O Governo recebeu, até ao momento, mais de 20 candidatos portugueses ou brasileiros, nas três edições dos Programas de Captação de Quadros Qualificados. Desses, foram admitidos mais de 30%, que pertencem a diversas áreas, incluindo o ensino e investigação e a aviação, revelou a Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados, ao Jornal Tribuna de Macau. Por outro lado, indicou que, dos candidatos não oriundos dos países lusófonos, quase 20 obtiveram pontos adicionais por serem proficientes na língua portuguesa e possuir graus académicos conferidos por instituições de ensino superior de Portugal. Neste caso, mais de 50% foram admitidos
Até ao momento, as autoridades
receberam cerca de 2100 candidaturas válidas no âmbito das três edições dos
Programas de Captação de Quadros Qualificados, das quais mais de 900 candidatos
foram incluídos na “lista de quadros qualificados propostos para captação”.
Entre as candidaturas recebidas, mais de 20 candidatos são de Portugal ou do
Brasil, revelou a Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados (CDQQ),
numa resposta enviada ao Jornal Tribuna de Macau.
Segundo a CDQQ, mais de 30% desses candidatos portugueses
ou brasileiros foram incluídos na referida lista. Esses quadros admitidos para
captação pertencem a diversas áreas, como o ensino e investigação e a aviação,
constatou a Comissão.
Além de Portugal, Brasil e outros países lusófonos, as
origens dos quadros qualificados admitidos até ao momento também incluem a
Europa, os Estados Unidos e países ou regiões da Ásia, aponta a Comissão,
avaliando que as três edições dos Programas de Captação de Quadros Qualificados
conseguiram “alcançar resultados faseados”.
Neste ponto, a Comissão destacou que foram “captados com
sucesso” diversos quadros qualificados de elevada qualidade, como membros da
Academia Chinesa de Engenharia, atletas medalhadas com ouro e premiados do
“Xplorer prize”.
A CDQQ garante ainda que “o Governo da RAEM congratula-se
vivamente com a vinda de quadros qualificados dos Países de Língua Portuguesa
(PLP) para se desenvolverem em Macau”, para isso, nas três edições dos
programas de captação, estabeleceu critérios adicionais de pontuação relativos
à proficiência na língua portuguesa e às áreas de especialização de Educação
nas instituições de ensino superior de Portugal.
Segundo adiantou, dos candidatos não oriundos dos PLP,
quase 20 obtiveram pontos adicionais por conseguir apresentar comprovativos
sobre a proficiência na língua portuguesa e graus académicos conferidos por
instituições de ensino superior de Portugal, que satisfazem os requisitos.
Finalmente, mais de 50% desses candidatos foram incluídos na “lista de quadros
qualificados propostos para captação”. Esses talentos também se dedicam a
variados domínios, por exemplo, o ensino e investigação, sector de convenções e
exposições (MICE) e aviação.
Nesta vertente, a Comissão recorda que, no programa para
quadros altamente qualificados e no programa para profissionais de nível
avançado, são dados pontos adicionais aos candidatos que possuam boa capacidade
de expressão em língua portuguesa. Além disso, lembra que, no âmbito do
programa para profissionais de nível avançado das indústrias cultural,
desportiva e outras indústrias, os candidatos detentores de licenciatura em
Educação ou do grau académico de um curso integrado de licenciatura e mestrado
conferido por uma das cinco melhores instituições de ensino superior de
Portugal podem também ganhar uma pontuação adicional.
Acrescenta ainda que, com o objectivo de atrair ainda
mais quadros qualificados dos países lusófonos, a terceira edição dos referidos
programas criou vários elementos favoráveis à atracção de quadros qualificados
internacionais e dos PLP, incluindo a adição de 40 prémios ou títulos
internacionalmente reconhecidos, o alargamento do âmbito de reconhecimento dos
quadros qualificados de elevada qualidade e a introdução de critérios de
pontuação relativos à habilitação académica das principais instituições de ensino
superior dos PLP e à experiência profissional internacional.
