Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 9 de agosto de 2026

Reino Unido - Publicou poesia ou prosa? O Grande Prémio de Literatura Portuguesa na Diáspora é para si

O jornal “As Notícias”, com sede no Reino Unido, lançou o Grande Prémio de Literatura Portuguesa na Diáspora, uma iniciativa com inscrições gratuitas e de âmbito internacional destinada a “reconhecer, valorizar e promover a criação literária de autores portugueses residentes fora de Portugal”, em duas categorias: Prosa e Poesia


De acordo com os seus organizadores, “com periodicidade anual, o prémio pretende afirmar-se como uma referência cultural da diáspora portuguesa, distinguindo obras de elevada qualidade escritas em língua portuguesa e incentivando a produção literária das comunidades portuguesas espalhadas pelos cinco continentes”, tendo como objetivo ainda “valorizar a ligação à língua e à cultura portuguesas através da escrita”.

A iniciativa destina-se a cidadãos com nacionalidade portuguesa residentes atualmente no estrangeiro, com idade mínima de 18 anos.

As obras a concurso devem ter sido publicadas entre 5 de maio de 2024 e 6 de setembro de 2026, não podem estar vinculadas a outros concursos nem terem sido já premiadas noutras oportunidades. Não são elegíveis autores residentes em Portugal, ainda que tenham sido emigrantes no passado. O encerramento das candidaturas acontece dia 6 de setembro 2026.

Serão atribuídos prémios pecuniários para os vencedores em cada categoria, no valor de 500 libras. Os trabalhos serão avaliados por um júri composto por personalidades de reconhecido mérito no panorama literário e cultural português.

“Mais do que um concurso literário, o projeto pretende dar visibilidade a autores que, muitas vezes longe dos grandes circuitos editoriais, contribuem de forma significativa para a riqueza e diversidade da literatura em português”, disseram os responsáveis.

A primeira edição culminará com a cerimónia de entrega dos prémios em Thetford, na Inglaterra, dia 6 de novembro de 2026, integrada nas celebrações do 20.º aniversário do jornal As Notícias, quando “deverão estar presentes os concorrentes ou se fazerem representar”.

“Ao longo de décadas de emigração, milhões de portugueses construíram histórias de vida que fazem parte da memória coletiva do país. O Grande Prémio de Literatura Portuguesa na Diáspora nasce precisamente para preservar esse património humano, cultural e histórico, incentivando a escrita como veículo de memória, identidade e aproximação entre Portugal e as suas comunidades no estrangeiro”, afirmaram esses mesmos responsáveis pelo jornal localizado no Reino Unido, que sublinharam que, numa primeira fase, o projeto conta com a colaboração de vários órgãos de comunicação social da diáspora portuguesa, entre os quais o Bom Dia além do apoio da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (DGACCP).

O regulamento pode ser consultado aqui.

As candidaturas devem ser feitas online aqui. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




A baronesa do Forte Coimbra

Minha filha, Letícia, questionou-me o porquê de somente ela ter sido registrada com um dos sobrenomes da família de seu pai, o Portocarrero. É mesmo belo esse Portocarrero de origem espanhola, ligado às regiões de Castela e da Estremadura. Significa algo como “porto”: passagem e “carrero”: carreiro, caminho de carros. As rodas das carroças sulcando as antigas estradas ibéricas.


Em Mato Grosso do Sul, Portocarrero lembra um episódio da Guerra do Paraguai (1864-1870), o maior conflito armado da América Latina. O Paraguai se opôs à Tríplice Aliança, formada por Brasil, Argentina e Uruguai, num confronto mortífero, de dor e destruição. Combates, fome, doenças. Países esgotados espiritual e financeiramente. Esse foi o saldo da cruenta guerra.

O tenente-coronel Hermenegildo de Albuquerque Portocarrero (1818-1893) foi enviado para inspecionar o Forte Coimbra, localizado às margens do rio Paraguai, município de Corumbá. Esse forte foi construído em 1775, no período colonial, pelos portugueses, para proteger a fronteira oeste e controlar a navegação. Todo branco, imponente, cercado por grossas muralhas, onde pousam garças e tuiuiús. Dos mirantes avista-se a paisagem pantaneira. As ilhas de camalotes com flores roxas que descem o rio. É patrimônio histórico e destino turístico.

Era o princípio da guerra. Ao anoitecer do dia 26 de dezembro de 1864, surgiu a poderosa esquadra do coronel paraguaio, Vicente Bárrios: 11 navios de guerra, 29 peças de artilharia, 3200 homens. No forte, a guarnição brasileira possuía dois canhões, 250 pessoas, entre elas, 115 soldados e civis, 70 mulheres, crianças e 10 indígenas guaicurus. Portocarrero assume a defesa. Quando recebeu um ultimato para render o forte, recusou-se a capitular e declarou que resistiria “até o último cartucho”. Seguiram-se dois dias de intenso bombardeio. Foi nesse momento que se levantou a liderança de sua esposa, a uruguaiana Ludovina Portocarrero (1825-1912). Ludovina organizou parte das mulheres para fabricarem buchas de munição com pedaços de suas saias. Algumas cozinhavam. Outras escalavam na escuridão da noite as íngremes barrancas para buscar água em latas. Outras ainda prestavam assistência aos feridos. Nenhuma gritava. Nenhuma chorava. Mantinham, firmes, o moral dos soldados. Entre as heroínas, a maioria anônimas, destacaram-se duas mulheres do povo, as negras Aninha Cangalha e Maria Fuzil.

