Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Namíbia - Financia linha eléctrica em Angola e abre porta à exportação de 500 MW

A ligação eléctrica entre Angola e a Namíbia avança com um modelo atípico: é o comprador que financia a infraestrutura em território angolano, garantindo desde logo a compra de energia. O projecto posiciona Angola como potencial exportador. Terá um tempo de construção entre 4 e 5 anos.


No plano técnico, a ligação será assegurada através de um interconector de 400 kV entre Angola e a Namíbia, com extensão estimada em cerca de 160 quilómetros em território angolano, incluindo a construção da linha de transporte de alta tensão, o reforço e ampliação da subestação de Cahama, na província do Cunene, bem como a instalação de infraestruturas complementares essenciais ao funcionamento do sistema, como sistemas de protecção, controlo e telecomando da rede. Trata-se de uma infraestrutura de alta tensão, desenhada para permitir fluxos significativos de energia e garantir a integração com a rede regional.

A arquitectura do projecto revela, no entanto, uma particularidade relevante: o financiamento da componente angolana será assegurado pela parte namibiana, através da empresa pública NAMPOWER, que ficará responsável não apenas pelo esforço financeiro, mas também pela materialização destas infra-estruturas em território angolano até à fronteira - ou seja, pela construção da linha de transporte de 400 kV no troço angolano, pela expansão da subestação de Cahama e pelas infraestruturas eléctricas associadas necessárias à evacuação e entrega da energia ao sistema namibiano.

Esta solução permite a Angola evitar pressão adicional sobre a dívida pública, ao mesmo tempo que transfere para o parceiro comprador o risco financeiro inicial. Em contrapartida, o investimento será recuperado via contratos de fornecimento de energia (PPA), através da tarifa acordada para a venda de electricidade, com mecanismos de actualização previamente definidos. O modelo económico assenta, assim, numa lógica de "infraestrutura financiada pelo comprador", em que a garantia de compra de energia assegura a banca do projecto.

A RNT-EP, enquanto operador da Rede Nacional de Transporte, assume a responsabilidade pela integração, operação e gestão das infra-estruturas em território angolano, enquanto a NAMPOWER financia, constrói e garante a absorção da energia exportada. Ao nível institucional, os governos dos dois países enquadram o projecto, cabendo ao Ministério da Energia e Águas a coordenação, supervisão e validação de todas as fases do processo.

Potência de 500 MW

Em termos de capacidade, o projecto prevê uma potência mínima global de 500 MW, distribuída em três componentes distintas: 300 MW destinados ao fornecimento directo à Namíbia sob regime "take or pay", garantindo receitas previsíveis; 100 MW para comercialização nos mercados regionais da SAPP (Southern African Power Pool) e da PEAC (Power Exchange of Africa Central), com trânsito via rede namibiana; outros 100 MW adicionais, de natureza flexível, dependentes da disponibilidade do sistema angolano .

Este desenho permite não apenas assegurar um cliente âncora, mas também abrir espaço à participação nos mercados regionais de electricidade, onde os preços tendem a ser mais competitivos.

Não existe, para já, no diploma, uma tabela tarifária explícita ou um preço fechado para a electricidade a transaccionar entre Angola e a Namíbia. O que fica definido é o modelo: a remuneração será estabelecida no âmbito de um contrato de compra e venda de energia (PPA), com base numa estrutura de preço acordada entre a RNT-EP e a NAMPOWER, incluindo mecanismos de actualização periódica. Na prática, isto significa que o preço tenderá a seguir uma lógica de "cost recovery", incorporando o investimento feito pela parte namibiana na infra--estrutura (CAPEX), os custos de operação e manutenção (OPEX), eventuais encargos financeiros e uma margem acor dada, diluídos ao longo do período contratual e indexados à energia efectivamente fornecida (kWh ou MWh).

Do ponto de vista operacional, este tipo de contratos costuma assentar em duas componentes: uma tarifa fixa, associada à disponibilidade da capacidade (capacity charge), que garante a recuperação do investimento independentemente do volume consumido - especialmente relevante nos 300 MW sob regime "take or pay" - e uma tarifa variável, ligada à energia efetivamente entregue (energy charge), que cobre os custos operacionais e pode ser indexada a variáveis como inflação, taxa de câmbio ou até custos de produção eléctrica.

Para os volumes destinados aos mercados regionais (SAPP e PEAC), os preços poderão seguir uma lógica mais concorrencial, sendo determinados pelos mercados grossistas de electricidade. Hermenegildo Ferreira – Angola in “Expansão”


sexta-feira, 3 de abril de 2026

África - Preços do cacau afundam 65% em apenas dois anos

A Costa do Marfim e o Gana continuam a dominar largamente a produção global, assegurando mais de metade da oferta mundial, seguidos por países como Nigéria e Camarões. Esta concentração geográfica confere à região um papel determinante na formação dos preços internacionais


A evolução recente do preço do cacau nos mercados internacionais tem sido marcada por uma forte correcção, com quedas acumuladas na ordem dos 65% em cerca de dois anos, depois de um período de máximos históricos que alimentou expectativas de escassez prolongada. Depois de um pico de 11.675 USD/ton que aconteceu em Dezembro de 2024, o preço nos mercados internacionais tem vindo a cair até ao mínimo de 2798 USD/Ton em Janeiro deste ano, tendo no I trimestre de 2026 valorizado ligeiramente. Esta inversão reflecte, em primeiro lugar, um ajustamento entre oferta e procura, após um ciclo de forte valorização impulsionado por choques climáticos na África Ocidental e por constrangimentos logísticos globais.

Com a normalização parcial das colheitas, sobretudo na Costa do Marfim, e a reposição de stocks por parte das grandes indústrias transformadoras, os preços começaram a ceder, num movimento também influenciado pela desaceleração do consumo em mercados-chave, como a Europa e EUA, pressionados por inflação e perda de rendimento disponível. A isto junta-se a componente financeira, com investidores a reduzirem posições especulativas em commodities agrícolas, acelerando a trajectória descendente das cotações. É neste contexto de volatilidade que se reafirma a centralidade da África Ocidental no mercado mundial do cacau.

A Costa do Marfim e o Gana continuam a dominar largamente a produção global, assegurando mais de metade da oferta, seguidos por países como Nigéria e Camarões. Esta concentração geográfica confere à região um papel determinante na formação dos preços internacionais, mas também expõe o mercado a ciclos de instabilidade, dado que qualquer perturbação climática ou fitossanitária nestes países tem impacto imediato na oferta global.

