Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Portugal - Intercepta narco-submarino com 1,7 toneladas de cocaína a caminho da Península Ibérica

As autoridades portuguesas interceptaram um navio que transportava drogas no Oceano Atlântico com 1,7 toneladas de cocaína destinadas aos mercados europeus. Quatro tripulantes foram presos


As autoridades portuguesas interceptaram um narco-submarino transportando mais de 1,7 toneladas de cocaína no Oceano Atlântico, numa operação coordenada com diversas agências estrangeiras, anunciou nesta segunda-feira a Polícia Judiciária portuguesa.

O submarino semissubmersível, com quatro tripulantes a bordo, tinha como destino "diversos países europeus", segundo as autoridades, que não especificaram o ponto de partida do submarino nem a nacionalidade dos detidos.

A Operação “El Dorado” envolveu a coordenação entre a Polícia Judiciária Portuguesa e a Marinha, com o apoio das autoridades do Reino Unido e dos Estados Unidos.

A Força Aérea Portuguesa, a Agência Nacional de Combate ao Crime do Reino Unido, a Agência Antidrogas dos EUA e a Força-Tarefa Interagências Conjunta Sul participaram da interdição.

A polícia portuguesa também contou com o auxílio de informações do Centro de Análise e Operações Marítimas sobre o Tráfico de Drogas, com sede em Lisboa, que inclui oito países da UE — Bélgica, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Espanha, Países Baixos e Portugal — no fortalecimento da cooperação internacional contra o tráfico de drogas por via marítima e aérea.

As autoridades descreveram a apreensão como "um novo golpe para as redes transnacionais de tráfico de cocaína que operam entre a América Latina e a Europa".

Os navios semissubmersíveis, projetados para navegar parcialmente submersos a fim de evitar a detecção, representam um método preferido pelos cartéis de drogas para transportar grandes carregamentos de cocaína da América do Sul para os mercados europeus.

O tráfico de drogas pelo Atlântico normalmente tem origem em regiões produtoras de cocaína na Colômbia, Peru ou Bolívia, antes de percorrer milhares de milhas náuticas para chegar à costa europeia.

As águas portuguesas têm se tornado cada vez mais pontos de trânsito para narcóticos que entram na Europa, com as autoridades relatando um aumento nas apreensões, à medida que as organizações de tráfico adaptam suas rotas e métodos para evitar a detecção. Euronews


quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Brasil - Considerado o principal opositor da expansão do BRICS

O Brasil é o principal adversário da expansão do BRICS entre os países participantes na cúpula em Joanesburgo, disse a agência de notícias Reuters


Citando fontes do governo brasileiro, a agência informa que as reivindicações estão relacionadas à relutância dos BRICS em tornar-se “outra coisa” e ao foco em manter a coesão do grupo.

A posição do governo brasileiro é que a expansão dos BRICS deve ser gradual, garantir um equilíbrio regional, enquanto o papel de todos os países atuais deve ser preservado. O Brasil acredita que outros países podem participar dos eventos do BRICS sem serem membros plenos.

É relatado que as autoridades brasileiras entendem a necessidade de ceder em determinado momento e não vão bloquear a expansão dos BRICS.

A cúpula do BRICS, que será realizada em Joanesburgo nos dias 22 e 24 de agosto, contará com a presença dos líderes da China, Índia, Brasil e África do Sul, a Rússia será representada pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov. O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que participaria da cúpula por videoconferência.

O presidente da Bolívia, Arce, anunciou o desejo do país de ingressar no BRICS. Agência Reuters


quinta-feira, 28 de abril de 2022

Brasil - Liderou a perda de florestas tropicais no mundo em 2021, segundo um estudo


São Paulo – O Brasil liderou a perda de florestas tropicais no mundo em 2021, sendo responsável por quase a metade da destruição deste tipo de bioma registada no período, informou um levantamento anual da Global Forest Watch (GFW).

Os dados da GFW, plataforma de monitorização de florestas em todo o planeta, indicam que foram destruídas no Brasil 1,5 milhões de hectares de florestas tropicais primárias no ano passado, o que representa 40% de toda a perda de florestas no planeta em 2021.

O Brasil lidera o triste ‘ranking’, bem à frente do segundo país, a República Democrática do Congo (RD Congo), que perdeu 500 mil hectares de floresta tropical em 2021.

Todos os anos, a GFW apresenta uma avaliação independente do estado das florestas do mundo. Os dados são produzidos a partir de análises geoespaciais desenvolvidas pela Universidade de Maryland, nos Estados Unidos da América, e monitorizam a cobertura florestal no mundo todo, incêndios florestais e perda de florestas primárias nos trópicos.

Segundo um comunicado divulgado pela organização, os resultados deste ano apresentam uma novidade: o registo das perdas de florestas causadas ou não por fogo.

“No caso do Brasil, nem mesmo a redução dos fogos na Amazónia e Pantanal em 2021 alterou essa tendência. As perdas não relacionadas ao fogo – que no Brasil são mais frequentemente associadas à expansão agrícola – aumentaram 9% entre 2020 e 2021”, destacou a GFW.

O Brasil detém cerca de um terço das florestas tropicais primárias remanescentes do mundo e tem mantido taxas de perda de florestas acima de 1 milhão de hectares desde 2016, segundo os mesmos dados.

“A perda de floresta primária no Brasil é especialmente preocupante, pois novas evidências revelam que a floresta amazónica está perdendo resiliência, estando mais perto de um ponto de inflexão do que se pensava anteriormente”, avaliou Fabíola Zerbini, diretora de Florestas, Agricultura e Uso do Solo da GFW Brasil, no comunicado.

Ao todo, a GFW identificou a perda de 3,75 milhões de hectares de florestas tropicais primárias no mundo em 2021.

Além do Brasil, o levantamento chama a atenção para a perda de florestas em países como Bolívia e RD Congo, que registaram aumento em relação a 2020.

Os dados mostram que a Indonésia registou redução das taxas de perda florestal pelo quinto ano consecutivo, indicando que políticas públicas do Governo local e compromissos do setor privado no país estão surtindo efeito.

