Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Lusofonia - Quase metade dos guineenses e cabo-verdianos consideram emigrar

Um relatório do Afrobarometer indicou que quase metade dos guineenses e cabo-verdianos considera emigrar por motivos económicos. Em Angola, a percentagem de pessoas que pondera sair do país é de 38%, em São Tomé e Príncipe de 31% e em Moçambique de 21%


Quase metade dos guineenses e cabo-verdianos inquiridos considera emigrar por razões económicas, revela-se no relatório do Afrobarometer que aponta a mesma tendência em Angola (38%), São Tomé e Príncipe (31%) e Moçambique (21%).

Uma das principais razões que levam os entrevistados a considerarem emigrar são económicas, sendo que “a intenção de migrar aumentou substancialmente”, segundo o relatório “Beyond Borders: Citizen Perspectives on a Shifting Global Order” (Além das Fronteiras: Perspectivas dos Cidadãos sobre uma Ordem Global em Transformação), tornado público em Acra, Gana, e que se baseia em dados de inquéritos representativos a nível nacional de 38 países africanos.

Entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), São Tomé e Príncipe destaca-se por ser o único a registar um declínio significativo na intenção de emigrar, descendo de 35% no período de 2016/2018 para 31% em 2024/2025.

No documento avalia-se também a percepção sobre o impacto económico dos imigrantes nos países de acolhimento. A maioria dos inquiridos em São Tomé e Príncipe (68%), Cabo Verde (65%) e Guiné-Bissau (54%) acredita que os estrangeiros que se mudam para o país para trabalhar têm uma influência “muito boa” na economia.

A Guiné-Bissau surge como um dos países mais acolhedores do continente, com cerca de 40% dos cidadãos entrevistados a defenderem que o país deveria receber mais trabalhadores.

Já Moçambique e Angola mantém opiniões mais divididas relativamente ao impacto positivo ou negativo dos imigrantes na economia.

No estudo analisa-se ainda as opiniões dos cidadãos dos países africanos sobre a abertura do comércio e a consciencialização do Acordo de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA, na sigla inglesa).

O conhecimento sobre o AfCFTA varia entre os PALOP, mas permanece reduzido em termos gerais.

A Guiné-Bissau destaca-se com a maior taxa de conhecimento (27%), seguida por Cabo Verde (24%).

Em contrapartida, os níveis de conhecimento são reduzidos em Angola (13%), São Tomé e Príncipe (12%) e Moçambique (11%), revelando uma escassez de informação sobre a integração comercial do continente.

Em todos os PALOP, a maioria dos inquiridos prefere priorizar parcerias comerciais com todos os países a nível global, em vez de um comércio exclusivo intra-africano ou sub-regional.

Cabo Verde (79%) e São Tomé e Príncipe (77%) lideram a preferência pelo comércio global, seguidos pela Guiné-Bissau (70%), Angola (63%) e Moçambique (61%).

Por fim, ao nível do livre comércio, os entrevistados dos PALOP expressaram uma posição favorável, à excepção de Angola, onde o apoio à abertura transfronteiriça é maioritariamente rejeitado – apenas 45% apoiam -, evidenciando uma tendência protecionista considerável, na qual 40% prefere proteger os produtores nacionais.

No relatório apresentam-se novas conclusões sobre as opiniões dos cidadãos relativamente ao comércio transfronteiriço e à integração económica, à migração, ao papel e à influência de África na governação global e às percepções sobre a influência das principais potências globais no continente. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Moçambique - Teatro apoiado pela ONU alia vozes contra a corrupção

Projeto Gris transforma arte dramática em escudo contra cobranças ilícitas na prestação de serviços públicos. Desenvolvida em parceria com o UNODC, iniciativa do Centro de Formação Jurídica e Judiciária leva consciencialização e cidadania às comunidades mais vulneráveis


O Centro de Saúde da Matola 2, nos arredores da cidade de Maputo, serviu de palco para a ação inaugural do Grupo de Intervenção e Sensibilização, Gris.

A iniciativa foi promovida pelo Centro de Formação Jurídica e Judiciária, (CFJJ), marcando a primeira etapa do órgão inaugurado pelo Ministério da Justiça, Assuntos Religiosos e Constitucionais de Moçambique, em abril.

Extorsão e prevenir práticas ilícitas

Reunindo gestantes, mães, jovens e mulheres adultas que aguardavam atendimento na unidade de saúde, a sessão utilizou a sensibilização comunitária como ferramenta para combater a extorsão e prevenir práticas ilícitas nos serviços públicos.

Ao transformar o espaço de espera num debate aberto sobre direitos e integridade, a ação fortaleceu a consciencialização social na procura por uma sociedade mais justa, transparente e igualitária para todos os moçambicanos.

Através de uma abordagem dinâmica que une palestras e representações teatrais, os integrantes do projeto Gris exploram temáticas essenciais para a cidadania moçambicana.

Romper o silêncio

Durante a intervenção marcante no Hospital da Matola, o grupo colocou em evidência o direito inalienável do cidadão ao acesso pleno à saúde. Mais do que apenas informar, a iniciativa procura despertar a coragem cívica.

Anifa Vilanculo, membro ativo do coletivo, fez um apelo público, reforçando que a principal arma contra a extorsão é a voz da população e convocando todos a romperem o silêncio para denunciar ativamente qualquer ato de corrupção.

“Denunciar qualquer tipo de hábito, corrupção que nós podemos presenciar no nosso dia a dia. Quanto mais nós protegermos esse tipo de ação, quanto mais nós calamos diante desse tipo de situação, na verdade nada muda. A coisa só continua a crescer porque nós calamos diante daquela situação.”