Apesar deste domínio africano, começa a desenhar-se uma reconfiguração gradual do mapa produtivo, com a América Latina a ganhar protagonismo. O Equador destaca-se como o principal produtor fora de África, consolidando uma estratégia assente na qualidade, nomeadamente no segmento de cacau fino e de aroma, destinado a nichos premium da indústria do chocolate. Peru, República Dominicana e Colômbia seguem o mesmo caminho, ainda que com volumes mais modestos, mas com maior incorporação de valor. Esta aposta evidencia uma tentativa de fugir à lógica tradicional de exportação de matéria-prima, procurando capturar uma fatia mais significativa da cadeia de valor.

Já a Indonésia, que no passado ocupou posições cimeiras no ranking mundial, enfrenta actualmente uma trajectória mais errática. Continua a ser o maior produtor asiático, mas tem perdido competitividade devido ao envelhecimento das plantações, à menor renovação tecnológica e a problemas de produtividade, factores que têm limitado o seu peso relativo no mercado global.

Apesar da diversidade crescente de produtores, o destino do cacau mantém-se altamente concentrado. A esmagadora maioria da produção mundial é exportada para a Europa, onde se localizam as principais indústrias de transformação e fabrico de chocolate. Este desequilíbrio estrutural evidencia uma clivagem persistente: os países produtores, maioritariamente em África e na América Latina, continuam dependentes da exportação de cacau em bruto, enquanto o valor acrescentado é capturado nas economias industrializadas, perpetuando uma relação desigual numa das cadeias agroindustriais mais relevantes à escala global. Hermenegildo Ferreira – Angola in “Expansão”


quarta-feira, 4 de março de 2026

Moçambique – Mina de Balama vai fornecer grafite para carros eléctricos do Japão

A mina moçambicana de Balama vai fornecer até 68 mil toneladas de grafite, utilizado nas baterias de carros eléctricos, para o mercado japonês nos próximos sete anos, anunciou a mineradora australiana Syrah


“O acordo reforça a importância crítica do grafite natural de Balama para a cadeia de suprimentos de ânodos e baterias fora da China”, explica a Syrah, concessionária daquela mina em Cabo Delgado, norte de Moçambique, numa informação aos mercados em que dá conta da assinatura de um contrato plurianual para fornecimento de grafite natural com a NextSource.

O contrato com a NextSource prevê a entrega de 34 mil a 68 mil toneladas de grafite ao longo dos próximos sete anos, a partir de Junho, tendo como destino a unidade de ânodos de baterias que está a instalar em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, para depois abastecer um “cliente japonês do sector downstream”. “O contrato de fornecimento destaca a posição única de Balama como um importante fornecedor de grafite natural de alta qualidade e em grande volume fora da China”, sublinha ainda a Syrah.

A mina de Balama produziu 26 mil toneladas de grafite no terceiro trimestre de 2025, recuperando após seis meses de paragem provocada pela agitação social no país, fornecendo o mercado de baterias de viaturas eléctricas norte-americano e indonésio, noticiou a Lusa no final de Outubro.

De acordo com informação sobre o desempenho do terceiro trimestre de 2025 enviada aos mercados pela Syrah, a mina registou ainda, no mesmo período, um total de 24 mil toneladas de grafite vendido e enviado para clientes a um preço médio por toneladas de 625 dólares. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


sábado, 31 de janeiro de 2026

Angola - Angonabeiro exportou 1,4 mil milhões Kz em café no ano passado

A Angonabeiro exportou no ano passado cerca de 1,4 mil milhões Kz (1,29 milhões de euros) de café produzido no País para vários mercados internacionais, segundo um comunicado divulgado esta semana em Luanda


De acordo com o documento, as exportações estão inseridas na estratégia de relançamento da produção de café nacional, e no objectivo de diversificar a economia e contribuir para a dinamização de toda a cadeia produtiva do café, o que tem permitido levar o café angolano para diferentes partes do mundo.

"Hoje, levamos o café angolano a vários mercados internacionais, como França, Suíça, Cabo Verde, Senegal e Brasil, promovendo a sua qualidade, identidade e potencial junto de diferentes públicos no mundo. Este percurso reflecte o nosso compromisso contínuo com a valorização do café produzido em Angola e com o desenvolvimento sustentável da fileira do café", salienta Rui Gonçalves, citado no comunicado da Angonabeiro, que não avança a quantidade exportada.

A empresa garante que, em 2025, registou um volume de negócios de cerca de 29,9 mil milhões Kz, um crescimento de aproximadamente 13,3% face a 2024. "Estes resultados reflectem a trajectória de crescimento sustentado da Angonabeiro, reafirmando o nosso compromisso e contributo para o desenvolvimento do sector em Angola. São fruto de uma estratégia consistente, assente no reforço da capacidade produtiva, na valorização do talento local e numa aposta contínua na qualidade, inovação e proximidade com os consumidores e parceiros. Continuamos focados em criar valor para a economia angolana e em consolidar a Angonabeiro como um actor de referência no sector do café no País".

Para isso, a empresa tem apostado na recuperação de infraestruturas, formação de recursos humanos e disponibilização de meios técnicos, com o objectivo de revitalizar a fileira do café de Angola e recuperar o prestígio internacional que o País já teve nesta fileira de produção "Acreditamos na aposta que temos vindo a fazer, centrada no estímulo da produção nacional, através da compra de café a grandes e médias fazendas, bem como a pequenos agricultores", lê-se no comunicado.

A empresa, que se dedica à produção de café, garante também que tem apoiado produtores de café na integração das melhores práticas agrícolas, de forma a maximizarem o seu rendimento, assegurando ainda a venda de toda a produção de café verde destes produtores. "Este negócio tem vindo a ganhar relevo na economia angolana e, ao longo destes anos, já chegámos a mais de 40 mil famílias, que apoiamos e às quais adquirimos o seu café", refere o comunicado citando Rui Gonçalves, que lidera a empresa. A empresa, que emprega actualmente 106 trabalhadores, lidera o mercado de café torrado no País e detém marcas próprias, como a Delta e a Ginga. Faustino Diogo – Angola in “Expansão”


quarta-feira, 12 de novembro de 2025

China - Suspende proibição de compra de carne de frango do Brasil

Associação de produtores comemora retomada de venda do produto



A China suspendeu a proibição de compra de carne de frango brasileira, medida adotada em maio após o primeiro registo de contaminação por gripe aviária, numa granja comercial no município gaúcho de Montenegro.