Apesar de se concentrar nos trópicos, que é onde ocorre 96% do derrube permanente de florestas no mundo, a GFW também analisou florestas boreais e temperadas, identificando um aumento de 29% na perda florestal por fogo, especialmente na Sibéria – nessa região, as florestas estão ameaçadas pelas alterações climáticas. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”


 

segunda-feira, 14 de março de 2022

Bolívia - A cidade como abrigo para as abelhas


Na Bolívia luta-se para que estes polinizadores possam prosperar, nas florestas, mas também em varandas, prédios, árvores urbanas e em casa de apicultores entusiastas.

Ver as suas abelhas sem ferrão stressadas a cada temporada mantém Regina Heredia, uma apicultora e produtora de mel orgânico, acordada à noite. À medida que as ondas de calor se tornam mais frequentes, as secas duram mais e o tempo de floração muda nas árvores, as abelhas sem ferrão ou “señoritas” (jovens em espanhol) estão com dificuldades para se adaptarem às alterações climáticas e outras mudanças ambientais causadas pelo Homem.

Existem mais de cem variedades de abelhas sem ferrão na Bolívia e são responsáveis pela polinização de mais de 70% das árvores do país. Os números indicam que mais de 80% das 250 mil plantas com flores dependem da polinização para continuar a sua reprodução sexual, da mesma forma que a vida de ecossistemas inteiros muitas vezes depende do seu desenvolvimento. Algumas abelhas sem ferrão são as únicas adaptadas para polinizar amendoeiras, castanheiros, entre outras colheitas. Não há outro agente de polinização que possa substituí-las.

Javier Coimbra, investigador e conservacionista, explica que as abelhas sem ferrão têm uma capacidade incrível de adaptação. Elas podem obter néctar e pólen de qualquer flor, ao contrário das suas primas europeias, Apis melleris, que preferem flores grandes com muito néctar. O mel de abelha sem ferrão da Bolívia é mais rico em minerais, tendo também outras propriedades medicinais.

Abelhas sem ferrão em risco

A Bolívia sofreu incêndios florestais extremos em 2019 e 2020. A seca impulsionada pelas alterações climáticas intensificou os incêndios e, nos últimos dois anos, mais de 5 milhões de hectares foram perdidos no país, 3,5 milhões deles em Santa Cruz. Até agora, as consequências para as abelhas ainda estão em estudo. “Existem dados preliminares sobre os mamíferos e a vegetação afetados, mas para as abelhas sem ferrão e outros polinizadores ainda não podemos dizer um número”, afirma Coimbra.

No entanto, as condições após os incêndios prenunciam um panorama negativo para essas valiosas espécies e para os seus ecossistemas: sem flores, as abelhas têm de voar para mais longe, as colónias são abandonadas e áreas maiores ficam para trás sem polinizadores, reduzindo as hipóteses de a floresta se regenerar. A expansão de quintas e pastagens e o aumento do uso de pesticidas estão a afetar as abelhas mais do que nunca.

Existem mais de cem variedades de abelhas sem ferrão na Bolívia. Estas são responsáveis pela polinização de mais de 70% das árvores do país.

“Quando os proprietários derrubam árvores para fazer mais quintas, atacam as colmeias e queimam-nas para limpar a terra e só recolhem o mel”, explica Regina. “Temos de mover as colmeias cada vez mais para longe, cada vez mais para dentro da floresta, ou não seremos capazes de controlar os efeitos desses elementos nas abelhas e no mel”.

Uma oportunidade na cidade grande

José Carlos Becker, apicultor entusiasta, está em ação. Para melhorar a situação, promove a instalação de colmeias sem ferrão e a produção de mel na cidade de Santa Cruz de la Sierra, uma das cidades com crescimento mais rápido da América do Sul. Um relatório do PNUD estabeleceu que o crescimento é de 6,5%, enquanto as outras cidades do país mantêm uma taxa de crescimento de 5%. O desenvolvimento vertiginoso da cidade está a tomar terras, derrubando árvores e transformando mais de 150 espécies que crescem na cidade em relvado, deixando as abelhas sem árvores ou vegetação.

“As pessoas consideram-nas primeiro como animais de estimação, mas, conforme interagem, apaixonam-se e têm mais consciência de como são valiosas e vulneráveis”, conclui. Com mais de 200 colónias instaladas em Santa Cruz, José sente que está a trazê-las de volta para onde pertencem. “As pessoas não imaginam como as abelhas são importantes. Com a nova utilização do solo aprovado pelo INRA [Instituto Nacional de Reformas Agropecuárias], os proprietários de terras preocupam-se em produzir monoculturas e plantar árvores. Esta pode ser uma oportunidade para ensinar e aumentar a consciencialização sobre as abelhas. Se virmos uma mangueira na cidade, sem as abelhas, esta árvore produzirá apenas um ou dois frutos. Isso é o quanto dependemos delas”, afirma.

A sua afirmação vai ao encontro do relatório da FAO de que sem polinizadores os frutos tendem a ser menores ou a produção será deficiente. Até agora, todas as colmeias continuam a viver e adaptar-se à vida na cidade, protegidas em varandas e jardins, ou escondidas entre tijolos, árvores e praças. São companheiras de quem cultiva uma horta comestível ou procura produzir mel para autoconsumo. José salva colmeias de árvores caídas e encontra-lhes um novo lar. O apicultor garante que as abelhas sem ferrão são resistentes, mas mudanças bruscas no clima, como chuvas fortes, afetam-nas.

O modelo climático PRECIS (Fornecimento de Climas Regionais para Estudos de Impactos) para a Bolívia indica que a precipitação vai intensificar-se e tornar-se mais frequente em dezembro, janeiro e fevereiro, projetando um aumento de 53% nas chuvas fortes até 2100. “[As abelhas] têm apenas dois a cinco mm de comprimento, então imagine uma chuva forte e repentina na cidade, pois ainda estão à procura de néctar: é impossível a estas abelhas voltarem para a colmeia, vão morrer lá”, explica Becker. Como José Becker, a esperança de Regina Heredia está nas pessoas.

