encontros focados nas oportunidades e desafios do uso de IA generativa na advocacia, protecção de dados e comércio transfronteiriço.

Durante a estada em São Paulo, a MLEPA assinou memorandos de entendimento com sete instituições brasileiras de referência, como o Ibrachina e o IBCJ, abrangendo associações empresariais, escritórios de advocacia, faculdades de direito, arbitragem e mediação.

Além disso, realizou visitas e encontros, com passagens por organismos de São Paulo, como o Tribunal de Justiça, a OAB/SP, a Assembleia Legislativa e a Faculdade de Direito da USP. O objectivo central foi consolidar Macau como uma plataforma de serviços para a cooperação jurídica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa (PLP).

A delegação promoveu igualmente o seu primeiro seminário jurídico no Brasil, construindo oficialmente um canal bilateral de serviços jurídicos “China Continental-Hengqin-Macau-Brasil”. Ao Jornal Tribuna de Macau, a associação disse que a conferência constituiu um “marco importante para a cooperação da associação com o país lusófono da América Latina”.

O painel com especialistas da RAEM contou com a participação de membros da MLEPA, nomeadamente Joaquim Vong e Brian Cheang, respectivamente presidente e vice-presidente executivo, e Stephen Hu, especialista em investimentos bilaterais.

O evento reuniu académicos e profissionais do Direito para debater oportunidades, desafios e tendências na profissão jurídica na era da IA generativa, com foco na troca de experiências sobre inovação, transformação digital e cooperação institucional entre o Brasil e a China.

Brian Cheang falou sobre a legislação relativa à protecção de dados pessoais na era da IA generativa, destacando o papel da MLEPA e a importância de laços mais estreitos com o Brasil. O advogado salientou que, “como temos muitos advogados em Macau que falam português, somos vistos como uma plataforma de interacção entre a China e os PLP, entre os quais o Brasil”, acrescentando que, “cada vez mais, os profissionais do Direito chineses estão a reconhecer a necessidade de uma maior interacção”.

Joaquim Vong abordou a aplicação da IA no Direito na China Continental e em Macau, afirmando a necessidade de “unir forças para construir uma plataforma de IA para o comércio jurídico entre a China e o Brasil, tendo Macau como centro nevrálgico”. Desta forma, expressou, “podemos promover a cooperação económica e comercial bilateral, aprofundando as relações de amizade”.

Por sua vez, Stephen Hu fez uma apresentação sobre as oportunidades e os desafios da IA generativa para os profissionais do Direito, propondo uma reflexão sobre os limites da sua utilização na prática jurídica. “Temos de verificar quais as plataformas mais adequadas para cada tarefa, analisando os dados e encontrando um equilíbrio entre o trabalho automatizado e a verificação humana”, mencionou.

Em termos de futuro, a MLEPA centrar-se-á na construção do “Corredor Económico e Jurídico China Continental – Hengqin/Macau – Brasil”, com foco em cinco áreas: resolução de disputas transfronteiriças, serviços jurídicos para investimentos bilaterais, serviços de internacionalização da medicina tradicional chinesa e comércio, intercâmbio de talentos e académico, e articulação de regras jurídicas entre Hengqin e Macau. “Iremos expandir gradualmente a rede de cooperação para todos os países lusófonos do mundo”, refere a nota enviada ao JTM.

Sobre o intercâmbio com os PLP, a MLEPA salienta que, “baseando-se no posicionamento de Macau como plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países lusófonos e no papel de apoio da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin, aprofundar o intercâmbio jurídico entre a China continental e os países lusófonos é tanto um requisito para servir a estratégia de desenvolvimento nacional como uma medida necessária para usufruir das vantagens únicas de Macau e promover a sua diversificação económica adequada”.

A MLEPA, fundada em 2019, é composta por profissionais jurídicos diversificados: advogados locais em exercício, docentes de Direito de universidades, funcionários públicos da área jurídica e consultores jurídicos empresariais.

“A missão central é defender a autoridade da Constituição e da Lei Básica de Macau, promover a integração da comunidade jurídica da RAEM no desenvolvimento nacional, participar na articulação de regras da Grande Baía e da Zona de Cooperação de Hengqin, e construir uma ponte de intercâmbio jurídico entre a China continental e os países lusófonos”, salienta a associação.

Desde que foi criada, a MLEPA realizou, durante seis anos consecutivos o “Fórum de Inovação Jurídica da Grande Baía”, publicou diversos guias jurídicos, obteve autorização para estabelecer a Representação em Guangdong em Hengqin, criou a marca de intercâmbio juvenil “Rota da Seda Liga Macau: Jovens da Ibéria”, e conta com uma rede de cooperação global que abrange mais de 100 instituições profissionais. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Japão - Concerto celebra música portuguesa dos séculos XVIII e XIX

A embaixada de Portugal recebe, no dia 9 de setembro, o concerto “A Diva de Lisboa – Música portuguesa do final do século XVIII e do século XIX num piano quadrado de 1817”, uma iniciativa dedicada à redescoberta do repertório português anterior à consolidação do fado


O programa reúne canções portuguesas do final do século XVIII e do século XIX, selecionadas também a partir de fac-símiles de partituras preservadas na Secção de Música da Biblioteca Nacional de Portugal.

