Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Macau - Aprova 30% de duas dezenas de quadros portugueses e brasileiros

O Governo recebeu, até ao momento, mais de 20 candidatos portugueses ou brasileiros, nas três edições dos Programas de Captação de Quadros Qualificados. Desses, foram admitidos mais de 30%, que pertencem a diversas áreas, incluindo o ensino e investigação e a aviação, revelou a Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados, ao Jornal Tribuna de Macau. Por outro lado, indicou que, dos candidatos não oriundos dos países lusófonos, quase 20 obtiveram pontos adicionais por serem proficientes na língua portuguesa e possuir graus académicos conferidos por instituições de ensino superior de Portugal. Neste caso, mais de 50% foram admitidos


Até ao momento, as autoridades receberam cerca de 2100 candidaturas válidas no âmbito das três edições dos Programas de Captação de Quadros Qualificados, das quais mais de 900 candidatos foram incluídos na “lista de quadros qualificados propostos para captação”. Entre as candidaturas recebidas, mais de 20 candidatos são de Portugal ou do Brasil, revelou a Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados (CDQQ), numa resposta enviada ao Jornal Tribuna de Macau.

Segundo a CDQQ, mais de 30% desses candidatos portugueses ou brasileiros foram incluídos na referida lista. Esses quadros admitidos para captação pertencem a diversas áreas, como o ensino e investigação e a aviação, constatou a Comissão.

Além de Portugal, Brasil e outros países lusófonos, as origens dos quadros qualificados admitidos até ao momento também incluem a Europa, os Estados Unidos e países ou regiões da Ásia, aponta a Comissão, avaliando que as três edições dos Programas de Captação de Quadros Qualificados conseguiram “alcançar resultados faseados”.

Neste ponto, a Comissão destacou que foram “captados com sucesso” diversos quadros qualificados de elevada qualidade, como membros da Academia Chinesa de Engenharia, atletas medalhadas com ouro e premiados do “Xplorer prize”.

A CDQQ garante ainda que “o Governo da RAEM congratula-se vivamente com a vinda de quadros qualificados dos Países de Língua Portuguesa (PLP) para se desenvolverem em Macau”, para isso, nas três edições dos programas de captação, estabeleceu critérios adicionais de pontuação relativos à proficiência na língua portuguesa e às áreas de especialização de Educação nas instituições de ensino superior de Portugal.

Segundo adiantou, dos candidatos não oriundos dos PLP, quase 20 obtiveram pontos adicionais por conseguir apresentar comprovativos sobre a proficiência na língua portuguesa e graus académicos conferidos por instituições de ensino superior de Portugal, que satisfazem os requisitos. Finalmente, mais de 50% desses candidatos foram incluídos na “lista de quadros qualificados propostos para captação”. Esses talentos também se dedicam a variados domínios, por exemplo, o ensino e investigação, sector de convenções e exposições (MICE) e aviação.

Nesta vertente, a Comissão recorda que, no programa para quadros altamente qualificados e no programa para profissionais de nível avançado, são dados pontos adicionais aos candidatos que possuam boa capacidade de expressão em língua portuguesa. Além disso, lembra que, no âmbito do programa para profissionais de nível avançado das indústrias cultural, desportiva e outras indústrias, os candidatos detentores de licenciatura em Educação ou do grau académico de um curso integrado de licenciatura e mestrado conferido por uma das cinco melhores instituições de ensino superior de Portugal podem também ganhar uma pontuação adicional.

Acrescenta ainda que, com o objectivo de atrair ainda mais quadros qualificados dos países lusófonos, a terceira edição dos referidos programas criou vários elementos favoráveis à atracção de quadros qualificados internacionais e dos PLP, incluindo a adição de 40 prémios ou títulos internacionalmente reconhecidos, o alargamento do âmbito de reconhecimento dos quadros qualificados de elevada qualidade e a introdução de critérios de pontuação relativos à habilitação académica das principais instituições de ensino superior dos PLP e à experiência profissional internacional.

Por outro lado, a CDQQ destaca que, para atrair ainda mais quadros qualificados lusófonos, o Governo da RAEM tem reforçado continuamente os trabalhos de divulgação das políticas de desenvolvimento de quadros qualificados de Macau. Neste aspecto, recorda que um dos intuitos da visita do Chefe do Executivo a quatro países europeus em Abril foi acelerar o alargamento e o aprofundamento da colaboração entre a RAEM, o Interior da China e os países de língua portuguesa e espanhola na atracção e formação de quadros qualificados.

Além disso, a visita visou ampliar o âmbito da divulgação das políticas do Governo da RAEM relativas aos quadros qualificados, através da procura de forma contínua de cooperações mais pragmáticas com os organismos governamentais, associações educativas e associações industriais e comerciais.

Perspectivando o futuro, a CDQQ prometeu que continuará a proceder aos trabalhos de divulgação, garantindo que os dois grupos de trabalho interdepartamentais (“O Grupo de Promoção e Desenvolvimento de Quadros Qualificados” e o “Grupo de Trabalho para Serviços de Quadros Qualificados”, criados em 2025) desempenham os devidos papéis. Além disso, a Comissão quer “aproveitar, sobretudo, o papel de interlocutor local da Delegação Económica e Comercial de Macau, em Lisboa, para que mais quadros qualificados dos países de língua portuguesa e espanhola conheçam as políticas de Macau relativas aos quadros qualificados e as oportunidades de desenvolvimento”.

Recorde-se que o Regime jurídico de captação de quadros qualificados entrou em vigor no dia 1 de Julho de 2023. O diploma prevê o lançamento do Programa de Captação de Quadros Qualificados e as suas três categorias. Recentemente, após a primeira reunião plenária ordinária deste ano da CDQQ, Kong Chi Meng, secretário-geral da Comissão, revelou que a maior parte dos quadros já admitidos pertence ao sector da educação, tendo em conta o desenvolvimento da Cidade Universitária em Hengqin.

Premiados 160 residentes para participação em exames CAPLE

Por outro lado, outro trabalho da CDQQ assenta na formação dos quadros qualificados de Macau em língua portuguesa, à qual a Comissão garante que o Governo “atribui importância”.

No âmbito do “Programa de Estímulo à Formação e aos Exames de Credenciação dos Quadros Qualificados”, lançado desde 2017, o Governo inclui a língua portuguesa no Catálogo de prémios relativos às competências linguísticas e mantém este idioma no Catálogo do Prémio de Avaliação da Competência em Línguas Estrangeiras de todas as edições do programa, para “encorajar mais residentes de Macau a estudar esta língua”, aponta.

Segundo revelou, até ao momento, mais de 160 residentes foram premiados para participação em exames do Centro de Avaliação de Português Língua Estrangeira (CAPLE).