Ludovina, cheia de fé (e a fé move os obstáculos), retirou a faixa de comandante do uniforme do marido e a colocou aos pés da imagem de Nossa Senhora do Carmo, padroeira do forte. Confiou simbolicamente o governo daquelas vidas a algo sobrenatural, extraordinário. Depois, deu ordem ao soldado músico, o Verdeixas, para subir no ponto mais alto da muralha e mostrar a imagem. O gesto abalou a sensibilidade religiosa dos paraguaios. Todos aplaudiam, deliravam, bradavam vivas. Uma verdadeira comoção. Enquanto isso, a população de Corumbá, em pânico, fugia pelas matas. Muitos foram massacrados. Portocarrero ordena a retirada durante a noite, numa embarcação chamada “Amambaí”. Ninguém ficou para trás. O barco não fez barulho, não soltou faíscas, não bateu remos nas pedras. Envolto na bruma, sumiu na correnteza do rio.

Anos mais tarde, Ludovina e Portocarrero receberam das mãos de Dom Pedro II os títulos de Barão e Baronesa do Forte Coimbra. Era 1889, final melancólico do império. Ludovina ficou viúva aos 68 anos. Perdeu oito de seus 15 filhos. Mergulhou em sua digna velhice. Faleceu aos 87 anos, no Rio de Janeiro.

Descendente direta do casal foi Tônia Carrero (1922-2018), Maria Antonieta Portocarrero Thedim, a sedutora atriz, filha do neto, general Hermenegildo Portocarrero e de Dona Zilda. A estrela de tantos filmes, peças teatrais e novelas. Mais de seis décadas de dedicação à dramaturgia. Morreu de hidrocefalia, aos 95 anos, cercada por filho e netos. Seu brilho permanece. Era azul, divino, de diva.

Por que coloquei o sobrenome Portocarrero em você, filha? Tornei-a LP, Letícia Portocarrero, como era ela, Ludovina Portocarrero. O anagrama LP bordado no linho do enxoval que se encontra até hoje no Forte Coimbra. Uma coincidência? Um chamado? Uma sugestão? Um augúrio? Um legado? Não sei, mas desejo que você tenha a mesma coragem dela para enfrentar as guerras. Raquel Naveira – Brasil in “saojoaodel-rei.blogspot”

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Raquel Naveira (1957), nascida em Campo Grande, formada em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco (1976), em sua cidade natal, é mestre em Comunicação e Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2001), de São Paulo. Graduou-se em Língua e Literatura Francesa pela Universidade de Nancy (1981), da França, e em Letras pela Universidade Católica Dom Bosco (1994), onde deu aulas de Literaturas Brasileira, Latina e Portuguesa por 19 anos e aposentou-se.

Residiu no Rio de Janeiro, onde lecionou na Universidade Santa Úrsula e, em São Bernardo do Campo-SP, na Faculdade Anchieta. Deu também aulas na pós-graduação da Universidade Nove de Julho (Uninove), de Comunicação Aplicada na Faculdade de Tecnologia em Hotelaria, Gastronomia e Turismo (Hotec) e na pós-graduação da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

Ministrou palestras e cursos em escolas e em várias instituições culturais como Casa das Rosas, Casa Guilherme de Almeida e Casa Mário de Andrade, em São Paulo. Na Academia Paulista de Letras, participou do Ciclo de Memória da Literatura, discorrendo sobre o trabalho das romancistas Maria de Lourdes Teixeira (1907-1989) e Stella Carr (1932-2008).

É autora de mais de 40 títulos de poesia, crônicas, ensaios e romances, entre eles: Abadia, poemas (Editora Imago,1996), e Casa de Tecla, poemas, obra indicada ao Prêmio Jabuti de Poesia, pela Câmara Brasileira do Livro. Escreveu o livro infanto-juvenil Pele de Jambo (1996) e o de ensaios Fiandeira (1992).

Publicou os romanceiros Guerra entre irmãos (1993), poemas inspirados na Guerra do Paraguai (1864-1870), e Caraguatá (1996), inspirados na Guerra do Contestado (1912-1916), conflito armado entre os Estados de Santa Catarina e Paraná, a partir de luta entre posseiros e pequenos proprietários pela posse de um território, livro que inspirou o filme de curta-metragem Cobrindo o Céu de Sombra, monólogo com a atriz Christiane Tricerri.

É autora também de: Via Sacra (1989); Fonte Luminosa (1990); Nunca-Te-Vi (1991); Sob os Cedros do Senhor (1994); Canção dos Mistérios (1994); Mulher Samaritana (1996); Maria Madalena (1996); O Arado e a Estrela (1997); Rute e a Sogra Noemi (1997); Intimidades Transvistas (1997); e Senhora (1999), que recebeu o prêmio Jorge de Lima-Brasil 500 anos, concedido pela Academia Carioca de Letras e pela União Brasileira de Escritores (UBE), seção do Rio de Janeiro, em 2000.

Publicou ainda: Stella Maia e Outros Poemas (2001); Xilogravuras (2001); Maria Egipcíaca (2002); Casa e Castelo (2002); Tecelã de Tramasensaios sobre interdisciplinaridade (2005); Portão de Ferro (2006); Literatura e Drogase outros ensaios (2007); Guto e os Bichinhos (2012); Sangue Português (2012); Álbuns de Lusitânia (2012); e Jardim Fechadouma antologia poética (2016), livro comemorativo dos seus 30 anos de carreira literária, entre outros.

Em 2002, lançou o CD Fiandeiras do Pantanal, em que declama seus poemas, acompanhada por craviola e pela voz da cantora Tetê Espíndola. Fiandeira foi indicado como leitura obrigatória do vestibular da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Este livro e mais Jardim Fechado: uma antologia poética foram eleitos como os representativos de Mato Grosso do Sul pelo portal G1.