A interpretação estará a cargo da soprano portuguesa Ana Filipa Leitão e da especialista em fado e canto clássico Erika Fujisawa. O piano quadrado de 1817 será tocado por Michio O’Hara.

O concerto decorre entre as 18h00 e as 19h00 e tem um custo de participação de mil ienes.

A iniciativa é organizada pela O’Haras, com o apoio da Associação Nagoia Japão-Portugal e a colaboração da embaixada de Portugal, do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e da Konoie Event. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Brasil - Golpe, invasão e roubo de nossas terras raras

Infelizmente não tenho bola de cristal e não posso prever o futuro, mas, com base em certas evidências, podemos imaginar certos riscos próximos à democracia e à soberania brasileiras. A existência desses riscos decorre da tolerância mantida com relação a certos políticos dispostos a traírem o país em favor dos Estados Unidos e aceitarem desempenhar funções de lacaios, em troca de terem apoio para instaurar uma ditadura familiar, uma dinastia, e assim desfrutarem do poder.

Ainda recentemente, o candidato Flávio Bolsonaro confirmou sua vocação golpista ao afirmar que libertará imediatamente seu pai, preso por tentativa de golpe, e reagirá contra o STF se seus ministros quiserem impedir essa libertação em nome de inconstitucionalidade.

Faz alguns dias, afirmou com seu sorriso cínico, que seu pai subirá com ele a rampa do Planalto na posse como presidente.

Diante dessa declaração, o jornalista e crítico político Reinaldo Azevedo disse, no canal Metrópoles, querer ter mais detalhes. Como seu pai poderá subir a rampa sem ter sido libertado e como Flávio poderá libertar seu pai antes de ser empossado? Ora, só depois de eleito Flávio poderia decretar o indulto e, mesmo assim, teria de esperar a reação do STF! Ou Flávio estaria programando um golpe logo depois das eleições, ou mais precisamente, logo depois de sua derrota nas eleições?

E outra: num encontro para o qual foram convidados embaixadores e representantes de diversos países, Flávio Bolsonaro veio com a velha história de urnas não seguras, defendida pelo pai e que lhe custou a inelegibilidade: a de que a Smartmatic, empresa venezuelana fabricante das urnas eletrônicas, não garante invulnerabilidade. Por que teria repetido o mesmo argumento já desmentido? Sua expectativa é a de que o Tribunal Superior Eleitoral, agora dirigido pelo ministro Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro, aceite a história das urnas não seguras e crie um caos logo após a apuração, na hipótese mais provável de ser derrotado?

São três narrativas golpistas ou mesmo três projetos golpistas fadados ao fracasso, piores e menos consistentes que o plano golpista paterno. Mas aqui poderia entrar um apoio inexistente na derrota de Jair Bolsonaro: em lugar de apelar às Forças Armadas como costuma ocorrer nos países sul-americanos, Flávio e seu irmão Eduardo, mais o foragido neto de ditador, Paulo Figueiredo estariam negociando uma intervenção norte-americana no Brasil, a pretexto a priori de ter havido eleições fraudulentas, tema preferido do presidente Donald Trump. Um golpe rápido capaz de impedir reações e evitar uma guerra civil, perto do modelo aplicado na Venezuela. Para isso contariam com o apoio dos Estados governados por bolsonaristas e suas estruturas policiais e militares. O apoio de São Paulo e Estados sulistas seria decisivo, junto com o apoio religioso evangélico.

Si non è vero è bene trovato, como diria o filósofo Giordano Bruno, queimado pela Inquisição em 1600.

Descrevemos o quadro e os riscos, mas ficaria a pergunta: por que os EUA endossariam a intervenção e apoiariam o golpe?

Razões existem e seria bom ficarmos alertas. A imprensa francesa deu eco aos temores brasileiros do uso da força militar e a Agência France Presse e o jornal Le Figaro não deixaram por menos: "O Brasil se inquieta quanto ao risco dos EUA recorrerem à força militar no seu território, depois que Washington classificou como organizações terroristas dois grupos criminosos brasileiros". Na verdade, essa classificação é pretexto para justificar qualquer intervenção norte-americana no Brasil, mesmo porque, diz o jornal, "a oposição de direita saudou a decisão de Washington".

E por que tanto interesse pelo Brasil?

Antes já havia muitos países de olho nas riquezas da Amazônia. Agora, isso continua, mas reforçado com a cupidez pelas chamadas terras raras. E o jornal suíço Le Temps sintetiza bem essa ganância no título de primeira página - "O Brasil no centro de uma guerra fria econômica entre a China e os Estados Unidos por suas terras raras".

O texto trata do controle da sociedade mineira e de minerais Terra Brasil Minerals pelos EUA e Emirados Árabes com a participação da Inglaterra, Canadá, Austrália e União Europeia para a exploração de terras raras no Brasil, com o objetivo de concorrer com a China, detentora das maiores jazidas dessas terras.

