Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 8 de agosto de 2026

Guiné Equatorial e Cuba ampliam a sua cooperação com novos projetos nas áreas de energia e pesca

O fortalecimento da cooperação bilateral foi o foco da audiência que o Vice-Presidente da República concedeu ao embaixador de Cuba na Guiné Equatorial

Os governos da Guiné Equatorial e de Cuba reafirmaram o seu compromisso de continuar a consolidar as suas relações de cooperação, após constatarem o progresso alcançado nos diversos projetos que ambos os países estão desenvolvendo em conjunto.

A avaliação foi feita durante uma reunião realizada na quinta-feira na residência oficial do chefe de Estado em Malabo, entre o vice-presidente da República, Nguema Mangue, e o embaixador cubano, Ángel Cordero.

Durante a reunião, que contou também com a presença dos Ministros de Estado dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e da Diáspora, Simeon Angué, e da Defesa, Victoriano Okomo, as delegações analisaram o grau de implementação dos acordos bilaterais, com especial atenção aos setores da agricultura, da educação e da saúde, considerados pilares da cooperação entre os dois países.

Na esfera social, Nguema Mangue destacou a contribuição dos profissionais cubanos que atuam na Guiné Equatorial, especialmente médicos e professores, cujo trabalho fortaleceu a saúde e a formação acadêmica no país. Ambos os lados também elogiaram o programa de bolsas de estudo que permite aos estudantes guineenses cursar o ensino superior em Cuba.

Como resultado do encontro, a Guiné Equatorial e Cuba manifestaram a sua vontade de expandir a cooperação para novos setores estratégicos, incluindo energia e pesca, com o objetivo de diversificar a colaboração bilateral e fortalecer uma relação diplomática que se mantém há mais de cinco décadas. Sinfórica Esodja – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


terça-feira, 28 de julho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde acelera valorização de terapias para tumores cerebrais

Quatro investigadoras do instituto concluíram um dos principais programas nacionais de transferência de tecnologia para projetos de investigação


Uma equipa de investigadoras do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto concluiu com sucesso a edição de 2026 do HiTech by HiSeedTech, um dos mais prestigiados programas nacionais de valorização e transferência de tecnologia para projetos deep tech com potencial de mercado.

O projeto GlioBrain-Plate, desenvolvido por Ana Olival, Cecília Ferreira e Diana Ribeiro, sob a liderança de Cláudia Martins, integra o grupo Nanomedicines and Translational Drug Delivery do i3S, liderado por Bruno Sarmento. “Estamos a desenvolver uma plataforma pré-clínica inovadora para o teste de novas terapias dirigidas a tumores cerebrais sólidos, com foco inicial no glioblastoma, o tumor cerebral maligno mais frequente e mortal em adultos”, explica Cláudia Martins.

A tecnologia reproduz, em laboratório, a interação entre a barreira hematoencefálica e o tumor, permitindo avaliar, em simultâneo, a capacidade de uma terapia atravessar esta barreira natural de proteção do cérebro e a sua eficácia terapêutica.

“Ao disponibilizar um modelo mais preditivo da resposta humana, o GlioBrain-Plate pretende acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos, reduzir os custos e riscos associados ao desenvolvimento clínico e contribuir para aumentar a probabilidade de sucesso de novas terapias para pacientes com tumores cerebrais”, sublinha a investigadora.

A participação no HiTech permitiu à equipa aprofundar competências em inovação, empreendedorismo e transferência de tecnologia ao longo de 18 semanas de formação, mentoria e contacto com a indústria, empreendedores e investidores. Entre todas as candidaturas submetidas a nível nacional, apenas 10 projetos foram selecionados para integrar a edição de 2026.

O programa terminou com a apresentação do pitch final no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, perante representantes da indústria, investidores, empreendedores e especialistas do ecossistema nacional de inovação. O percurso constituiu um passo importante na valorização da tecnologia desenvolvida pela equipa e na preparação da sua futura transferência para o mercado. Universidade do Porto - Portugal


domingo, 26 de julho de 2026

Portugal – Adultos têm nível baixo de vitamina D

Médico de família alerta que viver num dos países mais soalheiros da Europa não garante níveis adequados de vitamina D. Estilo de vida, envelhecimento e fatores de risco ajudam a explicar o fenómeno


Portugal é um dos países mais ensolarados da Europa, mas essa realidade não se traduz, necessariamente, em níveis adequados de vitamina D. Apesar das muitas horas de sol ao longo do ano, cerca de dois em cada três adultos portugueses apresentam níveis insuficientes desta vitamina, segundo um estudo representativo da população nacional.

À primeira vista, trata-se de um aparente contrassenso. Afinal, a vitamina D é produzida sobretudo através da exposição da pele à radiação ultravioleta B (UVB). Então, porque continua a deficiência a ser tão frequente?

Para Bruno Moreno, médico de família da Unidade de Saúde Familiar Coimbra Sul, a resposta está muito para além das condições climatéricas. “O verdadeiro paradoxo português não é a falta de sol. É continuarmos a encontrar níveis insuficientes de vitamina D num dos países mais soalheiros da Europa”, afirma.

O problema não acontece apenas no inverno

A ideia de que a deficiência de vitamina D é uma preocupação exclusiva dos meses mais frios continua enraizada, mas o médico explica que essa perceção está longe da realidade.

Embora o inverno reduza naturalmente a exposição solar, a insuficiência pode manter-se durante todo o ano. A produção de vitamina D depende de vários fatores, como a idade, a pigmentação da pele, a área corporal exposta, a intensidade da radiação solar e o tempo de exposição. A alimentação e, quando indicada clinicamente, a suplementação também desempenha um papel importante.

Passamos cada vez menos tempo ao sol

Uma das principais razões para este fenómeno é a mudança dos estilos de vida. Hoje, a maioria das pessoas passa grande parte do dia em ambientes fechados, seja no trabalho, na escola ou durante as deslocações. Mesmo no verão, a exposição solar efetiva acaba por ser muito inferior à percecionada.

“O número de horas de sol disponível não corresponde, necessariamente, ao tempo em que a nossa pele está efetivamente exposta à radiação que permite produzir vitamina D”, explica Bruno Moreno.