Desse modo, o comunicado da suspensão, feito pela administração das alfândegas chinesas na sexta-feira (7), foi confirmado e comemorado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que creditou o resultado à “competência técnica e diplomática do Brasil”.

“A suspensão ocorreu no contexto do único foco registado – e que já foi totalmente superado – de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) na produção comercial de carne de frango do Brasil”, recorda a nota da associação.

Além disso, a suspensão da compra do produto, pela China, teve anúncio em maio. Portanto, quando o país era, segundo a associação, o maior comprador da carne de frango brasileira. Dessa maneira, com embarques de 562,2 mil toneladas em 2024, cerca de 10,8% do total.

“Até maio [de 2025], mês da ocorrência de IAAP, a China era a maior importadora de carne de frango do Brasil. Apenas entre janeiro e maio, o país havia importado 228,2 mil toneladas de carne de frango (10,4% do total exportado pelo Brasil até então). Assim, gerando receita de US$ 545,8 milhões”, detalhou a ABPA, após o anúncio da suspensão chinesa.

Desta maneira, no dia 18 de junho, o Brasil declarou-se livre da doença após a desinfecção da granja afetada. Assim como, não ter registado nenhum outro caso pelo prazo de 28 dias.

Em setembro, foi a vez de a União Europeia reconhecer que o país estava livre da doença, permitindo a retomada das exportações para o bloco.

“Gradativamente, todos os grandes importadores de carne de frango retomaram as compras. Hoje, a China, último grande importador de carne de frango fechado, reabriu os seus portos para o produto brasileiro”, comemorou na passada sexta-feira a ABPA.

Segundo a entidade, “as autoridades brasileiras dedicaram amplos esforços diplomáticos para o restabelecimento do fluxo comercial dos mercados suspensos”, afirmou, em tom elogioso dirigido ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o seu secretariado, bem como ao Planalto e ao Itamaraty.

“Houve um amplo e altamente profissional trabalho de negociação neste processo, que incluiu a renegociação de certificados sanitários para evitar suspensões totais de países em eventuais novas ocorrências”, acrescentou ao afirmar que a reabertura “coroa o sucesso” dessas ações. Pedro Peduzzi – Brasil in “Boqnews” com “Agência Brasil”


sábado, 20 de setembro de 2025

Gana – Vai exportar madeira certificada para a União Europeia

O Gana deve começar a exportar madeira para a União Europeia (UE) em breve, tornando-se o primeiro país da África e o segundo do mundo, depois da Indonésia, a poder emitir a certificação FLEGT (Forest Law Enforcement, Governance and Trade), garantindo a legalidade da madeira exportada para o mercado europeu

Com o objetivo de limitar a exploração madeireira ilegal, uma das principais causas do desmatamento na África, Ásia e América do Sul, a certificação "FLEGT" garante que a madeira exportada para países europeus foi colhida de acordo com a legislação vigente no país exportador.

Esta "primeira iniciativa no continente, que pode encorajar outros países africanos a empreender reformas ambientais" nessa direção, é o resultado de uma série de reformas realizadas pelo Gana ao longo de vários anos, relata a mídia local.

Citado pela imprensa local, o Ministro de Terras e Recursos Naturais de Gana, Emmanuel Armah-Kofi Buahcette, indicou que esse status excepcional obtido pelo Gana reflete o seu compromisso com a legalidade, transparência e sustentabilidade no comércio global de madeira.

Por sua vez, o vice-chefe da Delegação da União Europeia (UE) em Acra, Jonas Claes, lembrou que a concessão desta certificação não é o "fim do caminho", explicando que Gana está empenhada em respeitar a aplicação das regras ambientais a longo prazo.

Enfatiza-se que esta certificação, que tem múltiplos benefícios ambientais e económicos positivos, provavelmente catalisará reformas mais amplas nos países africanos exportadores de madeira e estimulará a indústria madeireira no Gana. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau


terça-feira, 5 de agosto de 2025

China - Abre mercado a café brasileiro em resposta a taxas norte-americanas

A China autorizou 183 empresas brasileiras a exportar café para o seu mercado interno, avançou a imprensa local, dias após os Estados Unidos imporem tarifas de 50% sobre o café proveniente do Brasil


A medida, válida por cinco anos, foi divulgada poucos dias depois do anúncio da nova tarifa norte-americana, que entra em vigor na quarta-feira, e provocou alarme entre produtores e exportadores brasileiros, agora forçados a procurar mercados alternativos.

Segundo dados da indústria, cerca de 85% da produção brasileira de arábica em 2025 – a variedade mais exportada para os EUA – já foi colhida. Este tipo de café desempenha um papel central no mercado norte-americano, onde é frequentemente misturado com grãos mais suaves de outros produtores latino-americanos para se adequar ao gosto local. O Brasil é responsável por 44% da produção mundial de arábica, o que faz do país um fornecedor difícil de substituir a curto prazo.

Os Estados Unidos são o maior consumidor mundial de café e importaram 3,3 milhões de sacas de café brasileiro no primeiro semestre do ano, quase 23% do total exportado pelo Brasil nesse período. Já a China importou 530 mil sacas no mesmo intervalo. Embora o mercado chinês seja ainda menor, tem vindo a ganhar importância à medida que o acesso brasileiro ao mercado norte-americano enfrenta novas barreiras.

Em novembro passado, a ApexBrasil, a agência brasileira de promoção de exportações, assinou um acordo com a Luckin Coffee, maior cadeia de cafetarias da China, para o fornecimento de 240 mil toneladas de café brasileiro entre 2025 e 2029. O contrato está avaliado em 2,5 mil milhões de dólares (mais de 2,1 mil milhões de euros) e sucede a um acordo anterior, de meados de 2024, no valor de 500 milhões de dólares (432 milhões de euros), para o fornecimento de 120 mil toneladas.

Fundada em 2017, a Luckin Coffee opera atualmente mais de 22 mil lojas em todo o território chinês e serve mais de 300 milhões de clientes. Embora o chá continue a ser a bebida tradicional dominante, o consumo de café tem vindo a crescer rapidamente no país asiático, sobretudo entre os jovens profissionais urbanos. O consumo ‘per capita’ duplicou em cinco anos, passando de oito para 16 chávenas por ano – ainda muito abaixo da média global de 240 chávenas e das mais de 400 registadas nos EUA.

Na altura do acordo, o diretor executivo da Luckin Coffee, Jinyi Guo, elogiou o café brasileiro e descreveu o contrato como “apenas o início” de uma colaboração a longo prazo. “No futuro, queremos expandir ainda mais esta parceria”, disse.

Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil, com o comércio bilateral a passar de nove mil milhões de dólares (7,8 mil milhões de euros), em 2004, para 188 mil milhões (162 mil milhões de euros), em 2024. O Brasil desempenha, em particular, um papel importante na segurança alimentar da China, compondo mais de 20% das importações agrícolas e pecuárias do país asiático.

A segunda maior economia mundial alimenta quase 19% da humanidade com apenas 8,5% das terras aráveis do planeta. Em comparação, o país latino-americano tem quase 7% das terras aráveis para 2,7% da população mundial. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 23 de julho de 2025

Europa - Calçado português lidera crescimento das exportações

A indústria portuguesa de calçado teve um arranque de ano notável, destacando-se como a mais dinâmica da Europa. Nos primeiros quatro meses de 2025, o setor exportou 26 milhões de pares, gerando 576 milhões de euros, o que representa um crescimento de 6,2% face ao mesmo período do ano anterior


De acordo com o Vida Económica, enquanto as exportações espanholas estagnaram e as italianas registaram uma queda de 4,1%, Portugal apresentou o melhor desempenho entre os principais países exportadores europeus. A média de crescimento na Europa ficou nos 2,8%.

Para Luís Onofre, presidente da APICCAPS (Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos), este sucesso deve-se ao contínuo investimento em inovação e tecnologia por parte das empresas portuguesas. “Num ano de grande indefinição como este, o facto de as empresas portuguesas investirem de forma contínua em tecnologia de ponta – o que lhes permite responder de forma célere ao mercado – é uma mais-valia inquestionável”, afirmou o dirigente.

Segundo Onofre, os investimentos em curso no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que ascendem a cerca de 100 milhões de euros, seguem essa mesma lógica de modernização e reforço da competitividade.

Apesar dos bons resultados, o responsável da APICCAPS alerta para um clima internacional instável. “Para além dos dois cenários de guerra a nível internacional, a crescente tensão geopolítica é uma grande preocupação. (…) O mundo empresarial está em suspense, pelo menos até 1 de agosto, para perceber as consequências de um novo posicionamento tarifário”, sublinhou. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 19 de junho de 2025

Brasil - Tem grande potencial para exportar mais peixe para a China

“O Brasil tem alimentos de origem aquática, desde a água salgada até a água doce, de climas frios a climas mais tropicais, além de pescados da nossa região amazónica, que são iguarias no nosso país e que poderiam ser muito bem apreciados aqui”, referiu o assessor do ministro da Pesca e Aquicultura do Brasil em Macau


Um assessor do ministro da Pesca e Aquicultura do Brasil disse que o país tem um enorme potencial para exportar mais peixe e outros produtos aquáticos para o mercado chinês.

“Existe muito, muito potencial no Brasil, uma capacidade de produzir alimentos de origem aquática de forma sustentável e a capacidade de exportar é imensa”, defendeu Carlos Mello, em Macau.

“O Brasil tem alimentos de origem aquática, desde a água salgada até a água doce, de climas frios a climas mais tropicais, além de pescados da nossa região amazónica, que são iguarias no nosso país e que poderiam ser muito bem apreciados aqui”, referiu o assessor do ministro André de Paula.

“A capacidade do Brasil e o potencial para exportar para a China é sensacional”, defendeu Carlos Mello.

No final de abril, os dois países assinaram um acordo que abriu o mercado chinês ao peixe e marisco natural e selvagem pescado no Brasil, após negociações que decorriam desde 2016.

Mello falava à margem do encerramento de um colóquio sobre economia azul, organizado pelo Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau).

O assessor disse que a atividade, que reuniu dirigentes governamentais durante duas semanas, demonstrou que os nove estados lusófonos têm “muita força para colaborar, especialmente com a China”, que desde 2009 é o principal parceiro comercial brasileiro.

O Brasil “pode aprender em termos de desenvolvimento tecnológico, de superar desafios como a de geografia, uma população muito extensa e estratégias para segurança alimentar”, referiu o especialista em aquicultura.

Mello deu como exemplo a inteligência artificial (IA), que pode ajudar em sistemas “de precisão” para o cultivo de organismos aquáticos, para consumo humano ou de animais.

A IA pode apoiar a tomada de decisões ao processar dados “que levariam muito tempo para pessoas fazerem”, resultando “em maior produtividade”, explicou o assessor.

No discurso de encerramento do colóquio, o secretário-geral do Fórum de Macau lembrou o destaque que a China tem alcançado em “tecnologia, aquicultura, construção de cadeias industriais e acesso a mercados”.

Ji Xianzheng destacou o potencial para cooperação com os estados lusófonos, que “possuem ricos recursos marítimos e grande potencial no setor pesqueiro”.

Também Carlos Mello falou de “uma possibilidade muito forte” de que o colóquio “possa gerar frutos no futuro”, em termos de projetos de cooperação entre os países de língua portuguesa e a China.

Os representantes lusófonos estiveram, entre 13 e 15 de junho, na Exposição Internacional de Pescas e Marisco da China, em Fuzhou, capital da província de Fujian, no sudeste do país.

Segundo um comunicado do Fórum de Macau, o vice-presidente da autarquia de Fuzhou, Liang Dong, expressou o desejo de que empresas locais possam trabalhar com os países de língua portuguesa para “construir bases industriais de pesca”. InJornal Económico” – Portugal com “Lusa”


sexta-feira, 13 de junho de 2025

China - Empresária leva vinhos portugueses ao paladar asiático

A empresária Lily Jia dedica-se há mais de dez anos à promoção exclusiva de vinhos portugueses na China, depois de fundar uma empresa com o marido que conheceu também no mundo dos vinhos. Ao Ponto Final, Lily Jia afirma que os vinhos portugueses estão a ganhar reconhecimento no mercado chinês devido à sua elevada qualidade e preço acessível. A empresa do casal foca-se na importação de vinhos de várias regiões portuguesas e, agora, de mais produtos fabricados em Portugal. Com sede também em Macau, aposta na expansão do negócio e no fortalecimento das relações comerciais e culturais entre a China e Portugal



Há mais de uma década que Lily Jia se dedica ao negócio e promoção de vinhos, exclusivamente portugueses, na China. A empresária revelou que começou com o marido a trabalhar na importação de vinhos portugueses em 2009, manifestando a paixão pelos produtos portugueses bem como uma amizade de longo prazo com os parceiros em Portugal.