O Brasil possui grandes jazidas mas é um simples exportador dessa matéria-prima, como ocorre com o ferro e a soja. O Brasil sabe extrair mas não tem o controle do processo que permite transformar a rocha em tecnologia e a tecnologia em soberania, comenta o jornal. E dá um exemplo, o lítio bruto exportado por 800 dólares a tonelada é importado, já transformado em hidróxido de lítio, por 8000 dólares.

O Brasil quer ter sua soberania nesse setor, mas a ganância norte-americana por essas terras pode criar mudanças políticas e fazer o Brasil continuar como simples exportador. Isso é o que tramam os chamados patriotas, na verdade traidores da pátria políticos e entreguistas de nossas riquezas. É o limiar de uma luta pela soberania e controle das terras raras como foi a luta da Petrobras pelo petróleo e que os patriotas também querem privatizar. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins, é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

Japão - Nos bastidores da obra-prima de mistério "A Devoção do Suspeito X"

Keigo Higashino, um dos principais escritores de mistério do Japão, faleceu. Pedimos a Yoshiyuki Hatori, editor-chefe da revista literária "All Yomimono", onde a sua obra-prima "A Devoção do Suspeito X" foi publicada em série, que relembrasse o verdadeiro carácter do autor e o fascínio pelas suas obras


As únicas palavras que me vêm à mente agora são "um gigante caiu". Alguns podem achar essa uma maneira antiquada de pensar, mas para alguém que esteve envolvido com a publicação de romances por tanto tempo, esta expressão parece a mais adequada. Keigo Higashino, um autor de best-sellers que deixou mais de 100 obras e cujas vendas acumuladas ultrapassam facilmente 100 milhões de exemplares, não só liderou o cenário de romances de entretenimento no Japão, como também conquistou muitos leitores em mercados globais como os Estados Unidos e a China, faleceu repentinamente neste verão.

Nunca trabalhei diretamente com o Sr. Higashino, nem tive uma relação particularmente próxima com ele, mas como membro da editora que publica a sua obra mais representativa, a "Série Galileu", tive a oportunidade de estar na sua presença. Com gratidão por essa gentileza e um profundo sentimento de perda com o falecimento de um autor tão grandioso, escrevi este humilde texto.

"Vou te mostrar um truque que ninguém jamais imaginou."

A obra-prima de Higashino e um marco da ficção policial japonesa, A Devoção do Suspeito X, foi publicada na All Yomimono, uma revista literária da editora Bungei Shunju. Como editor-chefe durante a publicação em série, eu aguardava ansiosamente as cerca de 30 páginas de manuscrito que chegavam mensalmente, mas também sentia uma certa ansiedade em relação aos imprevisíveis desdobramentos da trama. Certo dia, quando encontrei Higashino numa festa ou bar em Ginza e compartilhei as minhas impressões sobre a publicação em série, ele disse-me estas palavras.

"Vou mostrar-vos um truque que ninguém jamais imaginou, nem no passado nem no presente", disse, com o rosto repleto de confiança e convicção.

A essência de um mistério reside no seu artifício, e a confiança de um escritor deriva da ambição de conceber um artifício que ninguém poderia ter previsto e de surpreender os amantes do mistério em todo o mundo.

Fiquei encantado. A verdade é que não só eu e o editor responsável, mas toda a editora no Bungei Shunju tínhamos grandes esperanças de que esta obra finalmente lhe rendesse o Prémio Naoki. Na época, Higashino já era um autor de grande sucesso, mas, quando se tratava do Prémio Naoki, ele havia sido indicado diversas vezes, sem nunca conseguir vencer.

O resultado foi de tirar o fôlego. Um matemático solitário usa todo o seu intelecto para lutar contra o seu amigo e rival da faculdade, um físico genial (o renomado Professor Galileu), a fim de encobrir um assassinato cometido por uma mãe e filha que moravam na casa ao lado. A chave do seu plano era cometer outro assassinato para encobrir o primeiro. Fiquei completamente estupefato com esse truque inesperado e cativado pela perfeição do mistério.

Contudo, o fascínio desta obra não termina aí. O cerne do mistério reside no maior enigma: por que um matemático cometeria um assassinato por um vizinho com quem apenas trocara cumprimentos? Esse mistério contém o tema profundo da obra. Parafraseando Higashino, o maior mistério é o coração humano, e o verdadeiro encanto desta obra-prima reside na profunda compreensão da natureza humana que convence o leitor dessa mensagem.

A Devoção do Suspeito X ganhou, com muita alegria, o Prémio Naoki. Eu estava a moderar a reunião do comité de seleção, e até mesmo os escritores veteranos que até então haviam sido relativamente críticos das obras de Higashino a elogiaram bastante, e Yumie Hiraiwa, que a apreciava desde o início, entusiasmou-se com a profundidade do mundo criado no romance. Essa foi a primeira incursão de Higashino em conquistar um público mais amplo, e ele rapidamente ascendeu ao posto de um dos principais concorrentes. Nos 20 anos seguintes, ele jamais abandonou essa posição. Algo assim nunca havia acontecido antes.