Ao mesmo tempo, a crescente consciencialização para os riscos da exposição solar levou a uma maior utilização de protetor solar e de outras medidas de fotoproteção.

Segundo o médico, esta evolução é positiva e não deve ser posta em causa. “A mensagem não é expormo-nos mais ao sol sem proteção, mas compreender que a simples existência de muitas horas de sol não garante, por si só, níveis adequados de vitamina D.”

Um problema silencioso

Na maioria dos casos, a insuficiência de vitamina D não provoca sintomas evidentes, o que faz com que muitas pessoas desconheçam que apresentam níveis baixos.

Quando a deficiência é mais acentuada e prolongada, pode surgir fraqueza muscular, dores ósseas e um aumento do risco de quedas e fraturas, sobretudo entre a população idosa.

A importância da vitamina D na saúde óssea está bem estabelecida, uma vez que é essencial para a absorção do cálcio e para a manutenção da resistência do esqueleto.

Quem está mais vulnerável?

Embora qualquer pessoa possa apresentar níveis insuficientes, existem grupos que requerem maior vigilância clínica.

Entre eles encontram-se os idosos, pessoas institucionalizadas ou com mobilidade reduzida, pessoas com obesidade, doentes com patologias que dificultam a absorção intestinal e quem toma medicamentos que interferem com o metabolismo da vitamina D.

Nestes casos, a avaliação médica individualizada assume particular relevância.

Nem toda a gente precisa de fazer análises

Perante a elevada prevalência de insuficiência, pode parecer lógico defender o rastreio universal da vitamina D. No entanto, essa não é a recomendação da evidência científica atual.

Bruno Moreno sublinha que os adultos saudáveis não devem realizar análises por rotina apenas para avaliar os níveis desta vitamina.

“A decisão de dosear a vitamina D deve resultar da avaliação clínica e da existência de fatores de risco”, afirma, defendendo uma abordagem personalizada que evite exames e tratamentos desnecessários.

Mais literacia, menos mitos

Para o médico de família, o principal desafio passa por aumentar a literacia em saúde sobre este tema, combatendo a ideia de que viver num país com muito sol é suficiente para garantir bons níveis de vitamina D.

A mensagem, conclui, é simples: mais do que contar as horas de sol, importa compreender os fatores de risco, adotar estilos de vida saudáveis e recorrer à avaliação médica sempre que exista indicação clínica. Num país onde o sol nunca falta, o verdadeiro desafio pode estar, afinal, na forma como vivemos e não na quantidade de luz que recebemos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 20 de julho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde descobre como o cancro do estômago convence a gordura a alimentá-lo

Estudo abre caminho ao desenvolvimento de terapias capazes de bloquear a troca de mensagens entre as células tumorais e as células do tecido adiposo


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto identificou uma nova forma de comunicação entre as células do cancro do estômago e as células do tecido adiposo, isto é, as células de gordura. Os resultados do estudo, publicados na revista Extracellular Vesicles and Circulating Nucleic Acids, mostram como esta interação pode ser responsável pelo fornecimento de energia às células tumorais, favorecendo a progressão da doença.

“Sabe-se que as células cancerígenas comunicam constantemente com os tecidos à sua volta, criando condições que favorecem o desenvolvimento da doença”, explica Celso Reis, coordenador do grupo de investigação do i3S Glycobiology in Cancer. No entanto, existem ainda muitas perguntas por responder sobre como essa comunicação acontece.

Neste estudo, os investigadores analisaram células de cancro do estômago que apresentam à superfície uma molécula de açúcar chamada sialyl-Tn (STn), frequentemente encontrada em tumores mais agressivos. “Verificámos que estas células libertam pequenas partículas, conhecidas como vesículas extracelulares, que funcionam como «mensagens» enviadas para outras células do organismo”, refere Daniela Freitas, investigadora do i3S e coordenadora do estudo. Quando estas partículas chegam às células de gordura, provocam alterações no seu funcionamento. Como resultado, o tecido adiposo começa a libertar mais ácidos gordos, moléculas ricas em energia que podem ser aproveitadas pelas células tumorais.

“Observámos que as células cancerígenas conseguem adaptar-se para utilizar essa gordura como combustível. Ao terem acesso a esta fonte adicional de energia, tornam-se mais móveis e podem ganhar uma maior capacidade de invadir os tecidos vizinhos”, sublinha Cátia Ramos, primeira autora do estudo.

O trabalho identificou ainda a molécula STn como um elemento central neste processo de comunicação. Esta descoberta, garantem os investigadores do i3S, poderá abrir caminho ao desenvolvimento de novas terapias capazes de bloquear a troca de mensagens entre as células cancerígenas e as células de gordura, dificultando o acesso do tumor a esta fonte de energia.

Além do seu potencial impacto no controlo da progressão do cancro, esta investigação poderá também contribuir para combater problemas frequentemente associados à doença, como a perda acentuada de peso, de massa muscular e de gordura corporal, afetando de forma significativa a qualidade de vida e a sobrevivência dos doentes com cancro.

Ao revelar esta nova forma de interação entre o tumor e os tecidos que o rodeiam, o trabalho do i3S reforça a importância de compreender não apenas as células cancerígenas, mas também o ambiente em que estas se desenvolvem. Universidade do Porto - Portugal

 


segunda-feira, 13 de julho de 2026

Portugal - Estudo do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde abre caminho para atrasar o envelhecimento do sistema imunitário

Cientistas identificaram proteínas essenciais para preservar a função do timo e a produção de células T


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto descobriu um mecanismo fundamental que ajuda o timo, um órgão central do sistema imunitário, a manter-se funcional ao longo da vida. Os resultados, publicados na prestigiada revista Cell Death & Differentiation, ajudam a explicar por que é que o sistema imunitário enfraquece com a idade e poderão contribuir para novas estratégias terapêuticas destinadas a promover um envelhecimento mais saudável.

