Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 3 de abril de 2026

África - Preços do cacau afundam 65% em apenas dois anos

A Costa do Marfim e o Gana continuam a dominar largamente a produção global, assegurando mais de metade da oferta mundial, seguidos por países como Nigéria e Camarões. Esta concentração geográfica confere à região um papel determinante na formação dos preços internacionais


A evolução recente do preço do cacau nos mercados internacionais tem sido marcada por uma forte correcção, com quedas acumuladas na ordem dos 65% em cerca de dois anos, depois de um período de máximos históricos que alimentou expectativas de escassez prolongada. Depois de um pico de 11.675 USD/ton que aconteceu em Dezembro de 2024, o preço nos mercados internacionais tem vindo a cair até ao mínimo de 2798 USD/Ton em Janeiro deste ano, tendo no I trimestre de 2026 valorizado ligeiramente. Esta inversão reflecte, em primeiro lugar, um ajustamento entre oferta e procura, após um ciclo de forte valorização impulsionado por choques climáticos na África Ocidental e por constrangimentos logísticos globais.

Com a normalização parcial das colheitas, sobretudo na Costa do Marfim, e a reposição de stocks por parte das grandes indústrias transformadoras, os preços começaram a ceder, num movimento também influenciado pela desaceleração do consumo em mercados-chave, como a Europa e EUA, pressionados por inflação e perda de rendimento disponível. A isto junta-se a componente financeira, com investidores a reduzirem posições especulativas em commodities agrícolas, acelerando a trajectória descendente das cotações. É neste contexto de volatilidade que se reafirma a centralidade da África Ocidental no mercado mundial do cacau.

A Costa do Marfim e o Gana continuam a dominar largamente a produção global, assegurando mais de metade da oferta, seguidos por países como Nigéria e Camarões. Esta concentração geográfica confere à região um papel determinante na formação dos preços internacionais, mas também expõe o mercado a ciclos de instabilidade, dado que qualquer perturbação climática ou fitossanitária nestes países tem impacto imediato na oferta global.

Apesar deste domínio africano, começa a desenhar-se uma reconfiguração gradual do mapa produtivo, com a América Latina a ganhar protagonismo. O Equador destaca-se como o principal produtor fora de África, consolidando uma estratégia assente na qualidade, nomeadamente no segmento de cacau fino e de aroma, destinado a nichos premium da indústria do chocolate. Peru, República Dominicana e Colômbia seguem o mesmo caminho, ainda que com volumes mais modestos, mas com maior incorporação de valor. Esta aposta evidencia uma tentativa de fugir à lógica tradicional de exportação de matéria-prima, procurando capturar uma fatia mais significativa da cadeia de valor.

Já a Indonésia, que no passado ocupou posições cimeiras no ranking mundial, enfrenta actualmente uma trajectória mais errática. Continua a ser o maior produtor asiático, mas tem perdido competitividade devido ao envelhecimento das plantações, à menor renovação tecnológica e a problemas de produtividade, factores que têm limitado o seu peso relativo no mercado global.

Apesar da diversidade crescente de produtores, o destino do cacau mantém-se altamente concentrado. A esmagadora maioria da produção mundial é exportada para a Europa, onde se localizam as principais indústrias de transformação e fabrico de chocolate. Este desequilíbrio estrutural evidencia uma clivagem persistente: os países produtores, maioritariamente em África e na América Latina, continuam dependentes da exportação de cacau em bruto, enquanto o valor acrescentado é capturado nas economias industrializadas, perpetuando uma relação desigual numa das cadeias agroindustriais mais relevantes à escala global. Hermenegildo Ferreira – Angola in “Expansão”


sábado, 20 de setembro de 2025

Gana – Vai exportar madeira certificada para a União Europeia

O Gana deve começar a exportar madeira para a União Europeia (UE) em breve, tornando-se o primeiro país da África e o segundo do mundo, depois da Indonésia, a poder emitir a certificação FLEGT (Forest Law Enforcement, Governance and Trade), garantindo a legalidade da madeira exportada para o mercado europeu

Com o objetivo de limitar a exploração madeireira ilegal, uma das principais causas do desmatamento na África, Ásia e América do Sul, a certificação "FLEGT" garante que a madeira exportada para países europeus foi colhida de acordo com a legislação vigente no país exportador.