Por outro lado, a CDQQ destaca que, para atrair ainda
mais quadros qualificados lusófonos, o Governo da RAEM tem reforçado
continuamente os trabalhos de divulgação das políticas de desenvolvimento de
quadros qualificados de Macau. Neste aspecto, recorda que um dos intuitos da
visita do Chefe do Executivo a quatro países europeus em Abril foi acelerar o
alargamento e o aprofundamento da colaboração entre a RAEM, o Interior da China
e os países de língua portuguesa e espanhola na atracção e formação de quadros
qualificados.
Além disso, a visita visou ampliar o âmbito da divulgação
das políticas do Governo da RAEM relativas aos quadros qualificados, através da
procura de forma contínua de cooperações mais pragmáticas com os organismos
governamentais, associações educativas e associações industriais e comerciais.
Perspectivando o futuro, a CDQQ prometeu que continuará a
proceder aos trabalhos de divulgação, garantindo que os dois grupos de trabalho
interdepartamentais (“O Grupo de Promoção e Desenvolvimento de Quadros
Qualificados” e o “Grupo de Trabalho para Serviços de Quadros Qualificados”,
criados em 2025) desempenham os devidos papéis. Além disso, a Comissão quer
“aproveitar, sobretudo, o papel de interlocutor local da Delegação Económica e
Comercial de Macau, em Lisboa, para que mais quadros qualificados dos países de
língua portuguesa e espanhola conheçam as políticas de Macau relativas aos
quadros qualificados e as oportunidades de desenvolvimento”.
Recorde-se que o Regime jurídico de captação de quadros
qualificados entrou em vigor no dia 1 de Julho de 2023. O diploma prevê o
lançamento do Programa de Captação de Quadros Qualificados e as suas três
categorias. Recentemente, após a primeira reunião plenária ordinária deste ano
da CDQQ, Kong Chi Meng, secretário-geral da Comissão, revelou que a maior parte
dos quadros já admitidos pertence ao sector da educação, tendo em conta o
desenvolvimento da Cidade Universitária em Hengqin.
Premiados 160 residentes para participação em exames
CAPLE
Por outro lado, outro trabalho da CDQQ assenta na
formação dos quadros qualificados de Macau em língua portuguesa, à qual a
Comissão garante que o Governo “atribui importância”.
No âmbito do “Programa de Estímulo à Formação e aos
Exames de Credenciação dos Quadros Qualificados”, lançado desde 2017, o Governo
inclui a língua portuguesa no Catálogo de prémios relativos às competências
linguísticas e mantém este idioma no Catálogo do Prémio de Avaliação da
Competência em Línguas Estrangeiras de todas as edições do programa, para
“encorajar mais residentes de Macau a estudar esta língua”, aponta.
Segundo revelou, até ao momento, mais de 160 residentes
foram premiados para participação em exames do Centro de Avaliação de Português
Língua Estrangeira (CAPLE).
Além disso, a CDQQ trabalha para melhor aproveitar os
recursos de talentos de Macau, desenvolvendo trabalhos relacionados com o
incentivo ao regresso de talentos locais, para se conseguir “os recursos
humanos de alta qualidade que a região necessita e, também, o aumento geral da
proporção de talentos em Macau”, segundo indica o site da Comissão.
Neste leque, a CDQQ tem vários trabalhos concretos. Por
exemplo, construiu a plataforma de informações sobre o regresso de pessoas de
Macau, realiza estudos e lançou, em conjunto com o Fundo Educativo, o “Programa
do prémio para pessoal docente, investigador e administrativo que regressa a
Macau para trabalhar num curto prazo”, no intuito de aumentar as hipóteses de
regresso para prestarem serviço no território.
A este jornal, a Comissão notou que, nos últimos anos, a
CDQQ e os serviços de educação têm marcado presença continuamente em diferentes
ocasiões e actividades no estrangeiro, tendo interagido com residentes de Macau
que trabalham ou estudam naqueles países ou regiões e incentivado mais
residentes a regressar ao território. No entanto, a Comissão disse não ter
dados sobre o número de residentes incentivados a regressar à cidade natal nem
os sectores aos quais pertencem, uma vez que “o regresso ou não a Macau para o
desenvolvimento depende da sua vontade e decisões pessoais”. In “Jornal
Tribuna de Macau” - Macau