Nos últimos tempos, lançou Leque Aberto (2020), Romanceiro de Cabeza de Vaca: o andarilho das Américas (2020) e Manacá (2021), crônicas em que mescla em prosa poética tradição e modernidade. Em 2022, publicou No Mundo Encantado de Luciana, infanto-juvenil e, em 2023, Mundo Guaranifragmentos de uma alma da fronteira, obra de memória que está entre a crônica, a novela e o romance e obteve o Prêmio João do Rio, da UBE, do Rio de Janeiro, narrativa que traz à tona o universo da fronteira entre o Brasil e o Paraguai, em que recupera suas vivências com a herança indígena ainda extremante forte na cidade de Bela Vista, na fronteira com o Paraguai, à beira do rio Apa.

Em 2024, lançou Ponto de Fuga & Outros Poemas (São Paulo, Inmensa Editorial), coletânea de poemas originalmente publicados em dez de seus livros, que reúne também peças inéditas, os chamados poemas “vegetais”, gênero que, aliás, já estava presente em obras anteriores.

Pertence à Academia Sul-mato-grossense de Letras, à Academia Cristã de Letras, de São Paulo, à Academia de Letras do Brasil, de Brasília, à Academia de Ciências de Lisboa e ao PEN Clube do Brasil. Escreve para várias revistas e jornais como Correio do Estado-MS, Jornal de Letras-RJ, Linguagem Viva-SP, Jornal da ANE-DF e O Trem-MG, entre outros. Adelto Gonçalves - Brasil



Que pena


















Vamos aprender português, cantando

 

Que pena

 

Esqueceste-me

andas às voltas na minha mão

vendeste-me

andas perdido em solidão

tu lembras-te

do meu perfume, da minha voz?

Perdeste-me

agora eu escrevo sobre nós

 

Eu não preciso que me atendas

enrolada nos teus esquemas

sou tão fraca que te tornei especial

andas com tudo controlado

mentes bem e tens piada

era uma pena se algo te corresse mal

 

Que pena, que pena que eu teria

se caísses e partisses o nariz

ai, que pena

que pena, acordares sem um dente

e o teu dentista estava fora do país

ai, que pena

que pena, encontrares a mulher com que sonhaste

e ter a vida que eu nunca consegui ter

que pena, que pena que eu teria

pena e tanta covardia

de odiar o amor do amor da tua vida

 

Quando me ouves, ainda pensas que eu só escrevo sobre nós

diz-lhe a ela que é a sério e não gostas da minha voz

que as letras que eu invento nunca são originais

que vocês são tão diferentes e nós demasiado iguais

que eu nunca fui perfeita, nunca fui bem p'ra ti

a vida que vivias, tornei-a só sobre mim

tinhas os mesmos medos e eu não puxava por ti

agora és tu e ela até ao dia que fugires

 

Que pena, que pena que eu teria

se caísses e partisses o nariz

ai, que pena

que pena, acordares sem um dente

e o teu dentista estava fora do país

ai, que pena

que pena, encontrares a mulher com que sonhaste

e ter a vida que eu nunca consegui ter

que pena, que pena que eu teria

pena e tanta covardia

de odiar o amor do amor da tua vida

 

Esqueceste-me

andas às voltas na minha mão

vendeste-me

andas perdido em solidão

 

Que pena, que pena que eu teria

se caísses e partisses o nariz

ai, que pena

que pena, acordares sem um dente

e o teu dentista estava fora do país

ai, que pena

que pena, encontrares a mulher com que sonhaste

e ter a vida que eu nunca consegui ter

que pena, que pena que eu teria

pena e tanta covardia

de odiar o amor do amor da tua vida

 

Ai, que pena

 

Francisca Borges - Portugal












 

sábado, 8 de agosto de 2026

Guiné Equatorial e Cuba ampliam a sua cooperação com novos projetos nas áreas de energia e pesca

O fortalecimento da cooperação bilateral foi o foco da audiência que o Vice-Presidente da República concedeu ao embaixador de Cuba na Guiné Equatorial

Os governos da Guiné Equatorial e de Cuba reafirmaram o seu compromisso de continuar a consolidar as suas relações de cooperação, após constatarem o progresso alcançado nos diversos projetos que ambos os países estão desenvolvendo em conjunto.

A avaliação foi feita durante uma reunião realizada na quinta-feira na residência oficial do chefe de Estado em Malabo, entre o vice-presidente da República, Nguema Mangue, e o embaixador cubano, Ángel Cordero.

Durante a reunião, que contou também com a presença dos Ministros de Estado dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e da Diáspora, Simeon Angué, e da Defesa, Victoriano Okomo, as delegações analisaram o grau de implementação dos acordos bilaterais, com especial atenção aos setores da agricultura, da educação e da saúde, considerados pilares da cooperação entre os dois países.

Na esfera social, Nguema Mangue destacou a contribuição dos profissionais cubanos que atuam na Guiné Equatorial, especialmente médicos e professores, cujo trabalho fortaleceu a saúde e a formação acadêmica no país. Ambos os lados também elogiaram o programa de bolsas de estudo que permite aos estudantes guineenses cursar o ensino superior em Cuba.