Além disso, a CDQQ trabalha para melhor aproveitar os recursos de talentos de Macau, desenvolvendo trabalhos relacionados com o incentivo ao regresso de talentos locais, para se conseguir “os recursos humanos de alta qualidade que a região necessita e, também, o aumento geral da proporção de talentos em Macau”, segundo indica o site da Comissão.

Neste leque, a CDQQ tem vários trabalhos concretos. Por exemplo, construiu a plataforma de informações sobre o regresso de pessoas de Macau, realiza estudos e lançou, em conjunto com o Fundo Educativo, o “Programa do prémio para pessoal docente, investigador e administrativo que regressa a Macau para trabalhar num curto prazo”, no intuito de aumentar as hipóteses de regresso para prestarem serviço no território.

A este jornal, a Comissão notou que, nos últimos anos, a CDQQ e os serviços de educação têm marcado presença continuamente em diferentes ocasiões e actividades no estrangeiro, tendo interagido com residentes de Macau que trabalham ou estudam naqueles países ou regiões e incentivado mais residentes a regressar ao território. No entanto, a Comissão disse não ter dados sobre o número de residentes incentivados a regressar à cidade natal nem os sectores aos quais pertencem, uma vez que “o regresso ou não a Macau para o desenvolvimento depende da sua vontade e decisões pessoais”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

China - Estabelece um novo recorde para um único carregamento de veículos elétricos para o mercado europeu

A bordo seguiam 7738 Tesla Model 3 e Model Y produzidos na Gigafactory de Xangai, estabelecendo um novo recorde para um único carregamento de veículos elétricos expedidos a partir de um porto chinês com destino ao mercado europeu


Tem 230 metros de comprimento, 14 conveses e capacidade para transportar até 10.800 automóveis. Chama-se Glovis Nova e acaba de entrar para a história ao partir da China rumo à Europa com a maior carga de sempre de automóveis Tesla transportada num único navio.

A bordo seguiam 7738 Tesla Model 3 e Model Y produzidos na Gigafactory de Xangai, estabelecendo um novo recorde para um único carregamento de veículos elétricos expedidos a partir de um porto chinês com destino ao mercado europeu, segundo o ‘South China Morning Post’.

O destino da viagem foi Zeebrugge, na Bélgica, um dos principais portos de entrada de automóveis na Europa, de onde os veículos foram depois distribuídos por vários mercados europeus.

Os números ajudam a perceber a dimensão da operação. Se fossem estacionados em fila, os 7738 automóveis formariam uma coluna com cerca de 36 quilómetros. Lado a lado, ocupariam uma área equivalente a aproximadamente 9,5 campos de futebol, de acordo com os cálculos divulgados pelo porto de Xangai.

O Glovis Nova pertence à nova geração de navios concebidos para responder ao crescimento das exportações automóveis da China. Movido a gás natural liquefeito (GNL), está entre os maiores transportadores de automóveis do mundo e foi desenhado para reduzir as emissões sem sacrificar a enorme capacidade de carga.

A proximidade entre a Gigafactory da Tesla, em Xangai, e o porto de embarque é um dos fatores que ajuda a explicar a rapidez da operação. Os automóveis percorrem apenas alguns quilómetros desde a linha de produção até ao cais, onde são conduzidos para o interior do navio através de rampas que ligam os vários conveses.

Mais do que um simples recorde logístico, esta viagem ilustra a crescente importância da China no mercado automóvel mundial. Embora a Tesla seja uma empresa dos Estados Unidos, uma parte significativa dos Model 3 e Model Y vendidos na Europa continua a ser produzida em Xangai, seguindo depois por mar até aos portos europeus.

E tudo indica que este recorde poderá não durar muito tempo. Apesar dos 7738 automóveis transportados nesta viagem inaugural, o Glovis Nova pode levar até 10.800 veículos. À medida que entram ao serviço navios cada vez maiores, a fasquia promete continuar a subir. In “Automonitor” - Portugal


sábado, 1 de agosto de 2026

Macau - Curso de Verão “abriu portas ao mundo” na aprendizagem da cultura lusófona

O Departamento de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau encerrou o 40.º Curso de Verão de Língua Portuguesa. Para os coordenadores, a iniciativa voltou a ser um sucesso, tendo contado com a participação de cerca de quatro centenas de inscrições. A professora Tânia Ferreira, envolvida pela primeira vez na organização, disse ao Jornal Tribuna de Macau ter ficado surpreendida por “ainda haver esta chama” de interesse pela aprendizagem da cultura e da língua portuguesa


A tendência cada vez maior pelo interesse na aprendizagem da cultura e da língua portuguesa ficou comprovada pela “dedicação inspiradora”, dos alunos participantes na 40.ª edição do Curso de Verão de Língua Portuguesa da Universidade de Macau (UM).

A expressão é de Tânia Ferreira, coordenadora da iniciativa juntamente com Lu Chunhui, que ao Jornal Tribuna de Macau fez o balanço da formação que decorreu durante três semanas e que contou com cerca de 400 inscrições.

“O balanço é bastante positivo”, salienta a professora do Departamento de Português da Faculdade de Letras da UM, para quem a oferta formativa foi “muito rica”, uma vez que “eles tiveram oportunidade de aprender um pouco sobre danças folclóricas e participar noutros workshops dedicados à língua portuguesa, à cultura dos países lusófonos, à literatura, à história e à tradução”.

Além disso, referiu que, “uma vez que também temos colegas que são especialistas na área do ensino da língua portuguesa e na certificação da aprendizagem do português”, foi oferecido um workshop dedicado ao funcionamento dos exames de proficiência da língua lusa, onde não faltou o patuá e a sua importância em Macau.

Para o sucesso de mais um Curso de Verão da UM, a coordenadora destaca a boa parceria feita com Lu Chunhui. “Ele fala chinês e coordenou bem uma equipa que integrou também alunos que nos ajudaram em toda a área da organização”, indica, sublinhando que o “interesse foi tanto que as inscrições esgotaram horas depois de terem sido lançadas”.

Tânia Ferreira está no Departamento desde Janeiro deste ano, tendo sido contratada para leccionar na área da linguística e coordenação de iniciativas como este Curso de Verão de Língua Portuguesa. Foi, por isso, a sua primeira experiência à frente da iniciativa.

Tendo trabalhado na China, em Pequim, há 12 anos, a docente constatou “com muita alegria” esta “entrega dos alunos”, porque também não conhecia este grande interesse pela língua portuguesa, pelo seu potencial, sobretudo económico, para trabalhar nos países de língua portuguesa (PLP), em especial em África e no Brasil.