A produtora acredita que a presença de abelhas sem ferrão em áreas urbanas é a melhor forma de aumentar a consciencialização sobre estes insetos importantes e as alterações climáticas, removendo o equívoco de que todas as abelhas têm ferrões e são perigosas, e provando que a humanidade e as abelhas estão mais ligadas do que muitas vezes acreditamos.

Programas de gestão e conservação são necessários mais do que nunca, afirma, assim como a implementação de políticas de mitigação das alterações climáticas pelos governos para salvar mais do que as abelhas. In “Green Savers Sapo” – Portugal com “Climate Tracker”


 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

América do Sul - Representantes de nove países reinstalam o Parlamento Amazônico

 


Com representantes do Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru, Venezuela, Suriname, Guiana, Equador e Guiana Francesa foi reinstalado nesta segunda-feira o Parlamento Amazônico (Parlamaz). Criado há 32 anos, o grupo tem o objetivo de estabelecer políticas integradas e estreitar as relações entre os países-membros na discussão sobre as questões amazônicas, promovendo a cooperação e o desenvolvimento sustentável da região Amazônica.

“A nossa pauta principal neste momento é a proteção do nosso imenso patrimônio, constituído pela Floresta Amazônica. São 7 milhões de quilômetros quadrados de pura riqueza, a região de maior biodiversidade do planeta”, ressaltou o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), eleito por aclamação para presidir o Parlamaz. Em reunião remota do colegiado hoje (21), Trad deu prazo até 21 de janeiro para que os membros indiquem candidatos para a vice-presidência e apontamentos para o plano de trabalho do grupo. A data da próxima reunião do Parlamento Amazônico ainda não foi definida.

Criado em 17 de abril de 1989, o Parlamaz funcionou por alguns anos, mas acabou desmobilizado. A ideia de reativá-lo, depois de oito anos inativo, voltou em 2019, após uma reunião dos países-membros na Embaixada do Equador. Segundo Nelsinho Trad, depois daquele encontro foram realizados debates decisivos para a continuidade do projeto.

“Nossa intenção é dar voz às populações nativas, oferecer não uma obra passageira, mas uma contribuição definitiva que se perpetuará no tempo. A reinstalação do Parlamaz significa um passo importante, e os resultados poderão impactar de modo decisivo e firme o nosso futuro”, afirmou.

Para o deputado colombiano Juan David Velez, outro grande desafio dos países-membros é sugerir ações de proteção ao meio ambiente também de forma geral. “Para nós, o Parlamaz trará sinergia para a região [Amazônica], visando ações que gerem produtividade sustentável e riqueza. Não queremos seguir com a pobreza, e precisamos tratar desse tema de modo responsável”, disse.

Uma das representantes da Bolívia, a deputada Marta Ruiz Flores disse que o parlamento boliviano está comprometido com a causa. Segundo ela, juntos, os países do Parlamaz podem promover mudanças importantes para a sustentabilidade do bioma amazônico.

Aquecimento global

Na opinião do presidente da Assembleia Nacional da Guiana, Manzoor Nadir, o aquecimento global tem trazido mudanças e consequências que não podem ser medidas, mas que precisam ser combatidas. Ele chamou atenção para a responsabilidade do Parlamaz em relação à legislação ambiental. “Estamos falando de uma lei que tem um poder único de apresentar números e trazer soluções. Nosso tempo de agir é agora”, disse.

O deputado brasileiro Léo Moraes (Podemos-RO) disse que além de defender os amazônidas, como indígenas e ribeirinhos, é fundamental que o grupo parlamentar chame à participação todas as populações que habitam a área. “Temos que cuidar e aliançar o interesse pelo desenvolvimento e pelo progresso pensando, sobretudo, na nossa soberania. Ninguém melhor que os moradores e desbravadores dessa região para nos transmitir as experiências inerentes a esse rincão e estamos à disposição para promover esse bom debate”, disse.

Para Carlos Alberto Lázare Teixeira, da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (Otca), o Parlamaz é um canal de diálogo e cooperação entre os legislativos desses países, fundamental para consolidar as políticas de Estado necessárias à Amazônia.

Composição

Brasil: senadores Nelsinho Trad (PSD-MS), Eduardo Braga (MDB-AM), Plínio Valério (PSDB-AM), Paulo Rocha (PT-PA) e Telmário Mota (Pros-RR); e os deputados Marcelo Ramos (PL-AM), Léo Moraes (Podemos-RO), Perpétua Almeida (PCdoB-AC) e José Ricardo (PT-AM).

Bolívia: Marta Ruiz Flores, Sara Kattya Condori, Carlos Hernán Arrien Aleiza, Alcira Rodríguez, Ana Meriles e Genaro Adolfo Mendoza.

Colômbia: Germán Alcides, Blanco Álvares, Harry Gonzalez, Henry Correal, Juan David Velez, Maritza Martinez, Harold Valencia, Carlos Cuenca e Jorge Guevara.

Equador: Fernando Flores, Carlos Cambala.

Guiana: Manzoor Nadir.

Peru: Gilmer Trujillo Zegarra.

Suriname: Marinus Bee.

Venezuela: María Gabriela Hernández Del Castillo, Romel Guzamana. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “EBC”

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Bolívia - Planeja comprar fatia da Petrobras em gasoduto que liga país ao Brasil

Petroleira estatal boliviana YPFB planeja lançar oferta por participação em duto entre países



A petroleira estatal boliviana YPFB planeja lançar oferta por participação em gasoduto que traz gás da Bolívia ao Brasil, visando garantir melhores termos para sua comercialização, disse a empresa na passada semana.

A YPFB possui a intenção de realizar o lance por uma fatia não revelada da parcela de 51% pertencente à Petrobras na Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), que leva gás natural boliviano da fronteira entre os países até São Paulo, afirmou a companhia em um comunicado.

A YPFB disse que a ampliação de sua atual fatia de 12% no gasoduto a permitiria negociar diretamente com as empresas distribuidoras de gás natural e com indústrias do setor privado.

Na segunda (8), a Petrobras afirmou que venderia sua parcela na TBG como parte de um acordo com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que prevê uma série de desinvestimentos da petroleira.