Esta "primeira iniciativa no continente, que pode encorajar outros países africanos a empreender reformas ambientais" nessa direção, é o resultado de uma série de reformas realizadas pelo Gana ao longo de vários anos, relata a mídia local.

Citado pela imprensa local, o Ministro de Terras e Recursos Naturais de Gana, Emmanuel Armah-Kofi Buahcette, indicou que esse status excepcional obtido pelo Gana reflete o seu compromisso com a legalidade, transparência e sustentabilidade no comércio global de madeira.

Por sua vez, o vice-chefe da Delegação da União Europeia (UE) em Acra, Jonas Claes, lembrou que a concessão desta certificação não é o "fim do caminho", explicando que Gana está empenhada em respeitar a aplicação das regras ambientais a longo prazo.

Enfatiza-se que esta certificação, que tem múltiplos benefícios ambientais e económicos positivos, provavelmente catalisará reformas mais amplas nos países africanos exportadores de madeira e estimulará a indústria madeireira no Gana. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau


sexta-feira, 7 de março de 2025

São Tomé e Príncipe - Gana no caminho da diplomacia económica do país

O governo santomense já começou a atrair o investimento privado do Gana. A abertura do GTI Bank na cidade de São Tomé, antecedida pelo lançamento da plataforma de transferência digital de valores SAO, comprovam o interesse de homens de negócios do país vizinho, o Gana, em investir no arquipélago do golfo da Guiné.

O sector do turismo também tem registado um aumento significativo de turistas do Gana e de outros países da região da África Ocidental.

Américo Ramos primeiro – ministro e Chefe do Governo está desde quarta-feira de visita ao Gana, para segundo as suas palavras abrir caminhos para inaugurar a cooperação bilateral com o país vizinho.

Grande produtor de cacau, o Gana criou uma extensa rede de produção e distribuição de produtos agrícolas. Recentemente, quadros técnicos ganenses começaram a dar formação aos agricultores santomenses no domínio da produção do coco, outro produto agrícola que o país vizinho exporta para o mundo.

«Já temos investimento do Gana no sector bancário e acho que há condições para podermos avançar para outras áreas em que o Gana tem muita experiência e está disponível para cooperar com São Tomé e Príncipe», afirmou o primeiro-ministro.

Em 2021 os dois países assinaram o acordo de livre circulação de pessoas e de mercadorias, para fomentar as trocas comerciais e o investimento privado. Antes, no ano 2015, Gana ofertou e instalou no aeroporto internacional de São Tomé e Príncipe o primeiro sistema de RX para fiscalização das bagagens.

Depois do Gana, Américo Ramos que viajou no voo da Transportadora Aérea Portuguesa, deverá seguir para Portugal, onde na segunda-feira 10 de março inicia uma visita de trabalho. O Chefe do Governo santomense disse aos jornalistas que vai reunir-se com o seu homólogo de Portugal Luís Montenegro, para acelerar as acções de cooperação bilateral.

Educação, saúde e defesa são, segundo o Primeiro-ministro, as áreas em que a cooperação bilateral com Portugal é mais forte. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


terça-feira, 13 de agosto de 2024

Angola - Israel Campos representa Angola na residência literária no Gana

O jornalista e escritor angolano Israel Campos é um dos 20 jovens escritores africanos emergentes seleccionados pelo Creative Africa Nexus (CANEX) - Núcleo Criativo de África, em português, para participar num evento denominado “Residência Literária”, que começou ontem em Aburi, no Gana, com término previsto para o dia 22 do corrente mês


O evento, que é dirigido pela prestigiada escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, é uma iniciativa do Banco Africano de Importações e Exportações (Afreximbank) e tem como objectivo "destacar a cadeia de valor do livro em África, apoiando e desenvolvendo o talento literário no continente e na sua diáspora”.