Os participantes na formação eram todos de etnia chinesa, incluindo alguns que vivem fora do Continente e Macau, e não só provenientes de universidades, mas igualmente de outras áreas. Demonstraram “uma grande vontade de apreender”, o que achei incrível, e com uma dedicação inspiradora”, enfatizou, concluindo ter ficado surpreendida pelo interesse que existe em aprender a língua portuguesa.

“Não tinha essa noção e, de facto, pude depois confirmar que nos últimos anos tem sido essa a tendência”. Por isso, diz, “estou muito satisfeita por ainda haver esta chama”.

Na cerimónia de encerramento, os dois coordenadores do Curso de Verão da UM destacaram a variedade de actividades incluídas na formação, com temas que abrangeram, para além da dança, a interpretação de grandes autores como Camões e Fernando Pessoa, a evolução cultural e literária do Brasil, a prática de tradução poética, visitas guiadas à história e cultura de Macau, orientações de preparação para os exames CAPLE e a partilha de experiências por uma intérprete profissional, entre outros.

A concepção do curso, apoiado pela Fundação Macau, teve em conta a diversidade temática e geográfica, “articulando-se em diferentes níveis de acesso para que os formandos de todas as etapas pudessem obter resultados frutuosos”, segundo se pode ler num comunicado da UM.

Na sessão final, que incluiu a entrega de diplomas aos participantes, representantes dos alunos de diferentes níveis partilharam as suas vivências académicas e pessoais na universidade.

Lin Xi, da Universidade de Comunicação da China, salientou que o curso lhe permitiu consolidar os conhecimentos de gramática portuguesa e alargar o seu contexto cultural, esperando “aplicar o que aprendeu para promover o intercâmbio sino-estrangeiro e contar melhor a história da China”.

Feng Maomao, da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, referiu que o curso lhe proporcionou a vivência da cultura e literatura dos PLP, como a cultura popular do Brasil e o folclore de Portugal, o que representou para si a abertura de “uma nova porta para o mundo”.

Por seu turno, Li Qianyu, aluna do nível avançado, aprofundou a sua compreensão sobre a história e literatura de Macau, afirmando que UM é “uma plataforma de excelência para o intercâmbio intercultural”.

Já Huang Wai Kuan, prestes a ingressar na Faculdade de Direito da UM, explicou que o Direito de Macau exige o domínio tanto do chinês como do português, conseguindo assimilar gradualmente os conhecimentos básicos de português em três semanas.

Durante a cerimónia, os formandos apresentaram diversas actuações, evidenciando não só o que assimilaram durante o curso, mas também a sua paixão pela cultura dos PLP. Como já é tradição no Curso de Verão, alunos de diferentes níveis subiram ao palco para actuar em conjunto na dança folclórica portuguesa, sob a orientação da docente Mirandolina, “num ambiente bastante animado”, realça o comunicado da UM.

Além disso, a sessão final contou ainda com a declamação do poema “Orelhas” e a interpretação das canções “Não Precisa”, de Paula Fernandes, e “Flor de Lis”, famosa canção brasileira escrita e gravada pelo cantor e compositor Djavan. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 31 de julho de 2026

China - Regista forte crescimento do comércio ferroviário com a Europa

Os comboios de mercadorias que ligam a China à Europa realizaram mais de 130 mil viagens na última década, representando um comércio superior a 520 mil milhões de dólares.


Actualmente, transportam por mês a mesma quantidade de mercadorias registada em todo o ano de 2016. Estes foram alguns dos dados revelados por Liang Linchong, director-geral do Departamento de Abertura Regional da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (principal órgão de planeamento económico da China), durante uma conferência de imprensa realizada em Pequim.

Citado pelo jornal oficial “Global Times”, Liang sublinhou que o número de viagens nesta ligação ferroviária comercial aumentou de 1702 em 2016 – quando estes serviços foram unificados sob um único nome – para mais de 20.000 no ano passado, representando uma taxa média de crescimento anual superior a 30%. O mesmo responsável indicou ainda que a digitalização dos processos alfandegários permite agora que estes sejam concluídos em cerca de meia hora e que os horários fixos dos comboios reduziram o tempo de viagem em mais de um terço em rotas como a entre Xi’an (China central) e Duisburg (Alemanha ocidental), que passou de 15 para 11 dias.

Os comboios têm operado com 100% da sua capacidade de carga durante 46 meses consecutivos, observou Liang, acrescentando que a proporção de mercadorias que saem da China em relação às que chegam da Europa está a aproximar-se de um “equilíbrio de um para um”, o que representaria uma “forte procura bidireccional”.

A expansão das rotas que ligam a China à Europa também aumentou a atractividade para os comerciantes transfronteiriços, afirmou o representante da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, mencionando as novas ligações abertas através do corredor do Mar Cáspio, através da Turquia, e do porto russo de São Petersburgo para a Alemanha. A volatilidade das rotas marítimas devido à escalada dos conflitos geopolíticos também beneficiou estes comboios, especialmente para as empresas que procuram um acesso rápido à Europa, como os fabricantes de ar condicionado Midea e Gree, que reduziram os prazos de entrega de cerca de 40 dias para aproximadamente 15 em resposta à onda de calor que afecta o continente. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 30 de julho de 2026

Macau - Associação quer aprofundar intercâmbio jurídico entre a China e o mundo lusófono

Uma deslocação ao Brasil da Associação de Intercâmbio e Promoção Jurídica de Macau focou-se na cooperação, arbitragem internacional e nos impactos da inteligência artificial no sector jurídico. A delegação assinou memorandos de entendimento com sete instituições brasileiras, abrangendo associações empresariais, escritórios de advocacia, faculdades de direito, arbitragem e mediação. No futuro, a Associação pretende aprofundar a articulação de regras jurídicas entre Hengqin e Macau, promover o sistema de serviços jurídicos para a internacionalização da medicina tradicional chinesa e expandir a cooperação na área de resolução de disputas internacionais


A Associação de Intercâmbio e Promoção Jurídica de Macau (MLEPA, na sigla em inglês) realizou uma visita institucional ao Brasil focada na cooperação jurídica, arbitragem internacional e nos impactos da inteligência artificial (IA) no sector. A comitiva cumpriu uma extensa agenda, que incluiu diversos encontros focados nas oportunidades e desafios do uso de IA generativa na advocacia, protecção de dados e comércio transfronteiriço.

Durante a estada em São Paulo, a MLEPA assinou memorandos de entendimento com sete instituições brasileiras de referência, como o Ibrachina e o IBCJ, abrangendo associações empresariais, escritórios de advocacia, faculdades de direito, arbitragem e mediação.

Além disso, realizou visitas e encontros, com passagens por organismos de São Paulo, como o Tribunal de Justiça, a OAB/SP, a Assembleia Legislativa e a Faculdade de Direito da USP. O objectivo central foi consolidar Macau como uma plataforma de serviços para a cooperação jurídica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa (PLP).

