Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Portugal - Novo cone de conífera com cerca de 133 milhões de anos descoberto no Cretácico Inferior

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) identificou uma nova espécie de conífera, com cerca de 133 milhões de anos, na flora de Vale Cortiço, na região de Torres Vedras. 


Trata-se de um cone masculino muito bem preservado, composto por microsporófilos imbricados e dispostos helicoidalmente, no qual se observam grãos de pólen do género Classopollis. O achado enquadra-se no género Classostrobus (porque produzia pólenes do género Classopollis) e foi descrito como Classostrobus amealensis, derivando o restritivo específico do nome da pequena localidade de Ameal, onde foi encontrado.

«As floras do Cretácico português são ricas em coníferas da família Cheirolepidiaceae (atualmente extintas) de grande importância para a compreensão das condições paleoclimáticas e dos ecossistemas em que viveram», explica Mário Miguel Mendes, investigador do Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC) e professor da Universidade Fernando Pessoa (Porto).

Nesta família enquadram-se os frenelopsídeos pertencentes aos géneros Frenelopsis e Pseudofrenelopsis. Atendendo ao que tem sido observado no registo fóssil, estas plantas tinham uma notável capacidade de adaptação, habitando uma ampla gama de habitats, desde ambientes semiáridos a áridos e, em certos casos, regiões interiores com condições mais amenas.

«A presença destes frenelopsídeos, mas, sobretudo, dos seus pólenes característicos atribuíveis ao género Classopollis, é um indicador chave de climas quentes, semiáridos ou áridos. A flora de Vale Cortiço é rica em restos de frenelopsídeos pertencentes às espécies Frenelopsis teixeirae e Pseudofrenelopsis dinisii, sendo a primeira, particularmente, abundante nos níveis fossilíferos de onde provém o novo cone masculino agora descrito. Portanto, além dos restos vegetativos, foi encontrada, agora, uma estrutura reprodutiva masculina», revela o especialista.

Mário Miguel Mendes já tinha estudado, com detalhe, a associação esporo-polínica desta jazida fossilífera e identificou pólenes que suspeitava pertencerem à espécie Classopollis martinottii. No entanto, e porque apenas os observou em microscopia ótica, optou por classificá-los dentro do género Classopollis e como espécie indeterminada.

«Os pólenes observados in situ foram estudados minuciosamente, através da técnica de microscopia eletrónica de transmissão. Os resultados obtidos permitiram concluir tratar-se da espécie Classopollis martinotii, o que significa que o novo cone, Classotrobus amealensis, produzia pólenes da espécie Classopollis martinottii. Todavia, o novo cone não se encontrava anexado a nenhum ramo vegetativo – Frenelopsis teixeirae ou Pseudofrenelopsis dinisii», esclarece o paleobotânico.

No entanto, conclui, «a predominância de fragmentos de Frenelopsis teixeirae, no mesmo nível fossilífero, e a organização dos estomas observada nas cutículas de Classostrobus amealensis, sugere que a espécie Frenelopsis teixeirae dava origem a cones da espécie Classotrobus amealensis que, por sua vez, produziam pólenes atribuíveis a Classopollis martinottii».

Este trabalho foi realizado em parceria com investigadores do Paleontological Institute of the Russian Academy of Sciences (Rússia), do National Museum Prague (República Checa) e do Naturalis Biodiversity Center (Leiden, Países Baixos), tendo recebido financiamento do CITEUC e da Czech Grant Agency.

O estudo será publicado no volume de maio da revista internacional Cretaceous Research e pode ser consultado aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Portugal - Descoberta de investigadores da Universidade de Coimbra revela plantas com flor com cerca de 87 milhões de anos

Mário Miguel Mendes e Pedro Miguel Callapez, investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), descobriram novos frutos de angiospérmicas (plantas com flor) em flora do Cretácico Superior de Portugal. Os novos espécimes foram recolhidos em jazida fossilífera localizada junto da pequena localidade de Seadouro, concelho de Vagos, distrito de Aveiro.


«Os exemplares de Seadouro encontram-se muito bem preservados e embora não seja possível extrair muita informação acerca dos órgãos florais, além do gineceu, estes apresentam vestígios de possíveis filamentos estaminais e tépalas. Além disso, e mais importante, na área estigmática observam-se grãos de pólen do grupo Normapolles, permitindo incluir as novas angiospérmicas na ordem Fagales e atribuí-las, sem qualquer dúvida, ao género Endressianthus», explica Mário Miguel Mendes, investigador do Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC) e docente da Universidade Fernando Pessoa (Porto).

Os novos frutos estão a ser descritos como uma nova espécie do género Endressianthus, mas a sua posição ao nível da família continua a ser incerta. No entanto, os investigadores ressaltam que apresentam estreitas semelhanças com membros das Fagales atribuíveis à família Betulaceae, na qual se incluem importantes plantas de pomar como a aveleira-comum (Corylus avellana) e a aveleira-turca (Corylus colurna).

«Creio que os estudos de tomografia de raios-X por radiação de sincrotrão e a comparação com elementos da flora moderna irão permitir a obtenção de informações mais precisas e, talvez, alguma aproximação à família», considera o paleobotânico.

De acordo com os investigadores, a presença de frutos de angiospérmicas do género Endressianthus já havia sido reportada no Cretácico Superior de Portugal, concretamente, no Campaniano – Maastrichtiano de Mira e de Esgueira (Aveiro). Contudo, a espécie afasta-se das formas anteriormente descritas e foi identificada em flora do Coniaciano superior, exprimindo, explicitamente, que este grupo de angiospérmicas já se encontrava bem estabelecido nas floras do Cretácico Superior português há cerca de 87 milhões de anos.

A ocorrência de grãos de pólen do grupo Normapolles tem sido documentada em diversas associações esporo-polínicas da Europa, do Turoniano ao Eocénico. A morfologia destes grãos de pólen e a sua abundância nas palinofloras do Cretácico Superior aponta para a ocorrência de polinização anemófila nestas plantas, ou seja, polinização realizada por ação do vento.

«Há, ainda, evidências paleobotânicas que sugerem que estas angiospérmicas eram comuns em ecossistemas áridos ou semiáridos do Cretácico Superior e, curiosamente, as novas angiospérmicas do Coniaciano superior português foram identificadas em associação com inúmeros fragmentos de frenelopsídeos atribuíveis a Frenelopsis oligostomata – indicadores de condições xeromórficas», conclui Mário Miguel Mendes.