O timo é um pequeno órgão localizado acima do coração que desempenha uma função essencial: é nele que se formam e se “treinam” as células T, um dos principais pilares das defesas do organismo contra infeções e cancro. Apesar da sua importância, o timo começa a perder tamanho e atividade logo após a adolescência. “Sabemos há muito tempo que o timo perde capacidade com a idade, diminuindo a resposta a vacinas e a nossa resistência contra infeções e cancro. No entanto, ainda não compreendemos os mecanismos que ajudam este órgão a manter-se funcional. Este estudo identifica peças-chave desse processo”, explica Nuno Alves, coordenador do trabalho.

A equipa descobriu que existem duas proteínas (ZFP36L1 e ZFP36L2) fundamentais para preservar o funcionamento das células que sustentam a estrutura do timo e permitem a formação adequada das células T. A equipa demonstrou também que os níveis destas proteínas diminuem naturalmente com a idade, reforçando a ideia de que podem estar envolvidas no processo de envelhecimento do sistema imunitário. Os cientistas acreditam que estas descobertas poderão abrir caminho a novas estratégias terapêuticas para atrasar ou contrariar a perda de função do timo.

“O objetivo não é apenas compreender como envelhece o sistema imunitário, mas também encontrar formas de o manter mais competente durante mais tempo. Se conseguirmos preservar a função do timo, poderemos contribuir para melhorar a resposta do organismo às infeções, às vacinas e até a algumas terapias contra o cancro”, sublinha Nuno Alves.

Para chegar a esta conclusão, os investigadores utilizaram modelos animais e ferramentas genéticas avançadas. Quando as duas proteínas foram removidas, o timo envelheceu precocemente, perdeu capacidade para produzir células T e deixou de assegurar um funcionamento adequado do sistema imunitário. “Observámos que, sem estas proteínas, o timo começa a apresentar, muito cedo, características normalmente associadas ao envelhecimento. Isso sugere que desempenham um papel essencial na preservação da função deste órgão ao longo da vida”, afirma o investigador.

Para a equipa do i3S, o trabalho representa um passo importante na compreensão dos processos biológicos que influenciam a saúde ao longo do envelhecimento: “Durante muitos anos, o timo foi visto como um órgão importante apenas na infância. Sabe-se agora que indivíduos com um timo mais funcional podem estar mais protegidos contra doenças e responder melhor a terapias inovadoras, incluindo imunoterapias contra o cancro. Por isso, quanto melhor compreendermos o seu funcionamento, mais perto estaremos de desenvolver estratégias que ajudem a envelhecer melhor com um sistema imunitário mais forte”, conclui o investigador. Universidade do Porto - Portugal


terça-feira, 7 de julho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde valida estratégia para vacinas contra cancro colorretal

Estudo identificou vulnerabilidades persistentes em tumores colorretais e fornece bases para o desenvolvimento de imunoterapias personalizadas


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto identificou vulnerabilidades imunológicas persistentes em tumores colorretais que poderão ser exploradas no desenvolvimento de vacinas terapêuticas personalizadas contra o cancro.

O estudo, agora publicado na prestigiada revista científica Gut, centrou-se em tumores colorretais conhecidos por produzirem muitos neoantigénios, isto é, moléculas alteradas que podem ser reconhecidas pelo sistema imunitário como sinais de perigo. Na maioria das situações, o sistema imunitário consegue interpretar esses sinais e eliminar completamente as células tumorais.

O problema surge quando este mecanismo falha. “Nesses casos, o tumor promove um ambiente imunossupressor que impede o sistema imunitário de completar a tarefa e, por isso, o tumor desenvolve-se”, explica Helena Xavier Ferreira, primeira autora do artigo.

Apesar de o tumor crescer, ele não deixa de ser reconhecido pelo sistema imunitário. Na verdade, muitas das suas células sofrem mutações que resultam na produção de mais neoantigénios. “O desafio passa a ser ajudar o sistema imune adormecido pelo ambiente imunossupressor a fazer aquilo que já sabe fazer: atacar estas células com neoantigénios”, acrescenta Carlos Resende, um dos autores seniores do artigo.

Esta descoberta tem importantes implicações clínicas. Ao identificar os neoantigénios que provocam uma verdadeira resposta imunológica, este trabalho fornece conhecimento fundamental para o desenvolvimento de vacinas terapêuticas contra o cancro. Estas vacinas são concebidas a partir das características genéticas específicas de cada tumor.

“Estamos perante uma das expressões mais avançadas da medicina personalizada. Cada vacina tem de ser desenhada para um doente específico, tendo em conta as mutações e os neoantigénios presentes no seu tumor. Uma mesma vacina não será eficaz em doentes diferentes”, sublinha José Carlos Machado, coordenador do grupo de investigação.

Além de contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas, este trabalho ajuda a compreender melhor a forma como os tumores evoluem sob a pressão exercida pelo sistema imunitário. Os resultados reforçam a perspetiva de uma nova geração de imunoterapias personalizadas, capazes de explorar as vulnerabilidades únicas de cada tumor e de potenciar a capacidade natural do organismo para combater o cancro. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 6 de julho de 2026

Timor-Leste e Singapura reforçam diálogo político e cooperação em vários sectores

Timor-Leste e Singapura decidiram na sexta-feira reforçar o diálogo político e a cooperação nos setores da economia, educação e saúde no âmbito da primeira visita de um primeiro-ministro daquele país a Díli


“Singapura tem sido um parceiro de confiança e um amigo de Timor-Leste. Tem apoiado o nosso povo, as nossas instituições e a nossa preparação para a adesão à ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático]”, afirmou Xanana Gusmão, em conferência de imprensa, após um encontro com o seu homólogo, Lawrence Wong.

“Timor-Leste espera dar continuidade aos resultados desta visita, incluindo nas áreas da cooperação no âmbito da ASEAN, mobilidade laboral, educação, saúde, investimento, conectividade e assuntos regionais”, salientou o líder timorense.

Durante o encontro, Singapura anunciou também a intenção de abrir determinados setores da sua economia a trabalhadores timorenses. “É um anúncio importante. Representa um desenvolvimento muito significativo nas relações entre os nossos dois países”, afirmou Xanana Gusmão, que destacou que será uma oportunidade para os trabalhadores timorenses adquirirem competências e experiência profissional.