A delegação promoveu igualmente o seu primeiro seminário jurídico no Brasil, construindo oficialmente um canal bilateral de serviços jurídicos “China Continental-Hengqin-Macau-Brasil”. Ao Jornal Tribuna de Macau, a associação disse que a conferência constituiu um “marco importante para a cooperação da associação com o país lusófono da América Latina”.

O painel com especialistas da RAEM contou com a participação de membros da MLEPA, nomeadamente Joaquim Vong e Brian Cheang, respectivamente presidente e vice-presidente executivo, e Stephen Hu, especialista em investimentos bilaterais.

O evento reuniu académicos e profissionais do Direito para debater oportunidades, desafios e tendências na profissão jurídica na era da IA generativa, com foco na troca de experiências sobre inovação, transformação digital e cooperação institucional entre o Brasil e a China.

Brian Cheang falou sobre a legislação relativa à protecção de dados pessoais na era da IA generativa, destacando o papel da MLEPA e a importância de laços mais estreitos com o Brasil. O advogado salientou que, “como temos muitos advogados em Macau que falam português, somos vistos como uma plataforma de interacção entre a China e os PLP, entre os quais o Brasil”, acrescentando que, “cada vez mais, os profissionais do Direito chineses estão a reconhecer a necessidade de uma maior interacção”.

Joaquim Vong abordou a aplicação da IA no Direito na China Continental e em Macau, afirmando a necessidade de “unir forças para construir uma plataforma de IA para o comércio jurídico entre a China e o Brasil, tendo Macau como centro nevrálgico”. Desta forma, expressou, “podemos promover a cooperação económica e comercial bilateral, aprofundando as relações de amizade”.

Por sua vez, Stephen Hu fez uma apresentação sobre as oportunidades e os desafios da IA generativa para os profissionais do Direito, propondo uma reflexão sobre os limites da sua utilização na prática jurídica. “Temos de verificar quais as plataformas mais adequadas para cada tarefa, analisando os dados e encontrando um equilíbrio entre o trabalho automatizado e a verificação humana”, mencionou.

Em termos de futuro, a MLEPA centrar-se-á na construção do “Corredor Económico e Jurídico China Continental – Hengqin/Macau – Brasil”, com foco em cinco áreas: resolução de disputas transfronteiriças, serviços jurídicos para investimentos bilaterais, serviços de internacionalização da medicina tradicional chinesa e comércio, intercâmbio de talentos e académico, e articulação de regras jurídicas entre Hengqin e Macau. “Iremos expandir gradualmente a rede de cooperação para todos os países lusófonos do mundo”, refere a nota enviada ao JTM.

Sobre o intercâmbio com os PLP, a MLEPA salienta que, “baseando-se no posicionamento de Macau como plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países lusófonos e no papel de apoio da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin, aprofundar o intercâmbio jurídico entre a China continental e os países lusófonos é tanto um requisito para servir a estratégia de desenvolvimento nacional como uma medida necessária para usufruir das vantagens únicas de Macau e promover a sua diversificação económica adequada”.

A MLEPA, fundada em 2019, é composta por profissionais jurídicos diversificados: advogados locais em exercício, docentes de Direito de universidades, funcionários públicos da área jurídica e consultores jurídicos empresariais.

“A missão central é defender a autoridade da Constituição e da Lei Básica de Macau, promover a integração da comunidade jurídica da RAEM no desenvolvimento nacional, participar na articulação de regras da Grande Baía e da Zona de Cooperação de Hengqin, e construir uma ponte de intercâmbio jurídico entre a China continental e os países lusófonos”, salienta a associação.

Desde que foi criada, a MLEPA realizou, durante seis anos consecutivos o “Fórum de Inovação Jurídica da Grande Baía”, publicou diversos guias jurídicos, obteve autorização para estabelecer a Representação em Guangdong em Hengqin, criou a marca de intercâmbio juvenil “Rota da Seda Liga Macau: Jovens da Ibéria”, e conta com uma rede de cooperação global que abrange mais de 100 instituições profissionais. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 29 de julho de 2026

Macau - Intercâmbio cultural trouxe dirigentes dos países de língua portuguesa

Dirigentes do sector da cultura dos países lusófonos vieram a Macau para potenciar as vantagens do cruzamento das culturas chinesa e ocidental e aprofundar a cooperação. A delegação visitou locais do património cultural e encontrou-se com a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, que salientou a importância do intercâmbio cultural a nível internacional


Durante três dias, uma delegação de 11 dirigentes da área da cultura dos países de língua portuguesa (PLP) esteve em Macau para efectuar visitas a locais do património e participar em sessões temáticas, para além de ter mantido um encontro com a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura. Na ocasião, O Lam trocou impressões sobre o desenvolvimento do sector cultural e referiu que, com vista a concretizar o posicionamento da RAEM como “Uma Base de Intercâmbio e Cooperação para a Promoção da Coexistência Multicultural, com Predominância da Cultura Chinesa”, o Governo tem vindo a “empenhar-se activamente em transformar Macau numa ligação relevante de alto nível do País na abertura ao exterior”.

Para além disso, destacou o objectivo de tornar a RAEM numa “janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental, promovendo de forma contínua o diálogo e o intercâmbio cultural a nível internacional”.

O programa visou estabelecer uma “ponte pragmática para o intercâmbio cultural e humano entre a China e os PLP”, segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC).

A delegação visitou diversos pontos do património cultural, incluindo as Ruínas de S. Paulo e a respectiva experiência em realidade virtual, o Museu de Macau, a Fortaleza do Monte, o Edifício do Instituto para os Assuntos Municipais, a Biblioteca do Senado, a Casa do Mandarim e o Templo de A-Má. A comitiva teve ainda a oportunidade de vivenciar a confecção de biscoitos de amêndoa, uma manifestação do património cultural intangível local, e de assistir, no Teatro D. Pedro V, a uma actuação musical conjunta da Orquestra Chinesa de Macau e de fadistas, “experienciando plenamente a profunda riqueza cultural de fusão sino-ocidental em Macau”, salienta a nota.

O IC promoveu ainda um encontro no Centro Cultural, no qual deu a conhecer o ponto de situação do desenvolvimento cultural de Macau e dos frutos da cooperação com os PLP. Foram também debatidas as futuras direcções de cooperação nas áreas da protecção do património cultural, exposições museológicas, livros e documentação, entre outras.

Para o IC, esta visita “não só consolidou a função de Macau enquanto plataforma de intercâmbio cultural entre a China e os PLP, como também evidenciou o seu papel de contacto único, impulsionando o diálogo cultural recíproco e a cooperação pragmática para um novo patamar”.