A Petrobras apontou que o acordo vai proteger condições competitivas, além de encorajar novos participantes a entrarem no mercado de gás natural, mas não deixou claro quando ou como realizará as vendas dos ativos. In “Folha de São Paulo” - Brasil

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Bolívia - Corte Internacional nega pedido de saída para o mar

Paris - O Chile não deve ser obrigado a negociar a cessão à Bolívia de um acesso ao oceano Pacífico, definiu nesta segunda-feira (1º de outubro) a Corte Penal Internacional, em Haia, na Holanda.

O presidente boliviano, Evo Morales, foi ao tribunal para ouvir a sentença, mas não seu homólogo chileno, Sebastián Piñera, que enviou embaixadores do país. O placar foi de 12 votos desfavoráveis ao pleito de La Paz contra 3 pró.

"A corte observa que o Chile e a Bolívia têm uma longa história de diálogos e negociações destinados a identificar uma solução apropriada à 'mediterraneidade' [fato de estar rodeada de terra por todos os lados] da Bolívia", leu o presidente do tribunal, Abdulqawi Ahmed Yusuf. "Entretanto, não pode concluir que o Chile tenha a obrigação de negociar o acesso soberano [do vizinho ao mar]."

A disputa territorial tem resquícios da era colonial e da ausência de fronteiras precisas em alguns enclaves da América espanhola. O território de Charcas, onde, hoje, fica a Bolívia, teria uma face voltada para o mar, argumentam certos historiadores.

História

No momento em que declarou a independência do país, em 1825, Simón Bolívar entendeu que o perímetro recém-criado incluía uma faixa litorânea, a mesma reivindicada já naquele momento pelo Chile, independente desde 1818. Ficou por isso mesmo.

O pano de fundo do mal-entendido era a exploração nascente de prata, cobre e nitrato na área visada pelos dois lados, situada no deserto do Atacama.

Em 1866, os países assinaram um tratado fronteiriço que fixava o paralelo 24 sul como limite e determinava a divisão entre eles dos impostos auferidos com a exploração mineral naquela região. Oito anos depois, um novo documento congelou por 25 anos a taxação de companhias chilenas de mineração.

Em 1878, o Legislativo da Bolívia questionou um contrato, firmado cinco antes entre o governo do país e uma grande mineradora chilena, que garantia a esta isenção fiscal por 25 anos. Quis impor uma taxação. A contenda logo arrastou o governo do Chile, que enviou um navio de guerra à área depois de a empresa ter seus bens confiscados e ser colocada em leilão.

Em abril de 1879, Santiago declarou guerra. La Paz tinha na manga um tratado de defesa mútua com o Peru, mas nem isso foi o suficiente para que vencesse o conflito. Em 1884, os países assinaram um termo de cessão de todo o litoral boliviano ao Chile.

O ditador Augusto Pinochet propôs em 1975 ao vizinho a criação de uma faixa de acesso ao Pacífico no extremo norte do Chile, mas pediu em troca um naco de terra semelhante dentro da Bolívia. O diálogo não avançou, e desde o fim daquela década os países mantêm relações diplomáticas restritas ao mínimo.

Evo Morales contrariou orientação da Organização dos Estados Americanos (OEA) ao ingressar com processo na Corte Internacional de Justiça, em 2013. O colegiado do continente havia estimulado La Paz e Santiago a debaterem o tema bilateralmente. In “Valor Econômico” – Brasil

Guerra do Pacífico - A guerra em que a Bolívia ficou sem mar

A Guerra do Pacífico foi um conflito ocorrido entre 1879 e 1883, confrontando o Chile às forças conjuntas da Bolívia e do Peru. Ao final da guerra o Chile anexou ricas áreas em recursos naturais de ambos os países derrotados. O Peru perdeu a província de Tarapacá e a Bolívia teve de ceder a província de Antofagasta, ficando sem saída soberana para o mar, o que se tornou uma área de fricção na América do Sul, chegando até os dias atuais, e que é para a Bolívia uma questão nacional (a recuperação do acesso ao oceano Pacífico consta como um objetivo nacional boliviano em sua atual constituição).

Originada nas desavenças entre Chile e Bolívia sobre o controle de uma parte do Deserto de Atacama rica em recursos minerais. Este território controverso era explorado por empresas chilenas de capital britânico. O aumento de taxas sobre a exploração mineral logo se transformou numa disputa comercial, crise diplomática e por fim, guerra.

Havia muitas controvérsias acerca dos reais limites entre os países depois da descolonização. Todas as novas nações herdaram os interesses imperialistas do já combalido império espanhol. Bolivianos e chilenos discordavam quanto à soberania da região, embora toda ela já estivesse sendo explorada por companhias chilenas dotadas de capital britânico. O Chile tinha uma economia mais robusta e instituições mais fortes que a maioria dos outros países latino-americanos. No entanto, quando da proclamação da Bolívia por Simón Bolívar, este deixou claro que a Bolívia herdara dos espanhóis uma saída soberana para o mar.

Somente em 1866 foi assinado um tratado entre Chile e Bolívia estabelecendo limites territoriais, fixando o 24º paralelo como fronteira e delimitando que ambos países dividiriam impostos sobre os recursos situados entre o 23º e 24º paralelos. Um segundo tratado foi assinado em 1874, cedendo os impostos sobre os produtos entre o 23º e 24º paralelos inteiramente para a Bolívia, mas fixando taxas para as companhias chilenas para os próximos 25 anos. As companhias chilenas se expandiram rapidamente, controlando a indústria mineira, deixando a Bolívia temerosa da perda de seu território.

Em 1878 o presidente boliviano Hilarión Daza decretou um aumento de taxas sobre as companhias chilenas que exploravam o litoral boliviano, retroativo ao ano de 1874, sob protestos do governo chileno, do presidente Aníbal Pinto. Quando a empresa Antofagasta Nitrate & Railway Company se recusou a pagar a sobretaxa, o governo boliviano ameaçou confiscar todas suas propriedades. O Chile respondeu enviando um navio de guerra para o local em dezembro de 1878. A Bolívia então declarou o seqüestro dos bens da empresa, anunciando o leilão para 14 de fevereiro de 1879. No dia do leilão, 200 soldados chilenos desembarcaram e ocuparam a cidade portuária de Antofagasta, sem resistência.