Os trabalhos atualmente em curso estão a ser desenvolvidos em parceria com investigadores do National Museum Prague (República Checa) e receberam financiamento do CITEUC e da Czech Grant Agency. Universidade de Coimbra - Portugal


sábado, 24 de janeiro de 2026

Portugal - Descoberta nova espécie de planta endémica das arribas do Gargalo do Tejo

João Farminhão, investigador do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) descobriu uma nova espécie de planta endémica nas arribas do Gargalo do Tejo, em Almada, em frente a Lisboa. 

Linaria almadensis trata-se da única espécie até agora identificada, que em todo o mundo só ocorre nestas arribas. Embora tenha sido colhida pela primeira vez em 1843, só agora, no âmbito de uma revisão taxonómica, foi reconhecida e descrita na Botany Letters

O holótipo, exemplar que serviu de referência à descrição desta nova espécie, encontra-se guardado no Herbário da Universidade de Coimbra, a maior coleção botânica do país.

«O material foi colhido aos pés do Cristo-Rei e em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, ocorrendo, exclusivamente, em paredões e terraços da arriba arenosos, na proximidade de rochas calcárias. Esta espécie distingue-se da Linaria supina e L. polygalifolia, com as quais tinha sido anteriormente confundida, pelas folhas estreitamente elíptico-oblongas a elíptico-oblanceoladas, de ápice obtuso, bem como pela coloração da corola, com as pétalas superiores de um branco-amarelado, o palato amarelo-alaranjado e o esporão frequentemente tingido de violeta», revela o especialista do Laboratório Associado TERRA.

Segundo o autor, conhecem-se apenas poucas dezenas de indivíduos, carecendo o seu habitat de medidas urgentes de conservação. «A espécie foi avaliada com a categoria Criticamente em Perigo, que é o nível de ameaça de extinção mais grave, segundo os critérios da União Internacional para a Conservação da natureza», alerta João Farminhão.

Esta descoberta demonstra o nível de desconhecimento sobre a biodiversidade portuguesa, mesmo em grupos relativamente bem conhecidos, como são as plantas vasculares, e mesmo em lugares tão próximos dos centros de conhecimento, como são as arribas ribeirinhas de Almada. A sua identificação coincide com a descoberta de uma nova área de endemismo vegetal, o que ajuda os especialistas a compreender a formação de novas espécies no litoral ocidental da Península Ibérica, em estreita dependência com a geologia e geomorfologia.

«É urgente controlar a expansão de espécies invasores, como as capuchinhas (Topaeolum majus) e as canas (Arundo donax) nas arribas do Gargalo do Tejo. A Linaria almadensis junta-se às cerca de 90 espécies de plantas que, em todo o mundo, só existem em Portugal Continental, cuja conservação depende de todos nós», ressalva o investigador da FCTUC. Universidade de Coimbra - Portugal


domingo, 2 de novembro de 2025

Coreia do Sul – Descoberto túmulo do século IV talvez do Reino de Silla

Pela primeira vez, foram encontrados restos mortais de um comandante militar do Reino de Silla (57 a.C.-935 d.C.), juntamente com fragmentos da sua coroa de bronze dourado, armadura e capacete, num avanço significativo no estudo do antigo reino coreano. Os artefactos foram descobertos no primeiro túmulo exterior, datado dos séculos IV e V, sob um túmulo real em Hwangnam-dong, Gyeongju.


A escavação, liderada pelo Serviço de Património da Coreia (KHS) em parceria com a cidade de Gyeongju, desenterrou os artefactos do sítio arqueológico nº 120 de Hwangnam-dong, uma grande câmara tumular de madeira coberta por pedra e terra. Abaixo dele, os arqueólogos confirmaram a existência de um antigo túmulo exterior, onde o esqueleto do comandante foi encontrado juntamente com uma espada longa, marcando presumivelmente o seu estatuto militar de elite.

“Este é um momento raro, mostrando ao público um conjunto completo de armadura de comandante, tanto para homem como para cavalo”, disse o administrador do KHS, Huh Min, numa conferência de imprensa no local.

“É uma oportunidade inestimável para testemunhar uma realidade histórica – até os dentes do comandante foram encontrados”, destacou.

A inauguração está programada para coincidir com a Cimeira de Cooperação Económica Ásia-Pacífico de 2025, e o local do enterro e os artefactos estão abertos ao público.

A câmara principal do túmulo exterior nº 1 de Hwangnam-dong acolhia os restos mortais e as armas do comandante, enquanto uma câmara adjacente continha um esqueleto, provavelmente de um camareiro que serviu de perto o comandante durante a sua vida e foi enterrado ao seu lado num sacrifício de vassalo.

A descoberta incluiu também um raro exemplar de armadura de cavalo – apenas o segundo do género encontrado num túmulo de Silla – oferecendo uma imagem mais clara da cavalaria pesada e da organização militar de Silla no século V.

“Analisando o desgaste dos dentes, estimamos que o comandante tivesse cerca de 30 anos”, disse o investigador Lee Min-hyung, que trabalha com o Instituto de Investigação do Património Cultural de Silla. “Traços de uma figura humana também foram detectados acima da sela do cavalo, embora existam apenas vestígios ténues”, revelou.


O conjunto de armadura fornece informações importantes sobre a hierarquia militar. Os investigadores observaram que a parte inferior da armadura era feita de couro – um design diferente de uma descoberta semelhante de 2009 – reflectindo o estatuto e a funcionalidade.

“Este é apenas o segundo conjunto de armadura de Silla confirmado até agora”, disse um investigador, acrescentando que “os componentes de couro sugerem tentativas de tornar a armadura mais leve, ao mesmo tempo que indicam o estatuto extremamente elevado do utilizador – provavelmente um dos principais comandantes da sua época”.

Significativamente, os fragmentos de coroa de bronze dourado no túmulo podem ser os mais antigos do género já encontrados no período Silla. Os elementos decorativos na coroa assemelham-se aos de Goguryeo (37 a.C.- 668 d.C.), sugerindo intercâmbios culturais ou influência entre os dois reinos.

“Quando escavámos o túmulo de Hwangnamdaechong anteriormente, foram encontrados brincos que se acredita terem sido feitos em Goguryeo no local do enterro da rainha”, disse o investigador Kim Hun-suk, do Instituto Nacional de Investigação do Património Cultural de Gyeongju.