A delegação dos dirigentes do sector da cultura dos PLP, chefiada por Luís Filipe Rei dos Santos, director-geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas do Ministério da Cultura de Portugal, e subliderada por Marina Duque Lacerda, directora de Património Imaterial Substituta do Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional do Brasil, integrou ainda elementos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Aproveitando a presença no território da comitiva dos PLP, a Fundação Macau (FM) promoveu um intercâmbio, durante o qual o seu presidente do Conselho de Administração fez uma apresentação dos êxitos socioeconómicos alcançados após a criação da RAEM, tendo sempre por base o princípio “Um País, Dois Sistemas”. Wu Zhiliang destacou ainda a preservação das características culturais únicas de Macau, salientando a importância de manter uma relação de cooperação económica, comercial e cultural com os PLP.

A convite da FM, seis jovens académicos locais tiveram uma troca de opiniões com a delegação cultural sobre temas relacionados com a cooperação sino-lusófona, estudos de história de Macau e a “Macaulogia”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 24 de julho de 2026

Cabo Verde - Pede ao Fórum de Macau que apoie mais as PME

O Governo de Cabo Verde reconhece que o Fórum de Macau tem contribuído “de forma significativa” para o desenvolvimento das relações entre a China e os países de língua portuguesa, mas pede mais apoio às pequenas e médias empresas dos países participantes. Uma delegação do Fórum visitou o país e manteve encontros com várias entidades


A secretária-geral adjunta do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, Xie Ying, liderou uma delegação a Cabo Verde, numa visita de quatro dias que serviu para estreitar laços de cooperação e debater as relações bilaterais entre a China e aquele país africano de expressão portuguesa. Além disso, realizou uma sessão de apresentação do secretariado e reuniu-se com alguns ministros cabo-verdianos.

Nos encontros, Xie Ying deu conta dos progressos da China na implementação do Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial, sublinhando que o Governo chinês atribui grande importância e tem promovido activamente a execução das várias agendas no âmbito do Fórum, manifestando a disponibilidade para, em conjunto com Cabo Verde, reforçar a concretização dos resultados e melhorar continuamente a eficácia da cooperação.

Na ocasião, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Comunidade e Defesa Nacional de Cabo Verde, Manuel Amante da Rosa, afirmou que as relações bilaterais entre a China e Cabo Verde têm registado um desenvolvimento estável e sustentado.

Adiantou, por outro lado, que Cabo Verde está disposto a reforçar o intercâmbio e a cooperação com a China no quadro do Fórum de Macau, manifestando o desejo de que o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-PLP apoie mais as pequenas e médias empresas (PME) dos países participantes, “contribuindo para o desenvolvimento económico e a melhoria do bem-estar do povo cabo-verdiano”.

Enquanto isto, o Ministro da Economia, Comércio, Indústria e Transição Digital, António Medina Baptista, disse que o país deseja “aproveitar plenamente a plataforma do Fórum para aprender com a experiência da China em áreas como planeamento do desenvolvimento, inovação tecnológica e diversificação económica, promovendo o desenvolvimento dos sectores agrícola, pesqueiro, industrial e da economia digital”.

Por sua vez, a detentora da pasta da Família, Inclusão, Desenvolvimento Social e Trabalho do governo cabo-verdiano, Adelsia Mendes Almeida, sublinhou que as relações bilaterais são “estreitas e amistosas”, manifestando o interesse em utilizar a plataforma do Fórum para fomentar o intercâmbio nos domínios das infra-estruturas, da formação e educação e da redução da pobreza.

Na sessão de apresentação do Fórum, o embaixador da China em Cabo Verde, Zhang Yang, assinalou que, ao longo dos 50 anos de relações diplomáticas, a China e Cabo Verde têm mantido um apoio mútuo nas questões que envolvem os seus interesses fundamentais e preocupações relevantes, constituindo um “exemplo de tratamento com igualdade e benefícios mútuos entre países de diferentes dimensões”.

Apontou também que a China está disposta a trabalhar com Cabo Verde para aprofundar o intercâmbio e a cooperação a nível governamental, empresarial e local, “utilizando plenamente a importante plataforma do Fórum, a fim de concretizar mais resultados práticos e abrir novas perspectivas para a cooperação bilateral”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

 



quinta-feira, 16 de julho de 2026

Angola - Inclusão de yuan nas reservas obrigatórias angolanas significa maturidade das relações, diz Câmara de Comércio Angola China

O presidente da Câmara de Comércio Angola China considerou a introdução do Yuan, moeda chinesa, na economia angolana um passo bastante significativo de maturidade das relações entre os dois países


Luís Cupenala reagia, em declarações à Lusa, à recente autorização do Banco Nacional de Angola (BNA) aos bancos comerciais para inclusão do Renminbi (Yuan) nas suas reservas obrigatórias em moeda estrangeira.

O responsável destacou que esta medida acontece nos 43 anos de relações bilaterais, dos quais 16 anos de parceria estratégica, com uma cooperação marcada por intensas trocas comerciais entre os dois países.

Segundo Luís Cupenala, com a implementação da taxa zero pela China, os produtores angolanos são obrigados a expandir a sua visão além do mercado de consumidores nacionais de 36 milhões de habitantes, olhando para o país asiático com 1,4 mil milhões de consumidores. “Isso precisa da circulação de recursos. Esta abertura que se dá agora da presença da moeda Renmimbi vai facilitar, com certeza, as nossas zungueiras [pequenas comerciantes], homens de negócios, para aumentarem os seus negócios com a China, fundamentalmente no quadro das exportações e importações”, referiu.

Por outro lado, a medida vai igualmente eliminar as barreiras da dependência de uma única moeda, tendo a partir de agora como moedas estrangeiras de transação o dólar norte-americano, o euro, o yuan e o rand (moeda sul-africana). “Todas essas medidas visam mitigar dificuldades e certamente facilitar que os negócios e as trocas comerciais entre os dois países fluam com facilidade e sem problemas”, sublinhou.

O líder da Câmara de Comércio Angola-China destacou que o Governo chinês tem acordos bilaterais comerciais, com os 53 países africanos, sendo Angola o parceiro económico mais importante do país asiático. “Este passo que se tomou hoje tardou, mas, seja como for, é o início de uma nova era na melhoria, no aprofundamento, das relações entre os dois países, no aumento das exportações, das trocas comerciais, da transferência do ‘know-how’ e da tecnologia e de investimentos em Angola”, realçou.