Em 1 de Março de 1879 a Bolívia declarou guerra ao Chile, invocando uma aliança secreta que mantinha com o Peru: o Tratado de Defesa de 1873. O governo peruano estava determinado a cumprir sua aliança com a Bolívia, também temeroso do crescente expansionismo chileno, porém receavam que as forças aliadas não eram páreo para o exército chileno; preferiam um acordo à guerra. Um diplomata peruano foi enviado para intermediar o desentendimento. O Chile requereu neutralidade por parte do governo peruano, mas a aliança entre Peru e Bolívia impedia tal neutralidade. O Chile respondeu então com a quebra das relações diplomáticas e ulterior declaração de guerra aos dois aliados em 5 de Abril de 1879. O Peru se viu então arrastado para uma guerra, em razão do tratado de aliança com a Bolívia.

A Argentina, que disputava com o Chile o controle da região da Patagônia, foi convidada pelas forças aliadas para entrar no conflito. No entanto, o governo argentino recusou o pedido, preferindo resolver sua divergência por vias diplomáticas.

Sob os termos do Tratado de Ancón, o Chile ocupou as províncias de Tacna e Arica por 10 anos, onde depois do tempo estipulado seria realizado um plebiscito que decidiria a nacionalidade da região. Os dois países nunca concordaram com os termos do plebiscito. Finalmente, em 1929, sob o intermédio do presidente estadunidense Herbert Hoover, um acordo foi feito no qual o Chile ficou com Arica; O Peru readquiriu Tacna e recebeu $6 milhões em indenizações.

Em 1884, a Bolívia assinou uma trégua que deu total controle da costa pacífica ao Chile, com suas valiosas reservas de cobre e nitratos. Um tratado de 1904 tornou este arranjo permanente. Em retorno, o Chile concordou em construir uma ferrovia ligando La Paz, capital boliviana, ao porto de Arica, garantindo liberdade de trânsito ao comércio boliviano pelos portos chilenos. Santos da Silveira – Brasil in “História Ilustrada”


Matheus Santos da Silveira, Professor de História formado pela PUCPR, Especialista em História Contemporânea e Relações Internacionais.

sábado, 25 de agosto de 2018

Bolívia - Cientistas filmam uma rara onça preta

O animal foi filmado no norte do país andino depois que os moradores alertaram os pesquisadores sobre a existência desta espécie na área



Um grupo de cientistas filmou uma rara onça preta ou melânica (Panthera onca) numa área protegida localizada no departamento de Pando, no norte da Bolívia, de acordo com um vídeo enviado ao YouTube no mês passado pela Associação para Investigação e Conservação dos Ecossistemas Andino-Amazônicos (ACEAA).

"É uma observação muito rara, porque normalmente as onças presentes na Bolívia (e observadas até agora) não apresentam esta característica", explicou Nuno Negrões, coordenador do programa de monitoramento e pesquisa da ACEAA. Os negros explicaram que eles colocaram os dispositivos depois que os moradores da região lhes falaram sobre a existência de jaguares negros na área.

A gravação, com apenas 20 segundos de duração, foi filmada na tarde de 29 de maio com a ajuda de armadilhas fotográficas, usadas para detectar espécies evasivas ou perigosas para os humanos. Nas imagens pode-se observar o impressionante animal caminhando à noite pela floresta de Santa Rosa del Abuná.

A onça preta tem uma variação genética que faz com que ela produza mais melanina - o que dá à pele a sua cor preta - do que o restante dos espécimes desta espécie, que está presente em vários países da América, como Argentina, Paraguai ou EUA, e é considerada uma espécie ameaçada mundialmente pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). In “RT” - Rússia

terça-feira, 3 de julho de 2018

América do Sul - Corredor ferroviário bioceânico

SÃO PAULO – A crise de abastecimento a que o País foi atirado pela paralisação de caminhoneiros, ao final de maio, mostrou o quanto o Brasil é refém do modal rodoviário e, principalmente, do óleo diesel, que é o combustível que move a economia nacional. Segundo dados do Instituto de Logística e Suplly Chain (Ilos), mais de 60% de tudo o que é transportado no País viajam em contêineres puxados por carretas ou sobre caminhões, percentual que, nos últimos anos, só tem crescido em razão da falta de investimentos em outros modais.

Ainda segundo o Ilos, entre 2006 e 2016, a participação das rodovias na matriz de transportes avançou de 59% para 62,8%, enquanto, no mesmo período, a fatia das ferrovias recuou de 24% para 21%, por falta de investimentos no setor. Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o Brasil, que já teve uma malha ferroviária maior que a dos Estados Unidos, tem hoje apenas 3 quilômetros de ferrovia para cada quilômetro quadrado, enquanto aquele país tem dez vezes mais: 30 quilômetros de trilhos para cada quilômetro quadrado.

E mais: dos atuais 28 mil quilômetros de malha passados a concessionárias, apenas 8 mil quilômetros estão em operação. Como ficou em segundo plano no processo de privatização, a situação do transporte de passageiros por trem está em situação ainda mais dramática.

Diante disso, os caminhoneiros fazem o que podem, enfrentando estradas mal conservadas e bem pouco policiadas, o que permite com frequência toda a sorte de imprevistos, inclusive aqueles derivados da violência social. Sem contar os prejuízos para as empresas transportadoras e para os donos das cargas, pois, muitas vezes, o caminhoneiro é obrigado a ficar três dias ou mais parado no cais para descarregar.

Em meio a tantas desditas, aparece agora uma luz no fim do túnel: Brasil, Bolívia, Paraguai e Peru acabam de concluir os entendimentos prévios para um acordo que prevê a construção de um corredor ferroviário entre o Oceano Pacífico (a partir de Puerto de Ilo, no Peru) e o Atlântico (Porto de Santos). Os estudos preliminares, que contam com assessoramento técnico da União Europeia, prevêem investimentos da ordem de US$ 14 bilhões e que a obra estará concluída até 2024.