Na peça teatral “A fila que não anda”, o grupo Gris levou ao palco um reflexo doloroso da realidade enfrentada por muitas das mulheres na plateia.

Sequelas da Vida

O espetáculo expõe o ambiente de uma maternidade onde o direito ao atendimento não é pautado pela urgência médica ou pela dor, mas sim, pela capacidade da paciente de pagar subornos e ceder a extorsões.

A identificação com a obra é imediata e perturbadora. Ao se reconhecerem na narrativa encenada, diversos participantes sentem a necessidade de expor as suas próprias feridas, mas o profundo medo de sofrerem retaliações faz com que a denúncia exija a proteção do anonimato.

Um retrato vivo desse trauma sistémico é o de Josefina, que, amparada pelo sigilo e tocada pela representação no palco, encontrou coragem para quebrar o silêncio e narrar a sua verdadeira história.

Ela contou que, em 2014, seus familiares pagaram 1,5 mil meticais, só assim foram atendidos no momento do parto. Depois dessa experiência, a decisão foi não ter mais filhos, por receio que o mesmo abuso voltasse a acontecer.

Peso financeiro da corrupção

Em Moçambique, onde o salário-mínimo varia entre 7 mil e 11 mil meticais na maioria dos setores, o peso financeiro da corrupção é muitas vezes mencionado.

As cobranças ilícitas, frequentemente a cidadãos em momentos de extrema vulnerabilidade, chegam a consumir o equivalente a semanas inteiras do rendimento de inúmeras famílias, aprofundando ainda mais a desigualdade social no país.

Foi exatamente para tirar o enfrentamento desse cenário da teoria e levá-lo à prática que surgiu o Grupo de Intervenção e Sensibilização. O projeto mobiliza funcionários e formandos profundamente comprometidos em promover a consciencialização comunitária.

Por meio da educação jurídica, a iniciativa atua diretamente na base, transformando o conhecimento numa ferramenta ativa para reforçar a prevenção contra práticas corruptas.

Raiz do Gris

Esta frente global de educação e empoderamento juvenil conta com o acompanhamento de Joana Wrabetz, especialista do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, UNODC.

Ela explica que a raiz do Gris germinou a partir da adaptação de um módulo de ensino da própria agência da ONU, desenhado para incentivar o engajamento cívico.

O que inicialmente era apenas uma capacitação teórica sobre participação cidadã, oferecida aos funcionários no Centro de Formação Jurídica e Judiciária, evoluiu e ganhou as ruas como uma verdadeira força de intervenção social.

“No final dessa formação achámos que era necessário passar da teoria à prática, da sala de aula para as ruas e, no fundo, acaba por ser a concretização daquilo que é a UNCAC, que é a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. No seu capítulo 2 fala, precisamente, sobre a prevenção e uma das partes mais importantes da prevenção é também a participação da sociedade civil, a participação de todos no combate à corrupção, porque passa por cada um.”

O impacto do Gris já reverbera nos mais altos escalões do governo moçambicano. Ao enaltecer a iniciativa, o ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, afirmou que a atuação do grupo representa um passo decisivo na transformação do conhecimento em ação concreta a serviço das comunidades.

Fortalecimento da educação jurídica

Para o ministro, o projeto assume um papel indispensável no fortalecimento da educação jurídica da população e na prevenção ativa de práticas corruptas.

A relevância dos resultados alcançados transformou a iniciativa num verdadeiro modelo a ser seguido. Diante desse sucesso, Elisa Boerekamp, diretora do Centro de Formação Jurídica e Judiciária, CFJJ, fez um apelo para que outras instituições em Moçambique desenvolvam as suas próprias réplicas do projeto, expandindo a rede de combate às cobranças ilícitas.

Essa frente de mobilização social ganha mais destaque graças a parcerias internacionais. As campanhas de conscientização promovidas pelo *Gris são apoiadas pelo UNODC, através do projeto "Apoio ao Reforço da Justiça Penal em Moçambique", financiado pela União Europeia, e o programa Grace - Iniciativa Global para Educação e Empoderamento dos Jovens na área do Combate à Corrupção, apoiado pela Associação Internacional de Advogados de Defesa. Ouri Pota – Moçambique ONU News


sexta-feira, 31 de julho de 2026

Moçambique - “O Veredicto” une música, teatro e dança no Centro Cultural Moçambique-China

O musical “O Veredicto” sobe ao palco na próxima sexta-feira, no Centro Cultural Moçambique-China, com a proposta de unir teatro, canto, dança e performance visual numa reflexão sobre as histórias, vivências e expressões que compõem o património cultural moçambicano. Mais do que um espetáculo, os promotores apresentam a iniciativa como um apelo à valorização da cultura nacional e à aproximação do público às produções artísticas do país.


Durante a conferência de imprensa de apresentação do musical, o produtor Zé Pires afirmou que a obra pretende contribuir para o resgate da música moçambicana, que, na sua perspetiva, tem perdido espaço junto da própria sociedade.

“Fazemos com este musical, com esta obra que é um teatro musicado, um clamor a toda a sociedade para o resgate e a recuperação da nossa música como uma plataforma importante que foi praticamente abandonada pela própria sociedade.”

Segundo Zé Pires, a principal razão da criação do espetáculo é formar novos públicos e incentivar os moçambicanos a voltarem às salas de espetáculo.

“A essência deste espetáculo, aquilo que foi a razão por que foi criado, é a construção de uma audiência, a formação de audiências.”