Cupenala destacou que, até se chegar a esta medida, o processo de cooperação entre os dois países passou por vários estágios de maturidade e de consolidação, tendo, em 2024, Angola e a China assinado o acordo de cooperação e parceria estratégica abrangente, “sem limitações nos vários domínios do comércio e de investimentos”. “Também é preciso recordar que, em 2023, um dos mais importantes instrumentos de promoção e proteção recíproca de investimentos foi assinado para estimular o investimento de empresas chinesas no nosso país e os angolanos a investirem na República Popular da China”, disse. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 15 de julho de 2026

Macau – Direcção dos Serviços de Turismo antevê “certas vantagens” para guias de língua portuguesa

Apenas quatro dos 1851 guias turísticos registados em Macau até ao final de 2025 conseguem falar português, número que se mantém há cinco anos, revelou a DST ao Jornal Tribuna de Macau. Porém, antevendo um aumento dos visitantes lusófonos, o organismo acredita que os guias de língua portuguesa terão “certas vantagens”, ainda que desafiados pela flutuação de receitas entre as épocas altas e as baixas. O director da União dos Guias Turísticos entende que o número deste tipo de guias é “insuficiente” para a procura e que o Governo deve dar incentivos para mais jovens se juntarem ao sector


No final de 2025, Macau contava com 1851 profissionais titulares de Cartão de Guia Turístico, menos três do que em 2021, sendo que apenas quatro sabem falar português, revelou a Direcção dos Serviços de Turismo (DST). No espaço de quatro anos, o número de guias que dominam a língua portuguesa manteve-se inalterado, apontou, numa resposta enviada ao Jornal Tribuna de Macau.

Na perspectiva do organismo, graças ao posicionamento de Macau como plataforma comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP), o número de turistas lusófonos poderá retomar a trajectória de crescimento. Neste contexto, acredita que os guias de língua portuguesa terão “certas vantagens”.

Contudo, também prevê “desafios” para o sector. “Quando o volume total de turistas for inferior ao das línguas dominantes, as receitas flutuarão bastante entre as épocas altas e as baixas”, observa.

A DST recorda que, desde 2016, tem disponibilizado cursos gratuitos de diferentes línguas aos profissionais do turismo. Em 2025, lançou cinco cursos de línguas, incluindo de português inglês, coreano, tailandês e japonês. Para este ano estão previstos cursos de português, inglês, coreano e francês.

Além disso, em 2019, o sítio sobre a indústria turística passou a integrar cursos online acompanhados de legendas com tradução para português. Nesse âmbito inserem-se as séries de cursos “Construindo uma positiva mentalidade de serviço” (lançada em 2022), “Tratamento de Reclamações e Habilidades de Mediação” (2023) e da “Campanha de Cortesia de Macau” (2024).

Em Março deste ano, em resposta a interpelações escritas dos deputados Ho Ion Sang e Chan Lai Kei, a DST indicou que, no corrente trimestre, seriam lançados novos cursos para guias em línguas portuguesa, inglesa e coreana, sobre temas como alojamento e compras. Posteriormente, serão planeados cursos temáticos nesses idiomas sobre templos, igrejas e arquitectura.

Falta de guias em português preocupa sector

Ouvido pelo Jornal Tribuna de Macau, Nelson Hoi, director da União dos Guias Turísticos, aponta que, em Macau, há muitas pessoas que sabem falar português, porém, os guias carecem de garantias básicas, como salário-base e seguro de saúde. “Para um jovem que acabe de entrar no sector, não é viável ficar à espera de trabalho com estas condições”, frisa, sublinhando que “tornar um residente que fale uma língua estrangeira num guia turístico exige muito tempo, dedicação e investimento”.

Na sua maioria, os guias de línguas ‘minoritárias’ são “muito concentrados” no trabalho e “encaram a profissão como um projecto de vida”, contudo, “agora não conseguem sustentar a vida quotidiana, com o volume actual de trabalho”, lamenta.

Na sua opinião, embora o Governo esteja empenhado em aumentar e diversificar o número de visitantes e turistas, “a capacidade de atendimento constitui um problema”. “Se de repente entrarem muitos turistas de países lusófonos, onde iremos pedir emprestados os respectivos guias?”, questionou.

Nelson Hoi revelou que, perante estas dificuldades, as agências de viagens recorrem, por vezes, aos acompanhantes das próprias excursões para fazer a tradução. “Pode ser tradução português-chinês ou português-inglês.

Consoante a situação concreta, se falarem chinês, faremos a conjugação com guias de chinês. Se falarem inglês, recorreremos a guias de inglês”, descreveu. No entanto, “a explicação de um tradutor é completamente diferente de um guia local, não conseguindo fazer uma apresentação perfeita da imagem da cidade”.

O dirigente associativo considera ainda pouco realista recorrer a alunos universitários para desempenharem temporariamente o papel de tradutores nas excursões, desde logo porque “podem não dominar, de forma tão completa, os termos técnicos do sector turístico”.

Nelson Hoi mostra-se preocupado com o facto de existirem apenas quatro guias de língua portuguesa, número que considera “insuficiente” para fazer face à procura. “Há muitos países de língua portuguesa e, com o desenvolvimento da economia e a melhoria das condições de vida, o número de turistas oriundos dessas nações tem vindo a aumentar. O Governo da RAEM também tem lançado muitas ofertas turísticas, como transporte gratuito de ida para turistas estrangeiros em Hong Kong, no intuito de os atrair a Macau”, nota.

Para o director da União dos Guias Turísticos, “as excursões vivem uma tendência de redução contínua, mas isso reflecte-se apenas nos excursionistas do Interior da China”. “Quanto aos turistas estrangeiros, continuam a querer viajar em excursão”.

Além disso, os guias “são, maioritariamente, de idade avançada”. “Quando se aposentarem, ficaremos sem guias de língua portuguesa”, alerta, instando o Governo a definir um plano a longo prazo e medidas de incentivo para atrair jovens para o sector turístico.

Nelson Hoi salienta ainda que muitos turistas dos PLP procuram, através de Macau, conhecer as culturas e a situação actual da China Continental, bem como “obter informações avançadas para além do mero turismo”. “Macau funciona como intermediário. Por isso, se considerarem que vale a pena visitar Macau, acabarão por utilizar a RAEM como trampolim para entrar no Interior da China”, apontou.

Na perspectiva do também director da Associação de Turismo Cultural da Grande Baía de Macau, embora Macau “tenha recursos turísticos limitados”, deve continuar a assumir o papel de “estação intermédia”, promovendo um desenvolvimento turístico articulado com a Grande Baía e outras cidades do Continente.

Por outro lado, as actividades turísticas e eventos relacionados com culturas dos países lusófonos, promovidos pelo Governo, “têm certamente um papel significativo”, tanto para a área comercial como para o turismo, incluindo o segmento de visitas individuais, especialmente ao nível da divulgação da imagem de Macau. Como Macau é uma cidade turística, defende que o Governo deve adoptar uma “atitude activa” na formação linguística dos guias.