Lily Jia, em entrevista ao Ponto Final, recordou a história do seu encontro com os vinhos portugueses e da criação posterior da sua empresa, a Zhuhai Gaobo, que é actualmente agente de vinhos portugueses de sete regiões de Portugal – Lisboa, Tejo, Alentejo, Bairrada, Dão, Douro e a região de Vinho Verde – na China e explora a respectiva venda em diversas províncias chinesas.

A empresária oriunda de Shenyang, da província de Liaoning, foi professora de inglês e iniciou a sua carreira relacionada a Portugal em 2007, como tradutora para uma vinícola portuguesa chamada Caves Arcos do Rei, em Anadia. A vinícola abriu uma empresa em Yantai, Shandong, onde Lily Jia concluiu a sua licenciatura. Numa viagem de trabalho a Zhuhai em 2008, Lily Jia conheceu o seu marido, Chen Hehua, que tinha acabado de voltar da Nova Zelândia, e abriu a sua própria empresa em Zhuhai. Apaixonaram-se e decidiram casar, e começaram depois a exploração do negócio dos vinhos portugueses.

“Portugal tem muitos bons produtos”, afirmou Lily Jia. “Muitas pessoas perguntaram-me por que amamos tanto Portugal e só fazemos negócio com Portugal, e eu digo que é porque conheci o marido graças a Portugal, e os fornecedores e clientes com quem lidamos não eram apenas parceiros de negócios, mas sim como amigos e familiares”, destacou.

“Acolhedores” e “simpáticos” foram algumas das palavras que a empresária usou para descrever os portugueses e a razão pela qual insiste na exclusividade de negócio dos produtos portugueses por parte da sua empresa. “Com o tempo, descobrimos que os chineses e os portugueses têm muito em comum. Somos muito gentis e respeitamos as pessoas”, salientou.

Lily Jia frisou ainda ter mantido uma relação estreita e amigável com as autoridades da economia e do turismo do Governo português, bem como os consulados de Portugal e muitas associações comerciais de Macau e de Portugal, o que a deixa mais entusiasmada em continuar o negócio.

De acordo com a responsável, os principais fornecedores actuais da empresa são Parras de Lisboa, HMR do Alentejo, Quinta Monteiro de Matos do Tejo, Arcos do Rei do Dão, Reccua e Sogrape do Douro. As principais marcas são Vasco da Gama, Quinta do Gradil, Pousio, Terras de Paul, Reccua, Casa Ferreirinha. Segundo Lily, a empresária e o marido foram, em 2016, agraciados pelo governo português com o título honorário de Embaixador da Promoção do Vinho do Porto na China.

A equipa de Lily Jia costuma organizar excursões vinícolas, todos os anos desde 2010, em Portugal, trazendo os representantes dos distribuidores para visitar o país de Norte a Sul. Vão em breve viajar para Portugal no início do próximo mês, tendo também convidado um canal de televisão, cooperando ainda com uma ‘influencer’ para fazer uma transmissão em directo nas vinícolas para vender vinhos online.

Mercado de vinhos de Portugal na China

Lily Jia entende que os vinhos portugueses “estão em ascensão e são constantemente reconhecidos” no mercado chinês pela sua qualidade e pelo preço.

“São reconhecidos pelos chineses na indústria vinícola, depois de mais de dez anos a serem promovidos aqui, seja por empresas como nós, seja pela ViniPortugal”, assinalou. A representante avançou que as vendas da sua empresa, bem como o volume de negócio dos vinhos portugueses na China, têm vindo a aumentar.

Apesar da qualidade e do preço acessível, os vinhos portugueses não são tão fortes no mercado chinês comparando com outros países europeus, segundo a empresária. “Isso deve-se ao facto de a promoção deles [Portugal] ser mais fraca em relação à França, à Itália ou à Espanha”, apontou.

A equipa da empresa tinha algumas dúvidas sobre as razões da falta de trabalho promocional dos vinhos portugueses até se ter apercebido que existem poucas pessoas responsáveis pela promoção global dos produtos.

Para além disso, Lily Jia disse que a maioria das pessoas na indústria em Portugal foca-se em monitorizar as vinhas e a qualidade das uvas. “Portugal tem um sistema de vinificação de uvas muito rigoroso”, explicou. “De facto, o vinho português tem sido muito popular na Europa e na América. De acordo com os dados oficiais fornecidos por Portugal, o maior importador de vinho português é a França, o Reino Unido, o Brasil, a Alemanha, a Suíça e o Japão”, enfatizou.

Lily Jia ressaltou que o vinho tinto continua a ser o mais vendido entre os vinhos portugueses na China, contudo, a empresa tenta também fomentar a venda do vinho verde, um tipo de vinho que não existe na China. “O vinho verde também está cada vez mais popular porque é muito refrescante e agradável para beber no Verão, na praia com a brisa”, disse.

Por outro lado, apesar das actividades comerciais da sua empresa se focarem na importação de vinhos portugueses, a empresária trabalha ao mesmo tempo para a exportação de vinhos chineses ao exterior, incluindo o vinho branco de Yantai, em Shandong, e o vinho de lichia e o vinho de ameixa de Cantão para Portugal e para a Polónia.

“O volume não é grande, mas o vinho chinês também se desenvolveu muito bem nos últimos anos”, sublinhou Jia, acrescentando que organiza anualmente entre 30 e 50 sessões comerciais para criar oportunidades de negócios entre portugueses e chineses”. “Continuaremos a trabalhar arduamente para construir uma ponte para ajudar a China e Portugal no comércio e em outras áreas”, assumiu.

Oportunidades em Macau

Em 2019, Lily Jia estabeleceu também uma empresa em Macau para facilitar a promoção dos produtos portugueses na China Continental. “Macau é uma ponte de comunicação e intercâmbio entre a China e os países portugueses, e o Governo de Macau incentiva muito a promoção dos produtos portugueses”, explicou a responsável, razão pela qual decidiu estabelecer uma sede no território.

A empresária destacou que as autoridades de Macau, sobretudo o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM), “organizam sempre grandes feiras e exposições para as empresas, mas também realizam formação para as pequenas e médias empresas”, ajudando o desenvolvimento do comércio electrónico das empresas, o que lhes dá “mais confiança para se dedicarem no comércio dos produtos portugueses”.

Lily Jia recordou ter encontrado, em Macau, mais um produto alcoólico português que pode ser adicionado na gama de produtos vendidos pela sua empresa. A empresária disse que foi na Feira Internacional de Macau (MIF) do ano passado que descobriu o Licor 35, Creme de Pastel de Nata. “Soubemos que o produto é muito bem vendido em Macau e muitas pessoas no interior da China interessaram-se por este licor, nomeadamente a geração mais jovem, por isso decidimos ser o agente [do licor] no mercado da China Continental”, realçou.