Como resultado do encontro, a Guiné Equatorial e Cuba manifestaram a sua vontade de expandir a cooperação para novos setores estratégicos, incluindo energia e pesca, com o objetivo de diversificar a colaboração bilateral e fortalecer uma relação diplomática que se mantém há mais de cinco décadas. Sinfórica Esodja – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


Guiné Equatorial - Concurso Literário Feminino reforça a formação das suas participantes com uma oficina sobre bem-estar emocional ministrado pela UNICEF

O evento contou com a presença do Diretor Geral de Centros Culturais, Bibliotecas e Imagem, como parte do programa de treino do concurso


A Biblioteca Nacional da Guiné Equatorial acolheu um novo dia de formação da II Edição do Concurso Literário Feminino da Guiné 2026, com foco na promoção do bem-estar emocional e do desenvolvimento pessoal das participantes.

A oficina foi conduzida por Cristina Matos, especialista da UNICEF Guiné Equatorial, que compartilhou com os participantes ferramentas focadas no autocuidado, fortalecimento da autoestima, gestão das emoções e criação de ambientes seguros e saudáveis, aspectos considerados fundamentais para o seu crescimento pessoal e académico.

A atividade contou com a presença do Diretor-Geral dos Centros Culturais, Bibliotecas e Imagem, que transmitiu uma mensagem de apoio e motivação aos participantes, destacando o papel da cultura, da literatura e da educação como elementos essenciais para a formação de uma juventude preparada e comprometida com o desenvolvimento da Guiné Equatorial.

Durante o evento, a equipa organizadora expressou a sua gratidão à UNICEF Guiné Equatorial pela colaboração no desenvolvimento do workshop e, em particular, à sua representante, Shelly, pelo apoio a esta iniciativa. Agradeceram também o apoio do Ministério da Informação, Imprensa, Cultura e Turismo para a realização do evento.

Os organizadores também expressaram a sua gratidão pelo apoio contínuo de pais, professores, tutores e colaboradores, enfatizando que a educação dos jovens é um investimento fundamental para o futuro do país. Catalina Nchama – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


Itália - Antiga domus é revelada sob obra de restauração em Roma

Um projeto de restauração de rotina no Monte Célio, em Roma, levou à descoberta de um antigo edifício romano decorado com mosaicos, afrescos e tetos pintados. Arqueólogos descobriram oito cómodos que datam do século II d.C.


O que começou como um projeto de engenharia de rotina no Monte Célio, em Roma, transformou-se numa das descobertas arqueológicas mais significativas da cidade nos últimos tempos.

Arquitetos que reforçavam uma antiga muralha romana na Villa Celimontana descobriram inesperadamente os restos de um grande edifício da época romana, decorado com mosaicos elaborados, afrescos e tetos pintados. Os arqueólogos identificaram até agora oito cómodos, cinco dos quais foram totalmente escavados, enquanto vários outros se estendem para além da área de escavação atual.

A arqueóloga-chefe Simona Moretta disse que a equipa esperava encontrar vestígios antigos, dada a localização do sítio arqueológico próximo ao Fórum Romano, mas não em tal escala.

"Estando no coração da Roma antiga, a um passo do Fórum Romano, a possibilidade de haver algo antigo ali era algo que certamente havíamos considerado, mas não com esta importância. Encontrámos um edifício com cinco cómodos completos, além de outros oito cómodos cujas paredes se estendem até à área da seção de escavação, mas que não pudemos escavar. Trata-se, portanto, de um edifício bastante grande, especialmente com valiosas decorações de superfície, pois, em particular, no cómodo 'V', sobrepusemos dois mosaicos – um do século III d.C. e o inferior, por sua vez, do século II d.C."

As equipas de escavação estão agora a limpar e catalogar centenas de artefactos, incluindo fragmentos de mármore, cerâmica, mosaicos e gesso pintado. Os restauradores também estão a reconstruir um teto ricamente decorado, recuperado em grandes seções.

Moretta afirmou que a preservação do teto superou as expectativas.

"Também temos alguns fragmentos de afrescos e, especialmente no mosaico mais recente que encontrámos nesta sala, encontrámos partes da pintura do teto em grande escala, que conseguimos examinar com a ajuda de excelentes restauradores."

Ela acrescentou: "Agora, guardamos tudo e depois será reconstruído. Acho que teremos mais de 50% da sala inteira. Um teto lindo, pintado com círculos vermelhos e azuis e molduras de estuque branco com dentículos."

A descoberta obrigou os engenheiros a expandir o que havia sido originalmente planeado como um projeto de estabilização simples. A arquiteta Alessandra Centroni, diretora de obras, afirmou que a escavação rapidamente se tornou muito mais extensa do que o previsto.

"Obviamente, sendo esta uma descoberta excepcional, aprofundamos a escavação que não estava planeada para esta entidade, mas fomos gradualmente mais fundo, precisamente para tentar entender o que tínhamos diante de nós, em suma, o que estávamos a descobrir."

Segundo Daniela Porro, Superintendente Especial de Roma para Arqueologia, o complexo data do século II d.C. e foi posteriormente modificado durante o século III.

"Existem oito salas, das quais cinco foram completamente escavadas e três parcialmente escavadas, as quais, no entanto, revelaram uma decoração de grande valor com mosaicos no piso. Uma dessas salas possui um belo mosaico geométrico, cujo centro apresenta um emblema representando um golfinho e peixes ao redor de uma cratera."

Os investigadores ainda não determinaram a função original do edifício. A sua decoração refinada sugere que ele pode ter pertencido a uma família romana influente, embora outra possibilidade seja que tenha servido como quartel ligado ao antigo corpo de bombeiros da cidade.

Porro afirmou que serão necessárias mais pesquisas antes que se possa chegar a conclusões definitivas.

"Poderia ter sido uma domus pertencente a uma família importante, que teria uma decoração tão elegante, ou também poderiam ser quartéis ligados ao corpo de bombeiros da Roma antiga. E sobre este ponto, os estudos ainda estão em andamento e certamente acabarão por nos revelar algo mais."