O produtor reconheceu que um dos maiores desafios enfrentados pelos artistas nacionais é conquistar público para os seus eventos.

“Hoje em dia temos muita dificuldade de ter um espetáculo de música ou de qualquer arte sem a gente ter uma casa cheia. Estamos com uma casa de 1500 lugares e, para a ter cheia, é um transpirar que vocês não estão a imaginar.”

Também presente na conferência de imprensa, o artista Roberto Chitsondzo alertou para o que considera ser um progressivo afastamento dos artistas e do público em relação à cultura moçambicana.

“Nós, artistas, fugimos da nossa essência como artistas para ser melhor aplaudidos. A sociedade deixou de escutar a sua própria cultura para dar mais ‘likes’ àquilo que é dos outros.”

Embora reconheça a importância das influências internacionais na formação dos artistas, Chitsondzo defendeu que é necessário valorizar mais a produção cultural nacional.

“Eu próprio aprendi a cantar com músicas provenientes de outros sítios. Mas isso não significa que devemos deixar de ouvir e promover aquilo que é nosso.”

O artista criticou ainda a escassa presença de conteúdos culturais em alguns programas de entretenimento, considerando que a divulgação do trabalho dos criadores nacionais continua a ser insuficiente.

“Aquilo que a gente assiste ali é fofoca, aberrações, insultos. Daquilo que deveriam apresentar sobre os nossos colegas, eu não vejo nada.”

A organização acredita que “O Veredicto” poderá contribuir para aproximar o público da arte moçambicana, promovendo uma reflexão sobre a identidade cultural e reforçando o papel da música, do teatro e da dança como instrumentos de preservação do património nacional. Arnosso Cuco – Moçambique in “O País”


Moçambique - Associação Cultural da Universidade Pedagógica promove Ciclo de Cinema Moçambicano na Universidade Pedagógica de Maputo

A Associação Cultural da Universidade Pedagógica de Maputo (ACUP) vai promover, de 3 a 7 de Agosto, um Ciclo de Cinema Moçambicano, uma iniciativa que pretende aproximar a comunidade universitária da produção cinematográfica nacional e fomentar a reflexão sobre temas sociais, históricos e culturais retratados nas obras.


O evento terá lugar no Centro de Línguas da Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes da Universidade Pedagógica de Maputo, entre as 9h00 e as 12h00, e contará com a exibição de um filme por dia, seguida de debates com realizadores, actores, produtores, guionistas, editores de vídeo, docentes e estudantes. A organização considera que a iniciativa contribuirá para a valorização da sétima arte moçambicana como instrumento de formação académica e de promoção do pensamento crítico.

A programação inicia-se no dia 3 de Agosto com a exibição da longa-metragem Comboio de Sal e Açúcar, seguindo-se uma conversa que contará com a participação do realizador Licínio Azevedo e do actor Aquirasse Nipita.

No dia seguinte será apresentado O Ancoradouro do Tempo, com debate orientado por Amílcar Mascarenhas e a presença do realizador Sol de Carvalho e de Horácio Guiamba.

No dia 5 de Agosto será exibido Avó Dezanove e o Segredo do Soviético, seguido de um encontro com o realizador João Ribeiro e a actriz Anabela Adrianoupolos, moderado por Félix Mambucho. Já no dia 6, o público poderá assistir a O Silêncio da Mulher, com debate conduzido por Daniel Tinga e participação do realizador Gabriel Mondlane e da actriz Júlia Novela. O ciclo encerra no dia 7 de Agosto com a projecção das curtas-metragens A Penumbra, de Jared Nota, e O Sonho, de Ivo Mabjaia, seguida de uma conversa moderada por José dos Remédios, com a participação do produtor Omar Faquirá e do cineasta Jared Nota.

Segundo a ACUP, a realização deste ciclo visa reforçar a formação de públicos mais conscientes e criar um espaço permanente de reflexão sobre os desafios e as potencialidades do cinema moçambicano, consolidando o compromisso da Universidade Pedagógica de Maputo com a cultura, a educação e a produção do conhecimento. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 29 de julho de 2026

Moçambique - População de elefantes cresce de 9 mil para mais de 22 mil em 2025

O país registou um crescimento significativo da população de elefantes, que passou de pouco mais de nove mil animais, em 2018, para cerca de 22.700, em 2025. Apesar dos resultados positivos, as autoridades alertam que a expansão da agricultura, dos assentamentos humanos, da exploração florestal e da mineração continua a ameaçar a fauna bravia e os seus habitats.


Moçambique conta actualmente com uma população estimada em cerca de 22.700 elefantes, segundo os resultados do Censo Nacional de Elefantes e de Grandes Mamíferos 2025, divulgados esta sexta-feira pela Administração Nacional das Áreas de Conservação.

O número representa um aumento expressivo em relação aos 9114 elefantes contabilizados no último censo, realizado em 2018. O levantamento aponta igualmente para uma redução significativa do número de carcaças de elefantes, com o rácio a baixar de 48,35%, em 2018, para 4,6%, em 2025, não obstante a continuidade de invasões de reservas.

O censo foi financiado pelo Governo da Suécia, através do Programa de Conservação da Biodiversidade, coordenado pela BIOFUND, com o envolvimento da Universidade Eduardo Mondlane.

Mais do que preocupação, os dados devem ser aproveitados para tirar proveito económico e financeiro.