O primeiro-ministro de Singapura considerou a visita como “histórica” por ser a primeira que um chefe de Governo do seu país faz a Díli, mas também por se realizar durante o primeiro ano em que Timor-Leste é membro de pleno direito da ASEAN.

“Singapura sente-se privilegiada por poder acompanhar Timor-Leste no seu percurso de construção da nação”, disse Lawrence Wong, recordando que o apoio do seu país começou ainda antes da restauração da independência.

Lawrence Wong disse também que Singapura vai continuar a apoiar Timor-Leste na integração regional e reforçar o programa para preparar a presidência de Timor-Leste da ASEAN.

Sobre a mobilidade laboral, o chefe do Governo de Singapura salientou que é uma iniciativa “vantajosa para ambas as partes”. “Timor-Leste é uma nação jovem, mas acreditamos que possui um enorme potencial de desenvolvimento e crescimento. Singapura fará a sua parte para ajudar Timor-Leste a ter sucesso”, salientou.

No âmbito da visita foi também assinado um memorando de entendimento para estabelecer consultas bilaterais entre os ministérios dos Negócios Estrangeiros de ambos os países.

Lawrence Wong chegou quinta-feira a Timor-Leste para uma visita de 24 horas, que terminou sexta-feira com um banquete oficial.

Antes do encontro com o primeiro-ministro, Lawrence Wong recebeu o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste no Palácio da Presidência e reuniu-se com o chefe de Estado, José Ramos-Horta. Na altura, José Ramos-Horta salientou que “Singapura tem sido um parceiro inabalável” no percurso de construção de Timor-Leste e disse estar convicto de que a visita de Lawrence Wong “abrirá novos e estimulantes capítulos” nas relações bilaterais. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde inova no tratamento da leucemia mieloide aguda

Nova estratégia terapêutica que potencia quimioterapia contra a leucemia mieloide aguda deverá ser testada em colaboração com o IPO Porto


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto identificou uma nova estratégia terapêutica, agora publicada na Science Translational Medicine, que pode melhorar a eficácia da quimioterapia e reduzir complicações graves associadas ao tratamento da leucemia mieloide aguda.

O grupo, liderado por Delfim Duarte, provou que a administração de transferrina, uma proteína que transporta ferro pela corrente sanguínea, em conjunto com a quimioterapia, melhora a recuperação da medula óssea, aumenta a sobrevivência e reduz as complicações infecciosas associadas à terapia convencional.

A leucemia mieloide aguda é tratada, na maioria dos casos, com quimioterapia intensiva. “Apesar de eliminar células cancerígenas com eficácia, este tratamento provoca toxicidade elevada, nomeadamente a acumulação excessiva de ferro nos tecidos”, explica 0 hematologista do IPO Porto e líder do grupo de investigação Hematopoiesis and Microenvironments do i3S.

Neste estudo, os investigadores testaram a administração de apotransferrina humana, uma forma de transferrina sem ferro, para captar esse mineral em excesso e redistribuí-lo para células saudáveis da medula óssea e do sistema imunitário.

Utilizando vários modelos experimentais, incluindo ratinhos com leucemia, a equipa demonstrou que esta abordagem reduz significativamente os níveis de ferro tóxico circulante após a quimioterapia.

Nova terapia reforça combate a infeções graves

A equipa estudou ainda a segurança desta estratégia no contexto de infeção grave, uma das principais causas de morte em doentes com leucemia mieloide aguda.

Num modelo experimental de infeção por E. coli, os animais tratados com apotransferrina sobreviveram mais tempo. “Não porque se eliminaram as bactérias, mas devido a uma resposta inflamatória mais controlada. A apotransferrina reduziu a inflamação excessiva, ajudando o organismo a lidar melhor com a infeção”, esclarece Marta Lopes, primeira autora do estudo.

Com base nestes “dados pré-clínicos promissores”, a equipa espera poder avançar, num futuro próximo, com um ensaio clínico, em colaboração com a unidade de ensaios de fase precoce do IPO Porto, que avalie o uso da transferrina como terapêutica adjuvante à quimioterapia.

“O objetivo é avaliar, de forma preliminar, a segurança e a eficácia desta combinação [transferrina e quimioterapia] em doentes com leucemia mieloide aguda”, conclui Delfim Duarte. Universidade de Porto


segunda-feira, 22 de junho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde lidera projeto para inovar no tratamento do glioblastoma

Projeto para desenvolver nanomedicinas ativadas por ultrassons recebeu financiamento de 150 mil euros do Programa UT Austin Portugal


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto recebeu financiamento do Programa UT Austin Portugal para desenvolver um projeto orientado para o «Tratamento do glioblastoma através de nanoterapias baseadas em estruturas orgânicas ligadas por pontes de hidrogénio para libertação local de bevacizumab ativada por ultrassons». Este projeto foi um dos selecionados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito de uma iniciativa de colaboração internacional com a University of Texas at Austin (UT Austin).

Com um financiamento total de 150 mil euros, dos quais 50 mil euros são assegurados pela FCT e 100 mil euros pela UT Austin, o projeto resulta de uma colaboração entre o grupo de investigação Nanomedicines & Translational Drug Delivery do i3S e o Department of Biomedical Engineering da universidade norte-americana, sendo coordenado em Portugal por Bruno Sarmento e, nos EUA, pelo investigador e professor Huiliang Wang.

“O projeto pretende desenvolver uma nova geração de nanomedicinas inteligentes para o tratamento do glioblastoma, um dos tumores cerebrais mais agressivos e difíceis de tratar”, explica Ana Catarina Pacheco, investigadora do i3S.

A estratégia combina nanopartículas inovadoras com ultrassons direcionados para permitir a libertação localizada e controlada de bevacizumab. Este medicamento reduz a formação de vasos sanguíneos que alimentam o tumor e promovem o seu crescimento.

A equipa vai recorrer a estruturas orgânicas ligadas por pontes de hidrogénio (Hydrogen-bonded Organic Frameworks, HOF), materiais supramoleculares altamente biocompatíveis capazes de encapsular proteínas terapêuticas e responder a estímulos externos. Quando expostas a ultrassons direcionados, estas nanopartículas sofrem alterações estruturais que desencadeiam a libertação do fármaco apenas na região do tumor.