A escavação faz parte dos trabalhos de restauração financiados pelo Plano Nacional de Recuperação e Resiliência (PNRR) da Itália, com o apoio da União Europeia. Os arqueólogos esperam que as escavações e os trabalhos de conservação em andamento forneçam novas informações sobre a história da Roma Antiga. Euronews.culture



Cabo Verde - Ceuzany Pires edita videoclipe do single “Sem Ninguém” em homenagem ao legado do Jorge Neto

Cidade da Praia - A cantora Ceuzany Pires editou o videoclipe do single Sem Ninguém, já disponível nas principais plataformas digitais e no YouTube, tema integrado no álbum Nô Tchal Tê Li, lançado em Novembro de 2025.


Sem Ninguém revitaliza o clássico imortalizado por Jorge Neto, numa homenagem directa ao artista, cuja figura permanece como uma referência marcante da cultura popular cabo-verdiana.

Integrado no álbum Nô Tchal Tê Li, lançado em Novembro de 2025, o tema aborda a violência doméstica com sensibilidade e força, transformando uma realidade dura num hino de libertação e afirmação pessoal.

A música da artista cabo-verdiana reforça ainda a importância de dar visibilidade às histórias de sobrevivência e afirma o direito à dignidade.

Sem Ninguém é a oitava faixa do álbum Nô Tchal Tê Li, composto por um total de 10 temas musicais. In “Inforpress” – Cabo Verde


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Nova Zelândia - Nova associação une portugueses

A comunidade portuguesa na Nova Zelândia conta oficialmente com uma nova estrutura associativa. A constituição da Portuguese Association of New Zealand Inc. foi formalizada no passado dia 28 de julho, anunciou a embaixada de Portugal em Camberra

Segundo a nota publicada pela representação diplomática portuguesa, a criação da associação resulta de um trabalho coletivo que a embaixada “teve o privilégio de incentivar e acompanhar desde o primeiro momento”.

Em estreita colaboração com o cônsul honorário de Portugal em Auckland, Davide Teixeira, e com portugueses e lusodescendentes de diferentes regiões da Nova Zelândia, foi possível concretizar um projeto há muito desejado pela comunidade.

De acordo com a mesma fonte, a nova associação pretende unir os portugueses espalhados pelo país, promover a língua e a cultura portuguesas e reforçar os laços que ligam a comunidade a Portugal.

A embaixada de Portugal em Camberra deixou ainda uma mensagem de felicitações a todos os que contribuíram para a concretização da iniciativa, desejando-lhes “os maiores sucessos nesta nova etapa”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Macau - Paula Carion quer levar a língua crioula a novos públicos em oficina de Patuá

A Associação de Estudantes Luso-Macaense (AELM) organiza este sábado, 8 de Agosto, um workshop dedicado ao Patuá, o crioulo que resulta do encontro de Portugal com a Ásia. A sessão, que terá lugar no Instituto Internacional de Macau, entre as 16h e as 18h, será conduzida por Paula Carion, vice-presidente da Associação dos Jovens Macaenses e membro dos Dóci Papiaçám di Macau, grupo de teatro em Patuá. O objectivo é sensibilizar a comunidade para a importância de uma língua que, apesar de reconhecida como património cultural imaterial, continua a ser desconhecida para muitos


As línguas só se mantém vivas enquanto houver quem as fale, quem as ouça e quem as ensine. Uma convicção que traz Paula Carion, figura recorrente no âmbito cultural macaense, a realizar mais um workshop dedicado ao Patuá, o crioulo de Macau que, desde 2021, integra a lista representativa do património cultural imaterial nacional da China. O evento, organizado pela Associação de Estudantes Luso-Macaense (AELM) e com a coorganização da Associação dos Jovens Macaenses, do Instituto Internacional de Macau (IIM) e dos Dóci Papiaçám di Macau, terá lugar este sábado, dia 8 de Agosto, nas instalações do IMM.

Em conversa com o Ponto Final, Paula Carion explica que este é o décimo workshop que realiza desde 2023, após ter passado por escolas, associações e até pela Universidade Chinesa de Hong Kong. O formato é interactivo e divide-se em duas partes: a primeira é uma introdução ao povo macaense, à sua cultura e à língua crioula; já a segunda aborda as festividades de Macau que mantêm influência da cultura portuguesa, tais como o teatro e o Chá Gordo.

A oradora diz que o público-alvo inclui membros da AELM, estudantes que frequentam ou frequentaram cursos relacionados com o português. Mas não só, também está aberto a todos os que manifestem interesse pela cultura macaense. A inscrição tem um custo simbólico de 30 patacas, e cerca de 30 participantes já garantiram lugar.

Quando questionada sobre a importância deste fenómeno linguístico de Macau, Paula Carion diz que o Patuá não deve ser apenas observado como um património exclusivo da comunidade macaense, mas como um “producto de Macau”. A sua preservação, defende Carion, “deve ser tão importante como a preservação, por exemplo, das Ruínas de São Paulo ou do Templo da Barra”. O objectivo do workshop, sublinha, não é ensinar a língua de forma exaustiva, mas sim sensibilizar a comunidade para a sua existência e valor cultural. “Espero que, através da apresentação, o público se interesse mais pelo Patuá e procure mais respostas para as suas questões”, afirma.

Já quanto à importância do reconhecimento do teatro em Patuá como património cultural imaterial nacional, Carion mostra-se pragmática. “O meu objectivo é começar aqui em Macau. Só quando mais pessoas locais estiverem mais familiarizadas com o Patuá é que poderemos promovê-lo na China ou mesmo no estrangeiro”. A oradora alerta ainda para o risco de desinformação, numa altura em que a língua continua a evoluir e a distanciar-se do crioulo original que chegou a Macau há três séculos.