Durante dez dias, Israel Campos, ao lado de outros jovens escritores de vários países africanos, participará num conjunto de sessões formativas destinadas a aperfeiçoar suas habilidades criativas, bem como aprofundar seu conhecimento sobre o funcionamento da indústria livreira no continente africano.

As sessões serão ministradas por uma equipa de escritores liderada por Chimamanda Ngozi Adichie. Haverá também profissionais das áreas Jurídica e Comercial que vão fornecer perspectivas sobre os aspectos legais e empresariais da profissão de escritor. Os participantes do workshop terão ainda a oportunidade de contribuir para uma antologia que será publicada após o evento.

Para Israel Campos, estar entre os 20 jovens africanos seleccionados tem um "significado muito grande” para sua jovem carreira, enquanto escritor. "Tenho a escrita, quer no jornalismo quer na ficção, como o principal recurso que consigo utilizar para expressar as principais questões que me perturbam, inquietam, preocupam. E é por isso mesmo que escrevo: para pô-las cá fora”, frisou.

Em declarações ao Jornal de Angola, o jovem angolano disse esperar desta jornada, "poder aprender muito com os meus colegas e com os facilitadores do evento - que são escritores veteranos de várias partes do continente”.

Perfil do jovem escritor

Israel Campos é um premiado jornalista freelancer angolano, actualmente residente em Lisboa, Portugal. Possui uma licenciatura em Jornalismo pela City University of London e um mestrado em Comunicação Estratégica e Liderança pela Universidade Católica Portuguesa. A sua carreira teve início ainda na infância, como locutor de programas infantis na Rádio Nacional de Angola. Em 2023, lançou em Angola e Portugal, o seu romance de estreia, intitulado "E o Céu Mudou de Cor”. No ano em curso recebeu uma menção honrosa no "Prémio de Literatura Juvenil Ferreira de Castro” pelo seu conto "Aqui Estar”. Pereira Santana – Angola in “Jornal de Angola”


Moçambique - Eduardo Quive e Chimamanda Ngozi Adichie em oficina criativa no Gana

O escritor Eduardo Quive vai participar numa iniciativa pan-africana, entre 12 e 22 deste mês de Agosto, em Abauri, no Gana. O evento é liderado pela escritora Chimamanda Ngozi Adichie.


De acordo com uma nota de imprensa, a Canex Creative Writing Workshop convidou o escritor e jornalista Eduardo Quive a participar da iniciativa pan-africana que reúne criativos e investidores do continente a fim de criar um ecossistema sustentável para as indústrias culturais e criativas.

“Liderada por Chimamanda Ngozi Adichie, a oficina vai reunir cerca de 20 escritores de origem africana e caribenha que vão integrar o workshop de escrita criativa que vai incluir profissionais da área jurídica e empresarial que fornecerão informações valiosas sobre os aspectos jurídicos e comerciais da profissão de escritor”, lê-se no comunicado de imprensa.

Na mesma fonte, lê-se que Eduardo Quive encontra-se entusiasmado em integrar a equipa de escritores: “este workshop tem a profundidade de incluir a componente que nós, os escritores, não gostamos: encarar a escrita como trabalho e, como tal, termos de ser remunerados de alguma forma. E a forma clássica de remuneração, na escrita, são os direitos autorais, os contratos editoriais. Isso leva-nos para outras questões relacionadas ao próprio livro e tudo o que se pode desenvolver à volta. Penso que é por isto, sobretudo, que tenho a vontade de estar neste encontro. E depois vem outro elemento importante, a ligação com o nosso continente. São poucas oportunidades que nos juntam entre africanos, na nossa diversidade e complexidade. Vai ser bom encontrar e conhecer autores africanos e por via disso traçar possíveis rotas de mobilidade para as nossas obras”, disse.

Canex é uma plataforma de apoio às indústrias culturais e criativas africanas (ICC), um programa criado pelo Banco Africano de Exportação e Importação, Afreximbank, em apoio às ICC, em África, que foi especificamente concebido para os criadores africanos, para lhes permitir rentabilizar os seus conteúdos no panorama digital.