O relatório refere ainda que os dados do norte do país poderão estar subestimados, uma vez que algumas zonas de Cabo Delgado e da Reserva Especial do Niassa não foram abrangidas pelo levantamento, devido às limitações de segurança. In “O País” - Moçambique


segunda-feira, 27 de julho de 2026

CPLP - “Com honra e responsabilidade”: Portugal assume presidência rotativa da Assembleia Parlamentar da Organização

O presidente da Assembleia da República portuguesa disse esta sexta-feira, em Luanda, que Portugal abraçou com grande honra e sentido de responsabilidade a presidência da Assembleia Parlamentar da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)


Portugal vai assumir, em 2027, a presidência rotativa da Assembleia Parlamentar da CPLP (APCPLP), atualmente presidida pelo parlamento de Moçambique.

Aguiar Branco, em declarações à imprensa no final da XV Sessão Intercalar da Assembleia Parlamentar da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), destacou que Portugal vai assumir, pela primeira vez, a presidência para o biénio 2027/2029.

O presidente do parlamento português desejou ainda que a presidência de Portugal «possa fortalecer a CPLP», no espírito de que estão imbuídos todos os Estados-membros.

Sobre o encontro que terminou esta sexta-feira, Aguiar Branco fez um balanço positivo, que serviu para tratar muitos temas da atualidade, como a digitalização, a resiliência das instituições democráticas, o prestígio dos parlamentos, o estimular da participação das mulheres na atividade política.

«Foi muito rica e muito variada as matérias que tratámos», considerou Aguiar Branco. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 21 de julho de 2026

Moçambique - Obedes Lobadias lança programa de formação em declamação de poesia

O declamador, escritor e dinamizador cultural, Obedes Lobadias, lança o WORD – Workshop de Declamação de Poesia, uma iniciativa de formação artística concebida para o desenvolvimento técnico, interpretativo e performativo de declamadores e demais interessados na arte de dar voz, alma e vida à palavra.


Nesta fase inaugural, o projecto realiza duas edições consecutivas, nas cidades de Maputo e Xai-Xai, marcando o início de um programa que se fundamenta na convicção de que a declamação constitui uma importante expressão artística e um poderoso instrumento de promoção da literatura, da leitura, da oralidade e da sensibilidade humana, fortalecendo, simultaneamente, a capacidade de comunicação e afirmando-se como um activo estratégico para o fortalecimento das indústrias culturais e criativas e para o desenvolvimento humano, educativo, cultural, social e cívico. Mais do que uma oficina artística, assume-se como uma ferramenta de construção, crescimento e transformação.

A edição de Xai-Xai representa o compromisso do projecto com a descentralização das oportunidades de formação artística de qualidade, promovendo a partilha de conhecimentos, o intercâmbio de experiências e a valorização de novos talentos, numa abordagem predominantemente prática, criativa e transformadora.

O programa privilegia a prática, a experimentação e a reflexão crítica, proporcionando aos participantes ferramentas técnicas e criativas para o aperfeiçoamento das suas competências expressivas e performativas.

O WORD é orientado por Obedes Lobadias, destacado declamador de poesia em Moçambique. É também escritor, activista, director artístico e dinamizador cultural, com experiência significativa na concepção, curadoria, produção e gestão de eventos. Integra regularmente júris de concursos de declamação de poesia e é co-fundador do Declamatório, do sarau cultural “Ao vivo & em verso” e de outros projectos de diferentes áreas de intervenção. Corredor Nacional - Moçambique


domingo, 19 de julho de 2026

Moçambique - Camões – Centro Cultural Português e Catalogus lançam colectânea que celebra os 30 anos da CPLP com vozes da literatura contemporânea

O Camões – Centro Cultural Português e a Catalogus apresentam, no próximo 21 de Julho, às 17h30, em Maputo, a colectânea “As casas ainda respiram”, uma obra comemorativa dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O lançamento decorrerá nas instalações do Camões – Centro Cultural Português e reunirá textos de escritores e poetas da literatura contemporânea em língua portuguesa.


Com 170 páginas, a colectânea reúne excertos de romances, contos e poemas de autores oriundos do espaço lusófono, procurando celebrar a língua portuguesa como elemento de união entre diferentes povos e culturas. A publicação apresenta textos de Alice Pina, Álvaro Fausto Taruma, Ana Bárbara Pedrosa, Calila das Mercês, Camila Afonso, Cheila Delgado, Edson Incopté, Elisângela Rita, Eltânia André, Helena Abrahamsson, Israel Campos, Jamila Pereira, Rita Canas Mendes, Samuel F. Pimenta e Virgília Ferrão, oferecendo aos leitores moçambicanos um panorama da literatura contemporânea em língua portuguesa.

A obra resulta de uma iniciativa conjunta do Camões – Centro Cultural Português em Maputo e da Catalogus para assinalar as três décadas da CPLP, organização criada em Julho de 1996 e actualmente constituída por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Cada texto evidencia diferentes identidades, perspectivas e experiências, reflectindo a diversidade cultural que caracteriza o universo literário dos países lusófonos.

Na apresentação da colectânea, o director do Camões – Centro Cultural Português em Maputo, José Manuel Amaral Lopes, destaca que a celebração dos 30 anos da CPLP representa também a valorização de uma língua que aproxima povos, incentiva a criação literária e fortalece o diálogo intercultural, reafirmando a diversidade cultural como um dos maiores patrimónios da lusofonia. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


sábado, 18 de julho de 2026

Moçambique - Marracuene acolhe lançamento de “Coelhinho Enfeitiçado”, obra de Bora Chung traduzida por três criadoras moçambicanas

A primeira livraria do distrito de Marracuene, a Livroteca, recebe no próximo sábado, 18 de Julho, às 10h00, o lançamento da edição moçambicana de “Coelhinho Enfeitiçado”, da escritora sul-coreana Bora Chung. Publicada pela Editora Trinta Zero Nove, a obra ganha uma edição especial que destaca o trabalho de três mulheres moçambicanas responsáveis pela tradução, ilustração e narração do audiolivro, aproximando os leitores nacionais de uma das mais conceituadas vozes da literatura coreana contemporânea.