“Agora, padrões semelhantes aparecem nesta coroa, indicando ainda mais a influência de Goguryeo sobre Silla durante o período de construção do túmulo”, apontou.

A descoberta lança uma nova luz sobre a transição das práticas funerárias em Silla, de caixões de madeira para túmulos mais complexos, cobertos de pedra, oferecendo raros insights arqueológicos sobre a elite dominante do início de Silla. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”




sábado, 1 de novembro de 2025

Egipto - O poço Zohr-9 aumenta a produção de gás natural em 70 milhões de pés cúbicos por dia

O Ministro do Petróleo e Recursos Minerais, Karim Badawi, anunciou a conclusão bem-sucedida das operações de perfuração no poço Zohr-9, localizado no campo de gás de Zohr, no Mediterrâneo. Espera-se que o novo poço adicione aproximadamente 70 milhões de pés cúbicos de gás natural por dia à capacidade de produção do Egito, reforçando os esforços do país para atender à procura interna de energia e reduzir a dependência do gás importado.


Em comunicado divulgado pelo Ministério na quarta-feira, Badawi explicou que a camada de gás recém-descoberta no poço Zohr-9 contribuirá significativamente para o abastecimento energético do Egipto. Perfurado pela plataforma de perfuração Saipem 10000, o projeto foi concluído dentro do prazo e em total conformidade com as normas de segurança.

Esta conquista se baseia no sucesso do poço Zohr-6 e é um componente fundamental do plano em andamento para aumentar a produção do campo de Zohr, que continua demonstrando um potencial substancial para desenvolvimento futuro. O Ministro enfatizou que a descoberta reforça a solidez e a viabilidade a longo prazo do campo de Zohr.

Em paralelo, as operações de perfuração começaram esta semana no poço exploratório Denise W-1X, no Mar Mediterrâneo, ao largo da costa de Port Said. O novo poço, perfurado pela plataforma egípcia Al Qaher-2 (operada pela Modern Drilling Company), tem como alvo uma profundidade de mais de 4200 metros em águas com 98 metros de profundidade. Espera-se que o poço exploratório contribua ainda mais para o crescente setor energético do Egipto.

O Ministro Badawi também destacou o papel da Eni, a gigante italiana de energia, cujas atividades de perfuração em andamento nos campos offshore do Egipto refletem tanto a confiança da empresa no ambiente de investimento do país quanto ao seu compromisso em aprofundar a parceria com o Egipto. Ele ressaltou que estes esforços fazem parte da estratégia mais ampla do Ministério para fomentar o investimento, optimizar as operações e impulsionar o crescimento contínuo das indústrias de petróleo e gás do Egipto. In “Daily News” - Egipto


terça-feira, 23 de setembro de 2025

Hong Kong – Bomba da Segunda Guerra Mundial obriga a evacuação de seis mil pessoas

As autoridades de Hong Kong ordenaram sábado a retirada de seis mil pessoas de 18 edifícios na zona de Quarry Bay, após terem descoberto uma bomba da Segunda Guerra Mundial, “totalmente operacional”


O objecto, descoberto a dez metros de profundidade na tarde de sexta-feira, foi considerado operacional e de alto risco pelos especialistas em desmantelamento da polícia.

A bomba de 1,5 metros de comprimento, contendo 227 quilos de explosivos e possivelmente lançada por uma aeronave dos Estados Unidos durante a guerra, foi descoberta durante obras de construção.

Os polícias e os grupos de apoio comunitário da área notificaram rapidamente os residentes dos edifícios próximos, incentivando-os a abandonar os apartamentos e a procurar abrigo em áreas protegidas.

A operação, liderada pela Unidade de Desativação de Artilharia da Polícia, começou às 02:00, para tentar desmontar o dispositivo e provocar uma explosão controlada num prazo de 12 horas.

Após a conclusão da operação, as estradas adjacentes, que foram bloqueadas por precaução, foram reabertas e permitir o regresso dos deslocados, desde que não haja imprevistos.

Para proteger o público e agilizar a evacuação, os bombeiros mobilizaram dois veículos de emergência, duas unidades médicas e um centro móvel de assistência a vítimas.

O chefe interino da polícia de Hong Kong para o sector leste, Lo Shui-sang, disse que os agentes têm também equipamento de combate a incêndios e tecnologia robótica prontos para apoiar a operação.

Henry Lai, representante do Departamento de Assuntos Internos, confirmou que 35 grupos de assistência locais estão a colaborar na operação, com apoio adicional do distrito de Wan Chai, e que foi providenciado transporte para transportar os afetados para espaços comunitários e alojamento temporário.

Em 2018, foram descobertos três artefactos semelhantes em Wan Chai, onde um projétil de peso idêntico exigiu 20 horas de trabalho e a retirada de 1250 pessoas.

Estes incidentes, embora esporádicos, evidenciam as dificuldades de uma cidade como a antiga colónia britânica, onde a incessante urbanização regularmente traz de volta à superfície relíquias de conflitos passados.

Documentos históricos registam intensos bombardeamentos aliados desde 1942 – após o Japão ter conquistado Hong Kong no Natal de 1941 – com um ataque devastador em 1945 que deixou centenas de vítimas e inúmeras munições não detonadas.

Os especialistas alertam que o ‘boom’ imobiliário pode revelar mais vestígios nesta região, marcada pelo passado colonial e pelos conflitos do século XX. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Egipto - Revela vestígios de cidade submersa com mais de 2000 anos

O Egipto apresentou, este fim-de-semana, vestígios de uma cidade submersa em frente à costa de Alexandria, que incluem edifícios, tumbas, tanques para peixes e um cais, todos com mais de 2000 anos de antiguidade.


Segundo as autoridades, o sítio, localizado na baía de Abu Qir, pode corresponder a uma extensão da antiga cidade de Canopo, importante centro da dinastia ptolemaica – que governou o Egipto por quase três séculos – e, posteriormente, do Império Romano, que permaneceu ali por aproximadamente 600 anos.

Com o tempo, uma série de terramotos e o aumento do nível do mar submergiram a cidade e o porto vizinho de Heracleion.

Agora, este fim-de-semana, grandes guindastes retiraram várias estátuas. “Há muitos elementos debaixo de água, mas o que podemos recuperar é limitado; são apenas peças seleccionadas de acordo com critérios rigorosos”, declarou o ministro de Turismo e Antiguidades, Sherif Fathi.