“Esta abordagem permite separar a distribuição sistémica do medicamento da sua ativação terapêutica”, acrescenta a investigadora do i3S Cláudia Martins.

“O bevacizumab circula encapsulado e inativo no organismo, sendo libertado apenas no local pretendido através da aplicação de ultrassons. Desta forma, espera-se reduzir significativamente os efeitos adversos associados à terapêutica convencional e aumentar a eficácia do tratamento”, conclui.

Combater o glioblastoma com “maior precisão terapêutica”

O glioblastoma caracteriza-se por uma elevada vascularização e por uma grande resistência aos tratamentos atualmente disponíveis. Embora o bevacizumab seja utilizado na prática clínica para controlar a progressão da doença, a sua administração sistémica pode provocar várias complicações, incluindo hipertensão, formação de coágulos sanguíneos e hemorragias. Além disso, o cérebro possui uma barreira protetora que limita a quantidade de medicamento que chega ao tumor.

Para ultrapassar estes desafios, os investigadores vão desenvolver e otimizar nanopartículas capazes de transportar o fármaco de forma segura até ao cérebro e libertá-lo apenas depois de ativado por ultrassons. O projeto inclui estudos em modelos celulares 3D e em modelos animais de glioblastoma, permitindo avaliar a eficácia terapêutica, a segurança sistémica e o impacto da estratégia na progressão tumoral e na sobrevivência.

Segundo Bruno Sarmento, este financiamento representa também uma oportunidade para consolidar uma linha de investigação que o grupo tem vindo a desenvolver nos últimos anos na área da nanomedicina para o tratamento de tumores cerebrais.

“Este projeto permitirá dar continuidade ao trabalho que temos realizado no desenvolvimento de sistemas avançados de libertação de fármacos para o glioblastoma, explorando agora uma abordagem inovadora que combina nanotecnologia e ultrassons para alcançar uma maior precisão terapêutica”, explica o líder do grupo de investigação.

O Concurso de Projetos Exploratórios 2025 dos programas UT Austin Portugal financiou um total de oito projetos, de 41 candidaturas, correspondendo a um investimento global de quase 400 mil euros, integralmente financiado pela FCT. Universidade do Porto - Portugal


quinta-feira, 18 de junho de 2026

Angola – Município de Viana vacina mais de 17 mil pessoas no primeiro dia da campanha contra a cólera

O município de Viana registou, no primeiro dia da campanha de vacinação contra a cólera, um total provisório de 17.800 pessoas imunizadas, correspondendo a 20,9 por cento da população-alvo estimada em 87.733 cidadãos.


A informação foi avançada pela Administração Municipal de Viana, através da Direcção Municipal da Saúde, que mobilizou 63 equipas de vacinação para a implementação da campanha. As brigadas, compostas por vacinadores, registradores e mobilizadores, contaram ainda com o apoio de 13 supervisores.

As acções decorreram em mercados, praças, igrejas, passadeiras pedonais e através de visitas porta-a-porta, com maior incidência na zona da Comarca de Viana, considerada uma das áreas prioritárias da campanha.

Dos 17.800 cidadãos vacinados, 4373 são crianças com idades compreendidas entre 1 e 5 anos, enquanto 13.427 têm mais de 5 anos de idade. Segundo as autoridades locais, os números demonstram uma adesão significativa da população às medidas de prevenção e combate à cólera.

As actividades foram acompanhadas por equipas da Direcção Nacional de Saúde Pública, do Governo Provincial de Luanda, da Organização Mundial da Saúde, bem como pela Equipa Técnica Municipal, sob coordenação da directora municipal da Saúde, Rosa Manuel. In “O País” - Angola


segunda-feira, 15 de junho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde descobre função “escondida” do ADN associada a doença neurodegenerativa

A ataxia espinocerebelosa tipo 37 é uma doença neurodegenerativa genética rara, cujos sintomas se assemelham aos da doença de Machado-Joseph


Apenas uma pequena parte do nosso ADN (cerca de 2%) contém instruções para a produção de proteínas. Durante muitos anos, pensou-se que os restantes 98% não tinham qualquer função e, por isso, foram considerados «junk DNA» (ADN lixo, em português). Hoje, porém, sabe-se que isto não é verdade, embora muito deste ADN permaneça ainda um mistério. Uma equipa de cientistas do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, liderada por Isabel Silveira e José Bessa, tem tentado desvendá-lo, descobrindo recentemente que uma pequena região deste ADN controla a atividade do gene DAB1, essencial para o desenvolvimento e para o funcionamento do cérebro.

O trabalho, agora publicado na revista Cell Reports, revela que esta região não codificante do genoma funciona como um elemento regulador chamado enhancer, o qual controla a ativação do gene DAB1 nas células nervosas. “Este gene faz parte de um sistema que ajuda os neurónios a encontrar o seu lugar no cérebro e a formar ligações corretas entre si”, explica a investigadora Isabel Silveira.

Os cientistas demonstraram, assim, que, na ataxia espinocerebelosa tipo 37 (SCA37), uma doença degenerativa hereditária rara, ocorre o aparecimento anormal de uma pequena sequência de ADN que se repete várias vezes [A, T, T, T, C] precisamente neste enhancer. Longe de ser uma alteração neutra, esta mutação faz com que o gene fique demasiado ativo, levando a uma produção excessiva de DAB1 nos neurónios, com efeitos prejudiciais para a saúde.

Para perceber o impacto desta alteração, a equipa recorreu a diferentes modelos experimentais. “Em células do sistema nervoso de doentes com esta ataxia, obtidas em laboratório, observámos níveis significativamente mais elevados do gene DAB1. Em paralelo, em embriões de peixe-zebra, verificámos que o aumento deste gene afeta o crescimento e a direção dos axónios, estruturas essenciais para a comunicação entre neurónios”, conta Joana Loureiro, primeira autora do estudo. Estas alterações ajudam a explicar as dificuldades motoras características da doença, como a perda de equilíbrio, coordenação motora e fala.