Finalista do prestigiado International Booker Prize, “Coelhinho Enfeitiçado” reúne dez contos que cruzam o terror, o realismo mágico, a ficção científica e o surrealismo para abordar temas como a solidão, a memória, o trauma, o amor e a condição humana. A edição moçambicana conta com tradução directa do coreano para português por Sandra Tamele, ilustração da capa assinada por Jesse Jane e narração do audiolivro por Camila “Kami” do Castelo, valorizando o talento nacional em diferentes áreas da criação artística.

O lançamento decorrerá em formato de conversa, reunindo as três criadoras para partilharem os bastidores do processo editorial e os desafios de transportar uma obra entre diferentes linguagens, da tradução à ilustração e da interpretação vocal. A sessão incluirá ainda a leitura de um excerto do livro e contará com a participação especial da Embaixada da Coreia em Maputo, que disponibilizou hanboks, trajes tradicionais coreanos, para a ocasião.

Com esta publicação, a Editora Trinta Zero Nove reforça o seu compromisso de promover a tradução literária, ampliar o acesso à literatura mundial e incentivar formatos como o audiolivro. O evento assinala igualmente mais um marco para a Livroteca, que continua a afirmar-se como um espaço de promoção da leitura, do diálogo intercultural e da valorização da criação literária em Moçambique. In “Moz Entretenimento” - Moçambique




sexta-feira, 17 de julho de 2026

UCCLA – Acolhe o lançamento do livro “Marrabenta - A Cadência de Moçambique” de Costa Neto

Vai acontecer no dia 24 de julho, às 17h30, a apresentação do livro Marrabenta - A Cadência de Moçambique da autoria de Costa Neto, no auditório da UCCLA.


Com a chancela da editora Chiado Books, a obra será apresentada pela arqueóloga Conceição Lopes.

Sinopse:

É um livro acessível ao leitor comum pela sua explícita dissertação, mas igualmente estruturado e recomendado para o ensino académico pelos seus ensaios técnicos complementares.

Um livro que proporciona uma concertação de ensaio e dissertação sobre um género de música moçambicana, a “Marrabenta”, resultante de pesquisas do autor no seu longo percurso de carreira profissional forjada numa experiência intensa, nacional e internacional.

Biografia do autor:

Costa Neto nasceu na Ponta do Ouro, a sul de Moçambique. É músico, compositor, intérprete, produtor e escritor. Radicado em Portugal há mais de três décadas, é considerado um dos maiores impulsionadores da música urbana moçambicana e da cultura lusófona.

Membro cofundador da Banda ABC 78 (1978), músico efetivo da Gestão Hoteleira/Moçambique (1978-1979), membro do Grupo 1 - Moçambique (1981), membro cofundador e diretor do Agrupamento Mbila/Moçambique (1982), diretor interino do Clube da Juventude/Maputo (1983-1988).

Fundador e coordenador do projeto filantrópico "FAZER" em 1996, em Portugal, patrocinado pelas Nações Unidas, com o envolvimento de artistas africanos (PALOP) residentes em Portugal, para além de personalidades e instituições públicas.

Co-padrinho de “Juntos Contra a Fome”, projeto de parceria CPLP e FAO de luta contra a fome nos países de língua oficial portuguesa.

Cofundador e presidente de Direção da “Razão d’Arte”, Associação Cultural dos Artistas da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa.

Autor dos hinos:

  • “A Lusófona”, dedicado às comunidades dos países de língua oficial portuguesa: 

https://www.youtube.com/watch?v=4eXzuoOknTE

  • “Juntos Contra a Fome” da campanha internacional de luta contra a fome nos países de língua oficial portuguesa da parceria CPLP-FAO:

https://www.youtube.com/watch?v=9anxtoJ_2lk  

Autor e intérprete da música “Mandjolo”, uma das mais emblemáticas músicas de Moçambique

Criador do projeto “Kanimambo Quero Um Abraço”, inspirado no contexto da solidariedade internacional às vítimas das intempéries em Moçambique e com intervenção social e sensibilização no âmbito da pandemia do Covid-19:

https://www.youtube.com/watch?v=ReIIFsydugQ


terça-feira, 14 de julho de 2026

Moçambique - Lucílio Manjate conquista doutoramento com 20 valores e defende mais literatura nas escolas

O escritor, docente e investigador moçambicano Lucílio Orlando Manjate alcançou a classificação máxima (20 valores) na defesa da sua tese de doutoramento na Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes da Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo).


A investigação, intitulada “Estudo das representações discursivas das narrativas sobre Magaíza: um contributo para a didáctica da língua portuguesa”, propõe uma mudança na forma como a língua portuguesa é ensinada em Moçambique, defendendo o regresso da literatura ao centro do processo de aprendizagem.

Numa entrevista concedida ao jornal O País, Manjate explica que a pesquisa analisa a forma como diferentes gerações de escritores moçambicanos representaram a figura do Magaíza e demonstra como essas narrativas podem ser utilizadas para melhorar o ensino da língua portuguesa. Para o investigador, a substituição de textos literários por conteúdos institucionais e exercícios gramaticais tem contribuído para as dificuldades de leitura, interpretação e comunicação observadas entre muitos estudantes.