Na exibição de pré-estreia de A Devoção do Suspeito X

Antes disso, sua coletânea de contos "Detetive Galileu" havia sido adaptada para um popular drama televisivo estrelado por Masaharu Fukuyama. Após ganhar o Prémio Naoki, A Devoção do Suspeito X finalmente foi adaptado para o cinema. Na exibição privada para os envolvidos com o filme, eu estava sentado ao lado de Higashino. No final, quando a "devoção" desesperada do matemático se mostrou inútil, e ele uivou e chorou como um animal, fiquei completamente devastado. Não só não consegui conter as lágrimas (havia muitos colegas mais jovens por perto), como acabei soluçando alto, envergonhado. No meu choque, deixei escapar algo que não deveria ter dito a Higashino.

"Consegue assistir sem pestanejar, não é?"

Respondeu Higashino com um sorriso irónico.

"Seria estranho se eu chorasse."

O filme A Devoção do Suspeito X foi um enorme sucesso, arrecadando quase 5 mil milhões de ienes nas bilheteiras. Acredito que o romance original, incluindo as edições de bolso, tenha vendido bem mais de 3 milhões de cópias. Desde então, inúmeros livros da série foram publicados e adaptados para o cinema, tornando-se um pilar de receita para a Bungei Shunju. O volume final da série, Memória Eterna, tem lançamento previsto para o dia 05 de agosto. Gostaria de saborear o mundo desta obra final com profunda lembrança.

Fresco por fora, mas quente por dentro.

Acho que a impressão geral que se tem de Higashino é que ele é descolado e elegante. Além disso, ele é bonito. Aliás, quando Higashino e Masaharu Fukuyama estavam sentados juntos num bar em Ginza, nós, que estávamos ao redor, cochichávamos uns com os outros.

"Não sou inferior a Fukuyama."

Contudo, em bares noturnos onde estava rodeado apenas pelos seus editores mais próximos, ele transformava-se num verdadeiro nativo de Osaka, fazendo todos ao seu redor rirem com o seu entusiasmo e espírito prestativo. O Sr. Higashino tomava goles de uísque com gelo, e nós ficávamos extasiados com sua vasta gama de assuntos e a sua inteligência em contar histórias, como se o tempo tivesse parado para nós. As nossas conversas às vezes estendiam-se até as 2, 3 ou até mesmo 4 da manhã. Ele parecia tranquilo e sereno, mas era uma pessoa que nunca deixava de demonstrar consideração pelos outros e oferecer palavras de encorajamento.

Talvez por isso, ele também fosse um mestre da oratória. O seu grande antecessor, o escritor de romances de viagem e mistério Kyotaro Nishimura, faleceu, e uma cerimónia em sua memória foi realizada em Atami, onde ele morava. De pé no palco, diante de muitos profissionais do ramo editorial, Higashino concluiu o seu elogio fúnebre com estas palavras.

"Durante os primeiros 10 anos após a minha estreia, os meus livros não venderam nada. A única razão pela qual consegui publicar livros foi porque o Sr. Nishimura tinha um grande público leitor e estava enriquecendo a editora. Se me permitem a ousadia, agora assumirei esse papel. Por favor, apoiem todos os escritores que estão a lutar para sobreviver."

Enquanto escrevo isto, as palavras memoráveis ​​de Higashino continuam a vir-me à mente. No funeral de Masako Bando, que tinha quase a minha idade, ele esforçou-se ao máximo para expressar em palavras o quão talentosa escritora Bando era. Fiquei profundamente comovido com a genialidade dos seus elogios e com a profundidade da sua tristeza pela morte da sua colega escritora.

Ele faleceu aos 68 anos. Enquanto lamentamos a sua morte prematura, considerando o imenso poder que possuía para deixar um legado tão vasto de obras-primas, é inevitável pensar que ele vivia num ritmo duas vezes mais acelerado que o de uma pessoa comum. Há algum fundamento para essa ideia, já que editores próximos sabiam que, quando ele se machucava praticando snowboard, desporto que tanto amava, os seus ferimentos cicatrizavam com uma velocidade impressionante. O próprio Sr. Higashino parecia achar isso estranho e disse o seguinte:

"Mesmo quando eu era criança, as lesões cicatrizavam muito rápido. Acho que minhas células provavelmente se dividem mais rápido do que as de outras pessoas."

O genial autor, que utilizou o conhecimento científico para criar uma obra-prima da ficção policial, faleceu tão repentinamente quanto o vento. O mundo editorial está agora em profundo luto. Yoshiyuki Hatori – Japão in “Nippon”

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Keigo Igashino. (04 de fevereiro de 1958, Ikuno-ku, Osaka - 23 de julho de 2026, Japão), é um dos mais destacados autores japoneses da atualidade, tendo já sido publicado em 14 países.

Os seus bestsellers foram galardoados com vários prémios, incluindo o Mystery Writers of Japan Award e o Prémio Naoki, e obtiveram reconhecimento nacional e internacional com as subsequentes adaptações cinematográficas e televisivas.