“O restante permanecerá como parte integral de nosso património subaquático”, acrescentou.

As descobertas incluem edifícios de pedra calcária que teriam servido como locais de culto, casas ou estruturas comerciais e artesanais.

Também foram identificados depósitos e tanques escavados na rocha, destinados tanto à aquicultura quanto ao armazenamento de água para consumo doméstico.

Entre as peças mais notáveis estão estátuas reais e esfinges anteriores ao período romano, incluindo uma parcialmente preservada de Ramsés II.

Foram encontrados, ainda, um navio mercante, âncoras de pedra e inclusivamente, um guindaste portuário no local onde ficava um cais de 125 metros, utilizado como porto para embarcações menores durante as épocas romana e bizantina.

Sítio de grande riqueza arqueológica, Alexandria está actualmente ameaçada pelas mesmas águas que submergiram Canopo e Heracleion.

A cidade costeira afunda mais de três milímetros por ano e está entre as áreas mais vulneráveis às alterações climáticas e ao aumento do nível do mar.

Mesmo no cenário mais optimista elaborado pela ONU, um terço de Alexandria estará submerso ou inabitável em 2050, o que será um desastre para o que ainda resta da cidade fundada, em 331 a.c., por um dos grandes generais de sempre, o grego Alexandre Magno. Esta cidade que foi construída num pedaço de terra já ocupado por uma pequena aldeia egípcia entre o Mar Mediterrâneo e o Lago Mareotis (Lago Mariout) está a sofrer as alterações climáticas de forma intensa.

Para quem não saiba, ainda hoje são lugares icónicos a sua grande Biblioteca, a maior do mundo antigo, e o Farol de Alexandria (Pharos), uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, sendo certo que as Catacumbas de Kom El Shoqafa são hoje consideradas uma das Sete Maravilhas da Idade Média. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Portugal - Equipa liderada por André Antunes da Universidade de São José de Macau descobre novas espécies de bactérias

Uma equipa de investigadores oriundos de Macau, Portugal e Espanha descobriu uma nova espécie de bactéria dentro do género Fodinibius nas salinas de Rio Maior. A mesma investigação, agora publicada na revista International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology, propõe ainda a reclassificação da estirpe Alifodinibius salipaludis para Fodinibius salipaludis. Em comunicado, a Universidade de São José (USJ) revela que novas espécies de bactérias recolhidas no mesmo local deverão ser reveladas “nos próximos meses”


Uma equipa de investigadores liderada pelo professor André Antunes, director do Instituto de Ciência e Meio Ambiente (ISE) da Universidade de São José (USJ), descobriu novas espécies de bactérias em amostras recolhidas nas salinas de Rio Maior, em Portugal.

O artigo científico que detalha a caracterização da nova espécie foi publicado no passado mês de Julho na International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology, a revista científica oficial do Comité Internacional de Sistemática Procariota e da Divisão de Bacteriologia e Microbiologia Aplicada da União Internacional das Sociedades de Microbiologia (IUMS).

Na publicação, lê-se que “uma nova estirpe bacteriana moderadamente halófila e alcalófila” foi isolada de uma “salina interior na região central de Portugal” – mais concretamente, das Salinas de Rio Maior, em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. Ligadas à extracção de sal desde tempos pré-históricos, estas são as únicas salinas de interior em Portugal e também as únicas em pleno funcionamento em todo o continente europeu, destacando-se pela elevada salinidade: a água desta região é cerca de sete vezes mais salgada do que a água do mar.

As “características fenotípicas, a análise filogenética e a caracterização quimiotaxonómica” de uma das estirpes bacterianas recolhidas pelos investigadores diferencia-a das restantes espécies do género Fodinibius.

Em comunicado, a USJ explica que esta nova espécie “cresce melhor em salinidades que são cerca de quatro vezes superiores à água do mar e também prefere condições alcalinas, combinando assim a capacidade de crescer em diferentes extremos ambientais”.

Tendo em conta estas características singulares, a equipa propõe o estabelecimento de uma nova espécie com o nome Fodinibius alkaliphilus, bem como a reclassificação de uma espécie anteriormente conhecida como Alifodinibius salipaludis para Fodinibius salipaludis.

Liderada pelo investigador português André Antunes, a equipa inclui ainda outros investigadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, coordenados pela professora Marta Filipa Simões; da Universidade do Minho, com coordenação da professora Lígia Rodrigues; e da Universidade de Sevilha, sob orientação do professor Rafael de la Haba.

“Esta publicação destaca os pontos fortes de Macau na articulação com parceiros dos países de língua portuguesa e espanhola e a sua posição crescente nos domínios da biodiversidade e da biotecnologia”, vinca a USJ. “O estudo destes ambientes extremos é relevante para futuras aplicações num vasto leque de domínios, incluindo o biomédico e o farmacêutico, mas também se estende à descoberta de novos materiais úteis e ao fornecimento de conhecimentos úteis para futuros esforços de exploração espacial”.

A instituição avança ainda que “nos próximos meses” deverão ser tornadas públicas “publicações descrevendo outras espécies novas”, também recolhidas no mesmo local. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


sábado, 2 de agosto de 2025

Austrália - Descoberta espécie de inseto maior e mais pesado

Investigadores da James Cook University, na Austrália, identificaram uma nova espécie de insecto o Acrophylla alta, considerado agora o insecto mais pesado conhecido no país. Com cerca de 44 gramas — um peso ligeiramente inferior ao de uma bola de golfe — esta impressionante criatura mede aproximadamente 40 centímetros de comprimento.


Segundo o Professor Angus Emmott, um dos cientistas envolvidos na investigação, embora existam insectos-pau mais compridos, nenhum possui uma estrutura corporal tão robusta. “Já conhecemos outras espécies mais longas, mas são muito mais leves. Esta distingue-se claramente pelo seu peso”, explicou.

Uma das chaves para a identificação da nova espécie foi a análise dos ovos, uma vez que cada espécie de insecto-pau possui ovos com características únicas. “Estes variam imenso entre espécies — na forma, textura, relevos e até no design das tampas. São como impressões digitais”, afirmou o professor à mesma fonte.

“Um estudo revisto por pares que documentou a descoberta, publicado no jornal Zootaxa, observou que o inseto-pau era provavelmente mais pesado do que a barata gigante, que é endémica de Queensland e atualmente é o inseto mais pesado da Austrália”, diz o The Guardian.