O estudo mostra ainda que esta mutação atua através de um mecanismo particularmente complexo. “Por um lado, altera a forma como o ADN controla a atividade dos genes. Por outro lado, a sequência repetitiva gera moléculas anormais que se acumulam nas células e interferem com o funcionamento normal de proteínas importantes”, acrescenta Isabel Silveira.

Além do aumento de DAB1, os investigadores identificaram alterações na atividade de vários outros genes envolvidos em funções essenciais do sistema nervoso. “Estes efeitos em cadeia poderão ajudar a explicar a sobreposição de sintomas entre esta ataxia e outras doenças neurológicas, como a Doença de Machado-Joseph”, sublinha a investigadora do i3S.

Outro aspeto relevante deste trabalho é a importância das sequências repetitivas do genoma humano. “Durante décadas, estes elementos foram considerados sem função, mas agora acredita-se que podem desempenhar papéis reguladores importantes. Quando alterados, como neste caso, podem contribuir diretamente para o desenvolvimento de doença”, conclui o investigador José Bessa.

Este estudo abre novas perspetivas na compreensão de doenças genéticas associadas ao aumento do número de repetições de pequenas sequências de ADN e destaca a importância de olhar para além dos genes propriamente ditos, explorando também as regiões que controlam a sua atividade. No futuro, este conhecimento poderá contribuir para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais direcionadas e eficazes. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 8 de junho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde desenvolve Inteligência Artificial que aprende a comunicar com neurónios

O projeto NeuroSAFE vai ser financiado com cerca de 100 mil euros no âmbito do Concurso de Projetos Exploratórios 2025 do Programa CMU Portugal


O investigador Paulo Aguiar, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, vai liderar um novo projeto financiado em cerca de 100 mil euros pelo Concurso de Projetos Exploratórios 2025 do Programa CMU Portugal. O projeto intitulado NeuroSAFE foi um dos sete selecionados para financiamento pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito desta iniciativa de colaboração internacional com a Carnegie Mellon University (CMU).

“O projeto NeuroSAFE pretende desenvolver novos métodos de inteligência artificial (IA) para controlar a atividade de neurónios, de forma segura e adaptativa”, explica o líder do grupo de investigação Neuroengineering and Computational Neuroscience do i3S. A ideia é criar algoritmos que observam continuamente a atividade dos neurónios, tomam decisões sobre quando e como estimulá-los e ajustam essas decisões com base na resposta obtida. Este processo acontece em tempo real, funcionando de forma semelhante a um sistema que aprende com a experiência e melhora gradualmente o seu desempenho.

Esta abordagem poderá contribuir para o desenvolvimento de futuras gerações de sistemas de estimulação cerebral profunda, utilizados, por exemplo, no tratamento da doença de Parkinson e de outras perturbações neurológicas.

“Como estes algoritmos não podem ser desenvolvidos diretamente com pacientes, a equipa recorrerá a plataformas brain-on-chip”, acrescenta Paulo Aguiar. Estas plataformas funcionam como pequenos laboratórios onde neurónios vivos são cultivados e ligados a sensores capazes de registar e estimular a sua atividade elétrica. Isto permite aos investigadores treinar os algoritmos em condições controladas e seguras.

O projeto resulta de uma colaboração entre o i3S e o Department of Electrical and Computer Engineering (ECE) da Carnegie Mellon University, sendo coordenado por Paulo Aguiar em Portugal e por Yorie Nakahira na instituição norte-americana. Para o investigador do i3S, este financiamento representa também uma oportunidade para reforçar a cooperação científica internacional e lançar bases para futuros desenvolvimentos na área das neurotecnologias. “

Este financiamento é particularmente importante porque permite estreitar a colaboração entre o i3S e a CMU, gerar dados preliminares e desenvolver ferramentas computacionais que poderão contribuir para futuras neurotecnologias inteligentes e personalizadas”, sublinha Paulo Aguiar.

Os resultados provisórios dos Concursos de Projetos Exploratórios 2025 dos programas CMU Portugal e UT Austin Portugal contemplam um total de 15 projetos, correspondendo a um investimento global de quase 800 mil euros, integralmente financiado pela FCT. No caso concreto do Programa CMU Portugal, foram apoiados sete projetos na área das Tecnologias de Informação, entre 36 candidaturas submetidas.

Desde 2017, o programa já financiou 42 projetos, contribuindo para reforçar a competitividade internacional e a capacidade de inovação científica e tecnológica de Portugal. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 25 de maio de 2026

Internacional - Obesidade estabiliza e até diminui em vários países, aponta estudo epidemiológico global

Análise mundial desde 1980 - que conta com a participação de investigadores da Universidade de Coimbra - revela desaceleração histórica na Europa Ocidental, incluindo Portugal, mas alerta para o aumento do problema em regiões desfavorecidas


Um estudo internacional publicado na revista Nature, que conta com o contributo de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), revela que a evolução da obesidade a nível global mostra sinais de estabilização e até de possível inversão em vários países de elevado rendimento, após décadas de crescimento acelerado.

A investigação, liderada pelo NCD Risk Factor Collaboration (NCD-RisC) em parceria com a Imperial College London, analisou a evolução da obesidade em 200 países e territórios entre 1980 e 2024, com base numa das mais abrangentes bases de dados epidemiológicos alguma vez reunidas nesta área, integrando informação proveniente de milhares de estudos populacionais e de centenas de milhões de participantes.

Os resultados mostram que, após um aumento rápido e sustentado da prevalência da obesidade ao longo das últimas décadas do século XX, observa-se um abrandamento claro desse crescimento na maioria dos países de elevado rendimento. Em diversos contextos, verifica-se mesmo uma estabilização das taxas e, em alguns casos, sinais de diminuição, particularmente entre crianças e adolescentes, com reflexos posteriores nas populações adultas. Entre os países onde estas tendências são mais evidentes incluem-se alguns exemplos da Europa Ocidental, como Portugal, França e Itália.

Segundo os autores, estes padrões sugerem que a ideia de uma “epidemia global de obesidade” pode ser uma simplificação excessiva, na medida em que esconde trajetórias muito distintas entre países e regiões, influenciadas por fatores sociais, económicos e, em particular, pela disponibilidade e acessibilidade a alimentos saudáveis.