O académico defende que a literatura deve ser usada não apenas para ensinar gramática, mas também para formar cidadãos críticos, alertando ainda para a reduzida presença de escritores moçambicanos contemporâneos nos programas escolares. Na sua perspectiva, uma reforma curricular que valorize a literatura nacional poderá tornar o ensino mais próximo da realidade social e cultural do país.

Além do reconhecimento académico, Lucílio Manjate destacou ao O País que concluiu o doutoramento sem bolsa de estudos, conciliando a investigação com a actividade docente e contando com o apoio da família para superar os desafios do percurso. Após alcançar a nota máxima, o escritor afirma que pretende continuar a desenvolver investigações sobre a figura do Magaíza em diferentes manifestações artísticas, como a música, o cinema e as artes plásticas. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


domingo, 12 de julho de 2026

Moçambique - Irene Mafalacusser vence Prémio Literário Carlos Morgado 2026

A escritora Irene Mafalacusser foi anunciada como a grande vencedora da 4.ª edição do Prémio Literário Carlos Morgado, com o conto A Mulher que Levou o Gago Consigo, tornando-se na primeira mulher a conquistar a distinção desde a criação do prémio, há quatro anos. O anúncio foi feito na quinta-feira, 9 de Julho, na cidade de Maputo, durante a cerimónia que revelou as dez novas vozes da literatura moçambicana.


Além de Irene Mafalacusser, foram distinguidos como finalistas Aldo Mondulai, Arnaldo Tembe, Chaponda Marcos, Elton Cumbi, Elton Mahumane, Ericson Sembua, Gilberto Quefaz, Gonçalves Nhauando e Neyd Amadeu. A vencedora recebeu um prémio monetário de 50 mil meticais, enquanto os restantes finalistas foram contemplados com certificados de participação, um conjunto de livros de autores moçambicanos e exemplares da colectânea Novas Vozes, Novas Estórias 2026, num valor total de cinco mil meticais para cada um.

A edição deste ano registou 196 contos submetidos por concorrentes de diferentes pontos do país. Destes, 117 textos passaram à fase de avaliação, 30 foram seleccionados como semifinalistas e, posteriormente, foram escolhidos os dez finalistas e a vencedora. Todos os contos distinguidos integrarão a colectânea Novas Vozes, Novas Estórias 2026, publicação que visa promover novos talentos da literatura nacional.

Constituído por Aissa Mithá, Bento Baloi e Marina Morgado, o júri destacou a qualidade das obras submetidas, provenientes das províncias de Cabo Delgado, Inhambane, Manica, Maputo Cidade, Maputo Província, Nampula, Niassa, Sofala e Tete, evidenciando o alcance nacional da iniciativa. Instituído pela Fundação Carlos Morgado e organizado pela Catalogus, o Prémio Literário Carlos Morgado tem como missão incentivar a criação literária e descobrir novos escritores moçambicanos. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


sexta-feira, 10 de julho de 2026

Moçambique – A Fundação Fernando Leite Couto apresenta “A Arte do Pensamento Crítico”, programa para 90 jovens dos PALOP

A Fundação Fernando Leite Couto, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e em parceria com os colectivos CACAU (São Tomé e Príncipe), Kino Yetu (Angola), Ur-GENTE (Guiné-Bissau) e o Instituto Pedro Pires (Cabo Verde) promove em 2026 A Arte do Pensamento Crítico, um programa dirigido a 90 jovens de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.


O crescimento do espaço digital ampliou a circulação de informação e a coexistência de múltiplas narrativas, tornando mais complexos os processos de interpretação de conteúdos e do mundo. Neste contexto, o pensamento crítico afirma-se como uma competência essencial para interpretar, questionar e enquadrar narrativas. A Arte do Pensamento Crítico parte desta realidade contemporânea e propõe um espaço de formação e criação centrado na relação entre o pensamento crítico e as linguagens artísticas contemporâneas.

O programa estrutura-se em masterclasses, oficinas práticas, sessões de mentoria e uma mostra pública de trabalhos desenvolvidos, dirigindo-se a jovens entre os 18 e os 30 anos, nacionais e residentes nos PALOP.

As masterclasses reúnem escritores, académicos, jornalistas e criadores como Francisco Noa, Eduardo Quive, Raquel Lima, Nástio Mosquito e Mehak Vieira, e abordam temas como pensamento crítico, desinformação, identidade, linguagem e circulação de narrativas no contexto contemporâneo. A sessão de abertura do ciclo de masterclasses estará a cargo de Mia Couto e Elísio Macamo.

Nas oficinas, os participantes desenvolvem trabalhos autorais em escrita, fotografia e vídeo, acompanhados por facilitadores como José dos Remédios, Luísa Nhamtunbo e João Graça, que intervêm directamente no processo de construção das ideias e na tomada de decisões estruturantes relativos ao que se pretende como resultado.

O percurso inclui ainda sessões de mentoria individual e acompanhamento do desenvolvimento dos trabalhos, promovendo o aprofundamento dos processos de criação e reflexão. O programa culmina numa mostra pública de trabalhos desenvolvidos, apresentando obras em diferentes linguagens (texto, fotografia, vídeo e storytelling) produzidas ao longo do percurso.