No mesmo comunicado, Angus Emmott diz que este se restringe a uma pequena área de floresta tropical de alta altitude e vive no alto. Então, a menos que um ciclone ou um pássaro o derrube, pouquíssimas pessoas o conseguem ver.

Dois exemplares da Acrophylla alta foram já entregues ao Museu de Queensland, onde estarão disponíveis para investigação científica e ajudarão na identificação de outras espécies. InSustentix” - Portugal


segunda-feira, 7 de julho de 2025

Peru - Arqueólogos descobrem cidade com 3500 anos

Arqueólogos anunciaram a descoberta de uma cidade antiga na província de Barranca, no norte do Peru


Acredita-se que a cidade de 3500 anos, chamada Peñico, serviu como um importante centro comercial que ligava as primeiras comunidades da costa do Pacífico com aquelas que viviam nas montanhas dos Andes e na bacia amazónica

Localizado a cerca de 200 km ao norte de Lima, este sítio fica a cerca de 600 metros acima do nível do mar e acredita-se que tenha sido fundada entre 1800 e 1500 a.C. — mais ou menos na mesma época em que as primeiras civilizações floresciam no Médio Oriente e na Ásia.

Citados pela BBC, investigadores dizem que a descoberta esclarece o que aconteceu com a civilização mais antiga das Américas, a Caral.

Imagens recolhidas com drones divulgadas pelos investigadores mostram uma estrutura circular num terraço na encosta do centro da cidade, cercada por restos de construções de pedra e barro.

Oito anos de pesquisa no local revelaram 18 estruturas, incluindo templos cerimoniais e complexos residenciais.

Em edifícios do local, os investigadores descobriram objetos cerimoniais, esculturas de argila de figuras humanas e animais e colares feitos de contas e conchas.

Peñico está situada perto de onde Caral, reconhecida como a civilização mais antiga conhecida nas Américas, foi fundada há 5000 anos, por volta de 3000 a.C., no vale de Supe, no Peru.

Caral possui 32 monumentos, incluindo grandes estruturas piramidais, agricultura de irrigação sofisticada e assentamentos urbanos. Acredita-se que se tenha desenvolvido isoladamente de outras civilizações antigas semelhantes na Índia, Egito, Suméria e China.

A investigadora Ruth Shady, arqueóloga que liderou a investigação sobre Peñico e a escavação de Caral na década de 1990, revelou, citada pela agência de notícias Reuters, que a descoberta foi importante para entender o que aconteceu com a civilização Caral depois desta ser dizimada pelas alterações climáticas.

A comunidade de Peñico estava "situada num local estratégico para o comércio, para trocas com sociedades do litoral, das terras altas e da selva", acrescentou Shady.

O Peru abriga muitas das descobertas arqueológicas mais significativas das Américas, incluindo a cidadela inca de Machu Picchu, nos Andes, e as misteriosas Linhas de Nazca, esculpidas no deserto ao longo da costa central. In “MadreMedia Sapo” - Portugal


quarta-feira, 4 de junho de 2025

Portugal - Descobertos fósseis de fungos gigantes com 300 milhões de anos na região de Aveiro

Um grupo de investigadores portugueses descobriu fósseis de fungos primitivos, com 300 milhões de anos, na região de Anadia, em Aveiro. A investigação foi liderada pelo paleontólogo Pedro Correia, investigador do Centro de Geociências (CGEO) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). 


Esta descoberta, descrita no jornal internacional Geobios, decorreu em colaboração com Artur Sá, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), e Zélia Pereira, investigadora do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG).

«Os fósseis, descobertos nas formações geológicas da Bacia do Buçaco, correspondem a uma forma gigante de esporos de fungos micorrízicos, até então, completamente desconhecida para a ciência. Pertencentes ao novo género e nova espécie Megaglomerospora lealiae, estes fósseis de fungos representam os maiores esporos documentados para a Divisão Glomeromycota do Reino Fungi», revela Pedro Correia.

Os fungos glomeromicotanos compreendem um dos grupos mais comuns e difundidos, que agrupa organismos simbióticos formadores de micorrizas arbusculares, responsáveis pela formação de associações simbióticas micorrízicas (denominadas endomicorrizas), com raízes de cerca de 80% das plantas vasculares conhecidas atualmente. Estes fungos endomicorrízicos, formam esporos assexuados com um diâmetro de 40 a 800 micrómetros (μm) no solo e no tecido vegetal.

«Apesar da sua pequena dimensão, cerca de 1,6 milímetros de diâmetro, estes fósseis foram um gigante entre os esporos de fungos da classe Glomeromycetes, que existiram há cerca de 300 milhões de anos, no final do período Carbonífero, e nunca antes documentados em fungos glomeromicotanos fossilizados e fungos endomicorrízicos modernos», descreve o autor principal do artigo científico.

«A descoberta de Megaglomerospora lealiae na Bacia do Buçaco constitui um avanço significativo no conhecimento da diversidade e história evolutiva acerca das interações simbióticas mutualísticas entre plantas vasculares e fungos micorrízicos. Além disso, estes novos achados correspondem ao primeiro registo de um fungo endomicorrízico descoberto no Carbonífero da Península Ibérica», afirma o paleontólogo.

No final do período Carbonífero, as concentrações atmosféricas de oxigénio atingiram níveis excecionalmente elevados, estimados entre 30% a 35%, muito acima dos cerca de 21% atuais. Esta elevada disponibilidade de oxigénio permitiu que se desenvolvessem estruturas de grandes dimensões, capazes de explorar vastas áreas radiculares para a troca eficiente de nutrientes entre organismos fúngicos e plantas, uma adaptação crucial num ambiente ecológico altamente competitivo e diversificado na época.

Por outro lado, as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono eram relativamente baixas comparadas com outros períodos geológicos. A diminuição de CO, em combinação com o aumento da biomassa vegetal, exigiu uma maior eficiência na absorção de nutrientes pelas plantas, o que potencialmente impulsionou a simbiose com fungos micorrízicos.

«Estes fungos desempenharam um papel essencial na otimização da captação de fósforo e outros nutrientes essenciais, promovendo o desenvolvimento de redes micorrízicas extensas e, consequentemente, estruturas fúngicas de grandes dimensões, quando comparadas com as atuais», explicam os envolvidos na descoberta paleontológica.