O Workshop de Escrita Criativa da Fábrica de Livros Canex colabora com a Fundação James e Grace Adichie e com a Narrative Landscape Press Limited para oferecer este workshop dedicado à arte da prosa. Como parte da iniciativa mais ampla da Fábrica de Livros Canex que se dedica a destacar a cadeia de valor do livro em África, o workshop irá apoiar e desenvolver o talento literário em África e na sua diáspora bem como se tornar um espaço de partilha, discussão e troca de soluções para incentivar os criativos a encontrar formas inovadoras de melhorar os seus rendimentos e fazer crescer as suas carreiras. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 5 de junho de 2024

Gana - Exportações de cacau afundam nos primeiros 4 meses do ano

A produção de cacau do Gana, o segundo maior produtor mundial, caiu de um máximo histórico de mais de 1 milhão de toneladas na época agrícola de 2020/2021, para uma produção até 580 mil toneladas na actual campanha


As receitas das exportações de cacau do Gana caíram 49%, para 599,3 milhões USD, nos primeiros quatro meses do ano, comparativamente ao período homólogo de 2023, revelam os dados do Banco do Gana, que mostram uma queda sem precedentes na produção de cacau, na época agrícola 2023/2024.

O tombo nas receitas de exportação do segundo maior produtor de cacau, a seguir à Costa do Marfim, o principal produtor mundial, ocorre num contexto de preços em alta desta matéria-prima. No espaço de um ano, que vai de 22 de Maio de 2023 a 28 de Maio de 2024, o preço subiu 148%, segundo dados da plataforma Trading Economics, passando de 3287,9 USD a tonelada para 8151,5 USD, embora o pico na valorização do cacau se tenha registado a 19 de Abril, quando a tonelada atingiu os 12606,1 USD.

O aumento dos preços do cacau no mercado internacional é resultado de um declínio na produção dos dois principais produtores, como confirmam os dados da produção do Gana e da Costa do Marfim. Nos restantes seis principais produtores - Equador, Camarões, Nigéria, Indonésia, Brasil e Papua Nova Guiné - a produção manteve-se estável, de acordo com os dados da Statista, que poderão ser revistos em baixa na época agrícola 2023/2024, após os deslizamentos de terras na Papua Nova Guiné, que esta semana soterraram mais de 2000 pessoas.

A produção do Gana, segundo o jornal The Accra Times, caiu de um máximo histórico de mais de 1 milhão de toneladas na época agrícola de 2020/2021, para uma produção estimada entre 492000 toneladas e 580000 toneladas na temporada 2023/2024. A queda significativa na produção de cacau e nas receitas de exportação é uma das razões para a desvalorização da moeda nacional, o cedi, em 14,6% no mercado interbancário e mais de 19% no mercado retalhista desde o início do ano, refere ainda o jornal.

Ameaça do contrabando e mineração ilegal

Numa declaração datada de 12 de Janeiro de 2024, o Conselho do Cacau do Gana invoca o "desenfreado e inabalável contrabando de cacau para os vizinhos Costa do Marfim e Togo", como a principal razão para o declínio na produção. Aponta ainda a ameaça da mineração ilegal em pequena escala, que causa estragos na paisagem cacaueira do Gana, num contexto em que as alterações climáticas agravam ainda mais a situação.

As secas deixaram as árvores ressecadas, enquanto a chuva excessiva criou condições favoráveis para o surgimento de doenças fúngicas, como o Swollen Shoot, um vírus devastador que se espalha rapidamente pelas plantações e florestas.

O declínio na produção de cacau do Gana começou na época agrícola 2021/2022, quando caiu para as 683 toneladas, tendo vindo a diminuir todos os anos desde então, como mostram os dados da Statista. Na época agrícola de 2022/2023, ficou-se pelas 654 toneladas e na presente campanha não deverá ultrapassar as 580 toneladas.