Reforçadas actividades ligadas à Lusofonia

Em 2021, devido à pandemia, foram suspensos os trabalhos de divulgação turística junto dos PLP e vários grandes eventos. Mas, com a recuperação gradual do turismo, a DST tem vindo a alargar e optimizar a dimensão e o conteúdo das actividades nessa esfera.

Em 2025, a DST aumentou as despesas com actividades turísticas relacionadas com culturas dos PLP, face ao orçamento de há cinco anos, garantiu a este jornal, sem especificar o montante.

Nos últimos cinco anos, as iniciativas focadas na lusofonia envolveram convenções e exposições (MICE), eventos turísticos simbólicos e informações de campanha disponíveis nas contas oficiais da DST em redes sociais e na sua publicação mensal “What’s On”. O organismo liderado por Maria Helena de Senna Fernandes acredita que os turistas no território foram “orientados a participar nessas actividades e a sentir culturas portuguesas”, acabando Macau por desempenhar o papel de plataforma no intercâmbio cultural.

No âmbito do MICE, a DST realiza a Expo Internacional de Turismo (Indústria) de Macau, na qual o Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa instala um Pavilhão dos PLP, para apresentar o ambiente de investimento e comercial, e a situação do sector turístico lusófono. Desde 2023, representantes da indústria turística e dos media de Portugal, e a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, participam na Expo, num pavilhão cuja dimensão tem sido cada vez maior.

Paralelamente, DST tem convidado equipas portuguesas a participar, actuar ou trabalhar no design e produção de grandes eventos simbólicos, como a Parada do Ano Novo Lunar, o Concurso Internacional de Fogo de Artifício e o festival “Iluminar Macau”. Nos últimos dois anos, o organismo também levou grupos locais às Festas Populares de Lisboa, cujas equipas campeãs puderam participar nos espectáculos do Ano Novo Lunar em Macau nos anos seguintes. A DST destaca ainda a presença de cidades como Santa Maria da Feira, e Belém, Paraty Florianópolis e Belo Horizonte do Brasil, em eventos gastronómicos na RAEM.

Concomitantemente, a DST incluiu, na sua agenda de divulgação nas redes sociais, a Semana Cultural da China e dos PLP, Festival de Artes e Cultura China-PLP (que integra o Festival da Lusofonia), a exposição “Helena Almeida: Estou Aqui – Presença e Ressonância”, “Junho – mês de Portugal”, “Festival Luso-Chinês de Música e Artes” e exposição “As Artes Estão na Rua! – Portugal 1974-1978”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


terça-feira, 14 de julho de 2026

CPLP – Após 30 anos a Organização continua sem se afirmar junto da China, diz especialista

O especialista em relações internacionais Luís Bernardino considera que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) chega ao 30.º aniversário sem ter conseguido afirmar-se junto da China, onde continua pouco conhecida

“A China não conhece a CPLP”, resumiu Luís Bernardino, professor da Universidade Autónoma de Lisboa e coronel de infantaria na reserva do Exército Português, que recentemente participou em duas conferências em Pequim, na Universidade de Estudos Internacionais de Pequim e na Embaixada de Portugal, sobre os 30 anos da organização, que se assinalam em 17 de julho. “Uma coisa que não se conhece também não se sabe como pode tirar vantagem dessa relação”, acrescentou.

Para Luís Bernardino, a organização “nunca se soube posicionar em relação ao Oriente” e continua afastada dos principais mecanismos criados por Pequim para aprofundar a cooperação com os países de língua portuguesa. “O Fórum de Macau não é a CPLP. É um instrumento da China para facilitar a cooperação com os países lusófonos e vai continuar a crescer. A CPLP está fora desta jogada, por enquanto”, considerou.

Criado em 2003, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa reúne a China e os países lusófonos, mas funciona à margem da estrutura institucional da CPLP, embora utilize Macau como plataforma de ligação.

Para Bernardino, essa realidade traduz a forma como Pequim privilegia uma abordagem simultaneamente bilateral e multilateral, estratégia que descreve como “cooperação ‘bimultilateral’”. “A China relaciona-se bilateralmente com cada país, mas cria também fóruns multilaterais que reforçam essa cooperação. É uma abordagem pragmática que mais nenhuma grande potência desenvolveu em África”, defendeu.

O especialista em Segurança e Defesa em África sublinhou que a relação da China com os países lusófonos está longe de ser uniforme.

Enquanto com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) Pequim privilegia o financiamento de infraestruturas, o comércio, o desenvolvimento e, cada vez mais, a cooperação na área da defesa, com o Brasil a relação assume uma dimensão geopolítica distinta, impulsionada pelo bloco de economias emergentes BRICS e pela cooperação entre países do chamado Sul Global. “A China adapta a sua estratégia aos interesses que tem em cada região. Não existe uma abordagem única para todos os países da CPLP”, explicou.

No caso de Timor-Leste, Luís Bernardino considerou que a crescente importância estratégica do país no Indo-Pacífico deverá reforçar o interesse chinês, tanto pela posição geográfica como pela futura integração plena na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). “A China olha para Timor-Leste como um parceiro estratégico no Indo-Pacífico, pela sua posição nas rotas marítimas e pela crescente relevância regional”, afirmou.

O investigador considerou ainda que a rivalidade estratégica entre a China e o Ocidente levou Pequim a reforçar a presença junto dos países lusófonos, sobretudo em África, onde a cooperação se expandiu para áreas como a segurança, a tecnologia e a defesa. “A cooperação deixou de ser apenas económica. A defesa tornou-se um dos pilares centrais da relação da China com praticamente todos os PALOP”, sustentou.

Essa evolução acompanha a transformação da presença chinesa em África, inicialmente centrada no apoio político aos movimentos de independência e, mais tarde, no financiamento de infraestruturas e acesso a matérias-primas.

Hoje, segundo Luís Bernardino, a estratégia inclui também formação militar, venda de equipamento, construção e modernização de portos e uma presença naval cada vez mais frequente no continente africano. “A China faz aquilo que uma potência global tem de fazer. É uma potência económica, mas sabe que também precisa de afirmar uma dimensão militar”, afirmou.

Apesar da crescente influência chinesa, Bernardino considerou que os países lusófonos, em particular os africanos, ainda não conseguiram retirar todo o partido dessa relação. “Há uma dependência crescente, sobretudo financeira. Os países têm de aprender a negociar melhor com a China e transformar esta cooperação numa verdadeira parceria estratégica, sem criar dependências excessivas”, defendeu.