No entanto, salientou que o processo de importação do licor ainda está a demorar devido aos respectivos procedimentos administrativos. “Existem muitas diferenças nos procedimentos de importação entre Macau e o Continente, incluindo os impostos e as etiquetas de importação alfandegárias. Cada local tem padrões diferentes para as etiquetas dos alimentos”, frisou.

A responsável disse ter obtido recentemente a aprovação nos processos de importação e espera que o licor, sendo “um presente de recordação português muito característico” ou licor utilizado em cocktails, chegue e possa ser vendido em breve ao mercado da China Continental.

Diversificar o negócio

Com a experiência de trabalhar na área de vinhos e bebidas alcoólicas de Portugal durante vários anos, Lily Jia decidiu expandir o âmbito de negócio para a venda de mais produtos portugueses, para tornar o seu negócio mais competitivo e apoiar ainda mais a produção original de Portugal.

A empresa, neste momento, está também a esforçar-se para promover móveis, sobretudo móveis personalizados, que alguns clientes encomendaram de Portugal para transportá-los directamente para o interior da China, bem como produtos de cortiça, artesanato em cortiça, azeitonas, azeite, sal e água, tudo de Portugal. “Estamos ainda a cooperar com algumas grandes marcas portuguesas para promover produtos no mercado do sul da China, nomeadamente a Delta Cafés, a marca de cerveja Super Bock e o azeite Gallo”, indicou.

Para além das actividades comerciais de artigos portugueses, Lily Jia está a planear cooperar com algumas agências de viagens na promoção do turismo em Portugal, aproveitando o facto de já ter organizado nos últimos anos várias viagens em grupo, levando empresários e representantes de associações comerciais chinesas a Portugal para passeios em vinícolas.

“Visitamos Portugal várias vezes todos os anos. Há cada vez mais amigos e clientes que estão interessados ​​em Portugal através da nossa apresentação. Será difícil ajudarmos a preparar viagens para tantas pessoas, portanto, se calhar vamos cooperar com agências de viagens para lançar passeios de enoturismo ou outros projectos”, salientou. Revelou ainda que está previsto ter a primeira viagem em grupo, em cooperação com agências de viagens, em Setembro deste ano.

Lily Jia fundou ainda, há sete anos, a empresa cultural Gaobo, com objectivo de permitir a mais pessoas conhecerem o vinho e a sua cultura, especialmente do vinho português, tendo cooperado com instituições profissionais de vinhos para abrir cursos de certificação WSET, SMWA whisky, vinho português e outros. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 25 de março de 2025

Portugal – Empresa Couto celebra 107 anos com novos produtos e novas apostas

A centenária marca Couto, conhecida pela pasta dentífrica e pelo restaurador Olex, registou em 2024 o melhor ano de sempre, com um volume de negócios “superior a 1,3 milhões de euros”. Em 2025, lança novos produtos e aposta na exportação



“O ano de 2024 foi o melhor ano de sempre da Couto com um volume de negócios superior a 1,3 milhões de euros”, conta Alexandra Gomes da Silva, numa entrevista à Lusa no âmbito da celebração do 107.º aniversário da marca portuguesa, que se comemora este ano.

Alexandra Gomes da Silva, administradora da Couto há nove anos e que acompanhou durante 20 anos o trabalho do seu marido, Alberto Gomes da Silva, antigo administrador da Couto, explica que as vendas aumentaram graças ao lançamento de novos produtos, como o ambientador, o champô em barra corporal, a nova pasta de dentes com flúor, e da tradicional pasta de dentes, que tem 93 anos de existência.

O aumento das vendas também se explica com a “dedicação dos funcionários da empresa” e com o “aumento do turismo”, que compra os produtos Couto na loja da baixa do Porto, acrescenta.

“Hoje estamos num patamar totalmente diferente quando comparado com a altura em quando conheci o meu marido – em 2004 -, e em que a fábrica só se dedicava à higiene oral, com a pasta dentífrica, e o restaurador Olex”, assume.

Segundo a administradora da Couto, a marca consegue estar hoje na casa das pessoas não só com o sorriso da pasta Couto, mas também através das novas embalagens miniatura para transportar em viagem, através dos cremes para o corpo, cremes para as mãos e rosto, cremes de barbear, colónias, champôs em barra, ambientadores, velas, sabonetes e até saboneteiras.

Após a estagnação das vendas registada durante o período da pandemia da covid-19 e do início da guerra da Ucrânia, que levou à falta de matéria-prima, a Couto registou um crescimento de 20% em 2023 e o ano de 2024 foi o melhor ano de sempre dos 107 anos de existência, disse, por seu turno, Cláudia França, diretora técnica da Couto.

Para celebrar este ano o 107.º aniversário da Couto, a marca acaba de lançar dois novos produtos: um bálsamo de lábios com sabor a caramelo e um outro bálsamo com sabor a morango.

Segundo explica Cláudia França, o mote da Couto são os sorrisos.

“Já que protegemos os sorrisos através da higiene oral, agora nada melhor que proteger e cuidar dos lábios dos sorrisos dos portugueses”.

“O bálsamo labial de morango é mais para público mais jovem, uma vez que dá uma ligeira cor aos lábios, e o bálsamo de caramelo é um bálsamo unissexo, tem um sabor mais suave, não tem corante”, explica Cláudia França.

O principal mercado da marca é o nacional, mas os produtos também voam para Alemanha, Itália, Espanha, Polónia e Canadá, especificamente para “lojas de venda ao público, barbearias e lojas ‘gourmet’”, revela.

Na loja que abriu em Cedofeita em 2019, no centro do Porto, os principais clientes continuam a ser turistas vindos do Oriente, designadamente sul-coreanas, que apreciam o ‘design’ dos produtos inspirado nos desenhos e cores dos azulejos portugueses, bem como os ingredientes ‘eco-friendly’ (amigos do ambiente).

Cláudia França, diretora técnica e gestora das redes sociais da Couto, recorda que a paixão das clientes sul-coreanas se justifica com a “qualidade” dos produtos, “diferença” e “imagem “retro”” das embalagens.

Ao longo de quase 100 anos, mais precisamente 93 anos, a fábrica de Gaia produziu milhões de bisnagas da icónica pasta de dentes Couto e deu saúde e frescura à boca de milhares de portugueses.