Já a Costa do Marfim, que assegura 40% da produção mundial, registou ligeiras oscilações na produção desde a campanha de 2020/2021 (2248 toneladas), iniciando uma curva descendente acentuada na presente época agrícola, o que se tem vindo a reflectir na escassez de produto no mercado mundial. Em 2021/2022, a produção de cacau caiu para as 2121 toneladas, recuperou em 2022/2023 para as 2241 toneladas, precipitando-se na actual campanha para uma produção estimada de 1800 toneladas. Segundo a Standard & Poor tem havido tensões entre os produtores e intervenientes internacionais no sector do cacau e do chocolate. Os reguladores do cacau da Costa do Marfim e do Gana boicotaram uma reunião da indústria em Outubro de 2022, devido a uma disputa de preços. Os dois países procuram apoio para proporcionar aos produtores um rendimento digno e estão em curso negociações com compradores internacionais, refere a agência de notação financeira. Isabel Bordalo – Angola in “Expansão”


terça-feira, 4 de julho de 2023

Portugal e Gana vão assinar acordo de defesa abrangendo múltiplas áreas

Portugal e o Gana vão assinar um acordo de defesa, abrangendo áreas como segurança marítima, indústrias de defesa e missões de paz, durante a visita a Lisboa do Presidente do país africano, anunciou a ministra da Defesa portuguesa.


“Tive ocasião de falar com o meu homólogo sobre o acordo de defesa que pretendemos assinar”, e que “vai desenvolver a nossa relação bilateral em múltiplas áreas, designadamente a segurança marítima, as missões de paz, as indústrias de defesa, e uma variedade de áreas em que podemos melhorar, promover, aumentar a nossa cooperação”, detalhou Helena Carreiras, à Lusa.

O acordo vai ser assinado por ocasião da visita do Presidente do Gana, Nana Addo Akufo-Addo, a Portugal que vai ocorrer em 18 e 19 de julho.

Helena Carreiras, em visita ao Gana, teve uma reunião com o seu homólogo, Dominic Nitiwul, onde reiterou o convite ao Gana para participar do Centro do Atlântico, uma iniciativa portuguesa que reúne 21 países de todo a região para promover o diálogo político, o conhecimento e a promoção do conhecimento e também a capacitação dos parceiros do ponto de vista de segurança.

O ministro da Defesa do Gana assegurou que o seu país irá juntar-se ao acordo e quer “garantir que ele se torne um programa do qual todos (os integrantes) se possam orgulhar”.

Para o Gana como para todos as questões da segurança tornaram-se globais, e por isso vários temas foram discutidos e, em detalhe, “as questões de segurança do Golfo da Guiné”, revelou.

“São questões muito importantes e agradecemos aos nossos amigos portugueses” a ajuda dada, sublinhou Dominic Nitiwul, referindo-se nomeadamente a barcos insufláveis doados em apoio a um programa em curso.

O ministro ganês destacou que “a segurança marítima e a luta contra o terrorismo” são prioridades e grandes “preocupações” do Governo do seu país e disse ter escutado com interesse a experiência de Portugal nesse domínio, nomeadamente no apoio a Moçambique.

“É verdade que não temos ataques terroristas no Gana”, mas isso deve-se, frisou o ministro, aos programas de desenvolvimento do país, que proporcionam “estradas, escolas, saúde” e outros serviços à população.

Helena Carreiras e o ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, estão hoje numa visita “também a preparar a visita de Estado do Presidente do Gana a Portugal”, como referiu o chefe da diplomacia.

“Uma visita de grande utilidade, grande interesse, para o relacionamento entre os dois países, não só pela cooperação multilateral, mas também porque o Gana está numa região muito importante para Portugal, a África Ocidental”, salientou.

João Gomes Cravinho, que se reuniu com a sua homóloga, Shirley Ayorkor Botchwey, realçou que é uma região que é politicamente muito relevante, mas também “economicamente tem um grande potencial e, numa perspetiva de segurança, também é da maior importância”.

O programa da visita do Presidente do Gana, Nana Addo Akufo-Addo, a Portugal no próximo mês ainda não é conhecido, mas, como a Lusa noticiou, vai participar ao lado do seu homólogo português num diálogo que encerrará, em 19 de julho, o EuroAfrican Forum 2023, revelou fonte da organização do evento.

Na visita de dois dias, os dois ministros vão ainda ser recebidos pelo navio da Marinha Portuguesa NRP Setúbal, que está de passagem pelo Gana no âmbito da missão Mar Aberto, irão visitar o Kofi Annan International Peacekeeping Traning Centre.