O workshop é também uma oportunidade para sonhar. Carion confessa que descobriu recentemente que o Papiamento, um crioulo muito semelhante ao Patuá, foi reconhecido como língua oficial em Aruba, Bonaire e Curaçau. Embora saiba que um cenário semelhante para Macau seja improvável, admite que “se um dia, mesmo que seja um pequeno grupo de pessoas, pudesse conversar diariamente em Patuá, isso seria provavelmente o realizar de um sonho”.

O workshop “História de Macau – Workshop de Patuá” realiza-se no dia 8 de Agosto, das 16h às 18h, nas instalações do IIM.  As vagas são limitadas, pelo que se aconselha a visitar a página oficial do IMM para marcar presença mediante o pagamento. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


Lusofonia - Quase metade dos guineenses e cabo-verdianos consideram emigrar

Um relatório do Afrobarometer indicou que quase metade dos guineenses e cabo-verdianos considera emigrar por motivos económicos. Em Angola, a percentagem de pessoas que pondera sair do país é de 38%, em São Tomé e Príncipe de 31% e em Moçambique de 21%


Quase metade dos guineenses e cabo-verdianos inquiridos considera emigrar por razões económicas, revela-se no relatório do Afrobarometer que aponta a mesma tendência em Angola (38%), São Tomé e Príncipe (31%) e Moçambique (21%).

Uma das principais razões que levam os entrevistados a considerarem emigrar são económicas, sendo que “a intenção de migrar aumentou substancialmente”, segundo o relatório “Beyond Borders: Citizen Perspectives on a Shifting Global Order” (Além das Fronteiras: Perspectivas dos Cidadãos sobre uma Ordem Global em Transformação), tornado público em Acra, Gana, e que se baseia em dados de inquéritos representativos a nível nacional de 38 países africanos.

Entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), São Tomé e Príncipe destaca-se por ser o único a registar um declínio significativo na intenção de emigrar, descendo de 35% no período de 2016/2018 para 31% em 2024/2025.

No documento avalia-se também a percepção sobre o impacto económico dos imigrantes nos países de acolhimento. A maioria dos inquiridos em São Tomé e Príncipe (68%), Cabo Verde (65%) e Guiné-Bissau (54%) acredita que os estrangeiros que se mudam para o país para trabalhar têm uma influência “muito boa” na economia.

A Guiné-Bissau surge como um dos países mais acolhedores do continente, com cerca de 40% dos cidadãos entrevistados a defenderem que o país deveria receber mais trabalhadores.

Já Moçambique e Angola mantém opiniões mais divididas relativamente ao impacto positivo ou negativo dos imigrantes na economia.

No estudo analisa-se ainda as opiniões dos cidadãos dos países africanos sobre a abertura do comércio e a consciencialização do Acordo de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA, na sigla inglesa).

O conhecimento sobre o AfCFTA varia entre os PALOP, mas permanece reduzido em termos gerais.

A Guiné-Bissau destaca-se com a maior taxa de conhecimento (27%), seguida por Cabo Verde (24%).

Em contrapartida, os níveis de conhecimento são reduzidos em Angola (13%), São Tomé e Príncipe (12%) e Moçambique (11%), revelando uma escassez de informação sobre a integração comercial do continente.

Em todos os PALOP, a maioria dos inquiridos prefere priorizar parcerias comerciais com todos os países a nível global, em vez de um comércio exclusivo intra-africano ou sub-regional.

Cabo Verde (79%) e São Tomé e Príncipe (77%) lideram a preferência pelo comércio global, seguidos pela Guiné-Bissau (70%), Angola (63%) e Moçambique (61%).

Por fim, ao nível do livre comércio, os entrevistados dos PALOP expressaram uma posição favorável, à excepção de Angola, onde o apoio à abertura transfronteiriça é maioritariamente rejeitado – apenas 45% apoiam -, evidenciando uma tendência protecionista considerável, na qual 40% prefere proteger os produtores nacionais.

No relatório apresentam-se novas conclusões sobre as opiniões dos cidadãos relativamente ao comércio transfronteiriço e à integração económica, à migração, ao papel e à influência de África na governação global e às percepções sobre a influência das principais potências globais no continente. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


Macau - Aprova 30% de duas dezenas de quadros portugueses e brasileiros

O Governo recebeu, até ao momento, mais de 20 candidatos portugueses ou brasileiros, nas três edições dos Programas de Captação de Quadros Qualificados. Desses, foram admitidos mais de 30%, que pertencem a diversas áreas, incluindo o ensino e investigação e a aviação, revelou a Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados, ao Jornal Tribuna de Macau. Por outro lado, indicou que, dos candidatos não oriundos dos países lusófonos, quase 20 obtiveram pontos adicionais por serem proficientes na língua portuguesa e possuir graus académicos conferidos por instituições de ensino superior de Portugal. Neste caso, mais de 50% foram admitidos


Até ao momento, as autoridades receberam cerca de 2100 candidaturas válidas no âmbito das três edições dos Programas de Captação de Quadros Qualificados, das quais mais de 900 candidatos foram incluídos na “lista de quadros qualificados propostos para captação”. Entre as candidaturas recebidas, mais de 20 candidatos são de Portugal ou do Brasil, revelou a Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados (CDQQ), numa resposta enviada ao Jornal Tribuna de Macau.