Os estudos estimam ainda que o corredor bioceânico irá transportar 40 milhões de toneladas, percorrendo 3.755 quilômetros, facilitando principalmente as exportações para a Ásia. Ou seja, essa ferrovia, além de facilitar a tão almejada saída para o mar por parte da Bolívia, vai permitir o desenvolvimento, a exploração e a industrialização dos recursos naturais de todo o continente sul-americano, até porque está prevista ainda a adesão da Argentina e do Uruguai.

Entre outros benefícios, com a participação do trem bioceânico, será possível conduzir a carga desde o Brasil até o porto de Xangai, na China, em 36 dias e 8 horas. Hoje, a demora é de 67 dias e 13 horas. Segundo os estudos, até 2021, o corredor ferroviário terá ainda capacidade para transportar 6,1 milhões de passageiros por ano, número que deverá chegar a 13,3 milhões em 2055. Se o futuro irá confirmar esses números, não se sabe. Mas, até lá, haja otimismo! Milton Lourenço - Brasil



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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Brasil - Gás do pré-sal será 64% do total produzido no País em 2026, prevê EPE

O superintendente de Gás Natural e Biocombustíveis da empresa, Giovani Machado, afirma que, nos próximos 9 anos, a produção crescerá em 16 milhões de metros cúbicos

Rio de Janeiro - A produção de gás natural do pré-sal vai corresponder a 64% da produção total do insumo em 2026, contra a participação de 41% atualmente. Essa é a previsão apresentada pelo superintendente de Gás Natural e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Giovani Machado, em palestra nesta segunda-feira, 25, no 18º Seminário de Gás Natural promovido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP).

"Será um crescimento de 16 milhões de metros cúbicos por dia até 2026. A gente percebe uma participação crescente do pré-sal dentro da oferta nacional", disse o executivo.

O aumento da oferta poderá compensar a redução de fornecimento por parte da Bolívia, país que não vem conseguindo atrair investimentos no setor.

Machado informou que o contrato com a Bolívia deve cair do atual patamar, de até 30 milhões de metros cúbicos diários, para algo em torno de 20 a 16 milhões de metros cúbicos diários. O contrato vence em 2019 e as discussões já foram iniciadas com o objetivo de conclusão em 2018. Denise Luna – Brasil in “O Estado de S. Paulo”

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Bolívia – Numa década duplicou o número de estudantes universitários

La Paz - Durante a última década o número de estudantes bolivianos inscritos nas universidades duplicou e o investimento em educação aumentou três vezes, informou o vice-presidente Álvaro García Linera em ato no departamento de Tarija.

O vice-mandatário inaugurou uma dependência da universidade autônoma Juan Misael Saracho, em Villa Montes, com um custo de dois milhões e 400 mil dólares.

Este centro, onde se formarão estudantes de engenharia de petróleo, gás e petroquímica, consta de 12 salas, duas bibliotecas, dois laboratórios, áreas técnicas, salas de instrumentos e plantas de tratamento de resíduos químicos.

Ao falar no ato, o vice-mandatário recordou que há 10 anos o número de alunos nos centros de altos estudos era de 12 mil, no entanto, em 2015 aumentou para 23 mil e agora chega a quase 25 mil.

“Há uma incorporação crescente e em massa de estudantes às universidades”, disse.

Quanto ao investimento no ensino, o total triplicou e hoje chega a 13 por cento do Produto Interno Bruto, um parâmetro similar ao de países desenvolvidos, assinalou.

García Linera recordou que desde a chegada ao poder do presidente Evo Morales, em 2006, foram destinados três bilhões e 600 milhões de dólares à construção de obras em Tarija.

Para o período 2017-2020 a cifra será de três bilhões e 900 milhões de dólares, informou.

Tarija celebrará neste 15 de abril o bicentenário da Batalha da Tablada, na luta por sua independência. In “Prensa Latina” - Bolívia

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Bolívia – O país está livre do analfabetismo

Um método transformador e o cuidado de estendê-lo a grupos antes esquecidos — deficientes e portadores de Down, por exemplo — ensinaram um milhão de adultos a ler e escrever

Um grupo de 40 idosos camponeses estava pronto para nos receber para acompanhar uma aula de alfabetização, na região rural da cidade periférica de El Alto, vizinha de La Paz. Estávamos lá para produzir uma reportagem sobre o método Yo Sí Puedo, programa de alfabetização cubano aplicado na Bolívia desde 2006 e que tornou o país um território livre do analfabetismo, segundo a Unesco.

Para a Unesco, uma nação se torna livre do analfabetismo quando a taxa de não-alfabetização está abaixo de 4%. Em 2014, a Bolívia atingiu 3,8%. Hoje, o índice é ainda menor, 2,9%. Isso significa que mais de um milhão de bolivianos adultos aprenderam a ler e escrever nos últimos dez anos. Deste total, cerca de 40% são idosos acima de 60 anos e 70%, mulheres. Isto se deve, principalmente, pela falta de dinheiro das famílias que historicamente vivem em áreas rurais do país e pelo antigo sistema educacional da Bolívia, que até 1952 não era universal.

Assim que chegamos, fomos recebidos pelo líder comunitário Dom Quintin Pulma, policial aposentado. Elegante, de preto dos sapatos bem lustrados até o chapéu, se apresentou e apresentou toda a comunidade. Um a um, os senhores e as senhoras se levantaram para se dar as boas-vindas. Dom Quintin, então com 83 anos, relatou:

“Ler e escrever era proibido! Eu morava no sítio em que meus pais trabalhavam e o patrão dizia que se eu fosse à escola cortaria minha língua”. Era a história de quase todos ali. A mensagem que tinham para nós, contudo, era outra: “agora lemos e escrevemos. Vão e contem para todos que somos capazes”.

Ao fim deste primeiro dia de contato com o projeto, duas senhoras levantaram a voz e gritaram. “Não se percam. Não se esqueçam de nós”, disseram. Esta foi a chave para que a reportagem se tornasse algo maior: um documentário, para que ninguém mais se esqueça dessas pessoas.