Apesar destes sinais encorajadores em alguns contextos, o estudo sublinha que a obesidade continua a aumentar de forma consistente em muitos países de baixo e médio rendimento, com especial incidência em várias regiões de África, Ásia, América Latina e em ilhas do Pacífico e das Caraíbas, evidenciando uma forte desigualdade global na evolução deste problema de saúde pública.

Para o professor Majid Ezzati, coordenador do estudo no Imperial College London, os resultados demonstram que “o aumento da obesidade não é inevitável e pode ser travado, ou mesmo invertido, através de políticas adequadas”. Ainda assim, o investigador alerta que os níveis atuais permanecem elevados e que as desigualdades entre regiões continuam a ser muito significativas.

Na mesma linha, Aristides Machado-Rodrigues, co-autor do estudo e investigador do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e docente da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da UC, sublinha que “analisar não apenas a prevalência, mas também a velocidade de mudança da obesidade ao longo do tempo, permite identificar com maior precisão os contextos onde são necessárias intervenções mais urgentes, nomeadamente através de políticas públicas robustas nas áreas da saúde e da alimentação, capazes de acompanhar as transições económicas, tecnológicas e nutricionais em curso”.

O trabalho contou ainda com a participação de outros docentes e investigadores da UC, nomeadamente Cristina Padez e Daniela Rodrigues, da FCTUC, Helena Nogueira, da Faculdade de Letras, e Luísa Macieira, Lélita Santos e Anabela Mota-Pinto, da Faculdade de Medicina. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 11 de maio de 2026

Portugal – Universidade do Porto lidera estudo para mitigar desigualdades no acesso à Saúde

Trabalho inovador, coordenado por investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, vai estar em destaque na oitava sessão do Centro de Conferências da U.Porto


É possível mitigar as desigualdades no acesso à Saúde. Para tal, um grupo de investigação liderado por Sílvia Fraga, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), está a estudar e a procurar determinar as causas estruturais que moldam a saúde da população do Porto, freguesia a freguesia, a fim de procurar soluções que permitam, a nível global, corrigir também a reprodução desta injustiça.

O trabalho realizado pelo grupo de investigação em “Adversidade Social e Desigualdades em Saúde” do ISPUP vai ser apresentado por Sílvia Fraga na oitava sessão do Centro de Conferências da U.Porto, que terá lugar no dia 21 de maio, às 17h00, no Salão Nobre da Reitoria.

Intitulada “Justiça social e equidade em saúde: o que o Porto nos está a ensinar”, a conferência mostrará de que modo esta investigação, realizada à microescala do tecido urbano da cidade, permite inferir dados com possível impacto global. Sílvia Fraga defende, aliás, que as desigualdades em saúde “são evitáveis e injustas”, exigindo, por isso, «uma abordagem centrada nas condições de vida ao longo do seu curso».

Deste modo, a investigação realizada no Porto constitui “um laboratório privilegiado e único para a investigação das desigualdades em saúde”, possibilitando a obtenção de “informação e conhecimento novos”. Esta “base empírica” sustenta, por outro lado, uma “reflexão que, partindo do tecido da cidade, permite inferir globalmente”, explica a também docente da Faculdade de Medicina da U.Porto (FCUP).

Doutorada em Saúde Pública pela U.Porto (2013) e licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior de Serviço Social do Porto, Sílvia Fraga foi, entre 2016 e 2018, investigadora no Instituto de Medicina Preventiva da Universidade de Lausanne, na Suíça. É agora investigadora auxiliar no ISPUP, centrando a sua atividade na análise dos determinantes sociais da saúde, com enfoque na origem e na formação das desigualdades em saúde ao longo da vida

Sílvia Fraga é também membro integrado na Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit), onde coordena a pesquisa sobre “Sindemias, desigualdades em saúde e populações vulneráveis” no Laboratório de Investigação Integrativa e Translacional em Saúde Populacional (ITR). Lidera ainda o grupo de investigação “Adversidade Social e Desigualdades em Saúde”, centrado na compreensão dos mecanismos e processos envolvidos na produção de desigualdades em saúde desde as fases iniciais da vida. É vogal da Direção do ISPUP desde 2023.

Com entrada livre e aberta ao público em geral, a sessão terá também transmissão, em direto, através do canal YouTube da U.Porto.

Sobre o Centro de Conferências da U.Porto

Criado em julho de 2025, o Centro de Conferências da Universidade do Porto tem como missão afirmar a U.Porto como espaço privilegiado de diálogo e reflexão crítica e cívica sobre os grandes desafios da atualidade, envolvendo a comunidade académica, os decisores públicos e a sociedade civil.

O Centro é coordenado por Luís Valente de Oliveira e Elisa Ferreira, antigos docentes da U.Porto, e conta com um programa regular de sessões, em que são abordados  temas diretamente relacionados com as mais diversas áreas de estudo, da geopolítica à tecnologia, passando pela economia, o urbanismo, as artes, a saúde ou o desporto.

As sete primeiras sessões tiveram como temas a proposta de requalificação da Via de Cintura Interna do Porto desenvolvida por investigadores da FCUP, o trabalho inovador desenvolvido pelo IPO Porto, os desafios da inteligência artificial, os riscos geopolíticos para as empresas, a crise habitacional da cidade do Porto, a alteração dos programas financeiros plurianuais da União Europeia e o percurso do “unicórnio” tecnológico Feedzai. Universidade do Porto - Portugal


quinta-feira, 30 de abril de 2026

Brasil - Líder indígena afirma que o país pode ter o primeiro partido político dos povos indígenas

Marcos Terena, do Mato Grosso do Sul, participou no Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas, na ONU, em Nova Iorque. Segundo ele, o sonho de criar uma legenda partidária para defender os povos originários “não morreu” e continua a ser debatido por vários representantes indígenas de norte a sul do país


O Brasil pode ver nascer, nos próximos quatro anos, o primeiro partido político dos povos indígenas. O objetivo é criar uma legenda para representar os povos originários nos mais altos escalões do poder e decisões nacionais, que afetam a vida de todos os cidadãos brasileiros.