Segundo a CDQQ, mais de 30% desses candidatos portugueses ou brasileiros foram incluídos na referida lista. Esses quadros admitidos para captação pertencem a diversas áreas, como o ensino e investigação e a aviação, constatou a Comissão.

Além de Portugal, Brasil e outros países lusófonos, as origens dos quadros qualificados admitidos até ao momento também incluem a Europa, os Estados Unidos e países ou regiões da Ásia, aponta a Comissão, avaliando que as três edições dos Programas de Captação de Quadros Qualificados conseguiram “alcançar resultados faseados”.

Neste ponto, a Comissão destacou que foram “captados com sucesso” diversos quadros qualificados de elevada qualidade, como membros da Academia Chinesa de Engenharia, atletas medalhadas com ouro e premiados do “Xplorer prize”.

A CDQQ garante ainda que “o Governo da RAEM congratula-se vivamente com a vinda de quadros qualificados dos Países de Língua Portuguesa (PLP) para se desenvolverem em Macau”, para isso, nas três edições dos programas de captação, estabeleceu critérios adicionais de pontuação relativos à proficiência na língua portuguesa e às áreas de especialização de Educação nas instituições de ensino superior de Portugal.

Segundo adiantou, dos candidatos não oriundos dos PLP, quase 20 obtiveram pontos adicionais por conseguir apresentar comprovativos sobre a proficiência na língua portuguesa e graus académicos conferidos por instituições de ensino superior de Portugal, que satisfazem os requisitos. Finalmente, mais de 50% desses candidatos foram incluídos na “lista de quadros qualificados propostos para captação”. Esses talentos também se dedicam a variados domínios, por exemplo, o ensino e investigação, sector de convenções e exposições (MICE) e aviação.

Nesta vertente, a Comissão recorda que, no programa para quadros altamente qualificados e no programa para profissionais de nível avançado, são dados pontos adicionais aos candidatos que possuam boa capacidade de expressão em língua portuguesa. Além disso, lembra que, no âmbito do programa para profissionais de nível avançado das indústrias cultural, desportiva e outras indústrias, os candidatos detentores de licenciatura em Educação ou do grau académico de um curso integrado de licenciatura e mestrado conferido por uma das cinco melhores instituições de ensino superior de Portugal podem também ganhar uma pontuação adicional.

Acrescenta ainda que, com o objectivo de atrair ainda mais quadros qualificados dos países lusófonos, a terceira edição dos referidos programas criou vários elementos favoráveis à atracção de quadros qualificados internacionais e dos PLP, incluindo a adição de 40 prémios ou títulos internacionalmente reconhecidos, o alargamento do âmbito de reconhecimento dos quadros qualificados de elevada qualidade e a introdução de critérios de pontuação relativos à habilitação académica das principais instituições de ensino superior dos PLP e à experiência profissional internacional.

Por outro lado, a CDQQ destaca que, para atrair ainda mais quadros qualificados lusófonos, o Governo da RAEM tem reforçado continuamente os trabalhos de divulgação das políticas de desenvolvimento de quadros qualificados de Macau. Neste aspecto, recorda que um dos intuitos da visita do Chefe do Executivo a quatro países europeus em Abril foi acelerar o alargamento e o aprofundamento da colaboração entre a RAEM, o Interior da China e os países de língua portuguesa e espanhola na atracção e formação de quadros qualificados.

Além disso, a visita visou ampliar o âmbito da divulgação das políticas do Governo da RAEM relativas aos quadros qualificados, através da procura de forma contínua de cooperações mais pragmáticas com os organismos governamentais, associações educativas e associações industriais e comerciais.

Perspectivando o futuro, a CDQQ prometeu que continuará a proceder aos trabalhos de divulgação, garantindo que os dois grupos de trabalho interdepartamentais (“O Grupo de Promoção e Desenvolvimento de Quadros Qualificados” e o “Grupo de Trabalho para Serviços de Quadros Qualificados”, criados em 2025) desempenham os devidos papéis. Além disso, a Comissão quer “aproveitar, sobretudo, o papel de interlocutor local da Delegação Económica e Comercial de Macau, em Lisboa, para que mais quadros qualificados dos países de língua portuguesa e espanhola conheçam as políticas de Macau relativas aos quadros qualificados e as oportunidades de desenvolvimento”.

Recorde-se que o Regime jurídico de captação de quadros qualificados entrou em vigor no dia 1 de Julho de 2023. O diploma prevê o lançamento do Programa de Captação de Quadros Qualificados e as suas três categorias. Recentemente, após a primeira reunião plenária ordinária deste ano da CDQQ, Kong Chi Meng, secretário-geral da Comissão, revelou que a maior parte dos quadros já admitidos pertence ao sector da educação, tendo em conta o desenvolvimento da Cidade Universitária em Hengqin.

Premiados 160 residentes para participação em exames CAPLE

Por outro lado, outro trabalho da CDQQ assenta na formação dos quadros qualificados de Macau em língua portuguesa, à qual a Comissão garante que o Governo “atribui importância”.

No âmbito do “Programa de Estímulo à Formação e aos Exames de Credenciação dos Quadros Qualificados”, lançado desde 2017, o Governo inclui a língua portuguesa no Catálogo de prémios relativos às competências linguísticas e mantém este idioma no Catálogo do Prémio de Avaliação da Competência em Línguas Estrangeiras de todas as edições do programa, para “encorajar mais residentes de Macau a estudar esta língua”, aponta.

Segundo revelou, até ao momento, mais de 160 residentes foram premiados para participação em exames do Centro de Avaliação de Português Língua Estrangeira (CAPLE).