Agora, a marca quer conquistar o mundo com o seu produto estrela, porque o lema é e será “Couto, a pasta que anda na boca de toda a gente”. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sábado, 24 de agosto de 2024

Guiné-Bissau - CCIAS e empresários da província chinesa de Hunan assinam acordo para compra e transformação da castanha de caju

Bissau – A Câmara de Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços da Guiné-Bissau (CCIAS) e o grupo de empresários da província chinesa de Hunan, assinaram um acordo visando a compra e transformação da castanha de caju da Guiné-Bissau.


O acordo que vai entrar em vigor a partir do próximo ano, visa, na primeira fase, a exportação para a província chinesa de Hunan de 50 mil toneladas de castanha proveniente da Guiné-Bissau.

A segunda fase do acordo contempla a instalação de várias unidades de transformação de castanha no país e a doação de um valor de 20 milhões de francos CFA à Guiné-Bissau, para a construção de centrais de energia renováveis.

Em declarações à imprensa após a assinatura do acordo, o Presidente da CCIAS, Mama Samba Embaló disse que  este acordo é o  resultado da visita oficial que o Presidente da República Umaro Sissoco Embaló efectuou à China em meados de Julho passado.

Aquele responsável salientou que foi no quadro  desta visita presidencial que a CCIAS e empresários chineses começaram a entabular contactos, inclusive visitas a diferentes cidades da China em que as potencialidades da Guiné-Bissau, em termos de produção da castanha  foram apresentadas aos parceiros chineses.

Embaló destacou que o acordo prevê a exportação para a China de 50 mil toneladas da castanha mas que, se tudo  correr como previsto essa quantidade vai ser aumentada anualmente.

O ministro do Comércio e Indústria, Orlando Mendes Viegas que testemunhou o acto, disse que o acordo vai trazer grandes vantagens para o país e sobretudo a fileira de de caju.

“É de conhecimento de todos que a castanha de caju é um produto estratégico para a economia do país, por isso é preciso valorizá-la”, disse.

O governante afirmou que o acordo ora assinado irá permitir, não só a exportação em “nature”, mas também serão futuramente criadas as unidades de transformação de forma a dar mais-valia ao produto.

A Guiné-Bissau tem estado a produzir uma média de 200 mil toneladas de caju, anualmente. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau


segunda-feira, 15 de julho de 2024

China - Quer trabalhar com Países Baixos em prol de “cadeias de abastecimento estáveis”

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, disse ao homólogo neerlandês que a China está “disposta a trabalhar” com o país europeu para “assegurar a estabilidade das cadeias industriais e de abastecimento”

As relações entre os dois países foram abaladas pelas restrições impostas pelos Países Baixos às exportações de equipamento de fabrico de semicondutores, componentes essenciais na produção de alta tecnologia, para a China.

Os semicondutores e a tecnologia necessária para a sua produção são cada vez mais sensíveis, à medida que Pequim tenta desenvolver a própria indústria de alta tecnologia, o que tem implicações militares.

Wang sublinhou “o valor” que a China atribui aos seus laços com os Países Baixos, manifestando o desejo de estabelecer “contactos estreitos” com o novo governo neerlandês, segundo um comunicado emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do país asiático.

Reiterou também o “apoio da China ao processo de integração europeia e ao crescimento e desenvolvimento” da União Europeia (UE), sublinhando a importância da “independência estratégica da região”.

Wang condenou as recentes “acusações infundadas feitas contra a China” na cimeira da NATO, realizada esta semana em Washington. O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, criticou Pequim por “apoiar a economia de guerra russa” contra a Ucrânia e avisou que “a China não pode facilitar o maior conflito na Europa na história recente sem afetar negativamente os seus interesses e reputação”. Wang defendeu o historial de paz e segurança da China, reafirmou o papel de Pequim como “força estabilizadora na comunidade internacional” e instou a aliança transatlântica a “evitar interferir nos assuntos” da Ásia.

O chefe da diplomacia neerlandesa, Caspar Veldkamp, reconheceu a “força e robustez” da atual relação entre a China e os Países Baixos, apontando a China como uma “grande potência global” e o “principal parceiro económico e comercial” dos Países Baixos na Ásia, de acordo com a nota da diplomacia chinesa. Veldkamp sublinhou ainda a importância das relações entre UE e China, apelando a uma “cooperação construtiva” que não seja prejudicada por divergências, numa altura em que são frequentes as fricções comerciais entre o bloco europeu e Pequim.

Os Países Baixos impuseram no ano passado controlos mais rígidos sobre as exportações de tecnologia que usa luz ultravioleta para gravar circuitos nos ‘chips’ mais avançados.

Com sede na cidade de Veldhoven, no sul dos Países Baixos, a firma ASML é o único fornecedor global deste tipo de tecnologia. O Governo dos Países Baixos proibiu a ASML de exportar algumas das suas máquinas para a China em 2019, mas a empresa ainda vendia sistemas de litografia de qualidade inferior ao país asiático. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 5 de junho de 2024

Gana - Exportações de cacau afundam nos primeiros 4 meses do ano

A produção de cacau do Gana, o segundo maior produtor mundial, caiu de um máximo histórico de mais de 1 milhão de toneladas na época agrícola de 2020/2021, para uma produção até 580 mil toneladas na actual campanha


As receitas das exportações de cacau do Gana caíram 49%, para 599,3 milhões USD, nos primeiros quatro meses do ano, comparativamente ao período homólogo de 2023, revelam os dados do Banco do Gana, que mostram uma queda sem precedentes na produção de cacau, na época agrícola 2023/2024.

O tombo nas receitas de exportação do segundo maior produtor de cacau, a seguir à Costa do Marfim, o principal produtor mundial, ocorre num contexto de preços em alta desta matéria-prima. No espaço de um ano, que vai de 22 de Maio de 2023 a 28 de Maio de 2024, o preço subiu 148%, segundo dados da plataforma Trading Economics, passando de 3287,9 USD a tonelada para 8151,5 USD, embora o pico na valorização do cacau se tenha registado a 19 de Abril, quando a tonelada atingiu os 12606,1 USD.

O aumento dos preços do cacau no mercado internacional é resultado de um declínio na produção dos dois principais produtores, como confirmam os dados da produção do Gana e da Costa do Marfim. Nos restantes seis principais produtores - Equador, Camarões, Nigéria, Indonésia, Brasil e Papua Nova Guiné - a produção manteve-se estável, de acordo com os dados da Statista, que poderão ser revistos em baixa na época agrícola 2023/2024, após os deslizamentos de terras na Papua Nova Guiné, que esta semana soterraram mais de 2000 pessoas.