A declaração é do líder indígena Marcos Terena. Nascido no Mato Grosso do Sul, ele integra a luta pelos direitos dos povos indígenas, há várias décadas, inclusive em Brasília, onde vive e trabalha.

Mais de mil indígenas na ONU

Terena veio a Nova Iorque para participar da 25.ª Sessão do Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas. Este ano, o encontro debateu o acesso à saúde para os indígenas incluindo durante conflitos.

Nessa entrevista à ONU News, Marcos Terena garantiu que o sonho de fundar o próprio partido não morreu para os indígenas e está a ser debatido por lideranças da causa de norte a sul do Brasil.

“O indígena, hoje no Brasil, tem ideologia também de esquerda, de direita. Tem muita gente que apoia o agronegócio. Tem muita gente que apoia o movimento de esquerda, né? Mas a construção do Partido Indígena, talvez quando esses indígenas se elegerem, seja possível através de uma recomendação dos próprios indígenas. Eu espero que sejam eleitos nessa eleição como senadores, como deputados federais e estaduais também.

ONU News: Então o sonho ainda existe?

Marcos Terena - Existe. A gente não pode matar esse sonho. Esse é um sonho de representação. Você imagina um Parlamento indígena com 300 membros que não são necessariamente partidários, mas que são 300 membros que vão representar sociedades indígenas distintas, línguas distintas dentro do Congresso Nacional?”

Pobreza extrema e conceito ideológico

O Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas foi aberto pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e pela presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock. Com mais de mil indígenas e integrantes da sociedade civil.

Guterres lembrou que os povos indígenas representam 6% de toda a população global e quase 19% das pessoas que vivem em pobreza extrema no mundo.

À margem do evento, com mais de mil pessoas, Marcos Terena contou que há avanços registados não somente no Brasil, como em outras partes do mundo, mas que somente uma força política dedicada aos povos originários poderia levar mais melhorias à vida dos indígenas brasileiros

Para Marcos Terena, que participou da criação do Fórum Permanente sobre Assuntos dos Povos Indígenas, em 2006, na sede da ONU, é preciso ainda criar “um conceito ideológico indígena” dentro do Brasil para que as crianças possam saber, desde pequenas, que são parte de uma nação advinda desse grupo étnico e de outros como europeus e africanos. Uma lição que iria além dos atuais livros escolares que retratam este encontro de culturas e raças.

Línguas esquecidas ou rejeitadas?

“A educação que é levada para as crianças hoje na aldeia é a educação formal levada do homem branco para os indígenas. Ou seja, não há uma educação nascida do sistema educacional de cada comunidade. Se fosse, seria uma maravilha porque prepararíamos as nossas crianças a não esquecer a língua. A primeira coisa que o indiozinho esquece é a língua porque ele tem de aprender o famoso bê-á-bá do português. Então, quando ele chega ali no Ginasial, ele já não quer mais falar (a língua indígena). Ele pode até entender. Como é o meu caso da criança. Tem vergonha da sua língua, da sua origem, da sua tradição. O sistema de educação é cruel. Ele anula a cabeça do indígena. Tira a gente de uma situação de dignidade indígena, dos vários povos e transforma ele num zumbi, andando de lá para cá no meio da cidade.”

Ministério e Câmara

Em fevereiro deste ano, a página do Tribunal Superior Eleitoral, TSE, no Brasil, divulgou um artigo sobre a presença de representantes indígenas em audiências públicas da Corte.

Presentes a um encontro em Brasília, representantes dos povos Tikuna, da Amazónia, e Fulni-ô, de Pernambuco, defenderam mais candidaturas de indígenas. O evento incluiu interpretação das línguas indígenas tikuna, yaathe (fulni-ô) e kaingang.

Em 2018, o Brasil elegeu a primeira mulher indígena para a Câmara de Deputados, Joênia Wapichana. O primeiro deputado indígena da Câmara foi Mario Juruna, que venceu o pleito em 1982.

Há três anos, foi criado o Ministério dos Povos Indígenas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o Ministério, o Brasil tem 305 povos indígenas e uma população de mais 1,7 milhão de pessoas. Monica Grayley – Brasil ONU News


domingo, 26 de abril de 2026

Cabo Verde - Redução do financiamento internacional pode comprometer combate à malária

Cidade da Praia — A investigadora e docente Lara Goméz alertou que a redução do financiamento internacional poderá comprometer o combate à malária, sobretudo em países africanos com menor capacidade financeira.


O alerta foi feito na sessão de abertura da quarta conferência internacional “Malária nos PALOP”, promovida pela Universidade Jean Piaget de Cabo Verde.

Segundo a investigadora, a diminuição dos apoios à saúde em África, incluindo através do Fundo Global, estará associada a mudanças políticas nos Estados Unidos, embora tenha ressalvado não dispor de dados totalmente confirmados.

Lara Goméz defendeu uma abordagem integrada no combate à doença, sublinhando a necessidade de articulação entre saúde humana, sanidade animal e ambiente, bem como o reforço da vigilância e da consciencialização das populações.

A docente considerou ainda que uma eventual redução da ajuda internacional poderá afectar países com fraca capacidade económica, ao limitar os recursos disponíveis para programas de combate à malária, incluindo em Cabo Verde.

Recordou que, após a pandemia da COVID-19, se registou um retrocesso nos indicadores da doença, com aumento da mortalidade, que ultrapassou as 600 mil mortes de crianças, maioritariamente em África, devido ao redireccionamento de recursos para o combate à pandemia.

Relativamente a Cabo Verde, indicou que o país já eliminou a malária por três vezes, mas enfrentou reintroduções associadas a casos importados.

Alertou que a presença de mosquitos e o aumento da sua densidade podem favorecer novos surtos, acrescentando que, entre o final de 2024 e 2025, foram registados casos de transmissão autóctone na zona de Fonton, entretanto controlados pelas autoridades sanitárias.

A conferência realiza-se pelo quarto ano consecutivo, no âmbito do Dia Mundial da Malária, com o objectivo de divulgar conhecimento científico e reforçar competências técnicas. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”