O chefe da diplomacia portuguesa seguirá o seu périplo por outros dois países africanos, passando por Costa do Marfim e Burkina Faso até quinta-feira. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”




terça-feira, 28 de setembro de 2021

Portugal – Estado e Google assinam contrato de concessão do novo cabo submarino com ligação à África do Sul

O contrato de concessão para a instalação do novo Cabo Submarino Equiano, para ligar Portugal à África do Sul, foi assinado na segunda-feira entre o Estado português e a Google Corporation.

Com uma vigência de 25 anos, os títulos de concessão foram assinados pela Direção-Geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM)​​​​​​, em representação do Estado Português, e a Blue Path Technology Unlimited Company, empresa mandatada para o efeito pela Google LLC.​​​​​​​

De acordo com a DGRM, em comunicado, o Cabo Submarino Equiano, um investimento da multinacional Google Corporation, “deverá começar a operar em 2022” e vai ter “uma extensão de 15 mil quilómetros”.

O cabo de fibra ótica vai permitir ligar Portugal à África do Sul, com ligações intermédias a Accra (Gana), Lagos (Nigéria), Swakopmund (Namíbia) e Santa Helena (Rupert’s bay).

A amarração do cabo Equiano, nome atribuído em referência a Olaudah Equiano, escritor e abolicionista nigeriano que foi escravizado em criança, vai ser feita na praia da Califórnia, em Sesimbra (Setúbal), ligando depois à Estação de Cabos Submarinos já existente no concelho e, a partir daí, “ao ‘backbone’ terrestre”.

“O processo de autorização do cabo Equiano segue-se ao processo similar do cabo EllaLink, que já liga Portugal ao Brasil, posicionando cada vez mais o território nacional” como ‘porta de entrada’ da Europa “para ligações digitais de última geração”.

O objetivo é criar “oportunidades únicas para Portugal e um acesso mais rápido de empresas europeias aos mercados americano e africano”, pode ler-se no comunicado.

Segundo a DGRM, a assinatura dos “Títulos de Utilização Privativa, no regime de concessão”, do cabo Equiano resultou de “um processo prévio de autorização para utilização do Espaço Marítimo Nacional, instruído no Balcão Eletrónico do Mar”.

Os novos cabos submarinos de fibras óticas visam “disponibilizar banda ultra larga de transporte de dados e responder às novas gerações de aplicações informáticas e novos conceitos de computação, como por exemplo o ‘cloud computing’, ‘e-commerce’ ou ‘vídeo on-demand’, e ao crescente número de utilizadores” a nível global, disse a DGRM. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

sábado, 15 de maio de 2021

São Tomé e Príncipe - Consórcio Ganês vai construir três portos no arquipélago


São Tomé – Um consórcio ganês assinou com São Tomé e Príncipe um acordo para a construção no País de três portos, dos quais um em água profunda na localidade de Fernão Dias, no norte da Ilha de São Tomé, informou uma fonte do ministério das Obras Públicas, em São Tomé. 

De acordo com a fonte, o projecto de construção do Porto em águas profundas insere – se numa iniciativa trilateral compreendendo a construção de um porto, também, na baía de Ana Chaves, na cidade de São Tomé e um outro na baía da cidade de Stº António, na região autónoma do Príncipe. 

Segundo ainda a fonte, os três projectos vão requerer avultados meios financeiros que poderão ascender a 250 milhões de Dólares Americanos. 

Para tal, o presidente executivo da empresa ganesa SAS Ebonb Africa ltª, Krobo Eudufei Jnr, assinou, na última terça-feira, em São Tomé, com o ministro São-Tomense das Obras Públicas, Osvaldo Abreu, um contrato para a construção, gestão e de prestação de serviços nesse sentido. 

A previsão para o arranque das obras está para dentro de três meses com vários estudos nomeadamente do impacto ambiental e do impacto económico do projecto. 