A produção do Gana, segundo o jornal The Accra Times, caiu de um máximo histórico de mais de 1 milhão de toneladas na época agrícola de 2020/2021, para uma produção estimada entre 492000 toneladas e 580000 toneladas na temporada 2023/2024. A queda significativa na produção de cacau e nas receitas de exportação é uma das razões para a desvalorização da moeda nacional, o cedi, em 14,6% no mercado interbancário e mais de 19% no mercado retalhista desde o início do ano, refere ainda o jornal.

Ameaça do contrabando e mineração ilegal

Numa declaração datada de 12 de Janeiro de 2024, o Conselho do Cacau do Gana invoca o "desenfreado e inabalável contrabando de cacau para os vizinhos Costa do Marfim e Togo", como a principal razão para o declínio na produção. Aponta ainda a ameaça da mineração ilegal em pequena escala, que causa estragos na paisagem cacaueira do Gana, num contexto em que as alterações climáticas agravam ainda mais a situação.

As secas deixaram as árvores ressecadas, enquanto a chuva excessiva criou condições favoráveis para o surgimento de doenças fúngicas, como o Swollen Shoot, um vírus devastador que se espalha rapidamente pelas plantações e florestas.

O declínio na produção de cacau do Gana começou na época agrícola 2021/2022, quando caiu para as 683 toneladas, tendo vindo a diminuir todos os anos desde então, como mostram os dados da Statista. Na época agrícola de 2022/2023, ficou-se pelas 654 toneladas e na presente campanha não deverá ultrapassar as 580 toneladas.

Já a Costa do Marfim, que assegura 40% da produção mundial, registou ligeiras oscilações na produção desde a campanha de 2020/2021 (2248 toneladas), iniciando uma curva descendente acentuada na presente época agrícola, o que se tem vindo a reflectir na escassez de produto no mercado mundial. Em 2021/2022, a produção de cacau caiu para as 2121 toneladas, recuperou em 2022/2023 para as 2241 toneladas, precipitando-se na actual campanha para uma produção estimada de 1800 toneladas. Segundo a Standard & Poor tem havido tensões entre os produtores e intervenientes internacionais no sector do cacau e do chocolate. Os reguladores do cacau da Costa do Marfim e do Gana boicotaram uma reunião da indústria em Outubro de 2022, devido a uma disputa de preços. Os dois países procuram apoio para proporcionar aos produtores um rendimento digno e estão em curso negociações com compradores internacionais, refere a agência de notação financeira. Isabel Bordalo – Angola in “Expansão”


domingo, 26 de maio de 2024

Venezuela - Luso-venezuelana quer exportar cacau para Portugal

Investigadora e produtora de cacau, a luso-venezuelana Anakarina Silva quer levar a sua marca, Catacacao, da Venezuela para o mercado europeu, a começar por Portugal, onde tem raízes e confessou à Lusa ter “um coraçãozinho português”


“O cacau venezuelano é muito apreciado na Europa. É conhecido como um dos melhores cacaus do mundo e é utilizado para melhorar ou realçar os sabores, porque produzimos cacau de sabor fino”, disse, avançando que a sua marca, Catacacao, foi fundada em 2017 e que vai apostar agora no mercado europeu.

“Queremos exportar para a Europa, e Portugal é o primeiro país onde queremos estar, e a partir daí fazer a distribuição. Temos um produto de qualidade para exportação e os manuais de procedimentos já estão prontos”, disse, sublinhando que tem raízes, família e “um coraçãozinho português”

Anakarina Silva explicou que, além da matéria-prima, podem ser exportados subprodutos como a manteiga de cacau, cacau em pó, pasta de cacau, licor de cacau e cacau a 100%.

“Em Portugal há ‘chocolatiers’ muitos bons e refinados, dos melhores da Europa, que podem usar a nossa matéria-prima para formular os melhores chocolates”, frisou.

Produtora e investigadora, Anakarina alertou que as alterações climáticas estão a afetar, em baixa, a produção de cacau na Venezuela, país onde a produção média ronda as 26 000 toneladas anuais, das quais mais de 50% são exportadas para a Europa e o Japão.

“As alterações climáticas e a seca têm afetado muitíssimo a produção. O cacau tem subido de preço porque há pouca oferta, porque a produção caiu muito devido ao clima, a seca tem sido muito longa”, disse.

Chef internacional, Anakarina Silva explicou que os produtores estão à espera das chuvas que tornam as árvores bonitas, verdejantes e que contentam os cacaueiros, mas há preocupação, porque, depois do fenómeno El Niño, que produziu longa seca, esperam La Niña, que pode gerar intensas chuvas e inundações, que afetam também a produção.

“Sinto que os cacaueiros vão ficar stressados com tanta seca e chuvas prolongadas”, frisou.

Anakarina explicou que, se um cacaueiro não tiver um sistema de irrigação, dará frutos para colheita duas vezes por ano, em dezembro e junho, quando pode dar cacau durante todo o ano.

Apesar de a Venezuela ser um país produtor de cacau, “sempre disseram que talvez não crescesse em Caracas por causa do clima e da altitude”, mas, em Los Campitos, onde produz o chocolate Catacacao, ela própria tem mais de 100 árvores de cacau, de diferentes origens e regiões do país.

“Fazemos todo o processo, desde a árvore e a semente. Torramos, debulhamos, descascamos, cuidando cada processo até chegar à barra de chocolate. O nome de Catacacao vem de catar, que significa saborear (…) Fazemos chocolates desde a semente, desde a origem. Não misturamos cacau, trabalhamos com cacau de origem.”, afirmou.

Anakarina explicou ainda que “cada cacau tem um sabor diferente” e que está a fazer um viveiro, um “banco genético”, que depois poderá ser usado nas distintas regiões do país.

“A genética do cacau venezuelano é realmente muito valiosa. Temos uma grande variedade de cacau crioulo”, disse, precisando que cada região do país tem tradições associadas.

“Em quase todos os lugares, quando estendem o cacau para o secar ao sol, cantam canções da região. São práticas ancestrais que não mudam, que são diferentes e isso é mágico. É por isso que eu digo que quando se come um chocolate de uma região, está-se a saborear as tradições desse lugar”, disse.

Anakarina Silva lamentou que nem todos os chocolateiros tenham a possibilidade de conhecer o campo onde nasceu o cacaueiro, o produtor, a rastreabilidade que identifica a origem de cada chocolate. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”