A Arte do Pensamento Crítico parte da ideia de que o pensamento crítico não é apenas uma competência individual, mas um processo activo de construção de sentido, em diálogo com as práticas artísticas contemporâneas. As candidaturas ao programa abrem em data a anunciar brevemente. In “Moz Entretenimento” - Moçambique



sábado, 20 de junho de 2026

Moçambique - Enfatiza unidade, inclusão e futuro da lusofonia em reunião na ONU

Conferência em Nova Iorque sobre ODS 16 liga paz, justiça e governação eficaz. Ministro aponta urgência de diálogo inclusivo, valorização de línguas e foco na independência da economia até 2030


Nova Iorque acolhe a Conferência do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16, ODS 16. Este ano, o lema é “Impulsionar a transformação e a ação coordenada para o desenvolvimento sustentável”.

O evento é coorganizado pela Itália, pela Divisão para Instituições Públicas e Governo Digital do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU e a organização intergovernamental dedicada à promoção do Estado de Direito, IDLO.

Visão de inclusão para os próximos anos

A lista dos países avaliados inclui apenas dois de língua portuguesa: Moçambique e Timor-Leste; Antes da apresentação, o ministro moçambicano da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, partilhou com a ONU News a visão de inclusão para os próximos anos assente em três bases.

“Neste encontro, aqui nas Nações Unidas, trazemos a nossa abordagem e a experiência moçambicana no quadro dos esforços de cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16, concretamente abordando as questões ligadas ao desenvolvimento sustentável, ligadas à paz e à justiça, mas também às questões de governação.”

O representante destacou as linhas de força que sustentam o crescimento previstos na Estratégia Nacional 2026-2044, uma visão na qual o país olha além das metas imediatas no fim desta década.

Resiliência ambiental

A primeira ação é a solidez financeira reestruturando a economia para garantir a sustentabilidade em longo prazo. A segunda é a adaptação ao clima ao integrar resiliência ambiental e resposta às mudanças climáticas no centro do planeamento.

Por fim, está a integração social para garantir que o crescimento económico se traduz em bem-estar real para a população, segundo Inocêncio Impissa.

O ministro mencionou o processo de diálogo nacional em curso que “foi desenhado para ser transversal e genuinamente participativo”.

“De facto, a consolidação da unidade nacional, que é um projeto grande no âmbito do diálogo nacional que está a ser feito, mas, acima de tudo, e como tem sido a linha geral do presidente da República para estes quatro anos que vêm, é a questão da criação das bases de desenvolvimento económico para a independência económica do nosso país, de Moçambique.”

O objetivo é garantir que a sociedade civil, comunidades e cidadãos sejam ouvidos. A premissa do ODS 16 de construir sociedades justas e inclusivas reflete-se na máxima assumida pelo ministério: em Moçambique, ninguém fica para trás.

O poder da lusofonia: cruzar línguas, unir nações

Com as celebrações dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, no horizonte, o ministro Impissa defendeu uma ponderação sobre a identidade e a inclusão etnolinguística.

Para Moçambique, a riqueza reside na diversidade. O desafio e a beleza do futuro da lusofonia passam por encontrar o ponto de equilíbrio perfeito onde a língua portuguesa se cruza com idiomas nacionais e locais, sem que estas percam o seu espaço ou valor.

“É sempre bom rever e também trocar algumas impressões sobre o que é que nós pensamos sobre a África, sobre a lusofonia e ver como é que, naturalmente, podemos aprofundar as nossas relações de irmãos.”

O encontro em Nova Iorque serve também como palco para reforçar os laços de fraternidade com países como Angola e Cabo Verde, desenhando uma estratégia conjunta para o desenvolvimento de África e do espaço lusófono.

O ministro de Moçambique disse que o país reafirma o seu compromisso com uma governação moderna, inclusiva, resiliente e profundamente orgulhosa das suas raízes. Eleutério Guevane – Moçambique ONU News


domingo, 14 de junho de 2026

Moçambique - Portugal disponibiliza conhecimentos e meios para o combate à pesca ilegal

O secretário de Estado das Pescas e do Mar português disse, na cidade de Maputo, que a pesca ilegal é um desafio global, estando Lisboa disponível para apoiar Moçambique com equipamentos e estudos para travar estes crimes nos seus mares


Não vale a pena Moçambique estar a comprar equipamentos que Portugal já tem, não vale a pena estar a estudar problemas que nós já estudámos. Nós estamos prontos, sim, para disponibilizar esses equipamentos, os resultados da nossa investigação científica, porque nós queremos mesmo que Moçambique olhe para o mar como um vetor estratégico, porque pode ser o mar o ponto de viragem para uma nova economia em Moçambique”, disse Salvador Malheiro.

O responsável falava em declarações à Lusa à margem da 3.ª Conferência da Economia Azul, que terminou sexta-feira, a propósito da pesca ilegal que afeta Moçambique, sobretudo ao longo do oceano Índico, defendendo ações coordenadas entre países para tentar travar este crime que Portugal também enfrenta.

“Nós, apesar de termos uma aposta muito maior na fiscalização e na colocação das forças de segurança no mar, também não temos o problema resolvido e este é um problema que temos que encarar de uma forma global e que temos que discutir as melhores formas de o atacar. Já percebemos que não é apenas com leis, é preciso muita fiscalização, mas sobretudo uma ação de sensibilização juntos dos pescadores, nacionais e internacionais”, alertando para as implicações do esgotamento dos recursos marinhos, declarou.

Relativamente a novos acordos para apoiar Moçambique no setor de mar e pescas, disse que está em preparação uma conferência “ao mais alto nível”, prevista para este ano, em Lisboa, indicando que nesse encontro os dois países vão estreitar relações nesta área.