A Pequena Loja dos Grandes Milagres, publicado pela “Presença”, já vendeu mais de 15 milhões de exemplares em todo o mundo. In “Wook”




quarta-feira, 29 de julho de 2026

Portugal - Universidade de Coimbra e Active Space Technologies estabelecem parceria para reforçar a inovação e a formação no setor aeroespacial

Protocolo promove a colaboração em ensino, investigação e desenvolvimento tecnológico, aproximando a academia da indústria de alta tecnologia


A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e a Active Space Technologies assinam amanhã, dia 30 de julho, às 14h30, um protocolo de colaboração que pretende reforçar a cooperação entre a academia e a indústria, promovendo a formação avançada, a investigação aplicada e o desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras para os setores aeroespacial e industrial.

A cerimónia de assinatura realiza-se na Sala do Conselho do Edifício Central do Polo II, e contará com a presença do Diretor da FCTUC, Edmundo Monteiro, e de representantes do Conselho de Administração da Active Space Technologies.

Com uma duração inicial de três anos, o protocolo estabelece um quadro de cooperação nas áreas da engenharia aeroespacial, mecânica, eletrotécnica e de computadores, informática, física, materiais, ambiente e gestão industrial, criando oportunidades de colaboração entre investigadores, docentes, estudantes e a empresa.

Entre as iniciativas previstas destacam-se a realização de estágios curriculares e de verão, dissertações de mestrado e teses de doutoramento em contexto empresarial, bem como a participação de engenheiros e especialistas da Active Space Technologies em aulas, seminários, workshops e outras atividades da FCTUC. O acordo contempla ainda o desenvolvimento conjunto de projetos de investigação e inovação, nacionais e internacionais, recorrendo às infraestruturas laboratoriais da Faculdade, assim como a prestação de serviços especializados nas áreas da caracterização de materiais, análise estrutural, simulação, prototipagem e validação de sistemas aeroespaciais.

A parceria prevê igualmente a criação de programas de formação executiva, cursos de curta duração e microcredenciais dirigidos aos colaboradores da empresa, promovendo a atualização de competências e a transferência de conhecimento entre a universidade e o setor empresarial.

Esta é a segunda parceria estratégica estabelecida pela FCTUC com empresas do setor aeroespacial no espaço de uma semana. Depois do protocolo celebrado com a Critical FlyTech, a colaboração agora firmada com a Active Space Technologies reforça a estratégia da FCTUC de estreitar a ligação à indústria, contribuindo para a consolidação da nova Licenciatura em Engenharia Aeroespacial e para a criação de mais oportunidades de estágio, investigação aplicada e empregabilidade para os seus estudantes.

A Active Space Technologies é uma empresa portuguesa especializada no desenvolvimento de soluções de engenharia para os setores do espaço, aeronáutica, defesa e indústria, colaborando com algumas das principais organizações e empresas internacionais destas áreas. Universidade de Coimbra - Portugal


Moçambique - População de elefantes cresce de 9 mil para mais de 22 mil em 2025

O país registou um crescimento significativo da população de elefantes, que passou de pouco mais de nove mil animais, em 2018, para cerca de 22.700, em 2025. Apesar dos resultados positivos, as autoridades alertam que a expansão da agricultura, dos assentamentos humanos, da exploração florestal e da mineração continua a ameaçar a fauna bravia e os seus habitats.


Moçambique conta actualmente com uma população estimada em cerca de 22.700 elefantes, segundo os resultados do Censo Nacional de Elefantes e de Grandes Mamíferos 2025, divulgados esta sexta-feira pela Administração Nacional das Áreas de Conservação.

O número representa um aumento expressivo em relação aos 9114 elefantes contabilizados no último censo, realizado em 2018. O levantamento aponta igualmente para uma redução significativa do número de carcaças de elefantes, com o rácio a baixar de 48,35%, em 2018, para 4,6%, em 2025, não obstante a continuidade de invasões de reservas.

O censo foi financiado pelo Governo da Suécia, através do Programa de Conservação da Biodiversidade, coordenado pela BIOFUND, com o envolvimento da Universidade Eduardo Mondlane.

Mais do que preocupação, os dados devem ser aproveitados para tirar proveito económico e financeiro.

O relatório refere ainda que os dados do norte do país poderão estar subestimados, uma vez que algumas zonas de Cabo Delgado e da Reserva Especial do Niassa não foram abrangidas pelo levantamento, devido às limitações de segurança. In “O País” - Moçambique


Timor-Leste - Suspensão de juízes reacende debate sobre a independência da justiça

A suspensão de quatro juízes do Supremo Tribunal de Recurso de Timor-Leste pelo Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ) reacendeu o debate sobre a independência da justiça no país, com críticas da sociedade civil e da oposição política


O CSMJ decidiu suspender quatro juízes conselheiros do Tribunal de Recurso, nomeadamente Deolindo dos Santos, Maria Natércia Gusmão, Jacinta Correia e Duarte Tilman, com base numa denúncia anónima.

A medida recebeu críticas internas e externas, incluindo da União Internacional de Juízes de Língua Portuguesa (UIJLP), que, em comunicado divulgado, disse ter desrespeitado os procedimentos legais previstos.