Assim nasceu o projeto Yo Sí Puedo, que acompanhou cinco grupos de alfabetização desde setembro de 2014 até fevereiro de 2016. O documentário conta de perto a história da professora Keyla Guzmán, que batalhou quatro anos para ter seu método de ensino aprovado pelo Ministério da Educação: Keyla leciona para 26 alunas e um aluno no Mercado Rodriguez, espécie de feira popular localizada no Centro de La Paz. A professora iniciou com a alfabetização e atualmente está em vias de concluir o programa Yo Sí Puedo Seguir, continuação do programa que equivale ao ciclo primário do sistema educacional boliviano – para crianças, dura seis anos; para adultos, dois. Fellipe Abreu e Luiz Felipe Silva – Brasil in “Desacato”

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Bolívia - A um passo de ter acesso ao Atlântico pelo Porto de Paranaguá

Um grupo de técnicos da Bolívia viajará para Brasília em agosto para afinar detalhes do acesso que o país terá ao porto atlântico de Paranaguá, combinado pelos governos há 25 anos, informaram fontes parlamentares.

O acesso ao porto de Paranaguá estava previsto em um tratado assinado por Brasil e Bolívia em agosto de 1990, mas por razões que “ninguém pode explicar” o governo brasileiro demorou 15 anos para enviá-lo à Câmara dos Deputados, disse o senador Roberto Requião (PMDB-PR).

O acordo permaneceu engavetado durante uma década e foi finalmente aprovado em junho, quando passou ao Senado, que “só precisou de 15 dias” para ratificá-lo, explicou Requião.

Como foi estipulado há 25 anos, a Bolívia poderá ter acesso a um “depósito franco” no porto de Paranaguá, no Paraná, considerado um dos maiores terminais de grãos da América Latina.

Através desse depósito, a Bolívia poderá realizar operações de importação e exportação e obterá uma saída direta ao oceano Atlântico que permitirá diversificar seu comércio.

Missão técnica

Segundo Requião, os detalhes logísticos serão discutidos pela missão técnica boliviana que viajará para Brasília em agosto para discutir o assunto com autoridades da Secretaria de Portos e do Ministério de Transporte.

A Bolívia reivindica do Chile uma saída ao Pacífico, perdida em uma guerra no século XIX e entrou com uma ação na Corte Internacional de Haia em 2013.

Os prazos para que o país andino possa aproveitar a saída ao Atlântico oferecida pelo Brasil “agora dependerá da Bolívia”, disse Requião, que sustentou que o governo brasileiro tem plena disposição para agilizar os trâmites burocráticos necessários.

Um dos aspectos que serão negociados em agosto trata das dimensões do espaço que será cedido ao “depósito franco” para a Bolívia, e sobre os custos dessas instalações. In “Gazeta do Povo” - Brasil

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Mercosul – 48ª Cúpula debate acordo com UE e a adesão da Bolívia

Representantes dos blocos econômicos já montam uma lista de quais os produtos que poderão ter tarifa zerada

A negociação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, a incorporação da Bolívia como sexto país-membro e a renovação do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) serão alguns dos pontos centrais da 48ª Cúpula do bloco regional, integrado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela, que começou nesta quinta-feira, 16 de julho de 2015, em Brasília.

A negociação do bloco referente a um acordo comercial com a União Europeia será um dos assuntos de destaque da reunião, conforme adiantou o subsecretário-geral da América do Sul, Central e do Caribe do Ministério das Relações Exteriores, António Simões. No momento, os dois lados montam uma lista de quais produtos poderão ter tarifa zerada. A apresentação das ofertas comerciais deverá ocorrer no último trimestre deste ano. A apresentação tem que ser simultânea e chegou a ser negociada em 2013 e 2104, mas não prosperou.

O secretário de Relações Econômicas Internacionais da chancelaria argentina, embaixador Carlos Bianco, disse, nesta quinta-feira, que a Argentina tem interesse em avançar no acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), desde que o bloco europeu respeite as condições de tratamento diferenciado para os países sul-americanos. De acordo com o embaixador, a Argentina defende o avanço do acordo com União Europeia, desde que respeitadas as condições de tratamento especial diferenciado para os países do Mercosul, que são de menor desenvolvimento relativo em relação à União Europeia.

Segundo ele, o tratamento diferenciado determina premissas e condições que o Mercosul já apresentou. "Somente se essas condições forem cumpridas é que as negociações avançarão no acordo. Como disse o chanceler (Héctor) Timmerman, se o acordo colocar em perigo um posto de trabalho, a Argentina não está disposta a avançar", afirmou Bianco.

O secretário descartou a negociação do acordo comercial com o bloco europeu fora do âmbito do Mercosul. "Todos queremos participar com uma oferta única e em conjunto negociar com a União Europeia. Ninguém, em nenhum momento, falou em flexibilizar o Mercosul ou em ter posturas individuais." Para Carlos Bianco, a negociação entre os dois lados só começará quando houver troca de ofertas comerciais com a lista de produtos que poderão ter tarifa zerada. A apresentação das ofertas deverá ocorrer no último trimestre deste ano.

Na 2ª Cúpula entre a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União Europeia, em junho, na Bélgica, a presidente Dilma Rousseff defendeu a relação do Brasil com a Argentina, que era considerada a principal opositora do acordo com a UE dentro do Mercosul, e negou que o Brasil tivesse "perdido a paciência" com o país vizinho.

Ao discursar após a reunião da manhã entre chanceleres dos estados-partes do Mercosul, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que a proximidade e o diálogo franco entre os países que integram o bloco econômico são conquistas que devem ser protegidas e valorizadas. "Essa proximidade e esse diálogo franco são conquistas históricas ainda recentes, mas que devemos valorizar e proteger", acrescentou.

Segundo Vieira, a integração regional fortalece a capacidade dos países do Mercosul, de modo que eles alcancem resultados favoráveis. O ministro esclareceu que os integrantes do bloco estão dispostos a caminhar juntos. Vieira também destacou o reconhecimento da região como livre de conflitos e aberta ao diálogo.