“Em primeiro lugar, vamos colocar as nossas instituições de ciência e investigação científica a falar conjuntamente, quer as de Portugal, quer as de cá. Vamos colocar a respetiva autoridade marítima a conversar mutuamente, no sentido de nós termos partilha de informação, tecnologias e equipamentos. Por outro lado, vamos tentar ajudar Moçambique junto da Comissão Europeia, para que possamos ter um novo acordo (…) que defenda os interesses de Moçambique”, acrescentou.

Segundo o governante, na referida conferência serão mostradas as potencialidades de Moçambique aos empresários portugueses que querem investir neste setor.

Ao discursar no encerramento da conferência, Malheiro disse que Lisboa quer compatibilizar com Moçambique os regulamentos do setor de pescas e mar, colaborando na formação e ordenamento do espaço marítimo.

“Esta parceria bilateral tem algumas áreas que, na minha opinião, devem ser consideradas estratégicas, desde logo na compatibilização de regulamentos do setor das pescas, garantindo a sustentabilidade das capturas, abertura de novos mercados e o combate à pesca ilegal”, disse.

Portugal quer também parcerias com Moçambique no ordenamento do espaço marítimo, partilhando boas práticas de planeamento e de licenciamento sustentável, harmonizando e compatibilizando os diversos recursos do mar. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


quarta-feira, 10 de junho de 2026

Moçambique - Sérgio Langa e Joana Matenga apresentam obra sobre informação e televisão

Os académicos moçambicanos Sérgio Jeremias Langa e Joana Machuza Matenga vão lançar, no próximo dia 24 de Junho de 2026, a obra “INFOVULA: do Pauperismo Semântico à Qualidade da Informação da Televisão em Moçambique”, numa cerimónia agendada para as 17h45, na Galeria Porto de Maputo.


A publicação apresenta uma análise crítica sobre o panorama mediático nacional, abordando os desafios da qualidade da informação televisiva e os impactos do empobrecimento semântico nos conteúdos consumidos diariamente pelos cidadãos. A obra propõe uma reflexão aprofundada sobre o papel da televisão na formação da opinião pública e na construção do debate social em Moçambique.

A sessão de lançamento contará com apresentações e comentários dos académicos Régio Conrado e Ernesto Nhanale, que irão partilhar as suas perspectivas sobre os temas abordados no livro.

O evento é dirigido a profissionais da comunicação social, investigadores, estudantes, docentes e demais interessados nas áreas dos media, informação e comunicação.

A iniciativa é promovida pela Gala-Gala Edições, em parceria com iCaR Consultores e a Galeria Porto de Maputo. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Moçambique - Porto de Maputo reforça capacidade com nova infraestrutura de armazenagem de minérios

O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, inaugurou esta quarta-feira, no Porto de Maputo, o Slab 9A, uma nova infraestrutura de armazenagem de minérios no Terminal de Granéis Sólidos, avaliada em cerca de 9,9 milhões de dólares norte-americanos.


Com capacidade para acomodar mais de um milhão de toneladas por ano, a infraestrutura permitirá ao Porto de Maputo responder ao aumento da procura dos seus clientes, reforçar a sua competitividade regional e gerar benefícios económicos para o país, incluindo a criação de 51 postos de trabalho directos e indirectos adicionais.

Antes da inauguração, o governante visitou as obras de expansão do Terminal de Contentores da DP World Maputo, um projecto orçado em 164 milhões de dólares. A iniciativa prevê aumentar a capacidade do terminal dos actuais 225 mil TEU para 530 mil TEU por ano.

Durante a visita, foi apresentado o ponto de situação das obras, que registam cerca de 45% de execução global e se encontram na fase de cravação de estacas para a nova infraestrutura portuária. A entrada em operação está prevista para o primeiro trimestre de 2027.

Na ocasião, João Matlombe destacou a importância dos investimentos em curso para o fortalecimento do Corredor de Maputo e para o crescimento da economia nacional. Segundo o ministro, o aumento da capacidade portuária deve ser acompanhado por melhorias em toda a cadeia logística.

“A competitividade não é determinada por uma única infraestrutura. Não é o porto, isoladamente, que compete. É o corredor como um todo. Cada investimento que realizamos no porto deve ser acompanhado por ganhos equivalentes na ferrovia, na fronteira e nos sistemas que suportam o fluxo de mercadorias”, afirmou.

O ministro sublinhou ainda a necessidade de reforçar o transporte ferroviário, modernizar continuamente a fronteira de Ressano Garcia e integrar os sistemas logísticos para garantir maior competitividade do corredor.

Por sua vez, o Director Executivo da MPDC, Osório Lucas, afirmou que o investimento agora inaugurado surge para responder ao crescimento da procura pelos serviços do Porto de Maputo.

“Durante muitos anos, o desafio foi atrair carga para o Porto de Maputo. Hoje, o desafio é criar capacidade suficiente para acomodar a carga que pretende utilizar o Porto”, disse.

Segundo Osório Lucas, os volumes pretendidos pelos clientes já ultrapassam a capacidade actualmente disponível, tornando necessária a criação de novas áreas operacionais para evitar a perda de cargas para portos concorrentes da região.

O responsável anunciou igualmente que a MPDC prepara a próxima fase de expansão através do desenvolvimento do Slab 9B, um investimento estimado em cerca de 8,7 milhões de dólares, destinado a aumentar a capacidade do porto e responder ao crescimento sustentado da procura. In “O País” - Moçambique