Para a organização dos juízes lusófonos, está em causa uma “questão que toca o próprio cerne da independência judicial”, salientando que a magistrada suspensa era a única vogal eleita pelos seus pares para o Conselho Superior de Magistratura Judicial timorense. “Na prática, uma suspensão disciplinar ilegal operou como mecanismo de destituição, alterando a própria composição orgânica do Conselho e afastando dele a única voz eleita pela magistratura”, afirmam os juízes lusófonos.

A UIJLP manifestou também preocupação como a deliberação foi tomada, ou seja, sem a presença de Maria Natércia Gusmão, a exclusão da suplente e a ausência do procurador-geral da República. “A decisão coube a um núcleo de membros de indicação política, do Presidente da República, do Governo e do Parlamento Nacional, precisamente a componente que a garantia de autogoverno judicial visa equilibrar”, acrescenta.

Para a directora-executiva do Programa de Monitorização do Sistema Judicial, Ana Paula Marçal, a “observância dos requisitos legais nos processos disciplinares é essencial”. “Não apenas para proteger os direitos individuais dos visados, mas também para salvaguardar a credibilidade do CSMJ e a confiança do público no sistema de justiça. Num Estado de direito democrático, a legitimidade de qualquer medida disciplinar depende igualmente da rigorosa observância dos procedimentos estabelecidos na lei”, afirmou Ana Paula Marçal, num comunicado divulgado à imprensa.

A decisão do CSMJ foi também ontem criticada pelo partido líder da oposição timorense, Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin).

A Fretilin acusou o CSMJ desrespeitar os procedimentos legais e comprometer a imparcialidade, a credibilidade e a legitimidade institucional dos tribunais, mas também de fragilizar a confiança pública na justiça e gerar tensões no sistema judiciário.

Para o deputado, a decisão não respeitou o procedimento disciplinar e “impede o normal funcionamento do Tribunal de Recurso”.

O vogal do Governo do CSMJ, Alexandre Corte-Real, explicou que os juízes suspensos proferiram uma decisão num processo em que estavam envolvidas pessoas da família de um dos juízes. “Segundo as regras deontológicas, quando existem familiares envolvidos no processo, o juiz não pode decidir o caso e deve declarar o seu impedimento, afastando-se da sua apreciação. Isso não aconteceu. Os outros juízes tinham conhecimento dessa situação, mas não a denunciaram. Essa omissão consciente também deve ser objeto de investigação”, disse Alexandre Corte-Real.

O juiz explicou também que o CSMJ que ainda não foi fez uma “averiguação completa” e foi nomeado um instrutor para “realizar uma investigação com base na denúncia anónima”. “Os quatro juízes que estão ligados a este assunto foram sujeitos a uma suspensão provisória, de modo a permitir que o inquérito decorra normalmente”, acrescentou. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


Macau - Intercâmbio cultural trouxe dirigentes dos países de língua portuguesa

Dirigentes do sector da cultura dos países lusófonos vieram a Macau para potenciar as vantagens do cruzamento das culturas chinesa e ocidental e aprofundar a cooperação. A delegação visitou locais do património cultural e encontrou-se com a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, que salientou a importância do intercâmbio cultural a nível internacional


Durante três dias, uma delegação de 11 dirigentes da área da cultura dos países de língua portuguesa (PLP) esteve em Macau para efectuar visitas a locais do património e participar em sessões temáticas, para além de ter mantido um encontro com a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura. Na ocasião, O Lam trocou impressões sobre o desenvolvimento do sector cultural e referiu que, com vista a concretizar o posicionamento da RAEM como “Uma Base de Intercâmbio e Cooperação para a Promoção da Coexistência Multicultural, com Predominância da Cultura Chinesa”, o Governo tem vindo a “empenhar-se activamente em transformar Macau numa ligação relevante de alto nível do País na abertura ao exterior”.

Para além disso, destacou o objectivo de tornar a RAEM numa “janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental, promovendo de forma contínua o diálogo e o intercâmbio cultural a nível internacional”.

O programa visou estabelecer uma “ponte pragmática para o intercâmbio cultural e humano entre a China e os PLP”, segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC).

A delegação visitou diversos pontos do património cultural, incluindo as Ruínas de S. Paulo e a respectiva experiência em realidade virtual, o Museu de Macau, a Fortaleza do Monte, o Edifício do Instituto para os Assuntos Municipais, a Biblioteca do Senado, a Casa do Mandarim e o Templo de A-Má. A comitiva teve ainda a oportunidade de vivenciar a confecção de biscoitos de amêndoa, uma manifestação do património cultural intangível local, e de assistir, no Teatro D. Pedro V, a uma actuação musical conjunta da Orquestra Chinesa de Macau e de fadistas, “experienciando plenamente a profunda riqueza cultural de fusão sino-ocidental em Macau”, salienta a nota.

O IC promoveu ainda um encontro no Centro Cultural, no qual deu a conhecer o ponto de situação do desenvolvimento cultural de Macau e dos frutos da cooperação com os PLP. Foram também debatidas as futuras direcções de cooperação nas áreas da protecção do património cultural, exposições museológicas, livros e documentação, entre outras.

Para o IC, esta visita “não só consolidou a função de Macau enquanto plataforma de intercâmbio cultural entre a China e os PLP, como também evidenciou o seu papel de contacto único, impulsionando o diálogo cultural recíproco e a cooperação pragmática para um novo patamar”.