«A relevância desta descoberta reside na confirmação de que as associações simbióticas já desempenhavam um papel crucial na estruturação dos ecossistemas terrestres há cerca de 300 milhões de anos. O estudo deste novo fóssil, agora descrito, fornece informações importantes sobre as interações entre fungos e plantas, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada dos processos ecológicos que moldaram a flora do Paleozoico», concluiu a equipa de investigadores.

A nova espécie é dedicada a Fernanda Leal, aluna de doutoramento da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da mesma universidade, que contribuiu para a classificação dos fungos fósseis agora descritos pela primeira vez na ciência. Universidade de Coimbra - Portugal  


sábado, 22 de março de 2025

Iraque – Encontradas tábuas com 4 mil anos que revelam burocracia antiga

Arqueólogos do Museu Britânico e do Iraque descobriram mais de 200 tábuas cuneiformes de 4000 anos em Girsu, lançando luz sobre a complexa burocracia do primeiro império conhecido



Uma descoberta no sul do Iraque deu-nos um raro vislumbre do mundo da burocracia antiga. Investigadores do Museu Britânico e do Iraque desenterraram mais de 200 tábuas cuneiformes de argila e 60 selos, oferecendo um registo detalhado do antigo império acádio.

Essas tábuas de 4000 anos, descobertas na antiga cidade suméria de Girsu (atual Tello), revelam tudo, do mundano ao monumental: rações de cevada, transações de gado e até mesmo a morte de uma ovelha nas periferias do império.

“Estas são as plantas do império, a primeira evidência material do primeiro império do mundo”, disse Sébastien Rey, curador do Museu Britânico para a antiga Mesopotâmia e diretor do Projeto Girsu, ao The Observer.

Para que não pensemos que a burocracia era uma invenção moderna, Rey destacou a propensão do império para procedimentos burocráticos. “Eles anotam absolutamente tudo… Eles são obcecados com burocracia”, afirmou.

O tesouro de registos administrativos, que remonta ao período acadiano (2300-2150 a.C.), fornece a primeira evidência concreta do Império Acádio sob o rei Sargão – o primeiro império conhecido do mundo. Rey explicou que as tábuas foram armazenadas num edifício de arquivo do estado e documentam o funcionamento interno do império em grande detalhe. Estas são “as primeiras evidências materiais de como o império realmente funcionou”, acrescentou.

Como Rey esclareceu, as descobertas também revelam que as mulheres desempenharam papéis significativos neste império inicial. Ele observou que, embora a sociedade fosse patrilinear, as mulheres ocupavam cargos importantes, incluindo papéis de alta sacerdotisa – algo incomum para a época.

“As mulheres ocupavam cargos importantes dentro do estado. Então temos altas sacerdotisas, por exemplo, embora fosse uma sociedade muito liderada por homens. Mas o papel da mulher era pelo menos mais alto do que muitas outras sociedades, e é inegável com base nas evidências que temos”, ele disse ao Observer.

As tábuas, parte do Projeto Girsu – uma colaboração entre o Museu Britânico e o Conselho Estadual de Antiguidades do Iraque – ficarão no Museu do Iraque em Bagdad para estudos mais aprofundados.

Saiba mais sobre o Projeto Girsu aqui. Euronews.culture


terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Egipto - Anuncia a primeira descoberta em 100 anos de um túmulo faraónico

O Ministério das Antiguidades do Egipto anunciou a descoberta do túmulo de Tutmés II, o primeiro túmulo real antigo encontrado desde o de Tutankamon em 1922.



Tutmés II era filho de Tutmés I e da sua esposa menor, Mutnofret, que era provavelmente filha de Ahmés I. Era, portanto, filho menor de Tutmés I e escolheu casar com a sua meia-irmã real, Hatchepsut, para garantir a sua realeza. Como Mutnofret era uma princesa e Tutmés I era um plebeu, provavelmente casaram apenas depois de Tutmés se ter tornado rei, pelo que o seu filho nasceria após a coroação do seu pai, e provavelmente após a meia-irmã Hatchepsut, que era filha do faraó com a sua esposa primária.

Isto significaria que Tutmés II estava no início da adolescência quando se tornou faraó. Embora tenha reprimido com sucesso rebeliões na Núbia e no Levante e derrotado um grupo de beduínos nómadas, estas campanhas foram levadas a cabo especificamente pelos generais do rei, e não pelo próprio Tutmés II o que é muitas vezes interpretado como evidência de que Tutmés II era ainda menor de idade quando assumiu o trono. Tutmés II gerou Neferure com Hatchepsut, e Tutmés III, com uma esposa menor chamada Iset.

Alguns arqueólogos acreditam que durante o governo de Tutmés II Hatchepsut era o verdadeiro poder por detrás do trono, devido às políticas internas e externas semelhantes que foram posteriormente adoptadas durante o seu reinado e por causa da sua alegação de que era a herdeira pretendida do pai. É retratada em várias cenas de relevo de um portal de Karnak que datam do reinado de Tutmés II, tanto juntamente com o seu marido como sozinha e mais tarde, fez-se coroar Faraó vários anos após o governo do jovem sucessor do seu marido, Tutmés III; isto é confirmado pelo facto de “os agentes da rainha terem substituído o nome do rei em alguns lugares pelos seus próprios”.

Agora, o túmulo de Tutmés II foi encontrado perto do Vale dos Reis em Luxor, no sul do Egipto, a alguns quilómetros do seu imponente templo funerário, erguido na margem oeste do Nilo.

Trata-se de “uma das descobertas arqueológicas mais importantes dos últimos anos”, celebrou o Ministério das Antiguidades.

Segundo estudos preliminares, o túmulo, escavado por uma missão conjunta egípcio-britânica, foi esvaziada na antiguidade, deixando o túmulo sem múmia real nem o esplendor dourado associado à descoberta de Tutankamon.

A sua entrada foi localizada pela primeira vez em 2022 nas montanhas de Luxor, a oeste do Vale dos Reis, mas os especialistas acreditavam que ela conduzia ao túmulo de uma esposa real.

A equipa encontrou depois “fragmentos de vasos de alabastro com o nome do faraó Tutmés II, identificado como o ‘rei falecido’, assim como inscrições com o nome de sua principal esposa real, a rainha Hatshepsut”, detalha o ministério.

Pouco depois do sepultamento do rei, a água inundou a câmara funerária, danificando o interior e fragmentando um revestimento de gesso decorado com extractos do Livro de Amduat, um antigo texto funerário sobre o além.