O especialista considerou, por isso, que o maior desafio da CPLP, três décadas após a sua criação, passa por aumentar a sua visibilidade internacional e afirmar-se como interlocutor relevante junto de parceiros estratégicos como a China. “A CPLP é aquilo que os Estados-membros querem que ela seja. Se os próprios países não a valorizarem nos fóruns internacionais em que participam, dificilmente outros atores globais o farão”, disse.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau (actualmente suspensa devido ao golpe de Estado), Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 9 de julho de 2026

Macau - Patuá esteve em foco no Fórum das Línguas Chinesa e Portuguesa

A Universidade de Macau (UM) realizou recentemente o segundo Fórum Internacional das Línguas Chinesa e Portuguesa, onde se reuniram especialistas e académicos provenientes de países de língua portuguesa, do Interior da China e de Macau para “um intenso intercâmbio académico nas áreas da literatura, linguística, intercâmbio cultural, estudos de tradução e ensino de língua”. Ao longo dos dois dias, o programa incluiu cinco sessões livres e três conferências.


A cerimónia inaugural contou com a presença do académico português Raul Gaião, que aproveitou para apresentar os três volumes da sua mais recente obra, “Papiá Nôsso Lingu, Dicionário de Patuá di Macau”. Para a UM, a publicação “constitui não só um contributo académico de relevo, mas também um importante esforço de sistematização e de preservação do patuá macaense, património linguístico singular que reflecte a herança multicultural de Macau”.

As sessões de partilha foram conduzidas por académicos e estudantes distinguidos do Departamento de Português, incluindo o vencedor do “Prémio Fernão Mendes Pinto” do ano passado, Lu Chunhui, a vencedora do “Prémio Académico Henrique de Senna Fernandes” de 2023, Carla Lopes, e as estudantes premiadas no Concurso Internacional de Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa deste ano, Li Renlan e Wang Siyi.

Já nas conferências, participaram o professor Rui Pereira, da Universidade de Coimbra, a professora Xu Yixing, da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, e a professora Min Xuefei, da Universidade de Pequim. Os temas abordados abrangeram a linguística e o ensino do português, a inteligência artificial aplicada ao ensino de línguas e os estudos de literatura em língua portuguesa, tendo oferecido “reflexões de grande actualidade e profundidade”, de acordo com a UM.

Segundo a instituição universitária, o fórum assume-se como “uma plataforma privilegiada de diálogo académico, contribuindo para reforçar a compreensão mútua entre as línguas e culturas chinesa e portuguesa, bem como para promover a partilha de conhecimento e a construção de novas perspectivas”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Macau - Curso de Verão em Português alimenta desejos profissionais e culturais

Guiados por motivações profissionais ou culturais, quatro centenas de alunos estão a participar na 40.ª edição do Curso de Verão de Língua Portuguesa na Universidade de Macau


Docentes da Universidade de Macau (UM) consideraram que o interesse dos estudantes chineses pela língua portuguesa passa principalmente por procurar melhores oportunidades de emprego, mas é também motivado pela curiosidade em relação à cultura lusófona.

A universidade iniciou oficialmente na segunda-feira a 40.ª edição do Curso de Verão de Língua Portuguesa, iniciativa reúne cerca de 400 participantes provenientes de Macau, Hong Kong, China Continental, Malásia e Canadá, mantendo um dos números de inscritos mais elevados dos últimos anos.

Embora a maioria dos participantes seja constituída por estudantes universitários da China Continental interessados em melhorar as perspectivas de carreira, os coordenadores do curso sublinham que uma parte significativa procura o português por razões pessoais e culturais.

“Os estudantes universitários querem aproveitar o português para terem um trabalho melhor no futuro, mas também temos estudantes que já estão no mercado de trabalho e que provavelmente não precisam de saber português pelo trabalho ou para ganhar mais, mas porque gostam. Querem sentir a língua e a cultura por detrás da língua”, disse à Lusa Lu Chunhui, professor e investigador do Departamento de Português da UM e coordenador do Curso de Verão.

“Ainda me lembro de um estudante de cerca de 70 anos de Hong Kong, o mais velho que tive nas minhas turmas. Muitas pessoas como ele quiseram esta aprendizagem sem um objectivo prático, mas mostrando um empenho extraordinário, o que achei muito comovente”, afirmou.

A também coordenadora do curso, Tânia Ferreira, considera que a procura demonstra o interesse sustentado pela língua portuguesa na região. “Este ano foram registadas 407 inscrições, com todas as vagas preenchidas nas primeiras horas, um registo recorde. Para um curso intensivo, é de louvar”, afirmou a professora auxiliar da Faculdade de Letras da UM.

A docente reconheceu que, para muitos participantes, o domínio do português continua associado às oportunidades profissionais nos países lusófonos. “Tendo em conta o perfil dos inscritos nesta edição, que são maioritariamente universitários do interior da China, o interesse é melhorar as suas competências na língua para de facto trabalharem com a língua portuguesa em países como o Brasil, os PALOP e, claro, Portugal”, explicou.

Mas, acrescentou que o programa pretende igualmente aprofundar o contacto com a cultura dos países de língua portuguesa e com a identidade de Macau. “O curso também é uma oportunidade para aprofundarem o seu conhecimento da cultura portuguesa ou brasileira. Este ano incluímos também elementos sobre Macau, como o patuá, sendo importante mostrar um exemplo vivo da herança portuguesa em Macau”, disse.

Para o vice-reitor para os Assuntos Globais da UM, Rui Martins, a longevidade do curso demonstra o interesse contínuo pelo português na Ásia sendo o “curso mais antigo oferecido na Universidade de Macau”, instituição que faz também este ano 45 anos. “Foi considerado a certa altura pelas autoridades da universidade terminar o curso por não dar lucro e custar muito dinheiro. Mas, sempre com o apoio dos colegas do Departamento de Português, foi possível mantê-lo em funcionamento e deixou de ser deficitário há já algumas décadas”, disse.

“Isso demonstra o interesse que há pelo curso, vendo a quantidade de alunos, não só da China, mas também de países e regiões circundantes, o que nos deixa olhar para o futuro com esperança”, acrescentou.

O Departamento de Português da UM conta actualmente com mais de 30 docentes, incluindo aqueles que trabalham a tempo parcial, e cerca de 400 alunos. Os cursos deste departamento chegam, no entanto, a mais de mil alunos em toda a UM, incluindo alunos da faculdade de Direito e outros que frequentam as disciplinas de língua oferecidas transversalmente em todos os cursos da instituição de ensino superior.

Segundo a UM, durante as três semanas de curso, os participantes serão acompanhados e orientados pelos professores do Curso de Verão. “Aliando a teoria à prática, serão dinamizadas actividades e vários workshops diversificados que englobam a aprendizagem em domínios tão variados como as Danças Folclóricas, a Literatura, a Linguística, a História, a Tradução e a Cultura dos Países Lusófonos”, salientou a instituição de ensino superior.

Com o apoio da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, o curso inclui uma turma destinada a estudantes do ensino secundário de Macau. Esta edição do curso conta ainda com o apoio da Fundação Macau. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”