A delegação dos dirigentes do sector da cultura dos PLP, chefiada por Luís Filipe Rei dos Santos, director-geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas do Ministério da Cultura de Portugal, e subliderada por Marina Duque Lacerda, directora de Património Imaterial Substituta do Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional do Brasil, integrou ainda elementos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Aproveitando a presença no território da comitiva dos PLP, a Fundação Macau (FM) promoveu um intercâmbio, durante o qual o seu presidente do Conselho de Administração fez uma apresentação dos êxitos socioeconómicos alcançados após a criação da RAEM, tendo sempre por base o princípio “Um País, Dois Sistemas”. Wu Zhiliang destacou ainda a preservação das características culturais únicas de Macau, salientando a importância de manter uma relação de cooperação económica, comercial e cultural com os PLP.

A convite da FM, seis jovens académicos locais tiveram uma troca de opiniões com a delegação cultural sobre temas relacionados com a cooperação sino-lusófona, estudos de história de Macau e a “Macaulogia”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 28 de julho de 2026

Brasil - Unesco reconhece teatros da Amazónia como Património Mundial

Os teatros da Amazónia, nesta segunda-feira (27/07), foram aprovados, na cidade de Busan, Coreia do Sul, como Património Mundial


Após uma grande avaliação, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), na sua 48.ª edição que se realizou em Busan, na Coreia do Sul, anunciou que o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, seriam reconhecidos como Património Cultural Mundial, representando os primeiros bens culturais da região Norte a conseguirem tal feito.

O Teatro Amazonas é um dos maiores símbolos culturais do Brasil e um dos mais famosos da América Latina. A sua história está ligada diretamente ao Ciclo da Borracha, que ocorreu no final do século XIX, sendo este um período de grande movimentação económica no estado. A sua construção ocorreu para mostrar a prosperidade e o desenvolvimento da cidade.

O Teatro foi inaugurado em 31 de dezembro de 1896, tendo como a sua primeira apresentação a ópera “La Gioconda", do compositor italiano Amilcare Ponchielli. A arquitetura do Teatro possui materiais importados de toda Europa, como por exemplo mármore italiano, vidros e cristais franceses e estruturas metálicas da Inglaterra.

Após um declínio económico da cidade de Manaus, o teatro passou por um longo período com poucas atividades, sendo assim obrigado a fechar por vários anos. Na segunda metade do século XX, o edifício foi restaurado.

Atualmente, o Teatro Amazonas virou um património histórico para todo o Brasil. Há diversos concertos, óperas, apresentação de dança, peças de teatro e eventos culturais, como o Festival Amazonas de Ópera.


Já o Theatro da Paz, em Belém, surgiu também por conta do ciclo da Borracha, no século XIX. O objetivo de construir o Theatro era para suprir os desejos da elite paraense de assistir a espetáculos e óperas. A sua arquitetura representa o estilo neoclássico.

O seu projeto começou em 1869, mas só foi concluído em 1878 por conta de atrasos e mudanças no projeto. Em 1878, foi inaugurado com a apresentação do drama françês “As Duas Orfãs”, do dramaturgo Adolphe d’Ennery. Até hoje, o Theatro da Paz recebe óperas, companhias de teatro e concertos.

Os dois teatros foram candidatados pelo Governo Brasileiro como “Teatros da Amazónia”, criando dois grupos, sendo assim: o Teatro Amazonas e o Largo de São Sebastião, em Manaus, e o Theatro da Paz e a Praça da República, em Belém.

Desta forma, o Brasil passou a ter 26 sítios reconhecidos pela organização da ONU, sendo eles 16 culturais, 9 naturais e 1 misto. In “Vatican News” – Vaticano

A presença portuguesa nos teatros da Amazónia aconteceu logo no final do séc. XIX através da Companhia de Operetas Portugueza dirigida pelo maestro Thomaz Del Negro e propriedade do empresário Juca Carvalho. Nela participou o ator Alfredo Carvalho. Primeiro, a Companhia apresentou-se no Teatro Amazonas em Manaus, tendo o teatro perdido o seu arquivo da época. Seguidamente a Companhia deslocou-se para o Theatro da Paz em Belém, onde a comunicação social referenciou a sua presença, destacando os enormes êxitos dos espetáculos e cuja investigação de Mário Alexandre Dantas Barbosa do Colégio Pedro II e da Universidade Federal do Rio de Janeiro compilou em documento apresentado no final de 2015.

Nele, o autor destaca a notícia publicada no jornal A Província do Pará, publicado a 09 de dezembro de 1899, na página 3, na secção Espectáculos e Concertos onde se elogia o maestro Thomaz Del Negro como diretor musical da Companhia Portugueza de Operetas e compositor de uma das peças por ela postas em cartaz. Aqui fica o seu registo:

“Maestro Thomaz Del Negro - Entregue á laboriosidade do seu cargo de empresario e director da orchestra da companhia portugueza de operetas que acaba de nos deixar, mal teve tempo para uma modesta ividenciação, despercebida tem sido entre nós a estada de Thomaz Del Negro, uma incontestavel individualidade musical do paiz nosso irmão e amigo.