Na óptica de Krobo Eudufei, as Ilhas de São Tomé e Príncipe, um país pequeno, tem condições comparáveis a Singapura, outro país pequeno, na Ásia, para um projecto de género e que sirva para prestação de serviço na sub-região de África Central bastante rica em recursos minerais e hidrocarbonetos. 

Num passado recente diferentes autoridades são–tomenses têm insistido com vários parceiros internacionais, dos quais francês e chinês para construção de um Porto em águas profundas numa perspectiva de transformar o arquipélago são-tomense numa plataforma de prestação de serviços virada para um mercado de mais de 250 milhões de pessoas, o qual inclui também a modernização do aeroporto local tornando–o numa infra-estrutura estratégica nesta sub-região de África. Manuel Dênde – São Tomé e Príncipe in “STP-Press”


 

sábado, 14 de julho de 2018

Gana - ENI começou a exploração offshore de gás

A ENI começou a exploração offshore e gás, com o apoio do Banco Mundial. Uma produção destinada ao consumo interno e que poderá auxiliar o país, segundo a empresa



A ENI, companhia petrolífera italiana com interesses em Portugal, obteve licença de exploração offshore para a produção de gás no Gana, na África ocidental, e há dias deu início à produção no campo de Sankofa, sob o projecto integrado Offshore Cape Three Points (OCTP).

Este é o único projecto de gás em águas profundas não associado da África sub-saariana totalmente destinado ao consumo interno, que garantirá ao Gana fornecimentos de gás estáveis (180 milhões de pés cúbicos standard por dia durante 15 anos).

O projecto, desenvolvido também com o apoio do Banco Mundial, pode ajudar o Gana a mudar o seu paradigma energético, trocando a energia movida a petróleo para uma fonte de energia mais limpa, contribuindo para o seu desenvolvimento tanto económico e sustentável. E será suficiente para converter em gás, metade da energia do Gana.

Este parque será iniciado a partir de dois dos quatro poços submarinos de águas profundas ligados ao navio flutuante de produção, armazenamento e descarregamento (FPSO), John Agyekum Kufuor. Sendo que se espera que a produção de petróleo e gás da OCTP atinja os 85 mil barris por dia.

“O OCTP alia criação de valor com sustentabilidade social e ambiental. O gás do OCTP irá contribuir para a estabilidade do Gana em termos de energia, que é um pré-requisito para o crescimento industrial e económico do país, e ao mesmo tempo auxilia nas questões de sustentabilidade”, referiu o CEO da ENI, Claudio Descalzi. In “Jornal da Economia do Mar” - Portugal

sexta-feira, 15 de março de 2013

Visitas


O ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva iniciou na passada quarta-feira uma nova visita a África. O périplo começou na Guiné Equatorial, onde Lula da Silva foi recebido ontem, quinta-feira de manhã em Malabo, pelo primeiro vice-presidente Ignacio Milán Tang, em virtude da ausência na Tailândia em visita oficial do Presidente Obiang Nguema Mbasogo. Durante a sua estadia participou num evento empresarial cujo tema foi “O modelo brasileiro de desenvolvimento económico e inclusão social”.

Hoje, dia 15 de Março de 2013, Lula da Silva chegará a Accra, capital do Gana, para uma visita de dois dias, onde fará uma palestra a empresários, participará num debate sobre programas sociais na sede da FAO e encontrará o antigo presidente do Gana John Kufuor, ambos ganharam em 2011 o World Food Prize pelo trabalho realizado contra a fome.

Depois de visitar o Benim nos dias 17 e 18, Lula da Silva estará em Lagos, capital da Nigéria, no dia 19 de Março, onde participará no evento da revista “The Economist”, o Nigeria Summit 2013. Como na visita aos anteriores países, também em Lagos, Lula da Silva fará uma palestra para empresários e terá contactos com intelectuais e responsáveis da selecção nigeriana de futebol, que acabou de vencer o título de Campeã de África.

Estas visitas de Lula da Silva ao continente africano estão inseridas na estratégia de cooperação do Brasil com a África e América Latina. Em Novembro de 2012, visitou a África do Sul, Moçambique e Etiópia e já está prevista uma nova visita este ano aos países da África Oriental. Baía da Lusofonia