Também foram encontrados no túmulo alguns móveis funerários que pertenceram a Tutmés II, indicou o ministério.

De acordo com o chefe da missão, Piers Litherland, citado pelo Ministério das Antiguidades, a equipa continuará o seu trabalho na região, com a esperança de encontrar objectos que originalmente estavam no tumulo.

Este anúncio ocorre num momento em que o Egipto intensifica os esforços para impulsionar o turismo, uma fonte essencial de divisas estrangeiras para a economia do país. No ano passado, o Egipto recebeu 15,7 milhões de turistas e este ano espera a visita de 18 milhões, especialmente graças à esperada inauguração do Grande Museu Egípcio, ao pé das pirâmides de Gizé. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”


quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Portugal - Investigadores portugueses descobrem fóssil raro de planta com 310 milhões de anos

Foi descoberta uma nova espécie de uma gimnospérmica primitiva com 310 milhões de anos, nas formações geológicas de Fânzeres, em Gondomar. A investigação, liderada por Pedro Correia, investigador do Centro de Geociências (CGEO) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com Carlos Góis-Marques, paleobotânico da Universidade da Madeira, está publicada no jornal internacional Geological Magazine.


 

De acordo com Pedro Correia, a descoberta permitiu saber «como estas plantas primitivas evoluíram e se reproduziram durante o Período Carbónico, no final da Era Paleozoica». Este fóssil, denominado Palaeopteridium andrenelii, corresponde a uma nova espécie da extinta ordem Noeggerathiales, um grupo primitivo de plantas vasculares denominadas de progimnospérmicas da divisão Progymnospermophyta. 

«É um grupo de plantas ainda pouco compreendido e mal representado no registo fóssil da Península Ibérica, do qual são conhecidas apenas dez espécies noeggerathialeanas, número pode ser reduzido para quase metade se tivermos em conta algumas considerações taxonómicas», explica o investigador.  

Palaeopteridium andrenelii é o segundo representante de Noeggerathiales descoberto no Carbónico Português depois do geólogo Carlos Teixeira ter descrito a noeggerathialeana Rhacopteris gomesiana na década de 1940, na Bacia Carbonífera do Douro.  

As Noeggerathiales eram, até há pouco tempo, consideradas um grupo de plantas com uma classificação taxonómica incerta que existiu nos Períodos Carbónico e Pérmico, há cerca de 359 a 252 milhões de anos. Descobertas recentes permitiram classificar este grupo primitivo como progimnospérmicas heterosporosas, um grupo-irmão das pteridospérmicas ‒ plantas produtoras de sementes que coexistiram com as Noeggerathiales. 

Apesar da descoberta recente de espécimes completos encontrados nas formações do Pérmico da China, o grupo ainda permanece altamente artificial, uma vez que os seus órgãos reprodutores raramente são preservados em conexão orgânica com as partes frondosas da planta-mãe.

A nova espécie de progimnospérmica apresenta macroesporângios (estruturas reprodutoras) em associação, um dos quais ainda preserva um gametófito multicelular. «Esta descoberta sugere que as Noeggerathiales possivelmente eram mais diversas do que pensávamos e a sua associação paleontológica a megaesporângios traz um novo conhecimento sobre a evolução destas plantas tão enigmáticas, bem como da sua paleoecologia», evidencia o paleontólogo. 

«Estamos perante um achado singular. Fósseis de plantas pertencentes às extintas Noeggerathiales são raros na Europa e América, sobretudo devido aos seus requisitos ecológicos distintos. Isto é, viviam em habitats distintos, e, portanto, geralmente, não fossilizaram juntamente com as típicas plantas do registo fóssil do Carbónico. Além do mais, esta nova espécie reforça o que já se conhecia: o registo paleobotânico do Carbónico português apresenta um alto grau de endemismo de relevância internacional», conclui Carlos Góis-Marques, coautor do artigo científico. 

A nova espécie é dedicada a André Nel do Museu Nacional de História Natural de Paris, especialista mundial em paleoentomologia, que tem colaborado com os paleontólogos portugueses no estudo taxonómico de novos fósseis de insetos recentemente descobertos nas Bacias Carboníferas do Douro e do Buçaco. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Portugal - Descoberta nova espécie de fetos extinta com 300 milhões de anos

Uma equipa de investigadores do Centro de Geociências (CGEO) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) descobriu uma nova espécie de fetos com 300 milhões de anos.


 

O fóssil da planta encontrado nas formações geológicas da região de Anadia, no distrito de Aveiro, corresponde a um feto primitivo já extinto com cerca de 300 milhões de anos. A nova descoberta paleontológica foi publicada na revista Review of Palaeobotany and Palynology.  

«Este achado paleobotânico corresponde a uma nova espécie do género Acitheca, um grupo de fetos arbóreos maratileanos da já extinta família Psaroniaceae da ordem das Marattiales, caracterizado pelos seus esporângios alongados e soros sésseis», descreve Pedro Correia, investigador do CGEO e primeiro autor do artigo científico. 

A nova espécie, batizada de Acitheca machadoi, é dedicada a Gil Machado, geólogo especializado em Palinologia paleozoica, que estudou detalhadamente a estratigrafia (ramo da geologia que estuda os estratos ou camadas de rochas) e as floras palinológicas da Bacia Carbonífera do Buçaco, incluindo a secção estratigráfica onde o novo fóssil foi descoberto.  

Acitheca machadoi conserva esporângios (órgãos reprodutores da planta) em detalhe tridimensional e ainda com esporos in situ. «É uma preservação excecional e raramente encontrada em adpressões (tipo de fossilização por compressão) nas quais os fósseis vegetais do Carbónico desta região se encontram preservados», afirma o paleontólogo, acrescentando que este fóssil apresenta dos mais pequenos esporângios documentados para o género Acitheca

Sofia Pereira, investigadora do CGEO e coautora do trabalho científico, acredita que é provável que o tamanho reduzido dos esporângios corresponda a uma adaptação às condições mais secas que se faziam sentir no Período Carbónico. «Afinal, esta é uma das adaptações mais "escolhidas" pelas plantas para enfrentar condições de pouca disponibilidade de água, permitindo-lhes conservar água, aumentar a eficiência energética e facilitar a libertação de esporos», sublinha.