Para os que andam ao corrente da actividade da vida artistica dos grandes centros europeus e que acompanham o movimento d’esses meios de arte - para esses, diziamos, o nome que epigrapha estas linhas não é o de um desconhecido; desde annos e bem annos que a sua reputação se tem vindo fazendo, consolidando-se no merito, fortificando-se no esforço intelligente, alentando-se nas próprias difficuldades que aqui como em toda a parte surgem aquelles que trilham a verdade da arte. Está hoje entre nós, e muito não é que esta secção, dedicada exclusivamente á divulgação de tudo que de perto ou de longe se ligue a coisas de arte, registre a sua estada no Pará, noticie mesmo o seu breve apparecimento em publico, rodeado e solicitado como está pelas nossas melhores summidades musicaes.

Motivos estranhos ao nosso espontaneo desejo fazem com que deixemos escapar esta occasião para transladarmos aqui notas biographicas de importantes revistas italianas e portuguezas sobre o merito do musicista primoroso e compositor fulgurante. O pouco que possamos dar extrahimol-o d’O Amphiom, o magnifico jornal de arte pouco avezo ao elogio e mais rigorista nos seus principios.

É um modesto que só um grande valor tem conseguido inferiorizar aquella qualidade, diminuindo o prejuizo que lhe tem causado. Vivendo para si e para a sua arte, os applausos e os encomios não o têm despertado para a exteriorização da vida; entregue ao goso do seu intimo, tem olvidado do o que há de carencia para o artista, quando este se isola no seu merito e deixa que a fama leve nas azas pandas da reclame muita vulgaridade desvalorizada pelo commum.

Apezar de todo o seu temperamento contrario á divulgação, Thomaz Del Negro não tem conseguido passar desconhecido, razão pela qual o seu valor é de ha muito tempo conhecido, inclusive no Brazil, onde trabalhos seus têm merecido honrosíssimas referencias da imprensa e critica fluminense.

Como Cyriaco Cardoso, Alfredo Kell, Freitas Gazul, Arnoso e outras celebridades musicaes de Portugal, o maestro Del Negro é hoje no seu paiz um dos compositores valorizados pelo seu inconstestavel merito, valor que se accentuou desde o seu primeiro anno como discipulo do conservatorio de Lisboa, estabelecimento onde Del Negro tem o seu nome como o do alumno mais premiado. Mais tarde foi nomeado professor de instrumentos de metal do mesmo estabelecimento.

Cêrca de vinte e cinco annos foi o 1º trompa de São Carlos, ocupando idêntico logar durante dois annos no Real Theatro de Madrid. Por essa occasião foi agraciado com a nomeação de musico da real camara da côrte de Madrid. Ao regressar ao seu paiz, o rei dom Fernando concedeu-lhe identica graça.

Já no reinado do finado rei dom Luiz foi por este soberano agraciado Cavalleiro da Ordem de Christo.

A notavel agremiação musical Vinte e Quatro de Junho, de Lisbôa, por diversas vezes o teve como seu director, e ainda estão á memoria de muitos os grandes concertos classicos que organizou em Portugal, por si dirigidos, e dos quaes faziam parte músicos taes como Barbieri, Metra, Ed.Colenne, Rodroff e outras notabilidades.

Voltando novamente a Espanha, foi nomeado 1º trompa da grande sociedade de concertos de Madrid, e sócio honorario da Union Musical d’aquella cidade.

Como maestro, tem regido as orchestras do Principe Real, Dom Affonso e São João, do Porto, e Gymnasio e Dona Amelia, de Lisbôa. Além de innumeras peças para piano, canto, bandas, pequenas operetas, revistas, etc.

Thomaz Del Negro tem partituras suas de um grande successo, como sejam: Kinfá na China, Filhos do Capitão Mór, Tentação, Kiki, Ilha do Diabo, Capitão Lobisomen, Aventura Regia, Basoche, Rosario - peças estas representadas nos theatros de Lisbôa, Porto e Rio de Janeiro, onde despertaram grande agrado. Não é, portanto, uma vulgaridade o artista de quem hoje nos occupamos; tem um passado supedaneando o presente, e este não é mais do que a prova da sua intelligencia, o resultado do seu estudo, a consequencia do seu trabalho.

Apresentando-o, não o fazemos para os seus irmãos de arte, estes o conhecem pelo seu merito; trazemos o seu nome a publico como uma noticia que queremos dar e que despertará na nossa sociedade espiritual e de gosto delicado uma anciedade: alguns membros da honrada colônia portugueza, unidos a distinctos musicistas do Pará, promovem um sarau dramatico musical em homenagem ao nosso distincto hospede.

Se visar este fim o motivo d’estas linhas, uma outra utilidade ellas tiveram: evidenciar o merito onde elle existe.” Rio de Janeiro, v. 29, n. 1, p. 165-179, jan./jun. 2016

173 Revista Brasileira de Música - Programa de Pós-Graduação em Música - Escola de Música da UFRJ

Joaquim Thomaz Del Negro era tio materno do poeta José Miguel Barros de Seixas. Baía da Lusofonia