A Associação de Estudantes Luso-Macaense (AELM) organiza este sábado, 8 de Agosto, um workshop dedicado ao Patuá, o crioulo que resulta do encontro de Portugal com a Ásia. A sessão, que terá lugar no Instituto Internacional de Macau, entre as 16h e as 18h, será conduzida por Paula Carion, vice-presidente da Associação dos Jovens Macaenses e membro dos Dóci Papiaçám di Macau, grupo de teatro em Patuá. O objectivo é sensibilizar a comunidade para a importância de uma língua que, apesar de reconhecida como património cultural imaterial, continua a ser desconhecida para muitos
As línguas só se mantém vivas enquanto
houver quem as fale, quem as ouça e quem as ensine. Uma convicção que traz
Paula Carion, figura recorrente no âmbito cultural macaense, a realizar mais um
workshop dedicado ao Patuá, o crioulo de Macau que, desde 2021, integra
a lista representativa do património cultural imaterial nacional da China. O
evento, organizado pela Associação de Estudantes Luso-Macaense (AELM) e com a
coorganização da Associação dos Jovens Macaenses, do Instituto Internacional de
Macau (IIM) e dos Dóci Papiaçám di Macau, terá lugar este sábado, dia 8 de
Agosto, nas instalações do IMM.
Em conversa com o Ponto Final, Paula Carion
explica que este é o décimo workshop que realiza desde 2023, após ter
passado por escolas, associações e até pela Universidade Chinesa de Hong Kong.
O formato é interactivo e divide-se em duas partes: a primeira é uma introdução
ao povo macaense, à sua cultura e à língua crioula; já a segunda aborda as
festividades de Macau que mantêm influência da cultura portuguesa, tais como o
teatro e o Chá Gordo.
A oradora diz que o público-alvo inclui membros da AELM,
estudantes que frequentam ou frequentaram cursos relacionados com o português.
Mas não só, também está aberto a todos os que manifestem interesse pela cultura
macaense. A inscrição tem um custo simbólico de 30 patacas, e cerca de 30
participantes já garantiram lugar.
Quando questionada sobre a importância deste fenómeno
linguístico de Macau, Paula Carion diz que o Patuá não deve ser apenas
observado como um património exclusivo da comunidade macaense, mas como um
“producto de Macau”. A sua preservação, defende Carion, “deve ser tão
importante como a preservação, por exemplo, das Ruínas de São Paulo ou do
Templo da Barra”. O objectivo do workshop, sublinha, não é ensinar a
língua de forma exaustiva, mas sim sensibilizar a comunidade para a sua
existência e valor cultural. “Espero que, através da apresentação, o público se
interesse mais pelo Patuá e procure mais respostas para as suas questões”,
afirma.
Já quanto à importância do reconhecimento do teatro em
Patuá como património cultural imaterial nacional, Carion mostra-se pragmática.
“O meu objectivo é começar aqui em Macau. Só quando mais pessoas locais
estiverem mais familiarizadas com o Patuá é que poderemos promovê-lo na China
ou mesmo no estrangeiro”. A oradora alerta ainda para o risco de desinformação,
numa altura em que a língua continua a evoluir e a distanciar-se do crioulo
original que chegou a Macau há três séculos.
O workshop é também uma oportunidade para sonhar.
Carion confessa que descobriu recentemente que o Papiamento, um crioulo muito
semelhante ao Patuá, foi reconhecido como língua oficial em Aruba, Bonaire e
Curaçau. Embora saiba que um cenário semelhante para Macau seja improvável,
admite que “se um dia, mesmo que seja um pequeno grupo de pessoas, pudesse
conversar diariamente em Patuá, isso seria provavelmente o realizar de um
sonho”.
O workshop “História de Macau – Workshop de
Patuá” realiza-se no dia 8 de Agosto, das 16h às 18h, nas instalações do
IIM. As vagas são limitadas, pelo que se
aconselha a visitar a página oficial do IMM para marcar presença mediante o
pagamento. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”