«Embora na paleontologia tenhamos de esperar pelas próximas peças do puzzle, são já vários os sinais da transição de condições húmidas para secas nas associações de plantas fósseis da Bacia Carbonífera do Buçaco, espelhando a mudança climática global que se iniciou na passagem do Período Carbónico para o Período Pérmico, e que vai marcar este último período geológico do Paleozoico», concluem os investigadores. 

Com uma diversidade global relativamente baixa – conhecem-se menos de dez espécies – Acitheca machadoi é o terceiro representante do género em Portugal, sugerindo que a sua diversidade a nível mundial poderá estar subestimada. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Egipto - Descoberto sarcófago do Império Médio em Luxor

Egiptólogos franceses descobriram um sarcófago reenterrado da era do Império Médio em Luxor, no Egipto, como parte das investigações realizadas após a descoberta, em 2018 e 2019, de cinco sarcófagos no mesmo local, informou um membro da equipa este domingo, dia 29 de dezembro



A descoberta ocorreu no dia 16 de dezembro, quase no final de uma missão arqueológica de dois meses, confirmou à AFP Frédéric Colin, diretor do Instituto de Egiptologia da Universidade de Estrasburgo, no leste de França.

O egiptólogo, que participou na missão, considera a descoberta "notável" em todos os sentidos.

"Esclarece uma importante questão antropológica: como os habitantes do Antigo Egipto se comportaram com os corpos mumificados e os túmulos dos seus ancestrais quando descobriram sarcófagos antigos e tiveram que os mover devido a grandes reformas públicas", explicou Colin à AFP.

O sarcófago descoberto foi enterrado de novo, assim como os cinco sarcófagos descobertos em Luxor em 2018 e 2019.

A recente missão arqueológica foi organizada para "compreender melhor a natureza e o significado das descobertas de 2018 e 2019", salienta Frédéric Colin.

As equipas procuravam descobrir "se estes cinco sarcófagos constituíam um túmulo isolado ou faziam parte de um conjunto maior e mais sistemático de exumações", adicionou.

O investigador acrescentou ainda que durante seis meses foram estudadas várias camadas de terra com mais de oito metros, estratificadas e acumuladas ao longo de mais de 3000 anos e realizadas "três escavações arqueológicas".

"E o início da resposta (às nossas perguntas) surge no último dia da terceira campanha de escavação", quando o sarcófago foi descoberto, observou.

Os egiptólogos apenas "tocaram a camada (de terra) onde o sarcófago estava localizado. A escavação vai continuar quando a próxima campanha começar, em outubro de 2025", comentou Colin.

O sarcófago, da era do Império Médio (final do século XXI e século XVIII a.C), foi "preservado num baú de madeira feito sob medida".

O seu conteúdo vai ser estudado em 2025 "em colaboração com arqueoantropólogos (arqueólogos especializados na escavação de corpos humanos), modelando todas as etapas da pesquisa em 3D, como a equipa tem efetuado desde 2018". In “Sapo Viagens” – Portugal com “AFP”


sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Portugal - Descobertas duas novas espécies de coníferas do Cretácico

Mário Miguel Mendes, investigador do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), descobriu mais duas novas espécies de coníferas atribuídas à extinta família Cheirolepidiaceae, recolhidas na região de Juncal.


 

De acordo com o cientista, a primeira das novas espécies corresponde a um cone masculino, denominada Classostrobus doylei, no qual se observam pólenes de tipo Classopollis triangulus. «Estes pólenes nunca haviam sido reconhecidos dispersos nas nossas palinofloras e estamos convictos de que, após a sua libertação assumiam uma forma esférica, não sendo possível detetar as pontes de exina», revela Mário Miguel Mendes. 

Esta nova espécie, descrita e publicada na revista científica Cretaceous Research, foi dedicada a James Doyle, professor da Universidade da Califórnia (EUA). A realização deste trabalho envolveu a combinação de técnicas de microtomografia computadorizada de raios X (microCT), microscopia ótica, microscopia eletrónica de varrimento e microscopia eletrónica de transmissão. 

A segunda espécie, denominada Frenelopsis callapezii, foi descrita com base nos caracteres morfológicos dos eixos caulinares da planta e nas suas características cuticulares, tendo sido dedicada a Pedro Callapez Tonicher, professor da FCTUC. «Ao contrário de outras espécies do mesmo género, esta não possui longos tricomas, apenas papilas, e apresenta um tipo de ramificação pouco usual nos frenelopsídeos», descreve o investigador. 

As coníferas da família Cheirolepidiaceae foram extremamente abundantes durante o Mesozoico, predominando em várias regiões do globo, incluindo aquelas que hoje correspondem à América do Norte e à Europa. Os primeiros membros desta família datam do início do Triásico Superior e, ao longo de 160 milhões de anos, continuaram a diversificar-se, entrando em declínio no final do Cretácico. 

«Acredita-se que os últimos representantes do grupo tenham resistido na América do Sul até ao início do Paleogénico, sobrevivendo à extinção em massa do Cretácico/Paleogénico (K/Pg). A descrição das novas espécies portuguesas demonstra que a diversidade deste grupo é muito maior do que se pensava e salienta também a importância destas plantas nos ecossistemas do Cretácico», considera o especialista do MARE/FCTUC. 

Segundo Mário Miguel Mendes, a paleoecologia destas plantas é bastante variável. «Acredita-se que tenham ocupado ambientes de estuário, planícies aluviais de água doce e locais mais elevados, sob influência de clima quente a temperado e, sazonalmente, com humidade significativa. A plasticidade morfológica e ecológica destas plantas pode explicar o seu grande sucesso evolutivo e a resistência a condições ambientais extremas. Além disso, há evidências de que a poliploidia pode ter sido crucial para a especiação dentro das Cheirolepidiaceae», revela. 

Os estudos das Cheirolepidiaceae têm permitido reconstruir a sua evolução em termos de diversidade e riqueza de espécies, história biogeográfica e inferir sobre as causas da sua extinção. «Estas plantas têm sido modelos fantásticos, pois o seu estudo tem contribuído, sem dúvida, para compreender como as coníferas se diversificaram e adaptaram ao longo dos tempos», conclui. 

Estes trabalhos foram realizados em colaboração com investigadores da República Checa, Rússia e Holanda, tendo recebido financiamento da Czech Grant Agency e do MARE/FCTUC.

O artigo científico “Classostrobus doylei, a new cheirolepidiaceous cone with in situ pollen from the Figueira da Foz Formation (lower Aptian e upper Albian), western Portugal” pode ser consultado aqui. Universidade de Coimbra - Portugal