Bolívia terá oficializada a adesão como sexto membro pleno do mercado comum regional

O encontro da cúpula dos chefes de Estado do Mercosul, em Brasília, vai selar a entrada da Bolívia como membro pleno do grupo. Desde 1996, o país é associado ao bloco e pode participar, como convidado, das reuniões que tratem de interesses em comum.

A adesão definitiva da Bolívia já havia sido discutida no último encontro do Mercosul, em dezembro do ano passado, mas não foi definida data para a admissão do país vizinho. Ao ser incorporado, o bloco fica com seis membros fixos, além do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

Para que qualquer país seja aceito no bloco é necessária aprovação de todos os demais. No fim do ano passado, quase todas as comitivas internacionais já haviam aceitado a inclusão da Bolívia no bloco, menos a paraguaia.

O Paraguai estava suspenso do Mercosul quando os outros países decidiram aceitar a Bolívia. E os legisladores dos cinco países que já fazem parte do bloco também precisam aprovar a entrada. A suspensão do Paraguai, se deu em 2012 com a remoção de Fernando Lugo da presidência do país, tendo gerado uma crise diplomática internacional com os países sul-americanos.

O documento com a adesão da Bolívia será assinado em cerimônia na manhã desta sexta-feira. Outros dois termos serão firmados para a Guiana e o Suriname, que passam a integrar o grupo como associados, com menos responsabilidades e direitos que os membros plenos.

A cúpula do Mercosul se reúne a cada seis meses. A última reunião ocorreu em dezembro, na cidade argentina de Paraná, a 500 quilômetros de Buenos Aires. In “Jornal do Comércio” - Brasil

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Bolívia – Obtêm acordo com o Uruguai para uma saída para o Oceano Atlântico

Mujica outorga à Bolívia saída para o Oceano Atlântico - Pepe Mujica e Evo Morales assinaram um acordo em que o governo uruguaio concede facilidades para a Bolívia usar o terminal de cargas do porto que será construído em Rocha

São Paulo – O presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, e o presidente da Bolívia, Evo Morales, assinaram no passado dia 26 de Fevereiro de 2015, um memorando em que o Uruguai outorga a Bolívia uma saída para o Oceano Atlântico no porto de águas profundas que será construído no departamento uruguaio de Rocha. As condições para utilização serão definidas nos próximos meses, com uma equipe de técnicos.

O documento expressa a disposição do governo uruguaio de conceder à Bolívia facilidades e concessões para utilização do espaço terrestre do porto e do terminal de águas profundas que será construído na costa atlântica do Uruguai. O projeto é avaliado em US$ 500 milhões e contará com recursos brasileiros, por meio do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul.

Mujica, que concluirá seu mandato hoje, afirmou que é “inevitável” que o povo boliviano tenha uma saída para o mar e que o intercâmbio comercial marítimo é um “direito natural” para o desenvolvimento das nações. “Todos os países de América do Sul necessitam desta integração para o comércio de complementariedade para o bem do nosso povo”, disse. O presidente uruguaio agradeceu o trabalho de Morales em colaborar para a permanente integração da América Latina.

O acordo foi firmado em uma reunião na Casa de Governo do Uruguai, em Montevidéu, capital do país. Morales afirmou que o porto de Rocha se converterá no “primeiro ponto de saída” da Bolívia para o Oceano Atlântico e que as duas nações “trabalharão conjuntamente” na região. “Agradecemos em nome do povo boliviano a grande iniciativa de nosso presidente José Mujica, pelo convite para visitar o Uruguai e aprofundar nossos laços de solidariedade e complementariedade”, afirmou Morales, durante entrevista coletiva.

Os chanceleres uruguaios e bolivianos Víctor Oporto e David Choquehuanca também assinaram acordos complementares para garantir a instalação de unidades de tratamento de água na Bolívia e para implementar ações de combate à discriminação racial e de promoção de igualdade de oportunidades nos países. In “Rede Brasil Atual” - Brasil

sábado, 22 de novembro de 2014

Brasil – Ligação ferroviária ao Peru

A construção de uma linha ferroviária entre Brasil e o Peru, que permitirá unir comercialmente os portos do Atlântico e do Pacífico, não cruzará a Bolívia como este país espera, anunciou na passada quarta-feira, 19 de Novembro de 2014, o presidente peruano, Ollanta Humala.

O presidente disse que esta mega obra, que os governos de Lima e Brasília projectam, foi um dos assuntos abordados na sua recente viagem à China, país que em princípio participará na construção e no financiamento desta infraestrutura.

"Após um acordo prévio com o Brasil na China foi aprovada a assinatura de um memorando para iniciar os estudos de um projecto de caminho-de-ferro que una os oceanos e possa integrar os mercados de Brasil, Peru e China", disse Humala, durante a reunião com os meios de comunicação estrangeiros no Palácio do Governo.

O chefe de Estado indicou que o percurso que a linha férrea cobrirá não será pelo sul do Peru e através da Bolívia, mas sim "pelo norte do Peru, por razões de interesse nacional", que não especificou.

A Bolívia pretende participar no projeto que permite um escoamento dos seus produtos através dos portos dos dois oceanos, superando a ausência de acesso ao mar que no passado já teve.

Segundo estimativas iniciais, a ferrovia terá um custo de US$ 10 mil milhões, que a China estará em condições de financiar.

No passado mês de Outubro, o plano gerou alguns atritos diplomáticos entre as capitais, Lima e La Paz, depois do presidente boliviano, Evo Morales, afirmar que o Peru estava a marginalizar a Bolívia na participação no traçado.

"Não sei se o Peru está fazendo uma jogada desonesta", queixou-se Evo Morales.

Humala declarou ter "o maior respeito pelo presidente Evo Morales" e que o seu país está comprometido na integração com a Bolívia e apoia a sua reivindicação histórica de uma saída para o mar.

Neste sentido, referiu-se a "outro projeto de ferrovia que viria de La Paz" e chegaria até os portos peruanos e Lima. Afirmou que os ministros do Transporte dos dois países entraram em contato para avançar nesta temática. "É um desafio de engenharia pelas descidas da Cordilheira dos Andes até à costa", acrescentou. Baía da Lusofonia