Além disso, a CDQQ trabalha para melhor aproveitar os recursos de talentos de Macau, desenvolvendo trabalhos relacionados com o incentivo ao regresso de talentos locais, para se conseguir “os recursos humanos de alta qualidade que a região necessita e, também, o aumento geral da proporção de talentos em Macau”, segundo indica o site da Comissão.

Neste leque, a CDQQ tem vários trabalhos concretos. Por exemplo, construiu a plataforma de informações sobre o regresso de pessoas de Macau, realiza estudos e lançou, em conjunto com o Fundo Educativo, o “Programa do prémio para pessoal docente, investigador e administrativo que regressa a Macau para trabalhar num curto prazo”, no intuito de aumentar as hipóteses de regresso para prestarem serviço no território.

A este jornal, a Comissão notou que, nos últimos anos, a CDQQ e os serviços de educação têm marcado presença continuamente em diferentes ocasiões e actividades no estrangeiro, tendo interagido com residentes de Macau que trabalham ou estudam naqueles países ou regiões e incentivado mais residentes a regressar ao território. No entanto, a Comissão disse não ter dados sobre o número de residentes incentivados a regressar à cidade natal nem os sectores aos quais pertencem, uma vez que “o regresso ou não a Macau para o desenvolvimento depende da sua vontade e decisões pessoais”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

China - Estabelece um novo recorde para um único carregamento de veículos elétricos para o mercado europeu

A bordo seguiam 7738 Tesla Model 3 e Model Y produzidos na Gigafactory de Xangai, estabelecendo um novo recorde para um único carregamento de veículos elétricos expedidos a partir de um porto chinês com destino ao mercado europeu


Tem 230 metros de comprimento, 14 conveses e capacidade para transportar até 10.800 automóveis. Chama-se Glovis Nova e acaba de entrar para a história ao partir da China rumo à Europa com a maior carga de sempre de automóveis Tesla transportada num único navio.

A bordo seguiam 7738 Tesla Model 3 e Model Y produzidos na Gigafactory de Xangai, estabelecendo um novo recorde para um único carregamento de veículos elétricos expedidos a partir de um porto chinês com destino ao mercado europeu, segundo o ‘South China Morning Post’.

O destino da viagem foi Zeebrugge, na Bélgica, um dos principais portos de entrada de automóveis na Europa, de onde os veículos foram depois distribuídos por vários mercados europeus.

Os números ajudam a perceber a dimensão da operação. Se fossem estacionados em fila, os 7738 automóveis formariam uma coluna com cerca de 36 quilómetros. Lado a lado, ocupariam uma área equivalente a aproximadamente 9,5 campos de futebol, de acordo com os cálculos divulgados pelo porto de Xangai.

O Glovis Nova pertence à nova geração de navios concebidos para responder ao crescimento das exportações automóveis da China. Movido a gás natural liquefeito (GNL), está entre os maiores transportadores de automóveis do mundo e foi desenhado para reduzir as emissões sem sacrificar a enorme capacidade de carga.

A proximidade entre a Gigafactory da Tesla, em Xangai, e o porto de embarque é um dos fatores que ajuda a explicar a rapidez da operação. Os automóveis percorrem apenas alguns quilómetros desde a linha de produção até ao cais, onde são conduzidos para o interior do navio através de rampas que ligam os vários conveses.

Mais do que um simples recorde logístico, esta viagem ilustra a crescente importância da China no mercado automóvel mundial. Embora a Tesla seja uma empresa dos Estados Unidos, uma parte significativa dos Model 3 e Model Y vendidos na Europa continua a ser produzida em Xangai, seguindo depois por mar até aos portos europeus.

E tudo indica que este recorde poderá não durar muito tempo. Apesar dos 7738 automóveis transportados nesta viagem inaugural, o Glovis Nova pode levar até 10.800 veículos. À medida que entram ao serviço navios cada vez maiores, a fasquia promete continuar a subir. In “Automonitor” - Portugal


Cabo Verde - Artista Nelson Neves representa o país no projecto internacional "Manifiesto Universal"

O artista cabo-verdiano Nelson Neves, residente no Luxemburgo, foi convidado a representar Cabo Verde no projecto artístico internacional "Manifiesto Universal", lançado na Argentina pelos artistas Luis Gramet e Estela Lagorio


Esta iniciativa reunirá mais de 200 artistas de diferentes países em torno de uma obra de arte colectiva destinada a promover a paz, a tolerância e a harmonia entre os povos.

Numa nota enviada, a Federação das Associações Cabo-verdianas do Luxemburgo (FACVL) indica que a participação de Nelson Neves neste evento fortalece a presença cultural cabo-verdiana num país onde essa diáspora está bem estabelecida.

“Estou muito feliz por representar Cabo Verde neste projecto artístico internacional. É uma honra ter sido convidado pelos organizadores e poder contribuir, através da minha obra ‘Esperança’, para uma mensagem universal de paz”, afirmou Nelson Neves.

Para esta participação, Nelson Neves apresentará uma obra intitulada "Esperança", criada há poucos dias. Tal como as dos outros artistas convidados, a sua criação será integrada numa grande composição colectiva.

As várias telas formarão uma única obra monumental, com o objectivo de chamar a atenção da comunidade internacional para os valores da paz, da solidariedade e da coexistência.

Este projecto também possui um significado especial para Cabo Verde devido aos laços históricos que unem o país à Argentina. Esta nação sul-americana abriga uma grande comunidade cabo-verdiana, composta por famílias estabelecidas há gerações, bem como por estudantes que estão cursando ou já cursaram os seus estudos académicos no país.

O projecto incluirá uma exposição itinerante, a produção de um documentário e a publicação de um catálogo que apresentará os artistas e o trabalho colectivo. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”